domingo, junho 04, 2006

Canção de Embalar

Dia 3

"Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
"

"Canção de Embalar" - Zeca Afonso (interpretado por Jacinta) Ouvir excerto

sábado, junho 03, 2006

All Is Full Of Love

Dia 2

"you'll be given love
you'll be taken care of
you'll be given love
you have to trust it
...
all is full of love
all is full of love
all is full of love
all is full of love
all is full of love
"

"All Is Full Of Love" - Björk Ouvir excerto

sexta-feira, junho 02, 2006

Softly

Dia 1

"Softly
Kissing you as you lie sleeping
Breathing
Gently with you in your slumber
Your face is the picture of contentment
My angel's dreaming, my angel's dreaming

(So happy with you)
I'm so happy with you
"

"Softly" - Lamb Ouvir excerto

quinta-feira, junho 01, 2006

Into My Arms

"I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
"

"Into My Arms" - Nick Cave & The Bad Seeds Ouvir excerto


Nasceu hoje no Hospital de Aveiro às 22:21 com 2,340Kg o nosso filho, que ainda não tem nome próprio, mas que está bem. A mãe também está boa e feliz.

Um dia da Criança como não há memória cá em casa.

segunda-feira, maio 29, 2006

(Ex)Citação XXIII

"Não existe uma casa, a não ser que a encontres dentro de ti mesmo!."
Osho

quinta-feira, maio 25, 2006

No meu Moleskine (3)

Desde puto que atraio malucos. Quando entrava num bar e se lá havia um bêbado, este, a primeira coisa que fazia era vir falar comigo.

Conhecia os maliquinhos todos do Bairro. O Quim confessava-me que as telenovelas brasileiras lhe faziam mal por causa das "gajas boas". E os drogados eram todos meus amigos, sendo muitas vezes associado a eles.

Na Universidade tinha um amigo que se divertia a partir dispositivos de incêndio para ouvir o som do alarme. Era o meu melhor "amigo" na Fac. de Ciências da Universidade do Porto.

Em Aveiro conhecia-os a todos. Do "Trafaria" que maluco não tinha nada ao "Stevan" que era o melhor aluno de Ambiente, mesmo sendo alcoólico, passando pelo Ramalheira, que vomitou numa prova de BTT porque começou o dia com um copo de leite.

No emprego, prefiro nem falar, porque me posso comprometer, mas...

E até nas mulheres. Namorei com a "Gasolina" depois com a "Botas da Tropa", mas sempre me aproximei de pessoas "extravagantes". A Cláudia não é excepção, ela própria uma pessoa singular.

E há outros casos que me escuso a falar.

Mas só me rodeio de "loucos", "malucos", "deslocados", "extravagantes" ou "freaks". Porquê esta atracção?


in Moleskine (2) 23/09/2005 23:24

quarta-feira, maio 24, 2006

Planear?

Durante a minha vida profissional trabalhei por diversas vezes fora do país. No meu currículo saliento os períodos em que vivi, ou estive destacado em trabalho, em três países do G8 (Estados Unidos da América, Japão e Inglaterra). Porém, já trabalhei por menor períodos em mais dois países desse grupo (França e Alemanha). E, já visitei a Finlândia (onde estive quase a estagiar no final da minha licenciatura) e a Irlanda, os tão aclamados exemplos europeus de países pequenos e periféricos com economias competitivas e de sucesso. Durante todas estas experiências de trabalho, fi-lo em contacto directo com europeus, americanos, asiáticos e africanos.

De todas estas experiências, mais ou menos longas, ou mais ou menos importantes, o que retiro é que nós, portugueses, somos bons profissionais. Não somos menos produtivos que os indivíduos de outras origens. É tudo uma questão de organização, gestão, formação e liderança.

E, nesse sentido saliento a organização inglesa. Os ingleses são conhecidos pela pontualidade, são muito metódicos e fazem uma análise muito cuidada dos "imprevistos" que podem ocorrer durante um projecto. Fazem planos! E estudam os projectos antes de os porém em prática. Eu acredito que os descobrimentos não teriam acontecido se o Infante D. Henrique não fosse fruto da capacidade empreendedora e de improviso dos portugueses aliada a uma educação inglesa originária da sua mãe Filipa de Lencastre (Lancaster).

Há dias um jovem empresário português exaltava a nossa capacidade de improviso, o vulgar "desenrascanço", e salientava o facto de os marinheiros portugueses, em tempos idos, serem contratados, por outras nações de exploradores, para fazerem parte das suas tripulações e cuja função era a do controlo do navio em caso de emergência. Mas esse mito conta também que a esses marinheiros não era permitido fazer mais nada para além disso no navio, porque a sua capacidade de improviso, sem controlo, podia pôr em causa a segurança de um navio organizado.

