quinta-feira, maio 17, 2007

Construções na Areia

Em 1982, de férias na praia de Esmoriz (eu estava de férias, mas os meus pais trabalhavam lá) concorri ao Concurso de Construções na Areia, do Diário de Notícias.

Na altura a praia de Esmoriz ainda existia com bastante areia, o que me permitia ir experimentando algumas construções que a imaginação, de um miúdo de 12 anos, permitia. Idealizei uma cena tranquila com um pontão de madeira, um barco a remos e um mar calmo. E ia fazendo aquela construção de um lugar idílico, treinando para o grande dia do concurso.

Eu não queria ganhar! Queria apenas o segundo, ou terceiro prémio, que me dava direito a uma série de livros dos Cinco, os Sete e afins, escritos pela Enid Blyton. O primeiro prémio era uma bicicleta e como não sabia andar (que irónico, né?) não o desejava. Além disso os livros faziam-me mais felizes... Faziam-me sonhar!

Um dia estava eu a construir os meus sonhos em areia e o meu irmão destruiu todo o trabalho a que eu tinha dedicado o meu carinho. É triste quando aqueles que nos são próximo são os primeiros a destruir os nossos sonhos, mesmo que construídos em areia, numa praia que já não existe.

Ah! E ganhei a bicicleta... O que também me deixou um bocado triste! Mas aprendi uma coisa: que quando desejamos muito algo, podemos ganhar mais ainda.

Toca e foge...

Em provocação ao senhor Anónimo que deixou um comentário ao meu post "Porra pá!", ele também a provocar, deixo este pequena história:

Quando era miúdo saia muito cedo de casa. Entrava às 8:30 ou 9:00 da manhã e por isso saía por volta das 7:30, para apanhar a camioneta que me à escola. A minha mãe dava-me 5 escudos (0,025€) para o bilhete. Como o bilhete custava 4 escudos (0,02€) eu gastava o outro escudo em rebuçados e cromos para a minha caderneta de futebolistas ou personagens de desenho animado (da RTP, a única emissora na altura).

Quando saia no fim das aulas, vinha a pé para casa da minha avó. Vinha pelos campos e pelos caminhos que de manhã percorria de camioneta. A comer os rebuçados e a tocar às campainhas das casas por onde passava. Tocava e corria, fugindo com os meus amigos, dos donos das casas, que muitas vezes nos insultava.

Quando comecei a crescer comecei a deixar de tocar às campainhas! E de fugir...

quinta-feira, maio 10, 2007

Será que leram o meu blog?

Há uns minutos recebi uma chamada...
- "Hello? Is this Mister Rui Gonçalves?"
- "Ye... Yes!!" - gaguejei surpreso.
E a conversa continuou para o normal assunto se eu não estaria interessado em trabalhar em Inglaterra e blah, blah, blah!

Eu pergunto-me se terão visto o meu último post?

segunda-feira, maio 07, 2007

Porra pá!

Hoje estou naqueles dias em que me apetecia mandar este país às urtigas. Eu sei que temos qualidade de vida, sabemos comer e viver, mas ando ma passar com a falta de visão, falta de objectivos e falta de ambição que as empresas portuguesas e os portugueses têm.

Eu sei que trabalhamos para viver, ao contrário dos americanos que vivem para trabalhar, mas esta falta de vontade (que é o que parece, por vezes) dos portugueses em querer pôr este país no mapa entristece-me e deixa-me sem vontade de continuar. Eu sei que não estou aqui para lutar sozinho contra uma cultura, mas apetecia-me lutar por alguma coisa (não contra) e não consigo.

O melhor é ir apanhar um pouco de sol para me lembrar porque é que ainda estou aqui!

quinta-feira, abril 26, 2007

Mário Mora

Mário Mora foi a Mora com intenções de vir embora mas, como em Mora demora.
Diz um amigo de Mora:
- Está cá o Mora?
- Está. Está cá o Mora.
- Então agora o Mora mora em Mora?
- Mora, mora.

