Há umas semanas recebi uma carta para ir prestar depoimento ao Mistério Púbico (N.R.: Nome fictício) de Aveiro, relativamente à queixa-crime, sobre desconhecido por uso abusivo dos meus dados, que apresentei na polícia em dezembro do ano passado.
Na data prevista, uns 10 minutos antes da hora prevista, dirijo-me ao edifício do Tribunal e apresento-me na recepção com a carta de notificação.
- "É naquela sala!" – aponta a senhora, para o canto mais escuro do edifício - "Pergunte à senhora que está no guichet à entrada."
Atravessei o hall e andei cerca de 20 metros para encontrar por detrás da porta daquela sala apontada, um outro guichet onde uma senhora, mais ou menos da mesma idade, me disse, depois de olhar para a notificação:
- "É ali naquele balcão!" – apontou para o fim da sala - "Pode sentar-se e aguardar!"
"Lindo! Não era mais simples usar umas placas?" – pensei eu e sentei-me. Reconheço uma cara conhecida, que se levanta da secretária e dirige-se a mim. Apresento-lhe a notificação e depois de consultar um colega, diz-me para aguardar.
No entretanto reparo numa rapariga gira, bem vestida, de pé e com um portátil a tiracolo que muda de perna de apoio como se estivesse impaciente. Aparentemente estava ali antes de mim... Mas um dos funcionários, mais novo e com ar de engatatão, vem à frente e pede-lhe desculpa, porque aparentemente ninguém a tinha visto. Como se fosse possível...
Nessa altura sou chamado pelo funcionário que está a tratar do "meu caso". Um homem de meia idade com ar de quem não gosta muito de ali estar, mas que poucas outras chances teve na vida. Sento-me junto à sua secretária para fazer o meu depoimento. E começa ele:
- "Explique-me lá o que se passou!" - e começo com a triste história do abuso de identidade (vide episódios anteriores desta série). E acrescento os dados novos sobre a conta bancária, que ainda não faziam parte do processo, porque não eram conhecidas à data da queixa.
- "O senhor sabe que isto não vai dar em nada? Não se preocupe, o que mais há por aí é casos desses e não dão em nada." – diz-me ele com ar de quem não está para se preocupar muito com o meu depoimento – "Tem a certeza que quer manter a queixa?"
- "Obviamente! Até que estejam as coisas resolvidas e a minha inocência seja provada a queixa mantém-se!" – digo eu convicto.
- "Ok! Então vamos escrever o seu depoimento!" - diz ele com algum tédio.
E pega num modelo de depoimento com o típico "No dia tantos do tal o depoente fulano de tal declarou que"... ao que acrescentou, mais à frente, conforme
- "A assinatura não é a minha, embora a escrita de alguns dos nomes sejam parecidos, como se tivesse tido acesso a parte da minha assinatura!" – eu depus.
Ao que ele escreveu:
- "o deopetne dclaruo equ a assiantrura no contratco não è a sua mas quie amdiety podasa ser mer portew semerlasmntrew" - parando de seguida a contemplar a sua escrita e voltou atrás ao início da frase e apagou e voltou a escrever palavra a palavra até que finalmente ficou:
- "o depoente declarou que a assinatura no contracto não è a sua mas que admite possa ser em porte semelhante."
E continuamos assim durante duas páginas de depoimento.
Tudo começou em 2000 com a minha ida para a Califórnia para um estágio. As Crónicas foram servindo de diário da aventura. E continuam, mesmo depois de voltar... E de voltar a sair para Inglaterra, Japão, Luxemburgo, França, Finlândia, Holanda, São Tomé, etc...
Cada aventura ou momento que me permito partilhar está aqui nas Crónicas da Califórnia.
segunda-feira, abril 03, 2006
quinta-feira, março 30, 2006
Há escassez de cordeiros
No sábado passado numa pequena entrevista ao Expresso, o Eng. João Picoito, CEO da Siemens Communications Portugal, diz que "há escassez de engenheiros". Aparentemente há escassez de engenheiros de software, porque "a Siemens recrutou mais de um milhar em poucos anos". "As pessoas que saem da Siemens e vão para outros desafios, têm vindo a crescer nos últimos dois anos", diz ele, ao que acrescenta "As saídas acontecem porque há falta de engenheiros com experiência no mercado".
Será que as pessoas não saem porque a Siemens não tem capacidade para as "impedir"? Eu vejo isto de outra maneira, porque as pessoas só saem se estiverem descontentes, ou com as perspectivas, com trabalho ou com o ordenado. Aliás como demonstrado por alguns estudos recentes, neste nível de emprego, as pessoas mudam menos por causa do ordenado, mas mais por causa da insegurança, falta de perspectivas e insatisfeitas com o trabalho.
E isso é explicado pela frase seguinte do Sr. Eng., quando diz que "a Siemens funciona como uma pós-graduação para recem-licenciados". Porque esse é o empregado típico da Siemens, um recém-licenciado. Mas é por opção da própria Siemens que prefere gente nova, sem experiência e que aceita facilmente o facto de estarem a trabalhar para uma empresa que presta serviços à Siemens e que esta usa (como muitas outras) para mascarar o facto de não aumentar o número de empregados, criando assim condições de insegurança e falta de perspectivas no emprego. Que aceitam salários cerca de 75% do mercado, mas porque é a Siemens as pessoas aceitam, porque a empresa tem a projecção que tem, mas que afinal só existe nos jornais e afinal tem vários problemas de conflitos internos e falta de rigor.
Eu nunca trabalhei para a Siemens ou na Siemens. Aliás fui a quatro entrevistas com esse intuito no último ano e outra ainda em 1999. Quando saio das entrevistas fico com a sensação que tudo correu bem, mas acabo sempre com uma resposta "lamentamos mas de momento não temos vagas para o seu perfil. A melhor foi que no dia em que recebi a última resposta do género um amigo, que está a trabalhar em Inglaterra, ligou-me a perguntar se não estava interessado em ir para a Siemens, que eles lhe tinham oferecido uma bolsa de um ano (11 meses, sem descontos), e ele não estava interessado.
A verdade é que eles querem pessoas sem experiência, porque essas não são exigentes com eles e saber isso é importante, mas muito redutor para uma empresa que todas as semanas sai nas notícias a dizer que irá empregar mais uma centena de engenheiros. Mas todas as semanas deve perder uma centena de engenheiros, porque é uma má empresa para se trabalhar. Como diz o Sr. Eng. na entrevista "é um preço que temos que pagar".
Será que as pessoas não saem porque a Siemens não tem capacidade para as "impedir"? Eu vejo isto de outra maneira, porque as pessoas só saem se estiverem descontentes, ou com as perspectivas, com trabalho ou com o ordenado. Aliás como demonstrado por alguns estudos recentes, neste nível de emprego, as pessoas mudam menos por causa do ordenado, mas mais por causa da insegurança, falta de perspectivas e insatisfeitas com o trabalho.
E isso é explicado pela frase seguinte do Sr. Eng., quando diz que "a Siemens funciona como uma pós-graduação para recem-licenciados". Porque esse é o empregado típico da Siemens, um recém-licenciado. Mas é por opção da própria Siemens que prefere gente nova, sem experiência e que aceita facilmente o facto de estarem a trabalhar para uma empresa que presta serviços à Siemens e que esta usa (como muitas outras) para mascarar o facto de não aumentar o número de empregados, criando assim condições de insegurança e falta de perspectivas no emprego. Que aceitam salários cerca de 75% do mercado, mas porque é a Siemens as pessoas aceitam, porque a empresa tem a projecção que tem, mas que afinal só existe nos jornais e afinal tem vários problemas de conflitos internos e falta de rigor.
Eu nunca trabalhei para a Siemens ou na Siemens. Aliás fui a quatro entrevistas com esse intuito no último ano e outra ainda em 1999. Quando saio das entrevistas fico com a sensação que tudo correu bem, mas acabo sempre com uma resposta "lamentamos mas de momento não temos vagas para o seu perfil. A melhor foi que no dia em que recebi a última resposta do género um amigo, que está a trabalhar em Inglaterra, ligou-me a perguntar se não estava interessado em ir para a Siemens, que eles lhe tinham oferecido uma bolsa de um ano (11 meses, sem descontos), e ele não estava interessado.
A verdade é que eles querem pessoas sem experiência, porque essas não são exigentes com eles e saber isso é importante, mas muito redutor para uma empresa que todas as semanas sai nas notícias a dizer que irá empregar mais uma centena de engenheiros. Mas todas as semanas deve perder uma centena de engenheiros, porque é uma má empresa para se trabalhar. Como diz o Sr. Eng. na entrevista "é um preço que temos que pagar".
quarta-feira, março 29, 2006
Português à Solta
Quando temos o poder de influenciar uma pessoa a fazer algo de novo e construtivo somos maiores que nós próprios. E pelos vistos o meu amigo Pedro Baltazar sentiu a necessidade de avançar com um blog inspirado pela sessão de inauguração da minha exposição.
Fico feliz! E vou ficar atento ao Português à Solta... Leiam!
Fico feliz! E vou ficar atento ao Português à Solta... Leiam!
terça-feira, março 28, 2006
Europe is Our Playground
Ontem recebi uma carta registada dando conta que para um dado emprego que tinha concorrido a escolha final do júri tinha recaído sobre outro candidato. Eu já sabia! A escolha deveu-se aos aparentes melhores conhecimentos técnicos do outro candidato, sobre uma tecnologia que trabalhei nos últimos 8 meses. Porém o cargo era para Gestor de Projecto, e nunca foram analisadas as capacidades de organização, motivação ou liderança dos candidatos, factores esses essências ao cargo, ao contrário dos conhecimentos técnicos (quem já fez Gestão de Projectos sabe disto).
Hoje fui a uma entrevista a uma empresa de formação e o meu entrevistador espero que nunca venha a ser meu formador, porque eu mal o ouvia. Suponho que era o responsável pela formação na área de informática, porque nem deu para perceber. A meio da entrevista perguntou-me se tinha o CAP e insinuou que não tinha muita experiência de formação. Ou menos podia ter lido o meu CV. Saí com vontade de lá não voltar.
Depois da minha sessão de acupunctura e como tinha uns quinze minutos aproveitei para contemplar o meu primeiro pôr-do-sol de primavera, junto à ria, com aqueles lindos reflexos laranjas e vermelhos nas nuvens baixas. De repente começou a tocar o tema "Europe is Our Playground" dos Suede, coloquei o som alto, já que estava sozinho. Eu mudava a letra para "Aveiro is our town"... Mas fugia já... Com a minha baby!
"Run with me baby, let your hair down
through every station, through every town
run with me baby, let's take a chance
from Heathrow to Hounslow, from the Eastern Block to France
Europe is our playground, London is our town
so run with me baby now
Run with me baby, let your hair down
through every station, through every town
run with me baby, let's make a stand
from peepshow to disco, from Spain to Camber Sands
Europe is our playground, London is our town
so run with me baby now..."
"Europe is Our Playground" - Suede
Hoje fui a uma entrevista a uma empresa de formação e o meu entrevistador espero que nunca venha a ser meu formador, porque eu mal o ouvia. Suponho que era o responsável pela formação na área de informática, porque nem deu para perceber. A meio da entrevista perguntou-me se tinha o CAP e insinuou que não tinha muita experiência de formação. Ou menos podia ter lido o meu CV. Saí com vontade de lá não voltar.
Depois da minha sessão de acupunctura e como tinha uns quinze minutos aproveitei para contemplar o meu primeiro pôr-do-sol de primavera, junto à ria, com aqueles lindos reflexos laranjas e vermelhos nas nuvens baixas. De repente começou a tocar o tema "Europe is Our Playground" dos Suede, coloquei o som alto, já que estava sozinho. Eu mudava a letra para "Aveiro is our town"... Mas fugia já... Com a minha baby!
"Run with me baby, let your hair down
through every station, through every town
run with me baby, let's take a chance
from Heathrow to Hounslow, from the Eastern Block to France
Europe is our playground, London is our town
so run with me baby now
Run with me baby, let your hair down
through every station, through every town
run with me baby, let's make a stand
from peepshow to disco, from Spain to Camber Sands
Europe is our playground, London is our town
so run with me baby now..."
"Europe is Our Playground" - Suede
terça-feira, março 21, 2006
A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 7)
Toca o telefone. O número é omisso. Atendo e oiço do outro lado a mesma voz feminina de sempre da Fodicis (N.R.: Nome fictício):
- "Estou sim!?"
- "Estou sim, Sr. Rui Gonçalves? Daqui fala C. S. da Fodicis. Estou a telefonar para saber se tem alguma novidade do Banco BETS?"
- "Infelizmente não!" – respondo eu, com ar de seca.
- "Sabe Sr. Rui, que com a entrada de mais uma mensalidade para pagar os meus colegas das cobranças devem começar a colocar problemas e o caso pode avançar para o litigioso."
- "Compreendo, mas já fiz tudo o que posso fazer e o Banco BETS fez seguir a minha queixa e o caso está em investigação pelo Departamento de Auditoria do BSE. Infelizmente não sei de mais nada, mas vou tentar contactar o Banco BETS ainda esta semana para saber se há novos desenvolvimentos." – digo eu.
-"Ok, Sr. Rui! Vou aguardar que me diga alguma coisa!"
E desligámos.
- "Estou sim!?"
- "Estou sim, Sr. Rui Gonçalves? Daqui fala C. S. da Fodicis. Estou a telefonar para saber se tem alguma novidade do Banco BETS?"
- "Infelizmente não!" – respondo eu, com ar de seca.
- "Sabe Sr. Rui, que com a entrada de mais uma mensalidade para pagar os meus colegas das cobranças devem começar a colocar problemas e o caso pode avançar para o litigioso."
- "Compreendo, mas já fiz tudo o que posso fazer e o Banco BETS fez seguir a minha queixa e o caso está em investigação pelo Departamento de Auditoria do BSE. Infelizmente não sei de mais nada, mas vou tentar contactar o Banco BETS ainda esta semana para saber se há novos desenvolvimentos." – digo eu.
-"Ok, Sr. Rui! Vou aguardar que me diga alguma coisa!"
E desligámos.
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A minha vida dava um filme...
Nação de Agricultores
"Uns já cavaram, outros vão cavar e os que ficam são nabos!!!"
ou
"Uns já cavaram, outros vão cavar e os que ficam tem tomates!!!"
ou
"Uns já cavaram, outros vão cavar e os que ficam tem tomates!!!"
1 - 2 -3 Qual é que rejeita?
1) Concorro para um emprego* em Aveiro, sem perspectivas de futuro, e abro um negócio meu, que não tem nada a ver com a minha área de formação, e mantenho o nível e a qualidade de vida a que já me habituei. Embora, no início, perca qualidade de vida por ter que me dedicar ao arranque do negócio e nível de vida por causa do investimento. Continuo a fazer umas exposições de fotografia, umas aulas de Yoga e umas formações. A vida pouco muda.
2) Concorro para um emprego* em Lisboa, com perspectivas de futuro, onde tenho que andar todos os dias de fato e gravata, o meu nível de vida baixa durante uns tempos e a qualidade de vida vai aumentando com o tempo que lá permaneço. Não tenho tempo para formações, o Yoga de vez em quando e a fotografia só nas férias. A Cláudia muda para uma escola local e o nosso (futuro*) filho cresce num ambiente urbano. A vida muda um pouco.
3) Concorro a um emprego* em Inglaterra, onde ganho algum dinheiro, experiência pessoal e profissional, durante um meia-dúzia de anos. Tiro uma formação complementar, faço Yoga algumas vezes e viajo. A Cláudia perde o emprego cá, mas tira outra formação lá, e o nosso (futuro*) filho é educado em língua inglesa. Vivemos numa casa alugada, não temos nada de nosso, somos uns "desenraizados". A vida muda completamente.
* Só para enquadrar: Eu estou desempregado e a Cláudia está grávida.
2) Concorro para um emprego* em Lisboa, com perspectivas de futuro, onde tenho que andar todos os dias de fato e gravata, o meu nível de vida baixa durante uns tempos e a qualidade de vida vai aumentando com o tempo que lá permaneço. Não tenho tempo para formações, o Yoga de vez em quando e a fotografia só nas férias. A Cláudia muda para uma escola local e o nosso (futuro*) filho cresce num ambiente urbano. A vida muda um pouco.
3) Concorro a um emprego* em Inglaterra, onde ganho algum dinheiro, experiência pessoal e profissional, durante um meia-dúzia de anos. Tiro uma formação complementar, faço Yoga algumas vezes e viajo. A Cláudia perde o emprego cá, mas tira outra formação lá, e o nosso (futuro*) filho é educado em língua inglesa. Vivemos numa casa alugada, não temos nada de nosso, somos uns "desenraizados". A vida muda completamente.
* Só para enquadrar: Eu estou desempregado e a Cláudia está grávida.
sábado, março 18, 2006
A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 6)
Há quase dois meses, depois do telefonema da Sra. C. S. da Fodicis a comunicar-me que a conta do Banco BETS usada na transferência do dinheiro emprestado estava igualmente em meu nome, consegui o contacto de alguém dentro da instituição de modo a saber como tal era possível e expor a situação de modo a obter a tal carta confirmando que a dita conta tinha sido aberta com documentos que não eram os meus.
Assim, falei com um amigo cuja rede no LinkedIn incluía uma pessoa que trabalha no Banco BETS e pedi-lhe que me pusesse em contacto com a dita pessoa. Escrevi à pessoa em causa que de imediato entrou em contacto com a Direcção de Apoio a Clientes e em pouco tempo estava a enviar um fax, com a máxima urgência, a expor a situação, que seguiu ainda nesse mesmo dia também por correio azul para o Banco BETS. A 24 de Janeiro, o processo foi reencaminhado para o departamento de auditoria do Banco BSE, uma vez que o Banco BETS pertence ao mesmo grupo e é uma estrutura muito mais simples.
Umas duas semanas depois e como não obtinha nenhuma resposta nem do Bets nem do BSE e como a Sra. M.J.F. – o meu contacto no BETS – estava de férias, entrei em contacto com o Centro BETS no Porto. Telefonei...
- "Estou sim? Centro Banco BETS..." – responde-me uma menina do outro lado. E comecei a expor a situação:
- "Bom dia! O meu nome é Rui Gonçalves e há cerca de mês e meio fui confrontado com..." – E continuei com a história, e a meio, ouve-se um telemóvel a tocar do outro lado com a música do D'Artacão como toque. Continuei até que fui interrompido:
- "Desculpe! Mas tenho aqui outra chamada em espera..." – Interrompeu-me a menina para atender o telemóvel do D'Artacão. E ouve-se do outro lado:
- "Sim, Mãe! Já sei... Pois... Mas... 'Tá bem... Mãe, tenho aqui um senhor em linha e depois falamos, 'tá bem? 'Tá bem... Eu sei! Claro... Pois... Ok! Então vá! Até já!" – ao que voltou à minha chamada.
- "Peço desculpa!..." – ao que voltámos à minha história. Até que a um dado ponto perguntei:
- "Segundo sei não é possível abrir uma conta sem a presença física da pessoa, que quer abrir a conta, com os seus documentos. Como pode acontecer uma coisa destas?" – mas porque é que eu fui perguntar? Eu até já sabia a resposta, mas mesmo assim seguiu-se discurso institucional.
- "À altura que esta conta foi aberta, antes de Setembro de 2005, uma pessoa que desejasse abrir uma conta à ordem no Banco BETS teria que preencher um formulário na internet e a enviar por correio um contrato de abertura de conta com a instituição, previamente enviado pela instituição, acompanhada com uma cópia do bilhete de identidade, uma cópia o cartão de contribuinte e uma prova de residência que podia ser uma conta qualquer desde que a mesma estivesse em nome do 1º titular da conta a abrir. Porém depois dessa data a lei mudou e é preciso a presença física do titular da conta para que esta seja efectivamente aberta e disponibilizada. Ou seja, e como pode ver, esta conta foi aberta antes da mudança da lei sobre as instituições bancárias em Portugal." – E lá se foram mais dois ou três minutos de conversação, até que a menina conseguiu parar com a conversa que tinha mecanizada.