O mesmo empresário, na mesma conversa, disse-me que não planeava porque "perdia" quase tanto tempo a fazer o plano que a executar o projecto. Pois, na verdade quase todos os standards de gestão de projectos dizem que o planeamento é cerca de 40% do projecto, ou seja, se a execução será 50% a verdade é que planear demora quase tanto tempo como executar o projecto. A diferença é que em Portugal sem planeamento atingem-se os níveis de estabilidade ao mesmo tempo que o projecto demora a produzir um produto fiável "lá fora". E com planeamento se o produto precisar de ser melhorado sê-lo-á facilmente, colocando-se um produto novo no mercado em muito pouco tempo. Além de que quem planeia aprende a projectar produtos e sem planeamento vão se fazendo projectos.

Um amigo meu a estagiar na Irlanda, na HP, dizia-me há dias que por vezes se sentia deslocado, porque com a sua rotina diária de trabalho não tinha noção que estava na "grande HP". Ele, como a maioria de nós, imaginara que uma empresa de renome internacional e com uma dimensão planetária funcionaria de uma maneira completamente diferente daquilo que estamos habituados. Pois, na verdade, ele estava a ter a melhor das experiências que um estagiário português no estrangeiro pode trazer para "cá", a de que somos capazes de produzir e de competir "lá fora" com empresas como a "grande HP". Se quisermos!

Outro empresário, da mesma área, dizia-me que não se sente com capacidades técnicas para competir "lá fora". Porque "lá fora", "eles" estão mais preparados tecnicamente que "nós". Hoje em dia já não existe o "lá fora", porque as fronteiras deixaram de existir (ainda mais na área das TIs onde ele tem o seu negócio) e "eles" somos "nós". Eu lembra-me quando era miúdo que se dizia que ao atravessar a fronteira as estradas eram melhores, o sol era mais forte e as vacas davam mais leite. Na verdade, já não é tanto assim (embora a gasolina "lá" seja muito mais barata) e a vaca da vizinha não dá mais leite que a minha.

Vão lá e mujam-na e verão que o leite da vaca é branco e a quantidade e qualidade do que ela produz é tanta coma as das nossas vacas! Mas primeiro organizem-se e planeiem, porque "quem vai para o mar avia-se em terra"!

sexta-feira, maio 19, 2006

Será que?

Sempre fui criticado por ter tido muitos empregos, nos primeiros anos do meu currículo. Depois disso e durante anos dediquei-me quase a 100% a uma empresa só. A educação que tivemos fazem-nos pensar que um emprego é para o resto da vida, mas um dia as coisas acontecem e apercebemo-nos que afinal de contas estivemos ausentes de nós próprios e de repente despertamos para a realidade. Durante este período, não fomos nós, mas sim aquilo que alguém queria que nós fossemos. Um trabalhador exemplar. Um engenheiro "à-moda-antiga" que se dedica ao trabalho e que se esquece do que mais gosta. Esquece-se da família, dos amigos e dos hobbies.

Estar parado tem-me ajudado a pensar que se não dedicar bastante tempo àquilo que realmente gosto na verdade vou-me sempre sentir frustado. E que não sei até que ponto é que a engenharia me faz sentir verdadeiramente completo. Se calhar essas mudanças de emprego são um sinal disso, apenas eu não o vi. Acho que o que me fez ficar tanto tempo naquela empresa foram outras coisas que não a engenharia. Foram o bom ambiente no grupo de trabalho, os constantes contactos internacionais, as frequentes formações e as minhas funções de gestão.

Começo a achar que tenho que escolher um emprego que me permita conviver com pessoas de bem, onde tenha contactos internacionais, onde possa aprender e onde desempenhe uma função de gestão. O problema é que no currículo tenho apenas como formação académica Engenharia. Tenho que arranjar uma formação de Gestão.

terça-feira, abril 11, 2006

: : : 1-big-O [v19.0]

«Todos os dias estamos a aprender qualquer coisa e é na diferença que estamos a aprender»
Rui Gonçalves conta a sua experiência de «retorno ao Japão» através da exposição «nihon ni kaerimasu»

nihon ni kaerimasu


«Nihon ni kaerimasu», da autoria de Rui Gonçalves, é a exposição de fotografia e texto que está patente na Livraria o Navio de Espelhos até dia 7 de Abril, amanhã.
Esta exposição resulta de uma experiência de trabalho no Japão, em 2003, que Rui Gonçalves descreve como bastante intensa. É esta experiência pessoal que o autor procura compartilhar com o público. Tanto através das fotografias, como através dos textos. Durante uma conversa no espaço da Livraria o Navio de Espelhos, Rui Gonçalves partilhou com o CLIP alguns pormenores desta experiência e do conjunto ali exposto.