quinta-feira, março 15, 2007

J. Rentes de Carvalho

Há uns meses que ando para escrever isto (como muito mais coisas)! Mas há sempre alguma coisa que se intromete e acabo por protelar a escrita.
Em Dezembro, no dia 12, escrevi aqui, num acto de inconformismo, sobre uma pessoa que não conhecia. Engraçado que uns dias depois, J. Rentes de Carvalho, sabendo do post, escreveu-me, mostrando que era completamente diferente daquilo que eu tinha pensado dele: "Amigos informam-me do texto de 12/12 no seu blog e dos comentários que nele me faz. Fui ler. Sorri. A juventude tem esse excelente privilégio de poder formular juízos ligeiros e exprimi-los no tom assegurado de quem trombeteia verdades fundamentais. Mas enfim... Com mais do dobro da sua idade posso permitir-me o sorriso. E, acredite, no que respeita vivências e viagens não tenho razão de queixa, nem inveja dos meus semelhantes.
Deixe-me ainda acrescentar que por natureza não sou triste. No campo social são bastantes os amigos e quando, como ontem à noite, a família mais chegada se senta a consoar, somos vinte e dois.
" Isto foi escrito precisamente no dia de Natal.
No entretanto já me tinha apercebido, pelo comentário do Luís Alves, que o Sr. J. Rentes de Carvalho, não era aquela imagem de pessoa que eu tinha criado na minha cabeça. J. Rentes de Carvalho tinha bem mais para contar que eu.
"Vejo que leva a vida com agradável humor. Prezo que assim seja…
Desde já peço desculpa se de alguma maneira se sentiu ofendido pelo que escrevi nesse texto de 12/12. Não era minha intenção, de maneira nenhuma, ofendê-lo, porque não sou do género ofensivo. Porém compreendo que usei a imagem que me foi passada de si, como arma de arremesso na 'discussão' com o Luís (de Boticas) Alves, sobre o prazer que se pode ter em viajar. […] E pelo que li da sua Biografia, vejo que não tem sido no seu quarto a ler um livro que tem passado a sua vida. Um dia, quando tiver o dobro da minha idade, espero poder rir assim de alguém que usa o meu nome em vão!
" – Escrevi eu de prontidão.
Trocámos mais algumas mensagens e desde essa altura que tenho seguido o seu blog (criado precisamente nessa altura) quase com a mesma regularidade que ele é actualizado com uma nova história. E tem-se provado como eu estava errado no primeiro post. Pela coincidência, tenho a impressão que um dia ainda nos vamos cruzar algures... Porque se a Internet pode afastar, de certeza que ajuda a aproximar as pessoas.
Fica aqui a homenagem, o esclarecimento e a divulgação.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Inquietude

Eu sou filho de um alentejano e de uma transmontana que “emigraram” para Áfica e aí se conheceram, casaram e aí tiveram três filhos. Eu sou o filho do meio, nascido africano. Porém em tenra idade tive que abandonar a minha terra natal, à qual nunca retornei e da qual guardo poucas memórias. E, as memórias que guardo, às vezes não sei se são realmente minhas ou foram-me transmitidas pelos meus pais. Mas sei que me senti em casa quando fui a S. Tomé, mas penso que a maioria dos humanos deve sentir isso quando vai a África, pois aquele continente foi o berço da humanidade. Se calhar estou enganado…
Quando vim para Portugal (eu não retornei, por isso não sou “retornado”, mas mais refugiado) fui para a Maia. Terra que nada tinha a ver com o meu pai ou mãe. Aliás, era a terra adoptada pelos meus avós maternos, por uma questão profissional. Depois quando fui para a Universidade adoptei Aveiro como a minha terra, mas a verdade é que os laços que me unem a esta terra são circunstanciais e muito ténues (os meus amigos locais podem ficar ofendidos, mas sabem que uma verdadeira amizade não se faz depender de locais ou distâncias).
Tudo isto para dizer que, como dizia um ex-colega há uns tempos, ser emigrante é ser um desenraizado e a verdade é que eu sou emigrante na minha própria terra. E acho que a minha inquietude vem dessa vontade permanente de partir. Há uns tempos vi uma entrevista com o Dr. Fernando Nobre da AMI, em que ele dizia não ser capaz de ficar em casa muito tempo. Eu não sou assim, mas compreendo-o. Já olharam para um Leão numa jaula? Se ele pudesse sair estava lá?
Mas fiquei muito surpreendido no outro dia ao desfolhar umas revistas Volta ao Mundo. Fiquei surpreendido, porque não tive vontade de ir a nenhum dos destinos que estavam nas três revistas (minto, por momentos tive vontade de saltar para dentro das imagens que lá tinha de Lhasa e do Tibet). Mas o que mais me surpreendeu é que ao fim de muitos anos, mesmo não me sentindo um local, não tenho necessidade de me sentir um emigrante.
Tenho uma amiga que dizia que o mais sente saudades, quando está em Portugal, é de ser uma estranha. De ninguém a reconhecer e de poder assim se libertar de espartilhos. A verdade é que eu penso que não tenho muitos espartilhos e que não tenho receio de ser reconhecido. Mas sinto saudades de ser um estranho e de olhar em volta e saber que tudo aquilo que me rodeia é-me mais diferente que àqueles que lá vivem.
Tirando uma ida a Vigo em Janeiro, já não saia do território nacional, há um ano. Será que estou a perder as minhas inquietudes? Espero que não! Espero apenas estar a conseguir controlá-las melhor. É uma fase…

