quinta-feira, junho 30, 2005

quarta-feira, junho 29, 2005

Disempregário - Dia 26

Já tenho emprego! Amanhã é o meu primeiro dia no meu novo emprego.

É surpreendente como a sociedade nos pressiona para que não sejamos desempregados. Nestas 4 semanas, penso que o que mais me surpreendeu foi como a nossa família e amigos se preocupam e nos olham quando estamos desempregados. Toda a gente fica de boca aberta quando digo que estou desempregado, ou entre empregos, como se fosse uma doença horrível. Como se a qualquer momento saltasse do meu peito um bicho e me devorasse as entranhas, porque estou "desempregado".

Apenas uma pessoa me deu os parabéns por estar "desempregado", por ter deixado um emprego que me corroeu as entranhas devagar, devorando um bocado todos os dias, até quase deixar de ser eu mesmo. Todas as outras ficavam surpreendidas quando eu dizia que não estava preocupado e que estava de "férias".

Mesmo a "rejeição" de que falei no último post, deveu-se em muito ao facto de estar a ser avaliado e pressionado pela sociedade para arranjar emprego. Apesar de ter sentido, a verdade é que o peso de ter que dizer que continuava "desempregado" era muito.

Mas já, três pessoas, deram-me os parabéns por estar "empregado".

E o melhor é que nestas situações há sempre outros problemas. Porque se estamos "desempregados" e vamos a várias entrevistas, porque temos que arranjar um emprego depressa, depois corremos o risco de receber várias propostas na mesma hora. E, depois quando escolhemos uma delas, vamos sempre pensar que a outra podia ter sido a melhor, se a primeira correr menos bem. E se não queremos nenhuma? Aceitamos porque precisamos de "emprego"?!

Mas o fantasma do desemprego dissipou-se. Pelo menos por agora... Porque ele paira aí em todas as esquinas deste país! Estejam atentos e tenham medo, muito medo, porque a sociedade não aceita desempregados, mesmo agora que os existem em toda a parte e o número não pára de crescer.

Por acaso, na minha área, posso dar-me ao luxo de poder estar "desempregado", mas será que vou sobreviver ao facto de que estou de novo "empregado"?

segunda-feira, junho 27, 2005

Disempregário - Dia 24

A última semana foi algo difícil. A verdade é que estava muito confiante em relação a uma das oportunidades a que estava a concorrer e de novo veio um "este momento penso que o seu perfil não se enquadra nas funções para as quais procuramos candidatos" que se veio juntar ao "por razões que se prendem com o facto de no momento (e no curto/médio prazo) não identificarmos nenhum projecto que se adeqúe ao seu perfil técnico, lamentamos informar que decidimos não dar seguimento ao processo para a sua eventual contratação", recebido há umas semanas de uma outra oportunidade que dava menos importância.

Custou-me a ultrapassar esta "rejeição", porque esperava mais do que a hipocrisia de um "desde já tomo a liberdade de ficar com o seu CV em arquivo para uma próxima oportunidade" e pela segunda vez, nesta mesma empresa, passo de um candidato excelente, d'O Candidato a rejeitado. Mas desta vez foram capazes de me dizer alguma coisa (porque aliás perguntei) mas á 5 anos atrás nem me disseram nada, depois de ser apresentado ao director daquela área (a que estava a concorrer) como o candidato mais óbvio para ficar com o lugar. Começo a criar anti-corpos a esta empresa...

Mas passou! Nada como uma quarta-feira de manhã na praia, sozinho (a Cláudia estava a cumprir os bizarros serviços mínimos na escola), para uma meditação sobre o assunto e refrescar os meus objectivos acerca desta vida.

