Se gostaram das minhas fotos de que vos falei ontem, podem ver as outras que já tirei e que se incluêm no mesmo trabalho fotográfico. Podem ver a fotografia do ensaios FP branco 2005, do Lokal Calcário 2003, do Lokal Silex 2004, do ensaios FP Tinto 2004, do FLP ou do Espumante 3b.
Mas ainda melhor que fotografar as garrafas é abri-las e beber... Em breve aparecerão aqui as fotografias dos copos... Vazios!
Tudo começou em 2000 com a minha ida para a Califórnia para um estágio. As Crónicas foram servindo de diário da aventura. E continuam, mesmo depois de voltar... E de voltar a sair para Inglaterra, Japão, Luxemburgo, França, Finlândia, Holanda, São Tomé, etc...
Cada aventura ou momento que me permito partilhar está aqui nas Crónicas da Califórnia.
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terça-feira, agosto 29, 2006
: : : 1-big-O [v20.1]
segunda-feira, agosto 28, 2006
: : : 1-big-O [v20.0]
Há uns tempos a Filipa Pato pediu-me para fazer um trabalho fotográfico sobre um ano de vindima. Há uns meses fui tirar fotografias à vinha, antes desta começar a rebentar, mas chovia e eu andei, uma manhã quase toda, a tirar fotografias sem memória na máquina e das poucas fotografias que tirei poucas se aproveitaram.
No entretanto a vinha cresceu e nasceu o Baltasar e as coisas ficaram paradas. E, como já toda a gente sabe andei algo ocupado entre fraldas e noites mal passadas. Mas a semana passada a Filipa telefonou-me, no dia em que cheguei de "férias", porque no dia seguinte ia fazer a vindima para o espumante. E eu fui tirar fotografias na manhã do meu dia de nascimento (ou de aniversário).
Depois de uma noite atribulada, porque o Baltasar fica sempre um pouco alterado com viagens (ainda não se habituou), quase com o sol a pino (porque eu cheguei tarde) e sob 32º C, lá se fizeram umas fotos da apanha da uva para espumante.

Da sessão resultou um conjunto engraçado de fotografias que podem ver mais em pormenor aqui ou aqui.
Para aqueles mais curiosos, e que acham estranho apanhar a uva tão cedo: apanha-se agora a uva para espumante de modo a libertar a uva que será usada para fazer o vinho, para que esta mature melhor. Chama-se a esse processo "monda" (está-se sempre a aprender)!
No entretanto a vinha cresceu e nasceu o Baltasar e as coisas ficaram paradas. E, como já toda a gente sabe andei algo ocupado entre fraldas e noites mal passadas. Mas a semana passada a Filipa telefonou-me, no dia em que cheguei de "férias", porque no dia seguinte ia fazer a vindima para o espumante. E eu fui tirar fotografias na manhã do meu dia de nascimento (ou de aniversário).
Depois de uma noite atribulada, porque o Baltasar fica sempre um pouco alterado com viagens (ainda não se habituou), quase com o sol a pino (porque eu cheguei tarde) e sob 32º C, lá se fizeram umas fotos da apanha da uva para espumante.
Da sessão resultou um conjunto engraçado de fotografias que podem ver mais em pormenor aqui ou aqui.
Para aqueles mais curiosos, e que acham estranho apanhar a uva tão cedo: apanha-se agora a uva para espumante de modo a libertar a uva que será usada para fazer o vinho, para que esta mature melhor. Chama-se a esse processo "monda" (está-se sempre a aprender)!
terça-feira, abril 11, 2006
: : : 1-big-O [v19.0]
«Todos os dias estamos a aprender qualquer coisa e é na diferença que estamos a aprender»
Rui Gonçalves conta a sua experiência de «retorno ao Japão» através da exposição «nihon ni kaerimasu»

«Nihon ni kaerimasu», da autoria de Rui Gonçalves, é a exposição de fotografia e texto que está patente na Livraria o Navio de Espelhos até dia 7 de Abril, amanhã.
Esta exposição resulta de uma experiência de trabalho no Japão, em 2003, que Rui Gonçalves descreve como bastante intensa. É esta experiência pessoal que o autor procura compartilhar com o público. Tanto através das fotografias, como através dos textos. Durante uma conversa no espaço da Livraria o Navio de Espelhos, Rui Gonçalves partilhou com o CLIP alguns pormenores desta experiência e do conjunto ali exposto.
Esta exposição resulta de uma experiência de trabalho que o levou ao Japão. Tendo em conta que não faz da fotografia profissão, de que forma enquadra esta nas suas actividades em geral?
Eu sou licenciado em Engenharia Electrónica e Telecomunicações. Mas digamos que o trabalho é uma coisa e a tua vida é outra. Embora hajam muitas pessoas que fazem aquilo que gostam, como o outro diz «sermos felizes era pagarem-nos por aquilo que faríamos de graça», a verdade é que nós fazemos muita coisa de graça que não nos dá dinheiro para sermos felizes. Então, para sermos felizes, temos que ir ganhar dinheiro numa profissão que muitas vezes não é necessariamente aquilo que nos preenche por completo. E procuramos escapes. Eu tenho a fotografia como tenho outras coisas como escape. Como faço BTT, como faço montanha, como faço outras coisas.
Portanto, a fotografia é um hobbie?
Para aí há dois anos era mais do que é agora. Não tenho tirado muitas fotografias ultimamente. Mas, por exemplo, no Japão estive sozinho e sou uma pessoa que gosta muito de observar. Aliás, a exposição não é só de fotografia também tem textos. E muitos deles são observações daquilo que se passava à minha volta. Com isso, tento trazer um pouco daquilo que observei lá (e noutros sítios). Ou, mesmo cá, uso a máquina não para guardar os momentos que vivo (esses só mesmo contando ou lembrando), mas para enquadrar certos pormenores que às vezes são difíceis de contar por palavras.
«Nihon ni kaerimasu» é o nome da exposição (suponho que é japonês). Em algumas palavras, como traduziria este título? Qual o porquê deste título?
«Nihon» é Japão, «ni», em japonês utilizam-se sempre elementos de ligação entre duas palavras, liga a um lugar, «kaerimasu» é retornar, de presente. Eles lêem de trás para a frente, portanto, traduz-se «retorno ao Japão». Este título porque, na segunda vez que voltei ao Japão a primeira crónica que escrevi foi «retornei a Kamoi», que era a cidade onde estava. E escrevi em japonês assim, «Kamoi ni kaerimasu». Então, acho que este título serve para tentar dizer que esta é também é uma viagem de regresso. Eu fui lá e agora voltei lá, mas trouxe comigo as coisas que me permitem mostrar às pessoas o que é estar lá. No sentido em que é o meu retorno mas, para quem vê, se calhar não é um retorno. É um «abrir de olhos» provavelmente.
Descreve que o período em que esteve no Japão foi de tal modo intenso que o levou a «cultivar um fascínio especial pelo país». Com que aspectos da cultura japonesa e do país se prende esse fascínio?
Acho que todo e qualquer português tem um fascínio enorme pelo Japão. Eu tinha-o antes de ir. Na inauguração da exposição esteve presente um colega que esteve comigo no Japão. E a última pergunta que nos fizeram aos dois foi «Passando por isso tudo que vocês passaram lá, voltavam ao Japão?». A resposta foi «Voltávamos». Porque foi um período curto de tempo (2 meses em duas vezes) e durante esse período de tempo a intensidade das coisas era tão grande. E não só em termos visuais, mas em termos culturais, em termos de vivência, em termos de trabalho. Tudo era tão intenso que eu voltaria outra vez para experimentar tudo mais uma vez. Obviamente que, de cada vez que cheguei a Portugal, eu não queria ouvir falar do Japão. É difícil quando chegamos, pois estamos muito cansados. Mas o Japão é um país cheio de estímulos. Eu dou o exemplo de quando fui a África, há pouco tempo. A América não é tão diferente da Europa, apesar de ser diferente. Mas nós vamos a África e é um encher de estímulos completamente diferente dos nossos. E a Ásia é igual. O Japão por ser um país muito mais desenvolvido, muito mais populoso e a maneira intensa como se vivem as coisas, torna-se fascinante. O Japão não um país propriamente de belezas naturais (embora as tenha, só que eu não as vi), mas a cultura em si, o próprio ritmo de trabalho e as pessoas são fascinantes por serem muito diferentes. Todos os dias estamos a aprender qualquer coisa e é na diferença que estamos a aprender.
De que forma é que esses aspectos se exprimem nas fotografias que nos apresenta nesta exposição?