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Palhaça: "Mensagem pela manhã"

O staff fica surpreendido com o mail que chega logo pela manhã. Ambrósio Graciano escreve:
"Gostaria de informar que um dos nossos colegas sofre de um problema médico raro e conhecido por Disforia de Identidade do Género (DIG), mais comummente conhecido como Transexualidade. É uma condição incurável, mas tratável, que se pensa ser causada por um desequilíbrio hormonal na fase pré-natal, e não deve ser considerado um desvio, fetish ou uma opção de estilo de vida. Na sua essência uma pessoa que sofra desta condição, identifica o seu género de maneira diferente daquele que fisicamente e externamente apresenta. O tratamento para esta condição consiste em alterar o seu género físico da pessoa de modo a condizer com aquilo que sente interiormente.
Como resultado do seu tratamento de DIG e desejando fazer esta mudança de uma forma adulta e ponderada, Olegário Alho Lança vai deixar a empresa na sexta-feira, 23 de Março para retornar na segunda-feira 23 de Abril como Ongina Alho Lança, para viver e trabalhar como uma mulher.
Tenho a certeza que todos se juntarão a mim no desejo que esta transição corra sem problemas e sei que todos farão o possível para respeitar a Ongina e tratá-la como uma mulher.
"

E Rodrigo Rodrigues volta ao enchimento de chouriços...

(Serve este post de homenagem a Gisberta, uma transexual, brutalmente assassinada, no Porto, faz hoje um ano. E é baseado - como é costume na rubrica "Palhaça" - em factos verídicos da minha vida profissional, que ocorreram faz agora, também, três anos.)

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

A minha vida dava um filme de Luís Ismael

Às vezes esqueço-me como se fala diferente de zona para zona de Portugal. E, mesmo com pequenas distâncias a nos separar, é sempre fácil encontrar enormes diferenças na maneira como as pessoas falam.
Ontem, fui jantar a casa de uns amigos a Esmoriz. Mas antes fui fazer uns quilómetros de BTT. Ao retornar a casa, tomámos, eu e o meu amigo, o caminho sobre o passadiço de madeira nas dunas da praia de Esmoriz. Já estava muito escuro!
Ao longe via-se uma luz verde, que com a proximidade se foi transformando numa máscara de Carnaval. Uma máscara do Homem-Aranha num miúdo de pouco mais 3 ou 4 anos.
Quando passámos pelo Homem-Aranha, que estava acompanhado por uma mulher, cumprimentámos:
- "Olá Homem-Aranha!"
Ao que o miúdo ficou parado a olhar para dois adultos vestidos de calções de lycra e casaco amarelo, em cima de duas bicicletas, provavelmente a pensar se aquela seria o nosso disfarce.
Tivemos que desmontar para descer umas escadas muito íngremes e fomos apanhados pelo Homem-Aranha, quando a sua acompanhante dizia:
- "Oh, Tomás anda embora".
E eu disse:
- "Mas afinal chamaste Tomás ou és o Homem-Aranha?"
E o Tomás acanhado parou e nem respondeu… Mas a acompanhante disse:
- "É o Homem-Aranha, mas é um homem-aranha murcãum".
E fomos embora a pensar o que é que a senhora queria dizer com aquilo… E a rir!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

(Ex)Citação XXIV

"Some men see things as they are and say why - I dream things that never were and say why not."
George Bernard Shaw

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Jai Narayan Singh

Há quase um ano, fui abençoado para viver com o nome espiritual de Jai Narayan Singh, que significa: O vitorioso Leão de Deus, cuja alma é clara, pura e brilhante como a água límpida e fresca, que tem a claridade da percepção, que motiva e protege os outros, e que anda com graciosidade e coragem pela sua vida.

