Olegário Alho Lança acompanhava a Dra. Sofalina Dinarte, responsável da empresa de Higiene e Segurança no Trabalho, enquanto esta fazia medições de luz e temperatura em todas as instalações.
Chegados à zona frigorífica de armazenamento da carne de porco, Olegário Alho Lança dirigiu-se à Dra. Sofalina Dinarte e disse:
- Vamos então aqui medir a humidade?
E entraram para a câmara frigorífica!
Tudo começou em 2000 com a minha ida para a Califórnia para um estágio. As Crónicas foram servindo de diário da aventura. E continuam, mesmo depois de voltar... E de voltar a sair para Inglaterra, Japão, Luxemburgo, França, Finlândia, Holanda, São Tomé, etc...
Cada aventura ou momento que me permito partilhar está aqui nas Crónicas da Califórnia.
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quarta-feira, março 11, 2009
Palhaça - Na Câmara Frigorífica
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Palhaça: "Mensagem pela manhã"
O staff fica surpreendido com o mail que chega logo pela manhã. Ambrósio Graciano escreve:
"Gostaria de informar que um dos nossos colegas sofre de um problema médico raro e conhecido por Disforia de Identidade do Género (DIG), mais comummente conhecido como Transexualidade. É uma condição incurável, mas tratável, que se pensa ser causada por um desequilíbrio hormonal na fase pré-natal, e não deve ser considerado um desvio, fetish ou uma opção de estilo de vida. Na sua essência uma pessoa que sofra desta condição, identifica o seu género de maneira diferente daquele que fisicamente e externamente apresenta. O tratamento para esta condição consiste em alterar o seu género físico da pessoa de modo a condizer com aquilo que sente interiormente.
Como resultado do seu tratamento de DIG e desejando fazer esta mudança de uma forma adulta e ponderada, Olegário Alho Lança vai deixar a empresa na sexta-feira, 23 de Março para retornar na segunda-feira 23 de Abril como Ongina Alho Lança, para viver e trabalhar como uma mulher.
Tenho a certeza que todos se juntarão a mim no desejo que esta transição corra sem problemas e sei que todos farão o possível para respeitar a Ongina e tratá-la como uma mulher."
E Rodrigo Rodrigues volta ao enchimento de chouriços...
(Serve este post de homenagem a Gisberta, uma transexual, brutalmente assassinada, no Porto, faz hoje um ano. E é baseado - como é costume na rubrica "Palhaça" - em factos verídicos da minha vida profissional, que ocorreram faz agora, também, três anos.)
"Gostaria de informar que um dos nossos colegas sofre de um problema médico raro e conhecido por Disforia de Identidade do Género (DIG), mais comummente conhecido como Transexualidade. É uma condição incurável, mas tratável, que se pensa ser causada por um desequilíbrio hormonal na fase pré-natal, e não deve ser considerado um desvio, fetish ou uma opção de estilo de vida. Na sua essência uma pessoa que sofra desta condição, identifica o seu género de maneira diferente daquele que fisicamente e externamente apresenta. O tratamento para esta condição consiste em alterar o seu género físico da pessoa de modo a condizer com aquilo que sente interiormente.
Como resultado do seu tratamento de DIG e desejando fazer esta mudança de uma forma adulta e ponderada, Olegário Alho Lança vai deixar a empresa na sexta-feira, 23 de Março para retornar na segunda-feira 23 de Abril como Ongina Alho Lança, para viver e trabalhar como uma mulher.
Tenho a certeza que todos se juntarão a mim no desejo que esta transição corra sem problemas e sei que todos farão o possível para respeitar a Ongina e tratá-la como uma mulher."
E Rodrigo Rodrigues volta ao enchimento de chouriços...
(Serve este post de homenagem a Gisberta, uma transexual, brutalmente assassinada, no Porto, faz hoje um ano. E é baseado - como é costume na rubrica "Palhaça" - em factos verídicos da minha vida profissional, que ocorreram faz agora, também, três anos.)
terça-feira, outubro 04, 2005
Palhaça: "Prioridades"
28 de Setembro, 16:30
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços com uma folha de papel na mão. Chega junto de Rodrigo Rodrigues, e diz, mostrando a folha de defeito, detectado pelos resultados dos testes aos chouriços, feitos pela equipa de qualidade.
- "Defeito 1787 confirmado. Como é de prioridade média e não vem do grupo de aceitação, não vamos para já agendar nenhuma mudança para esta semana, a menos que cheguem outros de prioridade alta. Devem-se concentrar nas encomendas em curso."
E afasta-se!
30 de Setembro, 12:39
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços. Dirige-se a Rodrigo Rodrigues, e diz:
- "O meu objectivo para o próximo pacote seria: Defeito 1787 corrigido, metade da encomenda em curso realizada e melhoria da embalagem."
Rodrigo olha para ela e, surpreso, gagueja, contendo a resposta.
Continua a trabalhar, enquanto ela se afasta. Ao que ela retorna dizendo:
- "Achas que pode ser para hoje?"