Eu preparei esta exposição há algum tempo. E fui pondo de parte as fotografias que achava que mais tinham a ver com os textos, mais do que escolher as melhores fotografias que tinha do Japão. Porque pretendia pôr as duas coisas. Provavelmente, algumas das fotografias escolhidas, se não tivessem os textos, não diziam nada a ninguém. E fui seleccionando as fotografias em função desta ideia. Inicialmente, fiz uma proposta para fazer a exposição para o «Anime Weekend» que foi recusada, por falta de dinheiro. Mas a exposição estava preparada e, portanto, a exposição veio para aqui [Livraria O Navio de Espelhos]. E foram as fotografias que já estavam, que não são necessariamente as melhores fotografias que tenho, mas foram aquelas que eu fui vendo que se enquadravam umas com as outras e com os textos.
E, no fundo, como é que se relaciona a fotografia e o texto neste trabalho?
A maior parte dos textos foi escrita quando eu estava lá. Eu retirei os textos das «Crónicas Depois Da Califórnia», que são textos que eu escrevia para os amigos quando estava lá, e que estão online. A maior parte das fotografias que estão aqui não foram tiradas a pensar nos textos, nem os textos a pensar nessas (fotografias. Foi a posteriori que fui vendo as fotografias e li os textos e vi as fotografias que se encaixavam melhor com os textos. Porque a ideia global é mostrar o que foi o Japão para mim. Daí o retorno meu ao Japão. Provavelmente, se olharmos para as fotografias até parece um sítio mais ou menos paradisíaco mas se lermos os textos que estão com algumas fotografias ficamos a perceber que o mundo não é assim tão fácil. E os textos enquadram-se nisso, são exactamente como escrevi no momento em estava lá.
Nesse caso, o texto e a fotografia podem funcionar de forma independente?
Os textos funcionam. Estão online no meu website, e as pessoas podem lê-lo na altura. As fotografias provavelmente as pessoas nunca as viram. Se pusesse aqui as fotografias sem os textos provavelmente o retorno não seria o mesmo para qualquer pessoa que viesse cá. E se expusesse os textos sem as fotografias, então não se percebia nada. No fundo a uma coisa tem que estar com a outra. E a ideia da exposição partiu daí. Não é só uma exposição de fotografia, do meu ponto de vista.
Pensa, ainda, vir a expor um conjunto mais alargado das fotografias que resultaram desta experiência no Japão?
É difícil. Normalmente quando faço uma exposição não a repito. Mas, haveria espaço para colocar mais fotografias. Após ter apresentado a proposta para esta exposição não tive tempo para preparar mais material. Então, fiz uma apresentação oral, falei sobre as fotografias e permiti que as pessoas me fizessem perguntas. Para tentar partilhar a experiência. Mais do que expor fotografias, partilhar a experiência.
No futuro poderemos esperar mais exposições de fotografia da sua autoria?
Bom, não sei. O que estou afazer neste momento, é um projecto com uma amiga minha que produz vinho. Estou a tentar fazer um projecto de um ano, provavelmente, desde a vinha em bruto, a crescer, a apanha da uva, o fazer o vinho. Pode ser que depois este trabalho resulte numa exposição, em conjunto com ela.
O CLIP pede desculpa a Rui Gonçalves pela publicação tardia desta entrevista que, por motivos técnicos, não foi publicada na edição anterior. Para aqueles que não tenham oportunidade de ver esta exposição ao vivo até amanhã, recomenda-se que espreitem o site pessoal do autor (http://ruigo.net/fotog/expo/nihon), onde poderão encontrar as fotografias e os textos originais dos excertos que a compõem, «Crónicas depois da Califórnia», escritos por Rui Gonçalves durante a sua estadia no Japão.
Cristina Fernandes
Outros trabalhos em Fotografia:
Março de 2001, exposição no 4S Concurso Nacional para Fotógrafos Amadores no FOTIMAG / Exponor; Setembro de 2001, foto vencedora no concurso Foto do Mês do Exit.pt; 2001/2002, foto vencedora de concurso de fotografia no NetViagens.com; menção honrosa no «Salón Internacional de Fotografia por Internet» do Centro Argentino de Fotografia.
in CLIP (suplemento do Diário de Aveiro) em 06/04/2006
Rui Gonçalves conta a sua experiência de «retorno ao Japão» através da exposição «nihon ni kaerimasu»
«Nihon ni kaerimasu», da autoria de Rui Gonçalves, é a exposição de fotografia e texto que está patente na Livraria o Navio de Espelhos até dia 7 de Abril, amanhã.
Esta exposição resulta de uma experiência de trabalho no Japão, em 2003, que Rui Gonçalves descreve como bastante intensa. É esta experiência pessoal que o autor procura compartilhar com o público. Tanto através das fotografias, como através dos textos. Durante uma conversa no espaço da Livraria o Navio de Espelhos, Rui Gonçalves partilhou com o CLIP alguns pormenores desta experiência e do conjunto ali exposto.
Esta exposição resulta de uma experiência de trabalho que o levou ao Japão. Tendo em conta que não faz da fotografia profissão, de que forma enquadra esta nas suas actividades em geral?
Eu sou licenciado em Engenharia Electrónica e Telecomunicações. Mas digamos que o trabalho é uma coisa e a tua vida é outra. Embora hajam muitas pessoas que fazem aquilo que gostam, como o outro diz «sermos felizes era pagarem-nos por aquilo que faríamos de graça», a verdade é que nós fazemos muita coisa de graça que não nos dá dinheiro para sermos felizes. Então, para sermos felizes, temos que ir ganhar dinheiro numa profissão que muitas vezes não é necessariamente aquilo que nos preenche por completo. E procuramos escapes. Eu tenho a fotografia como tenho outras coisas como escape. Como faço BTT, como faço montanha, como faço outras coisas.
Portanto, a fotografia é um hobbie?
Para aí há dois anos era mais do que é agora. Não tenho tirado muitas fotografias ultimamente. Mas, por exemplo, no Japão estive sozinho e sou uma pessoa que gosta muito de observar. Aliás, a exposição não é só de fotografia também tem textos. E muitos deles são observações daquilo que se passava à minha volta. Com isso, tento trazer um pouco daquilo que observei lá (e noutros sítios). Ou, mesmo cá, uso a máquina não para guardar os momentos que vivo (esses só mesmo contando ou lembrando), mas para enquadrar certos pormenores que às vezes são difíceis de contar por palavras.
«Nihon ni kaerimasu» é o nome da exposição (suponho que é japonês). Em algumas palavras, como traduziria este título? Qual o porquê deste título?
«Nihon» é Japão, «ni», em japonês utilizam-se sempre elementos de ligação entre duas palavras, liga a um lugar, «kaerimasu» é retornar, de presente. Eles lêem de trás para a frente, portanto, traduz-se «retorno ao Japão». Este título porque, na segunda vez que voltei ao Japão a primeira crónica que escrevi foi «retornei a Kamoi», que era a cidade onde estava. E escrevi em japonês assim, «Kamoi ni kaerimasu». Então, acho que este título serve para tentar dizer que esta é também é uma viagem de regresso. Eu fui lá e agora voltei lá, mas trouxe comigo as coisas que me permitem mostrar às pessoas o que é estar lá. No sentido em que é o meu retorno mas, para quem vê, se calhar não é um retorno. É um «abrir de olhos» provavelmente.
Descreve que o período em que esteve no Japão foi de tal modo intenso que o levou a «cultivar um fascínio especial pelo país». Com que aspectos da cultura japonesa e do país se prende esse fascínio?
Acho que todo e qualquer português tem um fascínio enorme pelo Japão. Eu tinha-o antes de ir. Na inauguração da exposição esteve presente um colega que esteve comigo no Japão. E a última pergunta que nos fizeram aos dois foi «Passando por isso tudo que vocês passaram lá, voltavam ao Japão?». A resposta foi «Voltávamos». Porque foi um período curto de tempo (2 meses em duas vezes) e durante esse período de tempo a intensidade das coisas era tão grande. E não só em termos visuais, mas em termos culturais, em termos de vivência, em termos de trabalho. Tudo era tão intenso que eu voltaria outra vez para experimentar tudo mais uma vez. Obviamente que, de cada vez que cheguei a Portugal, eu não queria ouvir falar do Japão. É difícil quando chegamos, pois estamos muito cansados. Mas o Japão é um país cheio de estímulos. Eu dou o exemplo de quando fui a África, há pouco tempo. A América não é tão diferente da Europa, apesar de ser diferente. Mas nós vamos a África e é um encher de estímulos completamente diferente dos nossos. E a Ásia é igual. O Japão por ser um país muito mais desenvolvido, muito mais populoso e a maneira intensa como se vivem as coisas, torna-se fascinante. O Japão não um país propriamente de belezas naturais (embora as tenha, só que eu não as vi), mas a cultura em si, o próprio ritmo de trabalho e as pessoas são fascinantes por serem muito diferentes. Todos os dias estamos a aprender qualquer coisa e é na diferença que estamos a aprender.
