Quinta-feira, Novembro 05, 2009 : : :
Peter Murphy's Not Dead : : :
Em conversa com um amigo, e falando acerca do concerto do Peter Murphy, ele disse-me "Ouve coisas novas. Esse gajo já vai a qualquer lado!"... Pois! Foi isso que eu pensei quando vi o cartaz do concerto há umas semanas atrás colado na parede do Mercado Negro. Mas depois pensei nos tempos em que os concertos em Portugal eram escassos e só existiam em Lisboa e, algumas vezes, no Porto (aliás se seguirem os links podem ver que o Blitz só seguiu os outros concertos). Pensei que para que haja mais concertos noutros locais é necessário que haja público e por isso não podia deixar de o ir ver.
Por outro lado sempre disse, em tom jocoso, aos meus amigos que iam ver grupos acabados (ex: The Doors ou os INXS no Festival Dunas de S. Jacinto em 2003) que "para ver mortos vou ao cemitério". E um concerto mais intimista do rei do gótico podia ser interessante, mas já não ouvia nada novo dele há bastante tempo e podia ser um desastre fúnebre. Mas o Bela Lugosi pode estar morto, mas o Peter Murphy (mesmo que com algumas gorduras) ainda está muito vivo.
Cheguei ao concerto mesmo a tempo de me aperceber que me tinham arranjado bilhetes para a primeira fila (quando resolvi ir ao concerto já este estava esgotado e então tive que recorrer a alguns contactos para ver se ainda conseguia estar presente). Sentei-me, depois de uma curta conversa com uns amigos, e já estava a Lettie em palco. Nem tempo tive para agarrar uma bebida no bar.
A Lettie é uma one-woman-band londrina, embora escocesa (de Glasgow) como se nota pelo sotaque. Com uma voz entre a Dido e a Aimee Man, e toca desde teclas, guitarra e o pedal de eco que massacra constantemente com os seus saltos altos. O seu som faz-me lembrar muitas coisas desde Anne Clark a algumas coisas da 4AD, passando por um pop-folk feminino das meninas acima mencionadas. É complicado estar a tocar tanta coisa ao mesmo tempo, atrás de um teclado, e ainda ter uma presença em palco, mas ela tenta (e as meias de renda ajudam). No final deixou a sala com um saborzinho suave e doce de uma brisa matinal britânica. Melancólico mas agradável.
Quando entrou o Peter Murphy as memórias da Lettie depressa foram "varridas" por uma parede de som de guitarras, bem alto e demolidor. O homem e a sua banda entraram a "rasgar" de tal modo que mal se ouvia a voz do senhor. A sala encheu-se de um "rugido" saído das guitarras do Mark G. Thwaite (The Mission/Tricky) e John Andrews (Vast Earth Orchestra) suportado por um baixo limpinho do Jeff Schartoff (Human Waste Project/Professional Murder Music) e a bateria expressiva do Nick Lucero (Queens of the Stone Age/The Flys). A garra era tanta que no final do primeiro tema já Mark G. Thwaite (a vedeta número dois da companhia) tinha que mudar a sua Gibson porque já tinha uma corda partida.
Mas era complicado mover um público sentado tocando temas novos, mesmo que com muita garra. Mas o espectáculo foi acontecendo em crescendo, com o primeiro aquecimento após a primeira versão da noite de um tema de John Lennon - "Instant Karma" - seguido de um dos Roxy Music - "In Every Dream Home A Heartache" - e dois temas mais conhecidos em modo acústico - "Marlene Dietrich's Favourite Poem" e "Time Has Got Nothing to Do with It".
E depois de uns temas novos e outros menos conhecidos - "Too Much 21st Century" dos Bauhaus deve ter passado despercebido em quem não conhece bem a sua discografia - a primeira parte do concerto acabou. Claro que aí o público levantou-se e reclamou um encore que prontamente foi atendido. E quando a banda voltou ao palco pela segunda vez é que começou verdadeiramente o espectáculo que o público queria ouvir e para o qual tinha pago o bilhete. A casa começou a tremer quando começaram os primeiros acordes do "She's In Parties", mas continuava tudo sentado.
