segunda-feira, janeiro 31, 2005

A minha vida dava um filme dos Irmãos Wachowski

Há uma semana [segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005] estava numa reunião de trabalho. Estávamos oito pessoas, em volta de uma longa mesa, numa sala estreita, a discutir os requisitos de um projecto novo.

De repente o telemóvel do Ricardo toca (com a música do 007). Ele abre o telemóvel, em forma de concha, vê quem é que lhe está a ligar e desliga a chamada. A reunião prossegue!

A dada altura batem timidamente à porta e sem esperar pela resposta, a porta abre-se e do outro lado surge o João. Dirigindo-se ao Abílio e fazendo um T com as mãos, diz:
- "Não vás embora sem falar comigo!"
O Abílio acede e a reunião prossegue!

O telefone do Ricardo volta a tocar e ele retira-se, pedindo desculpa, para atender a chamada. A reunião termina!

Hoje [segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005] voltámo-nos a reunir na mesma sala. Todos os presentes na reunião anterior excepto o Samuel, na mesma sala e dispostos de maneira semelhante. Como em todas as reuniões!

A dada altura toca o telemóvel do Ricardo (com a música do 007). Ele abre o telemóvel, em forma de concha, vê quem é que lhe está a ligar e desliga a chamada. A reunião prossegue!

A dada altura batem timidamente à porta e sem esperar pela resposta, a porta abre-se e do outro lado surge o João. Dirigindo-se ao Abílio e fazendo um T com as mãos, diz:
- "Não vás embora sem falar comigo!"
O Abílio acede e a reunião prossegue!

O telefone do Ricardo volta a tocar e ele retira-se, pedindo desculpa, para atender a chamada.

Agente Smith - Matrix

Eu e o Victor olhámos um para o outro. A todo o momento esperava que através daquela porta entrasse o Samuel, o único ausente, vestido de agente. E o Ricardo se transformasse em Neo e desaparecesse sendo "puxado" por aquela chamada de Morpheus.

E terminava a reunião!

sexta-feira, janeiro 28, 2005

A minha vida dava um filme do David Lynch (II)

Ontem [27 de Janeiro de 2005] à noite, eu e o António, entrámos no Clandestino por volta das 22h. Estava frio cá fora. Mesmo muito frio! Tinha comprado, um pouco antes, uma tripa de chocolate, no café em frente, e passeámo-nos pela Praça do Peixe, até que a acabasse de comer. Estava um vento cortante.

Quando entrámos no bar, a porta tinha acabado de ser aberta. As portadas ainda estavam fechadas, mas o papel no exterior dizia "Aberto". Assim que entrámos, tivemos a sensação que afinal o bar estava fechado, pois não havia viva-alma dentro da sala do rés-do-chão. Tocava um tango do segundo CD dos Gotan Project (Inspiración – Espiración). Havia uma carteira de mulher em cima do balcão e uma saca de plástico com roupa no chão. Sentámo-nos nos bancos altos, da outra ponta do balcão, junto ao local do Disk-Jockey e esperámos.

O Clandestino é um bar, perto da Praça do Peixe, aqui em Aveiro. Tem uma decoração retro-kitch e é frequentado por uma clientela mais alternativa e urbana. A música costuma ser muito boa.

Uns 10m depois saiu da cozinha, por detrás do bar, um tipo com o cabelo todo em pé e com uma pequena barbicha de forma triangular debaixo do lábio inferior e acima do queixo. Pedimos um fino e um whiskey e o som alto de um tango do Astor Piazzolla encheu a sala. As luzes amarelas pálidas davam um ar de bar decadente à atmosfera.

No entretanto a dona da carteira, de meia idade, tinha descido as escadas e dançava, claramente alienada, na outra ponta do balcão, ao som do tango, mas com a coreografia de "Walking like an Egyptian" das Bangles. E gritava de plenos pulmões, de modo a sobrepor-se à música, que gostava muito de tango. Que na juventude dela, em Miraflores, que dançava muito tango e que frequentava bailes.

Começaram a chegar clientes, mas nenhum ficava no rés-do-chão. Continuávamos, os dois de um lado do balcão, calados e agarrados aos copos, a tipa demente a dançar lá ao fundo e o barman, do outro lado, de pé, com o seu cabelo desgrenhado e a sua barbicha. Ao som de um tango de Astor Piazzolla e iluminados por uma luz amarela muito pálida.

Twin Peaks

A todo o momento esperava ver entrar pela porta entreaberta, e com as portadas encostadas, um anão que falasse de trás para a frente.

(Ex)Citação XVI

"Yesterday is history. Tomorrow is a mystery. And today? Today is a gift. That's why we call it the present."
Babatunde Olatunji

(Ex)Citação XV

"At first you will think of practice as a limited part of your life. In time you will realize that everything you do is part of your practice."
Baba Ram Dass

@ЦТФ РЧФТФ БЮЅ GЯАРЧЗІП 1

1982 - A minha bicicleta TipTop/BMX

Já não me recordo muito bem, mas tenho noção que foi no final do ano lectivo, no fim do meu 7º ano de escolaridade. Algures para Julho ou Setembro, mas tenho a certeza que foi em 1982 (está escrito na parte detrás da fotografia). Até pode ter sido no Natal de 1982, já no meu 8º ano. Mas tenho a certeza que estava de férias.

Era a minha segunda bicicleta, a primeira em que eu iria andar. A que me faria aprender a andar de bicicleta, com 13 anos. Ganhei-a num sorteio do Topo Topo, uma espécie de gelado, tipo o Fá, que trazia no exterior da embalagem recordes do Guinness. Esta foto foi tirada pela empresa distribuidora, quando me foram entregar a bicicleta de prémio. Em vez dela, eu queria ter ganho a viagem a Itália para ir visitar o Topo Gigio, onde a marca se tinha inspirado para o nome do tal gelado. Na verdade já, naquela altura, tinha o bicho das viagens e, ainda, não imaginava como as bicicletas iriam ser tão importantes na minha vida.

Eu juntei embalagens do Topo Topo durante o ano todo, mas mesmo assim faltavam-me uns recordes para mandar os panfletos para o sorteio, até uns dias antes de entrar de férias. Nas vésperas de férias, em casa de um colega que vivia perto da escola da Maia e que tinha o livro de recordes da Guinness, arranjei as respostas todas. Mandei para o sorteio e umas semanas depois ganhava uma BMX. Eu nem sabia andar de bicicleta!