De que forma é que esses aspectos se exprimem nas fotografias que nos apresenta nesta exposição?
Eu preparei esta exposição há algum tempo. E fui pondo de parte as fotografias que achava que mais tinham a ver com os textos, mais do que escolher as melhores fotografias que tinha do Japão. Porque pretendia pôr as duas coisas. Provavelmente, algumas das fotografias escolhidas, se não tivessem os textos, não diziam nada a ninguém. E fui seleccionando as fotografias em função desta ideia. Inicialmente, fiz uma proposta para fazer a exposição para o «Anime Weekend» que foi recusada, por falta de dinheiro. Mas a exposição estava preparada e, portanto, a exposição veio para aqui [Livraria O Navio de Espelhos]. E foram as fotografias que já estavam, que não são necessariamente as melhores fotografias que tenho, mas foram aquelas que eu fui vendo que se enquadravam umas com as outras e com os textos.
E, no fundo, como é que se relaciona a fotografia e o texto neste trabalho?
A maior parte dos textos foi escrita quando eu estava lá. Eu retirei os textos das «Crónicas Depois Da Califórnia», que são textos que eu escrevia para os amigos quando estava lá, e que estão online. A maior parte das fotografias que estão aqui não foram tiradas a pensar nos textos, nem os textos a pensar nessas (fotografias. Foi a posteriori que fui vendo as fotografias e li os textos e vi as fotografias que se encaixavam melhor com os textos. Porque a ideia global é mostrar o que foi o Japão para mim. Daí o retorno meu ao Japão. Provavelmente, se olharmos para as fotografias até parece um sítio mais ou menos paradisíaco mas se lermos os textos que estão com algumas fotografias ficamos a perceber que o mundo não é assim tão fácil. E os textos enquadram-se nisso, são exactamente como escrevi no momento em estava lá.
Nesse caso, o texto e a fotografia podem funcionar de forma independente?
Os textos funcionam. Estão online no meu website, e as pessoas podem lê-lo na altura. As fotografias provavelmente as pessoas nunca as viram. Se pusesse aqui as fotografias sem os textos provavelmente o retorno não seria o mesmo para qualquer pessoa que viesse cá. E se expusesse os textos sem as fotografias, então não se percebia nada. No fundo a uma coisa tem que estar com a outra. E a ideia da exposição partiu daí. Não é só uma exposição de fotografia, do meu ponto de vista.
Pensa, ainda, vir a expor um conjunto mais alargado das fotografias que resultaram desta experiência no Japão?
É difícil. Normalmente quando faço uma exposição não a repito. Mas, haveria espaço para colocar mais fotografias. Após ter apresentado a proposta para esta exposição não tive tempo para preparar mais material. Então, fiz uma apresentação oral, falei sobre as fotografias e permiti que as pessoas me fizessem perguntas. Para tentar partilhar a experiência. Mais do que expor fotografias, partilhar a experiência.
No futuro poderemos esperar mais exposições de fotografia da sua autoria?
Bom, não sei. O que estou afazer neste momento, é um projecto com uma amiga minha que produz vinho. Estou a tentar fazer um projecto de um ano, provavelmente, desde a vinha em bruto, a crescer, a apanha da uva, o fazer o vinho. Pode ser que depois este trabalho resulte numa exposição, em conjunto com ela.
O CLIP pede desculpa a Rui Gonçalves pela publicação tardia desta entrevista que, por motivos técnicos, não foi publicada na edição anterior. Para aqueles que não tenham oportunidade de ver esta exposição ao vivo até amanhã, recomenda-se que espreitem o site pessoal do autor (http://ruigo.net/fotog/expo/nihon), onde poderão encontrar as fotografias e os textos originais dos excertos que a compõem, «Crónicas depois da Califórnia», escritos por Rui Gonçalves durante a sua estadia no Japão.
Cristina Fernandes
Outros trabalhos em Fotografia:
Março de 2001, exposição no 4S Concurso Nacional para Fotógrafos Amadores no FOTIMAG / Exponor; Setembro de 2001, foto vencedora no concurso Foto do Mês do Exit.pt; 2001/2002, foto vencedora de concurso de fotografia no NetViagens.com; menção honrosa no «Salón Internacional de Fotografia por Internet» do Centro Argentino de Fotografia.
in CLIP (suplemento do Diário de Aveiro) em 06/04/2006
quinta-feira, março 09, 2006
: : : 1-big-O [v18.0]
nihon ni kaerimasu - 10 de Março a 7 de Abril - o navio de espelhos
Em 2003 trabalhava, em Portugal, numa empresa japonesa. Depois de umas decisões estratégico-desastrosas ligadas ao lançamento no mercado chinês de um novo produto, para o qual estávamos a trabalhar há 4 anos, fui "convidado" a visitar o país do sol nascente. Assim, no período de 24 de Maio a 18 de Junho e posteriormente entre 1 e 18 de Dezembro, desse mesmo ano, estive a trabalhar no Japão.
Foi apenas um mês e meio no total, mas foi de tal maneira intenso que é difícil não cultivar um fascínio especial pelo país. Não foi por causa das longas (algumas vezes 18) horas de trabalho diárias, nem pelo trabalho ao sábado, mas pelas horas roubadas ao sono para se poder viver um bocado da cultura local durante os dias de semana e ainda pelos domingos de folga, que eram vividos desde manhã cedo, porque eram valiosas aquelas horas de "descanso".
Em 2005, uma amiga que estava num grupo de preparação de um fim-de-semana dedicado ao Japão em Aveiro, sabendo que eu lá tinha estado, convidou-me a preparar e propor uma exposição de fotografia sobre o país. No entretanto ela saiu da organização e a minha proposta para a exposição foi recusada pelo "elevado custo que o evento já estava atingir". Felizmente O Navio De Espelhos, soube aproveitar a minha proposta e a exposição arrancou, estando patente na livraria de 10 de Março a 7 de Abril de 2006.
Esta exposição tenta enquadrar as fotografias que fui tirando com alguns textos que fui escrevendo e mandando aos meus amigos, descrevendo as aventuras, desventuras, surpresas e experiências que fui absorvendo por lá. Algumas fotografias foram tiradas com pouca definição, com pouca dedicação, acima de tudo com poucas horas de sono e com muito deslumbramento. Algumas nem seria dignas de uma exposição e muitas outras mereceriam ser mostradas. Mas penso que é o todo que conta e mesmo que sejam só 20 fotografias expostas com os textos, haverão outras que serão mostradas e comentadas na inauguração e que não estão aqui.
Espero que gostem e que apareçam, a 10 de Março, para uma conversa e um Sakê.
Para quem não pode vir, pode ver a exposição em http://ruigo.net/fotog/expo/nihon/
http://www.onaviodeespelhos.com/
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
: : : 1-big-O [v17.0]
in Diário de Aveiro - Clip - 16 de Fevereiro de 2006
domingo, novembro 06, 2005
: : : 1-big-O [v16.0]
Workshops Kundalini Yoga
18, 19 e 20 Novembro
Aveiro
Com a professora britânica Guru Daya Kaur.
Mais informações aqui.
Mais um cartaz feito aqui neste portátil.
quarta-feira, julho 06, 2005
: : : 1-big-O [v15.0]
11 da Noite
Esta sexta-feira, dia 8 de Julho de 2005, a minha amiga Filipa Pato inaugura a sua adega com uma Fizz Party. Às 23:00, há DJs e vão haver exposições de fotografia, pintura e joalharia. Eu fui um dos convidados a expor algumas das minhas fotografias.
Porém como não tenho fotografias da Bairrada, a região onde a Filipa produz o seu vinho, não seria justo expor fotografias relativas ao vinho só com fotos do Douro, Minho ou Alentejo, ali. Por isso escolhi 11 paisagens nocturnas, uma vez que a festa é às "11 da Noite".
As 11 da Noite são as que apresento na esposição. Vejam-nas em aqui.
Esta sexta-feira, dia 8 de Julho de 2005, a minha amiga Filipa Pato inaugura a sua adega com uma Fizz Party. Às 23:00, há DJs e vão haver exposições de fotografia, pintura e joalharia. Eu fui um dos convidados a expor algumas das minhas fotografias.
Porém como não tenho fotografias da Bairrada, a região onde a Filipa produz o seu vinho, não seria justo expor fotografias relativas ao vinho só com fotos do Douro, Minho ou Alentejo, ali. Por isso escolhi 11 paisagens nocturnas, uma vez que a festa é às "11 da Noite".
As 11 da Noite são as que apresento na esposição. Vejam-nas em aqui.
sexta-feira, abril 22, 2005
: : : 1-big-O [v14.0]
Aquando da nossa estadia em Inglaterra conhecemos da Deirdre, uma rapariga do Zimbabwe, que nos dava aulas de Kundalini Yoga à segunda-feira à noite. Fazíamos cerca de 30 ou 40 quilómetros, para cada lado, para ir à aula.