Há um mês escrevi, numa das últimas páginas do meu, agora, findo Moleskine, sobre o assunto. Na altura escrevi "O que vou fazer da minha vida, agora?", uma pergunta que me persegue desde há dois meses, desde que decidi sair (ou fui forçado a sair) da NEC. "Esqueço de uma vez a paranóia de que só tenho qualidade de vida em Aveiro e resolvo seguir uma carreira em Lisboa? Ou no Porto? Vou para o estrangeiro?" Que são as hipóteses de quem não encontra uma saída válida ou uma oportunidade aqui, em Aveiro. Mas, "será que vale a pena pensar que vai ser diferente noutro lado qualquer? Haverá mesmo empresas diferentes, onde se possa ser feliz? Sentir-se realizado e ter perspectivas?"

A verdade é que, neste último mês fui a entrevistas a duas das empresas de software mais conceituadas em Portugal, uma portuguesa e outra estrangeira em Portugal, e sinceramente não vi grandes diferenças com o que eu já vi em 11 anos de experiência profissional, em vários países, em várias áreas e em muitas empresas. "Ou será, que desistir de procurar essa utopia empresarial, é descabido?" Mudar o mundo é mais difícil que me mudar a mim, não? E uma coisa que tenho aprendido (muito) é a aceitar, porque a vida tem caminhos que questionamos se nos são merecidos, mas que não adianta de nada nos revoltarmos contra ela, porque afinal de contas é a nossa vida e se não a vivermos, o que é que andamos cá a fazer?

Assim, aceitei a "rejeição", como aceitarei as demais "rejeições", como sendo parte do meu caminho para o meu crescimento e sigo em frente. E em relação à pergunta no meu Moleskine... Não vale a pena pensar se seria mais feliz além ou do outro lado do Oceano, porque sou-o hoje aqui e é isso que tenho que aceitar. E não vai ser um emprego ou outro que o fará mudar, porque o que realmente me faz feliz é o que eu faço fora do emprego. Não quer dizer que não tenha prazer no que faça, mas a verdade é que sou um insatisfeito e o que quer que faça nunca será perfeito. O que me faz feliz é estar com um amigo, como ontem, a ver o pôr-do-sol numa praia deserta, no fim de um caminho no meio de um pinheiral. E, isso não existe num emprego, nem mesmo num escritório sobre as águas da Baía de São Francisco.

Foi assim a minha terceira semana de "férias". Com seis entrevistas para quatro empregos à mistura e um teste final de Gestão de Projectos, que graças às "férias" me permitiu sair em glória. Ainda houve tempo para um cerveja num concerto de música cigana dos Balcãs de um grupo cujo o nome diz tudo sobre esta semana - "La Caravane Passe".

terça-feira, junho 21, 2005

O dia mais longo

Hoje às 6:36, da manhã, deu-se o Solstício de Verão. O momento quando a Terra, na sua órbita elíptica em volta do Sol, atinge o ponto mais distante do astro rei. Do nosso ponto de vista, habitantes da Terra, o Sol atinge o seu ponto mais a Norte, o Trópico de Câncer. E como habitantes do hemisfério Norte, este é o momento que marca o início do Verão, e o dia mais longo do calendário. No hemisfério Sul, este é o Solstício de Inverno e o dia mais curto do calendário.

O Solstício de Verão é o dia mais longo do ano, não que tenha mais de 24h, como todos os outros, mas no sentido em que o tempo que vai desde o nascer do sol ao pôr do sol é o máximo do ano. Sim, porque com a mudança de hora da primavera e com a mudança de hora no Outono, há um dia que tem 23 horas e outro com 25 horas, respectivamente, mas estes dias têm menos horas de sol que o do Solstício de Verão.

Solstício tem origem nas palavras do latim Sol, cujo significado é óbvio, e Sistere, que significa parar. Isto porque nos dias anteriores ao Solstício, ao meio-dia, o Sol atinge sempre alturas cada vez maiores, até que neste dia a diferença de altura atingida pelo Sol, em relação ao dia anterior, é imperceptível, parecendo que parou de subir. A partir deste momento a altura do Sol, ao meio-dia, começa a diminuir, assim como a duração do período de luz do dia.