É a história desta fotografia.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

(Ex)Citação XIV

"I don't know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody."
Bill Cosby

(Ex)Citação XIII

"There is nothing like returning to a place that remains unchanged to find the ways in which you yourself have altered."
Nelson Mandela

Diário de uma prática : : : Dia –24

Dia 16 : : : Quinta-feira, 27/01/2005 : : : 8:20
Peso: 75,8 Kg
- 4m em Sirsasana
- 1m de repouso
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento
- 1m em Sat Kriya
- 2m de relaxamento

Fiz o brilhante erro de levar a Cinzas comigo para a prática. Além de ter miado muito, decidiu atacar-me a cara quando estava em Sirsasana, não me deixando concentrar. Além disso decidiu afiar as unhas no colchão pelo que tive que parar o exercício para a assustar.

Acho que a partir de amanhã aumento o Sat Kriya para 2m, pois 1m de Sat Kriya parece muito mais curto que o mesmo tempo em Stretch Pose. Além disso apenas não fiz uma vez o Sat Kriya esta semana, porque me levantei tarde. Podia o ter feito noutra altura do dia, mas falhei porque ando pouco dedicado, confesso.

A falta de uma prática de Yoga anda a fazer-se sentir em tudo na minha vida. Não consigo ter uma dedicação ao regime muito boa. Acho que a minha mente anda muito dispersa e cansada, mas tenho que ir até ao fim.

Mas já faço a Stretch Pose concentrado nos pés sem nunca olhar para o relógio e ver o tempo que falta. Porém a dificuldade varia e ultimamente tem custado mais fazê-la (provavelmente devido à minha falta de dedicação), mas o meu objectivo de a fazer durante 40 dias não pode não ser cumprido outra vez. Quando chegar aos 40 dias a prática passa a ser um prazer habitual.

terça-feira, janeiro 25, 2005

A minha vida dava um filme do Quentin Tarantino

Sábado [22 de Janeiro de 2005], à noite, estava com um grupo de amigos no "Piolho" (Café Âncora D'Ouro na Praça de Parada Leitão, no Porto, junto ao que foi a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde estudei dois anos da minha vida). O café continua igual ao que era, quando o conheci, há 17 anos. Aquelas mesas minúsculas alinhadas umas contra as outras e as cadeiras feitas para pessoas de 1,60m, de modo que a mobilidade seja um desafio. Espelhos a toda a volta para simular um espaço maior, mas sempre os mesmos empregados que parece que foram recrutados na CERCI. O mesmo "Piolho" que inspirou muitas tardes e noites de copos (ninguém lá ia de manhã no seu perfeito juízo).

Dizia eu que estava no "Piolho" com uns velhos amigos, a beber umas Super Bock, naquele ambiente de café-anos-50. E, como é normal a cerveja tem propriedades diuréticas e levantei-me para ir ao quarto-de-banho. Incomodo duas ou três pessoas para me poder levantar do sítio onde estou encaixado entre duas mesas e três cadeiras. A caminho do quarto-de-banho passo por uma mesa de punks/anarcas que acabaram de entrar e estão a jantar uns hamburgers.

Entro no quarto-de-banho, uma sala de 2m quadrados decorada com azulejos azuis gastos pelo tempo e encosto-me ao urinol, que de tão alto, logo me faz pensar como é que as pessoas de 1,60m que se sentam naquelas cadeiras podem urinar ali. Logo a seguir entra um homem, albino, com cerca de 50 anos. O estado de alcoolémia do indivíduo roça o aceite pelo corpo para se poder caminhar de pé. A sua postura oscila entre a parede de fundo do urinol e cerca de dois palmos atrás da vertical. Nisto o homem diz (enrolando a língua junto ao céu da boca):
- "Isto do Porto é uma merda!"
"Grande início de conversa", pensei para comigo.
E o homem repete:
- "Isto do Porto é uma merda!"
Visto que a conversa não desenvolvia, perguntei:
- "Mas é uma merda, porquê?"
O homem olha para mim, sem me conseguir ver por detrás dos óculos, mas sempre virados para a parede de azulejos azuis, e diz:
- "Vinha dar uma foda e a gaja fugiu com a massa!"
O cabelo branco e a pele rosa do homem não deixavam em nada perceber que tinha estado a beber. Parecia uma pessoa num estado perfeitamente normal, não fosse o movimento harmónico em ressonância do seu corpo. Mas de cada vez que abria a boca sabia-se perfeitamente que estava com os copos.
E continua:
- "Lá em Matosinhos é diferente, aqui como é Porto têm a mania que são mais espertas!"

No entretanto acabei o meu "serviço" e em tom de despedida digo-lhe:
- "Pois! Queria fodê-la, mas ela é que o fodeu..."
O homem sorriu! E eu fui, que a Super Bock estava à minha espera.

Vá ali Azar!

Presente do Indicativo

Eu balizo!
Tu balizas!
Ele baliza!
Nós balizamos!
Vós balizais!
Eles balizam!

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Spinning Away

Up on a hill, as the day dissolves
With my pencil turning moments into line
High above in the violet sky
A silent silver plane - it draws a golden chain

One by one, all the stars appear
As the great winds of the planet spiral in
Spinning away, like the night sky at Arles
In the million insect storm, the constellations form

On a hill, under a raven sky
I have no idea exactly what I've drawn
Some kind of change, some kind of spinning away
With every single line moving further out in time

And now as the pale moon rides (in the stars)
Her form in my pale blue lines (in the stars)

And there, as the world rolls round (in the stars)
I draw, but the lines move round (in the stars)

There, as the great wheels blaze (in the stars)
I draw, but my drawing fades (in the stars)

And now, as the old sun dies (in the stars)
I draw, and the four winds sigh (in the stars)

Brian Eno & John Cale Ouvir excerto

Hoje fala-se de... Chakras

Os Chakras

Os chakras, palavra do sânscrito que significa "roda", são pontos invisíveis de circulação da energia vital feminina, tanto nos homens como nas mulheres, os "centros de lótus", distribuídos em número de sete pelo eixo central do corpo humano, que a tradição hindu interpreta como centros de consciência da fisiologia mística. Localizados ao longo da coluna vertebral, desde a sua base até à cabeça, os chakras são também considerados avas, ou seja, turbilhões ou centros de matéria etérea ou de energia em movimento.

O tantrismo hindu descreve seis centros mais um sétimo centro cerebral superior, o "lótus de mil pétalas", enquanto que o budismo tântrico tibetano reconhece cinco chakras (períneo, umbigo, coração, garganta e cérebro) que correspondem aos cinco elementos ar, água, terra, fogo e éter e aos quatro pontos cardeais considerados a partir de um centro, o quinto elemento.