- "Ok! Minha senhora, de uma coisa eu tenho a certeza, não fui eu que abri essa conta e não fui eu que pedi o empréstimo em causa. A Fodicis anda a pressionar-me para apresentar uma declaração vossa para não avançar com a queixa ao Banco de Portugal. Se isso acontecer, eu estarei impedido de realizar uma série operações bancárias até que o caso seja resolvido. E quando o caso ficar resolvido, com a minha ilibação, tem consciência que irão existir pedidos de indemnização por isso? Pois o que eu quero é que nada disso aconteça, assim como a senhora, como funcionária do Banco Bets, deve querer. Por isso, minha senhora, tente saber como está o caso e o que devo dizer ao Fodicis."
- "Compreendo perfeitamente!" – disse ela – "Entrarei em contacto consigo assim que conseguir saber a informação que pretende, o mais tardar até ao fim da semana".
E ficámos por ali!
Apesar de me ter telefonado, de eu ter contactado a Sra. M.J.F. e de ter já falado com uma terceira pessoa, a resposta continua a ser a mesma "O que nos transmitem do lado do BSE é que vão entrar em contacto consigo." E que "está a ser preparada uma carta que segundo o BETS será enviada para o cliente ainda esta semana. Não dá para saber pormenores porque a auditoria não costuma dar esse tipo de informação."
E estamos nisto desde 24 de Janeiro...
(Talvez não acreditem mas o Ministério Público já fez mais que o BSE, mas esperem pelo próximo episódio da série.)
Assim, falei com um amigo cuja rede no LinkedIn incluía uma pessoa que trabalha no Banco BETS e pedi-lhe que me pusesse em contacto com a dita pessoa. Escrevi à pessoa em causa que de imediato entrou em contacto com a Direcção de Apoio a Clientes e em pouco tempo estava a enviar um fax, com a máxima urgência, a expor a situação, que seguiu ainda nesse mesmo dia também por correio azul para o Banco BETS. A 24 de Janeiro, o processo foi reencaminhado para o departamento de auditoria do Banco BSE, uma vez que o Banco BETS pertence ao mesmo grupo e é uma estrutura muito mais simples.
Umas duas semanas depois e como não obtinha nenhuma resposta nem do Bets nem do BSE e como a Sra. M.J.F. – o meu contacto no BETS – estava de férias, entrei em contacto com o Centro BETS no Porto. Telefonei...
- "Estou sim? Centro Banco BETS..." – responde-me uma menina do outro lado. E comecei a expor a situação:
- "Bom dia! O meu nome é Rui Gonçalves e há cerca de mês e meio fui confrontado com..." – E continuei com a história, e a meio, ouve-se um telemóvel a tocar do outro lado com a música do D'Artacão como toque. Continuei até que fui interrompido:
- "Desculpe! Mas tenho aqui outra chamada em espera..." – Interrompeu-me a menina para atender o telemóvel do D'Artacão. E ouve-se do outro lado:
- "Sim, Mãe! Já sei... Pois... Mas... 'Tá bem... Mãe, tenho aqui um senhor em linha e depois falamos, 'tá bem? 'Tá bem... Eu sei! Claro... Pois... Ok! Então vá! Até já!" – ao que voltou à minha chamada.
- "Peço desculpa!..." – ao que voltámos à minha história. Até que a um dado ponto perguntei:
- "Segundo sei não é possível abrir uma conta sem a presença física da pessoa, que quer abrir a conta, com os seus documentos. Como pode acontecer uma coisa destas?" – mas porque é que eu fui perguntar? Eu até já sabia a resposta, mas mesmo assim seguiu-se discurso institucional.
- "À altura que esta conta foi aberta, antes de Setembro de 2005, uma pessoa que desejasse abrir uma conta à ordem no Banco BETS teria que preencher um formulário na internet e a enviar por correio um contrato de abertura de conta com a instituição, previamente enviado pela instituição, acompanhada com uma cópia do bilhete de identidade, uma cópia o cartão de contribuinte e uma prova de residência que podia ser uma conta qualquer desde que a mesma estivesse em nome do 1º titular da conta a abrir. Porém depois dessa data a lei mudou e é preciso a presença física do titular da conta para que esta seja efectivamente aberta e disponibilizada. Ou seja, e como pode ver, esta conta foi aberta antes da mudança da lei sobre as instituições bancárias em Portugal." – E lá se foram mais dois ou três minutos de conversação, até que a menina conseguiu parar com a conversa que tinha mecanizada.
- "Ok! Minha senhora, de uma coisa eu tenho a certeza, não fui eu que abri essa conta e não fui eu que pedi o empréstimo em causa. A Fodicis anda a pressionar-me para apresentar uma declaração vossa para não avançar com a queixa ao Banco de Portugal. Se isso acontecer, eu estarei impedido de realizar uma série operações bancárias até que o caso seja resolvido. E quando o caso ficar resolvido, com a minha ilibação, tem consciência que irão existir pedidos de indemnização por isso? Pois o que eu quero é que nada disso aconteça, assim como a senhora, como funcionária do Banco Bets, deve querer. Por isso, minha senhora, tente saber como está o caso e o que devo dizer ao Fodicis."
- "Compreendo perfeitamente!" – disse ela – "Entrarei em contacto consigo assim que conseguir saber a informação que pretende, o mais tardar até ao fim da semana".
E ficámos por ali!
Apesar de me ter telefonado, de eu ter contactado a Sra. M.J.F. e de ter já falado com uma terceira pessoa, a resposta continua a ser a mesma "O que nos transmitem do lado do BSE é que vão entrar em contacto consigo." E que "está a ser preparada uma carta que segundo o BETS será enviada para o cliente ainda esta semana. Não dá para saber pormenores porque a auditoria não costuma dar esse tipo de informação."
E estamos nisto desde 24 de Janeiro...
(Talvez não acreditem mas o Ministério Público já fez mais que o BSE, mas esperem pelo próximo episódio da série.)
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A minha vida dava um filme...
quinta-feira, março 09, 2006
: : : 1-big-O [v18.0]
nihon ni kaerimasu - 10 de Março a 7 de Abril - o navio de espelhos
Em 2003 trabalhava, em Portugal, numa empresa japonesa. Depois de umas decisões estratégico-desastrosas ligadas ao lançamento no mercado chinês de um novo produto, para o qual estávamos a trabalhar há 4 anos, fui "convidado" a visitar o país do sol nascente. Assim, no período de 24 de Maio a 18 de Junho e posteriormente entre 1 e 18 de Dezembro, desse mesmo ano, estive a trabalhar no Japão.
Foi apenas um mês e meio no total, mas foi de tal maneira intenso que é difícil não cultivar um fascínio especial pelo país. Não foi por causa das longas (algumas vezes 18) horas de trabalho diárias, nem pelo trabalho ao sábado, mas pelas horas roubadas ao sono para se poder viver um bocado da cultura local durante os dias de semana e ainda pelos domingos de folga, que eram vividos desde manhã cedo, porque eram valiosas aquelas horas de "descanso".
Em 2005, uma amiga que estava num grupo de preparação de um fim-de-semana dedicado ao Japão em Aveiro, sabendo que eu lá tinha estado, convidou-me a preparar e propor uma exposição de fotografia sobre o país. No entretanto ela saiu da organização e a minha proposta para a exposição foi recusada pelo "elevado custo que o evento já estava atingir". Felizmente O Navio De Espelhos, soube aproveitar a minha proposta e a exposição arrancou, estando patente na livraria de 10 de Março a 7 de Abril de 2006.
Esta exposição tenta enquadrar as fotografias que fui tirando com alguns textos que fui escrevendo e mandando aos meus amigos, descrevendo as aventuras, desventuras, surpresas e experiências que fui absorvendo por lá. Algumas fotografias foram tiradas com pouca definição, com pouca dedicação, acima de tudo com poucas horas de sono e com muito deslumbramento. Algumas nem seria dignas de uma exposição e muitas outras mereceriam ser mostradas. Mas penso que é o todo que conta e mesmo que sejam só 20 fotografias expostas com os textos, haverão outras que serão mostradas e comentadas na inauguração e que não estão aqui.
Espero que gostem e que apareçam, a 10 de Março, para uma conversa e um Sakê.
Para quem não pode vir, pode ver a exposição em http://ruigo.net/fotog/expo/nihon/
http://www.onaviodeespelhos.com/
quarta-feira, março 01, 2006
A minha vida dava um filme do Tony Scott
Hoje marcaram-me uma reunião com um engenheiro da parte técnica de uma empresa de gás por causa de uma ligação via internet entre a empresa de um amigo e essa mesma empresa. Cheguei ao armazém onde era a reunião e no entretanto esperei. A reunião era às 14:30 e às 14:25 recebi uma chamada dizendo que estava atrasado e que não iria lá estar antes das 15:00.
Voltei às 15:00. Uns 10m depois passa um carro e o ocupante, um velho conhecido da universidade, olha para o armazém como se procurasse algo. Estacionou! Era o tal engenheiro... Que afinal vinha instalar o software de suporte à VPN (virtual private network) mas que não o podia fazer porque ali não havia nenhum PC, nem tão pouco uma ligação à internet (nesta altura devia de tocar, como banda sonora, o tema "Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto não tinha nada, ninguém vivia nela não, porque na casa não tinha chão, ...").
Nisto toca de novo o meu telemóvel. O número não está disponível. Atendo pois esperava uma chamada. E oiço:
- "Escuse me! Is this Rui Gonçalves phone number?" – diz uma voz feminina do outro lado, com um sotaque britânico.
- "Yes, it's me!" – respondo, sem saber bem o que dizer. E muito despachada, a senhora do outro lado, diz:
- "This is from an IT consulting company, I found your CV on the internet and I am phoning to wonder if you are considering prospecting jobs in UK."
Por momentos penso no telefonema da tarde anterior... "Será a mesma empresa? Será alguém que leu o meu blog e resolveu gozar comigo?"
- "Not at the moment..." – gaguejei, enquanto pensava o que iria dizer a seguir – "... but I might consider it in a few months time." – disse considerando não desperdiçar a coisa completamente (nunca se sabe).
- "Do you mind if I keep your data on our files and phone you back in a few months?" – perguntou a tipa.
- "No! Not at all!"
- "Thank you! Get back to you soon!" – disse antes de desligar.
Olhei para o meu ex-colega e sem saber o que dizer...
Voltei às 15:00. Uns 10m depois passa um carro e o ocupante, um velho conhecido da universidade, olha para o armazém como se procurasse algo. Estacionou! Era o tal engenheiro... Que afinal vinha instalar o software de suporte à VPN (virtual private network) mas que não o podia fazer porque ali não havia nenhum PC, nem tão pouco uma ligação à internet (nesta altura devia de tocar, como banda sonora, o tema "Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto não tinha nada, ninguém vivia nela não, porque na casa não tinha chão, ...").
Nisto toca de novo o meu telemóvel. O número não está disponível. Atendo pois esperava uma chamada. E oiço:
- "Escuse me! Is this Rui Gonçalves phone number?" – diz uma voz feminina do outro lado, com um sotaque britânico.
- "Yes, it's me!" – respondo, sem saber bem o que dizer. E muito despachada, a senhora do outro lado, diz:
- "This is from an IT consulting company, I found your CV on the internet and I am phoning to wonder if you are considering prospecting jobs in UK."
Por momentos penso no telefonema da tarde anterior... "Será a mesma empresa? Será alguém que leu o meu blog e resolveu gozar comigo?"
- "Not at the moment..." – gaguejei, enquanto pensava o que iria dizer a seguir – "... but I might consider it in a few months time." – disse considerando não desperdiçar a coisa completamente (nunca se sabe).
- "Do you mind if I keep your data on our files and phone you back in a few months?" – perguntou a tipa.
- "No! Not at all!"
- "Thank you! Get back to you soon!" – disse antes de desligar.
Olhei para o meu ex-colega e sem saber o que dizer...
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A minha vida dava um filme...
terça-feira, fevereiro 28, 2006
A minha vida dava um filme do Brett Ratner
Hoje vinha a conduzir o meu Colt na A24, a subir da Régua para Bigorne. Quase no topo da serra do Montemuro toca o telemóvel (já não tocava há dois dias). O número não está disponível. Por segundos pensei na senhora do tal empréstimo que nunca fiz, mas atendi.
Do outro lado oiço uma senhora a falar em inglês com um sotaque carregado, muito próximo do indiano, mas provavelmente não o era:
- "Sorry, this is from a consulting company. Is this the phone of Rui Manuel?"
- "Yes!" – disse eu a pensar quem seria que me tentava enganar àquela hora num feriado. Só podia ser de Inglaterra, porque lá não era feriado... A Gisela? Decidi colaborar na brincadeira.
- "Mr. Rui Manuel, I found your CV on the internet and I am phoning to see if you are considering a job in UK." – continuou a senhora do outro lado.
Bem, não me parece brincadeira. Aliás porque a Gisela não conseguia imitar tão bem aquele sotaque.
- "No! Not at the moment! Thank you!" – disse eu.
- "Ok! I just decide to phone to check it out before sending you any job proposition. Thank you anyway." – e desligou.
Pousei o telefone e continuei a conduzir de volta a casa, pensando o que aconteceria se tivesse dito que sim...
Do outro lado oiço uma senhora a falar em inglês com um sotaque carregado, muito próximo do indiano, mas provavelmente não o era:
- "Sorry, this is from a consulting company. Is this the phone of Rui Manuel?"
- "Yes!" – disse eu a pensar quem seria que me tentava enganar àquela hora num feriado. Só podia ser de Inglaterra, porque lá não era feriado... A Gisela? Decidi colaborar na brincadeira.
- "Mr. Rui Manuel, I found your CV on the internet and I am phoning to see if you are considering a job in UK." – continuou a senhora do outro lado.
Bem, não me parece brincadeira. Aliás porque a Gisela não conseguia imitar tão bem aquele sotaque.
- "No! Not at the moment! Thank you!" – disse eu.
- "Ok! I just decide to phone to check it out before sending you any job proposition. Thank you anyway." – e desligou.
Pousei o telefone e continuei a conduzir de volta a casa, pensando o que aconteceria se tivesse dito que sim...
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sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Curling
Já vos disse que gosto de ver Curling?
Vivam os Canadianos e as Suecas!
Vivam os Canadianos e as Suecas!
Premiar o mérito
A semana passada no caderno emprego do jornal Expresso chamava a atenção na capa, com "Meritocracia – lugar à competência", para um artigo que questionava, logo no início "Em Portugal impera a cultura da meritocracia ou ainda prevalece o factor 'cunha'?".
O artigo não diz nada de novo, aliás é apenas a colagem mal feita de uma série de dados e declarações de uns tantos professores. Gostei de ver a dada altura, quando um tal de Rafael Mora, que supostamente é um "partner" da consultora Heidrick & Struggles, que diz que "há já vários casos de sucesso de gestão pelo mérito em Portugal", que até posso concordar. Mas, quando ele enumera alguns exemplos e neles inclui casos como a PT e a Galp, escrevi o nome da consultora no meu Moleskine para me lembrar de NUNCA lhes pedir qualquer tipo de consultoria.
Mais adiante gostei do que escreveu a Sra. Maria Márcia Trigo, docente e directora da Business School da UAI em Portugal, quando afirma "os talentos são mais incómodos para as organizações porque questionam e se questionam, são muito exigentes com as chefias, com as condições de trabalho, precisam de maior espaço de decisão, convivem mal com as injustiças, não suportam burocracias e exercem grande pressão sobre os colegas, as chefias e administração". E acaba dizendo "este mercado global do talento que está em expansão, assusta empresários, executivos, quadros e até os próprios talentosos".
Eu não me considero um talentoso, mas tenho a mesma sensação quando trabalho numa empresa em Portugal (não o senti tanto em Inglaterra). Pelos vistos sou eu que tenho que mudar, porque as empresas não vão mudar. Se calhar tenho que deixar de ter espírito empreendedor, e achar que consigo mudar as empresas para melhor. Afinal de contas as empresas querem continuar a ser más! Amadoras, mas descansadas...
E o mesmo se passa no recrutamento. Quando recebo um mail a dizer "a sua candidatura não se enquadra no perfil definido para o recrutamento dos actuais projectos" de uma tal empresa, depois de ter ido a quatro entrevistas e as pessoas se mostrarem interessadas no meu perfil. E dias depois fazem uma proposta a vários colegas meus com qualificações inferiores às minhas, sem nunca me terem proposto nada, só me faz pensar que afinal tenho currículo a mais e não se premeia o mérito.
Se calhar sou "muita areia para muita camioneta". Serei assim tanta "areia"... Ou as "camionetas" é que são pequenas e não querem levar tanta "areia". Para quê? É mais confortável levar a "areia" que sempre levaram.
Eu aprendo a ser "areia"! Que arranha a engrenagem?
O artigo não diz nada de novo, aliás é apenas a colagem mal feita de uma série de dados e declarações de uns tantos professores. Gostei de ver a dada altura, quando um tal de Rafael Mora, que supostamente é um "partner" da consultora Heidrick & Struggles, que diz que "há já vários casos de sucesso de gestão pelo mérito em Portugal", que até posso concordar. Mas, quando ele enumera alguns exemplos e neles inclui casos como a PT e a Galp, escrevi o nome da consultora no meu Moleskine para me lembrar de NUNCA lhes pedir qualquer tipo de consultoria.
Mais adiante gostei do que escreveu a Sra. Maria Márcia Trigo, docente e directora da Business School da UAI em Portugal, quando afirma "os talentos são mais incómodos para as organizações porque questionam e se questionam, são muito exigentes com as chefias, com as condições de trabalho, precisam de maior espaço de decisão, convivem mal com as injustiças, não suportam burocracias e exercem grande pressão sobre os colegas, as chefias e administração". E acaba dizendo "este mercado global do talento que está em expansão, assusta empresários, executivos, quadros e até os próprios talentosos".
Eu não me considero um talentoso, mas tenho a mesma sensação quando trabalho numa empresa em Portugal (não o senti tanto em Inglaterra). Pelos vistos sou eu que tenho que mudar, porque as empresas não vão mudar. Se calhar tenho que deixar de ter espírito empreendedor, e achar que consigo mudar as empresas para melhor. Afinal de contas as empresas querem continuar a ser más! Amadoras, mas descansadas...
E o mesmo se passa no recrutamento. Quando recebo um mail a dizer "a sua candidatura não se enquadra no perfil definido para o recrutamento dos actuais projectos" de uma tal empresa, depois de ter ido a quatro entrevistas e as pessoas se mostrarem interessadas no meu perfil. E dias depois fazem uma proposta a vários colegas meus com qualificações inferiores às minhas, sem nunca me terem proposto nada, só me faz pensar que afinal tenho currículo a mais e não se premeia o mérito.
Se calhar sou "muita areia para muita camioneta". Serei assim tanta "areia"... Ou as "camionetas" é que são pequenas e não querem levar tanta "areia". Para quê? É mais confortável levar a "areia" que sempre levaram.
Eu aprendo a ser "areia"! Que arranha a engrenagem?
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
: : : 1-big-O [v17.0]
in Diário de Aveiro - Clip - 16 de Fevereiro de 2006
A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 5)
Há duas semanas telefonei para a Fodicis e pedi para falar com a Sra. C. S., que me tinha ligado no dia anterior mas que não me tinha apanhado.
- "Boa tarde! Daqui fala o ENGENHEIRO Rui Gonçalves que tenho aí um caso pendente de um empréstimo que nunca realizei!" – disse eu, testando até que ponto um título ainda é importante neste país.
- "Boa tarde! Sr... Sr. Engenhei... Sr. Rui Gonçalves..." – gaguejou – "o que se passa é que lhe queria comunicar que o dossiê passará a partir de amanhã para as mãos do departamento de pré-contencioso e que portanto deixará de estar nas minhas mãos!"
- "Ok! Eu também lhe queria comunicar que o Banco BETS, como deve compreender, ainda está em investigação e por isso ainda não tenho mais dados para lhe fornecer." – disse eu.
- "Obrigado, Sr. Rui, agradeço-lhe que assim que tiver mais dados a fornecer à Fodicis que o faça o mais rapidamente possível."
E ficámos por ali...
- "Boa tarde! Daqui fala o ENGENHEIRO Rui Gonçalves que tenho aí um caso pendente de um empréstimo que nunca realizei!" – disse eu, testando até que ponto um título ainda é importante neste país.
- "Boa tarde! Sr... Sr. Engenhei... Sr. Rui Gonçalves..." – gaguejou – "o que se passa é que lhe queria comunicar que o dossiê passará a partir de amanhã para as mãos do departamento de pré-contencioso e que portanto deixará de estar nas minhas mãos!"
