domingo, junho 13, 2004

Lisboa, amigos, Pixies, futebol, praia e eleições

Este fim-de-semana prolongado foi curto para tanta coisa. Um verdadeiro fim-de-semana de acontecimentos em catadupa que culminam num domingo descansado e repousante. Por isso vos escrevo hoje.

Tudo começou na noite de quarta-feira [09 de Junho de 2004], véspera de feriado. Depois da minha aula de japonês e da reunião da Cláudia, depois de arrumar as coisas no saco, rumámos à capital, onde chegámos já por volta da uma da manhã. Estava um calor...

O dia de Portugal [10 de Junho de 2004] foi passado a descobrir o que a capital do nosso belo país tem para oferecer a um par de turistas sedentos de ver coisas bonitas. Aliás não éramos os únicos. Pelo contrário, Lisboa estava cheia de estrangeiros à procura de sítios bonitos, com sombra e onde houvesse uma bebida fresca. Por momentos tive a sensação de que estava noutro país... Aquela Lisboa é outro país!

Felizmente era feriado e estava calor (não tão felizmente), pelo que a maioria dos alfacinhas rumaram para as praias deixando a cidade à mercê de quem gosta de a visitar. E nós gostámos! Eu gosto muito de Lisboa! Acho uma cidade bonita e cheia de luz. Tem montes de coisas típicas das cidades mediterrânicas mas já cheira a atlântico. É uma cidade que em nada fica atrás de muitas por onde já passei. E se visito as outras no estrangeiro, porque não visitar esta que aqui está ao lado e onde aliás falam a mesma língua que eu.

Bem! Falam a mesma língua, mas com um sotaque diferente e com um vocabulário esquisito. Como ao pequeno-almoço nos Restauradores, que peço um Pastel de Carne e o homem pergunta-me se é um croquete que eu quero. Mas pelo menos já sabem o que é um fino. Qualquer dia já sabem dizer "tio" e "treze" ("tiú" e "treuze" em alfancês) como deve ser.

Subimos ao Castelo de S. Jorge por Alfama e depois de desfrutarmos a vista almoçámos umas sardinhas (as primeiras do ano) enquanto por ali se preparava o arraial de S. António. Apareceu o PP e a Sílvia que nos acompanharam na descida de volta à Pr. da Figueira, antes de partirem à sua vida. Nós rumámos ao Chiado e daí ao Bairro Alto, mas nem parámos, pois tinha combinado com a Mariana no Cais do Sodré. Uma longa caminhada sob um calor que puxava a umas cervejas.

Já não ia ao centro de Lisboa há alguns anos. Acho que desde que a Geni se casou e fui com ela, à embaixada de França, por causa do visto dela para ir à Lua-de-mel a Bora Bora. Há 5 anos! E já não via a Mariana desde que voltei dos Estados Unidos, há quase 4 anos. Foi um fim-de-semana de voltar a recordar e reencontrar lugares e pessoas de que gosto muito. Como o PP e a Sílvia. Como o João, o Zé, o Gonçalo, o Pedro, o Pitta, o Nuno e o Daniel que encontrei no Super Bock Super Rock, na noite de sexta-feira [11 de Junho de 2004].

Acho que retornei à minha juventude ao percorrer as ruas do Chiado. Quando ia para a Reboleira, para casa da minha avó e em vez de ir para Carcavelos, para a praia, usava o bilhete de comboio para ir para o Chiado comprar discos de vinil. Na velha Valentim de Carvalho (agora transformada) onde comprei o Ocean Rain dos Echo and The Bunnymen ou o This is the Sea dos Waterboys.

Mas não foi por muito tempo. Foi mesmo a correr! O tempo passa quando estamos distraídos e de repente estava na hora de nos encontrarmos com a Mariana. No entretanto ainda encontrámos o Toninho e a Carla, mas já estávamos a correr... Para beber umas cervejas, com a Mariana, à beira rio e pôr a conversa em dia, depois de quatro anos sem nos vermos.

Foi bom. De novo tive a sensação que há amigos que não vão deixar de o ser por causa do tempo de ausência. Há pessoas com quem vivemos momentos tão importantes que jamais deixarão de ser nossos amigos. E na verdade só o são porque é assim, porque o à-vontade e o conhecimento mútuo fez diluir as barreiras que muitas vezes separam as pessoas. Gostei muito!

À noite foi a vez de dar espaço à cultura. Popular é verdade, mas é cultura. Fomos ao teatro ver o "Deixa-me Rir" e digo-vos que me ri. É uma crítica acertada à maioria dos políticos modernos que põem o seu cargo acima dos seus ideais e ao progresso e bem estar no país onde governam. O primeiro-ministro chamavam-no de DB... Embora fosse uma adaptação de uma peça inglesa, a verdade é que encaixava perfeitamente ao nosso país. Mas não posso falar disso porque hoje é dia de eleições e suposto não se fazer campanha.

Chegámos tarde a casa, depois de um prego no Saldanha e uma saída mal programada do autocarro que nos fez andar um quarteirão em vão.

Sexta-feira [11 de Junho de 2004] foi dia de Super Bock Super Rock. Que dizer? Os concertos foram bons (excepto o chato e entediante Lenny Kravitz), mas a organização jamais deveria deixar entrar tanta gente. Não havia condições! Estive uma hora para comprar um cachorro-quente que devorei em dois minutos, a seco pois era impossível chegar às tendas de bebidas. Já não tenho idade para estas coisas... Não que esteja ou me sinta velho, mas porque já lá estive, já vivi aquilo, já sei como é e prefiro ver um bom concerto com melhor condições. Festivais só se forem no campo.

Salvaram-se os X-Wife, Liars, Pixies e Massive Attack. Mas mesmo os concertos foram curtos, só para festival. Prefiro ver as bandas em recintos mais intimistas e em que lá está, está para ver verdadeiramente o concerto, não porque quer beber um copo.

Quando actuaram os Massive Attack estava de rastos. A Cláudia viu meio concerto e eu saí na última música do encore - Special Cases. É o segundo concerto que vejo deles e este, apesar de mais curto, foi muito melhor. O som estava excelente, enquanto que aquele que vi no Pavilhão Atlântico estava mesmo muito mau.

Mas para mim a banda da noite foram os Liars. Um misto de Sonic Youth com Nirvana e Blur. São de Nova York e devem andar em muito más companhias, mas a ouvir coisas muito boas. São um pouco barulhentos, mas fazem o meu género.

Não tenho muito mais a dizer a não ser que voltámos [12 de Junho de 2004], descansámos e fomos à praia hoje de manhã [13 de Junho de 2004]. Já votei e agora vou visitar mais uns amigos que não vejo há uns tempos – a Geni e o Anésio.

Até amanhã! Logo vos falarei da minha nova descoberta gastronómica/paisagística aqui da região de Aveiro – o Bico da Murtosa.

segunda-feira, junho 07, 2004

Diário de uma limpeza (Kriyas)

Este fim de semana enveredei, com um grupo de amigos, pela aventura de passar dois dias em retiro de yoga. Mas um retiro especial de purificação e limpeza. Um fim de semana em Vila Nova de Foz Côa, de remoção de toxinas internas estagnadas, imundice interior e bloqueios corporais, com vista a um melhor fluxo de energia e matéria no nosso corpo.

Aqui fica um diário...

Sábado, 05/06/04
10:00 Hoje acordámos para vomitar.
O exercício (vamana dhauti) consistia em beber, em jejum, 4 copos de água quente e salgada. Depois de umas contracções do abdómen (Nauli), vomitá-la, nem que para isso fosse preciso meter os dedos à boca. Repetir até a água sair límpida e sentir a bílis amarga na boca.
13:00 Clister (Basti)
Preciso descrever?
Se não sabem perguntem aos vossos avós.
15:30 Relaxar. Almoçar um sumo e um batido.
16:30 Tarde de repouso na praia de Almendra. As moscas e demais insectos não deixam o pessoal dormir. A praia ali está a ficar impraticável.
19:30 Finos e tremoços em Castelo Melhor.
21:30 Jantar gaspacho frio no terraço às escuras. Está um calor de verão. Ver umas fotos.
24:00 Dormir

Domingo, 06/06/04
11:00 Hoje acordámos para cagar.
O exercício (Shanka-prakshalan) consistia em beber, em jejum, uma série de 4 copos de água quente e salgado (menos salgada que a de sábado, mas...). Depois de uns exercícios para fazer a água descer, cagar no penico. Beber mais água até que só se caga a água da cor da que se bebe (incolor portanto).
14:30 Relaxar muito. Almoçar um arroz de jasmim cozido com ghee (manteiga clarificada).
17:00 Arrumar tudo para voltar.
18:00 Parar em Longroiva para um "banho" de água enxofrada. Para a próxima temos que incluir no fim de semana de kriyas um verdadeiro banho nas termas.
18:30 Visita a Marialva. Uma "visita de médico" pois o guia estava a fechar as portas. Acho que tem que se acabar sempre com uma visita a Marialva. Ao que se segue uma visita ao café para um queijo, presunto e um fino.
19:00 De volta a casa.
21:30 Chegada a Aveiro.
24:00 Dormir.

Hoje sinto-me muito mais feliz e seguro comigo mesmo. Sinto-me mais limpo e funcional. Não levei nenhum dos exercícios até ao objectivo final (a água límpida) porque, como era a primeira vez que os fazia, demoraria muito tempo (mais ainda do que demorei) a atingir a verdadeira limpeza. Não porque não os soubesse fazer, mas porque a quantidade de porcaria para desbloquear e sair era muita. Nós somos uma verdadeira arca de imundice.

É uma experiência a repetir.

sexta-feira, junho 04, 2004

Casa dos Leitões

Há sítios que colecciono não porque sejam especialmente bonitos ou porque sejam especialmente bons, mas porque foram, ou são, especialmente agradáveis e porque guardo deles imagens agradáveis associadas a momentos bons lá passados.

Às vezes vêem-me imagens à cabeça de sítios de que já nem me lembro do nome ou que nem sequer sei onde são, mas que ficaram gravados no meu subconsciente como sítios agradáveis. Como por exemplo um sítio perto de Teijo na Finlândia, onde tomei banho num lago de cor vermelha (água ferrosa). Sempre que tento meditar, penso num sítio calmo e relaxaste e não consigo não pensar nesse lago.

Mas há outros, que não me transmitem paz mas fazem pensar em felicidade, como o Bar Anita em San Carles de Peralta, em Ibiza, ou a Hamburgueria do Joni em Castelo de Vide. Um desses sítios que aparentemente não têm nada de especial é a Casa dos Leitões em Angeja.

Ontem fui lá jantar com mais 14 amigos e amigas. Foi uma noite agradável.

Eu depois mando-vos o mapa e as indicações!

quarta-feira, junho 02, 2004

Sirsasana

Acho que nunca falei muito da minha pratica de Yoga. Acho que é porque isso é algo pessoal e difícil de explicar. Não porque seja estranho, mas porque por vezes suscita perguntas difíceis e sobretudo respostas que só se conseguem dar se a outra pessoa praticar Yoga.

Já pratico Yoga há dois anos e meio. Ainda me lembro da minha primeira aula e como me custava até ficar sentado. Depois deste tempo todo evoluí. Sim! Acho que ganhei alguma elasticidade, bastantes capacidades físicas e acima de tudo muita consciência. Consciência dos meus erros de postura física, consciência das minhas capacidades e consciência de que sou sempre capaz de ir mais longe.

Mas sobretudo ganhei também novos amigos e novos interesses. Evoluí.

Porém em termos físicos, que é aquilo que toda a gente pergunta primeiro (logo a seguir ao facto de já ser ou não vegetariano e se o desempenho sexual melhorou) evoluí desde a altura que comecei a conseguir fazer o Sirsasana.

Foi há cerca de um ano, que com a minha ida para o Japão me dediquei a fazer este asana (posturas físicas) todas as manhãs. Era quase o único momento que dedicava a mim mesmo durante todo o dia. Quando cheguei continuei a fazê-lo.

Mas vou explicar em que consiste o Sirsasana. Bem! Não é difícil de explicar e até parece uma coisa simples. Mas... Experimentem pôr-se de cabeça para baixo apoiados nos vossos antebraços cerca de 2 a 5 minutos (ou mais) sem cair.