Ligados ao simbolismo feminino da flor de lótus, de tradição milenar, os chakras contêm no seu símbolo o triângulo genital feminino, o yoni yantra, e a ligação entre os diferentes chakras é feita pela serpente kundalini, sempre feminina esteja num corpo de homem ou de mulher. A kundalini, que dorme enrolada num linga, ou falo, na base do primeiro chakra, é despertada pela respiração e meditação de forma a se elevar através dos diferentes chakras até ao último, situado na cabeça. Esta representação da kundalini activa é feita através de duas espirais que se cruzam ao longo dos chakras e da coluna vertebral. Este primeiro chakra, situado na região pélvica, simboliza a terra, o segundo chakra, na zona genital, representa a água, o terceiro chakra do umbigo representa o fogo e a quarta energia, na zona do coração e sintonizada com o som mântrico universal Om, simboliza o ar. A estes quatro chakras inferiores seguem-se os chakras superiores responsáveis por canalizar a kundalini para universos espirituais: o quinto chakra ao nível da laringe está ligado ao dom da fala e é o verbo criativo também representado por uma lua cheia; o sexto chakra está situado entre as sobrancelhas, é o "terceiro olho" da visão interior e o sétimo e último chakra é o "lótus das mil pétalas de luz" que sai da cabeça em direcção ao infinito, o espírito feminino interior triunfante.

O tantrismo, que teve uma versão budista e outra hindu, pode ser definido como um conjunto de regras de práticas esotéricas que surgiram no século V, mas que só foram redigidas cerca de cinco séculos mais tarde, e cujos textos diziam respeito a matérias muito diversas, tais como filosofia, magia, fisiologia, técnicas de ioga e meditação, entre muitas outras. Recusando o sistema de castas e concentrando a sua acção no culto da Shakti, palavra védica para energia, significando ao mesmo tempo o nome da esposa do deus Indra e energia feminina que mais tarde veio a simbolizar, o tantrismo passou a utilizar vários "instrumentos" de libertação espiritual, mesmo aqueles proibidos pela ortodoxia religiosa, desde que fossem santificados pelos rituais. A união sexual foi uma das formas utilizadas por alguns sectores tantristas para a união com a Energia Feminina, mas para a maior parte dos seguidores do tantrismo esta união era apenas simbólica e não real. No entanto, no Ocidente a palavra tantra ficou para sempre erradamente conectada como uma forma de sexualidade mística e todas as suas outras vertentes, e que são a sua grande e maior parte, foram esquecidas.

chakras. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2005. [Consult. 2005-01-20].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/E1.jsp?id=117257.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Iram

Já aqui escrevi sobre os "Prauntos! Já comestes? Obrigadinhos!!!", mas a última calinada da moda é o "iram". Como quem diz "uns contactos que iram resultar em negócio", acho que é uma alusão àquele país do médio oriente, que os americanos querem atacar a seguir, mas dito em português do Brasil – o Iram. É que se fosse em português de Portugal escrever-se-ia "Irão", tanto o país, como a palavra em questão.

Mas há quem goste de colocar o "am" em vez do "ão" na terceira pessoa do plural no tempo verbal do futuro do indicativo de alguns verbos. O que pode ser até confuso, pois de futuro passa a passado, como "caminharão" e "caminharam". Mas "prauntos", também há quem se esqueça do acento em "comprámos" e passe de passado a presente para "compramos".

Mas para quem lida com engenheiros todos os dias, como eu, há uma série infinita de calinadas, de que até se pode fazer colecção e até criar padrões de linguagem, muito próprios da classe. Os engenheiros têm o dom de não se preocuparem com a perfeição, porque o que interessa é que o produto acabe feito e não que seja perfeito (excepto os engenheiros alemães).

Assim há aqueles típicos, como não colocar o 'h' quando se diz "há algum tempo", mas usá-lo em "há excepção de" ou "devido há urgência", porque não há tempo, mas há urgência, e acima de tudo, há excepções. E depois há montes de "requesitos", que "está-se a estudar", para "colecionar" de modo a que a "equipe" "intreperte" ou "sentir-se-hão" "perssionados".

"Percebestes"? "Obrigados" pela atenção!

Só para quem gosta de Gatos

A gata Margarida, do PP e da Sílvia, mantém um diário online.

Ganda maluca...

terça-feira, janeiro 18, 2005

(Ex)Citação XII

change is not death. fear of change is death.
@ gapingvoid.com
(Obrigado pelo link Ricardo)

Boizola

Colega,

Os Compinchas proCuram Comprar a Cartilha. Com afinCo
a Cartilha proCuram nos Comércios. Com parco suCesso,
ConCluímos que o César nos Cederia (a troCo de moeda
Cunhada de valor peCuniário) uma cópia autografada.

Há desConto na Compra da Camiseta?

Cumprimentos
Lóló e Pipa

Novíssima Cartilha Ilustrada


Acudi! Cartilha a caminho dos correios!
Rodrigo

Diário de uma prática : : : Dia –33

Dia 7 : : : Terça-feira, 18/01/2005 : : : 9:08
Peso: 75,5 Kg
- 3m em Sirsasana
- 1m de repouso
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento

Ainda não recuperei do fim-de-semana. Ontem combati a minha preguiça e estive, até minutos antes de sair de casa, prestes a desistir de ir à aula de Yoga n'O Jardim de Lótus. Fui! E foi o que fiz de melhor. Se nos rendermos à preguiça deixamos esmorecer a vontade de continuar. A persistência fará com que os benefícios sejam superiores ao "sofrimento".

Foi com o mesmo espírito que fiz a prática. Faço-a com prazer, mas ainda começo-a contrariado. Acabo sempre satisfeito porque a fiz e porque não desisti. Por pouco que faça, faço sempre mais do que se nada fizesse e sei que se a adiasse não a faria.

Diário de uma prática : : : Dia –34

Dia 6 : : : Segunda-feira, 17/01/2005 : : : 9:10
Peso: 75,8 Kg
- 4m em Sirsasana
- 1m de repouso
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento

O fim-de-semana deu cabo de mim. Além de horas de sono em atraso, debato-me com uma vontade de me render à preguiça, ao descanso. Deixei-me ficar tempo demais na cama e o corpo ficou demasiado mole. A mente está pior e tive que me gladiar comigo próprio para conseguir fazer a prática com o mínimo de concentração. Mas ganhei (nem outra coisa seria de esperar) e no fim da prática já estava energizado e relaxado.

Passei a dobrar o colchão de maneira que no Sirsasana não me magoe o topo da cabeça, depois de no fim-de-semana tê-la feita num colchão mais grosso e ter notado a diferença. Por mais que não se deva colocar o peso do corpo na cabeça, esta acaba sempre por suportar uma parte dele e acaba sempre por doer. Principalmente ao fim de 4m.

Não consegui retomar a prática do Sat Kriya. Acho que tenho que praticar mais a Stretch Pose para ganhar mais vontade e reforçar o meu empenhamento nesta prática.