Esta exposição resulta de uma experiência de trabalho que o levou ao Japão. Tendo em conta que não faz da fotografia profissão, de que forma enquadra esta nas suas actividades em geral?
Eu sou licenciado em Engenharia Electrónica e Telecomunicações. Mas digamos que o trabalho é uma coisa e a tua vida é outra. Embora hajam muitas pessoas que fazem aquilo que gostam, como o outro diz «sermos felizes era pagarem-nos por aquilo que faríamos de graça», a verdade é que nós fazemos muita coisa de graça que não nos dá dinheiro para sermos felizes. Então, para sermos felizes, temos que ir ganhar dinheiro numa profissão que muitas vezes não é necessariamente aquilo que nos preenche por completo. E procuramos escapes. Eu tenho a fotografia como tenho outras coisas como escape. Como faço BTT, como faço montanha, como faço outras coisas.

Portanto, a fotografia é um hobbie?
Para aí há dois anos era mais do que é agora. Não tenho tirado muitas fotografias ultimamente. Mas, por exemplo, no Japão estive sozinho e sou uma pessoa que gosta muito de observar. Aliás, a exposição não é só de fotografia também tem textos. E muitos deles são observações daquilo que se passava à minha volta. Com isso, tento trazer um pouco daquilo que observei lá (e noutros sítios). Ou, mesmo cá, uso a máquina não para guardar os momentos que vivo (esses só mesmo contando ou lembrando), mas para enquadrar certos pormenores que às vezes são difíceis de contar por palavras.

«Nihon ni kaerimasu» é o nome da exposição (suponho que é japonês). Em algumas palavras, como traduziria este título? Qual o porquê deste título?
«Nihon» é Japão, «ni», em japonês utilizam-se sempre elementos de ligação entre duas palavras, liga a um lugar, «kaerimasu» é retornar, de presente. Eles lêem de trás para a frente, portanto, traduz-se «retorno ao Japão». Este título porque, na segunda vez que voltei ao Japão a primeira crónica que escrevi foi «retornei a Kamoi», que era a cidade onde estava. E escrevi em japonês assim, «Kamoi ni kaerimasu». Então, acho que este título serve para tentar dizer que esta é também é uma viagem de regresso. Eu fui lá e agora voltei lá, mas trouxe comigo as coisas que me permitem mostrar às pessoas o que é estar lá. No sentido em que é o meu retorno mas, para quem vê, se calhar não é um retorno. É um «abrir de olhos» provavelmente.

Descreve que o período em que esteve no Japão foi de tal modo intenso que o levou a «cultivar um fascínio especial pelo país». Com que aspectos da cultura japonesa e do país se prende esse fascínio?
Acho que todo e qualquer português tem um fascínio enorme pelo Japão. Eu tinha-o antes de ir. Na inauguração da exposição esteve presente um colega que esteve comigo no Japão. E a última pergunta que nos fizeram aos dois foi «Passando por isso tudo que vocês passaram lá, voltavam ao Japão?». A resposta foi «Voltávamos». Porque foi um período curto de tempo (2 meses em duas vezes) e durante esse período de tempo a intensidade das coisas era tão grande. E não só em termos visuais, mas em termos culturais, em termos de vivência, em termos de trabalho. Tudo era tão intenso que eu voltaria outra vez para experimentar tudo mais uma vez. Obviamente que, de cada vez que cheguei a Portugal, eu não queria ouvir falar do Japão. É difícil quando chegamos, pois estamos muito cansados. Mas o Japão é um país cheio de estímulos. Eu dou o exemplo de quando fui a África, há pouco tempo. A América não é tão diferente da Europa, apesar de ser diferente. Mas nós vamos a África e é um encher de estímulos completamente diferente dos nossos. E a Ásia é igual. O Japão por ser um país muito mais desenvolvido, muito mais populoso e a maneira intensa como se vivem as coisas, torna-se fascinante. O Japão não um país propriamente de belezas naturais (embora as tenha, só que eu não as vi), mas a cultura em si, o próprio ritmo de trabalho e as pessoas são fascinantes por serem muito diferentes. Todos os dias estamos a aprender qualquer coisa e é na diferença que estamos a aprender.

De que forma é que esses aspectos se exprimem nas fotografias que nos apresenta nesta exposição?
Eu preparei esta exposição há algum tempo. E fui pondo de parte as fotografias que achava que mais tinham a ver com os textos, mais do que escolher as melhores fotografias que tinha do Japão. Porque pretendia pôr as duas coisas. Provavelmente, algumas das fotografias escolhidas, se não tivessem os textos, não diziam nada a ninguém. E fui seleccionando as fotografias em função desta ideia. Inicialmente, fiz uma proposta para fazer a exposição para o «Anime Weekend» que foi recusada, por falta de dinheiro. Mas a exposição estava preparada e, portanto, a exposição veio para aqui [Livraria O Navio de Espelhos]. E foram as fotografias que já estavam, que não são necessariamente as melhores fotografias que tenho, mas foram aquelas que eu fui vendo que se enquadravam umas com as outras e com os textos.