Eu tinha alguma vergonha de me pôr de pé e estive a controlar-me o tema toda, porque a vontade de saltar e dançar era imensa. Mas o respeito pelas filas de trás impunha que me mantivesse sentado. Quase desfiz o sapato com a baqueta que o baterista arremessou para a plateia no final da primeira parte do concerto e que eu vitoriosamente consegui apanhar. Mas depois da chamada para o segundo encore, quando se ouviram os primeiros acordes do tema "Cuts You Up" só disse "Que se lixe!" e não mais me sentei... Eu e a sala toda!
Seguiu-se a apoteose do concerto com temas como "Ziggy Stardust" de David Bowie e "Transmission" dos Joy Division, levando o público ao rubro. Para terminar a banda deitou-se no chão (à minha frente) e Peter Murphy cantou sozinho e quase a capela "Space Oddity" do David Bowie, acalmando o público. Ainda se pediu mais um encore, mas já não houve mais música...
Depois ainda fui procurar um autógrafo do Peter Murphy e comprei os CDs da Lettie (que tenho ouvido insistentemente). Estive a falar com o baixista sobre a sensação de tocar as linhas de baixo do Peter Hook e ainda troquei duas frases com o guitarrista John Andrews (que me fez lembrar muito o Brian Molko dos Placebo). Para acabar a noite, e enquanto me dava um autógrafo, disse ao Peter Murphy que era a terceira vez que o via a solo. Ele perguntou onde e quando e ficou surpreendido por o ter visto em São Francisco há quase 10 anos atrás. A verdade é que só vejo concertos dele de 10 em 10 anos - 23 de Setembro de 1990 no "Strange Kind Of Love Tour" no Coliseu do Porto, 2 de Março de 2000 no "Peter Murphy Tour 2000" no The Warfield em São Francisco e agora a 30 de Outubro de 2009 no "Secret Cover Tour" no Centro Cultural de Ílhavo. Pelo meio, ficou o concerto do "Resurrection Tour" dos Bauhaus a 15 de Novembro de 1998 no Coliseu do Porto (o último da digressão).
Vêmo-nos em 2019!
Alinhamento do concerto:
"Things to Remember"
"Velocity Bird"
"Peace To Each"
"Disappearing"
"Memory Go"
"I'll Fall With Your Knife"
"Instant Karma" (John Lennon)
"In Every Dream Home A Heartache" (Roxy Music)
"Marlene Dietrich's Favourite Poem"
"Time Has Got Nothing to Do with It"
"Secret Silk Society"
"Too Much 21st Century" (Bauhaus)
"Secret"
"The Prince And Old Lady Shade"
"Deep Ocean Vast Sea"
" Uneven and brittle"
---
"Strange Kind of Love" / "Bela Lugosi’s Dead" (Bauhaus)
"She's In Parties" (Bauhaus)
"Gliding Like a Whale"
---
"Cuts You Up"
"Ziggy Stardust" (David Bowie)
"Transmission" (Joy Division)
"Space Oddity" (David Bowie)
Em conversa com um amigo, e falando acerca do concerto do Peter Murphy, ele disse-me "Ouve coisas novas. Esse gajo já vai a qualquer lado!"... Pois! Foi isso que eu pensei quando vi o cartaz do concerto há umas semanas atrás colado na parede do Mercado Negro. Mas depois pensei nos tempos em que os concertos em Portugal eram escassos e só existiam em Lisboa e, algumas vezes, no Porto (aliás se seguirem os links podem ver que o Blitz só seguiu os outros concertos). Pensei que para que haja mais concertos noutros locais é necessário que haja público e por isso não podia deixar de o ir ver.
Por outro lado sempre disse, em tom jocoso, aos meus amigos que iam ver grupos acabados (ex: The Doors ou os INXS no Festival Dunas de S. Jacinto em 2003) que "para ver mortos vou ao cemitério". E um concerto mais intimista do rei do gótico podia ser interessante, mas já não ouvia nada novo dele há bastante tempo e podia ser um desastre fúnebre. Mas o Bela Lugosi pode estar morto, mas o Peter Murphy (mesmo que com algumas gorduras) ainda está muito vivo.