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços com uma folha de papel na mão. Chega junto de Rodrigo Rodrigues, e diz, mostrando a folha de defeito, detectado pelos resultados dos testes aos chouriços, feitos pela equipa de qualidade.
- "Defeito 1787 confirmado. Como é de prioridade média e não vem do grupo de aceitação, não vamos para já agendar nenhuma mudança para esta semana, a menos que cheguem outros de prioridade alta. Devem-se concentrar nas encomendas em curso."
E afasta-se!
30 de Setembro, 12:39
Marta Borges, entra na linha de enchimento de chouriços. Dirige-se a Rodrigo Rodrigues, e diz:
- "O meu objectivo para o próximo pacote seria: Defeito 1787 corrigido, metade da encomenda em curso realizada e melhoria da embalagem."
Rodrigo olha para ela e, surpreso, gagueja, contendo a resposta.
Continua a trabalhar, enquanto ela se afasta. Ao que ela retorna dizendo:
- "Achas que pode ser para hoje?"
segunda-feira, setembro 12, 2005
Palhaça: "Estou saturada, vou de férias!"
Marta Borges, ao fim de uns meses sem aparecer, passeia-se pela linha de enchimento de chouriços.
Ao passar por Rodrigo Rodrigues, repara que o enchimento dos chouriços está a ser feito sem seguir o normal processo de enchimento e diz:
- "Estou a ficar um pouco saturada destas situações de erros sobre coisas que já estiveram correctas! Ultimamente têm sido todas do género. Este é mais um caso."
Rodrigo olha para ela e contendo a resposta continua a trabalhar, sem perceber bem o que está mal. Nisto continua Marta:
- "Mais queria informar que para a semana estou de férias. Por isso gostaria de ver hoje ainda o andamento deste enchimento de chouriços, a entregar na 2ª a tempo de meter no pacote e enviar."
E afasta-se! Não mais se viu na linha durante dois meses.
Ao passar por Rodrigo Rodrigues, repara que o enchimento dos chouriços está a ser feito sem seguir o normal processo de enchimento e diz:
- "Estou a ficar um pouco saturada destas situações de erros sobre coisas que já estiveram correctas! Ultimamente têm sido todas do género. Este é mais um caso."
Rodrigo olha para ela e contendo a resposta continua a trabalhar, sem perceber bem o que está mal. Nisto continua Marta:
- "Mais queria informar que para a semana estou de férias. Por isso gostaria de ver hoje ainda o andamento deste enchimento de chouriços, a entregar na 2ª a tempo de meter no pacote e enviar."
E afasta-se! Não mais se viu na linha durante dois meses.
quinta-feira, julho 21, 2005
Palhaça: "Nada!"
Diz Alípio Borralho:
- Eu já fiz em cima da máquina da roupa.
Ao que responde Marta Borges:
- Eu... já o fiz no bidé.
E replica Olegário Alho Lança:
- Eu já fiz na cozinha, enquanto os miúdos brincavam no jardim.
Nisto passa Rodrigo Rodrigues, que ouvindo a sequência de façanhas dos gestores da SEC, diz:
- Eu também já o fiz! No local de trabalho.
- O quê? - Perguntam os outros três, embaraçados por terem sido ouvidos e indagando até que ponto o teriam sido.
- Nada! Exactamente aquilo que vocês fizeram nesses sítios todos e, como não o conseguiram acabar lá, trouxeram-no para aqui para o fazer. – responde Rodrigo dirigindo-se para o local de enchimento de chouriços.
- Eu já fiz em cima da máquina da roupa.
Ao que responde Marta Borges:
- Eu... já o fiz no bidé.
E replica Olegário Alho Lança:
- Eu já fiz na cozinha, enquanto os miúdos brincavam no jardim.
Nisto passa Rodrigo Rodrigues, que ouvindo a sequência de façanhas dos gestores da SEC, diz:
- Eu também já o fiz! No local de trabalho.
- O quê? - Perguntam os outros três, embaraçados por terem sido ouvidos e indagando até que ponto o teriam sido.
- Nada! Exactamente aquilo que vocês fizeram nesses sítios todos e, como não o conseguiram acabar lá, trouxeram-no para aqui para o fazer. – responde Rodrigo dirigindo-se para o local de enchimento de chouriços.
quarta-feira, julho 20, 2005
Palhaça: "Cortador de relva"
Joel Fagundes, o Director, passeia-se pelo corredor. Desfolha o catálogo de jardim do Hipermeracdo local, enquanto pensa nos problemas da SEC - Sociedade de Enchimento de Chouriços - que só ele sabe o que são e só ele conhece, mas que só ele não consegue resolver.
Nisto pára e retém-se na página dos cortadores mecânicos de relva. Detêm-se estático, por instantes, no corredor a olhar para o catálogo.
Passa Rodrigo Rodrigues no acesso ao quarto-de-banho. Joel Fagundes olha para ele e diz, no seu normal tom de megafone de feira:
- "Era disto que precisavas para cortar esse cabelo!"