E, no fundo, como é que se relaciona a fotografia e o texto neste trabalho?
A maior parte dos textos foi escrita quando eu estava lá. Eu retirei os textos das «Crónicas Depois Da Califórnia», que são textos que eu escrevia para os amigos quando estava lá, e que estão online. A maior parte das fotografias que estão aqui não foram tiradas a pensar nos textos, nem os textos a pensar nessas (fotografias. Foi a posteriori que fui vendo as fotografias e li os textos e vi as fotografias que se encaixavam melhor com os textos. Porque a ideia global é mostrar o que foi o Japão para mim. Daí o retorno meu ao Japão. Provavelmente, se olharmos para as fotografias até parece um sítio mais ou menos paradisíaco mas se lermos os textos que estão com algumas fotografias ficamos a perceber que o mundo não é assim tão fácil. E os textos enquadram-se nisso, são exactamente como escrevi no momento em estava lá.

Nesse caso, o texto e a fotografia podem funcionar de forma independente?
Os textos funcionam. Estão online no meu website, e as pessoas podem lê-lo na altura. As fotografias provavelmente as pessoas nunca as viram. Se pusesse aqui as fotografias sem os textos provavelmente o retorno não seria o mesmo para qualquer pessoa que viesse cá. E se expusesse os textos sem as fotografias, então não se percebia nada. No fundo a uma coisa tem que estar com a outra. E a ideia da exposição partiu daí. Não é só uma exposição de fotografia, do meu ponto de vista.

Pensa, ainda, vir a expor um conjunto mais alargado das fotografias que resultaram desta experiência no Japão?
É difícil. Normalmente quando faço uma exposição não a repito. Mas, haveria espaço para colocar mais fotografias. Após ter apresentado a proposta para esta exposição não tive tempo para preparar mais material. Então, fiz uma apresentação oral, falei sobre as fotografias e permiti que as pessoas me fizessem perguntas. Para tentar partilhar a experiência. Mais do que expor fotografias, partilhar a experiência.

No futuro poderemos esperar mais exposições de fotografia da sua autoria?
Bom, não sei. O que estou afazer neste momento, é um projecto com uma amiga minha que produz vinho. Estou a tentar fazer um projecto de um ano, provavelmente, desde a vinha em bruto, a crescer, a apanha da uva, o fazer o vinho. Pode ser que depois este trabalho resulte numa exposição, em conjunto com ela.


O CLIP pede desculpa a Rui Gonçalves pela publicação tardia desta entrevista que, por motivos técnicos, não foi publicada na edição anterior. Para aqueles que não tenham oportunidade de ver esta exposição ao vivo até amanhã, recomenda-se que espreitem o site pessoal do autor (http://ruigo.net/fotog/expo/nihon), onde poderão encontrar as fotografias e os textos originais dos excertos que a compõem, «Crónicas depois da Califórnia», escritos por Rui Gonçalves durante a sua estadia no Japão.

Cristina Fernandes

Outros trabalhos em Fotografia:
Março de 2001, exposição no 4S Concurso Nacional para Fotógrafos Amadores no FOTIMAG / Exponor; Setembro de 2001, foto vencedora no concurso Foto do Mês do Exit.pt; 2001/2002, foto vencedora de concurso de fotografia no NetViagens.com; menção honrosa no «Salón Internacional de Fotografia por Internet» do Centro Argentino de Fotografia.

in CLIP (suplemento do Diário de Aveiro) em 06/04/2006

quarta-feira, abril 05, 2006

segunda-feira, abril 03, 2006

A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 8)

Há umas semanas recebi uma carta para ir prestar depoimento ao Mistério Púbico (N.R.: Nome fictício) de Aveiro, relativamente à queixa-crime, sobre desconhecido por uso abusivo dos meus dados, que apresentei na polícia em dezembro do ano passado.

Na data prevista, uns 10 minutos antes da hora prevista, dirijo-me ao edifício do Tribunal e apresento-me na recepção com a carta de notificação.
- "É naquela sala!" – aponta a senhora, para o canto mais escuro do edifício - "Pergunte à senhora que está no guichet à entrada."
Atravessei o hall e andei cerca de 20 metros para encontrar por detrás da porta daquela sala apontada, um outro guichet onde uma senhora, mais ou menos da mesma idade, me disse, depois de olhar para a notificação:
- "É ali naquele balcão!" – apontou para o fim da sala - "Pode sentar-se e aguardar!"
"Lindo! Não era mais simples usar umas placas?" – pensei eu e sentei-me. Reconheço uma cara conhecida, que se levanta da secretária e dirige-se a mim. Apresento-lhe a notificação e depois de consultar um colega, diz-me para aguardar.

