sexta-feira, novembro 04, 2005

20% dos licenciados fogem de Portugal

Eu sei que a notícia já tem uma semana, mas continua actual e espelha o estado precário dos locais de trabalho em Portugal. Não se criam condições para a sustentabilidade dos locais de trabalho passíveis de criar valor acrescentado ao país. Na verdade, o mais difícil é ficar cá...

O relatório do Banco Mundial aponta para o facto de o fenómeno da "fuga de cérebros" estar a afectar sobretudo os países mais pobres do mundo

Elsa Costa e Silva in DN Sexta, 28 de Outubro de 2005

Um quinto dos portugueses com ensino superior não trabalha em Portugal. Este número, que consta de um relatório do Banco Mundial (BM) onde é analisado o fenómeno da fuga de cérebros, dá conta de que Portugal é o país europeu de média/grande dimensão mais afectado pela saída de licenciados e quadros técnicos. Na lista dos Estados com mais de cinco milhões de habitantes, Portugal é 21.º, com a maior percentagem de licenciados a residir fora das fronteiras. Mas esta é uma realidade com traços mundiais entre 1990 e 2000, o fluxo de imigrantes qualificados cresceu a um ritmo anual de 800 mil pessoas.

Por só considerar os países de maior dimensão, este ranking onde consta Portugal deixa de fora países pequenos do Leste europeu, alguns dos quais agora membros da União Europeia, onde a emigração de quadros é também elevada. Apenas Malta, um país de 400 mil habitantes, é contabilizado na lista que inclui a totalidade dos países e que é liderada pela Guiana. Na pequena ilha do Mediterrâneo, mais de metade da sua população licenciada reside no estrangeiro.

Na lista dos países maiores (com mais de cinco milhões de habitantes), elaborada a partir de dados relativos a 2000 e liderada pelo Haiti, surgem a seguir a Portugal mais dois países europeus a Eslováquia e o Reino Unido, ambos com 16,7% da sua população qualificada emigrada. Neste panorama, convém não esquecer que Portugal é um país com forte tradição de emigração. Por outro lado, o relatório do BM não distingue entre as pessoas que emigraram depois de se licenciarem daquelas que frequentaram o ensino superior no país de destino. Uma situação onde estarão muitos jovens nascidos em Portugal, que abandonaram o país ainda crianças, acompanhando os pais emigrantes.

Contudo, a saída de jovens licenciados de Portugal em busca de melhores paragens é um fenómeno que ganha peso. José Cesário, secretário de Estado das Comunidades nos dois anteriores governos sociais-democratas, afirma que o número do BM "não é surpreendente", já que estes fluxos são "cada vez mais evidentes". Garante que, por exemplo, dos jovens portugueses que se formam em algumas das melhores universidades norte-americanas "regressarão apenas entre 10 a 20%". Até porque, "em matéria de investigação, as condições das instituições estrangeiras são melhores".

Também Azeredo Lopes, professor de Relações Internacionais da Universidade Católica, aponta a má situação económica do país como um dos factores que afastam os jovens licenciados. Mas elogia o que chama de "capacidade de procurar" melhores paragens, lembrando que Portugal "acaba sempre por beneficiar a prazo do que poderia ser uma desvantagem". Ou seja, via remessas desses emigrantes para Portugal ou através do próprio regresso dos imigrantes formados mais tarde, que contribuirão para a qualificação geral do país. Assim, explica este especialista, "Portugal tem de aceitar que a tipologia da sua emigração (que nos anos 50 e 60 era maioritariamente de mão-de-obra muito pouco qualificada) mudou e que o fluxo de pessoas com formação superior começou há muito tempo". O que resultará da liberdade de movimentação, por exemplo, no espaço da União, e que é, até certo ponto, esperado.

Desenvolvimento em risco. Mas o fluxo de emigração qualificada resulta também numa maior debilidade estrutural dos países de origem, que vêem sair os seus recursos mais bem preparados para melhorar os índices de desenvol- vimento económico e social. O relatório do BM alerta para o facto de esta fuga de cérebros afectar sobretudo os países pobres, numa dicotomia já habitual de Sul/Norte, e de não ser tão evidente nas potências emergentes (como, por exemplo, China e Índia) do grupo das nações em desenvolvimento.