Nisto pára e retém-se na página dos cortadores mecânicos de relva. Detêm-se estático, por instantes, no corredor a olhar para o catálogo.
Passa Rodrigo Rodrigues no acesso ao quarto-de-banho. Joel Fagundes olha para ele e diz, no seu normal tom de megafone de feira:
- "Era disto que precisavas para cortar esse cabelo!"
segunda-feira, julho 18, 2005
Palhaça: "Mostra-me lá as patas!"
Umas semanas depois do acidente de automóvel que teve, ao adormecer a conduzir, Rodrigo Rodrigues, chega à SEC - Sociedade de Enchimento de Chouriços.
O director, Joel Fagundes, está à porta da empresa e vê Rodrigo a chegar. Ao que lhe diz suficientemente alto de maneira que todos oiçam:
- "Mostra-me lá as patas!"
Timidamente, Rodrigo, levanta as mãos à altura do umbigo, com as palmas para baixo de maneira a mostrar, ao director, as quase cicatrizes das queimaduras produzidas pelo enchimento rápido do airbag. Nisto Joel Fagundes, novamente de maneira a que todos oiçam, diz:
- "É bem feita para que não te esqueças disto durante uns tempos!"
O director, Joel Fagundes, está à porta da empresa e vê Rodrigo a chegar. Ao que lhe diz suficientemente alto de maneira que todos oiçam:
- "Mostra-me lá as patas!"
Timidamente, Rodrigo, levanta as mãos à altura do umbigo, com as palmas para baixo de maneira a mostrar, ao director, as quase cicatrizes das queimaduras produzidas pelo enchimento rápido do airbag. Nisto Joel Fagundes, novamente de maneira a que todos oiçam, diz:
- "É bem feita para que não te esqueças disto durante uns tempos!"
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Palhaça: Podia ser...
As próximas citações são as 10 melhores de um concurso levado a cabo por uma revista. A ideia era que os leitores enviassem tiradas dos seus superiores e que estivessem dentro do espírito do Dilbert.
Não são da Palhaça (aliás porque na SEC não se fala "estrangeiro"), mas podia ser! Na verdade até acho que algumas já lá foram ouvidas!
10. One day my Boss asked me to submit a status report to him concerning a project I was working on. I asked him if tomorrow would be soon enough. He said, "If I wanted it tomorrow, I would have waited until tomorrow to ask for it!"
Hallmark Cards executive
9. "We know that communication is a problem, but the company is not going to discuss it with the employees."
Switching supervisor, AT&T Long Lines Division
8. My sister passed away and her funeral was scheduled for Monday. When I told my Boss, he said she died on purpose so that I would have to miss work on the busiest day of the year. He then asked if we could change her burial to Friday. He said, "That would be better for me."
Shipping executive, FTD Florists
7. Quote from the Boss: "Teamwork is a lot of people doing what I say."
Marketing executive, Citrix Corporation
6. "No one will believe you solved this problem in one day! We've been working on it for months. Now, go act busy for a few weeks and I'll let you know when it's time to tell them."
R&D supervisor, Minnesota Mining and Manufacturing/3M Corp.
5. "Doing it right is no excuse for not meeting the schedule."
Plant manager, Delco Corporation
4. "This project is so important, we can't let things that are more important interfere with it."
Advertising/Marketing manager, United Parcel Service
3. "E-mail is not to be used to pass on information or data. It should be used only for company business."
Accounting manager, Electric Boat Company
2. "What I need is an exact list of specific unknown problems we might encounter!!"
Lykes Lines Shipping
E o vencedor...
1. "As of tomorrow, employees will only be able to access the building using individual security cards. Pictures will be taken next Wednesday and employees will receive their cards in two weeks."
Fred Dales at Microsoft Corp. in Redmond,WA.
Não são da Palhaça (aliás porque na SEC não se fala "estrangeiro"), mas podia ser! Na verdade até acho que algumas já lá foram ouvidas!
10. One day my Boss asked me to submit a status report to him concerning a project I was working on. I asked him if tomorrow would be soon enough. He said, "If I wanted it tomorrow, I would have waited until tomorrow to ask for it!"
Hallmark Cards executive
9. "We know that communication is a problem, but the company is not going to discuss it with the employees."
Switching supervisor, AT&T Long Lines Division
8. My sister passed away and her funeral was scheduled for Monday. When I told my Boss, he said she died on purpose so that I would have to miss work on the busiest day of the year. He then asked if we could change her burial to Friday. He said, "That would be better for me."
Shipping executive, FTD Florists
7. Quote from the Boss: "Teamwork is a lot of people doing what I say."
Marketing executive, Citrix Corporation
6. "No one will believe you solved this problem in one day! We've been working on it for months. Now, go act busy for a few weeks and I'll let you know when it's time to tell them."
R&D supervisor, Minnesota Mining and Manufacturing/3M Corp.
5. "Doing it right is no excuse for not meeting the schedule."
Plant manager, Delco Corporation
4. "This project is so important, we can't let things that are more important interfere with it."
Advertising/Marketing manager, United Parcel Service
3. "E-mail is not to be used to pass on information or data. It should be used only for company business."