No entretanto reparo numa rapariga gira, bem vestida, de pé e com um portátil a tiracolo que muda de perna de apoio como se estivesse impaciente. Aparentemente estava ali antes de mim... Mas um dos funcionários, mais novo e com ar de engatatão, vem à frente e pede-lhe desculpa, porque aparentemente ninguém a tinha visto. Como se fosse possível...

Nessa altura sou chamado pelo funcionário que está a tratar do "meu caso". Um homem de meia idade com ar de quem não gosta muito de ali estar, mas que poucas outras chances teve na vida. Sento-me junto à sua secretária para fazer o meu depoimento. E começa ele:
- "Explique-me lá o que se passou!" - e começo com a triste história do abuso de identidade (vide episódios anteriores desta série). E acrescento os dados novos sobre a conta bancária, que ainda não faziam parte do processo, porque não eram conhecidas à data da queixa.
- "O senhor sabe que isto não vai dar em nada? Não se preocupe, o que mais há por aí é casos desses e não dão em nada." – diz-me ele com ar de quem não está para se preocupar muito com o meu depoimento – "Tem a certeza que quer manter a queixa?"
- "Obviamente! Até que estejam as coisas resolvidas e a minha inocência seja provada a queixa mantém-se!" – digo eu convicto.
- "Ok! Então vamos escrever o seu depoimento!" - diz ele com algum tédio.
E pega num modelo de depoimento com o típico "No dia tantos do tal o depoente fulano de tal declarou que"... ao que acrescentou, mais à frente, conforme
- "A assinatura não é a minha, embora a escrita de alguns dos nomes sejam parecidos, como se tivesse tido acesso a parte da minha assinatura!" – eu depus.
Ao que ele escreveu:
- "o deopetne dclaruo equ a assiantrura no contratco não è a sua mas quie amdiety podasa ser mer portew semerlasmntrew" - parando de seguida a contemplar a sua escrita e voltou atrás ao início da frase e apagou e voltou a escrever palavra a palavra até que finalmente ficou:
- "o depoente declarou que a assinatura no contracto não è a sua mas que admite possa ser em porte semelhante."

E continuamos assim durante duas páginas de depoimento.

quinta-feira, março 30, 2006

Há escassez de cordeiros

No sábado passado numa pequena entrevista ao Expresso, o Eng. João Picoito, CEO da Siemens Communications Portugal, diz que "há escassez de engenheiros". Aparentemente há escassez de engenheiros de software, porque "a Siemens recrutou mais de um milhar em poucos anos". "As pessoas que saem da Siemens e vão para outros desafios, têm vindo a crescer nos últimos dois anos", diz ele, ao que acrescenta "As saídas acontecem porque há falta de engenheiros com experiência no mercado".

Será que as pessoas não saem porque a Siemens não tem capacidade para as "impedir"? Eu vejo isto de outra maneira, porque as pessoas só saem se estiverem descontentes, ou com as perspectivas, com trabalho ou com o ordenado. Aliás como demonstrado por alguns estudos recentes, neste nível de emprego, as pessoas mudam menos por causa do ordenado, mas mais por causa da insegurança, falta de perspectivas e insatisfeitas com o trabalho.

E isso é explicado pela frase seguinte do Sr. Eng., quando diz que "a Siemens funciona como uma pós-graduação para recem-licenciados". Porque esse é o empregado típico da Siemens, um recém-licenciado. Mas é por opção da própria Siemens que prefere gente nova, sem experiência e que aceita facilmente o facto de estarem a trabalhar para uma empresa que presta serviços à Siemens e que esta usa (como muitas outras) para mascarar o facto de não aumentar o número de empregados, criando assim condições de insegurança e falta de perspectivas no emprego. Que aceitam salários cerca de 75% do mercado, mas porque é a Siemens as pessoas aceitam, porque a empresa tem a projecção que tem, mas que afinal só existe nos jornais e afinal tem vários problemas de conflitos internos e falta de rigor.

Eu nunca trabalhei para a Siemens ou na Siemens. Aliás fui a quatro entrevistas com esse intuito no último ano e outra ainda em 1999. Quando saio das entrevistas fico com a sensação que tudo correu bem, mas acabo sempre com uma resposta "lamentamos mas de momento não temos vagas para o seu perfil. A melhor foi que no dia em que recebi a última resposta do género um amigo, que está a trabalhar em Inglaterra, ligou-me a perguntar se não estava interessado em ir para a Siemens, que eles lhe tinham oferecido uma bolsa de um ano (11 meses, sem descontos), e ele não estava interessado.

A verdade é que eles querem pessoas sem experiência, porque essas não são exigentes com eles e saber isso é importante, mas muito redutor para uma empresa que todas as semanas sai nas notícias a dizer que irá empregar mais uma centena de engenheiros. Mas todas as semanas deve perder uma centena de engenheiros, porque é uma má empresa para se trabalhar. Como diz o Sr. Eng. na entrevista "é um preço que temos que pagar".

quarta-feira, março 29, 2006

Português à Solta

Quando temos o poder de influenciar uma pessoa a fazer algo de novo e construtivo somos maiores que nós próprios. E pelos vistos o meu amigo Pedro Baltazar sentiu a necessidade de avançar com um blog inspirado pela sessão de inauguração da minha exposição.