- "Ok! Eu também lhe queria comunicar que o Banco BETS, como deve compreender, ainda está em investigação e por isso ainda não tenho mais dados para lhe fornecer." – disse eu.
- "Obrigado, Sr. Rui, agradeço-lhe que assim que tiver mais dados a fornecer à Fodicis que o faça o mais rapidamente possível."
E ficámos por ali...
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terça-feira, janeiro 24, 2006
A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 4)
Ontem ao fim do dia! Toca o telemóvel. O número é omisso. Atendo e oiço do outro lado a mesma voz feminina de sempre da Fodicis (N.R.: Nome fictício):
- "Estou sim!?"
- "Estou sim, Sr. Rui Gonçalves? Daqui fala C. S. da Fodicis..."
- "Sim?" – respondi, disparando o meu batimento cardíaco prevendo o que viria a seguir.
- "O departamento de investigação da Fodicis depois de uma pequena análise ao seu processo devolveu-o ao departamento de cobranças, uma vez que a conta para onde foi efectuada a transferência da quantia relativa ao empréstimo aqui contraído, está em nome de Rui Manuel Carneiro Gonçalves."
Acalmei! Sentei-me e ela continuou:
- "Pelo que agradecíamos que nos enviasse uma declaração do banco em como não é a pessoa que abriu essa conta! E gostaríamos de ter isso até ao fim desta semana..."
"Ok!" – pensei eu – "Vocês demoram dois meses a contactarem-me por um empréstimo que não fiz, um mês para verem que afinal transferiram o dinheiro para uma conta que não abri e agora querem que o banco demore uma semana a passar uma declaração a ilibar-me de qualquer culpa no caso!"
- "Percebi, minha senhora!" – respondi, não tendo mais nada para dizer no momento.
Desliguei!
- "Estou sim!?"
- "Estou sim, Sr. Rui Gonçalves? Daqui fala C. S. da Fodicis..."
- "Sim?" – respondi, disparando o meu batimento cardíaco prevendo o que viria a seguir.
- "O departamento de investigação da Fodicis depois de uma pequena análise ao seu processo devolveu-o ao departamento de cobranças, uma vez que a conta para onde foi efectuada a transferência da quantia relativa ao empréstimo aqui contraído, está em nome de Rui Manuel Carneiro Gonçalves."
Acalmei! Sentei-me e ela continuou:
- "Pelo que agradecíamos que nos enviasse uma declaração do banco em como não é a pessoa que abriu essa conta! E gostaríamos de ter isso até ao fim desta semana..."
"Ok!" – pensei eu – "Vocês demoram dois meses a contactarem-me por um empréstimo que não fiz, um mês para verem que afinal transferiram o dinheiro para uma conta que não abri e agora querem que o banco demore uma semana a passar uma declaração a ilibar-me de qualquer culpa no caso!"
- "Percebi, minha senhora!" – respondi, não tendo mais nada para dizer no momento.
Desliguei!
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quarta-feira, janeiro 18, 2006
Os Rui Gonçalves (2)
"The Portuguese rider Rui Goncalves has signed a deal with Team Silver Action KTM for 2006. The number ten of the world will stay in the MX2 class and will go out on a KTM 250F."
in Rui Goncalves
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Os Rui Gonçalves (1)
"Rui Goncalves ou "Mister feijoada", como os colegas da banda lhe chamam é a alma musical do conjunto. Mesmo sendo o mais novo da turma é quem se ocupa principalmente com os arranjos musicais, quer dizer, até agora tem sido........como casou neste verão vamos lá ver se continua assim. Queremos que sim, pois como organista da comunidade católica de Wiesbaden tem toda a ajuda necessária de "lá de cima"........ Para além disso é o senhor da claviatura e por consequencia o Keyboarder e segundo vocalista da banda."
in Banda Dóminó
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Loki
Há coisas que sempre me fascinaram e a imaginação humana é uma delas. Sempre gostei da maneira como nós humanos interpretámos aquilo para o qual não temos explicação. E os deuses e os mitos são fruto dessa necessidade da imaginação humana em justificar esses fenómenos inexplicáveis.
Outra coisa que me fascina é a diversidade cultural do mundo onde vivemos (já não falo no universo, porque ainda não tive nenhum contacto extraterrestre). Se juntarmos as duas coisas obtemos uma infindável fonte de histórias de uma poesia inacreditável.
Há dias li a história de um deus da mitologia nórdica chamado Loki e que conseguiu derrotar o deus trovão Thor. Na história, Loki era um deus que apenas queria atenção e por isso era um frustado, e assim achou que ao aprisionar Thor poderia tomar o seu lugar.
A história não era má! Era em banda desenhada e os desenhos eram muito bons. Não é uma obra prima mas fez-me procurar saber o fundamento daquela história e em como aquilo se assemelhava aos mitos nórdicos.
Descobri então que o final do livro é mesmo baseado na mitologia (para além de grande parte dos episódios dessa história). Assim, quando Thor, que se encontra agrilhoado, se liberta e derrota Loki, este é condenado pela morte de um terceiro deus – Balder o deus da luz. Loki é condenado a ficar agrilhoado a três rocha para a eternidade. Sobre a sua cabeça fica uma cobra venenosa, cujo o veneno a sua esposa dedicada – Sigyn – apanha num recipiente. Porém de tempos a tempos o recipiente enche e Sigyn tem que o despejar caindo o veneno sobre a cabeça de Loki, que com as dores daí resultantes origina os terramotos.
terça-feira, dezembro 27, 2005
Resoluções de 2005
Há um ano deixei aqui as minhas resoluções para 2005. 12 meses depois chegou a altura de fazer uma análise sobre o que realmente cumpri dessas resoluções. E assim analisar quais as minhas resoluções para o ano que vem.
A primeira resolução do ano passado continua sempre em contínuo desenvolvimento. Depois do escritório, do quarto dos hóspedes, do aquecimento, seguiu-se a cozinha e umas coisas novas no quarto. Nunca telefonámos ao homem da lenha, mas arranjei o autoclismo. Espera-me ainda os anexos, que estão muito próximos das imagens que há um ano víamos vindas da Tailândia.
A segunda resolução foi até ampliada para além do que disse nessa altura. Ainda tenho a Vespa do PP, mas sei que ele em breve a quererá de volta e se não a quiser eu próprio a devolverei. Nessa altura compro uma para mim, porque gosto mesmo da liberdade que me dá um veículo de duas rodas. Mas, há um mês comprámos um carrito novo (em segunda mão). Mantivemos o jipe, mas com a subida do preço do gasóleo e com o inverno à porta quisemos melhorar a nossa conta bancária mensalmente, poluir menos e melhorar as minhas deslocações em tempo de chuva.
A terceira resolução continua a ser a alegria da casa. A Cinzas! E até já conseguiu que a minha sobrinha mais velha tenha perdido parte do seu pavor aos animais.
Quarta resolução! A minha (nossa) positividade. Confesso que houve recaídas graves aquando da minha mudança de emprego e que houve alturas que me custou mesmo ver os cinzentos. Mas a prova de que estou mais positivo é a história sobre o "empréstimo", que toda a gente mete as mãos na cabeça quando ouve e que nós encarámos com a maior das calmas (embora tenha noção que ainda vá dar chatices). Além disso em breve estarei de novo entre-empregos (aquilo que normalmente chamariam de desemprego) e só penso nisso com uma ansiedade enorme apenas porque queria que fosse já amanhã.
Sobre o Yoga e a importância que isso tem para a minha vida, e que na altura pus aqui como quinta resolução, só penso que poderia fazer muito mais e que houve alturas que fui preguiçoso. Mas Yoga não é só ir às aulas e fazer umas posturas bonitas. Yoga é aplicado em tudo o que fazemos. E o que disse no parágrafo anterior é Yoga. Mas ainda não consegui chegar aos 70 Kgs, embora queira ter como resolução este ano (novamente) perder uns quilos. Sim! Porque este ano em vez de perder ganhei...
Houve resoluções que temia não cumprir, porque estavam mais no nível do sonho ou porque sabia que não me seria permitido despender esse tempo ou dinheiro. Como aquela de tirar um curso para professor de Yoga. O que eu queria tirar era em Inglaterra, mas é impraticável em termos económicos ou mesmo em termo de disponibilidade temporal. Mas pode ser que o curso venha a Portugal e eu vou agora a Londres, em Janeiro, experimentar o "duro" exercício de meditar em grupo durante 12 horas, o que me dará de certeza para pensar bem nesta resolução.
A casa da minha avó em Almendra também estava nas minhas resoluções deste ano que agora acaba. Confesso que fizemos um esforço enorme para a limpar. Um esforço tão grande que a vontade de lá voltar diminuiu. Tenho imensa saudades daquilo tudo, mas a casa não tem as condições ideais para ser usada no Inverno, mas espero poder usá-la mais na primavera.
Quanto ao leitor de CDs... Ganhei um Zen Micro!!!!
Durante os próximos dias de férias pensarei que resoluções tomarei para 2006. Não sei se farei como as resoluções que (não) tomei em termos profissionais em 2005 e que afinal de contas foi a área da minha vida que mais dominou o ano. Se calhar foi precisamente porque não tomei nenhuma resolução e assim não tinha objectivos. Mas este ano penso tomar algumas resoluções em termos profissionais ou em termos de carreira, porque provavelmente a minha vida será mais dominada pelo sector pessoal, e não posso permitir que haja outros sectores tão exigentes para com o meu tempo.
Até para a semana!
A primeira resolução do ano passado continua sempre em contínuo desenvolvimento. Depois do escritório, do quarto dos hóspedes, do aquecimento, seguiu-se a cozinha e umas coisas novas no quarto. Nunca telefonámos ao homem da lenha, mas arranjei o autoclismo. Espera-me ainda os anexos, que estão muito próximos das imagens que há um ano víamos vindas da Tailândia.
A segunda resolução foi até ampliada para além do que disse nessa altura. Ainda tenho a Vespa do PP, mas sei que ele em breve a quererá de volta e se não a quiser eu próprio a devolverei. Nessa altura compro uma para mim, porque gosto mesmo da liberdade que me dá um veículo de duas rodas. Mas, há um mês comprámos um carrito novo (em segunda mão). Mantivemos o jipe, mas com a subida do preço do gasóleo e com o inverno à porta quisemos melhorar a nossa conta bancária mensalmente, poluir menos e melhorar as minhas deslocações em tempo de chuva.
A terceira resolução continua a ser a alegria da casa. A Cinzas! E até já conseguiu que a minha sobrinha mais velha tenha perdido parte do seu pavor aos animais.
Quarta resolução! A minha (nossa) positividade. Confesso que houve recaídas graves aquando da minha mudança de emprego e que houve alturas que me custou mesmo ver os cinzentos. Mas a prova de que estou mais positivo é a história sobre o "empréstimo", que toda a gente mete as mãos na cabeça quando ouve e que nós encarámos com a maior das calmas (embora tenha noção que ainda vá dar chatices). Além disso em breve estarei de novo entre-empregos (aquilo que normalmente chamariam de desemprego) e só penso nisso com uma ansiedade enorme apenas porque queria que fosse já amanhã.
Sobre o Yoga e a importância que isso tem para a minha vida, e que na altura pus aqui como quinta resolução, só penso que poderia fazer muito mais e que houve alturas que fui preguiçoso. Mas Yoga não é só ir às aulas e fazer umas posturas bonitas. Yoga é aplicado em tudo o que fazemos. E o que disse no parágrafo anterior é Yoga. Mas ainda não consegui chegar aos 70 Kgs, embora queira ter como resolução este ano (novamente) perder uns quilos. Sim! Porque este ano em vez de perder ganhei...
Houve resoluções que temia não cumprir, porque estavam mais no nível do sonho ou porque sabia que não me seria permitido despender esse tempo ou dinheiro. Como aquela de tirar um curso para professor de Yoga. O que eu queria tirar era em Inglaterra, mas é impraticável em termos económicos ou mesmo em termo de disponibilidade temporal. Mas pode ser que o curso venha a Portugal e eu vou agora a Londres, em Janeiro, experimentar o "duro" exercício de meditar em grupo durante 12 horas, o que me dará de certeza para pensar bem nesta resolução.
A casa da minha avó em Almendra também estava nas minhas resoluções deste ano que agora acaba. Confesso que fizemos um esforço enorme para a limpar. Um esforço tão grande que a vontade de lá voltar diminuiu. Tenho imensa saudades daquilo tudo, mas a casa não tem as condições ideais para ser usada no Inverno, mas espero poder usá-la mais na primavera.
Quanto ao leitor de CDs... Ganhei um Zen Micro!!!!
Durante os próximos dias de férias pensarei que resoluções tomarei para 2006. Não sei se farei como as resoluções que (não) tomei em termos profissionais em 2005 e que afinal de contas foi a área da minha vida que mais dominou o ano. Se calhar foi precisamente porque não tomei nenhuma resolução e assim não tinha objectivos. Mas este ano penso tomar algumas resoluções em termos profissionais ou em termos de carreira, porque provavelmente a minha vida será mais dominada pelo sector pessoal, e não posso permitir que haja outros sectores tão exigentes para com o meu tempo.
Até para a semana!
Cândido-actozinho (Tenho fome)
Fim da greve de fome do candidato Botelho Ribeiro
"O candidato Luís Botelho Ribeiro agradece aos cidadãos, apoiantes e jornalistas as numerosas manifestações de solidariedade recebidas durante a greve de fome de dois dias, agora terminada...
A greve foi interrompida por se ter conseguido o essencial das reivindicações e também pela necessidade de atender uma situação familiar de carácter urgente."
in Nota de Imprensa do Candidato
"O candidato Luís Botelho Ribeiro agradece aos cidadãos, apoiantes e jornalistas as numerosas manifestações de solidariedade recebidas durante a greve de fome de dois dias, agora terminada...
A greve foi interrompida por se ter conseguido o essencial das reivindicações e também pela necessidade de atender uma situação familiar de carácter urgente."
in Nota de Imprensa do Candidato
sábado, dezembro 24, 2005
Boas Festas
Este ano não mandei postais, não vou mandar SMSs e nem telefonar a ninguém a desejar Boas Festas! Tirando os postais em si, cujo dinheiro podia reverter para programas de solidariedade, todos os outros servem apenas para engrossar a conta de alguns.
Por isso:
Bom Natal e Feliz Ano Novo a todos!!!

Por isso:
Bom Natal e Feliz Ano Novo a todos!!!
sexta-feira, dezembro 23, 2005
A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 3)
Quinta-feira. Saio do emprego e vou na Vespa entre o trânsito, que nesta altura e aqui perto do Centro Comercial é imenso, e sinto o telemóvel vibrar no bolso do casaco. Paro! O número é omisso. Atendo e, enquanto tiro o capacete, digo:
- "Aguarde um momento, por favor!" – sem conseguir o que dizem do outro lado.
Quando finalmente consigo atender oiço a voz da senhora da Fodicis (N.R.: Nome fictício) que está responsável pelo "meu" processo do empréstimo que nunca fiz:
- "Estou sim? Sr. Rui Gonçalves? Recepcionámos a sua exposição, porém eu tinha lhe pedido para anexar a cópia da queixa-crime que efectuou na polícia" – disse ela, bastante mais simpática.
- "Eu enviei a notificação que me foi dada pela polícia!"
- "Pois mas o Departamento Jurídico da Fodicis necessita da cópia da queixa-crime e não a notificação, Sr. Rui."
- "Peço imensa desculpa, mas isso foi tudo o que me foi dado pela polícia, mas amanhã eu irei à polícia pedir a cópia da queixa-crime."
- "Obrigado, Sr. Rui. E boa noite!"
- "Boa noite!" – grunhi entre dentes e desliguei.
Hoje de manhã dirijo-me à esquadra de polícia onde efectuei a denúncia e pergunto ao polícia se seria possível facultar-me uma cópia da queixa-crime que efectuei na segunda-feira. A resposta foi simples "Nós não fornecemos nenhuma cópia dessa espécie" - disse-me o polícia simpaticamente - "mas dirija-se à nova esquadra e aos serviços de investigação criminal e eles pode ser que lhe facultem alguma coisa desse género".
Atravesso a cidade em ante-véspera de Natal, com um trânsito caótico e chego à nova esquadra, cuja existência desconhecia e cuja existência preferia continuar a desconhecer.
Entro e explico a situação. Nisto entra um guarda da GNR. O Sr. PSP interrompe-me, pedindo desculpa e dirigindo-se ao soldado que acabou de chegar, pergunta:
- "Que deseja?"
- "Era shó pra intregar eishto! É do shenhore cumandante!" – diz o Sr. GNR esticando uma prenda de Natal.
Após a saída do Sr. GNR, volto a explicar a minha situação. Resposta: "Nós não fornecemos nenhuma cópia dessa espécie" - disse-me o polícia - "mas dirija-se aos serviços de investigação criminal, na primeira porta à direita naquele corredor, e eles pode ser que lhe facultem alguma coisa desse género".
Entro na sala dos serviços de investigação criminal, onde estão três mulheres. Uma, de frente, no computador a digitar alguma coisa, outra com um monte de papéis e a terceira, de costas, na máquina de fotocópias.
- "Bom dia!" – digo timidamente. Nada muda na sala, até que um minuto depois dão pela minha presença. Explico a situação e a senhora que estava com o molho de papéis levanta a cabeça e diz:
- "Os senhores da Fodicis sabem muito bem que nós aqui não podemos fornecer a cópia da queixa-crime, porque uma vez feita a denúncia isso entra em segredo de justiça!" – disse ela com um tom algo gelado – "Porém posso lhe passar uma declaração dizendo que a fez e em que termos a fez!"
- "Ok! Isso deve servir!" – disse eu ainda mais intimidado.
- "Qual é o número da sua queixa?" – diz ela com um tom semelhante ao da minha professora primária quando fazíamos asneiras.
E ali estive uns 10 minutos enquanto escrevia a declaração no computador. Quando acabou levantou-se e passou por mim, já esboçando um sorriso e foi pedir a assinatura do comandante.
A meio da tarde telefono para a Fodicis:
- "Fodicis ! Bom dia!" - dizem do outro lado.
- "Boa tarde! Queria falar com a senhora C. S., se faz favor!" – disse eu.
- "É cliente da Fodicis?"
- "Não sou cliente, mas infelizmente parece que sou"- disse eu. Ao que seguiu o pedido do número de contribuinte e a posterior passagem da chamada para a pessoa que está a gerir o "meu" processo.
- "Estou sim? Sr. Rui." – diz ela, toda simpática.
- "Boa tarde! Eu fui à polícia e disseram-me que os senhores já deviam de saber que eles não fornecem a cópia da queixa-crime por estar em segredo de justiça. Mas passaram-me uma declaração em como a apresentei e em que moldes o fiz."
Resposta:
- "Mas era mesmo isso que eu tinha falado!" – disse ela, enquanto eu pensava para comigo "Óbvio!".
- "Aguarde um momento, por favor!" – sem conseguir o que dizem do outro lado.
Quando finalmente consigo atender oiço a voz da senhora da Fodicis (N.R.: Nome fictício) que está responsável pelo "meu" processo do empréstimo que nunca fiz:
- "Estou sim? Sr. Rui Gonçalves? Recepcionámos a sua exposição, porém eu tinha lhe pedido para anexar a cópia da queixa-crime que efectuou na polícia" – disse ela, bastante mais simpática.
- "Eu enviei a notificação que me foi dada pela polícia!"
- "Pois mas o Departamento Jurídico da Fodicis necessita da cópia da queixa-crime e não a notificação, Sr. Rui."
- "Peço imensa desculpa, mas isso foi tudo o que me foi dado pela polícia, mas amanhã eu irei à polícia pedir a cópia da queixa-crime."
- "Obrigado, Sr. Rui. E boa noite!"
- "Boa noite!" – grunhi entre dentes e desliguei.
Hoje de manhã dirijo-me à esquadra de polícia onde efectuei a denúncia e pergunto ao polícia se seria possível facultar-me uma cópia da queixa-crime que efectuei na segunda-feira. A resposta foi simples "Nós não fornecemos nenhuma cópia dessa espécie" - disse-me o polícia simpaticamente - "mas dirija-se à nova esquadra e aos serviços de investigação criminal e eles pode ser que lhe facultem alguma coisa desse género".
Atravesso a cidade em ante-véspera de Natal, com um trânsito caótico e chego à nova esquadra, cuja existência desconhecia e cuja existência preferia continuar a desconhecer.