Accounting manager, Electric Boat Company
2. "What I need is an exact list of specific unknown problems we might encounter!!"
Lykes Lines Shipping
E o vencedor...
1. "As of tomorrow, employees will only be able to access the building using individual security cards. Pictures will be taken next Wednesday and employees will receive their cards in two weeks."
Fred Dales at Microsoft Corp. in Redmond,WA.
terça-feira, outubro 05, 2004
Palhaça: "Dia de aumentos"
Dia de comunicação de aumentos na Sociedade de Enchimento de Chouriços (SEC). Uma pequena e escura sala de reuniões, sem janelas para o exterior. No centro da sala uma mesa ocupando quase todo o espaço disponível. Na cabeceira da mesa está sentado Alípio Borralho, o chefe da equipa de enchimento. À sua frente está um molho de papéis, um por cada empregado. Cada papel tem descrito o aumento de ordenado que o empregado irá gozar este ano.
Chega a vez de Rodrigo Rodrigues ser chamado, para saber o quanto foi aumentado e quanto valeu o seu esforço de encher chouriços no ano que passou. É a primeira vez que é aumentado desde que começou a encher chouriços na SEC.
Entra na sala e senta-se na cabeceira contrária de Alípio Borralho. Este começa:
– “Rodrigo, obrigado pelo seu esforço no ano que passou. A empresa sente a necessidade de o compensar por esse esforço que despendeu para o bem estar e bom funcionamento da companhia e pela sua consolidação como empresa líder de enchimento de chouriços em Portugal e no mundo. ”
Os olhos de Rodrigo começam a brilhar e esboça um sorriso. Alípio continua:
– “O seu esforço e a sua dedicação são indispensáveis para a moral e bom funcionamento da linha de enchimento de chouriços. Sei como sacrificou a sua vida particular em momentos difíceis para a empresa, quando entregas de chouriços eram prioritárias e fez horas extraordinárias, sem que houvesse a promessa de compensação. ”
Os olhos de Rodrigo brilham e o sorriso quase se estende de orelha a orelha. Alípio continua:
– “Por estas e outras razões este é o seu aumento.” – diz fazendo chegar o papel com seu nome até Rodrigo, na outra ponta da mesa.
Rodrigo olha para o papel. O sobrolho levanta, o sorriso desaparece e o brilho no olhar passa a desconcertação. A garganta seca e ele engole em seco. O aumento foi de 0.5%!?... Rodrigo sai da sala como se ainda duvidasse da verdade daquele momento.
Chega a vez de Isulina Pereira, a secretária, ser chamada. Há 3 anos que trabalha na SEC. De novo, entra no ambiente carregado da sala e é o momento de saber quanto foi aumentada, desta vez. Senta-se, algo nervosa, na outra ponta da mesa de Alípio e este começa:
– “Isulina, obrigado pelo seu esforço no ano que passou. A empresa sente a necessidade de a compensar por esse esforço que despendeu para o bem estar e bom funcionamento da companhia e pela sua consolidação como empresa líder de enchimento de chouriços em Portugal e no mundo.”
Isulina, um pouco tensa, não reage e só pensa “Vamos lá! Despacha-te com o discurso.” Alípio continua:
– “O seu esforço e a sua dedicação são indispensáveis para a moral e bom funcionamento da empresa. Sei como sacrificou a sua vida particular em momentos difíceis para a empresa, quando haviam prioridades e fez horas extraordinárias, sem que houvesse a promessa de compensação.” – e continua – “Por estas e outras razões este é o seu aumento.” – diz empurrando, com o indicador esquerdo, o papel até à outra ponta da mesa, onde estava Isulina.
Esta, sem olhar para o papel, dobra-o em quatro e guarda-o no bolso de trás das calças. Alípio surpreendido pergunta:
– “Não vai ver quanto foi aumentada?”
– “Prefiro rir-me sozinha!” – diz Isulina.
Chega a vez de Rodrigo Rodrigues ser chamado, para saber o quanto foi aumentado e quanto valeu o seu esforço de encher chouriços no ano que passou. É a primeira vez que é aumentado desde que começou a encher chouriços na SEC.
Entra na sala e senta-se na cabeceira contrária de Alípio Borralho. Este começa:
– “Rodrigo, obrigado pelo seu esforço no ano que passou. A empresa sente a necessidade de o compensar por esse esforço que despendeu para o bem estar e bom funcionamento da companhia e pela sua consolidação como empresa líder de enchimento de chouriços em Portugal e no mundo. ”
Os olhos de Rodrigo começam a brilhar e esboça um sorriso. Alípio continua:
– “O seu esforço e a sua dedicação são indispensáveis para a moral e bom funcionamento da linha de enchimento de chouriços. Sei como sacrificou a sua vida particular em momentos difíceis para a empresa, quando entregas de chouriços eram prioritárias e fez horas extraordinárias, sem que houvesse a promessa de compensação. ”
Os olhos de Rodrigo brilham e o sorriso quase se estende de orelha a orelha. Alípio continua:
– “Por estas e outras razões este é o seu aumento.” – diz fazendo chegar o papel com seu nome até Rodrigo, na outra ponta da mesa.