Diário de uma prática : : : Dia –35

Dia 5 : : : Domingo, 16/01/2005 : : : 23:15
Peso: ? Kg
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento

Era demasiado tarde para fazer o Sirsasana. Provavelmente se a fizesse custar-me-ia adormecer, mesmo estando estoirado e com o corpo todo moído, depois de um fim-de-semana de mudanças e limpezas. Pela mesma razão optei por não fazer o Sat Kriya, pois ainda não sei muito bem controlar a energia que se liberta com o exercício e o mais provável é que me alterasse e não me permitisse dormir convenientemente. Retomarei a prática numa altura em que a hora não seja tão tardia.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Quero é viver!

Vou viver,
Até quando eu não sei,
Que me importa o que serei,
Quero é viver!
Amanhã,
Espero sempre um amanhã,
E acredito que será,
Mais um prazer.

E a vida,
É sempre uma curiosidade,
Que me desperta com a idade.
Interessa-me o que está para vir.
A vida,
Em mim, é sempre uma certeza,
Que nasce da minha riqueza,
Do meu prazer em descobrir.
Encontrar, renovar, vou fugir ao repetir!

António Variações (por Humanos) Ouvir excerto

A minha vida dava um filme do David Lynch (I)

Chegar a Foz Côa...

(Este post foi inspirado pelo artigo "O Caderno dos Artistas", sobre a Moleskineria, na revista Única do Expresso de 16/01/2005. O texto foi escrito em 14/01/2005 por volta das 23:00, em Vila Nova de Foz Côa, na casa da Travessa D. Berta Montalvão, número 11.)

sábado, janeiro 15, 2005

Diário de uma prática : : : Dia –36

Dia 4 : : : Sábado, 15/01/2005 : : : 18:10
Peso: ? Kg
- 4m em Sirsasana
- 1m de repouso
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento
- 2m30s em Sat Kriya
- 6m de relaxamento

A invertida (Sirsasana) pareceu-me que nunca mais acabava. Não que estivesse desconfortável, mas sim, impaciente (ando muito impaciente ultimamente).

Mas concentrei-me no Sat Kriya e acho que estou a sincronizar as coisas. Começo a perceber porque é que o relaxamento tem que ser o dobro do exercício. Na verdade só se consegue relaxar após os 3m de relaxamento (o tempo do exercício) e se se pára antes as energias ficam todas trocadas. Usei um cobertor para manter a temperatura e é uma experiência a manter.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Ramais do Douro Desactivados

Ramais do Douro Desactivados

Fotografias de Carlos Cardoso
Exposição 18 de Janeiro a 29 de Fevereiro,
Galeria Fotográfica Fnac GaiaShopping

Este trabalho focaliza essencialmente as estações de caminho de ferro que foram desactivadas na década de 80 na zona de Trás-os-Montes e Alto Douro pertencentes aos 4 ramais de via estreita ( bitola de 1 metro ) da linha do Douro. Tâmega - Corgo - Tua - Sabor
O aspecto de abandono e degradação exponencial da maioria das estações e apeadeiros levou-me a registar fotograficamente o seu traço arquitectónico profundamente português, sendo o oposto do que se constrói hoje na era global. Conseguem ter uma beleza impar e contar hábitos regionais em azulejos, o que as torna únicas no mundo. Aliás foi esta singularidade que me levou a percorrer muitos quilómetros aos fins de semana durante 2 anos. Quanto ao material circulante e de apoio, ele é igual em todo o mundo e sempre apaixonante aos olhares.
As fotografias são a preto e branco e foram executadas em médio formato recorrendo a basculamentos para não deformação arquitectónica.

Diário de uma prática : : : Dia –37

Dia 3 : : : Sexta-feira, 14/01/2005 : : : 8:40
Peso: 75,7 Kg

- 4m em Sirsasana
- 1m de repouso
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento
- 2m15s em Sat Kriya
- 3m de relaxamento

Hoje não me apetecia fazer nenhum dos exercícios. Dormi pouco e a vontade de os fazer era pouca ou nenhuma. Mas tenho que me contrariar e fazê-los, embora com algumas dificuldades, foi melhor. Estou ciente que se os não tivesse feito estaria revoltado comigo e ainda com mais sono. Assim, fiquei satisfeito por ter conseguido relaxar e ter feito o meu melhor.

O Sat Kriya é que é um problema. Se normalmente é difícil de fazer, hoje foi impossível. Tive que baixar os braços por três vezes e desisti antes de chegar aos 3 minutos. Confesso que podia, e devia, ter feito melhor. Mas errar faz parte do processo de aprendizagem.

Diário de uma prática : : : Dia –38

Dia 2 : : : Quinta-feira, 13/01/2005 : : : 8:49
Peso: 75,3 Kg

- 4m em Sirsasana
- 1m de repouso
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento
- 3m em Sat Kriya
- 6m de relaxamento

Mudei os tempos do timer do meu relógio Nike. Os tempos entre toques passaram a ser mais longos, o que obriga a maior concentração nas posturas. Só sei quando acabou o tempo em vez de haver toques intermédios que me dizem quanto falta para acabar. Em vez de medir o tempo que me falta para finalizar a postura, concentro-me na postura que é o objectivo do exercício.

Os 4 minutos de Sirsasana parecem mais curtos que 1m de Stretch Pose. Ontem dizia que andava a ficar mais fácil, mas acho que o correcto será dizer que anda a parecer menos difícil. Como disse na explicação há dias melhores e piores e há dias em que 1 minuto parece uma eternidade.

O Sat Kriya é doloroso. 3 minutos de postura e parece que os 6 minutos de relaxamento são pouco.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Palhaça: Algumas Personagens Mais

Isulina Pereira – Secretária do Director Geral. Mais de metade do trabalho efectivamente feito pelo director passa pelas mãos da sua secretária. Tem um feitio torcido, mas é muito competente. Ninguém fica sem resposta se lhe chega a mostarda ao nariz.
A sua vida é uma incógnita, mas corre o boato que se dedica ao strip-tease num bar de alterne na variante da EN109. Faltou uma vez ao trabalho em toda a sua vida profissional e apresentou um atestado médico de Leiria, de onde se supõe terá fugido por causa de dívidas de jogo.

Horácio Cunha – É afilhado do Director Geral. Não tem um cargo muito bem definido na empresa. Uns dias é gestor de equipa de enchimento noutros tem reuniões com clientes.
Coxeia da perna esquerda devido a uma história muitas vezes contada sobre uma mina na guerra do ultramar, mas que todos sabem que foi devido a uma queda, enquanto criança, num poço a jogar às escondidas. Aliás, ainda hoje, continua a jogar às escondidas com o trabalho. É normal vê-lo deitado a dormir sobre a secretária depois da hora do almoço, mas há quem afirme que leva o trabalho para a casa-de-banho.
Tem uma visão para a empresa, mas teme dize-la em alta voz pelo que apenas o faz quando está só a almoçar e não tem mais assunto de conversa com ele próprio.
Tem um filho que passa as férias de verão a ajudar o pai a encher chouriços.
Um dia sentar-se-á na cadeira do director, mas até lá só sonha com as meninas do calendário da Pirelli.