Entro e explico a situação. Nisto entra um guarda da GNR. O Sr. PSP interrompe-me, pedindo desculpa e dirigindo-se ao soldado que acabou de chegar, pergunta:
- "Que deseja?"
- "Era shó pra intregar eishto! É do shenhore cumandante!" – diz o Sr. GNR esticando uma prenda de Natal.
Após a saída do Sr. GNR, volto a explicar a minha situação. Resposta: "Nós não fornecemos nenhuma cópia dessa espécie" - disse-me o polícia - "mas dirija-se aos serviços de investigação criminal, na primeira porta à direita naquele corredor, e eles pode ser que lhe facultem alguma coisa desse género".
Entro na sala dos serviços de investigação criminal, onde estão três mulheres. Uma, de frente, no computador a digitar alguma coisa, outra com um monte de papéis e a terceira, de costas, na máquina de fotocópias.
- "Bom dia!" – digo timidamente. Nada muda na sala, até que um minuto depois dão pela minha presença. Explico a situação e a senhora que estava com o molho de papéis levanta a cabeça e diz:
- "Os senhores da Fodicis sabem muito bem que nós aqui não podemos fornecer a cópia da queixa-crime, porque uma vez feita a denúncia isso entra em segredo de justiça!" – disse ela com um tom algo gelado – "Porém posso lhe passar uma declaração dizendo que a fez e em que termos a fez!"
- "Ok! Isso deve servir!" – disse eu ainda mais intimidado.
- "Qual é o número da sua queixa?" – diz ela com um tom semelhante ao da minha professora primária quando fazíamos asneiras.
E ali estive uns 10 minutos enquanto escrevia a declaração no computador. Quando acabou levantou-se e passou por mim, já esboçando um sorriso e foi pedir a assinatura do comandante.
A meio da tarde telefono para a Fodicis:
- "Fodicis ! Bom dia!" - dizem do outro lado.
- "Boa tarde! Queria falar com a senhora C. S., se faz favor!" – disse eu.
- "É cliente da Fodicis?"
- "Não sou cliente, mas infelizmente parece que sou"- disse eu. Ao que seguiu o pedido do número de contribuinte e a posterior passagem da chamada para a pessoa que está a gerir o "meu" processo.
- "Estou sim? Sr. Rui." – diz ela, toda simpática.
- "Boa tarde! Eu fui à polícia e disseram-me que os senhores já deviam de saber que eles não fornecem a cópia da queixa-crime por estar em segredo de justiça. Mas passaram-me uma declaração em como a apresentei e em que moldes o fiz."
Resposta:
- "Mas era mesmo isso que eu tinha falado!" – disse ela, enquanto eu pensava para comigo "Óbvio!".
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A minha vida dava um filme...
A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 2)
Segunda-feira de tarde. Toca o telemóvel. O número é omisso. Atendo e oiço do outro lado a mesma voz feminina da quinta-feira passada:
- "Estou sim? Sr. Rui Gonçalves?" – disse ela num tom bastante mais cordial.
- "Sim! Sou eu!" – digo eu muito seco.
- "Gostava de lhe pedir desculpa pelo facto de não o ter podido receber na sexta-feira quando aqui veio às nossas instalações."
- "Ok!" – digo eu num tom ainda mais seco, pensado no facto de que nunca me tinha informado que nesse dia fechavam mais cedo porque havia festa de Natal da empresa, e no facto de 13 minutos depois das 17:00 (a hora de fecho extraordinária) já não estar no local de trabalho para me "receber".
- "E gostaria também de lhe pedir que me enviasse anexa à exposição que vai fazer a cópia da queixa-crime que vai efectuar na polícia."
- "Ok!" – grunhi.
- "Pronto! Então agradeço-lhe que me envie essa informação o mais tardar até sexta-feira. Obrigado e boa tarde." – disse já num tom mais exigente.
- "Boa tarde!" - E desliguei!
- "Estou sim? Sr. Rui Gonçalves?" – disse ela num tom bastante mais cordial.
- "Sim! Sou eu!" – digo eu muito seco.
- "Gostava de lhe pedir desculpa pelo facto de não o ter podido receber na sexta-feira quando aqui veio às nossas instalações."
- "Ok!" – digo eu num tom ainda mais seco, pensado no facto de que nunca me tinha informado que nesse dia fechavam mais cedo porque havia festa de Natal da empresa, e no facto de 13 minutos depois das 17:00 (a hora de fecho extraordinária) já não estar no local de trabalho para me "receber".
- "E gostaria também de lhe pedir que me enviasse anexa à exposição que vai fazer a cópia da queixa-crime que vai efectuar na polícia."
- "Ok!" – grunhi.
- "Pronto! Então agradeço-lhe que me envie essa informação o mais tardar até sexta-feira. Obrigado e boa tarde." – disse já num tom mais exigente.
- "Boa tarde!" - E desliguei!
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A minha vida dava um filme...
quinta-feira, dezembro 22, 2005
A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 1)
Tinha almoçado bem e estava a começar uma nova tarde de trabalho. Toca o meu telemóvel e é um número não identificado. Podia ser alguns dos meus amigos que sempre resolvem passar por anónimos.
Atendi! Oiço do outro lado:
- "Estou sim? Estou a falar com o Sr. Rui Manuel Carneiro Gonçalves?"
Desconfiei! Quando me chamam pelo nome completo é porque não me conhecem.
- "Sim, sou eu!"
- "Daqui fala da Fodicis (N.R.:nome fictício)..." – disse a voz feminina. Eu pensando que era alguma publicidade daquelas compre-este-aspirador-e-damos-lhe-três-dias-de-férias-na-gronelândia, disse logo:
- "Eu não tenho nada a ver com a Fodicis!"
- "Não tem? Mas o seu bilhete de identidade não é o 6231568?"
- "Sim!"
- "Mora na R. Cais do Albói, 54 em Aveiro."
- "Não! Moro em Aveiro mas desconheço essa morada!"
- "É que temos aqui um crédito feito neste nome. E o seu número de contribuinte é o 612361812?"
- "Sim! Mas para que banco foi feita a transferência?" – disse eu.
- "Espere um pouco... Banco Bets!"
A conversa continuou com algumas trocas de informações, mas sem que a tipa do outro lado baixasse os ataques como se eu fosse realmente o tipo que lhe pediu 6000 euros. Falei com um amigo advogado e embora ele achasse que não era minha obrigação reclamar a minha inocência, mas a da Fodicis de provar a minha culpa, resolvi ir a Lisboa limpar o meu nome.
No dia seguinte, depois de almoço, fui para Lisboa. Depois de duas horas e pouco de viagem, algumas filas e muita confusão, cheguei ao edifício da Fodicis em frente ao Museu Calouste Gulbenkian. Entro e informam-me que naquele dia excepcionalmente tinham fechado às 17:00 (eram 17:13), quando a tipa do outro lado da chamada me tinha dito que fechava às 18:00 e depois de eu lhe ter garantido que lá ia naquele dia.
Começaram-me a subir os calores. E não fosse a prontidão em arranjarem alguém que me atendesse e estava pronto a perder a minha boa vontade toda de limpar o meu nome e lhes poupar o trabalho de me acusarem de algo que não fiz. Em pouco tempo estava com a cópia do bilhete de identidade, do cartão de contribuinte e o contrato em meu poder, tudo o que precisava para apresentar queixa na polícia.
É impressionante como se transfere 6000 euros para a conta de alguém baseado na fotocópia de um bilhete de identidade de alguém que nasceu em Lourenço Marques, uma cidade que já não tem essa designação desde há 30 anos e com a validade de 10 anos, algo que só é possível a quem tem mais de 35 anos, e à data da emissão do mesmo documento (09/01/2004) alguém nascido em 22/08/1969 teria apenas 34 anos. Para além de não falar que a fotografia é no mínimo irreconhecível (e em nada se parece comigo). E o cartão de contribuinte nota-se que o número foi lá colocado, porque está desalinhado com o resto do texto do mesmo. Depois admiram-se...
Obviamente que os dados foram sacados todos do meu CV que está online e que já nem sequer inclui aqueles dados, mas cujo conteúdo do site ainda não tive tempo de actualizar.
Passou o fim-de-semana e na segunda-feira de manhã, mal me levantei dirigi-me à esquadra de polícia de Aveiro. Expliquei a situação! O homem ficou a olhar para mim:
- "Mas fazem empréstimos assim? Assim qualquer um os pode enganar!"
Estive lá uma hora e tal para que o Sr. PSP me fizesse um texto que conseguisse explicar o sucedido, ou o que achamos que terá acontecido. A queixa seguiu para a polícia judiciária e eu mandei uma cópia para a Fodicis.
Atendi! Oiço do outro lado:
- "Estou sim? Estou a falar com o Sr. Rui Manuel Carneiro Gonçalves?"
Desconfiei! Quando me chamam pelo nome completo é porque não me conhecem.
- "Sim, sou eu!"
- "Daqui fala da Fodicis (N.R.:nome fictício)..." – disse a voz feminina. Eu pensando que era alguma publicidade daquelas compre-este-aspirador-e-damos-lhe-três-dias-de-férias-na-gronelândia, disse logo:
- "Eu não tenho nada a ver com a Fodicis!"
- "Não tem? Mas o seu bilhete de identidade não é o 6231568?"
- "Sim!"
- "Mora na R. Cais do Albói, 54 em Aveiro."
- "Não! Moro em Aveiro mas desconheço essa morada!"
- "É que temos aqui um crédito feito neste nome. E o seu número de contribuinte é o 612361812?"
- "Sim! Mas para que banco foi feita a transferência?" – disse eu.
- "Espere um pouco... Banco Bets!"
A conversa continuou com algumas trocas de informações, mas sem que a tipa do outro lado baixasse os ataques como se eu fosse realmente o tipo que lhe pediu 6000 euros. Falei com um amigo advogado e embora ele achasse que não era minha obrigação reclamar a minha inocência, mas a da Fodicis de provar a minha culpa, resolvi ir a Lisboa limpar o meu nome.
No dia seguinte, depois de almoço, fui para Lisboa. Depois de duas horas e pouco de viagem, algumas filas e muita confusão, cheguei ao edifício da Fodicis em frente ao Museu Calouste Gulbenkian. Entro e informam-me que naquele dia excepcionalmente tinham fechado às 17:00 (eram 17:13), quando a tipa do outro lado da chamada me tinha dito que fechava às 18:00 e depois de eu lhe ter garantido que lá ia naquele dia.
Começaram-me a subir os calores. E não fosse a prontidão em arranjarem alguém que me atendesse e estava pronto a perder a minha boa vontade toda de limpar o meu nome e lhes poupar o trabalho de me acusarem de algo que não fiz. Em pouco tempo estava com a cópia do bilhete de identidade, do cartão de contribuinte e o contrato em meu poder, tudo o que precisava para apresentar queixa na polícia.
É impressionante como se transfere 6000 euros para a conta de alguém baseado na fotocópia de um bilhete de identidade de alguém que nasceu em Lourenço Marques, uma cidade que já não tem essa designação desde há 30 anos e com a validade de 10 anos, algo que só é possível a quem tem mais de 35 anos, e à data da emissão do mesmo documento (09/01/2004) alguém nascido em 22/08/1969 teria apenas 34 anos. Para além de não falar que a fotografia é no mínimo irreconhecível (e em nada se parece comigo). E o cartão de contribuinte nota-se que o número foi lá colocado, porque está desalinhado com o resto do texto do mesmo. Depois admiram-se...
Obviamente que os dados foram sacados todos do meu CV que está online e que já nem sequer inclui aqueles dados, mas cujo conteúdo do site ainda não tive tempo de actualizar.
Passou o fim-de-semana e na segunda-feira de manhã, mal me levantei dirigi-me à esquadra de polícia de Aveiro. Expliquei a situação! O homem ficou a olhar para mim:
- "Mas fazem empréstimos assim? Assim qualquer um os pode enganar!"
Estive lá uma hora e tal para que o Sr. PSP me fizesse um texto que conseguisse explicar o sucedido, ou o que achamos que terá acontecido. A queixa seguiu para a polícia judiciária e eu mandei uma cópia para a Fodicis.
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A minha vida dava um filme...
terça-feira, dezembro 20, 2005
Coisas simples
Ultimamente tenho tido formação depois das horas de trabalho e chego a casa, normalmente já depois dos vizinhos jantarem.
Há algum tempo que reparei que há uma senhora e uma miúda nos seus dois anos, que por volta da hora que chego a casa, passam ali em frente ao prédio. Sempre que abro o portão automático da garagem a miúda insiste com a senhora (suponho que a mãe) para ficar ali a assistir ao seu fecho, também, automático.
A primeira vez que reparei foi há cerca de meio ano, porque estava a dar formação na altura.
A "mãe" e a miúda já me conhecem e cumprimentam-me. Rimo-nos sempre da situação.
Ontem perguntei-lhe se tinha pedido um portão ao Pai Natal. Como as coisas simples também são importantes. Principalmente nesta altura do ano em que só se pensa em coisas grandes para ofuscar.
Há algum tempo que reparei que há uma senhora e uma miúda nos seus dois anos, que por volta da hora que chego a casa, passam ali em frente ao prédio. Sempre que abro o portão automático da garagem a miúda insiste com a senhora (suponho que a mãe) para ficar ali a assistir ao seu fecho, também, automático.
A primeira vez que reparei foi há cerca de meio ano, porque estava a dar formação na altura.
A "mãe" e a miúda já me conhecem e cumprimentam-me. Rimo-nos sempre da situação.
Ontem perguntei-lhe se tinha pedido um portão ao Pai Natal. Como as coisas simples também são importantes. Principalmente nesta altura do ano em que só se pensa em coisas grandes para ofuscar.
domingo, dezembro 18, 2005
O nosso cândido-actozinho
Presidenciais 2006
Pré-candidato Botelho Ribeiro anuncia greve de fome contra "censura televisiva"
18.12.2005 - 08h46 Lusa

Botelho Ribeiro, 38 anos, entregou sexta-feira no Tribunal Constitucional cerca de 2500 das 7500 assinaturas necessárias para formalizar a sua candidatura
O pré-candidato à Presidência da República Luís Botelho Ribeiro anunciou ontem à noite que vai iniciar hoje, em Braga, uma greve de fome contra a "censura televisiva" à sua candidatura, parcialmente formalizada sexta-feira.
Em comunicado enviado à Lusa, Botelho Ribeiro, professor de Engenharia Electrónica na Universidade do Minho, em Guimarães, refere que a greve de fome vai iniciar-se às 15h30 frente ao coreto da Avenida Central com uma "manifestação de desagravo perante a censura televisiva a esta candidatura do Norte".
Botelho Ribeiro, 38 anos, entregou sexta-feira no Tribunal Constitucional "cerca de 2500" das 7500 assinaturas necessárias para formalizar a sua candidatura às eleições presidenciais de 22 de Janeiro.
Prometendo entregar as restantes assinaturas "na quinta ou sexta-feira" da próxima semana, Botelho Ribeiro definiu-se como "um ilustre desconhecido", mas "um renovador" e um "cidadão empenhado".
"Não podemos deixar cinco inteligentes a falar por nós", disse, confessando ter como única experiência eleitoral a vitória que obteve nas eleições para a Associação Académica da Universidade de Aveiro.
"Pode-se dizer que sou um candidato 100 por cento vitorioso", ironizou.
Botelho Ribeiro prometeu uma "campanha porta a porta e pessoa a pessoa", uma "campanha de artesanato" centrada na "discussão de ideias e perspectivas para a sociedade portuguesa", num "projecto que é feito para os cidadãos".
"Vou andar pelo país todo. Estamos abertos à constituição de núcleos por todo o país", acrescentou.
A candidatura que prometeu formalizar integralmente na próxima semana com a entrega das restantes cinco mil assinaturas é para ir até ao voto já que, salientou, "o país só tem a ganhar que o debate se faça com a máxima pluralidade".
in Público
Pré-candidato Botelho Ribeiro anuncia greve de fome contra "censura televisiva"
18.12.2005 - 08h46 Lusa
Botelho Ribeiro, 38 anos, entregou sexta-feira no Tribunal Constitucional cerca de 2500 das 7500 assinaturas necessárias para formalizar a sua candidatura
O pré-candidato à Presidência da República Luís Botelho Ribeiro anunciou ontem à noite que vai iniciar hoje, em Braga, uma greve de fome contra a "censura televisiva" à sua candidatura, parcialmente formalizada sexta-feira.
Em comunicado enviado à Lusa, Botelho Ribeiro, professor de Engenharia Electrónica na Universidade do Minho, em Guimarães, refere que a greve de fome vai iniciar-se às 15h30 frente ao coreto da Avenida Central com uma "manifestação de desagravo perante a censura televisiva a esta candidatura do Norte".
Botelho Ribeiro, 38 anos, entregou sexta-feira no Tribunal Constitucional "cerca de 2500" das 7500 assinaturas necessárias para formalizar a sua candidatura às eleições presidenciais de 22 de Janeiro.
Prometendo entregar as restantes assinaturas "na quinta ou sexta-feira" da próxima semana, Botelho Ribeiro definiu-se como "um ilustre desconhecido", mas "um renovador" e um "cidadão empenhado".
"Não podemos deixar cinco inteligentes a falar por nós", disse, confessando ter como única experiência eleitoral a vitória que obteve nas eleições para a Associação Académica da Universidade de Aveiro.
"Pode-se dizer que sou um candidato 100 por cento vitorioso", ironizou.
Botelho Ribeiro prometeu uma "campanha porta a porta e pessoa a pessoa", uma "campanha de artesanato" centrada na "discussão de ideias e perspectivas para a sociedade portuguesa", num "projecto que é feito para os cidadãos".
"Vou andar pelo país todo. Estamos abertos à constituição de núcleos por todo o país", acrescentou.
A candidatura que prometeu formalizar integralmente na próxima semana com a entrega das restantes cinco mil assinaturas é para ir até ao voto já que, salientou, "o país só tem a ganhar que o debate se faça com a máxima pluralidade".
in Público
quarta-feira, dezembro 14, 2005
(Ex)Citação XXII
"God has a master plan
That only He understands."
Depeche Mode - Precious
domingo, dezembro 11, 2005
Vamos tomar um cafezinho?
Portugueses desperdiçam milhões de horas de trabalho por ano: o equivalente a 5,8% do PIB
Os portugueses desperdiçaram 1.574.203.400 horas de trabalho no ano passado. Uma enorme cifra com dez algarismos e que, para uma população activa próxima de 4,2 milhões de pessoas, significa que cada trabalhador português desperdiçou, durante 2006, mais de 42 dias úteis de trabalho, à média de oito horas diárias. São mais de 65 milhões de dias de trabalho perdidos em 2004.
A um custo médio de 5,17 euros por hora de trabalho, as pausas para o café, absentismo, as baixas, as pontes, os feriados, as greves e o tempo útil desperdiçado devido à falta de organização das empresas e das organizações representará um total de 8143 milhões de euros. O equivalente a 5,8% do PIB.
Os dados constam do último relatório da consultora Proudfoot sobre produtividade. De um conjunto de nove países analisados, Portugal está no penúltimo lugar do "ranking", conseguindo apenas maior produtividade que a Hungria e, ainda assim, com vantagem de apenas um ponto. Por cada hora de trabalho, os portugueses produzem 64% a menos que os franceses, 48% a menos que os americanos e 21% a menos que os espanhóis.
De acordo com as conclusões do estudo, o baixo nível produtividade deve-se sobretudo ao fraco nível planeamento e à insuficiente gestão operacional das empresas. A falta de liderança e de supervisão é a segunda razão apontada. A título de exemplo, a Proundfoot refere que mais de metade dos sistemas de controlo do trabalho são inapropriados. E dos sistemas que funcionam, cerca de um terço precisam de ser melhorados. Outro dado curioso com reflexo directo nos níveis de produtividade, são as reuniões de trabalho: metade são realizadas sem agenda.
O enorme desperdício de horas de trabalho não significa que os portugueses trabalhem menos que os outros. Devido À baixa produtividade, cada português trabalha uma média de 1718 horas anuais. Na europa, só os espanhóis e os húngaros roubam mais tempo ao lazer. A baixa produtividade é, aliás, o principal factor que justifica as diferenças de PIB "per capita" conclui o relatório. Em Portugal, por exemplo, o PIB "per capita" é metade do americano. E destes 50 pontos percentuais de diferença, 48 derivam da menor produtividade. Os espanhóis têm um PIB "per capita" 14% superior, mas uma produtividade 21% superior, pois trabalham menos horas com uma população activa menor.