Rodrigo olha para o papel. O sobrolho levanta, o sorriso desaparece e o brilho no olhar passa a desconcertação. A garganta seca e ele engole em seco. O aumento foi de 0.5%!?... Rodrigo sai da sala como se ainda duvidasse da verdade daquele momento.
Chega a vez de Isulina Pereira, a secretária, ser chamada. Há 3 anos que trabalha na SEC. De novo, entra no ambiente carregado da sala e é o momento de saber quanto foi aumentada, desta vez. Senta-se, algo nervosa, na outra ponta da mesa de Alípio e este começa:
– “Isulina, obrigado pelo seu esforço no ano que passou. A empresa sente a necessidade de a compensar por esse esforço que despendeu para o bem estar e bom funcionamento da companhia e pela sua consolidação como empresa líder de enchimento de chouriços em Portugal e no mundo.”
Isulina, um pouco tensa, não reage e só pensa “Vamos lá! Despacha-te com o discurso.” Alípio continua:
– “O seu esforço e a sua dedicação são indispensáveis para a moral e bom funcionamento da empresa. Sei como sacrificou a sua vida particular em momentos difíceis para a empresa, quando haviam prioridades e fez horas extraordinárias, sem que houvesse a promessa de compensação.” – e continua – “Por estas e outras razões este é o seu aumento.” – diz empurrando, com o indicador esquerdo, o papel até à outra ponta da mesa, onde estava Isulina.
Esta, sem olhar para o papel, dobra-o em quatro e guarda-o no bolso de trás das calças. Alípio surpreendido pergunta:
– “Não vai ver quanto foi aumentada?”
– “Prefiro rir-me sozinha!” – diz Isulina.
segunda-feira, agosto 02, 2004
Palhaça: Dogmas da Gestão
Justiça
- "Estamos atentos a esses problemas!" - Esquece isso.
- "O teu problema não foi esquecido." - É melhor esqueceres mesmo.
- "As coisas demoram o seu tempo." - Espera mais dois anos e pode ser que haja novidades.
- "A empresa não se vai esquecer de ti." - Omite isso da tua memória!
- "Depois eles vêm cá pôr os ovos." - Depois eles vêm cá deixar o fundo das panelas.
- "Só ficamos com o fundo das panelas." - Eles escolhem e nós ficamos com os restos dos trabalhos.
Omnisciência
- "Afina daqui, afina dali." - Não sei o que se deve fazer!
- "Pica por cima, pica por baixo." - Idem
- "Este é o roadmap!" - Estamos todos perdidos e não sabemos o que fazer.
- "Estás a ver a Barra? Não é para aí!" - Vês para que serve o roadmap?
- "Ajuda-me a gerir isto." - Estou perdido! Decide tu e diz-me o que decidiste e eu fico com os louros!
- "Ajudem-me a afinar isto!" - Já não sei o que fazer...
- "Mas tu não achas que..." - Não interessa o que achas, tens é que concordar com o que estou a dizer.
- "Tem que haver uma receita para isto!" - Tu és um robot e tens que trabalhar como tal.
- "Entram batatas... saem chouriças" - Tens que seguir a receita.
- "Baralhas e voltas a dar!" - Faças o que fizeres há sempre maneira de te confundir.
- "Já somos adultos! Já sabemos gerir empresas!" – O meu umbigo está enorme.
- "Isto começou por ser uma chafarica..." - Nada mudou!
- "Isso são más influências!" – Já não ouves o que digo, já não fazes o que mando! Não reportas!
- "Posso falar contigo?" - Para lá de não fazer nada e liga-me um bocadinho se não eu choro!
Bondade
- "Mas nós podemos, e devemos,..." - Mas nós podemos e vocês devem...
- "Isto é uma missão." - Pretendemos que trabalhes 14h por dia, 6 dias por semana, sem qualquer tipo de compensação ou regalias.
- "Criar Sinergias!" - Tu trabalhas e nós recebemos.
- "Não digas a empresa, diz nós." - Se tiveres sucesso temos todos, se te lixares lixas-te sozinho.
- "Quero que sejas o meu braço direito!" - Preciso de um tipo que faça aquilo que eu não quero fazer.
- "É só 20% do trabalho." - Dos 200% que espero de ti.
- "A empresa está a crescer." - Não contratamos ninguém, mas há mais trabalho, pelo que tens que trabalhar mais.
- "O fulano vai receber uma pipa de massa." - Arranjámos uma maneira de compensar o fulano, de maneira que a empresa não pague mais impostos e que estes sejam deduzidos no impostos do fulano.
- "O bónus vem disfarçado no aumento." - Boa! És um lindo cordeiro.
- "Não sei se tenho enquadramento para te pagar essas horas extras." - Trabalha! Trabalha! Trabalha! Que eu não te pago um centavo, escravo.
- "Eisselente" - Obrigado, otário!