Agora é a vez dela de fazer uma série de quilómetros para nos vir dar aulas. E vai estar cá uns dias. No dia 12 de Maio (Feriado Municipal de Aveiro) teremos uma aula/recepção na praia da Costa Nova (sujeita às condições climatéricas) pelas 19:00, que é livre. Segue-se uma Tertúlia de Kundalini Yoga (com lanche convívio incluído) por €5,00 às 21:00 n'O Jardim de Lótus. No dia 14 de Maio das 10 às 17 um workshop de Kundalini Yoga com o preço de 25,00 (20,00 para concessões). Tem que se trazer almoço vegetariano para partilhar.
Os contactos são os do costume. E o design do cartaz é do Rui Gonçalves, como de costume.
sexta-feira, abril 08, 2005
: : : 1-big-O [v13.0]
Preço: 70,00 (60,00 p/ estudantes) que inclui alimentação, alojamento,práticas diversas, algum trabalho comunitário e muito convívio.
(Nota: o transporte não está incluído)
Fotografia e design de Rui Gonçalves.
: : : 1-big-O [v12.0]
Quem me conhece sabe que eu não me meto na política. Identifico-me mais com ideais do que com ideologias ou formas de ver ideologias conforme os interesses partidários. Mas há coisas em que acredito e a democracia é das coisas em quem mais acredito. Acredito que todos passamos ter oportunidades, quer venhamos de um extracto social baixo ou tenhamos um padrinho na fundação.
Foi por isso que acedi a ajudar um amigo a levar avante uma luta por uma causa democrática. Pode ser num partido que se encontra de rastos, mas por isso mesmo acredito que só pode renascer mais forte e imprescindível ao futuro de Portugal. Um governo precisa de uma boa oposição para que sejam feitas mudanças necessárias ao futuro da nação. E isso parte de princípios democráticos.
Assim, fiz um site simples, para que estivesse activo este fim de semana. Há muita coisa a acrescentar, mas a causa ainda não está ganha.

Lembram-se quando George W. Bush ganhou com menos votos ao Al Gore? Isso pode acontecer hoje em dia em qualquer partido porque as eleições não são directas. Lembram-se de ter dito mal dos Estados Unidos em 2000? Pois isso pode acontecer aqui em todas eleições partidárias.
Assinem!
Foi por isso que acedi a ajudar um amigo a levar avante uma luta por uma causa democrática. Pode ser num partido que se encontra de rastos, mas por isso mesmo acredito que só pode renascer mais forte e imprescindível ao futuro de Portugal. Um governo precisa de uma boa oposição para que sejam feitas mudanças necessárias ao futuro da nação. E isso parte de princípios democráticos.
Assim, fiz um site simples, para que estivesse activo este fim de semana. Há muita coisa a acrescentar, mas a causa ainda não está ganha.
Lembram-se quando George W. Bush ganhou com menos votos ao Al Gore? Isso pode acontecer hoje em dia em qualquer partido porque as eleições não são directas. Lembram-se de ter dito mal dos Estados Unidos em 2000? Pois isso pode acontecer aqui em todas eleições partidárias.
Assinem!
quinta-feira, março 17, 2005
: : : 1-big-O [v11.0]
A intenção nunca foi ganhar dinheiro. Fi-lo sempre por prazer. Mas, hoje, estou feliz porque vendi a minha primeira fotografia. Em 30x20, uma reprodução da fotografia acima, ou vice-versa.
Está aqui a prova. A primeira...
quinta-feira, março 10, 2005
: : : 1-big-O [v10.0]
(ou como eu fui "promovido" a funcionário da Universidade de Aveiro)

1ª Colectiva mostra talentos escondidos
Grupo FotoAveiro apresenta trabalhos
Com o apoio da Associação de Funcionários da Universidade de Aveiro, o grupo FotoAveiro tem patente ao público a primeira exposição colectiva do grupo.
A mostra promovida pelo grupo FotoAveiro está patente ao público até ao fim do mês, na Sala de Exposições da Livraria da Universidade de Aveiro e dá a conhecer talentos mais ou menos escondidos entre os funcionários da academia aveirense. Na verdade, é a paixão pela fotografia que une estes artistas amadores, a trabalharem na Universidade de Aveiro como funcionários administrativos, técnicos ou mesmo professores e que agora têm exposto ao grande público, até ao final do mês, o seu trabalho. Esta iniciativa tem por grande objectivo a dinamização da fotografia individual, criando um espaço de descoberta de valores ao nível da fotografia amadora e dando-lhe a oportunidade de divulgarem o seu trabalho e viverem a experiência de o exporem publicamente. Por outro lado, esta mostra visa estimular a interpretação da fotografia como linguagem visual, levando o público a ver a fotografia como uma forma de manifestação artística e a ser estimulado para participar nesta e em futuras iniciativas.
Incidindo sobre temáticas tão diferentes como paisagens, salinas, animais, pormenores de cor e formas, edifícios e pessoas, entre outros, esta primeira colectiva divulga trabalhos de Marta Veríssimo, Bernardo Conde, José Brandão, João Quintela, Gonçalo Cavaleiro, Rui Manuel Gonçalves, Luís Rino, André Brandão, Alexandre Vieira, José Esteves, João Coutinho e António Jorge Tavares.
O grupo FotoAveiro foi formado em meados de 2001 com o objectivo de reunir pessoas, da zona de Aveiro, interessados em fotografia e tendo como epicentro a Universidade de Aveiro, onde tudo começou. O objectivo da sua criação foi fomentar e facilitar o contacto, troca de ideias e partilha de informação entre fotógrafos amadores e por isso mesmo é dada uma atenção especial à realização de encontros, passeios fotográficos, workshops e exposições, entre outros eventos capazes de aproximar os elementos do grupo.

Pela primeira vez, o grupo FotoAveiro realiza uma exposição fotográfica, patente na Universidade de Aveiro até ao fim do mês.
in Diário de Aveiro, 9 de Março de 2005
1ª Colectiva mostra talentos escondidos
Grupo FotoAveiro apresenta trabalhos
Com o apoio da Associação de Funcionários da Universidade de Aveiro, o grupo FotoAveiro tem patente ao público a primeira exposição colectiva do grupo.
A mostra promovida pelo grupo FotoAveiro está patente ao público até ao fim do mês, na Sala de Exposições da Livraria da Universidade de Aveiro e dá a conhecer talentos mais ou menos escondidos entre os funcionários da academia aveirense. Na verdade, é a paixão pela fotografia que une estes artistas amadores, a trabalharem na Universidade de Aveiro como funcionários administrativos, técnicos ou mesmo professores e que agora têm exposto ao grande público, até ao final do mês, o seu trabalho. Esta iniciativa tem por grande objectivo a dinamização da fotografia individual, criando um espaço de descoberta de valores ao nível da fotografia amadora e dando-lhe a oportunidade de divulgarem o seu trabalho e viverem a experiência de o exporem publicamente. Por outro lado, esta mostra visa estimular a interpretação da fotografia como linguagem visual, levando o público a ver a fotografia como uma forma de manifestação artística e a ser estimulado para participar nesta e em futuras iniciativas.
Incidindo sobre temáticas tão diferentes como paisagens, salinas, animais, pormenores de cor e formas, edifícios e pessoas, entre outros, esta primeira colectiva divulga trabalhos de Marta Veríssimo, Bernardo Conde, José Brandão, João Quintela, Gonçalo Cavaleiro, Rui Manuel Gonçalves, Luís Rino, André Brandão, Alexandre Vieira, José Esteves, João Coutinho e António Jorge Tavares.
O grupo FotoAveiro foi formado em meados de 2001 com o objectivo de reunir pessoas, da zona de Aveiro, interessados em fotografia e tendo como epicentro a Universidade de Aveiro, onde tudo começou. O objectivo da sua criação foi fomentar e facilitar o contacto, troca de ideias e partilha de informação entre fotógrafos amadores e por isso mesmo é dada uma atenção especial à realização de encontros, passeios fotográficos, workshops e exposições, entre outros eventos capazes de aproximar os elementos do grupo.
Pela primeira vez, o grupo FotoAveiro realiza uma exposição fotográfica, patente na Universidade de Aveiro até ao fim do mês.
in Diário de Aveiro, 9 de Março de 2005
quarta-feira, março 09, 2005
: : : 1-big-O [v9.0]
3 de abril às 18:00 n'O Jardim de Lótus
Seguido de lanche, incluído nos €4,50 (€3,50 para estudantes)
Uma organizção O Jardim de Lótus e Núcleo de Yoga da AAUAv
Fotografia e design de Rui Gonçalves.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
: : : 1-big-O [v8.0]
Confesso que sou um mau convivas cibernético. Nunca procuro andar a comentar os blogs dos outros. Sou muito "ciber-taciturno", um voyeur exibicionista que observa os outros e deixa-se observar, na maioria das vezes, em silêncio. Mas, confesso que gosto dos comentários dos outros, são um feedback positivo, uma maneira de sabermos que não estamos a "falar" para as paredes.