Jai significa: Vitória, a capacidade de ultrapassar obstáculos no caminho para o seu objectivo.

Narayan significa: Aquele cuja alma é clara, pura e brilhante como a água límpida e fresca, que tem a claridade da percepção, que motiva e protege os outros.

Singh significa: O Leão de Deus que anda com graciosidade e coragem pela sua vida. Singh é o nome que Yogi Bhajan dava a todos os homens. Ele ensinou que todos os homens têm o potencial de alcançar um grande estado de graça e coragem, de serem um grande leão-guerreiro de Deus, e ele encorajou todos os homens a manifestarem esse potencial.

domingo, fevereiro 11, 2007

Aulas de Kundalini Yoga

Estão abertos novos horários para a prática de Kundalini Yoga, segundo os ensinamentos de Yogui Bhajan, n’O Jardim de Lótus. O professor é Jai Narayan, que para quem não sabe, sou Eu (é o meu nome espiritual e ainda não vos contei, né?).

Às 3as e 5as das 9:15 às 10:30, mas se houver outras horas que vos agrade mais, digam-me, sff.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

X-Wife Taking Control

Há algum tempo que não ia a um concerto de rock. Sinceramente, já nem me lembro do último que fui. Mas, diria que foi o Super Bock Super Rock de 2004… Não! Foi a Siouxsie em Londres, em 2005. Mas por 7 euros não podia perder um concerto, aqui em Aveiro, numa sala minúscula e num espaço que não conhecia sob este conceito. Assim, faz hoje uma semana fui ver os X-Wife no auditório do Mercado Negro.

Digamos que a sala não será muito maior que a minha sala de casa, em anfiteatro, mas infelizmente com cadeiras… Mas estou-me a adiantar! Digamos que o bilhete que comprei dizia que tinha que o trocar pelo verdadeiro no dia e no local do concerto. E por isso cheguei às 22:15 (o concerto era às 23:00) ao Mercado Negro. Mas, ninguém sabia onde e como se fazia a troca. No balcão diziam que era no auditório e no auditório mandavam-nos para o balcão. Estaria tudo bem se o balcão e ao auditório não fossem um em cada lado do estabelecimento e em andares diferentes. Mas lá consegui “trocar” o bilhete temporário, colorido e bem feito, por um papel de rifa com um carimbo dos X-Wife em vermelho… O que vale é que nos deixaram ficar com o bilhete!

Mas voltemos então ao concerto: tenho pena que, apesar de ter melhorado no último CD, o vocalista continue a usar a reverberação, o eco e os gritos para disfarçar o facto de ter vergonha da sua vocalização ou não se sentir confortável com a sua voz. E, apesar de não conseguir ver muito do que se passava no “palco”, devido a um tipo imóvel que ficou duas filas à minha frente, gostei da actuação do baixista que não parou um segundo e ainda deu um gostinho ao dedo e tocou um pouco do “She Lost Control” dos Joy Division a pedido do público. O teclista com a sua sempre presente camisa às riscas fez o que lhe competia sempre muito atento ao que se passava. Mas, tenho pena de não conseguir ver o baterista, que substituiu muito bem a caixa de ritmos que normalmente fazia os concertos dos X-Wife (acho que foi assim que os vi no tal SBSR de 2004).

O concerto foi muito bom, apesar de não nos conseguirmos mexer por causa das cadeiras, de não conseguirmos respirar por causa do fumo (a sala tinha muito má circulação de ar, para não dizer que não tinha nenhuma) e de não podermos levar bebidas para dentro da sala. Mas tudo isso era alheio aos X-Wife que passaram o tempo a dizer que nos divertíssemos e que éramos muito tímidos. Não sei se estaria à espera que fizéssemos stage diving mas ao contrário, da plateia para o palco (que estava num nível mais baixo).

Ouvi coisas que me lembraram Suicide em certas partes, roçaram os The Jesus And Mary Chain de Automatic, houve mesmo momentos muito rock’n’roll próximo dos The Gun Club e por vezes pareceu-me ouvir o Lux Interior em palco (eu disse ouvir). Mas afinal não, eram os X-Wife Taking Control.

X-Wife Tour

Vão ver…Hoje em Coimbra, amanhã em Leiria, depois de amanhã em Tondela, e depois em Lisboa, Caldas da Rainha, Esposende, Porto, Vila Real e Braga. Vejam no site deles onde e como.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A minha vida dava um filme do Alfonso Cuarón

Estou a passar por uma fase da minha vida em que ponho tudo em causa. Afinal de contas o que é certo na minha vida? O Baltasar… Aconteça o que acontecer será sempre meu filho, e eu o pai dele!