EUA x Europa
Fora da Europa, na Austrália e nos EUA, trabalha-se mais do que na maioria dos países europeus. "Há uma diferença nos níveis de produtividade entre a União Europeia e os EUA: os americanos têm uma produção por hora de trabalho 8% superior", confirma Nicholas Crafts, professor de Hhistória Económica da London School of Economics.
Por Álvaro de Mendonça
in Expresso, 10 de Dezembro de 2005
Os portugueses desperdiçaram 1.574.203.400 horas de trabalho no ano passado. Uma enorme cifra com dez algarismos e que, para uma população activa próxima de 4,2 milhões de pessoas, significa que cada trabalhador português desperdiçou, durante 2006, mais de 42 dias úteis de trabalho, à média de oito horas diárias. São mais de 65 milhões de dias de trabalho perdidos em 2004.
A um custo médio de 5,17 euros por hora de trabalho, as pausas para o café, absentismo, as baixas, as pontes, os feriados, as greves e o tempo útil desperdiçado devido à falta de organização das empresas e das organizações representará um total de 8143 milhões de euros. O equivalente a 5,8% do PIB.
Os dados constam do último relatório da consultora Proudfoot sobre produtividade. De um conjunto de nove países analisados, Portugal está no penúltimo lugar do "ranking", conseguindo apenas maior produtividade que a Hungria e, ainda assim, com vantagem de apenas um ponto. Por cada hora de trabalho, os portugueses produzem 64% a menos que os franceses, 48% a menos que os americanos e 21% a menos que os espanhóis.
De acordo com as conclusões do estudo, o baixo nível produtividade deve-se sobretudo ao fraco nível planeamento e à insuficiente gestão operacional das empresas. A falta de liderança e de supervisão é a segunda razão apontada. A título de exemplo, a Proundfoot refere que mais de metade dos sistemas de controlo do trabalho são inapropriados. E dos sistemas que funcionam, cerca de um terço precisam de ser melhorados. Outro dado curioso com reflexo directo nos níveis de produtividade, são as reuniões de trabalho: metade são realizadas sem agenda.
O enorme desperdício de horas de trabalho não significa que os portugueses trabalhem menos que os outros. Devido À baixa produtividade, cada português trabalha uma média de 1718 horas anuais. Na europa, só os espanhóis e os húngaros roubam mais tempo ao lazer. A baixa produtividade é, aliás, o principal factor que justifica as diferenças de PIB "per capita" conclui o relatório. Em Portugal, por exemplo, o PIB "per capita" é metade do americano. E destes 50 pontos percentuais de diferença, 48 derivam da menor produtividade. Os espanhóis têm um PIB "per capita" 14% superior, mas uma produtividade 21% superior, pois trabalham menos horas com uma população activa menor.
EUA x Europa
Fora da Europa, na Austrália e nos EUA, trabalha-se mais do que na maioria dos países europeus. "Há uma diferença nos níveis de produtividade entre a União Europeia e os EUA: os americanos têm uma produção por hora de trabalho 8% superior", confirma Nicholas Crafts, professor de Hhistória Económica da London School of Economics.
Por Álvaro de Mendonça
in Expresso, 10 de Dezembro de 2005
terça-feira, novembro 29, 2005
Génios em fuga
Estar no sítio certo, no momento certo, pode mudar o rumo de uma vida. Há
dez anos, enquanto Ricardo Reis assistia a uma normal aula de inglês, alguém
entrou na sala para desafiar os alunos a estudar no estrangeiro e o jovem de
17 anos ficou logo com bichos carpinteiros. Quis saber tudo. Três anos
depois acabou a licenciatura em economia, na London School of Economics, no
Reino Unido, como melhor aluno da turma, e nunca mais parou. Foi para
Harvard tirar o doutoramento e hoje é professor na Universidade de
Princeton, nos Estados Unidos. Ricardo é um dos mais bem sucedidos jovens
portugueses no estrangeiro e sente "um certo sentido de dever para com o
país". Mas, pelo menos nos próximos cinco anos, não está no seu horizonte
voltar a Portugal. Até porque está onde deve estar: "Num ambiente
estimulante, com condições que não existem em Portugal". Ele e a mulher,
doutorada em sociologia e também professora em Princeton, vivem a cinco
minutos da faculdade, têm uma carga horária leve, um bom salário e estão "no
centro de tudo".
Ainda em Londres, Ricardo descobriu que queria seguir o ramo da investigação
e, por isso, sabia que tinha de estar onde tudo acontece: "À hora de almoço
falo sobre uma descoberta de um colega que pode influenciar o meu
trabalho...". O facto de Portugal ser o país da União Europeia que mais
cérebros "exporta" é explicado pelo jovem economista de uma forma simples:
"Temos um mercado de trabalho muito rígido, é muito difícil arranjar um
primeiro emprego que nos valorize. Também é muito difícil ser despedido e,
por isso, às tantas, há uma série de pessoas que não tem competência ou
valor, mas que estão a ocupar um lugar". Ricardo está convencido que, "para
pessoas novas e ambiciosas, é quase uma escolha normal sair de Portugal".
Entre estes jovens de que fala Ricardo está Susana Redondo que, na hora de
fazer as malas, não pensou duas vezes. "Não há mercado em Portugal, há
muitos compadrios e poucas oportunidades". Esta jovem portuguesa nunca foi
grande fã de futebol, mas há três anos que não pensa noutra coisa: trabalhou
no Euro 2004 e, como a experiência correu bem, saltou directamente para o
Euro 2008, que vai decorrer na Suíça e na Áustria. Susana já tinha estado lá
fora - estagiou em França, na Euronews - e o "bichinho ficou". Por isso não
hesitou em ir para a Suíça, onde está desde 1 de Julho a trabalhar na
organização do Euro 2008. Um evento, que segundo Susana, tem sido organizado
com a ajuda do bom exemplo português, que organizou o evento em 2004, mas
que se torna uma tarefa ainda mais árdua porque vai decorrer em dois países,
como aconteceu em 2000 (na Bélgica e na Holanda).
Susana já conhecia a Suíça e não se sentia fascinada pelo país. Mas, embora
sinta falta da família, não pensa voltar tão cedo porque " o mercado de
trabalho em Portugal é mais limitado". Não poupa críticas ao sistema
nacional, mas também não poupa elogios aos portugueses: "Se em Portugal
houvesse oportunidades seríamos os maiores", afirma com o seu sotaque
nortenho.
As oportunidades, ou melhor, a falta delas, são também a razão que levou
Ricardo Marvão a apostar numa carreira internacional. "Sempre gostei muito
de Portugal e acho que o país tem grande potencial, mas as grandes
oportunidades estão fora do país e é lá fora que os portugueses são cotados
ao mais alto nível". Ricardo já correu meio mundo - estudou nos Estados
Unidos, Áustria, Londres, Paris - e hoje, aos 27 anos, é dono da única
empresa portuguesa sediada no centro de operações da Agência Espacial
Europeia (ESA), em Frankfurt, na Alemanha.
Ainda há pouco tempo, este engenheiro informático esteve envolvido na
construção do Cryostat - um satélite europeu com o objectivo estudar o
aquecimento global da terra. A missão fracassou devido a uma falha no
foguetão russo, perderam-se 160 milhões de euros e vários anos de trabalho,
mas a ESA já decidiu que, dentro de três anos, será lançado o Cryostat 2.
Ricardo Marvão e sua empresa, a Oristeba, estarão novamente envolvidos no
projecto. Ricardo aterrou na ESA há dois anos para realizar um estágio, mas
três meses depois já lhe pediam para ficar na agência. Na altura, ele e o
actual sócio, Nuno Sebastião, perceberam que era viável criar uma empresa
para prestar serviços à ESA e mergulharam de cabeça no projecto. Depois de
vários contactos e estudos, e com o apoio do governo português, conseguiram
criar a Oristeba.
Ricardo tem "a certeza" que o seu "futuro passa por Portugal", mas não sabe
quando é que isso vai acontecer, já que o próximo ano será determinante para
o crescimento da Oristeba. É o primeiro ano em que Portugal está em
concorrência aberta e "tem que mostrar à Europa que é capaz. O nosso Governo
está atento. E tem que estar, senão perdemos o comboio".
Antes de se ter mudado para a Alemanha, Ricardo teve uma breve passagem pelo
mercado de trabalho português. As experiências na Portugal Telecom Inovação
e na Associação Industrial Portuguesa serviram para descobrir um dos
problemas do mundo laboral português. "Fora do país, o chefe de uma empresa
aposta num jovem e dá-lhe responsabilidade, em Portugal não é sequer dada
liberdade". E é claro que "os ordenados são muito superiores". Ricardo
acredita que os doutores emigrantes, "mais cedo ou mais tarde, regressam e
trazem mais-valias para o país". Na aventura de crescer profissionalmente
fora de Portugal há um pequeno senão: faltam "o sol, o mar, a família e os
amigos". E é quando a saudade bate que Ricardo apanha um avião e em três
horas se põe em Portugal.
Dizem, aliás, que a saudade é uma coisa muito portuguesa. Até Maria Miguel,
que não pensa em voltar, fica com a voz tremida quando recorda o cheiro a
maresia. Está na Suíça, bem longe do mar, com um cargo de topo numa empresa
de relojoaria, área onde os suíços são mestres. Partiu com 22 anos para
estudar na Suécia, ao abrigo do programa Erasmus, mal chegou a Portugal fez
novamente as malas para ir estagiar em Genebra. Partiu para ficar nove
meses, mas já está há três anos. Pouco depois de chegar foi convidada para
integrar os quadros da empresa e assumir um cargo de direcção. Embora
Genebra seja uma cidade que alberga várias multinacionais, não são assim
tantos os estrangeiros que chegam a um cargo de topo, talvez por isso Maria
já sentiu que na empresa a olharam com desconfiança. Mas, é um mal menor:
"As vantagens de estar no estrangeiro são intermináveis". Tantas que,
entretanto, Maria "convenceu" outros dois portugueses a juntarem-se à sua
equipa em Genebra.
Quando decidiu ir para a Suíça disseram-lhe que, na empresa para onde iria,
bastava dominar o inglês. Mas quando lá chegou percebeu que não era bem
assim e, como não dominava o francês, quase entrou em pânico. Mas tudo não
passou de um susto, Maria aprendeu a língua e nunca mais parou - aliás o seu
objectivo a médio prazo é partir para trabalhar noutro país e fazer um MBA.
Daniel Motta Veiga também suou as estopinhas para entender os colegas de
trabalho. Antes mesmo de tirar o curso, aos 18 anos, este designer gráfico
aterrou na Alemanha para trabalhar numa empresa de automóveis, mas não
entendia uma palavra do que os alemães diziam. "Disseram-me que durante três
meses podia falar inglês, mas depois disso só podia falar alemão". E assim
foi. Pouco tempo depois Daniel já dominava a língua, tão bem que ficou por
lá quase dois anos. E deu-se bem. Um dos seus projectos (transformação de um
Opel Tigra numa pick up) foi escolhido para o Salão Internacional de
Automóveis de Genebra - uma das mais importantes mostras da área.
Daniel acabou por voltar a Portugal para tirar a licenciatura em Design
Industrial, mas rapidamente decidiu partir de novo. Com um diploma na mão,
andou entre Madrid e Turim para conseguir um master e acabou por ficar em
Itália. Esteve envolvido em vários projectos da Fiat, Alfa Romeu e Lancia,
mas acabou na Pininfarina, uma das mais importantes empresas de design
industrial do mundo, onde está há cerca de dois anos e meio. Não pensa
voltar, até porque "o design industrial não é levado a sério em Portugal".
Daniel vem cerca de três vezes por ano a Lisboa matar saudades da família e
amigos. E quando Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé, de tal
forma que este ano Daniel conseguiu convencer os pais a ir passar o Natal a
Miami, cidade onde está neste momento a trabalhar ao serviço da Pininfarina.
Já Maria Madureira vem directamente dos antípodas, Austrália, para passar o
Natal com a família. A jovem gestora tem o espírito aventureiro no sangue, e
mais do que procurar uma brilhante carreira profissional, Maria tem andado a
saltar de país em país pelo gozo de conhecer novas gentes e novas culturas.
"Sei que posso estar a prejudicar a minha carreira, mas estou a valorizar-me
enquanto ser humano", justifica Maria. Depois de ter terminado o curso Maria
fez um estágio entre Portugal e Brasil, mas a dada altura decidiu ganhar
asas. Foi tirar um MBA para a Colômbia e depois decidiu viajar - andou em
São Paulo, Amesterdão, Nova Iorque e agora o seu poiso é Sidney, onde
trabalha numa empresa de consultadoria. No entanto, está certa que ainda há
caminho a fazer. "A média prazo quero ir para outro país e cada vez mais
penso que não será Portugal". Maria tem "orgulho" do seu país, mas sente que
em Portugal "somos todos muito semelhantes".
Por Mariana Adam
in Público
dez anos, enquanto Ricardo Reis assistia a uma normal aula de inglês, alguém
entrou na sala para desafiar os alunos a estudar no estrangeiro e o jovem de
17 anos ficou logo com bichos carpinteiros. Quis saber tudo. Três anos
depois acabou a licenciatura em economia, na London School of Economics, no
Reino Unido, como melhor aluno da turma, e nunca mais parou. Foi para
Harvard tirar o doutoramento e hoje é professor na Universidade de
Princeton, nos Estados Unidos. Ricardo é um dos mais bem sucedidos jovens
portugueses no estrangeiro e sente "um certo sentido de dever para com o
país". Mas, pelo menos nos próximos cinco anos, não está no seu horizonte
voltar a Portugal. Até porque está onde deve estar: "Num ambiente
estimulante, com condições que não existem em Portugal". Ele e a mulher,
doutorada em sociologia e também professora em Princeton, vivem a cinco
minutos da faculdade, têm uma carga horária leve, um bom salário e estão "no
centro de tudo".
Ainda em Londres, Ricardo descobriu que queria seguir o ramo da investigação
e, por isso, sabia que tinha de estar onde tudo acontece: "À hora de almoço
falo sobre uma descoberta de um colega que pode influenciar o meu
trabalho...". O facto de Portugal ser o país da União Europeia que mais
cérebros "exporta" é explicado pelo jovem economista de uma forma simples:
"Temos um mercado de trabalho muito rígido, é muito difícil arranjar um
primeiro emprego que nos valorize. Também é muito difícil ser despedido e,
por isso, às tantas, há uma série de pessoas que não tem competência ou
valor, mas que estão a ocupar um lugar". Ricardo está convencido que, "para
pessoas novas e ambiciosas, é quase uma escolha normal sair de Portugal".
Entre estes jovens de que fala Ricardo está Susana Redondo que, na hora de
fazer as malas, não pensou duas vezes. "Não há mercado em Portugal, há
muitos compadrios e poucas oportunidades". Esta jovem portuguesa nunca foi
grande fã de futebol, mas há três anos que não pensa noutra coisa: trabalhou
no Euro 2004 e, como a experiência correu bem, saltou directamente para o
Euro 2008, que vai decorrer na Suíça e na Áustria. Susana já tinha estado lá
fora - estagiou em França, na Euronews - e o "bichinho ficou". Por isso não
hesitou em ir para a Suíça, onde está desde 1 de Julho a trabalhar na
organização do Euro 2008. Um evento, que segundo Susana, tem sido organizado
com a ajuda do bom exemplo português, que organizou o evento em 2004, mas
que se torna uma tarefa ainda mais árdua porque vai decorrer em dois países,
como aconteceu em 2000 (na Bélgica e na Holanda).
Susana já conhecia a Suíça e não se sentia fascinada pelo país. Mas, embora
sinta falta da família, não pensa voltar tão cedo porque " o mercado de
trabalho em Portugal é mais limitado". Não poupa críticas ao sistema
nacional, mas também não poupa elogios aos portugueses: "Se em Portugal
houvesse oportunidades seríamos os maiores", afirma com o seu sotaque
nortenho.
As oportunidades, ou melhor, a falta delas, são também a razão que levou
Ricardo Marvão a apostar numa carreira internacional. "Sempre gostei muito
de Portugal e acho que o país tem grande potencial, mas as grandes
oportunidades estão fora do país e é lá fora que os portugueses são cotados
ao mais alto nível". Ricardo já correu meio mundo - estudou nos Estados
Unidos, Áustria, Londres, Paris - e hoje, aos 27 anos, é dono da única
empresa portuguesa sediada no centro de operações da Agência Espacial
Europeia (ESA), em Frankfurt, na Alemanha.
Ainda há pouco tempo, este engenheiro informático esteve envolvido na
construção do Cryostat - um satélite europeu com o objectivo estudar o
aquecimento global da terra. A missão fracassou devido a uma falha no
foguetão russo, perderam-se 160 milhões de euros e vários anos de trabalho,
mas a ESA já decidiu que, dentro de três anos, será lançado o Cryostat 2.
Ricardo Marvão e sua empresa, a Oristeba, estarão novamente envolvidos no
projecto. Ricardo aterrou na ESA há dois anos para realizar um estágio, mas
três meses depois já lhe pediam para ficar na agência. Na altura, ele e o
actual sócio, Nuno Sebastião, perceberam que era viável criar uma empresa
para prestar serviços à ESA e mergulharam de cabeça no projecto. Depois de
vários contactos e estudos, e com o apoio do governo português, conseguiram
criar a Oristeba.
Ricardo tem "a certeza" que o seu "futuro passa por Portugal", mas não sabe
quando é que isso vai acontecer, já que o próximo ano será determinante para
o crescimento da Oristeba. É o primeiro ano em que Portugal está em
concorrência aberta e "tem que mostrar à Europa que é capaz. O nosso Governo
está atento. E tem que estar, senão perdemos o comboio".
Antes de se ter mudado para a Alemanha, Ricardo teve uma breve passagem pelo
mercado de trabalho português. As experiências na Portugal Telecom Inovação
e na Associação Industrial Portuguesa serviram para descobrir um dos
problemas do mundo laboral português. "Fora do país, o chefe de uma empresa
aposta num jovem e dá-lhe responsabilidade, em Portugal não é sequer dada
liberdade". E é claro que "os ordenados são muito superiores". Ricardo
acredita que os doutores emigrantes, "mais cedo ou mais tarde, regressam e
trazem mais-valias para o país". Na aventura de crescer profissionalmente
fora de Portugal há um pequeno senão: faltam "o sol, o mar, a família e os
amigos". E é quando a saudade bate que Ricardo apanha um avião e em três
horas se põe em Portugal.
Dizem, aliás, que a saudade é uma coisa muito portuguesa. Até Maria Miguel,
que não pensa em voltar, fica com a voz tremida quando recorda o cheiro a
maresia. Está na Suíça, bem longe do mar, com um cargo de topo numa empresa
de relojoaria, área onde os suíços são mestres. Partiu com 22 anos para
estudar na Suécia, ao abrigo do programa Erasmus, mal chegou a Portugal fez
novamente as malas para ir estagiar em Genebra. Partiu para ficar nove
meses, mas já está há três anos. Pouco depois de chegar foi convidada para
integrar os quadros da empresa e assumir um cargo de direcção. Embora
Genebra seja uma cidade que alberga várias multinacionais, não são assim
tantos os estrangeiros que chegam a um cargo de topo, talvez por isso Maria
já sentiu que na empresa a olharam com desconfiança. Mas, é um mal menor:
"As vantagens de estar no estrangeiro são intermináveis". Tantas que,
entretanto, Maria "convenceu" outros dois portugueses a juntarem-se à sua
equipa em Genebra.
Quando decidiu ir para a Suíça disseram-lhe que, na empresa para onde iria,
bastava dominar o inglês. Mas quando lá chegou percebeu que não era bem
assim e, como não dominava o francês, quase entrou em pânico. Mas tudo não
passou de um susto, Maria aprendeu a língua e nunca mais parou - aliás o seu
objectivo a médio prazo é partir para trabalhar noutro país e fazer um MBA.