E, gosto quando sou referido. Faz-me sentir presente, notado, existente... Mais do que vivo! Mas gosto de ser notado de uma maneira positiva, mais do que sou notado negativamente.
Esta semana fui notado, por boas razões, pela Maria do Rosário Fardilha do blog Divas & Contrabaixos. Vejam como ela gostou das minhas fotografias. Eu gostei de ter sido notado, por isso comentei!
Obrigado!
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
: : : 1-big-O [v7.0]
Partindo de um design original da própria Filipa Pato, com alguns retoques e muita limpeza minha, nasceu um novo site.

E promete crescer...
E promete crescer...
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
: : : 1-big-O [v6.0]
É de algum modo, prática comum a chacota entre colegas quando um deles usa ou faz algo que sai fora do normal. Pelo menos aqui no escritório. Além disso é saudável o bom humor entre colegas.
Para quem não conhece o Victor é o pior gozador cá do burgo, mas a história mais conhecida de chacota "funcional" é dele. Um dia trouxe uns sapatos, género mocassins, e claro está os "machões" dos colegas perguntaram-lhe logo se tinha esquecido de calçar os sapatos e tinha vindo trabalhar de pantufas.
Nunca mais calçou os ditos sapatos!
domingo, janeiro 09, 2005
: : : 1-big-O [v5.0]
Ao longo das minhas arrumações dos últimos dias encontrei uma série de coisas que, se me permitem, vou passar a colocar aqui nestas rubrica deste blog.
A primeira que vou enviar para o éter é o produto do devaneio de um grupo de amigos que ocuparam a sala da GOD (Gabinete de Organização do Desfile – de que falarei num posterior post) na Associação Académica da Universidade de Aveiro, aquando da ocupação e fecho da Universidade pelos seus alunos, em luta contra o pagamento de propinas, em Outubro de 1992.

Digo devaneio porque este grupo de amigos resolveu editar um pasquim que traduzisse a atmosfera que envolvia toda a Universidade durante aquela semana em que os alunos bloquearam as portas a cadeado, encheram as fechaduras de massa de metal, montaram tendas em frente aos departamentos e passaram as noites em volta da fogueira a contar e cantar histórias. Assim, reproduzindo um pasquim revolucionário existente, na altura, na Universidade de Aveiro e de seu nome "O Buraco", compilaram textos dos grupos de alunos acampados nos diferentes departamentos e editaram "O Buracozinho".

Depois de umas directas e de uma passagem pelo comité de revisão, que achou por bem não deixar passar alguns textos menos dignos para a causa, "O Buracozinho" saiu. Foi número único, fotocopiado já de madrugada e distribuído pelas pessoas que resistentemente enfrentavam o frio bloqueado as portas da Universidade. Uns dias depois as portas abriram-se e "O Buracozinho" ficou como memória.
Eu, na foto, sou aquele de t-shirt preta dos Inspiral Carpets (por sinal pintada à mão por mim e digna de figurar aqui um dia destes). (Estou de óculos, sim! É algo que muita gente desconhece em mim, mas pode ser que depois de amanhã passem a me ver de óculos mais vezes, pois vou ao oftalmologista.) Mas dessas noites em claro, passadas numa minúscula sala (a fotografia foi tirada de fora da janela) com mais seis ou sete pessoas, é o texto que fecha "O Buracozinho" e que suscitou várias dores de barriga de tanto rir de cada vez que o Máximo (aquele lá atrás com a mão na testa), que o escreveu, o lia.
Fica aqui para que notem a sua profundidade.
A primeira que vou enviar para o éter é o produto do devaneio de um grupo de amigos que ocuparam a sala da GOD (Gabinete de Organização do Desfile – de que falarei num posterior post) na Associação Académica da Universidade de Aveiro, aquando da ocupação e fecho da Universidade pelos seus alunos, em luta contra o pagamento de propinas, em Outubro de 1992.
Digo devaneio porque este grupo de amigos resolveu editar um pasquim que traduzisse a atmosfera que envolvia toda a Universidade durante aquela semana em que os alunos bloquearam as portas a cadeado, encheram as fechaduras de massa de metal, montaram tendas em frente aos departamentos e passaram as noites em volta da fogueira a contar e cantar histórias. Assim, reproduzindo um pasquim revolucionário existente, na altura, na Universidade de Aveiro e de seu nome "O Buraco", compilaram textos dos grupos de alunos acampados nos diferentes departamentos e editaram "O Buracozinho".
Depois de umas directas e de uma passagem pelo comité de revisão, que achou por bem não deixar passar alguns textos menos dignos para a causa, "O Buracozinho" saiu. Foi número único, fotocopiado já de madrugada e distribuído pelas pessoas que resistentemente enfrentavam o frio bloqueado as portas da Universidade. Uns dias depois as portas abriram-se e "O Buracozinho" ficou como memória.
Eu, na foto, sou aquele de t-shirt preta dos Inspiral Carpets (por sinal pintada à mão por mim e digna de figurar aqui um dia destes). (Estou de óculos, sim! É algo que muita gente desconhece em mim, mas pode ser que depois de amanhã passem a me ver de óculos mais vezes, pois vou ao oftalmologista.) Mas dessas noites em claro, passadas numa minúscula sala (a fotografia foi tirada de fora da janela) com mais seis ou sete pessoas, é o texto que fecha "O Buracozinho" e que suscitou várias dores de barriga de tanto rir de cada vez que o Máximo (aquele lá atrás com a mão na testa), que o escreveu, o lia.
Fica aqui para que notem a sua profundidade.
"FAX DE ÚLTIMA HORA:
Gabinete de Estado de Sítio
O Revés da Agonia
Dentro deste período de indecisão que vocês jovens estão a ver, o período de Marx acabou e todas as suas propriedades apesar da sua beleza ideológica.
A crise económica provoca o passe de testemunhos dos implicados para os estudantes.
Coito dos Santos"
terça-feira, dezembro 21, 2004
: : : 1-big-O [v4.0]
Hoje o José Pacheco Pereira no seu blog Abrupto usou uma fotografia minha de nome "Porta da Traição" tirada em Castelo Rodrigo. A alusão dele tem a ver com outras traições, mas esta porta já serviu para fugas semelhantes.

Pena que o tenha feito sem fazer alusão à origem da fotografia. Não é Sr. Pacheco Pereira?
(N.R. 1: A referência a este post foi posta depois da publicação do mesmo.)
(N.R. 2: Depois de colocada a referência a este post o Sr. Pacheco Pereira resolveu retirá-la, assim como à fotografia, numa atitude sem explicação. Enviei um e-mail para que voltasse a colocar a fotografia no seu blog sem que houvesse a necessidade de qualquer referência. Não houve qualquer tipo de resposta e a fotografia não foi recolocada no Abrupto. Atitudes destas só mostram que afinal os políticos são todos iguais e que nem só aquele de quem o Sr. Pacheco Pereira fala tanto ultimamente sofre de graves amuos. "Quem tem telhados de vidro...")
(N.R. 3: Ler o post.)
Pena que o tenha feito sem fazer alusão à origem da fotografia. Não é Sr. Pacheco Pereira?
(N.R. 1: A referência a este post foi posta depois da publicação do mesmo.)
(N.R. 2: Depois de colocada a referência a este post o Sr. Pacheco Pereira resolveu retirá-la, assim como à fotografia, numa atitude sem explicação. Enviei um e-mail para que voltasse a colocar a fotografia no seu blog sem que houvesse a necessidade de qualquer referência. Não houve qualquer tipo de resposta e a fotografia não foi recolocada no Abrupto. Atitudes destas só mostram que afinal os políticos são todos iguais e que nem só aquele de quem o Sr. Pacheco Pereira fala tanto ultimamente sofre de graves amuos. "Quem tem telhados de vidro...")
(N.R. 3: Ler o post.)
sábado, agosto 07, 2004
: : : 1-big-O [v3.0]
Em Agosto de 2000 a Gilda Bettencourt, que trabalhava no ICEP de São Francisco pediu-me para a ajudar numa tradução. Recebi $50 pelo trabalho e há umas semanas recebi a cópia do catálogo que ajudei a traduzir.

É um catálogo de uma exposição que ocorreu em 5 galerias - uma em São Francisco, EUA, outra em Toronto, Canadá, outra em Christchurch, na Nova Zelândia, outra em Lisboa - Galeria Zé dos Bois - e outra em Taipei na China. A exposição chamava-se "Sister Spaces" e teve lugar de 8 de Setembro a 28 de Outubro de 2000.