Cheguei ao concerto mesmo a tempo de me aperceber que me tinham arranjado bilhetes para a primeira fila (quando resolvi ir ao concerto já este estava esgotado e então tive que recorrer a alguns contactos para ver se ainda conseguia estar presente). Sentei-me, depois de uma curta conversa com uns amigos, e já estava a Lettie em palco. Nem tempo tive para agarrar uma bebida no bar.A Lettie é uma one-woman-band londrina, embora escocesa (de Glasgow) como se nota pelo sotaque. Com uma voz entre a Dido e a Aimee Man, e toca desde teclas, guitarra e o pedal de eco que massacra constantemente com os seus saltos altos. O seu som faz-me lembrar muitas coisas desde Anne Clark a algumas coisas da 4AD, passando por um pop-folk feminino das meninas acima mencionadas. É complicado estar a tocar tanta coisa ao mesmo tempo, atrás de um teclado, e ainda ter uma presença em palco, mas ela tenta (e as meias de renda ajudam). No final deixou a sala com um saborzinho suave e doce de uma brisa matinal britânica. Melancólico mas agradável.
Quando entrou o Peter Murphy as memórias da Lettie depressa foram "varridas" por uma parede de som de guitarras, bem alto e demolidor. O homem e a sua banda entraram a "rasgar" de tal modo que mal se ouvia a voz do senhor. A sala encheu-se de um "rugido" saído das guitarras do Mark G. Thwaite (The Mission/Tricky) e John Andrews (Vast Earth Orchestra) suportado por um baixo limpinho do Jeff Schartoff (Human Waste Project/Professional Murder Music) e a bateria expressiva do Nick Lucero (Queens of the Stone Age/The Flys). A garra era tanta que no final do primeiro tema já Mark G. Thwaite (a vedeta número dois da companhia) tinha que mudar a sua Gibson porque já tinha uma corda partida.Mas era complicado mover um público sentado tocando temas novos, mesmo que com muita garra. Mas o espectáculo foi acontecendo em crescendo, com o primeiro aquecimento após a primeira versão da noite de um tema de John Lennon - "Instant Karma" - seguido de um dos Roxy Music - "In Every Dream Home A Heartache" - e dois temas mais conhecidos em modo acústico - "Marlene Dietrich's Favourite Poem" e "Time Has Got Nothing to Do with It".
E depois de uns temas novos e outros menos conhecidos - "Too Much 21st Century" dos Bauhaus deve ter passado despercebido em quem não conhece bem a sua discografia - a primeira parte do concerto acabou. Claro que aí o público levantou-se e reclamou um encore que prontamente foi atendido. E quando a banda voltou ao palco pela segunda vez é que começou verdadeiramente o espectáculo que o público queria ouvir e para o qual tinha pago o bilhete. A casa começou a tremer quando começaram os primeiros acordes do "She's In Parties", mas continuava tudo sentado.Eu tinha alguma vergonha de me pôr de pé e estive a controlar-me o tema toda, porque a vontade de saltar e dançar era imensa. Mas o respeito pelas filas de trás impunha que me mantivesse sentado. Quase desfiz o sapato com a baqueta que o baterista arremessou para a plateia no final da primeira parte do concerto e que eu vitoriosamente consegui apanhar. Mas depois da chamada para o segundo encore, quando se ouviram os primeiros acordes do tema "Cuts You Up" só disse "Que se lixe!" e não mais me sentei... Eu e a sala toda!