- "Obrigado, fulano!" - Esta é a minha forma de te compensar pelo teu esforço extra! Os aumentos vem a caminho...
- "Queria agradecer em nome da equipa." – Um Obrigado paga tudo.
- "Temos vindo a trabalhar no sentido de tornar possível. - Não mexemos uma palha, mas tudo aconteceu e teremos que aceitá-lo como tal.
Omnipresença
- "Manda com o meu conhecimento." - Eu tenho que saber tudo o que se passa.
- "Por favor envolve-me nisso." - Andas a esconder-me informação. Faz o favor de me manter a par.
- "Vocês não reportam." - Vocês não me dizem tudo o que fazem.
- "Tens alguns infeeds para me dar?" – Eu sei que sabes coisas que julgas que eu não sei mas devia de saber, mas que já soube por outros?
- "É preciso balizar o trabalho." - Eu não sei nada disto, mas vocês têm que ir buscar a informação a algum lado.
- "É uma questão de a gente perceber." - Estudem! Escrevam documentos! Que eu não tenho tempo para os ler!
- "Tu és os nossos olhos e mãos lá..." - Trabalha para que eu possa ter os louros!!
Omnipotência
- "Não espantes a caça." - Cala-te! Que eu quero que estes gajos vão para onde não querem ir!"
- "Fazes porque eu digo para fazeres!" - Faz o que eu digo não faças o que eu faço.
- "Não!!! Tu vais para a Cazaquistão e para o Burkina Faso..." - Seguimos para bingo.
- "Tenho que mostrar que sou mau senão vocês pensam que eu sou mole!" - Para pensar que eu sou mole já chega a minha mulher.
- "Estás feliz?" - Se não estiveres, azar!
- "Estas informações serão tratadas confidencialmente." - Estás marcado!
Espiritualidade
- "Aqui na Palhaça não há melhor." - Fecha os olhos, a Palhaça é o limite do teu horizonte, estás hipnotizado...
- "Eu quero que vocês trabalhem bem, não que trabalhem muito." - Eu quero é que vocês se f****!
- "Estamos atentos a esses problemas!" - Esquece isso.
- "O teu problema não foi esquecido." - É melhor esqueceres mesmo.
- "As coisas demoram o seu tempo." - Espera mais dois anos e pode ser que haja novidades.
- "A empresa não se vai esquecer de ti." - Omite isso da tua memória!
- "Depois eles vêm cá pôr os ovos." - Depois eles vêm cá deixar o fundo das panelas.
- "Só ficamos com o fundo das panelas." - Eles escolhem e nós ficamos com os restos dos trabalhos.
Omnisciência
- "Afina daqui, afina dali." - Não sei o que se deve fazer!
- "Pica por cima, pica por baixo." - Idem
- "Este é o roadmap!" - Estamos todos perdidos e não sabemos o que fazer.
- "Estás a ver a Barra? Não é para aí!" - Vês para que serve o roadmap?
- "Ajuda-me a gerir isto." - Estou perdido! Decide tu e diz-me o que decidiste e eu fico com os louros!
- "Ajudem-me a afinar isto!" - Já não sei o que fazer...
- "Mas tu não achas que..." - Não interessa o que achas, tens é que concordar com o que estou a dizer.
- "Tem que haver uma receita para isto!" - Tu és um robot e tens que trabalhar como tal.
- "Entram batatas... saem chouriças" - Tens que seguir a receita.
- "Baralhas e voltas a dar!" - Faças o que fizeres há sempre maneira de te confundir.
- "Já somos adultos! Já sabemos gerir empresas!" – O meu umbigo está enorme.
- "Isto começou por ser uma chafarica..." - Nada mudou!
- "Isso são más influências!" – Já não ouves o que digo, já não fazes o que mando! Não reportas!
- "Posso falar contigo?" - Para lá de não fazer nada e liga-me um bocadinho se não eu choro!
Bondade
- "Mas nós podemos, e devemos,..." - Mas nós podemos e vocês devem...
- "Isto é uma missão." - Pretendemos que trabalhes 14h por dia, 6 dias por semana, sem qualquer tipo de compensação ou regalias.
- "Criar Sinergias!" - Tu trabalhas e nós recebemos.
- "Não digas a empresa, diz nós." - Se tiveres sucesso temos todos, se te lixares lixas-te sozinho.
- "Quero que sejas o meu braço direito!" - Preciso de um tipo que faça aquilo que eu não quero fazer.
- "É só 20% do trabalho." - Dos 200% que espero de ti.
- "A empresa está a crescer." - Não contratamos ninguém, mas há mais trabalho, pelo que tens que trabalhar mais.
- "O fulano vai receber uma pipa de massa." - Arranjámos uma maneira de compensar o fulano, de maneira que a empresa não pague mais impostos e que estes sejam deduzidos no impostos do fulano.
- "O bónus vem disfarçado no aumento." - Boa! És um lindo cordeiro.
- "Não sei se tenho enquadramento para te pagar essas horas extras." - Trabalha! Trabalha! Trabalha! Que eu não te pago um centavo, escravo.