Ok! Vejam a imagem:
Sequência para fazer o Sirsasana

A ideia é colocar os braços no chão, com os cotovelos separados da largura do antebraço. Para isso agarrem cada cotovelo com a mão contrária. Sem tirar os cotovelos desse sítio juntem as mãos fazendo um triângulo no chão com os braços. Entrelacem os dedos. No meio das mãos coloquem a parte superior da cabeça e levantem as ancas esticando as pernas. Caminhem para as mãos. Levantem as pernas do chão e estiquem-nas no ar.

Caíram? Usem a parede para que isso não aconteça. Se calhar é melhor nem tentarem fazer isto em casa sozinhos. Um dia caí e torci um dedo da mão. Andei umas duas semanas com um dedo com o dobro do tamanho e negro. Durante meses não fui capaz de repetir o Sirsasana sem a ajuda (psicológica) de uma parede.

Além disso eu (ainda) não sou instrutor de Yoga. E nem quero tirar o lugar da minha instrutora. Por isso se quiserem experimentar vão ao Jardim de Lótus (ela é uma excelente instrutora – É verdade! Não estou a escrever isto porque ela lê o blog, mas porque é verdade!). Se quiserem ajuda para perder a vergonha, telefonem-me que eu vou lá convosco.

Jardim de Lótus

Mas, acreditem que o Sirsasana todas as manhãs é das melhores coisas que há e tem me ajudado a ganhar coragem para enfrentar um dia de trabalho.

Hoje não fiz! O dia correu menos bem...

sábado, maio 29, 2004

Um texto inolvidável

Estava aqui em casa a arrumar uma papelada velha e deparei com um texto que me enviou um grande amigo, quando ele estava em Londres em Erasmus, há cerca de 10 anos.

Há coisas que jamais podemos esquecer. Este texto é uma dessas coisas. Desculpem os palavrões!

"A cona britânica, animal raro por bandas de Portugal mas abundante por estas águas, encontra-se um pouco por todo a parte. Característica única no entanto é o facto de quando húmida e quente não ter pejo em demonstrar seu afecto, criando ocasiões ricas em truncagem carnal. Com um cheiro de rosas, peixe podre, queijo camembert ligeiramente polvilhado de almíscar e rosas, a cona britânica está no seu melhor quando se deixa o molho ferver. Nessa altura destapa-se levemente e afagando-a com a palma da mão vê-se se está pronta a colher. Deve-se no entanto deixar inteira liberdade à dona da cona, porque do prazer percebem estas meninas e desde chupar sem remorso o menino todo até pensar que todos os buracos são válidos, vai um vasto campo a que ultimamente se pode dar uso.
Mas eu sou um homem fiel, não se esqueçam, tudo o que vos conto foi-me passado na mais inteira confiança por 'pessoas' dentro da matéria
"
Nuno, Londres, 6 de Julho de 1994

quinta-feira, maio 27, 2004

Gelsenkirchen

FCP vencedor da Liga dos Campeões

Eu não sou portista, mas cresci na cidade do Porto. A Cláudia é portista. Hoje estou feliz porque o FCP é o vencedor da Liga dos Campeões. Festejando assim, me junto à grande massa portista. Parafraseado o velhinho João "pudim" Pinto - "hoje o meu coração só tem uma cor Azul e branco". Portugal hoje é Portista.

Assim fica para a história do futebol português uma cidade com um nome que todos achavam impronunciável e que já todos aprenderam a dizer (bem ou mal).

terça-feira, maio 25, 2004

Networking!

Há uns anos a Cláudia pediu-me, que na qualidade de Engenheiro, fosse falar com os alunos dela, da Escola Secundária de Albergaria-a-Velha, num dia dedicado às profissões e saídas profissionais. Eu ia representar a minha classe profissional, ao lado de um arquitecto, um agrónomo e já não me lembro quem mais, para mostrar aos rapazes e raparigas que passavam do 9º para o 10º ano de escolaridade, que a escolha que em breve iriam fazer era um passo para o seu futuro.

Na altura falei sobre se era fácil ou não tirar um curso universitário e lembro-me que, para mim, o mais importante do que disse era que o futuro não se fazia em casa em frente à televisão, mas que as oportunidades estão na rua, e que saíssem de casa e criassem as suas próprias oportunidades. Lembro-me que, no final, a psicóloga da escola me disse que se eu achava que o curso não tinha sido difícil o mesmo não se aplicava a outros, mas que tinha toda a razão na questão das oportunidades.

Isto tudo por causa do networking, um conceito muito engraçado, que aplicado aos negócios e à vida pode trazer resultados muito agradáveis. O conceito está sempre presente no nosso dia-a-dia, aliás como dizem o Ken e a Sue (o casal de ingleses que estão a construir uma casa na Alombada) nas suas crónicas de Portugal, que este é o país do networking, porque se precisarem de um seguro há sempre alguém que tem um primo que é casado com a filha de um tipo que até tem uns seguros porreiros. Ou se precisarem de um canalizador, há sempre aquele amigo do cunhado do primo do amigo do João que vive não sei onde e que trabalha em não sei o quê. Isso é o que se chama networking.

Às vezes é confundido com cunhas ou tráfico de influências, mas aí é a um nível muito mais alto da xadrez e é quando é usado para fins menos legais. O fazer networking é apenas o misturar de pessoas de diferentes backgrounds de modo que as oportunidades sejam concretizadas e até surjam sinergias. Isto parece paleio de economista, mas na verdade é muito simples.

Aliás existem sites de networking (quem ainda não ouviu falar do Orkut ou do LinkedIn?) e encontros de networking. E existem eventos que não sendo declaradamente de networking resultam em troca de contactos e conhecimentos que se podem chamar de networking. (Acho que já escrevi networking vezes suficientes para terem decorado o conceito)

Mas isto tudo porquê? Porque este fim-de-semana estive numa festa de inauguração da casa do meu amigo Miguel Monteiro em que voltei a encontrar velhos amigos que não via há anos e que é sempre bom manter o contacto, não só porque são velhos amigos mas porque podem resultar em boas oportunidades. Parece interesse ou oportunismo, mas não é! Aliás se oportunismo for "aproveitamento das situações de modo a chegar mais facilmente a um resultado favorável", como diz o dicionário, e se isso não prejudicar ninguém, não pode ser mal visto.

Na semana anterior fui a outra festa do Jorge Simões, onde novamente encontrei gente conhecida e que me levaram a conhecer mais gente. A um jantar com a Jacinta, ou mesmo uma saída à noite. E assim vamos criando uma rede de contactos.

Por outro lado uma rede convém ser mantida. E as Crónicas da (e depois da) Califórnia são uma maneira de manter o contacto.

Saiam de casa! Saiam da casca!

sexta-feira, maio 21, 2004

Everyday is like Sunday

Trudging slowly over wet sand
Back to the bench where your clothes were stolen
This is the coastal town
That they forgot to close down
Armageddon - come Armageddon!
Come, Armageddon! Come!

Everyday is like Sunday
Everyday is silent and grey

Hide on the promenade
Etch a postcard :
"How I Dearly Wish I Was Not Here"
In the seaside town
...that they forgot to bomb
Come, Come, Come - nuclear bomb

Everyday is like Sunday
Everyday is silent and grey

Trudging back over pebbles and sand
And a strange dust lands on your hands
(And on your face...)
(On your face ...)
(On your face ...)
(On your face ...)

Everyday is like Sunday
"Win Yourself A Cheap Tray"
Share some greased tea with me
Everyday is silent and grey


por Morrissey Ouvir excerto

quarta-feira, maio 19, 2004

As gloriosas fotos

1982 - Eu a tentar mostrar que sabia andar de bicicleta só para a foto!1994 - Eu e o Luís no cimo do monte do Castelo do Rabaçal com uns lindos calções!

1996 - No carro antigo dos Bombeiros Salvação Pública de Chaves. Sou o segundo da esquerda, sentado!2004 - Eu e o Armando há umas semanas na Foz Do Sabor. Como a vestimenta evoluiu!

A Vaynessa!

Para comemorar a passagem de ano, minha e do meu irmão, o meu pai decidiu comprar uma bicicleta para os dois. Uma bicicleta cor-de-laranja, em segunda mão e sem velocidades. O suficiente para começarmos a andar.

Já não me lembro quando foi, mas deve ter sido no fim da quarta classe do meu irmão, por isso no fim da minha segunda. Tinha 8 anos!

Eu nem queria andar. A bicicleta era grande para mim e além disso o meu irmão monopolizava-a. Ele fazia a rua toda sem mãos e até subia passeios sem mãos. Eu acho que tinha inveja e nem sequer queria andar na bicicleta.

Em Agosto de 1979, na praia de Esmoriz, ganhei o concurso de construções na areia do Diário de Notícias. Fiz um barco de areia, com remos de madeira, amarrado por uma alga a um cais, também de areia. Acho que ganhei não pela qualidade do trabalho em si, mas pela originalidade de usar algas e paus que antecipadamente levava no bolso dos meus calções de banho. Tinha quase 10 anos e adorava aqueles calções que tinham um velcro na zona da braguilha.

Lembro-me que estava com os meus pais numa roulotte de venda de comida junto à praia velha de Esmoriz, junto ao bairro dos pescadores. Tive que ir a pé até junto à praia nova, mais a norte, sozinho, para a entrega dos prémios. Na altura não sabia ainda que tinha ganho. Fiquei feliz por ter ganho, mas queria ter ficado com o segundo prémio que era composto pela obra completa d'"Os Cinco", "Os Sete" e a "Colecção Mistério" da Enid Blyton. Eu ganhei uma bicicleta, mas nem sabia andar de bicicleta e gostava de ler aqueles livros de aventura. Além disso a bicicleta tinha quadro de menina.

Uns dois ou três anos mais tarde ganhei num sorteio nacional uma outra bicicleta. Foi num concurso da "Topo Topo", um gelado-bebida muito semelhante ao "Fá", e que estava ligado ao programa de televisão do Topo Gigio, aquele rato idiota italiano que dava na RTP (a única emissora na altura) apresentado por o não menos idiota Rui Guedes (que será feito deste senhor?). Tinha que responder a umas perguntas do Guinness cujas respostas saiam nos gelados e enviar para o sorteio. Um colega meu da escola tinha o Guinness e nem precisámos de comprar assim tantos gelados.

A bicicleta era uma Tip Top. Uma BMX! Foram-ma levar a casa, pois na altura foram apenas premiadas 21 pessoas a nível nacional. O primeiro ganhou uma viagem a Itália e os outros ganharam bicicletas. Eu ganhei a minha terceira bicicleta e nem sequer sabia andar para tirar as fotografias para a posteridade (ainda tenho essas fotos que eu depois postarei aqui).

Uns dias mais tardes decidi que era altura de começar a andar de bicicleta. Aliás aquela BMX era mesmo bonita e fazia a inveja dos miúdos todos da rua. Tinha 13 anos. Saí à rua com a minha Tip Top e segui os conselhos do meu irmão – "Não olhes para a roda da frente". Montei em cima da bicicleta, comecei a andar como se sempre soubesse fazê-lo. Acho que de tanto observar os outros aprendi a andar sem o fazer fisicamente.

Quando ia brincar nunca saía de casa sem ser de bicicleta. Era tão mais simples. Adorava fazer quilómetros e aventurar-me pelos pinhais da vizinhança na minha BMX. Não era muito habilidoso, mas só deixei a Tip Top quando parti o quadro pela segunda vez, quando já nem com a soldadura habilidosa de um vizinho o consegui ressuscitar novamente. Não sei que idade tinha, mas já devia ter uns 16 ou 17.

Já que não podia reaver o quadro, mudei todo o material da Tip Top para a bicicleta que tinha ganho em Esmoriz e que nunca tinha andado. Pintei-a com uns sprays de tinta, para ficar com mais estilo e tinha uma bicicleta nova. Uma BMX com quadro de senhora de passeio e pintada de verde às pintas amarelas. Só visto!!!!