Este dia tem sido celebrado desde os tempos mais remotos, sob diversas formas e em quase todas as religiões, na maioria das vezes ligado à origem dos tempos, a altura do ano em que a vida recomeçava, quando acabava o frio e começava o calor. Até na religião cristã, que de modo a incluir os costumes pagãos dos povos que a adoptavam como religião, transformou essas festas da celebração do começo da vida, numa festa Cristã. Assim, na proximidade deste dia celebra-se a festa do S. João (Baptista) que, como todos sabemos, está ligado com o ritual de iniciação da religião cristã e portanto com o início da vida.

Este ano, e a menos de 24 horas dá-se outro fenómeno, também celebrado como um início. Esta próxima noite por volta das 4:16 a lua estará cheia.

Por isso aproveitem para mudar algo na vossa vida e recomeçá-la de uma forma diferente. Celebrando-a!

quinta-feira, junho 16, 2005

Disempregário - Dia 12

Quarta-feira, 8 de Junho de 2005
Fui instalar um router wireless com modem ADSL a casa do Ken e da Sue. Desespero! O que vale a formação à noite faz-me esquecer. E acabo a noitecom a Rita, que chegou do Alentejo, mais uns ex-NECs e a Cláudia nos copos no Clandestino.

Quinta-feira, 9 de Junho de 2005
O router/modem/wireless não quer colaborar. Fui para a Praia com a Rita. Tomar um banho às 19:00 é obra, mas depois de um dia de stress em frente a um maldito router sabe mesmo a gelado de chocolate.
Jantar na Picota e acabar a noite na esplanada do Clandestino, rodeado de amigos, e a ouvir música portuguesa, em alusão ao Dia de Portugal que assim começava de forma brilhante.

Sexta-feira, 10 de Junho de 2005
Troquei o modem/router/wireless por um novo, mas o problema persiste. Desisti por uns dias. Fui, com a Cláudia, acampar para S. Jacinto com uns amigos.
Jantar ao ar livre uma massa vegetariana e uma caminhada junto à Ria e estava pronto para descansar sob as estrelas.
Uma boa maneira de comemorar uma semana de "férias".

Sábado, 11 de Junho de 2005
O dia de papo para o ar. E de rabo também, o que me valeu um pequeno escaldão desde as costas até aos tornozelos. Mas nada que não se resolva com uns Camarões da Costa, Percebas e Burriés no Alberto da Torreira. Esta vida dá cabo de mim.

Domingo, 12 de Junho de 2005
A chuva pela manhã arrefeceu os ânimos. Era suposto ficarmos até segunda-feira, mas depois de uma tarde de absolutamente-não-fazer-nada entre a natureza, decidimos voltar a Aveiro.
Acabámos a noite, em amena conversa, em roda de uma mesa carregada de Sushi Vegetariano e demais iguarias.

Segunda-feira, 13 de Junho de 2005
De volta ao wireless/modem/router. Passei-me! Nada funciona... Nem com uma UPS.
Formação à noite e esqueci-me do problema temporariamente!

Terça-feira, 14 de Junho de 2005
Devolvi o wireless/router/modem e em troca levei um outro e mais um router wireless. Mais testes! O novo modem/wireless/router porta-se da mesma maneira que o outro. Deixo o router wireless a funcionar, para testar.
Quando estou para sair telefonam-me a perguntar se estou interessado em ser consultor em Lisboa por um ano. Aceito pensar!
Aula de Yoga para des-stressar. Um amigo telefona-me para lhe mandar o meu CV... Parece-me que é tudo para o mesmo!

Terça-feira, 15 de Junho de 2005
O router wireless funciona há 15 horas sem problemas. Levo o Nétó comigo a casa do Ken e da Sue, para me ajudar a solucionar aquele problema. Já funciona, parcialmente.
Posso dormir mais descansado!

terça-feira, junho 07, 2005

Disempregário - Dia 4

Sábado, 4 de Junho de 2005
Almoçar na Picota com amigos, depois de uma noite de copos. A Cabidela estava uma delícia.
O dia acabou à volta de uma mesa, em frente à televisão, depois do futebol, com uns camarões tigre, cervejas e amigos, a ver o Gato Fedorento.