De acordo com os números do relatório (que não contabilizam a imigração ilegal), mais de um terço do total da imigração que chegou aos países da OCDE era qualificada. Um número muito eleva-do, se se tiver em conta que, a nível da mão-de-obra mundial, apenas 11,3% têm formação superior. Entre 1990 e 2000, a proporção de recursos humanos qualificados que procuraram os países da OCDE cresceu quase cinco pontos percentuais, superando os 20 milhões de pessoas. Tendo também aumentado a percentagem de trabalhadores com o ensino secundário, é evidente que o fluxo de mão-de- -obra pouco qualificada tem vindo a perder importância.

A "fuga de cérebros" resulta também do facto de os países de origem mais procurados terem adoptado políticas selectivas a nível da imigração, procurando especificamente trabalhadores com melhores qualificações. A esta filosofia de acolhimento não será alheio o facto de, por exemplo, mais de metade dos imigrantes do Canadá serem licenciados, assim como 42,7% virem da Nova Zelândia ou 40% dos Estados Unidos.

Lusofonia. Três ex-colónias portuguesas estão também entre as mais "exportadoras" mundiais de recursos humanos qualificados. Cerca de 67,5% dos licenciados de Cabo Verde estão fora deste arquipélago, assim como 45% dos moçambicanos e um terço dos angolanos. Portugal será assim um dos países que mais recebem esta mão--de-obra, ainda que este fluxo imigrante africano e também dos países de Leste não chegue para compensar a "perda" dos emigrantes portugueses. De facto, no balanço entre recursos humanos qualificados que saem do país e os que chegam, Portugal fica a perder. Aliás, este indicador líquido de "fuga de cérebros" piorou entre 1900 e 2000, tendo quase duplicado.

Contudo, o maior problema é, para Azeredo Lopes, o facto de Portugal não estar a atenuar este efeito através de um melhor aproveitamento da comunidade imigrante em Portugal. "Estamos atra- sados no reconhecimento das minorias, na afirmação de um país multicultural e multilinguístico", afirma este especialista. Não são raros os casos de imigrantes, sobretudo de Leste, com formação superior, a exercer profissões pouco qualificadas. "Este é um percurso migratório muito recente e se eles virem os seus países, agora na UE, a crescer, vão-se embora, porque não valorizamos a vida destas pessoas e dos filhos."

Estou vivo

Há algum tempo que não escrevo. Não é porque tenha pouco para contar, mas porque aprendi a calar-me e porque sei que muita gente vive, diariamente, vidas quase iguais à minha. Na verdade é-me mais fácil escrever quando estou fora, não porque queira me expor, mas porque sinto necessidade de me manter próximo e porque há sempre coisas diferentes que, vistas pelo meu olhar alienígena, dão uma boa crónica.

Por outro lado, em pleno século XXI, descobri que uma empresa, que se diz de Telecomunicações, consegue trabalhar uma semana sem acesso à Internet. Parece ridículo, mas é pragmático do nível de excelência que se vive nesta área de negócios. Não é só cá! Há histórias igualmente ridículo-assustadoras noutras partes do globo, onde já tive o prazer de trabalhar.

Há muitas novidades, mas não vos vou contar nenhuma. Tenho um telemóvel novo, mas não vos conto a história e como tem mudado a minha organização. Tenho umas fotos tiradas com ele, mas não vos vou já mostrar. Fui ver o Kimmo Pohjonen, mas não vos vou contar como se sai do emprego às 21:15, come-se uma bola-de.berlim de jantar, se vê um concerto comovente e se volta para trabalhar às 23:00. Tenho algumas histórias hilariantes para contar, mas não estou com disposição para as escrever. Estou a dar formação à noite, depois de ter estado a assistir a uma e não tenho tempo para mim há quase dois meses.

Estou nostálgico! Estou com sono! Tenho saudades... Acho que é o nosso fado português! Sermos assim...