Fico feliz! E vou ficar atento ao Português à Solta... Leiam!

terça-feira, março 28, 2006

Europe is Our Playground

Ontem recebi uma carta registada dando conta que para um dado emprego que tinha concorrido a escolha final do júri tinha recaído sobre outro candidato. Eu já sabia! A escolha deveu-se aos aparentes melhores conhecimentos técnicos do outro candidato, sobre uma tecnologia que trabalhei nos últimos 8 meses. Porém o cargo era para Gestor de Projecto, e nunca foram analisadas as capacidades de organização, motivação ou liderança dos candidatos, factores esses essências ao cargo, ao contrário dos conhecimentos técnicos (quem já fez Gestão de Projectos sabe disto).

Hoje fui a uma entrevista a uma empresa de formação e o meu entrevistador espero que nunca venha a ser meu formador, porque eu mal o ouvia. Suponho que era o responsável pela formação na área de informática, porque nem deu para perceber. A meio da entrevista perguntou-me se tinha o CAP e insinuou que não tinha muita experiência de formação. Ou menos podia ter lido o meu CV. Saí com vontade de lá não voltar.

Depois da minha sessão de acupunctura e como tinha uns quinze minutos aproveitei para contemplar o meu primeiro pôr-do-sol de primavera, junto à ria, com aqueles lindos reflexos laranjas e vermelhos nas nuvens baixas. De repente começou a tocar o tema "Europe is Our Playground" dos Suede, coloquei o som alto, já que estava sozinho. Eu mudava a letra para "Aveiro is our town"... Mas fugia já... Com a minha baby!

"Run with me baby, let your hair down
through every station, through every town
run with me baby, let's take a chance
from Heathrow to Hounslow, from the Eastern Block to France

Europe is our playground, London is our town
so run with me baby now

Run with me baby, let your hair down
through every station, through every town
run with me baby, let's make a stand
from peepshow to disco, from Spain to Camber Sands

Europe is our playground, London is our town
so run with me baby now...
"

"Europe is Our Playground" - Suede Ouvir excerto

terça-feira, março 21, 2006

A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 7)

Toca o telefone. O número é omisso. Atendo e oiço do outro lado a mesma voz feminina de sempre da Fodicis (N.R.: Nome fictício):
- "Estou sim!?"
- "Estou sim, Sr. Rui Gonçalves? Daqui fala C. S. da Fodicis. Estou a telefonar para saber se tem alguma novidade do Banco BETS?"
- "Infelizmente não!" – respondo eu, com ar de seca.
- "Sabe Sr. Rui, que com a entrada de mais uma mensalidade para pagar os meus colegas das cobranças devem começar a colocar problemas e o caso pode avançar para o litigioso."
- "Compreendo, mas já fiz tudo o que posso fazer e o Banco BETS fez seguir a minha queixa e o caso está em investigação pelo Departamento de Auditoria do BSE. Infelizmente não sei de mais nada, mas vou tentar contactar o Banco BETS ainda esta semana para saber se há novos desenvolvimentos." – digo eu.
-"Ok, Sr. Rui! Vou aguardar que me diga alguma coisa!"
E desligámos.

Nação de Agricultores

"Uns já cavaram, outros vão cavar e os que ficam são nabos!!!"

ou

"Uns já cavaram, outros vão cavar e os que ficam tem tomates!!!"

1 - 2 -3 Qual é que rejeita?

1) Concorro para um emprego* em Aveiro, sem perspectivas de futuro, e abro um negócio meu, que não tem nada a ver com a minha área de formação, e mantenho o nível e a qualidade de vida a que já me habituei. Embora, no início, perca qualidade de vida por ter que me dedicar ao arranque do negócio e nível de vida por causa do investimento. Continuo a fazer umas exposições de fotografia, umas aulas de Yoga e umas formações. A vida pouco muda.

2) Concorro para um emprego* em Lisboa, com perspectivas de futuro, onde tenho que andar todos os dias de fato e gravata, o meu nível de vida baixa durante uns tempos e a qualidade de vida vai aumentando com o tempo que lá permaneço. Não tenho tempo para formações, o Yoga de vez em quando e a fotografia só nas férias. A Cláudia muda para uma escola local e o nosso (futuro*) filho cresce num ambiente urbano. A vida muda um pouco.

3) Concorro a um emprego* em Inglaterra, onde ganho algum dinheiro, experiência pessoal e profissional, durante um meia-dúzia de anos. Tiro uma formação complementar, faço Yoga algumas vezes e viajo. A Cláudia perde o emprego cá, mas tira outra formação lá, e o nosso (futuro*) filho é educado em língua inglesa. Vivemos numa casa alugada, não temos nada de nosso, somos uns "desenraizados". A vida muda completamente.