Marta Borges – Responsável pela manutenção e da equipa de limpeza da toda a linha de enchimento. Passa os dias entre a cafetaria e o telefone. Há dois meses que não é vista na sala de enchimento. Diz que confia na sua equipa, mas há quem afirme que não gosta do cheiro da carne crua.
Ainda não se sabe se tem algum favor do Director Geral, mas corre o boato que em tempos antigos foram colegas do liceu. De momento é casada com um merceeiro, mas gosta de espalhar o seu perfume por onde passa como se marcasse território.
Um dia foi apanhada a comer chouriço de soja, com medo da linha. Sofreu um processo disciplinar interno por favorecer empresas concorrentes.

Olegário Alho Lança – Herdou a posição porque o pai adoeceu. O pai nunca mais conseguiu reaver a sua posição na empresa.
Adora chouriços, mas prefere os da concorrência e é consumidor compulsivo de salsichas frescas. Bebeu álcool a última vez quando fez 18 anos.
Chefia a equipa que trata da trituração dos porcos, mas em casa a mulher tritura-lhe a cabeça. A célebre frase "Hoje há sexo em casa. Quem está, está! Quem não está, estivesse!" é atribuída à mulher. Corre o boato que anda de olho na Marta Borges.
Não gosta do seu nome e sonha em mudar para Platiny Lança, em honra do jogador de futebol que tanto admira, mas a Direcção-Geral dos Registos e do Notariado não deixa.
Em tempos jogou Badmington mas feriu-se com o volante e nunca mais teve coragem de se colocar atrás de uma rede.

Pedro Loureiro – Carrega nos "erres". Não é dono da empresa mas parece sê-lo! Há quem ache que se Horácio Cunha não se previne ainda perde a qualidade de afilhado do director. É o responsável pela a área de inovação na área dos chouriços. A ele se deve a invenção do chouriço-farinheira e do chouriço com sabor a Big Mac. O seu sonho é criar um chouriço com gás e sabor a Coca-Cola.
Quando sai do trabalho dedica-se a grandes tertúlias com os amigos até às longas horas da manhã. Há quem diga que o que toma nessas noites é que lhe dão as ideias para inovar tanto nos chouriços.
O seu chefe – Alípio Borralho – não gosta que lhe chame "Bogalho".

A Cartilha vai ao Cabaret

Lembram-se de há uns tempos ter "falado" aqui da Novíssima Cartilha Ilustrada? Já compraram?

Não se lembram dos excertos "Para as ilhas", "Os miúdos", "Dos 7 aos 77" e "Menos Pastilha" que pus por aqui?

Pois os autores estão hoje às 24h no Cabaret da Coxa, na SIC Radical. Não se esqueçam de gravar ou ver com as vossas amigas como fizeram ontem.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Grande Noite Vieira Na SIC

Um programa para ver com as amigas

O canal SIC vai dedicar a noite de quarta-feira dia 12 de Janeiro a Manuel João Vieira com a passagem do documentário O CANDIDATO VIEIRA seguido do concerto ENA PÁ 2000, 20 ANOS A PEDALAR NA BOSTA.

A começar à meia-noite, O CANDIDATO VIEIRA é um documentário sobre a campanha à presidência de Manuel João Vieira em 2001. Uma comédia musical política que inclui as aparições em programas televisivos, de rádio, comícios, momentos de bastidores da campanha presidencial e ainda excertos de concertos das suas três bandas; Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum. A SIC passa este documentário de 75 minutos numa versão reduzida para 50 minutos.

Segue-se o concerto ENA PÁ 2000, 20 ANOS A PEDALAR NA BOSTA o espectáculo comemorativo dos 20 anos da banda gravado no Paradise Garage em Lisboa no passado dia 30 de Novembro de 2004. Para além de memoráveis interpretações dos grandes êxitos da banda este concerto conta ainda com um discurso especial do Candidato Vieira (no dia em que caiu o governo) e com a participação de ilustres convidados como Tony Barracuda, a comer o seu carapau menstruado, Suzie Peterson e o incomparável Phil Mendrix, o melhor guitarrista de Portugal. A SIC passa o concerto de 110 minutos numa versão reduzida para 70 minutos.

Ambos os filmes são realizados por Bruno de Almeida, numa produção conjunta da Arco Films e da Valentim de Carvalho Televisão, e podem ser vistos nas suas versões originais no DVD DUPLO que estará à venda em meados de Fevereiro.

Começa às 0:15.

Diário de uma prática : : : Dia –39

Dia 1 : : : Quarta-feira, 12/01/2005 : : : 9:01
Peso: 75,5 Kg

- 4m em Sirsasana
- 1m de repouso
- 1m em Stretch Pose
- 1m de relaxamento
- 2m15s em Sat Kriya
- 3m de relaxamento

O quarto onde faço a prática está em silêncio e fria. Fiz a prática nu à saída do banho. Tenho que pensar em vestir alguma coisa quando a faço, não que tenha muito frio, mas quando o relaxamento chega aos 3 minutos começa-se a gastar uma preciosa energia para manter o corpo imóvel quente. Talvez cobrir-me com um cobertor nessa fase. Tenho, também, que montar um leitor de CDs e umas colunas de PC que tenho lá paradas, para ter um ambiente mais agradável. Talvez queimar um incenso não seja má ideia, também..

A cerca dos 30s do fim dos 4m de Sirsana a impaciência começa a sentir-se e o corpo começa a oscilar. Prova que não estou concentrado e que tenho que o fazer melhor. O facto de não conseguir respirar pelo nariz não ajuda, porque para manter a boca aberta obriga a um esforço na zona do queixo que é incomodativa. Tenho que fazer uma limpeza ao nariz (Jala Neti) para ver se começo a respirar melhor.

O minuto em Stretch Pose começa a ser fácil, mas não vou mudar para 3 até que seja realmente muito fácil. Excesso de confiança pode deitar tudo a perder e a frustração de não conseguir fazer os 3 minutos pode fazer com que se desista da prática. Vou manter até ao Dia 0.

3 minutos de Sat Kriya ainda são muito difíceis. Ainda não sei se o ritmo da respiração é o acertado e esqueci-me de fazer a contracção dos esfíncteres no final. Mas já estava impaciente e completamente desconcentrado. Estava atrasado para o trabalho e como a postura não me estava a ser confortável, só pensava em acabá-la. Mesmo assim fiz mais do que pensava. Não consegui relaxar completamente.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Sat Kriya

Baseando-me em Kundalini Yoga to channel energy up the spine e "Kundalini, The Essence of Yoga" de Guru Dharam Khalsa e Darryl O'Keeffe.