Como disse há dias a um amigo, que me perguntou "Como estás?" – "Eu ando fo**** com o trabalho (como é costume), apreensivo com a vida e esperançado com o futuro".

sexta-feira, outubro 21, 2005

Rang Mahal

Não há melhor comida, em qualquer parte do mundo onde já tenha estado (e considero que já estive em muito lado) , do que a comida portuguesa. A espanhola por vezes aproxima-se e a de S. Tomé, apesar de diferente, chega a ser quase tão boa. Mas a indiana é aquela que, logo a seguir à portuguesa, me faz crescer água na boca. Se calhar porque, como nasci em Moçambique, sempre houve caril e xacuti em minha casa (sabiam que se o Vasco da Gama não tivesse parado em Moçambique muito dificilmente chegaria à Índia? Sim! Não se fala disso na escola, mas os marinheiros estavam a morrer de escorbuto e deram-lhes fruta de boas vindas, o que os salvou e ele contratou um piloto indiano para o fazer chegar à Índia. Porque a costa oriental de África há muito que comercializava com os indianos.)

Isto tudo para falar de um restaurante indiano que existe aqui em Aveiro. É o terceiro restaurante indiano que abre em Aveiro e nenhum dos anteriores sobreviveu muito tempo, pelo que gostaria que este, porque a comida é melhor, tivesse melhor sorte. Chama-se Rang Mahal e é no mesmo sítio do Indo-Paquistanês, ali na rua "direita" (R. dos Combatentes da Grande Guerra), numa galeria do lado direito quem desce do Marquês para as Pontes (se tiverem o Google Earth sigam o link).

Rang Mahal

Tem um Nan muito bom, feito mesmo por eles. Tem uma série de pratos de Caril, Xacuti, Balti e Tandoori. Tem também pratos vegetarianos o que neste país é uma raridade.

O facto de dizer que tem comida italiana prende-se com o facto de à hora do almoço servirem refeições económicas e porque têm que sobreviver. Mas peçam o menu de comida indiana.

Quando querem marcar lá um jantar?

quinta-feira, outubro 20, 2005

Máquina de Passar Tempo

Ainda na senda do tempo.

Hoje nuns 5 minutos que naveguei aqui pela blogosfera, encontrei este texto que tomei a liberdade de trascrever partilhando-o convosco. Podem encontrá-lo escrito, no seu blog, por Rui Werneck de Capistrano.

Está em português do Brasil!

"MÁQUINA DE PASSAR TEMPO

Não, você não leu direito o título. Ele não queria inventar a Máquina do Tempo. A perseguida por tantos e tantos cientistas sérios ou malucos. Aquela de ir e vir no tempo. De visitar a infância ou a velhice. O que ele queria mesmo era inventar a Máquina de Passar Tempo. Só isso. Por onde começar? Que apetrechos usar? Melhor pensar. Sentou-se na melhor poltrona da casa e lá ficou. Zen. Quase nem. Sem porém. Cinco horas mais tarde, ainda estava pensando. Precisaria energia elétrica? Pneus de bicicleta, acelerador de partículas, cartas de baralho? Indeciso, pensava. Logo mais apalpou a poltrona, o tecido macio, e resolveu começar por ela. Adaptou um volante de automóvel, um dial de rádio, motor de liquidificador. Daí em diante, foi fácil. Uma cúpula de abajur, dois garfos e uma faca, uma pá de ventilador, roldanas de persiana. Ficou dois dias indeciso entre uma ou cinco cordas de violão. Decidiu por cinco. Pelos dez dias seguintes visitou ferros-velhos e catou tudo que parecia bom de usar. A família estranhou, os vizinhos balançaram a cabeça. Noite e dia ele pregava, serrava, soldava. Lógico que correu a notícia de que ele endoidara. Pirou. Está dando milho para bicicleta. Jogando queda de braço com toca-discos. Até que, num belo dia de chuva, ele abriu a casa para os curiosos.

— Vejam! Vejam! Inventei a Máquina de Passar Tempo!

Risos, muxoxos, bocas franzidas.

— Não acreditam, né? Pois, olhem: comecei a fabricá-la no dia 29 de novembro de 1993. O calendário mostra que hoje é 23 de novembro de 1994 e eu nem senti o tempo passar. Ele fez passar um ano inteiro! E o melhor vem agora: ela nem está pronta ainda! Pelos meus cálculos e estudos, acho que preciso de mais uns dez ou doze anos. Isso se eu achar todas as peças. Agora, pronta, pronta, funcionando sem nenhum barulhinho, leva ainda uns trinta anos. Aí, posso requerer patente. E revender. Mas isso, isso se eu não descobrir um jeito de modernizá-la, colocando peças tecnologicamente mais avançadas, ecologicamente corretas. Bom, aí vão mais uns cinqüenta anos. Acreditam? Não? Esperam pra ver. Esperem pra ver..."