Daniel Motta Veiga também suou as estopinhas para entender os colegas de
trabalho. Antes mesmo de tirar o curso, aos 18 anos, este designer gráfico
aterrou na Alemanha para trabalhar numa empresa de automóveis, mas não
entendia uma palavra do que os alemães diziam. "Disseram-me que durante três
meses podia falar inglês, mas depois disso só podia falar alemão". E assim
foi. Pouco tempo depois Daniel já dominava a língua, tão bem que ficou por
lá quase dois anos. E deu-se bem. Um dos seus projectos (transformação de um
Opel Tigra numa pick up) foi escolhido para o Salão Internacional de
Automóveis de Genebra - uma das mais importantes mostras da área.
Daniel acabou por voltar a Portugal para tirar a licenciatura em Design
Industrial, mas rapidamente decidiu partir de novo. Com um diploma na mão,
andou entre Madrid e Turim para conseguir um master e acabou por ficar em
Itália. Esteve envolvido em vários projectos da Fiat, Alfa Romeu e Lancia,
mas acabou na Pininfarina, uma das mais importantes empresas de design
industrial do mundo, onde está há cerca de dois anos e meio. Não pensa
voltar, até porque "o design industrial não é levado a sério em Portugal".
Daniel vem cerca de três vezes por ano a Lisboa matar saudades da família e
amigos. E quando Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé, de tal
forma que este ano Daniel conseguiu convencer os pais a ir passar o Natal a
Miami, cidade onde está neste momento a trabalhar ao serviço da Pininfarina.
Já Maria Madureira vem directamente dos antípodas, Austrália, para passar o
Natal com a família. A jovem gestora tem o espírito aventureiro no sangue, e
mais do que procurar uma brilhante carreira profissional, Maria tem andado a
saltar de país em país pelo gozo de conhecer novas gentes e novas culturas.
"Sei que posso estar a prejudicar a minha carreira, mas estou a valorizar-me
enquanto ser humano", justifica Maria. Depois de ter terminado o curso Maria
fez um estágio entre Portugal e Brasil, mas a dada altura decidiu ganhar
asas. Foi tirar um MBA para a Colômbia e depois decidiu viajar - andou em
São Paulo, Amesterdão, Nova Iorque e agora o seu poiso é Sidney, onde
trabalha numa empresa de consultadoria. No entanto, está certa que ainda há
caminho a fazer. "A média prazo quero ir para outro país e cada vez mais
penso que não será Portugal". Maria tem "orgulho" do seu país, mas sente que
em Portugal "somos todos muito semelhantes".
Por Mariana Adam
in Público
Famosos em terra alheia
O fenómeno de fuga de cérebros não é novo e nem acontece apenas com ilustres
desconhecidos. São vários os exemplos de personalidades portuguesas que
brilham no estrangeiro. O sadino José Mourinho é a vedeta do momento no
futebol mundial. Com apenas uma internacionalização o treinador do Chelsea é
um dos "embaixadores" portugueses em terras de sua majestade. Domitília dos
Santos já anda por outras bandas há algumas décadas. A dama de Wall Street,
como é conhecida, é portuguesa de gema. Nasceu em Estói, no concelho de
Faro, mas fez carreira nos Estados Unidos onde é nada menos do que senior
vice president de uma das maiores consultoras financeiras do mundo, a
Salomon Smith Barney.
Quase todos querem voltar, Rodrigo Costa por exemplo, não vai perder mais
tempo, no início do próximo ano vai abandonar a Microsoft para assumir a
administração não executiva da Portugal Telecom. O gestor tem feito uma
carreira ascendente na Microsoft, onde lidera a área mais lucrativa do
império de Bill Gates, e liderou a operação desta multinacional em Portugal
durante 11 anos, assumindo em 2001 o negócio da multinacional no Brasil.
Actualmente, Rodrigo Costa estava radicado em Seattle.Mas há outras áreas em
que os portugueses se destacam. António Damásio, António Coutinho e Carlos
Duarte, dois médicos e um biólogo marinho, estão entre os 250 cientistas
mais bem cotados do mercado.
in Público
desconhecidos. São vários os exemplos de personalidades portuguesas que
brilham no estrangeiro. O sadino José Mourinho é a vedeta do momento no
futebol mundial. Com apenas uma internacionalização o treinador do Chelsea é
um dos "embaixadores" portugueses em terras de sua majestade. Domitília dos
Santos já anda por outras bandas há algumas décadas. A dama de Wall Street,
como é conhecida, é portuguesa de gema. Nasceu em Estói, no concelho de
Faro, mas fez carreira nos Estados Unidos onde é nada menos do que senior
vice president de uma das maiores consultoras financeiras do mundo, a
Salomon Smith Barney.
Quase todos querem voltar, Rodrigo Costa por exemplo, não vai perder mais
tempo, no início do próximo ano vai abandonar a Microsoft para assumir a
administração não executiva da Portugal Telecom. O gestor tem feito uma
carreira ascendente na Microsoft, onde lidera a área mais lucrativa do
império de Bill Gates, e liderou a operação desta multinacional em Portugal
durante 11 anos, assumindo em 2001 o negócio da multinacional no Brasil.
Actualmente, Rodrigo Costa estava radicado em Seattle.Mas há outras áreas em
que os portugueses se destacam. António Damásio, António Coutinho e Carlos
Duarte, dois médicos e um biólogo marinho, estão entre os 250 cientistas
mais bem cotados do mercado.
in Público
segunda-feira, novembro 28, 2005
Flowers in your hair
A semana passada aluguei o filme "Sideways" cuja história se passa na região vinícola de Santa Bárbara, no sul da Califórnia. Mostra de uma maneira despretensiosa como a vida por aqueles lados é levada. Fiquei com algumas saudades.
No dia seguinte recebi um mail da minha amiga Filipa Pato, que estava na região vinícola de Napa no norte da Callifórnia. Ia para São Francisco e queria referências para passear. Comecei a recordar a cidade e os arredores e escrevi-lhe, num mail, aquilo que eu gostaria de voltar a visitar se retornasse àquela bela cidade. Bateu uma nostalgia quando carreguei no "send".
No dia seguinte, na série de banda desenhada que estou a ler (House of Secrets), os personagens decidem fugir de Seattle e vão numa road trip para São Francisco. Atravessam a Golden Gate, vão a Fisherman's Wharf, sobem à Coit Tower e acabam o dia em Ocean Beach, na Cliff House. Há 5 revistas que se passeiam pela cidade em procura de uma amiga.
Sábado acordei e a primeira música que ouvi foi "If you’re going to San Francisco, Be sure to wear some flowers in your hair, If you’re going to San Francisco, You’re gonna meet some gentle people there". À tarde na MTV anunciava um filme chamado "Just Like Heaven" passado em São Francisco.
Porque será que não há filmes passados em Aveiro, bandas desenhadas sobre Aveiro ou músicas mundialmente conhecidas sobre Aveiro?
No dia seguinte recebi um mail da minha amiga Filipa Pato, que estava na região vinícola de Napa no norte da Callifórnia. Ia para São Francisco e queria referências para passear. Comecei a recordar a cidade e os arredores e escrevi-lhe, num mail, aquilo que eu gostaria de voltar a visitar se retornasse àquela bela cidade. Bateu uma nostalgia quando carreguei no "send".
No dia seguinte, na série de banda desenhada que estou a ler (House of Secrets), os personagens decidem fugir de Seattle e vão numa road trip para São Francisco. Atravessam a Golden Gate, vão a Fisherman's Wharf, sobem à Coit Tower e acabam o dia em Ocean Beach, na Cliff House. Há 5 revistas que se passeiam pela cidade em procura de uma amiga.
Sábado acordei e a primeira música que ouvi foi "If you’re going to San Francisco, Be sure to wear some flowers in your hair, If you’re going to San Francisco, You’re gonna meet some gentle people there". À tarde na MTV anunciava um filme chamado "Just Like Heaven" passado em São Francisco.
Porque será que não há filmes passados em Aveiro, bandas desenhadas sobre Aveiro ou músicas mundialmente conhecidas sobre Aveiro?
quarta-feira, novembro 23, 2005
Modelo bang-bang
Aqui há umas semanas (14/10/05) vi no Público a seguinte foto com o texto "Uma modelo passa uma criação da estilista bósnia Lidja Kolovrat para a Primavera/Verão 2006 durante o primeiro dia de desfiles da Moda Lisboa, que ontem começou."

Achei alguma piada, mas só depois quando andava a ver as fotos da viagem à Croácia é que me apercebi de onde veio a inspiração. Reparem neste sinal que estava na porta de um banco em Samobor, uma vilazita pacata onde os Zagrebenses vão ao domingo passear.

Achei alguma piada, mas só depois quando andava a ver as fotos da viagem à Croácia é que me apercebi de onde veio a inspiração. Reparem neste sinal que estava na porta de um banco em Samobor, uma vilazita pacata onde os Zagrebenses vão ao domingo passear.
domingo, novembro 20, 2005
Bebradore a pelhas
Há umas semanas contaram-me a história de uma senhora de idade que, aqui em Aveiro, foi a uma farmácia com este bilhete para lhe venderem um bebradore. Acontece na história, segundo me foi contada, que o farmasetico, na ausência de tal produto no seu stock, encaminhou a senhora para um herbanário (sinceramente não sei quem fica pior na história) uns números abaixo na rua.
O senhor da herbanária tirou a fotocópia do bilhete que a senhora tinha e que supostamente lhe tinha sido passado por uma amiga mais ou menos da mesma idade. O bilhete, num português escrito muito próximo da forma arcaico-infantil do nosso idioma, dizia "Senhori farmasetico pesulhe que me benda um bebradore a pelhas e fasa o fabor di ispelicar a esa senhora como e que sefass meter as pelhas como se poe a trabalhar e cuato cuesta".
Mas não haviam pelhas.
Trabalho, Suor e Dignidade
Todos os dias quando entro para o meu local de trabalho reparo numa carrinha parada em cima de um baldio ao fundo do prédio. É uma carrinha de caixa aberta de transporte dos trabalhadores da construção civil (vulgo "trolhas") da obra em frente. No oleado que cobre metade da caixa, onde deve ter uns bancos de madeira corridos, onde se devem sentar todos os dias os "trolhas" para irem para casa, no fim de um dia de trabalho, diz em letras gordas "Trabalho, Suor e Dignidade". Só! Mais nada...
Confesso que sempre achei cómico. Mas depois de pensar um pouco (se calhar não devia) acho deprimente. Soa a qualquer coisa como um misto entre "Fátima, Fado e Futebol" (do antigo regime), "Sangue Suor e Lágrimas" e "O trabalho liberta" (de Auschwitz).
Pensando bem, quem se deixa transportar ali naquela caixa de carga, como se fosse gado, como pode pensar que há alguma Dignidade na maneira como são tratados? Depois de um dia de Suor, ir ali num banco corrido na parte detrás de um carrinha, sob um pequeno toldo, não se pode pensar muito em Dignidade. Sobra-lhes o facto de terem Trabalho.
E é assim que o patrão os convence que ter um Trabalho que os faz gastar o Suor lhes trará Dignidade. Patrões assim há muitos e por isso é que há uma nova vaga de emigrantes. Não só na construção civil...
domingo, novembro 06, 2005
: : : 1-big-O [v16.0]
Workshops Kundalini Yoga
18, 19 e 20 Novembro
Aveiro
Com a professora britânica Guru Daya Kaur.
Mais informações aqui.
Mais um cartaz feito aqui neste portátil.
sexta-feira, novembro 04, 2005
20% dos licenciados fogem de Portugal
Eu sei que a notícia já tem uma semana, mas continua actual e espelha o estado precário dos locais de trabalho em Portugal. Não se criam condições para a sustentabilidade dos locais de trabalho passíveis de criar valor acrescentado ao país. Na verdade, o mais difícil é ficar cá...
O relatório do Banco Mundial aponta para o facto de o fenómeno da "fuga de cérebros" estar a afectar sobretudo os países mais pobres do mundo
Elsa Costa e Silva in DN Sexta, 28 de Outubro de 2005
Um quinto dos portugueses com ensino superior não trabalha em Portugal. Este número, que consta de um relatório do Banco Mundial (BM) onde é analisado o fenómeno da fuga de cérebros, dá conta de que Portugal é o país europeu de média/grande dimensão mais afectado pela saída de licenciados e quadros técnicos. Na lista dos Estados com mais de cinco milhões de habitantes, Portugal é 21.º, com a maior percentagem de licenciados a residir fora das fronteiras. Mas esta é uma realidade com traços mundiais entre 1990 e 2000, o fluxo de imigrantes qualificados cresceu a um ritmo anual de 800 mil pessoas.
Por só considerar os países de maior dimensão, este ranking onde consta Portugal deixa de fora países pequenos do Leste europeu, alguns dos quais agora membros da União Europeia, onde a emigração de quadros é também elevada. Apenas Malta, um país de 400 mil habitantes, é contabilizado na lista que inclui a totalidade dos países e que é liderada pela Guiana. Na pequena ilha do Mediterrâneo, mais de metade da sua população licenciada reside no estrangeiro.
Na lista dos países maiores (com mais de cinco milhões de habitantes), elaborada a partir de dados relativos a 2000 e liderada pelo Haiti, surgem a seguir a Portugal mais dois países europeus a Eslováquia e o Reino Unido, ambos com 16,7% da sua população qualificada emigrada. Neste panorama, convém não esquecer que Portugal é um país com forte tradição de emigração. Por outro lado, o relatório do BM não distingue entre as pessoas que emigraram depois de se licenciarem daquelas que frequentaram o ensino superior no país de destino. Uma situação onde estarão muitos jovens nascidos em Portugal, que abandonaram o país ainda crianças, acompanhando os pais emigrantes.
Contudo, a saída de jovens licenciados de Portugal em busca de melhores paragens é um fenómeno que ganha peso. José Cesário, secretário de Estado das Comunidades nos dois anteriores governos sociais-democratas, afirma que o número do BM "não é surpreendente", já que estes fluxos são "cada vez mais evidentes". Garante que, por exemplo, dos jovens portugueses que se formam em algumas das melhores universidades norte-americanas "regressarão apenas entre 10 a 20%". Até porque, "em matéria de investigação, as condições das instituições estrangeiras são melhores".
Também Azeredo Lopes, professor de Relações Internacionais da Universidade Católica, aponta a má situação económica do país como um dos factores que afastam os jovens licenciados. Mas elogia o que chama de "capacidade de procurar" melhores paragens, lembrando que Portugal "acaba sempre por beneficiar a prazo do que poderia ser uma desvantagem". Ou seja, via remessas desses emigrantes para Portugal ou através do próprio regresso dos imigrantes formados mais tarde, que contribuirão para a qualificação geral do país. Assim, explica este especialista, "Portugal tem de aceitar que a tipologia da sua emigração (que nos anos 50 e 60 era maioritariamente de mão-de-obra muito pouco qualificada) mudou e que o fluxo de pessoas com formação superior começou há muito tempo". O que resultará da liberdade de movimentação, por exemplo, no espaço da União, e que é, até certo ponto, esperado.
Desenvolvimento em risco. Mas o fluxo de emigração qualificada resulta também numa maior debilidade estrutural dos países de origem, que vêem sair os seus recursos mais bem preparados para melhorar os índices de desenvol- vimento económico e social. O relatório do BM alerta para o facto de esta fuga de cérebros afectar sobretudo os países pobres, numa dicotomia já habitual de Sul/Norte, e de não ser tão evidente nas potências emergentes (como, por exemplo, China e Índia) do grupo das nações em desenvolvimento.
De acordo com os números do relatório (que não contabilizam a imigração ilegal), mais de um terço do total da imigração que chegou aos países da OCDE era qualificada. Um número muito eleva-do, se se tiver em conta que, a nível da mão-de-obra mundial, apenas 11,3% têm formação superior. Entre 1990 e 2000, a proporção de recursos humanos qualificados que procuraram os países da OCDE cresceu quase cinco pontos percentuais, superando os 20 milhões de pessoas. Tendo também aumentado a percentagem de trabalhadores com o ensino secundário, é evidente que o fluxo de mão-de- -obra pouco qualificada tem vindo a perder importância.
A "fuga de cérebros" resulta também do facto de os países de origem mais procurados terem adoptado políticas selectivas a nível da imigração, procurando especificamente trabalhadores com melhores qualificações. A esta filosofia de acolhimento não será alheio o facto de, por exemplo, mais de metade dos imigrantes do Canadá serem licenciados, assim como 42,7% virem da Nova Zelândia ou 40% dos Estados Unidos.
Lusofonia. Três ex-colónias portuguesas estão também entre as mais "exportadoras" mundiais de recursos humanos qualificados. Cerca de 67,5% dos licenciados de Cabo Verde estão fora deste arquipélago, assim como 45% dos moçambicanos e um terço dos angolanos. Portugal será assim um dos países que mais recebem esta mão--de-obra, ainda que este fluxo imigrante africano e também dos países de Leste não chegue para compensar a "perda" dos emigrantes portugueses. De facto, no balanço entre recursos humanos qualificados que saem do país e os que chegam, Portugal fica a perder. Aliás, este indicador líquido de "fuga de cérebros" piorou entre 1900 e 2000, tendo quase duplicado.
Contudo, o maior problema é, para Azeredo Lopes, o facto de Portugal não estar a atenuar este efeito através de um melhor aproveitamento da comunidade imigrante em Portugal. "Estamos atra- sados no reconhecimento das minorias, na afirmação de um país multicultural e multilinguístico", afirma este especialista. Não são raros os casos de imigrantes, sobretudo de Leste, com formação superior, a exercer profissões pouco qualificadas. "Este é um percurso migratório muito recente e se eles virem os seus países, agora na UE, a crescer, vão-se embora, porque não valorizamos a vida destas pessoas e dos filhos."
O relatório do Banco Mundial aponta para o facto de o fenómeno da "fuga de cérebros" estar a afectar sobretudo os países mais pobres do mundo
Elsa Costa e Silva in DN Sexta, 28 de Outubro de 2005
Um quinto dos portugueses com ensino superior não trabalha em Portugal. Este número, que consta de um relatório do Banco Mundial (BM) onde é analisado o fenómeno da fuga de cérebros, dá conta de que Portugal é o país europeu de média/grande dimensão mais afectado pela saída de licenciados e quadros técnicos. Na lista dos Estados com mais de cinco milhões de habitantes, Portugal é 21.º, com a maior percentagem de licenciados a residir fora das fronteiras. Mas esta é uma realidade com traços mundiais entre 1990 e 2000, o fluxo de imigrantes qualificados cresceu a um ritmo anual de 800 mil pessoas.
Por só considerar os países de maior dimensão, este ranking onde consta Portugal deixa de fora países pequenos do Leste europeu, alguns dos quais agora membros da União Europeia, onde a emigração de quadros é também elevada. Apenas Malta, um país de 400 mil habitantes, é contabilizado na lista que inclui a totalidade dos países e que é liderada pela Guiana. Na pequena ilha do Mediterrâneo, mais de metade da sua população licenciada reside no estrangeiro.
Na lista dos países maiores (com mais de cinco milhões de habitantes), elaborada a partir de dados relativos a 2000 e liderada pelo Haiti, surgem a seguir a Portugal mais dois países europeus a Eslováquia e o Reino Unido, ambos com 16,7% da sua população qualificada emigrada. Neste panorama, convém não esquecer que Portugal é um país com forte tradição de emigração. Por outro lado, o relatório do BM não distingue entre as pessoas que emigraram depois de se licenciarem daquelas que frequentaram o ensino superior no país de destino. Uma situação onde estarão muitos jovens nascidos em Portugal, que abandonaram o país ainda crianças, acompanhando os pais emigrantes.
Contudo, a saída de jovens licenciados de Portugal em busca de melhores paragens é um fenómeno que ganha peso. José Cesário, secretário de Estado das Comunidades nos dois anteriores governos sociais-democratas, afirma que o número do BM "não é surpreendente", já que estes fluxos são "cada vez mais evidentes". Garante que, por exemplo, dos jovens portugueses que se formam em algumas das melhores universidades norte-americanas "regressarão apenas entre 10 a 20%". Até porque, "em matéria de investigação, as condições das instituições estrangeiras são melhores".