No entretanto também dobrei o quadro da "pintas" e mudei-me para a Universidade de Aveiro. Durante 4 anos não tive bicicleta alguma. Andava aqui ou ali com as bicicletas de amigos, mas não tinha capacidade de comprar uma para mim. Além disso Aveiro é uma cidade pequena e fácil de percorrer a pé.

No último ano do curso [1994], quando já trabalhava a dar aulas na Esc. Sec. José Estêvão em Aveiro, comprei uma BTT. Como ia dar aulas de bicicleta, os alunos chamavam-me o "BTT" (esqueci-me desta alcunha no outro post). Era uma Marvil e tinha 21 velocidades Shimano. Essa compra tem uma longa história associada, mas isso fica para outra vez.

Novamente o quadro sofreu danos irreparáveis na preparação de uma prova de orientação em BTT na Serra do Sicó, em 1996. A organização pagou-me parte do quadro e comprei um Sunn Revolt 2, novo. A minha primeira bicicleta não nacional. O brilho dos meus olhos.

Revolt 2 Custom

Era linda. O quadro era uma edição especial polida e envernizada. Pedi a um amigo para me mandar uma suspensão RockShox dos Estados Unidos. Raiei eu as rodas e montei todas as peças com o maior carinho. Era a MINHA bicicleta. Toda feita com o melhor material que o meu dinheiro podia comprar. Linda!

Foi minha companheira de muitas provas e passeios. Acho que foi a bicicleta que mais quilómetros fez comigo fora de estrada e que me fez gozar mais adrenalina. Desde Serpa a Beja, Chaves a Vila Real, Marvão a Portalegre, em Aveiro, em Castelo de Vide ou em Entre-os-rios, ajudou-me a ganhar algumas taças e medalhas, mas acima de tudo fez-me um amante da natureza e do prazer de chegar cada vez mais alto.

Mas como todas as anteriores teve que "morrer". No final do verão de 1999 tive que trocar o meu belo quadro polido por um outro, porque tinha havido um problema no envernizamento e o quadro começou a ganhar ferrugem nas soldaduras. Felizmente um dos importadores da Sunn (na altura) é meu amigo e numa visita à fábrica, em Andorra, trocou-me por um quadro Urge Un Flex.

Até pouco antes eu trabalhava na Sociedade Comercial do Vouga, o importador nacional da Shimano, e graças a uns contactos e umas amostras consegui montar a bicicleta com o de melhor havia no mercado, quase sem custos. A bicicleta só ficou pronta, como está agora, em Janeiro de 2000, uma semana antes de voar em direcção às minhas aventuras na Califórnia. E a Vaynessa, o nome que dei a esta bicicleta, acompanhou-me quase para todo o lado e em todo o tempo que estive no Golden State.

Revolt 2 Custom

Isto tudo porque pedalei na Vaynessa para o trabalho. Depois de algumas semanas parada, porque dobrei a ponteira do quadro num tombo, finalmente arranjei-a e já posso de novo usar a Vaynessa como meio de transporte.

Já não ando tanto como andava há uns anos e já não me dedico tanto à bicicleta como o fazia na altura da Revolt 2, mas continuo a fazer uns quilómetros de vez em quando. Com o maior dos prazeres.

terça-feira, maio 18, 2004

Aprender com os erros!

Na minha modesta opinião, uma das maiores demonstrações de falta de inteligência é o facto de não se conseguir aprender com os erros cometidos. E há tanta gente que não quer aprender...

Deixo-vos com uma história simpática.

Thomas Edison testou dois mil materiais diferentes na tentativa de encontrar um que pudesse ser usado no filamento das lâmpadas. Depois de nenhum deles dar resultados satisfatórios, o seu assistente lamentou-se "Todo o nosso trabalho foi em vão. Não aprendemos nada."

Edison respondeu confiante, "Oh, percorremos um longo caminho e aprendemos muito. Sabemos agora que existem dois mil elementos que não podem ser usados no fabrico de uma boa lâmpada."

segunda-feira, maio 17, 2004

O Sueco e os Portugueses!

Esqueci-me de vos dizer que o sueco, que veio sozinho de moto desde a Suécia, ficou a dormir no Parque de Campismo da Barra. E acreditem que deve ter e ganhar mais dinheiro que muitos portugueses, o que até lhe permitia dormir num bom hotel de Aveiro. Mas ele preferiu o sossego da Barra (nesta altura do ano).

Gostava de ver alguns portugueses a fazer o mesmo. Quantos são capazes de deixar de ir ao Algarve no verão e ir dormir em parques de campismo para poderem conhecer outras culturas? Não! Para quê? As férias são para descansar e não fazer absolutamente nada. E gastar uma pipa de dinheiro em 15 dias. Ficar preso em filas de trânsito e esperar horas por uma mesa num restaurante que faz comida a granel sem qualidade nenhuma e se faz cobrar como se fosse o melhor. E é! É o melhor da sua rua e naquela rua naquela altura existem centenas de pessoas com fome.

Férias são para descansar! Sim! São para fugir da rotina! Para se esquecer do trabalho. E nada melhor que mudar de cultura para se esquecer tudo. Infelizmente este ano não posso mudar muito, mas vou tentar.

Orgulho no meu país!

Quinta-feira [13 de Maio de 2004], dia de Nossa Senhora de Fátima, dia do desfile do Enterro do Ano em Aveiro, fui com a Cláudia beber uns finos e ver o pôr-do-sol numa esplanada na Barra – Boca da Barra, mesmo ao lado do Farol. Estávamos ambos de mau humor com a vida e apeteceu-nos sair da rotina. Estava um fim de dia magnífico!

Por acaso no café, a jantar, estava um senhor já nos seus cinquentas a comer um polvo. Era sueco! Perguntamo-lhe e tivemos quase uma hora na conversa com ele. Tinha vindo só de moto, desde a Suécia, e o fim da estrada era ali, a Barra.

Conseguimos sair da rotina. De tal maneira que ele me conseguiu pôr uma "pastilha" de tabaco entre as gengivas e lábio, uma típica coisa sueca ou nórdica. Sinceramente não era desagradável, mas depois de três finos e em jejum, nicotina no sangue só me fez disparar a ebriedade. Além disso era perfumado e enjoou-me um pouco.

Falámos das Åland (lê-se Ôland), um grupo de ilhotas perdidas no Mar da Finlândia, algures entre Helsínquia e Estocolmo, onde eu e a Cláudia passámos uns dias fantásticos no verão de 2001. Ilhas com nomes tão esquisitos como Kökar (lê-se Iêkar), Brandö ou Mariehamn e que nunca nos esqueceremos. Umas ilhas onde a língua predominante é o sueco, apesar de ser um território (autónomo) da Finlândia, e desmilitarizado. Um lugar que aos olhos de um nórdico em nada era atractivo para dois portugueses que tinham umas praias tão bonitas como aquela que estava à nossa frente.

"Vocês devem ter orgulho no vosso país", disse-nos, falando das praias, do tempo e até das estradas. Tinha acabado de fazer a IP5 e achou que era bastante calma, bonita e de borla. Teve sorte.

Nós temos orgulho no nosso país! E dissemo-lo! Se assim não fosse já teríamos escolhido outro para viver. Queixámo-nos apenas da falta de oportunidades e dos ordenados baixos. E da falta de capacidade da maioria das pessoas que gerem os interesses do país e da maioria das empresas portuguesas.

Esses enchem-me de vergonha!

Pontualidade!

Eu era pontual. Tinha por norma chegar, ao local de encontro, sempre um quarto de hora antes da hora marcada. E ficava furioso quando não o conseguia fazer, porque na maioria das vezes, que isso acontecia, era por causa de terceiros.

Juro que era pontual! E cheguei a estar uma hora à espera de outras pessoas. No tempo em que não havia telemóveis e não havia maneira de avisar que se estava atrasado ou maneira de se saber quais os motivos do atraso.

Mas, hoje em dia, deixei de ser pontual. Olho à minha volta e não vejo ninguém que seja como eu (excepto a Cláudia). Os meus amigos, tirando um ou outro, NUNCA chegam a horas. Dizem que estão a chegar e ainda estão a sair (uma táctica que passei a adoptar com alguns, também). Mas, esses são meus amigos e aprendi a viver com isso.

No emprego, perdi a minha fé na pontualidade! Não há uma reunião de trabalho que comece a horas! E só se lembram disso quando já passou um quarto de hora da hora de começo. Mesmo quando a reunião é com ingleses, os portugueses teimam em chegar atrasados. Eu já tentei explicar aos ingleses que o tempo em Portugal anda de quarto em quarto de hora, entre os 15, 30, 45 minutos ou a hora, não há tempo. Se uma reunião não começa aos 30, nunca vai começar antes dos 45.

Deixei de ser pontual. Acho falta de respeito! Enerva-me! E não tenho tempo para estar à espera.

domingo, maio 16, 2004

As últimas semanas

Estas duas semanas foram de doidos. Desde trabalhar num sábado feriado, num feriado e até pedir a minha recolocação na seio da empresa, deslocando-me para um outro grupo de trabalho.

As duas primeiras ocorrências deveram-se a problemas de incompatibilidade de desempenho entre o nosso software e o dos japoneses. Aliás entre o código dos japoneses e aquilo que dizem os seus documentos sobre o mesmo. Isso fez com que andássemos perdidos durante semanas, porque por outro lado também não conseguíamos ver o que se passava entre os diferentes níveis de software (fazer debug) porque estamos a testar mesmo no telemóvel. Um belo telemóvel de terceira geração com uns fios pendurados com o qual tentamos ligar ao sistema de GPS para obtermos a nossa localização.

NEC e616 aberto

O insucesso era de tal ordem que há umas semanas disse ao Simon, o meu congénere inglês, que só achava que se conseguiria algo, a tempo de ser mostrado para a semana que vem aos japoneses, se acontecesse um milagre de Fátima. Na quarta [12 de Maio de 2004], véspera de Nossa Senhora de Fátima, disse aos meus colegas que se conseguíssemos íamos todos jantar a Fátima. E no dia de Nossa Senhora de Fátima, quinta-feira [13 de Maio de 2004], tudo começou a bater certo. E no fim do dia havia algo pronto e demonstrável.

Eu não acredito em milagres mas que vou jantar a Fátima, vou.

Aliás lembram-se do post que aqui coloquei sobre Vilarinho das Furnas? Pois eu acho que Fátima é um sítio também cheio de energia e uma energia muito boa e tranquilizante. Não tem nada a ver com religião. Como o líder espiritual da comunidade Hindu de Portugal, que lá foi há umas semanas, e disse que o fazia por ser um dos lugares santos do mundo e porque se sentia a energia do lugar, não porque se pensasse Católico.

Mas estou a fugir à conversa. Sim! Pedi para mudar de grupo! Decidi que sou mais útil na empresa num grupo onde não esteja em conflito com o meu Team Leader e nem que para isso tenha que perder regalias de carreira, se é que naquela empresa existe tal coisa como carreira. O pedido foi aceite e será atendido assim que for possível, segundo palavras do administrador. Eu comuniquei o facto ao meu Team Leader e comprometi-me a cumprir as minhas funções no meu grupo actual até que a recolocação tome efeito. Ponto final!

quarta-feira, maio 12, 2004

Feriado de alguns

Hoje é feriado em Aveiro... Dia de Santa Joana Princesa! Um dia santo para alguns!

Um dia de trabalho para outros!

segunda-feira, maio 10, 2004

12 anos!

Há uns tempos que pensava que este ano fazia dez anos de namoro com a Cláudia. Ontem descobri que afinal são doze. Foi sexta-feira. Nem nos lembrámos!

Ao Pôr-do-sol em Death Valley

Ficam aqui umas palavras de outros, mas que podiam ser minhas, para celebrar o feliz evento:
"One love we don't need another love
One love one heart and one soul
We can have it all
Easy peasy

Any time you want me
Any time at all
Any time you need me
All you gotta do is call"

Em "One Love"- Stone Roses Ouvir excerto

quinta-feira, maio 06, 2004

Acerca dos nomes...