Seguiu-se a apoteose do concerto com temas como "Ziggy Stardust" de David Bowie e "Transmission" dos Joy Division, levando o público ao rubro. Para terminar a banda deitou-se no chão (à minha frente) e Peter Murphy cantou sozinho e quase a capela "Space Oddity" do David Bowie, acalmando o público. Ainda se pediu mais um encore, mas já não houve mais música...Depois ainda fui procurar um autógrafo do Peter Murphy e comprei os CDs da Lettie (que tenho ouvido insistentemente). Estive a falar com o baixista sobre a sensação de tocar as linhas de baixo do Peter Hook e ainda troquei duas frases com o guitarrista John Andrews (que me fez lembrar muito o Brian Molko dos Placebo). Para acabar a noite, e enquanto me dava um autógrafo, disse ao Peter Murphy que era a terceira vez que o via a solo. Ele perguntou onde e quando e ficou surpreendido por o ter visto em São Francisco há quase 10 anos atrás. A verdade é que só vejo concertos dele de 10 em 10 anos - 23 de Setembro de 1990 no "Strange Kind Of Love Tour" no Coliseu do Porto, 2 de Março de 2000 no "Peter Murphy Tour 2000" no The Warfield em São Francisco e agora a 30 de Outubro de 2009 no "Secret Cover Tour" no Centro Cultural de Ílhavo. Pelo meio, ficou o concerto do "Resurrection Tour" dos Bauhaus a 15 de Novembro de 1998 no Coliseu do Porto (o último da digressão).
Vêmo-nos em 2019!
Alinhamento do concerto:
"Things to Remember"
"Velocity Bird"
"Peace To Each"
"Disappearing"
"Memory Go"
"I'll Fall With Your Knife"
"Instant Karma" (John Lennon)
"In Every Dream Home A Heartache" (Roxy Music)
"Marlene Dietrich's Favourite Poem"
"Time Has Got Nothing to Do with It"
"Secret Silk Society"
"Too Much 21st Century" (Bauhaus)
"Secret"
"The Prince And Old Lady Shade"
"Deep Ocean Vast Sea"
" Uneven and brittle"
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"Strange Kind of Love" / "Bela Lugosi’s Dead" (Bauhaus)
"She's In Parties" (Bauhaus)
"Gliding Like a Whale"
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"Cuts You Up"
"Ziggy Stardust" (David Bowie)
"Transmission" (Joy Division)
"Space Oddity" (David Bowie)
Sexta-feira, Outubro 30, 2009 : : :
Saudades de 2000 : : :
Há 9 anos, eu e a Cláudia fomos vê-los ao mítico The Fillmore em San Francisco!
Suberbo!
Há 9 anos, eu e a Cláudia fomos vê-los ao mítico The Fillmore em San Francisco!
Suberbo!
Quarta-feira, Outubro 21, 2009 : : :
iQLês? : : :
A Teoria do Grão de Areia, Tomo 1
François Schuiten, Benoît Peeters
O décimo volume da série Cidades Obscuras, uma das minhas preferidas (gosto tanto que tenho um cartaz de quase 2 por 1 metro na minha sala de estar). Mas é só a primeira parte… De uma história de uma cidade onde misteriosamente nascem pedras de igual peso nas divisões de uma casa, aparecem grandes quantidades de areia noutra, mesmo ao lado, e onde um cozinheiro perde peso sem nunca emagrecer (chegando mesmo a flutuar no ar). E temos que esperar um ano para saber o desfecho destes misteriosos acontecimentos, assumindo que teremos um tomo 2, porque ainda estamos à espera do tomo 2 da Fronteira Invisível da mesma série. Os ambientes criados por esta dupla de autores continua a surpreender, não só pelo enredo, mas também pelas imagens retro-futuristas de um arquitecto de cidades.
ASA / Público, 2009
Charley's War #1: 2 June 1916 - 1 August 1916
Pat Mills, Joe Colquhoun
O primeiro volume de uma série clássica inglesa (dos inícios dos anos 80) que retrata a vida de um jovem inglês que mente sobre a sua idade e com 16 anos se alista para ir para a frente de batalha, nos campos de França, durante a Primeira Guerra Mundial. Este volume conta a história do Charlie desde que se alista até se ver no meio da Batalha do Somme, batalha que ainda hoje é considerada o episódio mais sangrento da história do exército inglês (quase 20000 mortos num só dia de batalha). Os pormenores do desenho de Joe Colquhoun mostram os horrores da guerra nas trincheiras e o guião de Pat Mills traz de novo a tona as injustiças perpetradas pelas chefias que não se habituaram à mudança dos tempos e aos desenvolvimentos tecnológicos em curso durante a guerra. Faltam mais 5 volumes…
Titan Books, 2004
The Photographer
Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert, Frédéric Lemercier
Passar de um livro inglês sobre a Primeira Guerra Mundial para um francês passado durante a invasão da União Soviética ao Afeganistão, um salto temporal de 1916 para 1986, é estranho. Mas enquanto o primeiro estava cheio de humor corrosivo britânico, o humor no segundo chega a roçar o infantil. Mas o livro tem pouco de humor e muito menos de infantil. Trata-se da história verídica de um fotógrafo francês que acompanha uma expedição dos Médicos Sem Fronteiras ao Afeganistão, sem a autorização dos Soviéticos, partindo do Paquistão. A história é contada na primeira pessoa por Didier Lefèvre que partilha as suas fotos, que são complementadas pelos desenhos de Emmanuel Guibert, e que nos descreve os horrores de um povo que é apanhado numa guerra e faz tudo para sobreviver. Um excelente documento histórico e visualmente muito bonito. A versão inglesa, que li, reúne num só volume os três tomos editados em França.