The Time is Now

Ainda sobre o tempo.

And we gave it time
All eyes are on the clock
But time takes too much time
Please make the waiting stop

[...]

Tempted by fear
And I won't hesitate
The time is now
And I can't wait

[...]

Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment... Last


"The Time is Now" - Moloko Ouvir excerto

segunda-feira, outubro 17, 2005

Menos um (ou mais um)

Hoje fiquei mais só.

Mais um colega, e amigo, emigrou. Já são alguns, aqueles que optaram por partir. Mais um português em Inglaterra.

Menos um para andar de bicicleta. Menos um para sair às quintas-feiras. Menos um para conversar no emprego. Menos um quadro válido em Portugal.

Eu vou ficando.

quinta-feira, outubro 13, 2005

As minhas fotos (em formato um pouco maior)

Luís,

Embora não seja actualizado há algum tempo e não tenha fotos posteriores a 2003, muitas fotos minhas estão em r u i g o n ç a l v e s - fotografia | photography.

Farol da Illa D'Es Penjats

Pretendo mudar o site e mesmo retirar algumas fotografias que acho que já lá não estão a fazer nada, para além de ocuparem espaço e distraírem os visitantes. Já ando a pensar nisso há algum tempo, mas ultimamente mais, porque além disso não estão lá as fotos todas das minhas exposções.

Illa D'Es Penjats ao Pôr-do-Sol

Fica (fiquem) atento(s) porque estou a preparar outra.

Abraço
Rui

P.S.: Boa sorte na tua nova aventura em terras de S. Majestade.

terça-feira, outubro 11, 2005

segunda-feira, outubro 10, 2005

(Ex)Citação XX

"A nossa maior glória não está em nunca cair, mas em levantarmo-nos de cada vez que caímos."
Confúcio

O Tempo

Mais um dia! Cheguei aqui há algum tempo e desde aí que tenho esperado que o tempo passe. Porque "o tempo faz com que as coisas mudem", pensei eu nessa altura. Mas o passar do tempo apenas nos faz ficar com menos tempo. Tempo esse, que pretendemos que seja para mudar aquilo que não mudámos a seu tempo.

A verdade é que nunca acreditei na história do D. Sebastião, mas como todos aqui, acredito que haverá um tempo melhor que este. Um tempo em que terei tempo para fazer aquilo a que gosto de dedicar o meu tempo. Para eu próprio ser fruto do meu tempo e quem sabe até ter algum tempo livre.

Mas o tempo não mudou nada. Se calhar "ainda não passou o tempo necessário", penso eu. "É preciso dar tempo ao tempo". A verdade é que o tempo foi passando e apenas foi me dando uma precessão de lugares comuns. O tempo é apenas tempo, porque como me diziam em miúdo, naquela ladainha, "o tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem". Ou seja, não faz mudar nada, para além do próprio tempo. E, já não tenho tempo para isso...

Afinal o que se passou neste tempo todo? Cada um gastou o tempo a fazer aquilo que o seu tempo permitia. Alguns arranjaram um passatempo, outros olharam pela janela e viram o tempo a passar. Mataram o tempo! "Porque quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro" ou, mesmo, para mudar o que quer que seja.

Agora, voltou a chuva e o tempo frio. Mas a mudança não veio, como dizia aquela música festivaleira "o vento mudou e ela não voltou". É do meu tempo? Não! É do tempo dos meus pais.

Eu não gosto do tempo. Não gosto das horas, dos minutos, dos segundos... O tempo apenas nos faz esquecer, não muda nada. Se calhar, não é o tempo, mas sou eu que tenho que mudar. Será que ainda vou a tempo? É que o tempo não volta para trás...

Mas, agora, é tempo de mudar!

terça-feira, outubro 04, 2005

Palhaça: "Prioridades"

28 de Setembro, 16:30
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços com uma folha de papel na mão. Chega junto de Rodrigo Rodrigues, e diz, mostrando a folha de defeito, detectado pelos resultados dos testes aos chouriços, feitos pela equipa de qualidade.
- "Defeito 1787 confirmado. Como é de prioridade média e não vem do grupo de aceitação, não vamos para já agendar nenhuma mudança para esta semana, a menos que cheguem outros de prioridade alta. Devem-se concentrar nas encomendas em curso."