Ando a ler uma mini-série de banda desenhada chamada "The Books of Magic" (a primeira) em quatro números e escrita por Neil Gaiman, o escritor de Sandman, uma das mais aclamadas séries da banda desenhada actual. Esta é uma obra inicialmente editada em finais de 1990 e inícios de 1991, uma meia dúzia de anos antes do Harry Potter, mas que tem algumas semelhanças com aquelas histórias. É também a história de um miúdo que entra para o mundo da magia, mas aqui a história tem contornos muito pouco perceptíveis a menores de idade, pois o miúdo vive no nosso mundo e é levado a conhecer o lado negro da magia a ponto de quase não retornar.

The Books of Magic #1 The Books of Magic #2 The Books of Magic #3 The Books of Magic #4

Mas isto para falar dos nomes. Acontece que uma das primeiras coisas que o Timothy Hunter (é o nome do miúdo) aprende, e que é constantemente dito ao longo da sua caminhada pelo mundo da magia, é que saber o verdadeiro nome de uma pessoa é ter poder sobre ela, e que esse apenas pode ser revelado à aqueles que realmente confiamos.

Eu não concordo com esta perspectiva, porque se calhar não vivo no mundo da magia, mas na verdade há muita gente que não me conhece pelo verdadeiro nome e nem sequer imagina qual é.

A Cláudia no outro dia disse "quando ele ainda era Mané", mas na verdade ainda sou Mané para toda a minha família e antigos vizinhos na Maia. E a maioria dessas pessoas nem sabe e nem imagina que me chamo Rui, pois o Mané vem do meu segundo nome Manuel (e não de tolo ou palerma). Ainda há umas semanas encontrei a Susana e a Zaira, minhas amigas de infância e elas cumprimentaram-me como Mané.

Mas a Cláudia tinha razão, porque esse foi o "nome" que me acompanhou toda a infância e juventude. Só deixei de ser Mané, para a maioria dos meus amigos, quando vim estudar para Aveiro. Aliás em Aveiro apenas o meu primeiro colega de quarto – o Quim - é que me chamava esse nome e apenas por influência do meu irmão. Mas já voltamos a Aveiro.

No entretanto, na escola secundária (Fontes Pereira de Melo) era conhecido por "Canário". É cómico mas nunca me importei que me chamassem por alcunhas, desde que estas fossem usadas com respeito. Acho que é preferível assumir-mos as razões porque nos chamam esse nomes e aceitarmos as alcunhas, do que as usarem nas nossas costas para nos ofenderem. Ainda hoje o Miguel (Monteiro) me trata por "Canário" e foi por causa disso que me lembrei de escrever isto.

Mas se "Canário" pode parecer depreciativo, pois estava ligado ao facto de eu usar constantemente um casaco amarelo nesse tempo, a minha alcunha na universidade é bem mais chocante e prende-se ao facto de usar sempre cabelo comprido. Ainda hoje há (mesmo) muita gente que me chama "Lóló" porque não sabe o meu verdadeiro nome. E até a minha irmã, que veio para Aveiro depois de mim, herdou a alcunha.

Há um tipo que reclama que o "Lóló" vem do facto do meu irmão ser alcunhado de "Lúlú" (Luís) na Universidade de Aveiro, mas nada tem a ver. A verdade é que quando me mudei para Aveiro, em 1989, a cidade e a universidade eram muito conservadoras e tirando o (Luís) Pitta mais ninguém usava cabelo comprido. Por azar (ou por sorte) eu mudei no ano em que os caloiros só entraram em Janeiro, devido a greves dos professores, pelo que eu era um dos únicos caloiros na universidade, usava cabelo comprido e frequentava as aulas do segundo e terceiro ano de Electrónica. Era visível em qualquer ambiente, o que provocou algumas invejas.

Acontece que como caloiro (estrangeiro) ninguém sabia o meu nome, mas sabiam quem eu era. E era normal dividir a gasolina com uns conhecidos, à sexta-feira, para ir para o Porto. Numa dessas sextas-feiras, o João (Guerra) e o Novais dividiam os interessados na boleia pelos seus carros e o João para explicar quem era o tal Rui que ia com o Novais, chamou-me de "Lóló".

Primeiro foi uma alcunha um pouco depreciativa, mas com o tempo o João e todos aqueles que me viam com maus olhos, tornaram-se os meus melhores amigos na universidade e a alcunha passou a ser um termo carinhoso.

E é bonito ver um amigo telefonar para o meu local de trabalho e perguntar pelo "Lóló". Como eu não estava pediu para falar com o "Pipa" (Sérgio Santiago). E como ele também não estava pediu para dizer que era o "Vitó".

quarta-feira, maio 05, 2004

God is a comedian…

Não é que eu acredite! Mas inspira-me, por vezes, ler o horóscopo. Não é que não acredite! Mas há dias que leio!

Mas há um dia da semana em que não deixo de ler o horóscopo. Mas não é um qualquer. É o Freewill Astrology, às quartas-feiras.

Freewill Astrology

Foi um hábito que ganhei do meu tempo nos Estados Unidos. Acho que nos momentos menos bons procuramos saber se vão passar e agarramo-nos a oráculos que nos possam trazer respostas. Descobri este através do meu amigo Ben. Vale porque não nos dá respostas, mas leva-nos a pensar. Pode até não ter nada a ver com as estrelas, que dizem nos dita o destino ou pelo menos cria ambientes propícios a certas acções, mas todas as semanas põe-me a pensar em mudar qualquer coisa em mim no sentido da boa vontade (isto parece saído de uma qualquer religião).

É escrito por um "lunático" que por sinal vive em Marin County, Califórnia, a zona onde eu vivia quando por lá passei e onde vive toda aquela comunidade hippie que resultou dos loucos anos 60. O seu nome é Rob Brezsny, se isso interessa para alguma coisa. E no verão passado andou a casar gente no Burning Man, um festival inexplicável no meio do deserto do Nevada e que é uma das coisas que ainda me vai fazer voltar aos Estados Unidos, porque foi uma das coisas que me arrependo de não ter presenciado.

Mas, estava a falar dos horóscopos, e esta semana permito-me partilhar a mensagem que lá está para o meu signo (Leão):
"God is a comedian playing to an audience that is too afraid to laugh," meditou o filósofo francês do século XVIII Voltaire. O que é irónico, eu acrescentaria, é que no momento em que te enches de coragem para rir, as piadas de Deus tornam-se estimulantes mais do que cruéis. Têm um efeito purificador, e frequentemente tendem a destruir os obstáculos aos teus sonhos. Estás preparado para a transição, Leão? O presságio planetário sugere que amadureceste suficientemente para achares que o próximo murro divino é histericamente cómico.

Por outras palavras, se não tivermos capacidade de rir das coisas más que nos acontecem perdemos a capacidade de viver... felizes! Eu continuo a tentar rir-me todos os dias dos murros divinos. Às vezes é difícil, mas tento...

segunda-feira, maio 03, 2004

As fotos...

Hoje comprei um scanner novo que me permite digitalizar negativos. Um Epson Perfection 1670 Photo.

Estive a experimentar digitalizar uns filmes e experimentei com as fotos tiradas com a minha half frame Olympus PEN EE-3. Como prometido aqui estão as primeiras provas.

Lá em cima passa duas vezes ao diaPassando à Misericórdia

Quando ele ainda era Mané!

Vocês viram aquela foto do gajo! Eu conheci-o assim. Parecia que tinha 15 anos, apesar de já ter 18! E tinha as míudas todas atrás deles. E eu não entendia.
Usava uma "palinha" e as calças dobradas em baixo. Muito rockabilly.
Era tão puto!!!

Diário de um Trabalhador

Ontem li no Expresso que três jornalistas d' "O Primeiro de Janeiro" tinham sido despedidos por causa de uns posts que tinham colocado num blog de seu nome Diário de um Jornalista. Hoje resolvi investigar!

Se ontem tinha esperança na mudança deste país, hoje começo a ver que afinal nada mudou em 30 anos de liberdade de expressão.

Choca-me que uma empresa ameace os seus trabalhadores com despedimento por estes se encontrarem num café, fora das horas de trabalho, com ex-trabalhadores da mesma empresa e que se mudaram para a concorrência. Mas mais me choca que o concretize.

Será que o "Pasquim" é caso único? Naaaaaa...

domingo, maio 02, 2004

Inspiração

Hoje [Domingo, 02 de Maio de 2004] no jornal Público vem um artigo sobre o Luís Pato, o pai da Filipa. Aliás o artigo inclui uma parte sobre a filha... Mas na verdade é bom ler coisas que nos dão razão e vindas de alguém com a experiência do Mr. Baga da Bairrada (como é chamado no artigo), dá-nos força, porque às vezes chego a pensar que estou só e errado.

Luís Pato

Gosto especialmente de frases como "não é Portugal que é pequeno, os seus vinhos é que podem ser grandes lá fora se os produtores estiverem dispostos a ceder na sua orgulhosa auto-insuficiência" que me fazem pensar até que ponto é que isto não se pode aplicar a empresas como a que eu trabalho. Porque não ceder e deixarmo-nos ajudar? Mas com ideias! Não podemos ficar eternamente à espera dos subsídios.

"Sempre tivemos um espírito de pobreza e aí o salazarismo foi marcante, na falta de rasgo, de perspectiva." Porque temos sempre que pensar como pensava Salazar quando dizia "Orgulhosamente Sós"? Sermos portugueses já não acaba em Vilar Formoso, podemos sê-lo em qualquer parte do mundo e as fronteiras acabaram há muitos anos. O mercado é o mundo! E sozinhos não vamos a lado nenhum... Especialmente quando a União Europeia passou a ter quase o dobro das nações e o dobro dos mercados. O "orgulhosamente sós" aplicava-se quando o Salazar sabia que ao pertencer a qualquer comunidade teria que ceder o seu poder. O mesmo se aplica à direcção de algumas empresas que acham que pertencer a uma organização europeia implica perda de poder, quando juntos teremos muito mais poder para negociar com organizações maiores. Portugal é pequeno em telecomunicações, mas a Europa é suficientemente grande para competir com o Japão, Estados Unidos ou China.

"Muitos dos meus colegas produtores achavam caro viajar". Para mim esta traduz em muito a perspectiva da maioria dos gestores portugueses. Todos os anos vão de férias para o Algarve, ou para o local habitual, porque é aí que têm a sua casa de praia, e não conseguem aperceber-se que perdem as referências e não conseguem introduzir ideias novas. Quem se limita ao território nacional "não tem padrões de comparação, só faz o que sempre fez, não evolui nem quer evoluir".

Depois há a inovação. "Cultivo a inquietação. Quando deixar de fazer experiências, deixo de ser Luís Pato." Onde há inovação em Portugal? Nós fazemos o que nos mandam e não temos tempo para procurar ideias novas. Além disso não as procuramos porque as nossas referências continuam a ser os vizinhos da mesma rua. É surpreendente como numa empresa de tecnologia de ponta como a que trabalho continue a comparar-se a empresas da mesma rua e não a empresas do mesmo mercado e dimensão.

Somos pequenos, vemo-nos como tal e aceitamos que assim somos. Felizmente há bons exemplos de quem procura a excelência - "quero ser o melhor, não o maior" - em vez de se vender mais barato. E melhor é ver que este exemplo vem de uma região marcadamente conservadora e tradicionalista, uma "região imbuída de orgulho pela sua tradição vinícola", mas onde há excepções.

Há esperança!

sábado, maio 01, 2004

Dia do Trabalhador

Hoje, sábado, dia 1 de Maio de 2004, dia internacional do Trabalhador, eu estou a trabalhar.

Tomei o meu pequeno-almoço, já fiz o meu chá de Tília, pus os auscultadores, coloquei o "(the best of) NewOrder" no leitor de CDs do PC e vou começar a árdua tarefa de fazer aquilo que os outros não querem fazer.

Porque esse é o meu trabalho.

quinta-feira, abril 29, 2004

Tirem-me deste filme...

Esta empresa é fantástica! Lembram-se de há um mês vos falar do Keith que passou a Kate? Pois a Kate voltou esta semana ao trabalho. Já vi uma foto e digo-vos que parece mesmo uma mulher, feia é verdade, mas uma mulher. Acho bem que se assuma a sua verdadeira identidade, porque de falsos está o mundo cheio.