- "Eisselente" - Obrigado, otário!
- "Obrigado, fulano!" - Esta é a minha forma de te compensar pelo teu esforço extra! Os aumentos vem a caminho...
- "Queria agradecer em nome da equipa." – Um Obrigado paga tudo.
- "Temos vindo a trabalhar no sentido de tornar possível. - Não mexemos uma palha, mas tudo aconteceu e teremos que aceitá-lo como tal.
Omnipresença
- "Manda com o meu conhecimento." - Eu tenho que saber tudo o que se passa.
- "Por favor envolve-me nisso." - Andas a esconder-me informação. Faz o favor de me manter a par.
- "Vocês não reportam." - Vocês não me dizem tudo o que fazem.
- "Tens alguns infeeds para me dar?" – Eu sei que sabes coisas que julgas que eu não sei mas devia de saber, mas que já soube por outros?
- "É preciso balizar o trabalho." - Eu não sei nada disto, mas vocês têm que ir buscar a informação a algum lado.
- "É uma questão de a gente perceber." - Estudem! Escrevam documentos! Que eu não tenho tempo para os ler!
- "Tu és os nossos olhos e mãos lá..." - Trabalha para que eu possa ter os louros!!
Omnipotência
- "Não espantes a caça." - Cala-te! Que eu quero que estes gajos vão para onde não querem ir!"
- "Fazes porque eu digo para fazeres!" - Faz o que eu digo não faças o que eu faço.
- "Não!!! Tu vais para a Cazaquistão e para o Burkina Faso..." - Seguimos para bingo.
- "Tenho que mostrar que sou mau senão vocês pensam que eu sou mole!" - Para pensar que eu sou mole já chega a minha mulher.
- "Estás feliz?" - Se não estiveres, azar!
- "Estas informações serão tratadas confidencialmente." - Estás marcado!
Espiritualidade
- "Aqui na Palhaça não há melhor." - Fecha os olhos, a Palhaça é o limite do teu horizonte, estás hipnotizado...
- "Eu quero que vocês trabalhem bem, não que trabalhem muito." - Eu quero é que vocês se f****!
segunda-feira, julho 19, 2004
Palhaça: "É da Vodafone"
O telefone toca, na SEC, no escritório do Sr. Joel Fagundes – o director.
- Sr. Joel, é da Vodafone. – diz a telefonista.
- Ok! Prauntus, pode passar!
- Estou sim? Boa tarde, gostaria de falar com o Sr. Director da SEC, se faz favor!
- SIM! SOU EU MESMO! - grita Joel Fagundes para o alta-voz do seu telefone fixo de secretária - Que quer?
- Exmo Sr., daqui fala da Vodafone e desejávamos falar com V. Exa. no sentido de lhe propor um contrato empresarial para a rede móvel da sua empresa.
- CUMO DIZ?
- Gostaríamos de saber se a empresa que dirige está interessada em celebrar um contrato para a rede de telefones móvel com a Vodafone. - repete a pobre vendedora do outro lado da linha.
- Oooh, miinha senhoora! Eu não estou interessado em nenhum contrato com a Bodafone!
- Gostaríamos de lhe...
- Oh! Minha senhora, já lhe disse que não estou interessado em nada da Bodafone. Aqui só há rede da TWA!
- Sr. Joel, é da Vodafone. – diz a telefonista.
- Ok! Prauntus, pode passar!
- Estou sim? Boa tarde, gostaria de falar com o Sr. Director da SEC, se faz favor!
- SIM! SOU EU MESMO! - grita Joel Fagundes para o alta-voz do seu telefone fixo de secretária - Que quer?
- Exmo Sr., daqui fala da Vodafone e desejávamos falar com V. Exa. no sentido de lhe propor um contrato empresarial para a rede móvel da sua empresa.
- CUMO DIZ?
- Gostaríamos de saber se a empresa que dirige está interessada em celebrar um contrato para a rede de telefones móvel com a Vodafone. - repete a pobre vendedora do outro lado da linha.
- Oooh, miinha senhoora! Eu não estou interessado em nenhum contrato com a Bodafone!
- Gostaríamos de lhe...
- Oh! Minha senhora, já lhe disse que não estou interessado em nada da Bodafone. Aqui só há rede da TWA!
sexta-feira, julho 16, 2004
Palhaça: Enquadramento e algumas Personagens
Há uns tempos que ando a pensar num guião para uma série cómica de TV para o segundo canal, depois das 4h da manhã. Uma coisa simples baseada em pormenores engraçados da vida profissional de um grupo de funcionários de uma fábrica de chouriços – SEC – Sociedade de Enchimento de Chouriços. Nesta fábrica entram porcos e saem chouriços. Moem-se os porcos e enchem-se os chouriços.
A fábrica fica na Palhaça (Aveiro) e esse seria o nome da série – Palhaça.
Já pensei nalgumas personagens! Ah! E claro que esta série é ficção e qualquer semelhança entre ela e a realidade é pura coincidência.