E afasta-se!

30 de Setembro, 12:39
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços. Dirige-se a Rodrigo Rodrigues, e diz:
- "O meu objectivo para o próximo pacote seria: Defeito 1787 corrigido, metade da encomenda em curso realizada e melhoria da embalagem."
Rodrigo olha para ela e, surpreso, gagueja, contendo a resposta.

Continua a trabalhar, enquanto ela se afasta. Ao que ela retorna dizendo:
- "Achas que pode ser para hoje?"

sexta-feira, setembro 23, 2005

Alice no País das Maravilhas

"But I don't want to go among mad people," Alice remarked.
"Oh, you can't help that," said the Cat: "we're all mad here. I'm mad. You're mad."
"How do you know I'm mad?" said Alice.
"You must be," said the Cat, "or you wouldn't have come here."

Há cerca de quatro meses e meio mandei o meu CV para uma, relativamente grande, empresa de telecomunicações, sediada aqui em Aveiro. Sei, através de conhecimentos meus internos na empresa, que o meu CV andou a circular por alguns departamentos. Aliás, no mesmo dia que o meu CV foi distribuído pelos directores de departamento recebi um e-mail de uma outra "empresa", também de Aveiro, que só presta serviços para a primeira empresa, a propor-me uma entrevista. Coisa que me surpreendeu por nunca me ter candidatado a esta última "empresa".

Há 3 meses que trabalho para uma terceira empresa (nesta história), que como a segunda tem como quase único cliente a primeira empresa (da história). Ou seja a primeira empresa contrata os serviços a tempo inteiro dos colaboradores destas (e mais) empresas, gerindo-os directamente, para realizar os seus serviços.

Ontem recebi o seguinte e-mail, que suponho seja a resposta àquela candidatura que falei no início da história.

"Vimos pela presente acusar a recepção da sua candidatura à , a qual mereceu a nossa melhor atenção, e agradecer o interesse manifestado por esta Empresa.

Aproveitamos para informar que, de momento, não temos previstas necessidades de emprego no âmbito das suas qualificações académicas e profissionais. Contudo, e se isso for de seu interesse, iremos manter o seu Curriculum Vitae na nossa base de dados, por um período de um ano, para ser considerado numa eventual futura selecção.
"

Depois de três meses a trabalhar para esta (primeira) empresa.

quinta-feira, setembro 22, 2005

A minha vida dava um filme do Tim Burton

Entrei! A porta de metal, com uma grade, abriu-se e tocou uma campainha. A menos de mim, e de uma senhora que não tirou os olhos do jornal, não estava mais ninguém ali. Subi as escadas e esperei que aparecesse alguém mais, uma vez que a senhora não me pareceu muito interessada em me informar do que se passava. Sentei-me, num banco corrido, junto ao corrimão da escada, que tinha acabado de subir desde a porta.

Tocou o telefone! De repente oiço alguém a subir as escadas, mas adopto a reacção da senhora, no outro banco, como se fosse o procedimento normal de quem ali espera por algo e mantenho os olhos naquele artigo sobre os atentados ecológicos em Portugal. Um artigo sem grande interesse e cheio de lugares comuns, mas informativo para quem não vive neste mundo e compra a Visão.

No entretanto entram mais duas pessoas. Toca a campainha, mas quem devia de atender, está a atender um telefonema. Sobem as escadas e olham em volta, como se houvesse muito para ver. Entram numa das salas, em frente a mim, e vão-se embora. Eu conheci o tipo, que acompanhava uma jovem borbulhenta nesta rápida visita às instalações, enquanto a senhora lê o jornal, eu a Visão e o outro atende o telefone. Era um amigo de uma amiga, a quem fui levar uns CDs há umas semanas, e que foi em tempos patrão de um outro amigo meu. Cumprimentámo-nos timidamente, quando levantei os olhos da revista.

Depois de findo o telefonema, o homem, de barba grisalha e sotaque, pergunta-me, simpaticamente, o que procurava eu ali. Respondi-lhe que vinha para uma consulta de acupunctura. "Ok! Espere um pouco aqui" – apontando para a porta fechada, em frente – "Ele está neste momento a atender outro cliente". E continuei a ler os atentados ecológicos em Portugal.