Sat Kriya - Origem - Kundalini Yoga Kriyas

1. Sentar sobre os joelhos e esticar os braços sobre a cabeça de maneira que os cotovelos abracem as orelhas.
2. Entrelaçar os dedos excepto os indicadores que ficam a apontar para cima. Para as mulheres o polegar esquerdo fica por cima do direito e para os homens vice versa. (Depois de alguma pratica é possível manter as mãos como se rezasse.)
3. Começar a cantar "Sat Nam" energicamente num ritmo constante de 8 vezes em cada 10 segundos. Cantar o som "Sat" do umbigo (ou plexus solar) e puxá-lo no sentido ascendente da coluna. Cantar o "Nam" e descansar a barriga. Continuar por 3 minutos.
4. Para terminar, inspirar e fazer o Maha Bandh (contrair as nádegas e os músculos genitais) comprimindo a energia pela espinha acima, puxando o umbigo e levantado o diafragma. Estender o pescoço e olhar para um ponto entre as sobrancelhas.
5. Relaxar durante 6 minutos.

Aumentar a prática até chegar aos 31 minutos e relaxar sempre o dobro da prática.

Vamos a ver se consigo chegar aos 3 minutos, a partir desta semana.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Stretch Pose

Baseado-me no livro "The 8 Human Talents: Restore The Balance & Serenity Within You With Kundalini Yoga" de Gurmukh.

Stretch Pose – Origem: The 8 Human Talents by Gurmukh

Provavelmente o exercício mais poderosa do Kundalini Yoga é chamada erradamente de postura de extensão. O nome dá entender que este exercício é uma espécie de alongamento delicioso, porém esta postura é tudo menos isso. É inacreditavelmente exigente e não interessa quantas vezes se faz, o mais provável é que a achem um desafio.

1. Deitar de barriga para cima numa superfície macia mas firme.
2. Levantar a cabeça, mãos e calcanhares uns 15 cm do chão, pressionando o queixo contra o peito. Levantar os ombros do chão mas mantendo os omoplatas no chão.
3. Esticar as mãos em direcção aos dedos dos pés que apontam também para a frente.
4. Olhar para os dedos grandes dos pés.
5. Respirar em breath of fire pelo nariz.
6. Depois de completar o exercício relaxar completamente no solo.

Breath of fire é uma inspiração e expiração rápida pelas narinas. Semelhante à respiração de um cão, mas feita pelo nariz. A respiração é feita pelo bombear da barriga na zona do umbigo como se de um fole se tratasse. Quando se inspira a barriga vai para fora e quando se expira a barriga vai para dentro.

Esta respiração fortifica todo o sistema nervoso, purifica o sangue, estimula a energia e faz-nos sentir melhor e com mais clareza de espírito.

Esta postura reforça o nosso empenhamento, dedicação e compromisso e combate a irritação. Se a irritação está prestes a tomar conta de nós, três minutos desta postura canalizará essa energia para algo mais construtivo.

É uma postura aconselhada por Yogi Bhajan a ser feita todos os dias. Eu fazia-a um minuto todas as manhãs. A partir desta semana começarei a fazê-la um minuto todos os dias, repetidamente, no mínimo durante 40 dias.

domingo, janeiro 09, 2005

: : : 1-big-O [v5.0]

Ao longo das minhas arrumações dos últimos dias encontrei uma série de coisas que, se me permitem, vou passar a colocar aqui nestas rubrica deste blog.

A primeira que vou enviar para o éter é o produto do devaneio de um grupo de amigos que ocuparam a sala da GOD (Gabinete de Organização do Desfile – de que falarei num posterior post) na Associação Académica da Universidade de Aveiro, aquando da ocupação e fecho da Universidade pelos seus alunos, em luta contra o pagamento de propinas, em Outubro de 1992.

A Redacção do Buracozinho – 31 de Outubro de 1992

Digo devaneio porque este grupo de amigos resolveu editar um pasquim que traduzisse a atmosfera que envolvia toda a Universidade durante aquela semana em que os alunos bloquearam as portas a cadeado, encheram as fechaduras de massa de metal, montaram tendas em frente aos departamentos e passaram as noites em volta da fogueira a contar e cantar histórias. Assim, reproduzindo um pasquim revolucionário existente, na altura, na Universidade de Aveiro e de seu nome "O Buraco", compilaram textos dos grupos de alunos acampados nos diferentes departamentos e editaram "O Buracozinho".

O Buracozinho – Outubro de 1992

Depois de umas directas e de uma passagem pelo comité de revisão, que achou por bem não deixar passar alguns textos menos dignos para a causa, "O Buracozinho" saiu. Foi número único, fotocopiado já de madrugada e distribuído pelas pessoas que resistentemente enfrentavam o frio bloqueado as portas da Universidade. Uns dias depois as portas abriram-se e "O Buracozinho" ficou como memória.

Eu, na foto, sou aquele de t-shirt preta dos Inspiral Carpets (por sinal pintada à mão por mim e digna de figurar aqui um dia destes). (Estou de óculos, sim! É algo que muita gente desconhece em mim, mas pode ser que depois de amanhã passem a me ver de óculos mais vezes, pois vou ao oftalmologista.) Mas dessas noites em claro, passadas numa minúscula sala (a fotografia foi tirada de fora da janela) com mais seis ou sete pessoas, é o texto que fecha "O Buracozinho" e que suscitou várias dores de barriga de tanto rir de cada vez que o Máximo (aquele lá atrás com a mão na testa), que o escreveu, o lia.

Fica aqui para que notem a sua profundidade.

"FAX DE ÚLTIMA HORA:

Gabinete de Estado de Sítio
O Revés da Agonia

Dentro deste período de indecisão que vocês jovens estão a ver, o período de Marx acabou e todas as suas propriedades apesar da sua beleza ideológica.
A crise económica provoca o passe de testemunhos dos implicados para os estudantes.

Coito dos Santos
"

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Resposta!

Ontem recebi a seguinte mensagem:
"Aqui há algum tempo atrás, esta associação foi criada para lutar pelos interesses dos leitores assíduos da "Palhaça".

Vimos por este meio comunicar-lhe que esta associação (sem fins lucrativos) gostaria de obter uma previsão para quando é que o próximo episódio da "Palhaça" irá ser publicado. Certos membros da associação estão a ficar com alguns problemas de stress devido às expectativas que se têm vindo a criar tendo em conta ao que se vai passar no próximo episódio.

Ficamos desde já agradecidos por uma eventual resposta...

A Direcção

Em breve haverá um novo episódio com novas personagens e até um caso de adultério. Fiquem atentos...

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Resoluções para 2005

As resoluções para 2005 começaram mesmo antes do fim de 2004. E a lista seguinte, apesar de numerada, não tem qualquer ordem de importância das resoluções, porque todas elas são importantes.