A mim calhou-me a tradução relativa à galeria YYZ Artists’ Outlet em Toronto, Canadá, começada pela Gilda e que eu corrigi.
"Eram arrivistas impertinentes nos anos 70 e 80, cheios até a borda com iconoclasmo criativo, irreverência, e comunalismo anárquico. Forneceram um ponto de partida para uma geração de artistas que não queriam vender as suas obras e muito menos queriam estabelecer uma conversa de jantar interessante com coleccionadores aborrecidos e milionários. Mas hoje, muitos dos espaços geridos por artistas estão a tornar-se nos sentinelas grisalhos duma alternativa institucionalizada. Presos a comissões e a enfrentar responsabilidades administrativas consideráveis, os espaços dirigidos por artistas têm de trabalhar mais que nunca para manter as suas concessões, e a sua reputação de inovadores está a ser posta em causa por uma série de galerias comerciais e salas privadas que têm vindo a emergir.
Quando a YYZ Artists’ Outlet foi fundada em 1979, uma primeira fornada de espaços alternativos em Toronto encontrava-se numa fase de autodestruição devido ao arruinar de interesses colectivos, ao aumento de responsabilidades burocráticas e administrativas, à crítica governamental, e a um mal-estar teórico em geral (leia-se: pós-modernismo) – a excepção digna de nota é A Space, que ainda hoje está em operação. Os fundadores, da YYZ, foram um grupo de graduados da escola de arte, que não tinham outra ambição sem ser a de criar um espaço onde podiam mostrar as suas obras. Como afirma Kim Todd, a primeira gerente da YYZ, “Não queremos adoptar a história de ninguém.”
Os fundadores da YYZ nunca redigiram um mandato, nem definição da missão, nem se declaram opositores a qualquer instituição rival. Eram simplesmente algo mais, qualquer coisa que surgiu de um longo desejo por algo que ainda não existia. Ser “alternativo” implica manter uma relação ou estar em diálogo com uma outra entidade mais convencional, mas, no Canadá, nunca houve uma grande tradição de institucionalização artística para que o alternativo pudesse ser construído em oposição, como aconteceu nos Estados Unidos e na Europa.
O mandato corrente da YYZ é uma formação posterior, por assim dizer, criado para esboçar explicitamente as paixões, compromissos, e actividades. A galeria dedica-se a três áreas de programação – as artes visuais, as artes temporais, e a publicação – os quais estão sujeitos à mudança. A programação das artes temporais foram introduzidas para o inventário de exibições em 1987 para acomodar e encorajar o número crescente de artistas que trabalhava em cinema, vídeo, ou na representação. Em discussões recentes entre os membros do conselho discute-se a manutenção de uma distinção entre as artes visuais e temporais, numa altura em que cada vez mais os artista criam obras multidisciplinares. Em 1998, a YYZ publicou a sua primeira colecção de escritos de crítica, como consequência de uma série de conferências muito bem sucedidas e de debates, por si produzidos. A secção de publicações, YYZ Books, agora bem estabelecida, mantém o compromisso adoptado pela galeria em discursar.
Dentro do seu ensaio para o catálogo do décimo aniversário da galeria, Decalog, Barbara Fischer descreveu a YYZ como uma organização que “navegou numa rota rizomática, valendo-se das energias e dos interesses de uma comunidade baseada em Toronto.” Os membros do conselho, com quem tenho mantido contacto durante os anos, são da mesma opinião: mostrar obras da arte, as quais acham provocantes, será sempre a prioridade. A estrutura do conselho convocatório garante que o conceito do termo “provocante” nunca será estática.
Susan Kealey, uma artista, escritora, e participante há muito tempo na cultura dirigida pelos artistas, entrou no conselho da YYZ em 1989. Em 1999, concluiu num artigo da revista Fuse: “Parece inútil discutir se os CDPAs [Centros Dirigidos Pelos Artistas] continuam alternativos, porque é claro que se tornaram instituições, apesar da programação se distinguir da dos museus e galerias públicas. Mas os CDPA ainda conseguem exercer a diferença – simplesmente porque são dirigidos por artistas.”
Kealey tem razão ao afirmar que, num contexto canadiano, a discussão “alternativa” acerca dos espaços dirigidos por artistas é agora irrelevante. Alternativo tem definitivamente servido como um adjectivo útil, como uma espécie de símbolo de estenografia que se refere a uma história particular ou a assinalar um género de envolvimento com a arte que difere da moda corrente. Kealey também tem razão em reconhecer que os espaços dirigidos por artistas – pelo menos em Toronto – já são instituições. A pergunta mais interessante de hoje, na minha opinião, não é “Será que os espaços dirigidos por artistas são alternativos?”, mas “Será que as instituições podem ser relevantes?” O desafio é claro, e é um dos que a YYZ enfrenta directamente. A galeria pode mostrar, e mostra, as obras que seriam censurados na maioria dos museus e galerias públicas. Como instituições, a YYZ pode conceder um certo “selo de homologação” aos artistas e às suas obras, uma legitimidade que de outra maneira poderia eludi-los por muitos anos. A YYZ ainda paga, aos artistas, os honorários mais altos de todas as galerias alternativas no Canadá (por um exposição individual um artista recebe $1,200 canadianos), pondo a par as artes temporais com as artes visuais, e os artistas seniores com aqueles que neste momento estão emergir.
Nos dias de hoje, e face à diminuição dos fundos governamentais, os espaços “alternativos” de Toronto – ainda que não pretendam o rótulo – tendem a ser galerias comerciais do tipo “faça você mesmo” e com orçamentos limitados. Os artistas estão se a lançar nesta dança de comercialismo, com talvez o mesmo idealismo engenhoso que marcou a formação dos primeiros espaços dirigidos por artistas há vinte anos atrás. Porém, este movimento não impede a existência continuada dos espaços alternativos. Iniciativas dirigidos pelos artistas que recebem doações de fundos públicos continuam a ser necessários para a sobrevivência e vitalidade da cultura canadiana em todas as suas variações e permutações. A YYZ agora tem 21 anos de história para sobrepujar e para assegurar. O conselho e o pessoal da galeria acreditam que é importante reconhecer esta história da arte que programamos, dos livros que publicamos, e dos eventos que organizamos.
Espaços dirigidos por artistas atraem pessoas com uma paixão pela arte contemporânea e com um compromisso teimoso com o discurso crítico. Num mundo em que tudo está demasiado cínico, tímido, e niilista, isso será tudo o que de “alternativo” alguém poderia esperar.
Eram arrivistas impertinentes nos anos 70 e 80, cheios até a borda com iconoclasmo criativo, irreverência, e comunalismo anárquico. Forneceram um ponto de partida para uma geração de artistas que não queriam vender as suas obras e muito menos queriam estabelecer uma conversa de jantar interessante com coleccionadores aborrecidos e milionários. Mas hoje, muitos dos espaços geridos por artistas estão a tornar-se nos sentinelas grisalhos duma alternativa institucionalizada. Presos a comissões e a enfrentar responsabilidades administrativas consideráveis, os espaços dirigidos por artistas têm de trabalhar mais que nunca para manter as suas concessões, e a sua reputação de inovadores está a ser posta em causa por uma série de galerias comerciais e salas privadas que têm vindo a emergir.
Quando a YYZ Artists’ Outlet foi fundada em 1979, uma primeira fornada de espaços alternativos em Toronto encontrava-se numa fase de autodestruição devido ao arruinar de interesses colectivos, ao aumento de responsabilidades burocráticas e administrativas, à crítica governamental, e a um mal-estar teórico em geral (leia-se: pós-modernismo) – a excepção digna de nota é A Space, que ainda hoje está em operação. Os fundadores, da YYZ, foram um grupo de graduados da escola de arte, que não tinham outra ambição sem ser a de criar um espaço onde podiam mostrar as suas obras. Como afirma Kim Todd, a primeira gerente da YYZ, “Não queremos adoptar a história de ninguém.”
Os fundadores da YYZ nunca redigiram um mandato, nem definição da missão, nem se declaram opositores a qualquer instituição rival. Eram simplesmente algo mais, qualquer coisa que surgiu de um longo desejo por algo que ainda não existia. Ser “alternativo” implica manter uma relação ou estar em diálogo com uma outra entidade mais convencional, mas, no Canadá, nunca houve uma grande tradição de institucionalização artística para que o alternativo pudesse ser construído em oposição, como aconteceu nos Estados Unidos e na Europa.