Mas se mudar de profissão? Deixo de ser Engenheiro de Telecomunicações ou Programador… E se mudar de cidade? Aveiro deixa de ser a minha cidade… E se mudar de país? O português pode deixar de ser a minha língua… E se mudar…

Por isso mesmo por vezes tenho necessidade de ir até à Costa Nova, e andar na areia até muito próximo da rebentação. Para perceber porque é que ainda estou aqui! E tenho vontade de chorar quando olho para aquele mar, que todos os dias rebenta ali e não muda… Mas por outro lado, ninguém o consegue dominar!

Ontem fui até lá! E apeteceu-me tomar banho nu, mas estava muito frio e não tinha onde me limpar, se não... Aproveitei para apanhar um sol e lembrar-me que "Aconteça o que acontecer, a vida continua e o mar continuará a rebentar na praia!"

terça-feira, janeiro 09, 2007

O que eu gostava de estar a fazer?

Há uns meses, como exercício prático de um livro que estava a ler, escrevi aquilo que gostaria de estar a fazer daqui a 10 anos, mas que se pode encaixar em grande parte naquilo que eu gostava de estar a fazer neste momento. Eventualmente daqui a 10 anos pensarei de outra forma, mas neste momento gostaria de estar “a gerir uma equipa de pequena ou média dimensão” com 5 a 15 elementos no total, formada por “pessoas interessantes que convivem e se entreajudam no trabalho.” Eu acredito que da convivência nasce a partilha do conhecimento, a motivação e a vontade de criar melhor.

Numa empresa, minha ou não, que tenha “boas relações com os clientes e uma boa gestão dos procedimentos de modo a que o trabalho seja realizado convenientemente e de acordo com o planeado na gestão de projectos”. Esta empresa teria “boas relações entre as hierarquias de modo que haja ‘feedback’ (favorável ou desfavorável) para que haja evolução.” Uma empresa que acredita na formação contínua como maneira de valorização e evolução dos seus funcionários.

Uma empresa que acredite que o mundo é plano e tenha clientes de vários pontos do globo e que permita contactos internacionais mais ou menos permanentes. Evolui-se muito se assim for.

Uns tempos antes (Julho de 2005) escrevi dez desejos que gostava de ver realizados (não utopias), associados aos Chakras.

No primeiro dizia que queria “um emprego estável” e que não pedia “um bom emprego, porque isso não existe”. “Ou é estável ou é bom! Claro que um emprego estável seria numa empresa que desse perspectivas de estabilidade. Uma empresa que pela sua dimensão e história me fizesse sentir seguro. Mas que ao mesmo tempo me desse segurança e condições contratuais válidas.”

No terceiro escrevi que gostaria de “ser reconhecido pelo meu trabalho e pelas minhas capacidades. Não ser apreciado porque sou um cordeiro, um ‘yes man’, mas por ser um membro do grupo que apenas pretende o melhor para todos. Ser reconhecido como alguém que gera valor acrescentado o meio onde me insiro, quer seja profissionalmente, didacticamente, no lazer ou artisticamente.”

“Claro que isto depende do meu esforço, mas esse só depende de mim e não de um desejo.”

No quinto desejei “ser mais criativo”.

No sexto escrevi que gostaria de “estudar. Fiquei feliz e entusiasmado com o curso de gestão de projectos. Acho que bem implementado o sistema de gestão pode produzir frutos valiosos.”

“Tirar um MBA ou um curso de gestão.” Que iniciei em Outubro… Mas escrevi também que “o curso de Kundalini Yoga continua nos meus planos. Mais a longo/médio prazo”, e surpreendentemente comecei-o bem mais cedo que imaginava então (Dezembro).

No sétimo escrevi que gostaria de “ser eu. Não me comparar ou ser comparado com os outros.”

Mas a primeira vez que pensei nisto foi em Maio de 2005, na eminência de ficar desempregado, escrevi aquilo que chamei de utopia: “Gostava de trabalhar numa cidade de média dimensão, perto do mar e de atitude liberal. Se não fosse perto do mar, que não diste muito deste e que seja atravessada por um rio relativamente grande.”