First Second, 2009
Shortcomings
Adrian Tomine
Talvez o melhor livro que tenha lido este ano. Porém desde já aviso que quem vai à procura de um enredo denso ou de uma história, pode ficar muito desiludido. O livro trata apenas da vida simples de uns jovens da baía de São Francisco, da sua rivalidade para com Nova Iorque e de factores raciais entre orientais e ocidentais numa sociedade multi-cultural. Mas os diálogos e a maneira como os episódios são retratados são de um nível quase cinematográfico, com um desenho claro e muito simples. Só falta o sangue para ser um Quentin Tarantino ou um homem a falar de trás para a frente para ser um David Lynch. Depois de ler outros livros do Adrian Tomine percebo agora porque este é considerado a sua obra-prima (até agora).
Drawn & Quarterly, 2007
Blankets
Craig Thompson
Uma história sobre um primeiro amor. Como um primeiro amor fica gravado na nossa memória, mesmo que poucas vezes pensemos nele. Porém somos capazes de sentir o cheiro, os sabores e os arrepios que sentimos quando tivemos o nosso primeiro amor. E como isso pode mudar por completo a nossa maneira de ver o mundo. É isso que Craig Thompson nos conta em quase 600 páginas de um livro muito bonito e bem desenhado. Peca por não ter um fim muito bem definido (quase nos fazendo acreditar que haverá um segundo volume).
Top Shelf Productions, 2003
Waltz With Bashir
Ari Folman, David Polonsky
Feito a partir das pranchas do filme de animação que passou nas salas de cinema há uns meses atrás e (penso, pois não vi o filme, ainda) contando a mesma história. A história de um israelita, que como soldado, e durante a invasão ao Líbano, assistiu aos massacres de Sabra and Shatila. Porém não se consegue lembrar de nada desse período da sua vida (memória selectiva) e procura preencher esses buracos vazios com a memória dos seus, então, companheiros. Durante a conquista de Beirute os soldados israelitas receberam ordens para deixar entrar as facções cristãs libanesas dentro dos campos de refugiados de Sabra and Shatila. Durante horas essas facções tiveram carta branca do exército israelita com o pretexto de fazer sair dos campos os terroristas. Mas não foi bem isso que eles fizeram.
Atlantic Books, 2009
Aya #3: The Secrets Come Out
Marguerite Abouet, Clément Oubrerie
No final do ano passado, em visita à bela cidade de Praga, tendo acabado a leitura que levava comigo, entrei numa loja de BD e comprei um livro que logo me chamou a atenção. Na viagem de comboio entre Praga e Budapeste “devorei” o livro. Era a história de uma rapariga simples num bairro de Abidjan na Costa de Marfim nos anos 70. As histórias, amores, desamores e intrigas de uma vizinhança que se conhece muito bem numa África quente e de alguma forma próspera. Este é o terceiro livro da série e talvez o mais fraco, mas deixando levantado o véu sobre o quarto número (que já saiu em França) com muitas pontas por atar. Espero ansiosamente a edição em inglês!