Mas isto para vos falar da última aventura aqui da organização e novamente vinda do outro lado do Canal da Mancha. Se da última vez aprendi o que queria dizer GID (Gender Identity Dysphoria), desta vez aprendi a expressão "Going Postal". Esta expressão resultou de uma série de casos que aconteceram nos serviços postais americanos nos anos 80 e 90, em que um empregado resolvia entrar pelo escritório e mandar uns tiros aos colegas de trabalho.

Não! Não morreu ninguém! Mas uma bela manhã desta semana quando chegaram ao escritório os meus colegas "ao serviço de S. Majestade" encontraram sobre as secretárias papéis com frases como:
- "First law of wisdom: know yourself"
- "First law of warefare: know your enemy"
- "Organised crime equals gangsters"

Pelos vistos um colega, que foi apanhado pela segurança às tantas da manhã no escritório, andou a espalhar os ditos papéis pelas secretárias dos visados. Além disso andou a fazer chamadas e a deixar mensagens nos telefones de alguns.

A meio da manhã uma mensagem de e-mail do director de recursos humanos aconselhava a quem fosse contactado pelo dito colega que não fugisse à conversa, mas que tentasse acabar com ela o mais rapidamente possível e que reportasse por escrito o que foi dito.

Foi o pânico generalizado lá para o Reino Unido!

No fim do dia o rapaz, que já estava de alta, foi dispensado. E tudo voltou à normalidade... Ou não!

quarta-feira, abril 28, 2004

Os anos oitenta

Estava há pouco a ver um programa sobre os já distantes anos 80. A década da decadência como eles lhe chamaram. A década em que mais fui feliz. Não tinha preocupações, estava na infância/adolescência e tudo corria bem.

Quando 1980 começou, eu estava na Escola Preparatória da Maia, no 1º ano do ensino preparatório. Tinha saído da escola primária ao lado da minha casa e fazia todos os dias 30 minutos de autocarro (o 54 dos STCP) para chegar à escola, lá longe no centro do concelho da Maia. Tudo era uma aventura para um rapazito de 10 anos. O ano acabou com a morte de Francisco Sá Carneiro. Lembro-me claramente de não haver aulas porque o nosso primeiro-ministro tinha morrido num acidente de avião.

Ela chamava-se Elsa.

1981 trouxe a minha primeira negativa (a Português) porque a professora achou que eu tinha copiado no teste (o único que ela deu, porque chegou tarde). Para um aluno de 4s e 5s, ter um 2 foi um choque nunca mais remendado, mesmo depois da professora ter pedido desculpa à minha mãe. Adorava Educação Visual e a professora adorava-me. Detestava Educação Física.

Em 1982, tinha passado para a Escola Secundária da Maia, para o 7º ano de escolaridade. Era o puto mais pequeno da sala sem jeito para o futebol e que tinha escolhido trabalhar em barro em Educação Visual (o que levou o meu irmão a chamar-me burro porque a arte nunca me levaria a lado nenhum). (In)Felizmente fui para Electricidade. Passei a estudar Inglês e deixei de ter Religião e Moral. Tive a minha segunda negativa (a Francês). Nesse ano ganhei a minha bicicleta BMX Tip Top num sorteio ligado ao programa do Topo Gigio. Nunca mais deixei de andar de bicicleta.

Continuei na Maia por mais dois anos. A minha turma do 8º era má, mas o do 9º era do pior. Era a turma de Electrotecnia da escola. Não é que fossem alunos problemáticos mas eram maus alunos e eu, a par com o Manuel e a Isabel éramos os melhores alunos da turma. Se calhar não era difícil. Nessa altura senti pela primeira vez um tremor de terra. Foi numa aula de Física-Química.

Já não tenho contacto nenhum com os meus colegas desse tempo.

Nos finais de 1984 fui estudar para a grande cidade. Em busca do sonho de ser Engenheiro de Electrónica, mudei para a Escola Secundária Fontes Pereira de Melo. Queria seguir o meu irmão. Ele era o modelo da família e eu não me importava de ir atrás. Mas eu escolhi fazê-lo indo para electrónica desde o início (o meu irmão andou em electrotecnia).

Depois de uma confusão com a matrícula e a transferência, entrei para a única escola pública do norte que leccionava electrónica. Para isso contaram as minhas notas a Matemática, Física-Química e Electricidade. Não havia Educação Física para os alunos do 10º, o que também era do meu agrado. Tinha um professor de Filosofia que era cego, mas que não ficou até final do ano. E, a minha turma tinha apenas duas raparigas, a Isabel Cláudia e a Susana. Conheci o Miguel e o Cândido que ainda hoje me tratam por canário graças ao meu "kispo" amarelo.

Esses dois anos que passei no Fontes na rua do Breyner foram provavelmente os melhores anos da minha adolescência. Saí da aldeia de Gueifães, da vila da Maia e fui para a cidade do Porto. As ruas estavam cheias de gente, as aventuras eram outras e os interesses começaram a mudar. Comecei a ouvir música e a ler. Interessei-me por cinema e por espraiar num café na conversa. Ainda me lembro de fazer horas de autocarro para ir a casa do Miguel para ouvir o In the Flat Field dos Bauhaus e ver o Apocalypse Now. Lembro de achar que o Cândido era maluco por ouvir uma banda nova super barulhenta chamada The Jesus and Mary Chain. E, de testar a sua aparelhagem nova com Stockhausen aos berros de maneira que a irmã quase nos matava.

Ao sábado de manhã íamos para a feira da Vandoma, nem que não tivéssemos nada para vender. Só para lá estar embebido naquele ambiente. Comecei a usar o casaco de fato preto do meu pai. Era magríssimo e adorava os The Smiths. Sonhava em ir a Londres. Era "urbano-depressivo".

No 12º ano e apesar de continuar no Fontes Pereira de Melo, tive que mudar, no final de 1986, para as novas instalações no Bessa. Fiz o 12º ano de dia, por opção dos meus pais, e todos os meus colegas foram para a noite, ficando nas instalações da rua do Breyner. De novo tive que fazer novos amigos. Agora era mais difícil, pois a escola apenas tinha 12º, 7º, 8º e 9º tornando a diferença de idade uma barreira. Além disso a competição entre os alunos do 12º era maior e o escasso número de horas de aulas não deixava que nos aproximássemos. Desse tempo apenas me sobra o contacto do Ferreirinha, que quase sempre encontro no aeroporto Francisco Sá Carneiro, pois trabalha lá.

Em 1987 nevou no quintal de casa, numa tarde quarta-feira, enquanto estudava matemática. Comecei a sair nas matinés de domingo. Ia ao Nabucco ou ao Lá-Lá-Lá no Dallas. Gostava de rock-a-billy, do gótico e sobretudo de Joy Division. Deixei de usar o cabelo comprido para passar a usá-lo quase rapado com uma pala à frente. Tinha más companhias, mas divertia-me à brava.

Ela chamava-se Susana e era ruiva.

Entrei na Universidade.

Em 1987 entrei em Física na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, porque por três décimas não entrei em Aveiro, em Engenharia Electrónica. No início fiquei triste, mas quando mudei finalmente para Aveiro, em 1989, chorei.

Carnaval de 1988

No primeiro ano do curso não me misturei bem na vida académica. Eu estava noutra onda, numa de matinés punks de domingo no Dallas. Andava com pessoas sem muitos interesses na vida. Vivia em casa dos meus pais e nem tinha muita autorização para sair à noite. Organizava festas de Passagem-de-Ano e Carnaval na vizinhança. Mas as coisas mudaram para os meados de 1988. Mudei de companhias e passei a frequentar o Luís Armastrondo na Ribeira. À noite! Comecei a beber cerveja a sério e chegava a casa no último autocarro da noite. Ao fim de semana apanhava as minhas bebedeiras.

Claro que fui praxado à entrada da faculdade, mas nem sei porque nunca me cortaram a pala. Fui eleito o caloiro do ano e tinha uma madrinha chamada Ana Paula.

Conheci a Cláudia (nem imaginava que alguma vez nos iriamos casar e quase 10 anos depois).

1989 foi o ano em que me fiz mais homem. Também com 20 anos convinha. Comecei a namorar com a Carla e conheci logo a família toda. Com o final do ano veio o fim da nossa relação. Eu fui para Aveiro e deixei tudo para trás. Tenho pena de ter perdido o contacto com ela, mas mantive o contacto com a maioria dos meus colegas de Física e Engenharia Geográfica. Aliás este fim-de-semana encontrei o Paulo "Mancha Negra" (vestia sempre e sem excepção de negro) e ele é que me falou que faziam 17 anos que tínhamos entrado para a universidade.

Em 1989 caiu o muro de Berlim e o mundo, como sempre o conheci, começou a mudar. Em 10 anos mudei de escola 7 vezes, mudei de amigos e de lugares. Cresci. Tive tristezas, mas só me lembro das alegrias. As décadas que se seguiram trouxeram alegrias maiores, mas nenhuma década foi tão boa como a dos 80.

terça-feira, abril 27, 2004

Vilarinho da Furna

Há lugares que têm uma energia especial. Há lugares em que é possível sentir a paz ou a energia de tempos imemoráveis, de acontecimentos já esquecidos ou das pessoas que os habitaram, mas que persiste presa ao lugar.

Marialva depois do Sol se pôr - Fotografia de Rui Gonçalves

Quando vou ao castelo de Marialva e percorro os caminhos do seu interior, entre casas em ruínas, parece-me sentir as pessoas que em tempos viveram lá dentro e toda a energia deixada pela população que aos poucos foi abandonando aquele lugar à sua sorte. Como diz de José Saramago num trecho do seu livro "Viagem a Portugal" e que foi transcrito para uma pedra do interior do castelo, "... é este conjunto de edificações em ruína, o elo misterioso que as liga à memória presente dos que viveram aqui, que subitamente comove o viajante, lhe aperta a garganta e faz subir lágrimas aos olhos."

A mesma coisa acontece-me quando vou a Vilarinho da Furna no Parque Nacional da Peneda-Gerês, como aconteceu este fim-de-semana passado. Porém ali é mais difícil percorrer os caminhos por entre as casas, pois a aldeia está submersa a maioria do ano. Porém já tive o prazer de o fazer há uns anos quando o nível das águas da barragem o permitiu e a sensação foi muito semelhante. É bom sentir as pessoas sentadas à janela, junto à lareira ou mesmo caminhando pelas estreitas ruas. Mas só se sente porque as pessoas já lá não estão e porque as casas estão despidas. Apenas ficaram as pedras carregadas de memórias e energia positiva.

Casas à tona - Fotografia de Rui Gonçalves

E Vilarinho da Furna tem uma história especial porque naquela zona, entre as serras Amarela e do Gerês, as pessoas viviam separadas da "humanidade" pela ausência de vias de comunicação, viviam em auto-suficiência e em comunidade. A aldeia tinha uma espécie de conselho onde cada família estava representada por um membro. Uma assembleia do povo. À frente desta junta estava um indivíduo que tinha o cargo de juiz ou zelador por seis meses e fazia cumprir regulamentos escritos e orais de que as pessoas tinham memória. E debatiam-se os assuntos relativos ao lugar, problemas como manter as infra-estruturas, caminhos, pontes, levadas, vedar as parcelas de pastagens nos montes e nos currais. No fundo era manter aquilo que era de todos e fazer o calendário agrícola e pastoril para que tudo corresse bem e não faltasse o essencial à comunidade. As pessoas estavam habituadas a participar na colectividade, naquilo que era de todos. (adaptei isto de um site sobre Vilarinho da Furna)

"Havia democracia naquele tempo" como também disse um velho que por lá apareceu, enquanto nós nos banhávamos nas águas geladas do Homem e nos banhávamos do sol que esteve sempre presente no fim-de-semana.

Foi bonito! Foi bonito termos lá passado a parte final do Fim de Semana de Yoga no Gerês, assim como foi bonito estar no castelo de Marialva na despedida do Fim de Semana de Yoga em Foz Côa, há um ano.

quarta-feira, abril 21, 2004

Passatempo I

Se alguém adivinhar onde é que eu e a Cláudia vamos estar na noite da ante-véspera das eleições europeias deste ano, ganha um copo de vinho e um pastel (ou bolinho) de bacalhau na tasca da Ti Alice. Adicionalmente, e só para o primeiro a responder, oferece-se um par de meias de ciclismo (lavadas). Tudo oferecido pelos nossos patrocinadores - A drogaria Almeida de Alcácer do Sal e a retrosaria Figueiredo na Rua de S. José em Santa Comba Dão.