Há sete anos que vivemos (eu e a Cláudia) no mesmo apartamento, mas sempre pensámos nele como um passo intermédio com vista ao sonho de ter uma casa. Uma casa com jardim! Uma casa que nos enchesse as medidas! Por isso sempre pensámos no apartamento como uma morada temporária. Aquele apartamento tem os seus defeitos mas, por ser temporário, nunca o melhorámos para que o tornássemos numa morada mais definitiva. E na verdade nunca nos sentíamos mesmo em casa quando lá entrávamos. E quanto mais tempo passava mais temporário se tornava.

A primeira resolução de 2005 foi a de tornar o nosso apartamento uma coisa menos temporária. E por causa disso tenho as mãos uma lástima, pois a semana passada fomos ao IKEA, a Lisboa, e carregámos o Jipe com quase 400 kg de mobília, que obviamente teve de ser montada. O apartamento está virado do avesso, mas é uma coisa temporária. Já arranjei a persiana que estava estragada há mais de um ano e aquele autoclismo que pinga vai ser o próximo. O quarto dos (des)arrumos passou a quarto de hóspedes e em breve teremos aquecimento em todo o apartamento. O passo a seguir é telefonar ao homem da lenha.

Arrumar a casa ajuda a arrumar a cabeça!

A segunda resolução foi a de me tornar mais livre. Menos dependente do Jipe, que é o único veículo lá em casa e necessário à Cláudia para se deslocar para o trabalho. Aí, ando a gozar do favor do meu amigo PP que me emprestou a Vespa dele (também nos emprestou a casa na deslocação ao IKEA). Confesso que já me habituei de tal maneira ao meu novo meio de transporte que temo que ele a queira de volta em breve. Nessa altura terei que pensar em comprar uma para mim, pois se a bicicleta dá alguma independência o seu raio de alcance é bastante mais curto. Principalmente quando o tempo livre é limitado por 8 horas de trabalho fechado num escritório.

A terceira resolução, como as anteriores, ainda tomada em 2004, foi a de adoptar um gato como animal de estimação. Como as anteriores foi feita em parceria com a Cláudia, mas com a maior pressão a ser feita por parte dela. A Cláudia não gostava de (temia) gatos e neste momento a Cinzas conseguiu já fazer parte da casa e da nossa vida. Ao fim de um mês e meio, a Gata é da família e vai connosco para todo o lado.

A quarta resolução é tornar-me uma pessoa mais positiva. O ano de 2004 foi um ano difícil e como já disse no post anterior, só aquela ida para Inglaterra poderia fazer com que a minha auto-estima voltasse a aumentar. Confesso que em Julho e Agosto devem ter sido os meses mais negativos de toda a minha vida. Não vou dizer que foram os piores, porque hoje compreendo que muita da negrura que pairava sobre mim era criada pela negatividade com que eu encarava cada situação, aumentando a sua gravidade e só vendo o mal em todos os acontecimentos. Por isso agora sempre que me deparo com uma situação, que à partida podia encarar como má, penso que é apenas um passo mais na minha maturidade e na minha progressão na vida. Todos os problemas têm solução desde que os encaremos e não rebaixemos perante eles.

A quinta resolução é a de enveredar por um opção de vida mais ligado ao Yoga. Quando cheguei de Inglaterra e como estava afastado das aulas de Kundalini Yoga, resolvi seguir os conselhos da Gurmukh, depois de ler "The Eight Human Talents" e fazer uma pratica de yoga repetida por 40 dias consecutivos. Assim, todas as manhãs fazia 4 minutos de Sirsasana (invertida sobre a cabeça) e 1 minuto de postura de extensão (Stretch Pose) com Bhastrika (breath of fire – respiração ritmada rápida), ao acordar. Tudo seguido de um relaxamento curto de 1 minuto. A ideia era melhorar o empenhamento e a autoconfiança. Porém, meteu-se o Natal e as rabanadas e outras distracções e o empenhamento esmoreceu e a pratica foi interrompida. Para a semana vou retomar esta pratica e adicionar-lhe o Sat Kriya, que basicamente é uma meditação com vista balancear as energias do corpo e combater depressões. Talvez faça aqui um diário das minhas realizações.

Ainda dentro desta última resolução, passei a ter mais cuidado comigo. Deixei de tomar café em definitivo em Novembro e tenho reduzido o consumo de carne. Ainda não pretendo ser vegetariano, mas aumentei a quantidade de vegetais e frutos que consumo. Aliás substitui o normal lanche a meio da tarde por uma peça de fruta e um chá. Vou chegar aos 70 kgs um dia destes.

Depois quero trazer a Portugal e aos meus companheiros de Yoga um pouco das minhas experiências de Inglaterra. Para isso em Maio receberemos a visita da Deirdre, uma das professoras de Kundalini Yoga que conhecemos no Reino Unido. Ela está tão entusiasmada ou mais que nós. Espero que esta faça parte de uma série de visitas e que possamos manter o contacto.

Aliás essa é outra das minhas resoluções manter o contacto com toda a gente de quem gosto. Até já mandei postais de Boas Festas... Tenho um jantar com velhos amigos no sábado, pensa-se em marcar um encontro Network Contacto em Aveiro e quem sabe uma comemoração qualquer em nossa casa, agora que já é A nossa casa.

Outra resolução que pensei em tomar este ano, mas que não sei se serei capaz de a cumprir é a de iniciar um curso para professor de Yoga. Acho que lá para meados do ano já saberei do que serei capaz. Gostava também de tirar a Carta de Marinheiro.

Por último, não quero perder o contacto com Foz Côa, ou Almendra. Para isso quero melhorar a casa da minha avó de maneira que possa lá passar uns dias e convidar os meus amigos para uns fins-de-semana. Não é muito complicado, mas não queria perder a chance de o deixar escrito.

Ainda há uma série de resoluções mundanas às quais não costumo dar grande importância porque na maioria das vezes são caprichos meus que se desvanecem no tempo, mas se me quiserem oferecer nos anos alguma coisa podem sempre pensar naquele leitor de CDs R/RW/MP3 da Sony.

Bem! Ia-me esquecer das resoluções em termos profissionais, para verem a importância que isso tem na minha vida no momento presente. Pois! Quais são?... Ahm?... Deixa ver... Não me lembro de nenhuma! Pois! Se calhar é isso mesmo... A minha resolução em termos profissionais para 2005 é não ter nenhuma, assim não me desiludo.

Falamos daqui a 12 meses.

(Ex)Citação XI

"as oportunidades estão aí e que só depende de nós a capacidade de sermos melhores"
Rui Gonçalves

quarta-feira, janeiro 05, 2005

2004

Já não me lembro de muito de 2004, possivelmente só me lembro dos momentos mais próximos e mais marcantes, como aqueles três meses passados no Reino Unido. Mas houveram momentos que prefiro nem recordar, mas que estão inevitavelmente marcados na minha memória, provavelmente para o resto da minha vida, pelas piores das razões. Mas não é dos momentos maus que resolvi "falar" quando comecei a escrever isto, mas sim dos melhores momentos ou acontecimentos do ano que agora acabou.