“Numa empresa liberal, dinâmica e de tecnologia. Uma empresa onde as pessoas fossem valorizadas pelo seu desempenho e fossem reinforçadas quando mostrassem boas práticas. Onde o modo como se veste não fosse motivo para a desvalorização pessoal.”

“Uma empresa dinâmica capaz de estimular os seus colaboradores a serem activos na procura da qualidade do seu trabalho. Onde as pessoas não sejam valorizadas pela sua antiguidade, mas sim pela sua dinâmica.”

“Uma empresa de tecnologia porque essa é a minha área de formação e porque acho que essa é uma área de grande dinâmica.”

E sobre quanto gostaria de ganhar, escrevi que “eu sou um insatisfeito por natureza, por isso por mais dinheiro que ganhe nunca será suficiente. Por outro lado não me movo por dinheiro, embora o ache compensador. Movo-me mais por pessoas, equipas, projectos e ideais.” Como dizia alguém: “aquilo que mais gostamos de fazer até o faríamos de graça”, se não houvessem contas para pagar.

Mais recentemente, em Agosto, escrevi também sobre o mesmo assunto, porque “acho que sou das poucas pessoas que pensam nisso, no universo que me rodeia. Penso que a maioria se rendeu à sua existência e desistiu de lutar pelo ‘melhor’ emprego em prol de uma vida mais pacata. Eles também têm a sua razão!”

Mais numa perspectiva de mais longo prazo, e uma vez que “o facto de dificilmente ver este desejo a ser cumprido, em Portugal, cada vez mais me motivo para abrir um negócio meu. Porém não desejaria” de o fazer numa empresa de “tecnologia, porque embora acredite que de momento Portugal tem vantagem competitiva nessa área, rapidamente seremos apanhados pelos países de leste e rapidamente ultrapassados pela China, Índia ou Brasil.” Além de que neste momento, e depois da última desilusão, cada vez menos acredito em engenheiros-gestores e acho que começo pouco a acreditar numa empresa minha nesta área.

“Eu acredito que maior e melhor recurso de Portugal é e será o bem-estar. O sol, a gastronomia, o ‘savoir vivre’ do português e é sem dúvida algo que poderemos ‘vender’ turisticamente.”

“O que me questiono é como ‘vender’ algo que é cultural?”

Provavelmente só o farei daqui a mais de 10 anos, mas penso que há mercado para receber estrangeiros e mostrar-lhes aquilo que nós fazemos e gostamos. Um dos meus sonhos é ter onde receber e saber receber… Porque isso é o que de melhor se faz em Portugal.

Resumindo: No imediato gostaria de trabalhar numa empresa estável que me desse perspectivas de evolução e me permitisse estudar. Onde pudesse exprimir a minha criatividade e onde fosse valorizado pelos meus esforços. Uma empresa com visão global, ou pelo menos internacional e de tecnologia. Onde estivesse a gerir uma equipa de pessoas interessante, com quem interagia e criasse produtos de qualidade, satisfazendo os clientes.

A mais longo prazo, uma empresa minha mas não de tecnologia, mas ligada aos contactos culturais e ao bem-estar, em Portugal.

Estarei a sonhar?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Apostar No Empreendedorismo Exige Novas Mentalidades

Vem este artigo na sequência de algumas reuniões que tive na mesma semana, e que raramente começaram a horas... Serei eu que estou mal?

Apostar No Empreendedorismo Exige Novas Mentalidades
Celestino Flórido Quaresma

Portugal ainda está preso a uma mentalidade de ignorância, de iliteracia, de isolamento, de débil capacidade de liderança, de desejo de trabalhar por conta de outrem. Para grande parte dos jovens, o único objectivo é ter emprego e receber um vencimento ao fim do mês. Sem nenhum entusiasmo, sem nenhuma apetência para criar a sua própria ocupação, geradora de riqueza

O nosso Governo está a apostar no chamado Plano Tecnológico. Mas, para termos um plano tecnológico, precisamos primeiro de um plano eficaz para mudar as mentalidades. Para que se incuta em todos nós um espírito de exigência, de qualidade, de rigor e de pontualidade. A todos os níveis, na escola, na vida profissional e mesmo na nossa vida pessoal. Exigência para com os professores, para com os alunos, para com os nossos fornecedores de bens ou serviços, para com os nossos colegas e, sobretudo, exigência para com nós próprios; Para incutir em cada um de , nós um espírito de inovação. Um espírito empreendedor. Em todas as actividades em que estejamos envolvidos! Enquanto estudamos. Enquanto trabalhamos por conta própria ou por conta de outrem.