O mandato corrente da YYZ é uma formação posterior, por assim dizer, criado para esboçar explicitamente as paixões, compromissos, e actividades. A galeria dedica-se a três áreas de programação – as artes visuais, as artes temporais, e a publicação – os quais estão sujeitos à mudança. A programação das artes temporais foram introduzidas para o inventário de exibições em 1987 para acomodar e encorajar o número crescente de artistas que trabalhava em cinema, vídeo, ou na representação. Em discussões recentes entre os membros do conselho discute-se a manutenção de uma distinção entre as artes visuais e temporais, numa altura em que cada vez mais os artista criam obras multidisciplinares. Em 1998, a YYZ publicou a sua primeira colecção de escritos de crítica, como consequência de uma série de conferências muito bem sucedidas e de debates, por si produzidos. A secção de publicações, YYZ Books, agora bem estabelecida, mantém o compromisso adoptado pela galeria em discursar.
Dentro do seu ensaio para o catálogo do décimo aniversário da galeria, Decalog, Barbara Fischer descreveu a YYZ como uma organização que “navegou numa rota rizomática, valendo-se das energias e dos interesses de uma comunidade baseada em Toronto.” Os membros do conselho, com quem tenho mantido contacto durante os anos, são da mesma opinião: mostrar obras da arte, as quais acham provocantes, será sempre a prioridade. A estrutura do conselho convocatório garante que o conceito do termo “provocante” nunca será estática.
Susan Kealey, uma artista, escritora, e participante há muito tempo na cultura dirigida pelos artistas, entrou no conselho da YYZ em 1989. Em 1999, concluiu num artigo da revista Fuse: “Parece inútil discutir se os CDPAs [Centros Dirigidos Pelos Artistas] continuam alternativos, porque é claro que se tornaram instituições, apesar da programação se distinguir da dos museus e galerias públicas. Mas os CDPA ainda conseguem exercer a diferença – simplesmente porque são dirigidos por artistas.”
Kealey tem razão ao afirmar que, num contexto canadiano, a discussão “alternativa” acerca dos espaços dirigidos por artistas é agora irrelevante. Alternativo tem definitivamente servido como um adjectivo útil, como uma espécie de símbolo de estenografia que se refere a uma história particular ou a assinalar um género de envolvimento com a arte que difere da moda corrente. Kealey também tem razão em reconhecer que os espaços dirigidos por artistas – pelo menos em Toronto – já são instituições. A pergunta mais interessante de hoje, na minha opinião, não é “Será que os espaços dirigidos por artistas são alternativos?”, mas “Será que as instituições podem ser relevantes?” O desafio é claro, e é um dos que a YYZ enfrenta directamente. A galeria pode mostrar, e mostra, as obras que seriam censurados na maioria dos museus e galerias públicas. Como instituições, a YYZ pode conceder um certo “selo de homologação” aos artistas e às suas obras, uma legitimidade que de outra maneira poderia eludi-los por muitos anos. A YYZ ainda paga, aos artistas, os honorários mais altos de todas as galerias alternativas no Canadá (por um exposição individual um artista recebe $1,200 canadianos), pondo a par as artes temporais com as artes visuais, e os artistas seniores com aqueles que neste momento estão emergir.
Nos dias de hoje, e face à diminuição dos fundos governamentais, os espaços “alternativos” de Toronto – ainda que não pretendam o rótulo – tendem a ser galerias comerciais do tipo “faça você mesmo” e com orçamentos limitados. Os artistas estão se a lançar nesta dança de comercialismo, com talvez o mesmo idealismo engenhoso que marcou a formação dos primeiros espaços dirigidos por artistas há vinte anos atrás. Porém, este movimento não impede a existência continuada dos espaços alternativos. Iniciativas dirigidos pelos artistas que recebem doações de fundos públicos continuam a ser necessários para a sobrevivência e vitalidade da cultura canadiana em todas as suas variações e permutações. A YYZ agora tem 21 anos de história para sobrepujar e para assegurar. O conselho e o pessoal da galeria acreditam que é importante reconhecer esta história da arte que programamos, dos livros que publicamos, e dos eventos que organizamos.
Espaços dirigidos por artistas atraem pessoas com uma paixão pela arte contemporânea e com um compromisso teimoso com o discurso crítico. Num mundo em que tudo está demasiado cínico, tímido, e niilista, isso será tudo o que de “alternativo” alguém poderia esperar."
É um catálogo de uma exposição que ocorreu em 5 galerias - uma em São Francisco, EUA, outra em Toronto, Canadá, outra em Christchurch, na Nova Zelândia, outra em Lisboa - Galeria Zé dos Bois - e outra em Taipei na China. A exposição chamava-se "Sister Spaces" e teve lugar de 8 de Setembro a 28 de Outubro de 2000.
A mim calhou-me a tradução relativa à galeria YYZ Artists’ Outlet em Toronto, Canadá, começada pela Gilda e que eu corrigi.
"Eram arrivistas impertinentes nos anos 70 e 80, cheios até a borda com iconoclasmo criativo, irreverência, e comunalismo anárquico. Forneceram um ponto de partida para uma geração de artistas que não queriam vender as suas obras e muito menos queriam estabelecer uma conversa de jantar interessante com coleccionadores aborrecidos e milionários. Mas hoje, muitos dos espaços geridos por artistas estão a tornar-se nos sentinelas grisalhos duma alternativa institucionalizada. Presos a comissões e a enfrentar responsabilidades administrativas consideráveis, os espaços dirigidos por artistas têm de trabalhar mais que nunca para manter as suas concessões, e a sua reputação de inovadores está a ser posta em causa por uma série de galerias comerciais e salas privadas que têm vindo a emergir.
Quando a YYZ Artists’ Outlet foi fundada em 1979, uma primeira fornada de espaços alternativos em Toronto encontrava-se numa fase de autodestruição devido ao arruinar de interesses colectivos, ao aumento de responsabilidades burocráticas e administrativas, à crítica governamental, e a um mal-estar teórico em geral (leia-se: pós-modernismo) – a excepção digna de nota é A Space, que ainda hoje está em operação. Os fundadores, da YYZ, foram um grupo de graduados da escola de arte, que não tinham outra ambição sem ser a de criar um espaço onde podiam mostrar as suas obras. Como afirma Kim Todd, a primeira gerente da YYZ, “Não queremos adoptar a história de ninguém.”
Os fundadores da YYZ nunca redigiram um mandato, nem definição da missão, nem se declaram opositores a qualquer instituição rival. Eram simplesmente algo mais, qualquer coisa que surgiu de um longo desejo por algo que ainda não existia. Ser “alternativo” implica manter uma relação ou estar em diálogo com uma outra entidade mais convencional, mas, no Canadá, nunca houve uma grande tradição de institucionalização artística para que o alternativo pudesse ser construído em oposição, como aconteceu nos Estados Unidos e na Europa.
O mandato corrente da YYZ é uma formação posterior, por assim dizer, criado para esboçar explicitamente as paixões, compromissos, e actividades. A galeria dedica-se a três áreas de programação – as artes visuais, as artes temporais, e a publicação – os quais estão sujeitos à mudança. A programação das artes temporais foram introduzidas para o inventário de exibições em 1987 para acomodar e encorajar o número crescente de artistas que trabalhava em cinema, vídeo, ou na representação. Em discussões recentes entre os membros do conselho discute-se a manutenção de uma distinção entre as artes visuais e temporais, numa altura em que cada vez mais os artista criam obras multidisciplinares. Em 1998, a YYZ publicou a sua primeira colecção de escritos de crítica, como consequência de uma série de conferências muito bem sucedidas e de debates, por si produzidos. A secção de publicações, YYZ Books, agora bem estabelecida, mantém o compromisso adoptado pela galeria em discursar.
Dentro do seu ensaio para o catálogo do décimo aniversário da galeria, Decalog, Barbara Fischer descreveu a YYZ como uma organização que “navegou numa rota rizomática, valendo-se das energias e dos interesses de uma comunidade baseada em Toronto.” Os membros do conselho, com quem tenho mantido contacto durante os anos, são da mesma opinião: mostrar obras da arte, as quais acham provocantes, será sempre a prioridade. A estrutura do conselho convocatório garante que o conceito do termo “provocante” nunca será estática.
Susan Kealey, uma artista, escritora, e participante há muito tempo na cultura dirigida pelos artistas, entrou no conselho da YYZ em 1989. Em 1999, concluiu num artigo da revista Fuse: “Parece inútil discutir se os CDPAs [Centros Dirigidos Pelos Artistas] continuam alternativos, porque é claro que se tornaram instituições, apesar da programação se distinguir da dos museus e galerias públicas. Mas os CDPA ainda conseguem exercer a diferença – simplesmente porque são dirigidos por artistas.”