2004 fica marcado como o ano em que assumi o Yoga como a disciplina em que pretendo basear a minha vida pessoal (e quem sabe a profissional). Para isso em muito contou a minha ida para o Reino Unido e as experiências por lá vividas, mas nunca nada disto teria sido possível sem o companheirismo da Cláudia e sem os conselhos da Cristina. Mas jamais esquecerei da minha primeira aula de Kundalini Yoga em Newbury com a Elena O'Keeffe, talvez o momento mais marcante de 2004.

A própria ida para o Reino Unido foi em si marcante porque o nosso próprio sucesso de sobrevivência num meio que não nos é natural faz-nos criar anti-corpos, ficarmos muito mais resistentes e sairmos da experiência com a auto-estima muito mais em cima. Aconteceu no momento exacto da minha vida, quando julgava que jamais seria capaz de produzir alguma coisa de bom e quando as minhas ambições roçavam a nulidade. A Inglaterra conseguiu mostrar-me que as oportunidades estão aí e que só depende de nós a capacidade de sermos melhores. Foi sem dúvida o melhor acontecimento de 2004.

Obrigado (mais uma vez) Freddy!

terça-feira, janeiro 04, 2005

segunda-feira, janeiro 03, 2005

(Ex)Citação IX

"I am done with great things and big plans, great institutions and big success. I am for those tiny, invisible loving human forces that work from individual to individual, creeping through the crannies of the world like so many rootlets, or like the capillaries."
William James

Biltre!

biltre, cabotino, mentecapto,
lorpa, palhaço, morcão,
bronco, sabujo, tacanho,
grunho, pilantra, lambão,
pulha, bacoco, execrando,
bruto, cabresto, pimpão,
alarve, ranhoso, pacóvio,
rafeiro, canalha, gingão,
cretino, palerma, simplório,
velhaco, energúmeno, calão,
tinhoso, primitivo, leviano,
grosso, pachola, cagão

biltre, cabotino, mentecapto,
fascista fascista

(Portugal não está de tanga, isso é tanga
Portugal está de fio dental
A nação encontra-se à beira da estagnação, à beira do abismo da estação
Mas comigo não, comigo seguiremos em frente boa gente
... Pôr minha mão no duro calejada
Tu indigente e tu cidadão que te consideras decente seguirás em frente por essa auto-estrada branca fechada...
Em frente confiante e seguro
Em frente em direcção ao futuro
Minhas promessas jamais são feitas em vão sem ponderação jamais são feitas no ar
E prometo que o meu discurso concreto ainda pode melhorar
Minha política não contemplará o umbigo
Prometo que acabarei com os sem-abrigo
E prometo e prometo e ainda prometo
)

moina, troglodita, calaceiro,
besta, vadio, matulão,
maroto, janota, parasita,
tosco, galdério, maganão,
crápula, facínora, pendura,
marmanjo, sendeiro, parolão,
reles, azeiteiro, salafrário,
falso, rasteiro, parvalhão,

biltre, cabotino, mentecapto,
fascista fascista
(outra vez)
biltre, cabotino, mentecapto,
fascista fascista
(cantem comigo, todos juntos a uma voz)
fascista fascista fascista

cala-te menino cala
cala-te toca a calar

Repórter Estrábico Ouvir excerto

Já repararam?

Já repararam na quantidade de políticos solteiros, sós ou divorciados que existem hoje em dia? Ou são gays ou insuportáveis!!!

Não tenho nada contra os primeiros... Desde que se assumam!

"O Nosso Caos"

Caricatura de José Pacheco Pereira

Confesso que nunca gostei muito do homem. É um radical e, como de todos os radicais, ou se gosta ou se detesta. É muito branco ou muito preto, não há cinzentos para ele. O que aliás não explica em nada como se passa de activista maoista em fins de 60's a cavaquista dos mais convictos nos 80's.

Ele tenta explicar esta sua atitude numa entrevista que encontrei aqui na Internet, mas não consegue explicar porque é que apoia incondicionalmente um homem que permitiu cargas policiais sobre estudantes muito à imagem do Sr. António de Oliveira Salazar que o fez lutar e viver na clandestinidade antes do 25 de Abril de 1974.

Depois como se pode gostar de um homem que se vangloria de ser descendente de um dos assassínios de Inês de Castro, num dos mais tristes e românticos episódios da nossa história? Será que à imagem dos seus antepassados, estará ele também disposto a cometer semelhante façanhas em defesa da honra do seu senhor?

Porém noutras coisas nega as suas origens. Sabiam que ele nasceu no Porto? Pois para um verdadeiro intelectual de esquerda de café do Rossio, nunca se imaginaria que seria nado na cidade invicta. Até deve ter vergonha desse facto!

Mas o que mais me desiludiu no Sr. José Pacheco Pereira foi o facto de há cerca de uma semana e depois de um post aqui colocado neste blog ter retirado do Abrupto a minha fotografia "Porta da Traição". Eu simplesmente comentei o facto de a ter usado sem ter colocado nenhuma referência à sua origem, o que ele justificou (via e-mail) por a ter encontrado já sem essa mesma referência. Nessa altura e por algumas horas (minutos?) colocou uma referência ao post que, confesso, podia ser mal interpretado devido ao seu teor. Porém tentei esclarecer que não queria em nada ganhar com o facto, que fazia questão que usasse a fotografia e que não sentisse nenhuma obrigação em fazer a tal referência. Enviei, inclusive, uma versão maior e com melhor definição da fotografia. Sem eu nunca ter recebido qualquer tipo de resposta, o Sr. José Pacheco Pereira retirou a referência à origem da fotografia do seu blog e retirou a própria fotografia. Num acto que interpreto como um amuo próprio da personalidade que sempre achei ter.

Eu até andava a gostar de ler o seu blog, e as críticas aos actuais políticos portugueses, mas confesso, e como lhe fiz ver através de um e-mail que lhe enviei, ele só me provou que são todos iguais. Falam muito e falam mal dos outros, mas é nas atitudes que se vê quem é realmente boa rês.

Nem Kali, usada no post "O Nosso Caos" irá salvar isto. Sim, porque Kali representa o renascimento depois da destruição. Destruir para que tudo renasça. Um pouco à imagem de D. Sebastião, que irá retornar numa manhã de nevoeiro para salvar o país. Acho que já escrevi sobre isto e nunca pensei estar tão convicto disso.

Desiludi-me! Tenho pena!

(Como é norma de civismo na Internet, quando se usa material que não é nosso faz-se referência à origem desses conteúdos. Assim, e sempre que posso – a não ser que não seja autorizado – faço-o. Se clickarem na imagem em cima vão encontrar a sua origem.)