* Só para enquadrar: Eu estou desempregado e a Cláudia está grávida.

sábado, março 18, 2006

A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 6)

Há quase dois meses, depois do telefonema da Sra. C. S. da Fodicis a comunicar-me que a conta do Banco BETS usada na transferência do dinheiro emprestado estava igualmente em meu nome, consegui o contacto de alguém dentro da instituição de modo a saber como tal era possível e expor a situação de modo a obter a tal carta confirmando que a dita conta tinha sido aberta com documentos que não eram os meus.

Assim, falei com um amigo cuja rede no LinkedIn incluía uma pessoa que trabalha no Banco BETS e pedi-lhe que me pusesse em contacto com a dita pessoa. Escrevi à pessoa em causa que de imediato entrou em contacto com a Direcção de Apoio a Clientes e em pouco tempo estava a enviar um fax, com a máxima urgência, a expor a situação, que seguiu ainda nesse mesmo dia também por correio azul para o Banco BETS. A 24 de Janeiro, o processo foi reencaminhado para o departamento de auditoria do Banco BSE, uma vez que o Banco BETS pertence ao mesmo grupo e é uma estrutura muito mais simples.

Umas duas semanas depois e como não obtinha nenhuma resposta nem do Bets nem do BSE e como a Sra. M.J.F. – o meu contacto no BETS – estava de férias, entrei em contacto com o Centro BETS no Porto. Telefonei...

- "Estou sim? Centro Banco BETS..." – responde-me uma menina do outro lado. E comecei a expor a situação:
- "Bom dia! O meu nome é Rui Gonçalves e há cerca de mês e meio fui confrontado com..." – E continuei com a história, e a meio, ouve-se um telemóvel a tocar do outro lado com a música do D'Artacão como toque. Continuei até que fui interrompido:
- "Desculpe! Mas tenho aqui outra chamada em espera..." – Interrompeu-me a menina para atender o telemóvel do D'Artacão. E ouve-se do outro lado:
- "Sim, Mãe! Já sei... Pois... Mas... 'Tá bem... Mãe, tenho aqui um senhor em linha e depois falamos, 'tá bem? 'Tá bem... Eu sei! Claro... Pois... Ok! Então vá! Até já!" – ao que voltou à minha chamada.
- "Peço desculpa!..." – ao que voltámos à minha história. Até que a um dado ponto perguntei:
- "Segundo sei não é possível abrir uma conta sem a presença física da pessoa, que quer abrir a conta, com os seus documentos. Como pode acontecer uma coisa destas?" – mas porque é que eu fui perguntar? Eu até já sabia a resposta, mas mesmo assim seguiu-se discurso institucional.
- "À altura que esta conta foi aberta, antes de Setembro de 2005, uma pessoa que desejasse abrir uma conta à ordem no Banco BETS teria que preencher um formulário na internet e a enviar por correio um contrato de abertura de conta com a instituição, previamente enviado pela instituição, acompanhada com uma cópia do bilhete de identidade, uma cópia o cartão de contribuinte e uma prova de residência que podia ser uma conta qualquer desde que a mesma estivesse em nome do 1º titular da conta a abrir. Porém depois dessa data a lei mudou e é preciso a presença física do titular da conta para que esta seja efectivamente aberta e disponibilizada. Ou seja, e como pode ver, esta conta foi aberta antes da mudança da lei sobre as instituições bancárias em Portugal." – E lá se foram mais dois ou três minutos de conversação, até que a menina conseguiu parar com a conversa que tinha mecanizada.
- "Ok! Minha senhora, de uma coisa eu tenho a certeza, não fui eu que abri essa conta e não fui eu que pedi o empréstimo em causa. A Fodicis anda a pressionar-me para apresentar uma declaração vossa para não avançar com a queixa ao Banco de Portugal. Se isso acontecer, eu estarei impedido de realizar uma série operações bancárias até que o caso seja resolvido. E quando o caso ficar resolvido, com a minha ilibação, tem consciência que irão existir pedidos de indemnização por isso? Pois o que eu quero é que nada disso aconteça, assim como a senhora, como funcionária do Banco Bets, deve querer. Por isso, minha senhora, tente saber como está o caso e o que devo dizer ao Fodicis."
- "Compreendo perfeitamente!" – disse ela – "Entrarei em contacto consigo assim que conseguir saber a informação que pretende, o mais tardar até ao fim da semana".
E ficámos por ali!

Apesar de me ter telefonado, de eu ter contactado a Sra. M.J.F. e de ter já falado com uma terceira pessoa, a resposta continua a ser a mesma "O que nos transmitem do lado do BSE é que vão entrar em contacto consigo." E que "está a ser preparada uma carta que segundo o BETS será enviada para o cliente ainda esta semana. Não dá para saber pormenores porque a auditoria não costuma dar esse tipo de informação."