Drawn & Quarterly, 2009
Os Passageiros do Vento #1-6
François Bourgeon
Já conhecia a série desde o tomo 1 ao 5, editadas por cá, há uns 20 anos, pela Meribérica. Acontece que depois de um diferendo que houve entre o autor e a sua editora em França, que durou quase uma década, o primeiro decidiu prolongar a série com mais um volume em dois tomos, o primeiro dos quais foi agora editado. A história do primeiro ciclo (de 1 ao 5) é para mim uma das mais bem conseguidas da BD franco-belga. O conteúdo e o rigor histórico são tão bem fundamentados que me vi a descobrir episódios da nossa própria história que jamais tinha pensado (como a feitoria portuguesa em Ouidah - São João Baptista de Ajudá - no Benin que só em 1961 deixou de ser Portugal). O primeiro tomo do sexto volume dá um salto no tempo, desde o comércio da escravatura de África para as Américas para o fim da mesma com a Guerra da Secessão. Notam-se os 25 anos que separam a elaboração do tomo 5 e 6.
ASA / Público, 2009
A Teoria do Grão de Areia, Tomo 1
François Schuiten, Benoît Peeters
O décimo volume da série Cidades Obscuras, uma das minhas preferidas (gosto tanto que tenho um cartaz de quase 2 por 1 metro na minha sala de estar). Mas é só a primeira parte… De uma história de uma cidade onde misteriosamente nascem pedras de igual peso nas divisões de uma casa, aparecem grandes quantidades de areia noutra, mesmo ao lado, e onde um cozinheiro perde peso sem nunca emagrecer (chegando mesmo a flutuar no ar). E temos que esperar um ano para saber o desfecho destes misteriosos acontecimentos, assumindo que teremos um tomo 2, porque ainda estamos à espera do tomo 2 da Fronteira Invisível da mesma série. Os ambientes criados por esta dupla de autores continua a surpreender, não só pelo enredo, mas também pelas imagens retro-futuristas de um arquitecto de cidades.ASA / Público, 2009
Charley's War #1: 2 June 1916 - 1 August 1916
Pat Mills, Joe Colquhoun
O primeiro volume de uma série clássica inglesa (dos inícios dos anos 80) que retrata a vida de um jovem inglês que mente sobre a sua idade e com 16 anos se alista para ir para a frente de batalha, nos campos de França, durante a Primeira Guerra Mundial. Este volume conta a história do Charlie desde que se alista até se ver no meio da Batalha do Somme, batalha que ainda hoje é considerada o episódio mais sangrento da história do exército inglês (quase 20000 mortos num só dia de batalha). Os pormenores do desenho de Joe Colquhoun mostram os horrores da guerra nas trincheiras e o guião de Pat Mills traz de novo a tona as injustiças perpetradas pelas chefias que não se habituaram à mudança dos tempos e aos desenvolvimentos tecnológicos em curso durante a guerra. Faltam mais 5 volumes…Titan Books, 2004
The Photographer
Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert, Frédéric Lemercier
Passar de um livro inglês sobre a Primeira Guerra Mundial para um francês passado durante a invasão da União Soviética ao Afeganistão, um salto temporal de 1916 para 1986, é estranho. Mas enquanto o primeiro estava cheio de humor corrosivo britânico, o humor no segundo chega a roçar o infantil. Mas o livro tem pouco de humor e muito menos de infantil. Trata-se da história verídica de um fotógrafo francês que acompanha uma expedição dos Médicos Sem Fronteiras ao Afeganistão, sem a autorização dos Soviéticos, partindo do Paquistão. A história é contada na primeira pessoa por Didier Lefèvre que partilha as suas fotos, que são complementadas pelos desenhos de Emmanuel Guibert, e que nos descreve os horrores de um povo que é apanhado numa guerra e faz tudo para sobreviver. Um excelente documento histórico e visualmente muito bonito. A versão inglesa, que li, reúne num só volume os três tomos editados em França.First Second, 2009
Shortcomings
Adrian Tomine