Também Azeredo Lopes, professor de Relações Internacionais da Universidade Católica, aponta a má situação económica do país como um dos factores que afastam os jovens licenciados. Mas elogia o que chama de "capacidade de procurar" melhores paragens, lembrando que Portugal "acaba sempre por beneficiar a prazo do que poderia ser uma desvantagem". Ou seja, via remessas desses emigrantes para Portugal ou através do próprio regresso dos imigrantes formados mais tarde, que contribuirão para a qualificação geral do país. Assim, explica este especialista, "Portugal tem de aceitar que a tipologia da sua emigração (que nos anos 50 e 60 era maioritariamente de mão-de-obra muito pouco qualificada) mudou e que o fluxo de pessoas com formação superior começou há muito tempo". O que resultará da liberdade de movimentação, por exemplo, no espaço da União, e que é, até certo ponto, esperado.
Desenvolvimento em risco. Mas o fluxo de emigração qualificada resulta também numa maior debilidade estrutural dos países de origem, que vêem sair os seus recursos mais bem preparados para melhorar os índices de desenvol- vimento económico e social. O relatório do BM alerta para o facto de esta fuga de cérebros afectar sobretudo os países pobres, numa dicotomia já habitual de Sul/Norte, e de não ser tão evidente nas potências emergentes (como, por exemplo, China e Índia) do grupo das nações em desenvolvimento.
De acordo com os números do relatório (que não contabilizam a imigração ilegal), mais de um terço do total da imigração que chegou aos países da OCDE era qualificada. Um número muito eleva-do, se se tiver em conta que, a nível da mão-de-obra mundial, apenas 11,3% têm formação superior. Entre 1990 e 2000, a proporção de recursos humanos qualificados que procuraram os países da OCDE cresceu quase cinco pontos percentuais, superando os 20 milhões de pessoas. Tendo também aumentado a percentagem de trabalhadores com o ensino secundário, é evidente que o fluxo de mão-de- -obra pouco qualificada tem vindo a perder importância.
A "fuga de cérebros" resulta também do facto de os países de origem mais procurados terem adoptado políticas selectivas a nível da imigração, procurando especificamente trabalhadores com melhores qualificações. A esta filosofia de acolhimento não será alheio o facto de, por exemplo, mais de metade dos imigrantes do Canadá serem licenciados, assim como 42,7% virem da Nova Zelândia ou 40% dos Estados Unidos.
Lusofonia. Três ex-colónias portuguesas estão também entre as mais "exportadoras" mundiais de recursos humanos qualificados. Cerca de 67,5% dos licenciados de Cabo Verde estão fora deste arquipélago, assim como 45% dos moçambicanos e um terço dos angolanos. Portugal será assim um dos países que mais recebem esta mão--de-obra, ainda que este fluxo imigrante africano e também dos países de Leste não chegue para compensar a "perda" dos emigrantes portugueses. De facto, no balanço entre recursos humanos qualificados que saem do país e os que chegam, Portugal fica a perder. Aliás, este indicador líquido de "fuga de cérebros" piorou entre 1900 e 2000, tendo quase duplicado.
Contudo, o maior problema é, para Azeredo Lopes, o facto de Portugal não estar a atenuar este efeito através de um melhor aproveitamento da comunidade imigrante em Portugal. "Estamos atra- sados no reconhecimento das minorias, na afirmação de um país multicultural e multilinguístico", afirma este especialista. Não são raros os casos de imigrantes, sobretudo de Leste, com formação superior, a exercer profissões pouco qualificadas. "Este é um percurso migratório muito recente e se eles virem os seus países, agora na UE, a crescer, vão-se embora, porque não valorizamos a vida destas pessoas e dos filhos."
Estou vivo
Há algum tempo que não escrevo. Não é porque tenha pouco para contar, mas porque aprendi a calar-me e porque sei que muita gente vive, diariamente, vidas quase iguais à minha. Na verdade é-me mais fácil escrever quando estou fora, não porque queira me expor, mas porque sinto necessidade de me manter próximo e porque há sempre coisas diferentes que, vistas pelo meu olhar alienígena, dão uma boa crónica.
Por outro lado, em pleno século XXI, descobri que uma empresa, que se diz de Telecomunicações, consegue trabalhar uma semana sem acesso à Internet. Parece ridículo, mas é pragmático do nível de excelência que se vive nesta área de negócios. Não é só cá! Há histórias igualmente ridículo-assustadoras noutras partes do globo, onde já tive o prazer de trabalhar.
Há muitas novidades, mas não vos vou contar nenhuma. Tenho um telemóvel novo, mas não vos conto a história e como tem mudado a minha organização. Tenho umas fotos tiradas com ele, mas não vos vou já mostrar. Fui ver o Kimmo Pohjonen, mas não vos vou contar como se sai do emprego às 21:15, come-se uma bola-de.berlim de jantar, se vê um concerto comovente e se volta para trabalhar às 23:00. Tenho algumas histórias hilariantes para contar, mas não estou com disposição para as escrever. Estou a dar formação à noite, depois de ter estado a assistir a uma e não tenho tempo para mim há quase dois meses.
Estou nostálgico! Estou com sono! Tenho saudades... Acho que é o nosso fado português! Sermos assim...
Como disse há dias a um amigo, que me perguntou "Como estás?" – "Eu ando fo**** com o trabalho (como é costume), apreensivo com a vida e esperançado com o futuro".
Por outro lado, em pleno século XXI, descobri que uma empresa, que se diz de Telecomunicações, consegue trabalhar uma semana sem acesso à Internet. Parece ridículo, mas é pragmático do nível de excelência que se vive nesta área de negócios. Não é só cá! Há histórias igualmente ridículo-assustadoras noutras partes do globo, onde já tive o prazer de trabalhar.
Há muitas novidades, mas não vos vou contar nenhuma. Tenho um telemóvel novo, mas não vos conto a história e como tem mudado a minha organização. Tenho umas fotos tiradas com ele, mas não vos vou já mostrar. Fui ver o Kimmo Pohjonen, mas não vos vou contar como se sai do emprego às 21:15, come-se uma bola-de.berlim de jantar, se vê um concerto comovente e se volta para trabalhar às 23:00. Tenho algumas histórias hilariantes para contar, mas não estou com disposição para as escrever. Estou a dar formação à noite, depois de ter estado a assistir a uma e não tenho tempo para mim há quase dois meses.
Estou nostálgico! Estou com sono! Tenho saudades... Acho que é o nosso fado português! Sermos assim...
Como disse há dias a um amigo, que me perguntou "Como estás?" – "Eu ando fo**** com o trabalho (como é costume), apreensivo com a vida e esperançado com o futuro".
sexta-feira, outubro 21, 2005
Rang Mahal
Não há melhor comida, em qualquer parte do mundo onde já tenha estado (e considero que já estive em muito lado) , do que a comida portuguesa. A espanhola por vezes aproxima-se e a de S. Tomé, apesar de diferente, chega a ser quase tão boa. Mas a indiana é aquela que, logo a seguir à portuguesa, me faz crescer água na boca. Se calhar porque, como nasci em Moçambique, sempre houve caril e xacuti em minha casa (sabiam que se o Vasco da Gama não tivesse parado em Moçambique muito dificilmente chegaria à Índia? Sim! Não se fala disso na escola, mas os marinheiros estavam a morrer de escorbuto e deram-lhes fruta de boas vindas, o que os salvou e ele contratou um piloto indiano para o fazer chegar à Índia. Porque a costa oriental de África há muito que comercializava com os indianos.)
Isto tudo para falar de um restaurante indiano que existe aqui em Aveiro. É o terceiro restaurante indiano que abre em Aveiro e nenhum dos anteriores sobreviveu muito tempo, pelo que gostaria que este, porque a comida é melhor, tivesse melhor sorte. Chama-se Rang Mahal e é no mesmo sítio do Indo-Paquistanês, ali na rua "direita" (R. dos Combatentes da Grande Guerra), numa galeria do lado direito quem desce do Marquês para as Pontes (se tiverem o Google Earth sigam o link).

Tem um Nan muito bom, feito mesmo por eles. Tem uma série de pratos de Caril, Xacuti, Balti e Tandoori. Tem também pratos vegetarianos o que neste país é uma raridade.
O facto de dizer que tem comida italiana prende-se com o facto de à hora do almoço servirem refeições económicas e porque têm que sobreviver. Mas peçam o menu de comida indiana.
Quando querem marcar lá um jantar?
Isto tudo para falar de um restaurante indiano que existe aqui em Aveiro. É o terceiro restaurante indiano que abre em Aveiro e nenhum dos anteriores sobreviveu muito tempo, pelo que gostaria que este, porque a comida é melhor, tivesse melhor sorte. Chama-se Rang Mahal e é no mesmo sítio do Indo-Paquistanês, ali na rua "direita" (R. dos Combatentes da Grande Guerra), numa galeria do lado direito quem desce do Marquês para as Pontes (se tiverem o Google Earth sigam o link).
Tem um Nan muito bom, feito mesmo por eles. Tem uma série de pratos de Caril, Xacuti, Balti e Tandoori. Tem também pratos vegetarianos o que neste país é uma raridade.
O facto de dizer que tem comida italiana prende-se com o facto de à hora do almoço servirem refeições económicas e porque têm que sobreviver. Mas peçam o menu de comida indiana.
Quando querem marcar lá um jantar?
quinta-feira, outubro 20, 2005
Máquina de Passar Tempo
Ainda na senda do tempo.
Hoje nuns 5 minutos que naveguei aqui pela blogosfera, encontrei este texto que tomei a liberdade de trascrever partilhando-o convosco. Podem encontrá-lo escrito, no seu blog, por Rui Werneck de Capistrano.
Está em português do Brasil!
"MÁQUINA DE PASSAR TEMPO
Não, você não leu direito o título. Ele não queria inventar a Máquina do Tempo. A perseguida por tantos e tantos cientistas sérios ou malucos. Aquela de ir e vir no tempo. De visitar a infância ou a velhice. O que ele queria mesmo era inventar a Máquina de Passar Tempo. Só isso. Por onde começar? Que apetrechos usar? Melhor pensar. Sentou-se na melhor poltrona da casa e lá ficou. Zen. Quase nem. Sem porém. Cinco horas mais tarde, ainda estava pensando. Precisaria energia elétrica? Pneus de bicicleta, acelerador de partículas, cartas de baralho? Indeciso, pensava. Logo mais apalpou a poltrona, o tecido macio, e resolveu começar por ela. Adaptou um volante de automóvel, um dial de rádio, motor de liquidificador. Daí em diante, foi fácil. Uma cúpula de abajur, dois garfos e uma faca, uma pá de ventilador, roldanas de persiana. Ficou dois dias indeciso entre uma ou cinco cordas de violão. Decidiu por cinco. Pelos dez dias seguintes visitou ferros-velhos e catou tudo que parecia bom de usar. A família estranhou, os vizinhos balançaram a cabeça. Noite e dia ele pregava, serrava, soldava. Lógico que correu a notícia de que ele endoidara. Pirou. Está dando milho para bicicleta. Jogando queda de braço com toca-discos. Até que, num belo dia de chuva, ele abriu a casa para os curiosos.
— Vejam! Vejam! Inventei a Máquina de Passar Tempo!
Risos, muxoxos, bocas franzidas.
— Não acreditam, né? Pois, olhem: comecei a fabricá-la no dia 29 de novembro de 1993. O calendário mostra que hoje é 23 de novembro de 1994 e eu nem senti o tempo passar. Ele fez passar um ano inteiro! E o melhor vem agora: ela nem está pronta ainda! Pelos meus cálculos e estudos, acho que preciso de mais uns dez ou doze anos. Isso se eu achar todas as peças. Agora, pronta, pronta, funcionando sem nenhum barulhinho, leva ainda uns trinta anos. Aí, posso requerer patente. E revender. Mas isso, isso se eu não descobrir um jeito de modernizá-la, colocando peças tecnologicamente mais avançadas, ecologicamente corretas. Bom, aí vão mais uns cinqüenta anos. Acreditam? Não? Esperam pra ver. Esperem pra ver..."
Hoje nuns 5 minutos que naveguei aqui pela blogosfera, encontrei este texto que tomei a liberdade de trascrever partilhando-o convosco. Podem encontrá-lo escrito, no seu blog, por Rui Werneck de Capistrano.
Está em português do Brasil!
"MÁQUINA DE PASSAR TEMPO
Não, você não leu direito o título. Ele não queria inventar a Máquina do Tempo. A perseguida por tantos e tantos cientistas sérios ou malucos. Aquela de ir e vir no tempo. De visitar a infância ou a velhice. O que ele queria mesmo era inventar a Máquina de Passar Tempo. Só isso. Por onde começar? Que apetrechos usar? Melhor pensar. Sentou-se na melhor poltrona da casa e lá ficou. Zen. Quase nem. Sem porém. Cinco horas mais tarde, ainda estava pensando. Precisaria energia elétrica? Pneus de bicicleta, acelerador de partículas, cartas de baralho? Indeciso, pensava. Logo mais apalpou a poltrona, o tecido macio, e resolveu começar por ela. Adaptou um volante de automóvel, um dial de rádio, motor de liquidificador. Daí em diante, foi fácil. Uma cúpula de abajur, dois garfos e uma faca, uma pá de ventilador, roldanas de persiana. Ficou dois dias indeciso entre uma ou cinco cordas de violão. Decidiu por cinco. Pelos dez dias seguintes visitou ferros-velhos e catou tudo que parecia bom de usar. A família estranhou, os vizinhos balançaram a cabeça. Noite e dia ele pregava, serrava, soldava. Lógico que correu a notícia de que ele endoidara. Pirou. Está dando milho para bicicleta. Jogando queda de braço com toca-discos. Até que, num belo dia de chuva, ele abriu a casa para os curiosos.
— Vejam! Vejam! Inventei a Máquina de Passar Tempo!
Risos, muxoxos, bocas franzidas.
— Não acreditam, né? Pois, olhem: comecei a fabricá-la no dia 29 de novembro de 1993. O calendário mostra que hoje é 23 de novembro de 1994 e eu nem senti o tempo passar. Ele fez passar um ano inteiro! E o melhor vem agora: ela nem está pronta ainda! Pelos meus cálculos e estudos, acho que preciso de mais uns dez ou doze anos. Isso se eu achar todas as peças. Agora, pronta, pronta, funcionando sem nenhum barulhinho, leva ainda uns trinta anos. Aí, posso requerer patente. E revender. Mas isso, isso se eu não descobrir um jeito de modernizá-la, colocando peças tecnologicamente mais avançadas, ecologicamente corretas. Bom, aí vão mais uns cinqüenta anos. Acreditam? Não? Esperam pra ver. Esperem pra ver..."
The Time is Now
Ainda sobre o tempo.
And we gave it time
All eyes are on the clock
But time takes too much time
Please make the waiting stop
[...]
Tempted by fear
And I won't hesitate
The time is now
And I can't wait
[...]
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment... Last
"The Time is Now" - Moloko
And we gave it time
All eyes are on the clock
But time takes too much time
Please make the waiting stop
[...]
Tempted by fear
And I won't hesitate
The time is now
And I can't wait
[...]
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment... Last
"The Time is Now" - Moloko
segunda-feira, outubro 17, 2005
Menos um (ou mais um)
Hoje fiquei mais só.
Mais um colega, e amigo, emigrou. Já são alguns, aqueles que optaram por partir. Mais um português em Inglaterra.
Menos um para andar de bicicleta. Menos um para sair às quintas-feiras. Menos um para conversar no emprego. Menos um quadro válido em Portugal.
Eu vou ficando.
Mais um colega, e amigo, emigrou. Já são alguns, aqueles que optaram por partir. Mais um português em Inglaterra.
Menos um para andar de bicicleta. Menos um para sair às quintas-feiras. Menos um para conversar no emprego. Menos um quadro válido em Portugal.
Eu vou ficando.
quinta-feira, outubro 13, 2005
As minhas fotos (em formato um pouco maior)
Luís,
Embora não seja actualizado há algum tempo e não tenha fotos posteriores a 2003, muitas fotos minhas estão em r u i g o n ç a l v e s - fotografia | photography.

Pretendo mudar o site e mesmo retirar algumas fotografias que acho que já lá não estão a fazer nada, para além de ocuparem espaço e distraírem os visitantes. Já ando a pensar nisso há algum tempo, mas ultimamente mais, porque além disso não estão lá as fotos todas das minhas exposções.

Fica (fiquem) atento(s) porque estou a preparar outra.
Abraço
Rui
P.S.: Boa sorte na tua nova aventura em terras de S. Majestade.
Embora não seja actualizado há algum tempo e não tenha fotos posteriores a 2003, muitas fotos minhas estão em r u i g o n ç a l v e s - fotografia | photography.
Pretendo mudar o site e mesmo retirar algumas fotografias que acho que já lá não estão a fazer nada, para além de ocuparem espaço e distraírem os visitantes. Já ando a pensar nisso há algum tempo, mas ultimamente mais, porque além disso não estão lá as fotos todas das minhas exposções.
Fica (fiquem) atento(s) porque estou a preparar outra.
Abraço
Rui
P.S.: Boa sorte na tua nova aventura em terras de S. Majestade.
terça-feira, outubro 11, 2005
(Ex)Citação XXI
"Cai sete vezes, levanta-te oito."
Provérbio Japonês
segunda-feira, outubro 10, 2005
(Ex)Citação XX
"A nossa maior glória não está em nunca cair, mas em levantarmo-nos de cada vez que caímos."
Confúcio
O Tempo
Mais um dia! Cheguei aqui há algum tempo e desde aí que tenho esperado que o tempo passe. Porque "o tempo faz com que as coisas mudem", pensei eu nessa altura. Mas o passar do tempo apenas nos faz ficar com menos tempo. Tempo esse, que pretendemos que seja para mudar aquilo que não mudámos a seu tempo.
A verdade é que nunca acreditei na história do D. Sebastião, mas como todos aqui, acredito que haverá um tempo melhor que este. Um tempo em que terei tempo para fazer aquilo a que gosto de dedicar o meu tempo. Para eu próprio ser fruto do meu tempo e quem sabe até ter algum tempo livre.
Mas o tempo não mudou nada. Se calhar "ainda não passou o tempo necessário", penso eu. "É preciso dar tempo ao tempo". A verdade é que o tempo foi passando e apenas foi me dando uma precessão de lugares comuns. O tempo é apenas tempo, porque como me diziam em miúdo, naquela ladainha, "o tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem". Ou seja, não faz mudar nada, para além do próprio tempo. E, já não tenho tempo para isso...
Afinal o que se passou neste tempo todo? Cada um gastou o tempo a fazer aquilo que o seu tempo permitia. Alguns arranjaram um passatempo, outros olharam pela janela e viram o tempo a passar. Mataram o tempo! "Porque quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro" ou, mesmo, para mudar o que quer que seja.
Agora, voltou a chuva e o tempo frio. Mas a mudança não veio, como dizia aquela música festivaleira "o vento mudou e ela não voltou". É do meu tempo? Não! É do tempo dos meus pais.
Eu não gosto do tempo. Não gosto das horas, dos minutos, dos segundos... O tempo apenas nos faz esquecer, não muda nada. Se calhar, não é o tempo, mas sou eu que tenho que mudar. Será que ainda vou a tempo? É que o tempo não volta para trás...
Mas, agora, é tempo de mudar!
A verdade é que nunca acreditei na história do D. Sebastião, mas como todos aqui, acredito que haverá um tempo melhor que este. Um tempo em que terei tempo para fazer aquilo a que gosto de dedicar o meu tempo. Para eu próprio ser fruto do meu tempo e quem sabe até ter algum tempo livre.
Mas o tempo não mudou nada. Se calhar "ainda não passou o tempo necessário", penso eu. "É preciso dar tempo ao tempo". A verdade é que o tempo foi passando e apenas foi me dando uma precessão de lugares comuns. O tempo é apenas tempo, porque como me diziam em miúdo, naquela ladainha, "o tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem". Ou seja, não faz mudar nada, para além do próprio tempo. E, já não tenho tempo para isso...
Afinal o que se passou neste tempo todo? Cada um gastou o tempo a fazer aquilo que o seu tempo permitia. Alguns arranjaram um passatempo, outros olharam pela janela e viram o tempo a passar. Mataram o tempo! "Porque quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro" ou, mesmo, para mudar o que quer que seja.
Agora, voltou a chuva e o tempo frio. Mas a mudança não veio, como dizia aquela música festivaleira "o vento mudou e ela não voltou". É do meu tempo? Não! É do tempo dos meus pais.
Eu não gosto do tempo. Não gosto das horas, dos minutos, dos segundos... O tempo apenas nos faz esquecer, não muda nada. Se calhar, não é o tempo, mas sou eu que tenho que mudar. Será que ainda vou a tempo? É que o tempo não volta para trás...