E estamos nisto desde 24 de Janeiro...
(Talvez não acreditem mas o Ministério Público já fez mais que o BSE, mas esperem pelo próximo episódio da série.)

quinta-feira, março 09, 2006

: : : 1-big-O [v18.0]

Tsurugaoka Hachimangu

nihon ni kaerimasu - 10 de Março a 7 de Abril - o navio de espelhos

Em 2003 trabalhava, em Portugal, numa empresa japonesa. Depois de umas decisões estratégico-desastrosas ligadas ao lançamento no mercado chinês de um novo produto, para o qual estávamos a trabalhar há 4 anos, fui "convidado" a visitar o país do sol nascente. Assim, no período de 24 de Maio a 18 de Junho e posteriormente entre 1 e 18 de Dezembro, desse mesmo ano, estive a trabalhar no Japão.

Foi apenas um mês e meio no total, mas foi de tal maneira intenso que é difícil não cultivar um fascínio especial pelo país. Não foi por causa das longas (algumas vezes 18) horas de trabalho diárias, nem pelo trabalho ao sábado, mas pelas horas roubadas ao sono para se poder viver um bocado da cultura local durante os dias de semana e ainda pelos domingos de folga, que eram vividos desde manhã cedo, porque eram valiosas aquelas horas de "descanso".

Em 2005, uma amiga que estava num grupo de preparação de um fim-de-semana dedicado ao Japão em Aveiro, sabendo que eu lá tinha estado, convidou-me a preparar e propor uma exposição de fotografia sobre o país. No entretanto ela saiu da organização e a minha proposta para a exposição foi recusada pelo "elevado custo que o evento já estava atingir". Felizmente O Navio De Espelhos, soube aproveitar a minha proposta e a exposição arrancou, estando patente na livraria de 10 de Março a 7 de Abril de 2006.

Esta exposição tenta enquadrar as fotografias que fui tirando com alguns textos que fui escrevendo e mandando aos meus amigos, descrevendo as aventuras, desventuras, surpresas e experiências que fui absorvendo por lá. Algumas fotografias foram tiradas com pouca definição, com pouca dedicação, acima de tudo com poucas horas de sono e com muito deslumbramento. Algumas nem seria dignas de uma exposição e muitas outras mereceriam ser mostradas. Mas penso que é o todo que conta e mesmo que sejam só 20 fotografias expostas com os textos, haverão outras que serão mostradas e comentadas na inauguração e que não estão aqui.

Espero que gostem e que apareçam, a 10 de Março, para uma conversa e um Sakê.

Para quem não pode vir, pode ver a exposição em http://ruigo.net/fotog/expo/nihon/

http://www.onaviodeespelhos.com/

Stop

quarta-feira, março 01, 2006

A minha vida dava um filme do Tony Scott

Hoje marcaram-me uma reunião com um engenheiro da parte técnica de uma empresa de gás por causa de uma ligação via internet entre a empresa de um amigo e essa mesma empresa. Cheguei ao armazém onde era a reunião e no entretanto esperei. A reunião era às 14:30 e às 14:25 recebi uma chamada dizendo que estava atrasado e que não iria lá estar antes das 15:00.

Voltei às 15:00. Uns 10m depois passa um carro e o ocupante, um velho conhecido da universidade, olha para o armazém como se procurasse algo. Estacionou! Era o tal engenheiro... Que afinal vinha instalar o software de suporte à VPN (virtual private network) mas que não o podia fazer porque ali não havia nenhum PC, nem tão pouco uma ligação à internet (nesta altura devia de tocar, como banda sonora, o tema "Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto não tinha nada, ninguém vivia nela não, porque na casa não tinha chão, ...").

Nisto toca de novo o meu telemóvel. O número não está disponível. Atendo pois esperava uma chamada. E oiço:
- "Escuse me! Is this Rui Gonçalves phone number?" – diz uma voz feminina do outro lado, com um sotaque britânico.
- "Yes, it's me!" – respondo, sem saber bem o que dizer. E muito despachada, a senhora do outro lado, diz:
- "This is from an IT consulting company, I found your CV on the internet and I am phoning to wonder if you are considering prospecting jobs in UK."
Por momentos penso no telefonema da tarde anterior... "Será a mesma empresa? Será alguém que leu o meu blog e resolveu gozar comigo?"
- "Not at the moment..." – gaguejei, enquanto pensava o que iria dizer a seguir – "... but I might consider it in a few months time." – disse considerando não desperdiçar a coisa completamente (nunca se sabe).
- "Do you mind if I keep your data on our files and phone you back in a few months?" – perguntou a tipa.
- "No! Not at all!"
- "Thank you! Get back to you soon!" – disse antes de desligar.

Olhei para o meu ex-colega e sem saber o que dizer...