A porta, à minha frente, abre-se! Sai de lá um tipo com 1,80m e com um volumetria que ocupou a improvisada sala de espera ali no vão de escada. Era o companheiro da senhora do jornal, que pela primeira vez levantou os olhos do mesmo. Falaram qualquer coisa e foram-se embora.

Nisto, o tipo de bata branca e luva de plástico na mão direita, diz, olhando na minha direcção "Rui? Pode entrar!". O acupunctor é brasileiro, preto (ou marron, como ele diz "No Brasiú preto é assim marron..."), com um cabelo lambido para trás, com reflexos meios cobreados, com alguma dificuldade em abrir os olhos, mas com um lindo e aberto sorriso que enche a sala, decorada com mobiliário de consultório com 30 anos.

Deito-me na marquesa e ele liga o almofada vibratória para eu relaxar. Não que estivesse nervoso, mas algo tenso! Já dei sangue e fiz algumas análises, mas era a primeira vez que me iam espetar agulhas com fins terapêuticos. Começou por me analisar na orelha, com um medidor de continuidade eléctrica, quais os órgãos, ou sintomas, que eu precisava de ver melhorados. Intestinos, pulmões e a ansiedade!

A conversa foi desenrolando, enquanto me espetava as agulhas nos meridianos que regulavam as energias que os afectavam. Para balançar o Yin e o Yang, porque eu tenho Yang a mais, disse ele. Uma das agulhas, no cotovelo do braço direito, paralisava-me completamente os movimentos e até senti a mão dormente, mas as das pernas e dos pés nem as senti. Acho que estava algo tenso, por ser final de um dia de trabalho, e como não conseguia ter uma posição confortável dos braços, fazia alguma força. Ou então, o meu lado direito (o Yang) estava a resentir-se.

Conversámos das vantagens de viver em Portugal e dos males do Brasil. De racismo e de extraterrestres. Enquanto as agulhas foram fazendo o seu serviço no meu corpo e enquanto me espetava umas pequenas (quase invisíveis) agulhas na orelha direita. E assim ando há uma semana, com agulhas na orelha! Umas vezes dói mais uma ou outra, mas neste momento só me dói a que está no meridiano do intestino grosso.

E ando com agulhas na bolsa, porque amanhã volto lá outra vez.

quarta-feira, setembro 21, 2005

TOTO


O meu telemóvel da NEC (que envergonhadamente posso dizer que tem código feito por mim), o N338 (nome de projecto: Luigi) deu o "peido". Já é a segunda vez num ano! Como é que um telemóvel do calibre deste, que supostamente era o 3G mais pequeno do mercado, e cujo custo rondava os 300 euros, avaria assim?

Da última vez deixava cair as chamadas. Desta vez quando me telefonam ou eu telefono, não consigo ouvir quem está do outro lado.

Da última consegui "flashar" o telemóvel de novo. Desta vez pode ser que "flashe"-o com o autocolismo.

Cloaca Maxima


Estou num curso de formação profissional de Gestão Estratégica. À noite, depois de um longo dia de trabalho.

Aqui fala-se de tudo o que a maioria das empresas portuguesas nem pensam. Fala-se de levantamento de problemas, resolução de problemas, factores que influênciam as empresas, poder negocial, potencial de novas entradas, pressão de produtos substitutos, modelo das cinco forças, intervenção, antecipação...

Porque é que não está aqui nenhum empresário das empresas que eu conheço? Só estão aqui empresários de pequenas empresas. Com aspirações, porque os outros ou não as têem ou acham que já não precisam.

quarta-feira, setembro 14, 2005

(Ex)Citação XIX

"Teachers open the door, but you must enter by yourself."
Provérbio Chinês

terça-feira, setembro 13, 2005

Saudades

Hoje fiz uma coisa que já não fazia há muito tempo. Estive com uma pessoa de quem já tinha imensas saudades. Falámos de coisas que já nem me lembrava.

Hoje estive na minha companhia.

Ah! Saudades...

segunda-feira, setembro 12, 2005

Palhaça: "Estou saturada, vou de férias!"

Marta Borges, ao fim de uns meses sem aparecer, passeia-se pela linha de enchimento de chouriços.