Kealey tem razão ao afirmar que, num contexto canadiano, a discussão “alternativa” acerca dos espaços dirigidos por artistas é agora irrelevante. Alternativo tem definitivamente servido como um adjectivo útil, como uma espécie de símbolo de estenografia que se refere a uma história particular ou a assinalar um género de envolvimento com a arte que difere da moda corrente. Kealey também tem razão em reconhecer que os espaços dirigidos por artistas – pelo menos em Toronto – já são instituições. A pergunta mais interessante de hoje, na minha opinião, não é “Será que os espaços dirigidos por artistas são alternativos?”, mas “Será que as instituições podem ser relevantes?” O desafio é claro, e é um dos que a YYZ enfrenta directamente. A galeria pode mostrar, e mostra, as obras que seriam censurados na maioria dos museus e galerias públicas. Como instituições, a YYZ pode conceder um certo “selo de homologação” aos artistas e às suas obras, uma legitimidade que de outra maneira poderia eludi-los por muitos anos. A YYZ ainda paga, aos artistas, os honorários mais altos de todas as galerias alternativas no Canadá (por um exposição individual um artista recebe $1,200 canadianos), pondo a par as artes temporais com as artes visuais, e os artistas seniores com aqueles que neste momento estão emergir.
Nos dias de hoje, e face à diminuição dos fundos governamentais, os espaços “alternativos” de Toronto – ainda que não pretendam o rótulo – tendem a ser galerias comerciais do tipo “faça você mesmo” e com orçamentos limitados. Os artistas estão se a lançar nesta dança de comercialismo, com talvez o mesmo idealismo engenhoso que marcou a formação dos primeiros espaços dirigidos por artistas há vinte anos atrás. Porém, este movimento não impede a existência continuada dos espaços alternativos. Iniciativas dirigidos pelos artistas que recebem doações de fundos públicos continuam a ser necessários para a sobrevivência e vitalidade da cultura canadiana em todas as suas variações e permutações. A YYZ agora tem 21 anos de história para sobrepujar e para assegurar. O conselho e o pessoal da galeria acreditam que é importante reconhecer esta história da arte que programamos, dos livros que publicamos, e dos eventos que organizamos.
Espaços dirigidos por artistas atraem pessoas com uma paixão pela arte contemporânea e com um compromisso teimoso com o discurso crítico. Num mundo em que tudo está demasiado cínico, tímido, e niilista, isso será tudo o que de “alternativo” alguém poderia esperar.
Eram arrivistas impertinentes nos anos 70 e 80, cheios até a borda com iconoclasmo criativo, irreverência, e comunalismo anárquico. Forneceram um ponto de partida para uma geração de artistas que não queriam vender as suas obras e muito menos queriam estabelecer uma conversa de jantar interessante com coleccionadores aborrecidos e milionários. Mas hoje, muitos dos espaços geridos por artistas estão a tornar-se nos sentinelas grisalhos duma alternativa institucionalizada. Presos a comissões e a enfrentar responsabilidades administrativas consideráveis, os espaços dirigidos por artistas têm de trabalhar mais que nunca para manter as suas concessões, e a sua reputação de inovadores está a ser posta em causa por uma série de galerias comerciais e salas privadas que têm vindo a emergir.
Quando a YYZ Artists’ Outlet foi fundada em 1979, uma primeira fornada de espaços alternativos em Toronto encontrava-se numa fase de autodestruição devido ao arruinar de interesses colectivos, ao aumento de responsabilidades burocráticas e administrativas, à crítica governamental, e a um mal-estar teórico em geral (leia-se: pós-modernismo) – a excepção digna de nota é A Space, que ainda hoje está em operação. Os fundadores, da YYZ, foram um grupo de graduados da escola de arte, que não tinham outra ambição sem ser a de criar um espaço onde podiam mostrar as suas obras. Como afirma Kim Todd, a primeira gerente da YYZ, “Não queremos adoptar a história de ninguém.”
Os fundadores da YYZ nunca redigiram um mandato, nem definição da missão, nem se declaram opositores a qualquer instituição rival. Eram simplesmente algo mais, qualquer coisa que surgiu de um longo desejo por algo que ainda não existia. Ser “alternativo” implica manter uma relação ou estar em diálogo com uma outra entidade mais convencional, mas, no Canadá, nunca houve uma grande tradição de institucionalização artística para que o alternativo pudesse ser construído em oposição, como aconteceu nos Estados Unidos e na Europa.
O mandato corrente da YYZ é uma formação posterior, por assim dizer, criado para esboçar explicitamente as paixões, compromissos, e actividades. A galeria dedica-se a três áreas de programação – as artes visuais, as artes temporais, e a publicação – os quais estão sujeitos à mudança. A programação das artes temporais foram introduzidas para o inventário de exibições em 1987 para acomodar e encorajar o número crescente de artistas que trabalhava em cinema, vídeo, ou na representação. Em discussões recentes entre os membros do conselho discute-se a manutenção de uma distinção entre as artes visuais e temporais, numa altura em que cada vez mais os artista criam obras multidisciplinares. Em 1998, a YYZ publicou a sua primeira colecção de escritos de crítica, como consequência de uma série de conferências muito bem sucedidas e de debates, por si produzidos. A secção de publicações, YYZ Books, agora bem estabelecida, mantém o compromisso adoptado pela galeria em discursar.
Dentro do seu ensaio para o catálogo do décimo aniversário da galeria, Decalog, Barbara Fischer descreveu a YYZ como uma organização que “navegou numa rota rizomática, valendo-se das energias e dos interesses de uma comunidade baseada em Toronto.” Os membros do conselho, com quem tenho mantido contacto durante os anos, são da mesma opinião: mostrar obras da arte, as quais acham provocantes, será sempre a prioridade. A estrutura do conselho convocatório garante que o conceito do termo “provocante” nunca será estática.
Susan Kealey, uma artista, escritora, e participante há muito tempo na cultura dirigida pelos artistas, entrou no conselho da YYZ em 1989. Em 1999, concluiu num artigo da revista Fuse: “Parece inútil discutir se os CDPAs [Centros Dirigidos Pelos Artistas] continuam alternativos, porque é claro que se tornaram instituições, apesar da programação se distinguir da dos museus e galerias públicas. Mas os CDPA ainda conseguem exercer a diferença – simplesmente porque são dirigidos por artistas.”
Kealey tem razão ao afirmar que, num contexto canadiano, a discussão “alternativa” acerca dos espaços dirigidos por artistas é agora irrelevante. Alternativo tem definitivamente servido como um adjectivo útil, como uma espécie de símbolo de estenografia que se refere a uma história particular ou a assinalar um género de envolvimento com a arte que difere da moda corrente. Kealey também tem razão em reconhecer que os espaços dirigidos por artistas – pelo menos em Toronto – já são instituições. A pergunta mais interessante de hoje, na minha opinião, não é “Será que os espaços dirigidos por artistas são alternativos?”, mas “Será que as instituições podem ser relevantes?” O desafio é claro, e é um dos que a YYZ enfrenta directamente. A galeria pode mostrar, e mostra, as obras que seriam censurados na maioria dos museus e galerias públicas. Como instituições, a YYZ pode conceder um certo “selo de homologação” aos artistas e às suas obras, uma legitimidade que de outra maneira poderia eludi-los por muitos anos. A YYZ ainda paga, aos artistas, os honorários mais altos de todas as galerias alternativas no Canadá (por um exposição individual um artista recebe $1,200 canadianos), pondo a par as artes temporais com as artes visuais, e os artistas seniores com aqueles que neste momento estão emergir.
Nos dias de hoje, e face à diminuição dos fundos governamentais, os espaços “alternativos” de Toronto – ainda que não pretendam o rótulo – tendem a ser galerias comerciais do tipo “faça você mesmo” e com orçamentos limitados. Os artistas estão se a lançar nesta dança de comercialismo, com talvez o mesmo idealismo engenhoso que marcou a formação dos primeiros espaços dirigidos por artistas há vinte anos atrás. Porém, este movimento não impede a existência continuada dos espaços alternativos. Iniciativas dirigidos pelos artistas que recebem doações de fundos públicos continuam a ser necessários para a sobrevivência e vitalidade da cultura canadiana em todas as suas variações e permutações. A YYZ agora tem 21 anos de história para sobrepujar e para assegurar. O conselho e o pessoal da galeria acreditam que é importante reconhecer esta história da arte que programamos, dos livros que publicamos, e dos eventos que organizamos.
Espaços dirigidos por artistas atraem pessoas com uma paixão pela arte contemporânea e com um compromisso teimoso com o discurso crítico. Num mundo em que tudo está demasiado cínico, tímido, e niilista, isso será tudo o que de “alternativo” alguém poderia esperar."
quarta-feira, abril 21, 2004
: : : 1-big-O [v2.0] : : :
Hoje trouxe, para casa, o caderno de apontamentos das minhas reuniões. Estes são alguns dos (muitos) esboços que tenho por lá!





Acham que as reuniões são entediantes? Nãaaaaa....
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