Mas, agora, é tempo de mudar!
terça-feira, outubro 04, 2005
Palhaça: "Prioridades"
28 de Setembro, 16:30
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços com uma folha de papel na mão. Chega junto de Rodrigo Rodrigues, e diz, mostrando a folha de defeito, detectado pelos resultados dos testes aos chouriços, feitos pela equipa de qualidade.
- "Defeito 1787 confirmado. Como é de prioridade média e não vem do grupo de aceitação, não vamos para já agendar nenhuma mudança para esta semana, a menos que cheguem outros de prioridade alta. Devem-se concentrar nas encomendas em curso."
E afasta-se!
30 de Setembro, 12:39
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços. Dirige-se a Rodrigo Rodrigues, e diz:
- "O meu objectivo para o próximo pacote seria: Defeito 1787 corrigido, metade da encomenda em curso realizada e melhoria da embalagem."
Rodrigo olha para ela e, surpreso, gagueja, contendo a resposta.
Continua a trabalhar, enquanto ela se afasta. Ao que ela retorna dizendo:
- "Achas que pode ser para hoje?"
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços com uma folha de papel na mão. Chega junto de Rodrigo Rodrigues, e diz, mostrando a folha de defeito, detectado pelos resultados dos testes aos chouriços, feitos pela equipa de qualidade.
- "Defeito 1787 confirmado. Como é de prioridade média e não vem do grupo de aceitação, não vamos para já agendar nenhuma mudança para esta semana, a menos que cheguem outros de prioridade alta. Devem-se concentrar nas encomendas em curso."
E afasta-se!
30 de Setembro, 12:39
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços. Dirige-se a Rodrigo Rodrigues, e diz:
- "O meu objectivo para o próximo pacote seria: Defeito 1787 corrigido, metade da encomenda em curso realizada e melhoria da embalagem."
Rodrigo olha para ela e, surpreso, gagueja, contendo a resposta.
Continua a trabalhar, enquanto ela se afasta. Ao que ela retorna dizendo:
- "Achas que pode ser para hoje?"
sexta-feira, setembro 23, 2005
Alice no País das Maravilhas
"But I don't want to go among mad people," Alice remarked.
"Oh, you can't help that," said the Cat: "we're all mad here. I'm mad. You're mad."
"How do you know I'm mad?" said Alice.
"You must be," said the Cat, "or you wouldn't have come here."
Há cerca de quatro meses e meio mandei o meu CV para uma, relativamente grande, empresa de telecomunicações, sediada aqui em Aveiro. Sei, através de conhecimentos meus internos na empresa, que o meu CV andou a circular por alguns departamentos. Aliás, no mesmo dia que o meu CV foi distribuído pelos directores de departamento recebi um e-mail de uma outra "empresa", também de Aveiro, que só presta serviços para a primeira empresa, a propor-me uma entrevista. Coisa que me surpreendeu por nunca me ter candidatado a esta última "empresa".
Há 3 meses que trabalho para uma terceira empresa (nesta história), que como a segunda tem como quase único cliente a primeira empresa (da história). Ou seja a primeira empresa contrata os serviços a tempo inteiro dos colaboradores destas (e mais) empresas, gerindo-os directamente, para realizar os seus serviços.
Ontem recebi o seguinte e-mail, que suponho seja a resposta àquela candidatura que falei no início da história.
"Vimos pela presente acusar a recepção da sua candidatura à, a qual mereceu a nossa melhor atenção, e agradecer o interesse manifestado por esta Empresa.
Aproveitamos para informar que, de momento, não temos previstas necessidades de emprego no âmbito das suas qualificações académicas e profissionais. Contudo, e se isso for de seu interesse, iremos manter o seu Curriculum Vitae na nossa base de dados, por um período de um ano, para ser considerado numa eventual futura selecção. "
Depois de três meses a trabalhar para esta (primeira) empresa.
"Oh, you can't help that," said the Cat: "we're all mad here. I'm mad. You're mad."
"How do you know I'm mad?" said Alice.
"You must be," said the Cat, "or you wouldn't have come here."
Há cerca de quatro meses e meio mandei o meu CV para uma, relativamente grande, empresa de telecomunicações, sediada aqui em Aveiro. Sei, através de conhecimentos meus internos na empresa, que o meu CV andou a circular por alguns departamentos. Aliás, no mesmo dia que o meu CV foi distribuído pelos directores de departamento recebi um e-mail de uma outra "empresa", também de Aveiro, que só presta serviços para a primeira empresa, a propor-me uma entrevista. Coisa que me surpreendeu por nunca me ter candidatado a esta última "empresa".
Há 3 meses que trabalho para uma terceira empresa (nesta história), que como a segunda tem como quase único cliente a primeira empresa (da história). Ou seja a primeira empresa contrata os serviços a tempo inteiro dos colaboradores destas (e mais) empresas, gerindo-os directamente, para realizar os seus serviços.
Ontem recebi o seguinte e-mail, que suponho seja a resposta àquela candidatura que falei no início da história.
"Vimos pela presente acusar a recepção da sua candidatura à
Aproveitamos para informar que, de momento, não temos previstas necessidades de emprego no âmbito das suas qualificações académicas e profissionais. Contudo, e se isso for de seu interesse, iremos manter o seu Curriculum Vitae na nossa base de dados, por um período de um ano, para ser considerado numa eventual futura selecção.
Depois de três meses a trabalhar para esta (primeira) empresa.
quinta-feira, setembro 22, 2005
A minha vida dava um filme do Tim Burton
Entrei! A porta de metal, com uma grade, abriu-se e tocou uma campainha. A menos de mim, e de uma senhora que não tirou os olhos do jornal, não estava mais ninguém ali. Subi as escadas e esperei que aparecesse alguém mais, uma vez que a senhora não me pareceu muito interessada em me informar do que se passava. Sentei-me, num banco corrido, junto ao corrimão da escada, que tinha acabado de subir desde a porta.
Tocou o telefone! De repente oiço alguém a subir as escadas, mas adopto a reacção da senhora, no outro banco, como se fosse o procedimento normal de quem ali espera por algo e mantenho os olhos naquele artigo sobre os atentados ecológicos em Portugal. Um artigo sem grande interesse e cheio de lugares comuns, mas informativo para quem não vive neste mundo e compra a Visão.
No entretanto entram mais duas pessoas. Toca a campainha, mas quem devia de atender, está a atender um telefonema. Sobem as escadas e olham em volta, como se houvesse muito para ver. Entram numa das salas, em frente a mim, e vão-se embora. Eu conheci o tipo, que acompanhava uma jovem borbulhenta nesta rápida visita às instalações, enquanto a senhora lê o jornal, eu a Visão e o outro atende o telefone. Era um amigo de uma amiga, a quem fui levar uns CDs há umas semanas, e que foi em tempos patrão de um outro amigo meu. Cumprimentámo-nos timidamente, quando levantei os olhos da revista.
Depois de findo o telefonema, o homem, de barba grisalha e sotaque, pergunta-me, simpaticamente, o que procurava eu ali. Respondi-lhe que vinha para uma consulta de acupunctura. "Ok! Espere um pouco aqui" – apontando para a porta fechada, em frente – "Ele está neste momento a atender outro cliente". E continuei a ler os atentados ecológicos em Portugal.
A porta, à minha frente, abre-se! Sai de lá um tipo com 1,80m e com um volumetria que ocupou a improvisada sala de espera ali no vão de escada. Era o companheiro da senhora do jornal, que pela primeira vez levantou os olhos do mesmo. Falaram qualquer coisa e foram-se embora.
Nisto, o tipo de bata branca e luva de plástico na mão direita, diz, olhando na minha direcção "Rui? Pode entrar!". O acupunctor é brasileiro, preto (ou marron, como ele diz "No Brasiú preto é assim marron..."), com um cabelo lambido para trás, com reflexos meios cobreados, com alguma dificuldade em abrir os olhos, mas com um lindo e aberto sorriso que enche a sala, decorada com mobiliário de consultório com 30 anos.
Deito-me na marquesa e ele liga o almofada vibratória para eu relaxar. Não que estivesse nervoso, mas algo tenso! Já dei sangue e fiz algumas análises, mas era a primeira vez que me iam espetar agulhas com fins terapêuticos. Começou por me analisar na orelha, com um medidor de continuidade eléctrica, quais os órgãos, ou sintomas, que eu precisava de ver melhorados. Intestinos, pulmões e a ansiedade!
A conversa foi desenrolando, enquanto me espetava as agulhas nos meridianos que regulavam as energias que os afectavam. Para balançar o Yin e o Yang, porque eu tenho Yang a mais, disse ele. Uma das agulhas, no cotovelo do braço direito, paralisava-me completamente os movimentos e até senti a mão dormente, mas as das pernas e dos pés nem as senti. Acho que estava algo tenso, por ser final de um dia de trabalho, e como não conseguia ter uma posição confortável dos braços, fazia alguma força. Ou então, o meu lado direito (o Yang) estava a resentir-se.
Conversámos das vantagens de viver em Portugal e dos males do Brasil. De racismo e de extraterrestres. Enquanto as agulhas foram fazendo o seu serviço no meu corpo e enquanto me espetava umas pequenas (quase invisíveis) agulhas na orelha direita. E assim ando há uma semana, com agulhas na orelha! Umas vezes dói mais uma ou outra, mas neste momento só me dói a que está no meridiano do intestino grosso.
E ando com agulhas na bolsa, porque amanhã volto lá outra vez.
Tocou o telefone! De repente oiço alguém a subir as escadas, mas adopto a reacção da senhora, no outro banco, como se fosse o procedimento normal de quem ali espera por algo e mantenho os olhos naquele artigo sobre os atentados ecológicos em Portugal. Um artigo sem grande interesse e cheio de lugares comuns, mas informativo para quem não vive neste mundo e compra a Visão.
No entretanto entram mais duas pessoas. Toca a campainha, mas quem devia de atender, está a atender um telefonema. Sobem as escadas e olham em volta, como se houvesse muito para ver. Entram numa das salas, em frente a mim, e vão-se embora. Eu conheci o tipo, que acompanhava uma jovem borbulhenta nesta rápida visita às instalações, enquanto a senhora lê o jornal, eu a Visão e o outro atende o telefone. Era um amigo de uma amiga, a quem fui levar uns CDs há umas semanas, e que foi em tempos patrão de um outro amigo meu. Cumprimentámo-nos timidamente, quando levantei os olhos da revista.
Depois de findo o telefonema, o homem, de barba grisalha e sotaque, pergunta-me, simpaticamente, o que procurava eu ali. Respondi-lhe que vinha para uma consulta de acupunctura. "Ok! Espere um pouco aqui" – apontando para a porta fechada, em frente – "Ele está neste momento a atender outro cliente". E continuei a ler os atentados ecológicos em Portugal.
A porta, à minha frente, abre-se! Sai de lá um tipo com 1,80m e com um volumetria que ocupou a improvisada sala de espera ali no vão de escada. Era o companheiro da senhora do jornal, que pela primeira vez levantou os olhos do mesmo. Falaram qualquer coisa e foram-se embora.
Nisto, o tipo de bata branca e luva de plástico na mão direita, diz, olhando na minha direcção "Rui? Pode entrar!". O acupunctor é brasileiro, preto (ou marron, como ele diz "No Brasiú preto é assim marron..."), com um cabelo lambido para trás, com reflexos meios cobreados, com alguma dificuldade em abrir os olhos, mas com um lindo e aberto sorriso que enche a sala, decorada com mobiliário de consultório com 30 anos.
Deito-me na marquesa e ele liga o almofada vibratória para eu relaxar. Não que estivesse nervoso, mas algo tenso! Já dei sangue e fiz algumas análises, mas era a primeira vez que me iam espetar agulhas com fins terapêuticos. Começou por me analisar na orelha, com um medidor de continuidade eléctrica, quais os órgãos, ou sintomas, que eu precisava de ver melhorados. Intestinos, pulmões e a ansiedade!
A conversa foi desenrolando, enquanto me espetava as agulhas nos meridianos que regulavam as energias que os afectavam. Para balançar o Yin e o Yang, porque eu tenho Yang a mais, disse ele. Uma das agulhas, no cotovelo do braço direito, paralisava-me completamente os movimentos e até senti a mão dormente, mas as das pernas e dos pés nem as senti. Acho que estava algo tenso, por ser final de um dia de trabalho, e como não conseguia ter uma posição confortável dos braços, fazia alguma força. Ou então, o meu lado direito (o Yang) estava a resentir-se.
Conversámos das vantagens de viver em Portugal e dos males do Brasil. De racismo e de extraterrestres. Enquanto as agulhas foram fazendo o seu serviço no meu corpo e enquanto me espetava umas pequenas (quase invisíveis) agulhas na orelha direita. E assim ando há uma semana, com agulhas na orelha! Umas vezes dói mais uma ou outra, mas neste momento só me dói a que está no meridiano do intestino grosso.
E ando com agulhas na bolsa, porque amanhã volto lá outra vez.
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A minha vida dava um filme...
quarta-feira, setembro 21, 2005
TOTO
O meu telemóvel da NEC (que envergonhadamente posso dizer que tem código feito por mim), o N338 (nome de projecto: Luigi) deu o "peido". Já é a segunda vez num ano! Como é que um telemóvel do calibre deste, que supostamente era o 3G mais pequeno do mercado, e cujo custo rondava os 300 euros, avaria assim?
Da última vez deixava cair as chamadas. Desta vez quando me telefonam ou eu telefono, não consigo ouvir quem está do outro lado.
Da última consegui "flashar" o telemóvel de novo. Desta vez pode ser que "flashe"-o com o autocolismo.
Cloaca Maxima
Estou num curso de formação profissional de Gestão Estratégica. À noite, depois de um longo dia de trabalho.
Aqui fala-se de tudo o que a maioria das empresas portuguesas nem pensam. Fala-se de levantamento de problemas, resolução de problemas, factores que influênciam as empresas, poder negocial, potencial de novas entradas, pressão de produtos substitutos, modelo das cinco forças, intervenção, antecipação...
Porque é que não está aqui nenhum empresário das empresas que eu conheço? Só estão aqui empresários de pequenas empresas. Com aspirações, porque os outros ou não as têem ou acham que já não precisam.
quarta-feira, setembro 14, 2005
(Ex)Citação XIX
"Teachers open the door, but you must enter by yourself."
Provérbio Chinês
terça-feira, setembro 13, 2005
Saudades
Hoje fiz uma coisa que já não fazia há muito tempo. Estive com uma pessoa de quem já tinha imensas saudades. Falámos de coisas que já nem me lembrava.
Hoje estive na minha companhia.
Ah! Saudades...
Hoje estive na minha companhia.
Ah! Saudades...
segunda-feira, setembro 12, 2005
Palhaça: "Estou saturada, vou de férias!"
Marta Borges, ao fim de uns meses sem aparecer, passeia-se pela linha de enchimento de chouriços.
Ao passar por Rodrigo Rodrigues, repara que o enchimento dos chouriços está a ser feito sem seguir o normal processo de enchimento e diz:
- "Estou a ficar um pouco saturada destas situações de erros sobre coisas que já estiveram correctas! Ultimamente têm sido todas do género. Este é mais um caso."
Rodrigo olha para ela e contendo a resposta continua a trabalhar, sem perceber bem o que está mal. Nisto continua Marta:
- "Mais queria informar que para a semana estou de férias. Por isso gostaria de ver hoje ainda o andamento deste enchimento de chouriços, a entregar na 2ª a tempo de meter no pacote e enviar."
E afasta-se! Não mais se viu na linha durante dois meses.
Ao passar por Rodrigo Rodrigues, repara que o enchimento dos chouriços está a ser feito sem seguir o normal processo de enchimento e diz:
- "Estou a ficar um pouco saturada destas situações de erros sobre coisas que já estiveram correctas! Ultimamente têm sido todas do género. Este é mais um caso."
Rodrigo olha para ela e contendo a resposta continua a trabalhar, sem perceber bem o que está mal. Nisto continua Marta:
- "Mais queria informar que para a semana estou de férias. Por isso gostaria de ver hoje ainda o andamento deste enchimento de chouriços, a entregar na 2ª a tempo de meter no pacote e enviar."
E afasta-se! Não mais se viu na linha durante dois meses.
domingo, setembro 11, 2005
Há quatro anos
Há 4 anos estava há cerca de uma semana num novo emprego. Numas instalações novas, que como é normal estavam atrasadas, e não tínhamos acesso à Internet. Eu e mais umas duas dezenas de novos empregados da NEC, em Aveiro.
Conhecia um ou outro, mas fui conhecendo os outros, como havia muitas horas mortas, porque sem rede não se conseguia trabalhar e estudar os dossiês sem poder exercitar cansava.
De repente, por volta da hora do almoço alguém diz que um avião tinha colidido com as torres gémeas no centro de Nova Iorque. Telefono a um amigo que me diz que se desconfia ser um avião da polícia, mas nesse preciso momento o segundo avião colide com a outra torre, deixando de haver dúvidas quanto às reais intenções do "acidente".
Sem poder saber o que se passou, para além de ver com os olhos de outros as notícias e de haverem várias versões cada uma baseada no que o "amigo lhe disse", saio às 18:00 e fui dar formação. Aí tinha acesso à Internet, mas não se consegue saber de nada porque a maioria dos sites estão de tal maneiras a serem solicitados que se torna impossível vê-los. Tento ler o meu mail no Yahoo, mas o acesso está interdito. O Estados Unidos estão "fechados".
Do outro lado dos Estados Unidos, de São Francisco, vão me chegando as notícias que as viagens estão limitadas e que as coisas estão paradas. Os meus amigos estão bem... Mas o país não volta a ser o mesmo. Em Nova Iorque, um amigo brasileiro, fotógrafo, caracteriza o ambiente da cidade como deprimente. Ele volta ao Brasil pouco depois.
O país mais potente do mundo mostra-se fragilizado, ferido e sem capacidade de reagir à surpresa. De repente começa a disparar para todos os lados com diversas teorias de conspiração e com a ajuda de uns amigos ataca o Iraque. O resto da história todos a sabemos. Aliás o Michael Moore faz questão de a desmontar em "Fahrenheit 911" ao ponto se nos sentirmos atraiçoados. Eu não porque nunca acreditei nem no Eixo do Mal, nem tão pouco no Trio Fantástico (que, ainda bem, nunca chegou a ser quarteto) dos Açores.
Uns meses depois a economia americana está de rastos. Silicon Valley definha e eu vejo aquilo que me fez voltar a casa um ano antes. Agora o Katrina vem mostrar que o país mais poderoso do mundo quando quer consegue ser terceiro mundista. Em directo na televisão. Aquilo que de melhor tem os Estados Unidos é aquilo que os torna tão vulneráveis. A "liberdade" que o estado permite na economia.
4 anos depois um 911 (ou um Katrina) também se passou em Aveiro e a maioria das pessoas que estavam nesse dia comigo a trabalhar estão neste momento dispersos. Uns em Coimbra, outros na Madeira, outros em Farnborough, outros em Manchester, outros em São Paulo ou Rio de Janeiro e alguns, ainda alguns, em Aveiro.
sexta-feira, setembro 02, 2005
Las ilusiones devastadas de Portugal
El 90% del bosque sigue estando en manos de 400.000 propietarios, en su mayoría dueños de parcelas de dos hectáreas.
Las condiciones climáticas de los tres últimos años -olas de calor consecutivas y la mayor sequía de que hay registro- destaparon el barril de pólvora.
Por cada 1.000 hectáreas, hay 7 veces más fuegos en Portugal que en España e Italia, 20 veces más que en Francia y 22 veces más que en Grecia.
La economía empezó a dar muestras de crisis a finales de 2000 y entró en recesión en el último trimestre de 2002, pese a un pequeño repunte a primeros de 2004.
in El Pais domingo, 28 de agosto de 2005
Las condiciones climáticas de los tres últimos años -olas de calor consecutivas y la mayor sequía de que hay registro- destaparon el barril de pólvora.
Por cada 1.000 hectáreas, hay 7 veces más fuegos en Portugal que en España e Italia, 20 veces más que en Francia y 22 veces más que en Grecia.
La economía empezó a dar muestras de crisis a finales de 2000 y entró en recesión en el último trimestre de 2002, pese a un pequeño repunte a primeros de 2004.
in El Pais domingo, 28 de agosto de 2005
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