Talvez o melhor livro que tenha lido este ano. Porém desde já aviso que quem vai à procura de um enredo denso ou de uma história, pode ficar muito desiludido. O livro trata apenas da vida simples de uns jovens da baía de São Francisco, da sua rivalidade para com Nova Iorque e de factores raciais entre orientais e ocidentais numa sociedade multi-cultural. Mas os diálogos e a maneira como os episódios são retratados são de um nível quase cinematográfico, com um desenho claro e muito simples. Só falta o sangue para ser um Quentin Tarantino ou um homem a falar de trás para a frente para ser um David Lynch. Depois de ler outros livros do Adrian Tomine percebo agora porque este é considerado a sua obra-prima (até agora).Drawn & Quarterly, 2007
Blankets
Craig Thompson
Uma história sobre um primeiro amor. Como um primeiro amor fica gravado na nossa memória, mesmo que poucas vezes pensemos nele. Porém somos capazes de sentir o cheiro, os sabores e os arrepios que sentimos quando tivemos o nosso primeiro amor. E como isso pode mudar por completo a nossa maneira de ver o mundo. É isso que Craig Thompson nos conta em quase 600 páginas de um livro muito bonito e bem desenhado. Peca por não ter um fim muito bem definido (quase nos fazendo acreditar que haverá um segundo volume).Top Shelf Productions, 2003
Waltz With Bashir
Ari Folman, David Polonsky
Feito a partir das pranchas do filme de animação que passou nas salas de cinema há uns meses atrás e (penso, pois não vi o filme, ainda) contando a mesma história. A história de um israelita, que como soldado, e durante a invasão ao Líbano, assistiu aos massacres de Sabra and Shatila. Porém não se consegue lembrar de nada desse período da sua vida (memória selectiva) e procura preencher esses buracos vazios com a memória dos seus, então, companheiros. Durante a conquista de Beirute os soldados israelitas receberam ordens para deixar entrar as facções cristãs libanesas dentro dos campos de refugiados de Sabra and Shatila. Durante horas essas facções tiveram carta branca do exército israelita com o pretexto de fazer sair dos campos os terroristas. Mas não foi bem isso que eles fizeram.Atlantic Books, 2009
Aya #3: The Secrets Come Out
Marguerite Abouet, Clément Oubrerie
No final do ano passado, em visita à bela cidade de Praga, tendo acabado a leitura que levava comigo, entrei numa loja de BD e comprei um livro que logo me chamou a atenção. Na viagem de comboio entre Praga e Budapeste “devorei” o livro. Era a história de uma rapariga simples num bairro de Abidjan na Costa de Marfim nos anos 70. As histórias, amores, desamores e intrigas de uma vizinhança que se conhece muito bem numa África quente e de alguma forma próspera. Este é o terceiro livro da série e talvez o mais fraco, mas deixando levantado o véu sobre o quarto número (que já saiu em França) com muitas pontas por atar. Espero ansiosamente a edição em inglês!Drawn & Quarterly, 2009
Os Passageiros do Vento #1-6
François Bourgeon
Já conhecia a série desde o tomo 1 ao 5, editadas por cá, há uns 20 anos, pela Meribérica. Acontece que depois de um diferendo que houve entre o autor e a sua editora em França, que durou quase uma década, o primeiro decidiu prolongar a série com mais um volume em dois tomos, o primeiro dos quais foi agora editado. A história do primeiro ciclo (de 1 ao 5) é para mim uma das mais bem conseguidas da BD franco-belga. O conteúdo e o rigor histórico são tão bem fundamentados que me vi a descobrir episódios da nossa própria história que jamais tinha pensado (como a feitoria portuguesa em Ouidah - São João Baptista de Ajudá - no Benin que só em 1961 deixou de ser Portugal). O primeiro tomo do sexto volume dá um salto no tempo, desde o comércio da escravatura de África para as Américas para o fim da mesma com a Guerra da Secessão. Notam-se os 25 anos que separam a elaboração do tomo 5 e 6.ASA / Público, 2009
Terça-feira, Outubro 20, 2009 : : :
Fontão (ou não) : : :
Sábado fui andar de bicicleta com o João Oom. Ele veio passar o fim-de-semana cá a Aveiro e estava com saudades de uma volta de bicicleta e de uma ida ao Fontão. O Fontão é um lugar que fica entre Angeja e Albergaria-a-Velha, onde acaba a planície do vale do rio Vouga e começam os declives acentuados formados pelos rios e ribeiros que aí desaguam. Ou seja onde o nome Bicicleta de Montanha começa a ganhar nome sobre Bicicleta Todo-o-Terreno (BTT). Além disso é uma zona de forte cariz agrícola onde a distância à cidade parece muito maior que os meros 10 quilómetros percorridos para aí chegar.