Aqui fica uma pista:
11 de Junho

Só mais quatro pistas: Lenny Kravitz e Pixies e Massive Attack e Fatboy Slim.

Ah! As respostas têm que chegar via postal dos correios até ao dia 21 de Abril de 2004, impreterivelmente.

: : : 1-big-O [v2.0] : : :

Hoje trouxe, para casa, o caderno de apontamentos das minhas reuniões. Estes são alguns dos (muitos) esboços que tenho por lá!

Nó TibetanoVersão reduzida do Nó Tibetano

Fusão da Cruz de St. Hans com a Cruz de CristoCruz de St. Hans

Variação sobre a Cruz de Cristo

Acham que as reuniões são entediantes? Nãaaaaa....

terça-feira, abril 20, 2004

(Ex)Citação I

"You never change things by fighting the existing reality. To change something, build a new model that makes the existing model obsolete."
Buckminster Fuller

Half frame

Há umas semanas atrás comprei no eBay uma câmara fotográfica quase tão velha como eu. Comprei uma Olympus Pen EE-3. Eu não sei exactamente de que data é o exemplar que tenho, mas o modelo foi lançado em Maio de 1973. Na altura do lançamento custava 15.800 yens (ao câmbio actual €122,5), a mim custou-me (com os portes) pouco mais de €29,5. Uma desvalorização de 4,5% ao ano...

Olympus Pen EE-3

Mas não comprei porque faço colecção de câmaras antigas ou porque tenho um qualquer fetiche com coisas antigas. Não! Comprei porque já há uns tempos queria ter uma câmara simples sem qualquer tipo de automatismos das normais SLRs. Já tinha pedido ao meio pai a PAX dele, que aliás era muito mais antiga que esta, mas que por estar há tantos anos sem funcionar, não colaborou e nem arranjo tem.

A juntar a este desejo de voltar atrás no tempo, esta Olympus Pen EE-3 tem a faculdade de fazer de um rolo de 24 fotos, 48. Ou seja, a câmara é o que se chama de half frame e tira, em cada fotograma de um normal rolo de 35mm, duas fotos. Mas em vez de tirar fotos em formato panorâmico (landascape), tira em formato retrato (portrait), ou seja, para tirar fotografias no formato normal tem que se rodar a câmara 90 graus, o que nas câmaras normais acontecia quando se queria tirar fotos no formato que esta tira. Confuso?!

Se quiserem ver as especificações vejam em Olympus PEN EE-3.

Outra das razões é porque comprei há uns tempos rolo a preto e branco a metro (Ilford HP5 Plus) e a minha Canon EOS 300 não gosta muito dos copos onde eu o enrolo. E nada como voltar atrás no tempo e tirar a preto e branco numa câmara própria da época (ou quase).

Parece estranho este voltar atrás (haviam de ver a cara das funcionárias do laboratório de revelação quando lá apareci com a máquina) numa altura que toda a gente pensa em ter uma máquina digital. A verdade é que eu já tenho uma máquina digital há quase três anos e ando farto de tirar fotos a granel e tê-las guardadas no computador sem lhes dar uso algum (não é que em papel faça grande uso delas). E além disso até já tenho câmara fotográfica no telemóvel (a montagem das férias foi feita com fotos do meu telemóvel). Mas eu quero voltar ao básico, ao simples, aos primórdios da fotografia, porque aí é que se aprendem os princípios.

Mas isto tudo para dizer que hoje recebi o primeiro rolo tirado com esta câmara, revelado. A revelação é tão má que me faz pensar que deitei dinheiro à rua quando comprei a câmara. E que mais vale arrumar as botas, porque nunca me sentirei satisfeito com fotos como estas, pelo que o melhor é nem tirar nenhumas.

Ou nunca mais revelo fotografias naquele laboratório!

Na verdade estou à espera de comprar um digitalizador que me permita digitalizar o negativo e depois tratar as fotos em casa a meu gosto. Agora é que estraguei tudo, né! Então ando a tirar fotografias numa câmara de 1973 para depois a tratar em computador? Pois! É que o básico da fotografia posso aprender com a câmara, mas o básico da revelação se calhar já não o quero aprender com ampliadores e químicos.

Um dia destes mostro-vos umas fotos.

20042004

Já repararam que hoje é o dia 20.04.2004? Eu também não tinha reparado se não fosse o Ricardo a dizê-lo.

E em que é que isso muda a maneira como o dia vai decorrer? Em nada. É mais um dia como os outros!

Sabiam que amanhã é 21.04.2004? Pois vai ser um dia como o de hoje! A diferença é que é quarta-feira. Ah! E o pormenor de ser o dia 20042004 não se aplica... Amanhã!

Bom resto de dia!

segunda-feira, abril 19, 2004

Zapatero

Para um sapateiro que diziam que não sabia tocar rabecão, até que se anda a sair da casca. Pena que alguns durões como as portas não sigam o seu exemplo e estejam a teimar quando não têm a razão toda.

Por falar nisso, vou estar fora no fim-de-semana das eleições europeias e tenho que saber como votar.

Escravo?!!

Há uns tempos que não ando bem! Não é nada físico, mas ando com graves perdas de concentração e memória. Não sei se é velhice, mas presumo que ainda é cedo para estas coisas. Acho que tem mais a ver com faltas de horas de sono e demasiada perda de tempo com problemas que com os quais não me deveria de preocupar tanto.

De há uns tempos para cá que tenho mais responsabilidades no emprego e acho que ando a confundir isso com a minha vida particular. Quando era apenas um engenheiro saia do emprego e deixava lá os meus problemas. Aquele if que não estava a funcionar ou aquele interface que não estava especificado ficavam na sala de trabalho. Agora em que passei a lidar com pessoas em vez de máquinas, muitas vezes é difícil esquecer atritos ou desentendimentos que ocorrem num normal dia de trabalho. As minhas decisões ou opiniões podem ter influência na maneira como outras pessoas me vêm e querendo ou não isso mexe comigo. De alguma maneira tenho que aprender a lidar com isso e acima de tudo não posso deixar que isso influencie a maneira como procedo na minha vida pessoal. Os meus entes queridos e amigos não têm que pagar com isso.

Além disso quando temos demasiadas coisas na cabeça é difícil dormir profundamente (Oh! Carneiro como se dorme bem depois de andar de bicicleta) e quando passamos o dia tensos é muito difícil estarmos atentos. Por isso é que ultimamente só penso em férias e fugir das minhas responsabilidades. Fugir da minha vida!

Mas não é fácil fugir! Como dizia alguém no outro dia na televisão há os empregos "paybill" e os empregos "career building". O meu emprego actual está na fase de passar de "career building" para "paybill", pois já não é um emprego que me deixe demasiado fascinado, me surpreenda enormemente ou que me projecte numa carreira empolgante, mas sim um emprego que me paga as contas. E nesta fase que os empregos não abundam, principalmente os "career building", há que encontrar neste motivos de interesse para pelo menos não entrarmos em stress. E tentar ao máximo aproveitar todas as oportunidades de "career building", porque ainda as há. O que não posso deixar é que os problemas passem da porta para fora.

Isto faz-me lembrar um amigo meu americano que se despediu a semana passada. O Darren disse-me há uns tempos que queria aprender português porque me queria visitar. Esta semana perguntei-lhe quando estava a pensar fazê-lo. Respondeu que se tinha despedido porque estava farto do emprego e de estar fechado num escritório (ele trabalhava na Lucas Arts). A conversa acabou com ele a chamar-me escravo...

Epá!...

Que saudades que tenho de ficar com uma ponteira torta na minha Vaynessa!... E comer picanha e dormir ferrado de cansaço!... E de mandar vir com o Anésio e com o Armando!...
Já pensei em andar de bicicleta por estas 7 colinas de Lx, mas em vez de circunspectas e volumosas bostas de vaca só me aparecem carros pela frente. E em vez de pedras e terra tenho alcatrão e os traiçoeiros carris dos eléctricos. E em vez de vento nas orelhas e no cabelo tenho buzinas e óleo queimado...
Socorro!...

sexta-feira, abril 16, 2004

Segredos

Há pequenas coisas que não se dizem porque magoam e não queremos magoar o amado, não é?!
Dei comigo a pensar nisto em Foz-Côa. Estava-me a irritar solenemente que o Rui não se calasse um segundo. Aquele rapaz, quando gosta muito de algo ou alguém, fica excitado como as crianças com um desenho que querem que todos vejam e admirem. E fala e fala, ....e ri...o que é muito giro, não se tornasse ele vítima de si próprio. Porque chega a ser chato. Porque não dá descanso.
E eu, que o adoro acima de tudo e sei que ele é mil vezes melhor (e mais inteligente, imaginativo, bem humorado, amante, etc....) do que vocês sonham, fico triste. Porque eu também demorei um tempão para ver o que está por trás daquela capa de puto reguila. E lá tentei dizer-lhe. Com jeitinho. Mas não fui capaz.

PazCôa II

Deixei-vos na parte em que os nossos amigos ingleses partiram e ia começar a falar da parte em que entraram os nossos amigos portugueses, na "pensão" da Travessa D. Berta Montalvão, 9 em Vila Nova de Foz Côa, no Sábado [10 de Abril de 2004] de Aleluia.

As fotos da PazCôa

No entretanto, eu e a Cláudia fomos fazer um piquenique para os lados da Quinta do Vale Meão, mas estava um calor imenso e naquele canto abrigado do vento era impossível não desesperar. Mas a pior parte da contenda foi termos nos esquecido de fósforos e não podermos acender o fogão para fazer um cafézito. Ainda tentámos insistentemente um processo com provas dadas no passado, que basicamente consiste em usar o isqueiro do carro para atear fogo a umas ervas secas. Porém, nesta altura as ervas tão muito pouco secas e nem com papel conseguimos. Fomos tomar café ao Pocinho.

Fazendo um "fast forward" e passando por cima do chouriço assado nas brasas da lareira e da garrafa de vinho dessa noite, voamos directamente, no tempo, para a tarde de Domingo [11 de Abril de 2004] de Páscoa, e no espaço, para a praia da estação de Almendra. O programa foi em todo semelhante ao levado a cabo com os ingleses, só que desta vez não havia o garrafão dos vizinhos. Felizmente, porque se levámos mais vinho desta vez, também bebemos mais. E se houvesse mais beberia-se mais, como provou o Armando quando chegámos ao centro de Castelo Melhor e pediu um bagaço.

Era a preparação da festa do Arcanjo Gabriel em Castelo Melhor e nós continuámos a nossa. Foi um rico dia de Páscoa recheado de momentos hilariantes (para alguns). Houve quem não tenha gostado muito! Mas são outras histórias que não compreendo, nem vos quero maçar com elas.

Na segunda-feira [11 de Abril de 2004] fomos (Eu, o Anésio e o Armando) andar de bicicleta. Fizemos uns 35 km! Começou com uma descida pavorosa, seguida de uma subida esforçada, uma paisagem magnífica, uma estrada horrorosa e um peixe do rio magnífico. A volta foi mais difícil, pois começou com a estrada horrorosa, seguiu-se uma subida pavorosa e um tombo doloroso. Ando aqui com um braço e um joelho esfolado e ainda nem arranjei a minha Vaynessa que ficou com a ponteira torta. Mas no fim foi magnífico comer uma picanha e dormir como já há muito não durmo.

Para quem quiser andar de bicicleta em Foz Côa que compre as cartas militares (130 e 141 – 1/25000) da zona. Partindo de Foz Côa e seguindo o caminho que parte do Senhor dos Aflitos (o nome não é em vão) até ao vale (CUIDADO!) seguem o riacho até ao Caminho Vicinal do Vale das Olgas e daí sobem até ao cemitério de Santo Amaro. Descem a estrada e na primeira curva apanham um caminho de terra batida à esquerda (no mapa está assinalado como de pé-posto) que segue a cumeada até à Quinta do Cercão (onde eu furei duas vezes). Descem à Senhora da Veiga e fazem o caminho que circunda o Vale Meão (nós não fizemos esta parte, porque fomos comer os peixinhos à Foz do Sabor, pelo "IP2"). Vão até ao Pocinho, daí à barragem, pela margem esquerda até à Quinta Daniel e seguindo pelas vinhas, sobem e sobem e sobem até à Chã, ao planalto onde está Foz Côa.