Ao passar por Rodrigo Rodrigues, repara que o enchimento dos chouriços está a ser feito sem seguir o normal processo de enchimento e diz:
- "Estou a ficar um pouco saturada destas situações de erros sobre coisas que já estiveram correctas! Ultimamente têm sido todas do género. Este é mais um caso."

Rodrigo olha para ela e contendo a resposta continua a trabalhar, sem perceber bem o que está mal. Nisto continua Marta:
- "Mais queria informar que para a semana estou de férias. Por isso gostaria de ver hoje ainda o andamento deste enchimento de chouriços, a entregar na 2ª a tempo de meter no pacote e enviar."

E afasta-se! Não mais se viu na linha durante dois meses.

domingo, setembro 11, 2005

Há quatro anos

Twin Towers

Há 4 anos estava há cerca de uma semana num novo emprego. Numas instalações novas, que como é normal estavam atrasadas, e não tínhamos acesso à Internet. Eu e mais umas duas dezenas de novos empregados da NEC, em Aveiro.

Conhecia um ou outro, mas fui conhecendo os outros, como havia muitas horas mortas, porque sem rede não se conseguia trabalhar e estudar os dossiês sem poder exercitar cansava.

De repente, por volta da hora do almoço alguém diz que um avião tinha colidido com as torres gémeas no centro de Nova Iorque. Telefono a um amigo que me diz que se desconfia ser um avião da polícia, mas nesse preciso momento o segundo avião colide com a outra torre, deixando de haver dúvidas quanto às reais intenções do "acidente".

Sem poder saber o que se passou, para além de ver com os olhos de outros as notícias e de haverem várias versões cada uma baseada no que o "amigo lhe disse", saio às 18:00 e fui dar formação. Aí tinha acesso à Internet, mas não se consegue saber de nada porque a maioria dos sites estão de tal maneiras a serem solicitados que se torna impossível vê-los. Tento ler o meu mail no Yahoo, mas o acesso está interdito. O Estados Unidos estão "fechados".

Do outro lado dos Estados Unidos, de São Francisco, vão me chegando as notícias que as viagens estão limitadas e que as coisas estão paradas. Os meus amigos estão bem... Mas o país não volta a ser o mesmo. Em Nova Iorque, um amigo brasileiro, fotógrafo, caracteriza o ambiente da cidade como deprimente. Ele volta ao Brasil pouco depois.

O país mais potente do mundo mostra-se fragilizado, ferido e sem capacidade de reagir à surpresa. De repente começa a disparar para todos os lados com diversas teorias de conspiração e com a ajuda de uns amigos ataca o Iraque. O resto da história todos a sabemos. Aliás o Michael Moore faz questão de a desmontar em "Fahrenheit 911" ao ponto se nos sentirmos atraiçoados. Eu não porque nunca acreditei nem no Eixo do Mal, nem tão pouco no Trio Fantástico (que, ainda bem, nunca chegou a ser quarteto) dos Açores.

Uns meses depois a economia americana está de rastos. Silicon Valley definha e eu vejo aquilo que me fez voltar a casa um ano antes. Agora o Katrina vem mostrar que o país mais poderoso do mundo quando quer consegue ser terceiro mundista. Em directo na televisão. Aquilo que de melhor tem os Estados Unidos é aquilo que os torna tão vulneráveis. A "liberdade" que o estado permite na economia.

4 anos depois um 911 (ou um Katrina) também se passou em Aveiro e a maioria das pessoas que estavam nesse dia comigo a trabalhar estão neste momento dispersos. Uns em Coimbra, outros na Madeira, outros em Farnborough, outros em Manchester, outros em São Paulo ou Rio de Janeiro e alguns, ainda alguns, em Aveiro.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Las ilusiones devastadas de Portugal

El 90% del bosque sigue estando en manos de 400.000 propietarios, en su mayoría dueños de parcelas de dos hectáreas.

Las condiciones climáticas de los tres últimos años -olas de calor consecutivas y la mayor sequía de que hay registro- destaparon el barril de pólvora.

Por cada 1.000 hectáreas, hay 7 veces más fuegos en Portugal que en España e Italia, 20 veces más que en Francia y 22 veces más que en Grecia.

La economía empezó a dar muestras de crisis a finales de 2000 y entró en recesión en el último trimestre de 2002, pese a un pequeño repunte a primeros de 2004.

in El Pais domingo, 28 de agosto de 2005