Domingo, 5 de Junho de 2005
Manhã na praia! Passagem pelo mercado do peixe e umas petingas para o almoço.
À tarde arranjar a Vaynessa (a bicicleta) e ir ver o pôr-do-sol à Costa Nova.
Deixar o dia acabar sentado no sofá a não ver nada na televisão.

Segunda-feira, 6 de Junho de 2005
Manhã no Instituto de Emprego e Formação Profissional. Intervalo para almoço e retornar para ir buscar a declaração. Tarde na Loja do Cidadão e sou um desempregado registado e pronto a receber o subsídio.
Uma volta de motorizada pela cidade e o desgosto de voltar ao escritório e descobrir que tinha já sido apagado da lista de utilizadores. "Peço desculpa se aqui trabalhei." Que alívio!
Mais uma sessão do curso de Gestão de Projectos e acabou o dia!

Terça-feira, 7 de Junho de 2005
Manhã na praia! Já não via um dia assim desde alguns anos. Nem apetecia vestir os calções para ir à água, que por sinal estava gelada. Mas como a maré está baixa, há umas poças apetitosas.
Passar a tarde a tentar ligar um router wireless em casa do Ken e da Sue, com picos de tensão constantes. Desisti... Uma amêijoas à Bolhão Pato de jantar.

Ufa! Custa...

Disempregário - Dia 0

Sexta-feira, 3 de Junho de 2005

"Por imperativo de uma reestruturação dos serviços do departamento, o posto de trabalho ocupado pelo EMPREGADO será eliminado." "A empresa não dispõe de outro posto de trabalho compatível com a categoria profissional do EMPREGADO." "As partes acordam em revogar e fazer cessar, por mútuo acordo, os efeitos do contrato que os liga."

"Por falta de visão da direcção do departamento, este não tem qualquer dinâmica e o futuro do mesmo é demasiado imprevisível." "O COLABORADOR não encontra razões para continuar no posto de trabalho, uma vez que a inércia da direcção é incompatível com a sua categoria profissional, com a sua inteligência e sanidade mental." "As partes acordam em revogar e fazer cessar, por mútuo acordo, os efeitos do contrato que os liga."

Descubra as diferenças!

quarta-feira, junho 01, 2005

Portugal há 40 anos

Este fim-de-semana que passou, eu, a Cláudia, a minha irmã e o meu cunhado, fomos arrumar a casa da minha Avó, na "vila" de Almendra, no concelho de Vila Nova de Foz Côa (que é "cidade").

É uma casa antiga, com cerca de 70 anos, e velha, que sofreu há pouco tempo alguns problemas no telhado e que levaram à sua reconstrução. As obras coincidiram com a deslocação, para aquela casa, de alguns móveis de uma outra casa em Foz Côa, pelo que nos oferecemos para a arrumar. E consequentemente a limpar.

Posso dizer que fiquei porco até aos cabelos e como na casa não há (ainda) água quente, tivemos que tomar banho, como se tomava há muitos anos, nesta terra. Como ainda se toma em muitas casas neste país. 4 dias naquela casa e ficamos a dar muito mais valor a tudo aquilo que já conquistámos na vida e damos muito mais valor àqueles que ainda resistem a viver longe de tudo, mas em paz.

Por isso, resolvi abrir uma rubrica nova neste blog, que espero possa contar com a vossa colaboração. E a rubrica começa com uma revista que encontrei na casa da minha avó e que se puder a transcreverei para aqui, em fases, até Janeiro de 2006. É uma revista "Flama" de Janeiro de 1966. Mas aceito que enviem o que quiserem sobre como era Portugal, há 40 anos.

Para início fica um anúncio, que aos olhos de hoje parece ridículo mas que tem o mesmo impacto que o anúncio do Smart, daqui a 40 anos.

Citröen 2 CV