Para acabar, que não me está a apetecer estar aqui a escrever tudo o que se passou, porque afinal de contas vocês não têm nada a ver com isso, (ou, por outras palavras, hoje não estou com grande vontade para escrever.) ficam umas referências em termos gastronómicos:
- Petiscaria Preguiça – perto da estação de Freixo de Numão. Uma vista espectacular e uma simpatia inigualável. Provem os peixinhos do rio e o entrecosto na brasa. O vinho da casa é bom e as laranjas magníficas.
- Beira Rio - na Foz do Sabor. Especialidade peixinhos do rio. O vinho é daquele género groselha mas que torna tudo um pouco dependente demais da gravidade. Comam nas mesas fora se puderem. Lá dentro é sofrível.

Para passear ou estar:
- Praia fluvial de Almendra - está-se bem, mas não esperem nada muito arranjado. É apenas um sítio aprazível perto da água, óptimo para uns piqueniques e nem por isso sossegado.
- Praia fluvial da Foz do Sabor - Já foi um sítio sossegado, mas depois dos peixinhos no Beira Rio está-se lá bem.
- Ruínas romanas do Prazo - perto de Freixo de Numão uma pequeno complexo de ruínas que vão desde a pré-história até cerca do século XII.

São as melhores sugestões das que cobrimos nestas férias, mas há muito mais. Um dia destes eu começo a fazer um site sobre Vila Nova de Foz Côa. Aliás, sobre os arredores... Pode ser que já vá tarde demais! Ou se calhar serve de apoio ao meu sonho! Quem sabe?

quinta-feira, abril 15, 2004

Por falar em queijo...

E se falássemos de vinho! Como devem imaginar bebeu-se algum vinho estas férias da Páscoa. Nem muito nem pouco, mas o suficiente para nos fazer feliz.

O Anésio levou vinho para dar e vender. Mas só do Alentejo - Vinha D'Ervideira, Chaminé e Loios. Uma heresia, na minha (modesta) opinião, pois se estávamos na Região Demarcada do Douro, porque tínhamos que beber vinho alentejano? Eu sei que o vinho do Alentejo é de mais fácil consumo (há quem lhe chame vinho para mulheres), mas para o preço acho que a qualidade, hoje em dia, deixa muito a desejar.

A única boa excepção foi o Carvalho, Ribeiro & Ferreira de 1961. Mas nem me perguntem qual era a região, porque já mal se lia o rótulo e teve de ser decantado. Suponho que era do Dão. Mas nunca tinha bebido um vinho mais velho que eu (acho, pois já bebi alguns Portos sem rótulo) e sabia de tal maneira a madeira que era difícil de dizer de que casta era. E nem imagino o preço da garrafa!!!

Eu e a Cláudia, como os mais próximos dos nativos locais, comprámos apenas vinhos do Douro e na sua maioria do concelho de Foz Côa. E na sua maioria vinhos desconhecidos. Castelo Velho da Adega Cooperativa de Freixo de Numão, Ouro Côa Tinta Barroca da Adega Cooperativa de Vila Nova de Foz Côa e CARM Clássico 2000 da Casa Agrícola Ribeiro Madeira de Almendra. O único "estrangeiro" foi um Esteva.

CARM Clássico

O Castelo Velho é um bom vinho, para o preço (€7,50 no Intermarché). É um "reserva" encorpado e frutado, envelhecido em cascos de carvalho, de 13 graus, de Tinta Roriz e Touriga Franca. Mas, sem dúvida, da nossa escolha, o melhor foi o CARM Clássico 2000, que pelo mesmo preço apresenta uma qualidade muito superior (vejam a descrição no link). Agora tenho lá em casa uma garrafa de 2001 (supostamente um melhor ano) para experimentar. Mas acho que vou esperar para a beber. (Estejam atentos ao nome CARM, um grande produtor de Azeite e de Vinho).

O pior (sem contar o Esteva) foi sem dúvida o Ouro Côa - Tinta Barroca, que por sinal até foi o mais caro, sinal da procura que o vinho da Adega Cooperativa de Vila Nova de Foz Côa tem, desde a promoção às gravuras e ao mediatismo do seu vinho submerso nas águas do rio (Vale Sagrado 1997).

Ah! Esqueci-me de falar no vinho do garrafão bebido na praia de Almendra. Era vinho novo e parecia groselha. Uma verdadeira pomada!!! E o preço? À borla...

(No entretanto se quiserem vejam uns vinhos e restaurantes em Os 5 às 8. Uma boa referência!)

quarta-feira, abril 14, 2004

O nó tibetano e de ming

Nó tibetano Variação Ming do nó tibetano


Aqui ficam o nó tibetano que desenhei no meu Moleskine e o colar que comprei aquando da minha última visita ao Japão.

Já muita gente me perguntou se a tatuagem que fiz é igual ao colar que trago ao pescoço. Bem! São diferentes embora representem quase a mesma coisa. Quanto à origem é pouco provável que sejam idênticos, uma vez que o símbolo da tatuagem é nórdico e o do colar é chinês. Ambos com algumas centenas (se não milhares) anos de existência, pelo que à idade que remontam seja pouco provável que tenham havido contactos entre os dois povos. (Embora há quem diga que os Hunos que invadiram a Europa também andaram pela China.)

Mas, se o da tatuagem (Cruz de St. Hans) simboliza que cada acção tem sempre uma reacção ou seja que tudo o que fazemos produz sempre algum efeito, por mais pequena que seja a nossa acção (boa ou má), o nó de Ming (baseado no tibetano) simboliza o processo de reencarnação que está vinculado ao conceito de karma segundo o qual cada um paga, na próxima reencarnação, pelo bem ou mal feito no presente.

Como vêem os conceitos não são tão díspares, mas a Cruz de St. Hans tem quatro voltas e o nó de Ming tem seis.

Queijo, requeijão e morcela

Esqueci-me de falar no fantástico queijo da serra que comprámos e pelo qual os ingleses também se babaram. Dos deliciosos requeijões que em nada ficam atrás do queijo da serra, embora a maioria ache que seja o contrário – o queijo é que não fica nada atrás do magnífico requeijão.

Pois bem se forem a Celorico (da Beira) Gare virem à esquerda, mesmo antes da passagem de nível, em direcção a Baraçal. Cerca de um ou dois quilómetros depois, numa curva à direita (a segunda), aparece um caminho de terra à esquerda com uma caixa de correio (às vezes tem a placa a dizer Quinta da Moita), virem. Passem debaixo da linha férrea e na casa da direita perguntem pelo queijo e requeijão. Acho que o senhor se chama José Aires S. Salvador (271 743 443), mas não tenho a certeza.

José Aires S. Salvador

A morcela encontram-na no talho mesmo no centro de Celorico da Beira perto do cruzamento para Prados. Aconselha-se a morcela feita com tripa de vaca. E o chouriço também...

Depois digam-me se são ou não bons.

PazCôa I

Já falei na Páscoa em Foz Côa noutras crónicas. Aliás há um ano atrás falei-vos da visita do Ben e do Tim e dos cruzamentos no jardim do Destino (ver Crónica 5 depois da Califórnia). Mas já lá não tinha umas férias, como estas últimas, da Páscoa, há bastante tempo.

O início foi complicado, mas o final foi difícil. Eu e a Cláudia, convidámos uma série de amigos para lá irem passar uns dias e no final tivemos que andar a gerir a ocupação dos quartos e o uso das toalhas e lençóis de cada um, porque entraram uns quando saíram os outros. Parecia uma pensão. Uma pensão só para amigos.

Os primeiros a entrar foram o Ken, Sue e Mary, a filha da Sue. Eu já vos falei do Ken e da Sue (ver o post de Segunda-feira, 29 de Março de 2004) aqui no blog, mas desta vez traziam mais a Mary, uma inglesa simpática e bem disposta.

Em dois dias já me tinha esquecido de todas as chatices de trabalho e da vida.

Eles chegaram na quinta-feira [8 de Abril de 2004]. Mal pousaram as coisas em casa entrámos para o jipe – ainda não dei nenhum nome ao meu carro! Tenho que pensar nisso – e zarpámos em direcção à estação de caminho de ferro de Freixo de Numão, em direcção à Petiscaria Preguiça. Para quem não conhece é a nossa última descoberta em termos gastronómicos da região. Imaginem uma pequena sala envidraçada sobre a Ribeira de Murça, mesmo na sua foz com o Douro e com vista sobre a ponte de caminho de ferro, rodeados de vinha e árvores de fruto. Mas, o melhor são os peixinhos do rio e o entrecosto grelhado na lenha, servido com um vinho da região e feito pelas pessoas mais amáveis que possam imaginar. Tudo terminado com uma laranja sumarenta e doce e um café na esplanada ao ar livre, enquanto os mosquitos deixam.

Terminámos tarde. Mesmo a tempo de não jantar. Mas ainda a tempo de dar um passeio a pé até à berma de água.

À noite arrastámos os ingleses anglicanos (um pleonasmo?) até à procissão católica e a ouvir o cântico da Verónica. É sempre um belo espectáculo de Páscoa... A procissão de sexta-feira é que já não gosto. Assim como não gosto (mas respeito) que as pessoas levem tão a peito a procissão e fiquem ofendidas porque nós nos afastamos, como duas velhas que foram mal educadas – devem ter visto o filme do Mel Gibson.

Mas antes de chegarmos à procissão da noite de sexta-feira [9 de Abril de 2004], que apenas ouvi já no aconchego da minha caminha, tal era o cansaço, convém falar do dia passado num piquenique na praia da estação de Almendra, na margem do Douro. Um paraíso que partilhámos com três rapazes de Foz Côa e uma meia dúzia de espanhóis que ali apareceram nas suas lanchas. De nuestros hermanos nem falo, porque mal os vimos, embora tenham mostrado que não somos só nós que somos inconscientes, pois traziam uns miúdos na proa sem qualquer tipo de protecção e nem sequer um colete salva-vidas. Mas dos rapazes de Foz Côa, há que dizer bem, pois quando o nosso vinho estava a acabar, vieram ter connosco e partilharam do seu garrafão um vinho “feito de uvas” como nos disseram.

Estava um calor maravilhoso! Digno de um dia de primavera. Nas primeiras horas soprava um vento gelado, mas pouco depois estava de tronco nu e queimado pelo sol.

Fizemos uma fogueira com ramos secos, assamos uma morcela e umas belas costeletas (uma heresia, eu sei, na Sexta-feira Santa). E o dia acabou com um magnífico arroz de polvo (feito pela Cláudia) já em casa. É curioso como o polvo é um desconhecido pelos povos mais a norte e até mal visto, pois é têm sempre a sensação que não é saboroso e rijo. Desmistificámos mais uma vez esta crença. Ainda não conheci nenhum estrangeiro que cá tenha estado e que não vá daqui a babar-se por um bom polvo.

Eles partiram no sábado [10 de Abril de 2004] bem cedo. Bem antes de nós acordarmos...

Desculpem!!!

Eu sei que não disse nada, mas estive de férias até hoje.

E que ricas férias! Mais logo eu conto-vos...

terça-feira, abril 06, 2004

Uma imagem de Shibuya

Lembram-se de eu falar das passadeiras em Shibuya, Tóquio?

Foto da Virtual Tourist

Lindo!!

Este domingo...

... acordei a pensar nos meus amigos de infância e juventude. Aquela gente toda que cresceu comigo, mas que já não veja há anos.

Bem, alguns ainda vejo quando vou visitar os meus pais, como fiz nesse dia. Vi a Sandra, que detestava ser chamada de Matilde (o seu segundo nome) mas que todos conhecíamos como “a filha do socialista” ou só por “a socialista”. Foi uma paixão minha por volta dos meus 17/18 anos... Nunca concretizada!