Assim, saímos cedo e fizemos os caminhos pelo vale do Vouga até atravessarmos a ponte de Angeja (junto à Nossa Senhora das Neves - presumo que o culto seja porque uma vez nevando na Serra do Caramulo é garantido que não falta água por aqui). Não fomos ao leitão, mas começámos a subir a encosta até ao seu topo. Em cerca de 750 metros subimos dos 8 aos 80 metros de altitude (um declive médio de 10%).
Depois veio a procura do caminho para descer a encosta para o outro lado - o lado do Fontão. Pois! Haviam muitos caminhos até ao vale, mas as pontes pedonais desapareceram e atravessar o rio não era fácil. Os costumes destas gentes mudaram e infelizmente os caminhos pedonais começam a perder-se. Fizemos 4 descidas por caminhos diferentes e em todas o resultado foi frustrante e tivemos que voltar a subir a encosta de novo. Andámos ali cerca de 1h15m a subir e a descer e fizemos 8 quilómetros até desistir e descer de novo para o vale do Vouga até Frossos.
O percurso que publiquei exclui estas subidas e descidas, pois não queria que alguém andasse a picar-se e sofrer por minha culpa, mas a adicionar ao percurso que aqui está há que contar com mais 8 quilómetros de extensão e uns 240 metros de declive em subida e outros tantos em descida.
Mas foi uma volta divertida e deu para matar algumas saudades. Agora só tenho que ir ao Fontão ver se ainda existe algum caminho que vá até Angeja.
Sábado fui andar de bicicleta com o João Oom. Ele veio passar o fim-de-semana cá a Aveiro e estava com saudades de uma volta de bicicleta e de uma ida ao Fontão. O Fontão é um lugar que fica entre Angeja e Albergaria-a-Velha, onde acaba a planície do vale do rio Vouga e começam os declives acentuados formados pelos rios e ribeiros que aí desaguam. Ou seja onde o nome Bicicleta de Montanha começa a ganhar nome sobre Bicicleta Todo-o-Terreno (BTT). Além disso é uma zona de forte cariz agrícola onde a distância à cidade parece muito maior que os meros 10 quilómetros percorridos para aí chegar.
Assim, saímos cedo e fizemos os caminhos pelo vale do Vouga até atravessarmos a ponte de Angeja (junto à Nossa Senhora das Neves - presumo que o culto seja porque uma vez nevando na Serra do Caramulo é garantido que não falta água por aqui). Não fomos ao leitão, mas começámos a subir a encosta até ao seu topo. Em cerca de 750 metros subimos dos 8 aos 80 metros de altitude (um declive médio de 10%).
Depois veio a procura do caminho para descer a encosta para o outro lado - o lado do Fontão. Pois! Haviam muitos caminhos até ao vale, mas as pontes pedonais desapareceram e atravessar o rio não era fácil. Os costumes destas gentes mudaram e infelizmente os caminhos pedonais começam a perder-se. Fizemos 4 descidas por caminhos diferentes e em todas o resultado foi frustrante e tivemos que voltar a subir a encosta de novo. Andámos ali cerca de 1h15m a subir e a descer e fizemos 8 quilómetros até desistir e descer de novo para o vale do Vouga até Frossos.
O percurso que publiquei exclui estas subidas e descidas, pois não queria que alguém andasse a picar-se e sofrer por minha culpa, mas a adicionar ao percurso que aqui está há que contar com mais 8 quilómetros de extensão e uns 240 metros de declive em subida e outros tantos em descida.
Mas foi uma volta divertida e deu para matar algumas saudades. Agora só tenho que ir ao Fontão ver se ainda existe algum caminho que vá até Angeja.
Terça-feira, Outubro 13, 2009 : : :
Domingo, Outubro 04, 2009 : : :
Segunda-feira, Setembro 28, 2009 : : :