Joel Fagundes – O director. É catequista, mas todos os dias ao almoço bebe bastante "sangue de Cristo" e um escocês, pelo que já se sabe que de tarde convém não lhe dirigir a palavra. O mesmo se passa nas primeiras horas do dia. É frequente passar pelas pessoas e nem sequer as ver, preocupado com os problemas dele, que só ele entende e só ele cria. E foge deles como o diabo da cruz e por todos os meios tenta os passar para os outros ou adiá-los até que passem ao esquecimento.
Dirige ao pessoal mensagens com passagens da bíblia e é frequente falar "em coisas" e em "aqueles assuntos" que ninguém percebe bem o que são.
Fala sempre aos berros e usa o calão para se sentir ao nível dos empregados, mas como é normal não consegue. Nem consegue sequer usar o calão!
Ambrósio Graciano – O sub-director. Põe uma gravata especialmente para fazer comunicações aos empregados, mas corre a tirá-la assim que acaba a reunião. Arranja sempre um desculpa para tudo, mesmo para aquilo que não precisa dela.
Tem umas piadas "engraçadas" que roçam o cinismo e acima de tudo acha que já é adulto e sabe gerir empresas.
Pela manhã cumprimenta toda a gente com um "Bom Dia, Senhor"... Pensa-se que é dirigido a Jesus!
Alípio Borralho – O chefe da equipa de enchimento. Parece um tradicional guarda da GNR, com o sotaque lá de "xima" e com as faces rosadas. Nasceu numa pequena aldeia de Trás-os-Montes e foi viver para a grande cidade, mas vai a casa da mãe todos os fins-de-semana para lavar a roupa e trazer a comida pronta para a semana toda. Tem quase 40 anos.
Não sabe cozinhar e acha que todos os homens são como ele. Não sabe o que come até a comida estar na mesa. Não se sabe porque trabalha numa fábrica de chouriços porque nem sabe para que servem.
Não confia em ninguém, nem na própria sombra. Esta tem que lhe reportar onde anda quando não aparece em locais escuros.
Gosta dos seus sapatos de sola de pele, mas às vezes usa sandálias... Com meia! Felizmente preta!
Não sabe o significado da palavra "desodorizante" e é normal cheirar a estrugido. Não se sabe de onde vem o cheiro, pois não cozinha!
Rodrigo Rodrigues – Um "anormal" funcionário. Usa piercings e tatuagens. Enche chouriços o dia todo.
A fábrica fica na Palhaça (Aveiro) e esse seria o nome da série – Palhaça.
Já pensei nalgumas personagens! Ah! E claro que esta série é ficção e qualquer semelhança entre ela e a realidade é pura coincidência.
Joel Fagundes – O director. É catequista, mas todos os dias ao almoço bebe bastante "sangue de Cristo" e um escocês, pelo que já se sabe que de tarde convém não lhe dirigir a palavra. O mesmo se passa nas primeiras horas do dia. É frequente passar pelas pessoas e nem sequer as ver, preocupado com os problemas dele, que só ele entende e só ele cria. E foge deles como o diabo da cruz e por todos os meios tenta os passar para os outros ou adiá-los até que passem ao esquecimento.
Dirige ao pessoal mensagens com passagens da bíblia e é frequente falar "em coisas" e em "aqueles assuntos" que ninguém percebe bem o que são.
Fala sempre aos berros e usa o calão para se sentir ao nível dos empregados, mas como é normal não consegue. Nem consegue sequer usar o calão!
Ambrósio Graciano – O sub-director. Põe uma gravata especialmente para fazer comunicações aos empregados, mas corre a tirá-la assim que acaba a reunião. Arranja sempre um desculpa para tudo, mesmo para aquilo que não precisa dela.
Tem umas piadas "engraçadas" que roçam o cinismo e acima de tudo acha que já é adulto e sabe gerir empresas.
Pela manhã cumprimenta toda a gente com um "Bom Dia, Senhor"... Pensa-se que é dirigido a Jesus!
Alípio Borralho – O chefe da equipa de enchimento. Parece um tradicional guarda da GNR, com o sotaque lá de "xima" e com as faces rosadas. Nasceu numa pequena aldeia de Trás-os-Montes e foi viver para a grande cidade, mas vai a casa da mãe todos os fins-de-semana para lavar a roupa e trazer a comida pronta para a semana toda. Tem quase 40 anos.
Não sabe cozinhar e acha que todos os homens são como ele. Não sabe o que come até a comida estar na mesa. Não se sabe porque trabalha numa fábrica de chouriços porque nem sabe para que servem.
Não confia em ninguém, nem na própria sombra. Esta tem que lhe reportar onde anda quando não aparece em locais escuros.
Gosta dos seus sapatos de sola de pele, mas às vezes usa sandálias... Com meia! Felizmente preta!
Não sabe o significado da palavra "desodorizante" e é normal cheirar a estrugido. Não se sabe de onde vem o cheiro, pois não cozinha!
Rodrigo Rodrigues – Um "anormal" funcionário. Usa piercings e tatuagens. Enche chouriços o dia todo.
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