Também vi o Zé, “o trrrengo”, que carregava nos erres e cuja mãe constava que tinha passado uns tempos no manicómio e era alcunhada de “a maluca”. Ele por herança era “o trengo”. Está com SIDA consequência de uma troca de seringa fatídica. Aparentemente está melhor, mas está longe de ser “o trrrengo” com quem trocava discos de vinil.

Há umas semanas vi a Susana e a Zaira. A Susana, por oposição à Sandra, era “a comunista", porque o pai era do PCP. Obviamente o pai da Sandra era do PS, e durante algum tempo foi o Presidente da Junta. A Zaira era uma rapariga que só mais tarde se juntou ao grupo de amigas da vizinhança. Quando a mãe morreu, ela passou a ter mais liberdade e tornou-se amiga da Sandra, Susana e Xana, o trio de malucas lá da rua.

Nunca mais vi a Xana! Nem a Salomé, uma vizinha, amiga da Zaira que se casou com o primo da Xana.

Nem nunca mais vi o Vitó, o Rui Jorge, o Quim “macaco”, o Berto “leites”, o Nelo “nódoa” e o Luís “gordo”. Às vezes, quando lá vou, ainda vejo o Tó, que se casou e saiu dali e o Marcelo, que saiu agora da prisão por falsificar notas e cujo pai finalmente, depois de morto, reconheceu a paternidade e deixou-lhe uma pipa de massa.

Ainda haviam mais, mas estes eram aqueles com quem fazia sociedade nas festas de Passagem de Ano e Carnaval. Mas, nos últimos tempos em que vivi lá na Mouta, saia com o Paulo e o Jorge, que eram primos do Luís “gordo”. E com o Nelo Moutinho (que por acaso vi ao longe este fim-de-semana). Mas estes eram um pouco mais velhos do que eu.

Mais velhos também era o Telmo, que tinha um olho de vidro e o Leitz que já morreu (de overdose). Aliás a droga foi o que acabou com tudo lá na rua. Aquelas noites de verão sentados no muro e a conversar acabaram porque já ninguém se juntava, uns porque tinham ido comprar droga e outros porque não queriam ser confundidos com os primeiros.

Dos mais novos, tipo o Bruno (que me ficou a dever algum dinheiro), o Alexandre ou o Márito, apenas sei que este último tinha emigrado para Inglaterra. Ainda tentei contactar com ele, mas nunca consegui. O Paulinho morreu com um problema no pâncreas. A irmã Luísa acho que se casou pela terceira vez.

Depois haviam os primos e primas dos vizinhos que lá iam passar uns dias no verão e acabavam inevitavelmente por surgir amores com os “nativos”. Como a Susana, a prima do Rui Jorge, com quem namorei alguns três anos. Nunca mais a vi. Ou os primos do Vitó, a Sandra (outro meu namoro de verão) e o Bruno, que namorou anos com a Elizabete, irmã da Lisete, outras vizinhas.

Aliás a Elizabete era uma amiga muito especial. Era uma amiga com quem eu tinha uma forte relação de amizade, na juventude, e que raramente nos encontrávamos sem que não acabássemos aos beijos. Quando não estávamos juntos não se passava nada. A última vez que a vi foi no meu último ano da universidade, em que ela veio a Aveiro porque namorava com um Aveirense e ficou a dormir em minha casa.

O Quim “do bairro” desapareceu há dois meses e ninguém sabe dele - são novidades destas que recebo quando chego a casa dos meus pais. Bem! O Quim “do bairro” nunca foi muito bem acabado e depois da última vez que saiu de Custóias já não batia muito bem. A última vez que o vi andava a apanhar beatas de cigarro na paragem do 54. Andou comigo na primária.

De todos estes apenas eu me licenciei. Não sei se o Luís “gordo” e o Nelo “nódoa” alguma vez se licenciaram, mas eram bacharéis de engenharia.

Uma vizinhança fantástica que me deram uma infância/juventude cheia de histórias para contar aos meus netos, mas que raramente me lembro por já não ver as personagens tão frequentemente.

Bebermos um copo!

Nuno, és sempre bem vindo... Sabes que em Aveiro há sempre diversão!

Decidido!

Carneiro, se está decidido, então que esperas? O que custa é decidir, fazer só dói...

A consciência de cada um

Quando leram o post de sábado, sobre a minha nova tatuagem, podem ter ficado a pensar que foi uma inconsciência minha fazê-la, principalmente quando disse que foi sem razão aparente. Porém, acho que o acto de fazer uma tatuagem é um dos actos mais conscientes que se deve tomar, porque embora seja reversível, não o é sem um preço a pagar, em termos monetários, sociais e até físicos. Marcar o nosso corpo tem de ser um acto bem ponderado e bem consciente.

Como eu disse, demorei 1288 dias para fazer a segunda tatuagem e que já há 2 anos e meio que tinha o desenho na minha cabeça. O sítio no meu corpo, onde a iria fazer, veio mais tarde, mas a decisão há muito que estava a ser tomada. Em tempos li que se ao fim de dois anos ainda pensarmos fazer aquela tatuagem naquele sítio, então é altura de a fazer. Isto sobre tatuagens em adolescentes, porque estes por vezes fazem coisas por influência de outros, ou por moda, sem terem consciência do que estão a fazer e que mais tarde se arrependem.

Eu demorei este tempo todo, não que tivesse dúvidas se queria ou não fazer uma tatuagem, mas porque não sabia se era aquela mesma que queria fazer. A primeira foi muito marcante e simbolizava a minha passagem pela Califórnia, um belo momento da minha vida, e esperava que a próxima tivesse o mesmo peso. Mas finalmente decidi que seria quase impossível fazer uma tatuagem com o mesmo sentimento da primeira. A primeira é sempre a primeira...

Se é importante ter consciência de que se quer fazer uma tatuagem, o mesmo se aplica ao desenho que se quer fazer. Aqui em Portugal ainda não há muita gente com tatuagens, mas na Califórnia quem não tem tatuagens é um anormal (aqui quem as tem é que é anormal) e fazer uma marca eterna no nosso corpo que se repete em cada ser tatuado com que nos cruzamos é como ouvir eternamente um CD com a mesma faixa repetida consecutivamente. Como devem imaginar é uma seca e soa a falta de originalidade.

Isto faz-me lembrar um amigo que, sabendo que eu tinha uma tatuagem há algum tempo, mostrou-me a sua, feita por coincidência no mesmo sítio do corpo que a minha, e que era um carácter chinês, cujo significado já não me lembro. Eu nestas coisas sou bastante honesto e disse-lhe que era muito bonita, mas que eu jamais a faria pois sabia que a tinha feito por uma questão de moda e que mais tarde me iria arrepender de a ter feito. Aliás com a quantidade de gente que faz tatuagens hoje em dia, mais tarde ou mais cedo iria ver alguns mais com aquela tatuagem e eu não gosto disso.

E o sítio? Sim! Também é muito importante. Li uma vez, também, uma frase de um rapper americano que repetindo uma frase do pai dizia “Faz as tatuagens, mas fá-las sempre onde um juiz não a veja”. É triste mas a verdade é que muita gente pensa que quem tem tatuagens é um irresponsável, mas por todas as razões que aqui apontei acho que podem estar errados. Eu não recrimino ninguém por não ter tatuagens. Não façam juízos errados...

sábado, abril 03, 2004

1288 dias

Sem razão aparente, mas porque já o tinha decidido há muito, ontem, 2 de Abril de 2004, fiz a minha segunda tatuagem.



Sim, doeu! Doeu mais que a primeira. A primeira tatuagem foi feita na parte exterior da perna (direita), numa zona menos sensível, que a actual que foi feita na parte interior do braço (esquerdo). Mas doeu mais depois de feita que propriamente a fazer. Aliás a dor é comparável a uma ferida feita quando se raspa a pele numa superfície abrasiva e faz ferida. Tipo uma queimadura leve. (Isto era só para responder à primeira pergunta que vos veio à cabeça.)

(Para responder à segunda) Este é uma variação minha sobre um símbolo nórdico conhecido hoje em dia como Cruz de St. Hans (ou de S. João), que é usado na Finlândia (e na Suécia) para indicar sítios de interesse turístico e/ou paisagístico. Desde que visitei a Finlândia em 2001 que o tinha na cabeça. Agora tenho-o marcado no corpo.

É um símbolo encontrado em muitas gravuras e pinturas rupestres na Escandinávia e Finlândia. Mas, mais tarde foi usado no Kabbalah e como símbolo no Zodíaco. Mas, há quem defenda que é uma variação de um símbolo germânico, chamado de Nó Escudo (Shieldknot) que simboliza o facto de que tudo na vida está ligado pelo destino e que cada acção tem sempre uma reacção. (ver Shieldknot e Cross of St. Hans.)

Mas o que interessa é o que me diz a mim. E eu, como já em tempos escrevi (há quase um ano), acredito que todas as nossas acções na vida tem sempre uma reacção (é a física), embora haja um factor fixo que há quem chame de destino ou sorte, mas que não nos controla a vida, embora por vezes condicione. Porém são sempre, ou na maioria das vezes, as nossas acções que condicionam a nossa vida. Por isso acho que esta simbologia diz com a minha maneira de viver.

Por outro lado a visita à Finlândia marcou-me muito. Ainda hoje recordo aquelas férias como umas das mais calmas da minha vida. E marcou um período de viragem na minha vida, depois da chegada da Califórnia. Foi a altura em que comecei a deixar de ter pena de ter voltado e comecei a recordar o facto de lá ter estado como um período feliz, de muitos que ainda iria ter na vida. Assim como a viagem à Finlândia foi um período feliz da minha vida.

Por fim, na minha última visita ao Japão, nas infidáveis horas de trabalho e enquanto me distraía com uma procura na internet sobre viagens ou yoga encontrei um símbolo () tibetano que representa o karma ou ciclo infinito de reencarnação. Supostamente este símbolo foi desenhado pelo Buda quando este atingiu o estado máximo de percepção ou a iluminação pelo que é suposto trazer sorte a quem o usa. Eu também o desenhei no meu Moleskine (um bloco de notas famoso) porque gostei da sua simbologia. No dia seguinte, estava de folga, e num passeio em Shibuya, encontrei um colar com um símbolo semelhante e comprei-o. Achei que era um sinal ou uma bela coincidência. Desde esse dia que uso esse colar comprado em Shibuya com a variação chinesa (Ming) do nó tibetano e que é muito semelhante ao símbolo que agora tatuei, quer em forma, quer em simbologia.

Por estas razões todas, 1288 dias depois, fiz a minha segunda tatuagem.

sexta-feira, abril 02, 2004

Esclarecimento II

Tudo o que foi postado ontem aqui no blog das Crónicas da (e depois da) Califórnia é pura mentira de 1 de Abril. Assim, desmente-se que: dá "ganda pica" partir braços, especialmente no Gerês; que o yoga é uma paneleirice; que o vinho não altera a "nossa consciência"; que haja "palavrões coloridos"; e que haja "posições de meditação totalmente radicais".

Passo a afirmar que: partir um braço dói, seja no Gerês, no Burkina Faso ou em qualquer parte do mundo; o yoga é fixe e aconselho a prática a todos; o vinho pode alterar a consciência, mas é bom, especialmente bebido em companhia; os palavrões são todos a preto e branco, exceptuando "merda" que tem uma cor acastanhada; e as posições de meditação são radicais, mas totalmente radicais são os seus nomes, como por exemplo padmasana (posição de lótus).

Fica o esclarecimento!

Esclarecimento I

Afinal a série cujo guião o Carneiro está a escrever, é um concurso. Não sei bem, mas tem histórias paralelas. E, afinal, não começa a 12 de Abril, mas a 26. A única coisa certa é que não morre ninguém.

quinta-feira, abril 01, 2004

Pois olha, pá:

Se há coisa que dá ganda pica fazer no Gerês... é partir braços!...
E é só vantagens para Yoguis (ó lá como se chamam os praticantes dessa paneleirice): não altera a "nossa consciência" (faz-nos dizer palavrões coloridos, pouco mais), e permite-nos fazer "posições" de meditação totalmente radicais...