segunda-feira, maio 29, 2006

quinta-feira, maio 25, 2006

No meu Moleskine (3)

Desde puto que atraio malucos. Quando entrava num bar e se lá havia um bêbado, este, a primeira coisa que fazia era vir falar comigo.

Conhecia os maliquinhos todos do Bairro. O Quim confessava-me que as telenovelas brasileiras lhe faziam mal por causa das "gajas boas". E os drogados eram todos meus amigos, sendo muitas vezes associado a eles.

Na Universidade tinha um amigo que se divertia a partir dispositivos de incêndio para ouvir o som do alarme. Era o meu melhor "amigo" na Fac. de Ciências da Universidade do Porto.

Em Aveiro conhecia-os a todos. Do "Trafaria" que maluco não tinha nada ao "Stevan" que era o melhor aluno de Ambiente, mesmo sendo alcoólico, passando pelo Ramalheira, que vomitou numa prova de BTT porque começou o dia com um copo de leite.

No emprego, prefiro nem falar, porque me posso comprometer, mas...

E até nas mulheres. Namorei com a "Gasolina" depois com a "Botas da Tropa", mas sempre me aproximei de pessoas "extravagantes". A Cláudia não é excepção, ela própria uma pessoa singular.

E há outros casos que me escuso a falar.

Mas só me rodeio de "loucos", "malucos", "deslocados", "extravagantes" ou "freaks". Porquê esta atracção?


in Moleskine (2) 23/09/2005 23:24

quarta-feira, maio 24, 2006

Planear?

Durante a minha vida profissional trabalhei por diversas vezes fora do país. No meu currículo saliento os períodos em que vivi, ou estive destacado em trabalho, em três países do G8 (Estados Unidos da América, Japão e Inglaterra). Porém, já trabalhei por menor períodos em mais dois países desse grupo (França e Alemanha). E, já visitei a Finlândia (onde estive quase a estagiar no final da minha licenciatura) e a Irlanda, os tão aclamados exemplos europeus de países pequenos e periféricos com economias competitivas e de sucesso. Durante todas estas experiências de trabalho, fi-lo em contacto directo com europeus, americanos, asiáticos e africanos.

De todas estas experiências, mais ou menos longas, ou mais ou menos importantes, o que retiro é que nós, portugueses, somos bons profissionais. Não somos menos produtivos que os indivíduos de outras origens. É tudo uma questão de organização, gestão, formação e liderança.

E, nesse sentido saliento a organização inglesa. Os ingleses são conhecidos pela pontualidade, são muito metódicos e fazem uma análise muito cuidada dos "imprevistos" que podem ocorrer durante um projecto. Fazem planos! E estudam os projectos antes de os porém em prática. Eu acredito que os descobrimentos não teriam acontecido se o Infante D. Henrique não fosse fruto da capacidade empreendedora e de improviso dos portugueses aliada a uma educação inglesa originária da sua mãe Filipa de Lencastre (Lancaster).

Há dias um jovem empresário português exaltava a nossa capacidade de improviso, o vulgar "desenrascanço", e salientava o facto de os marinheiros portugueses, em tempos idos, serem contratados, por outras nações de exploradores, para fazerem parte das suas tripulações e cuja função era a do controlo do navio em caso de emergência. Mas esse mito conta também que a esses marinheiros não era permitido fazer mais nada para além disso no navio, porque a sua capacidade de improviso, sem controlo, podia pôr em causa a segurança de um navio organizado.

O mesmo empresário, na mesma conversa, disse-me que não planeava porque "perdia" quase tanto tempo a fazer o plano que a executar o projecto. Pois, na verdade quase todos os standards de gestão de projectos dizem que o planeamento é cerca de 40% do projecto, ou seja, se a execução será 50% a verdade é que planear demora quase tanto tempo como executar o projecto. A diferença é que em Portugal sem planeamento atingem-se os níveis de estabilidade ao mesmo tempo que o projecto demora a produzir um produto fiável "lá fora". E com planeamento se o produto precisar de ser melhorado sê-lo-á facilmente, colocando-se um produto novo no mercado em muito pouco tempo. Além de que quem planeia aprende a projectar produtos e sem planeamento vão se fazendo projectos.

Um amigo meu a estagiar na Irlanda, na HP, dizia-me há dias que por vezes se sentia deslocado, porque com a sua rotina diária de trabalho não tinha noção que estava na "grande HP". Ele, como a maioria de nós, imaginara que uma empresa de renome internacional e com uma dimensão planetária funcionaria de uma maneira completamente diferente daquilo que estamos habituados. Pois, na verdade, ele estava a ter a melhor das experiências que um estagiário português no estrangeiro pode trazer para "cá", a de que somos capazes de produzir e de competir "lá fora" com empresas como a "grande HP". Se quisermos!

Outro empresário, da mesma área, dizia-me que não se sente com capacidades técnicas para competir "lá fora". Porque "lá fora", "eles" estão mais preparados tecnicamente que "nós". Hoje em dia já não existe o "lá fora", porque as fronteiras deixaram de existir (ainda mais na área das TIs onde ele tem o seu negócio) e "eles" somos "nós". Eu lembra-me quando era miúdo que se dizia que ao atravessar a fronteira as estradas eram melhores, o sol era mais forte e as vacas davam mais leite. Na verdade, já não é tanto assim (embora a gasolina "lá" seja muito mais barata) e a vaca da vizinha não dá mais leite que a minha.

Vão lá e mujam-na e verão que o leite da vaca é branco e a quantidade e qualidade do que ela produz é tanta coma as das nossas vacas! Mas primeiro organizem-se e planeiem, porque "quem vai para o mar avia-se em terra"!

sexta-feira, maio 19, 2006

Será que?

Sempre fui criticado por ter tido muitos empregos, nos primeiros anos do meu currículo. Depois disso e durante anos dediquei-me quase a 100% a uma empresa só. A educação que tivemos fazem-nos pensar que um emprego é para o resto da vida, mas um dia as coisas acontecem e apercebemo-nos que afinal de contas estivemos ausentes de nós próprios e de repente despertamos para a realidade. Durante este período, não fomos nós, mas sim aquilo que alguém queria que nós fossemos. Um trabalhador exemplar. Um engenheiro "à-moda-antiga" que se dedica ao trabalho e que se esquece do que mais gosta. Esquece-se da família, dos amigos e dos hobbies.

Estar parado tem-me ajudado a pensar que se não dedicar bastante tempo àquilo que realmente gosto na verdade vou-me sempre sentir frustado. E que não sei até que ponto é que a engenharia me faz sentir verdadeiramente completo. Se calhar essas mudanças de emprego são um sinal disso, apenas eu não o vi. Acho que o que me fez ficar tanto tempo naquela empresa foram outras coisas que não a engenharia. Foram o bom ambiente no grupo de trabalho, os constantes contactos internacionais, as frequentes formações e as minhas funções de gestão.

Começo a achar que tenho que escolher um emprego que me permita conviver com pessoas de bem, onde tenha contactos internacionais, onde possa aprender e onde desempenhe uma função de gestão. O problema é que no currículo tenho apenas como formação académica Engenharia. Tenho que arranjar uma formação de Gestão.