Se aumentarmos o nosso espírito de iniciativa, tornamos mais empreendedoras, mais rigorosas e mais exigentes as pessoas que nos rodeiam. A começar pela exigência de pontualidade. Eliminemos, mesmo, o quarto de hora académico e coimbrão. Incentivemos, sobretudo nas escolas, o culto da pontualidade.

Portugal ainda está fortemente preso a uma mentalidade consequente da ignorância, da iliteracia, do isolamento, da débil capacidade de liderança, do desejo de trabalhar por conta de outrem. Para grande parte dos jovens, o único objectivo é ter emprego. Para receber um vencimento ao fim do mês. Sem nenhum entusiasmo por aquilo que quer fazer, nem pela sua realização pessoal. Sem nenhum entusiasmo pela produção. Sem nenhuma apetência para criar a sua própria ocupação, geradora de riqueza.

Os jovens diplomados vêm de meios académicos pródigos em praxes e em festas. Neste ambiente, paira-se num mundo maravilhoso, onde parece não haver riscos. Mas a vida real não é assim e isso complica tudo quando se sai desse mundo para um outro bem diferente. Surgiram algumas licenciaturas novas nas últimas décadas, com designações impensáveis, sem nenhum conteúdo que dê resposta às reais necessidades da comunidade. E fogem para esses cursos aqueles que buscam facilidades mas que vão ser vítimas delas. Ficam vazias as licenciaturas com conteúdos científicos e tecnológicos que levam à capacidade de decisão e à criatividade fundamentadas no conhecimento científico. Porque, nessas licenciaturas, ainda se exige algum esforço. Temos hoje excesso de licenciados em coisa nenhuma. Que nem, ao menos, trazem cultura geral. Que têm, no fim do curso, a sensação de uma total inutilidade. É importante aprender. É importante saber. É urgente alertar para isso os estudantes. Para não serem enganados pelas notas altas dos professores que não exigem. Para não serem enganados por diplomas que pouco ou nada valem. Hoje, quem avalia o valor das pessoas, o seu saber e a sua competência é o mercado de trabalho!

É urgente levar o rigor, a exigência e o culto do saber a todos os graus de ensino. Promover o culto da pontualidade. Promover o respeito pelo tempo, porque o tempo é um bem escasso e, por isso, é fundamental e precioso. É importante que os jovens se habituem a pensar e a lançar as suas ideias, a sugerir novos processos de trabalho e de relacionamento entre as pessoas no ambiente de trabalho, a lutar contra dificuldades de toda a ordem. A lutar pelas soluções e pelos rumos em que se acredita. A serem ambiciosos e exigentes consigo próprios e com os outros. A inovação e o empreendedorismo só resultam em sucesso com muito trabalho, muito esforço e muita persistência. E tudo isto com entusiasmo, com boa disposição e bom humor, quer a trabalhar por conta de outrem quer na criação do seu próprio trabalho. Só é inovador e empreendedor quem gosta do que faz, quem tem entusiasmo e anda bem disposto. É assim que se tem êxito profissional. É assim que se faz Inovação e se é Empreendedor.

In Espaço Público, Público, Domingo, 24 de Dezembro de 2006

terça-feira, dezembro 12, 2006

Zona de Conforto

Este passado fim-de-semana teve início, aqui em Aveiro, o curso de professores de Kundalini Yoga, que eu me encontro a frequentar. Eu não acredito muito em sorte, mas em coincidências e oportunidades. A sorte é uma boa oportunidade criada por uma circunstância ou coincidência, muitas vezes fruto de uma acção nossa, ou de um grupo de acções nosso. O azar será o contrário… Embora, se eu não acredito na sorte, menos acredito no azar.

A verdade é que este curso é fruto de uma série de coincidências que levaram a oportunidades, e com a vontade das diferentes partes envolvidas resultou numa boa oportunidade final. Se não quem se lembraria de juntar 16 alunos espanhóis e 13 alunos portugueses, mais uma professora portuguesa (que vive em Inglaterra há 30 anos), dois ingleses, uma mexicana e um espanhol no mesmo caldeirão, mexer e fazer a poção? Isto em duas cidades, uma em Portugal (Aveiro) e outra em Espanha (Vigo).

É difícil explicar em poucas palavras a emoção que isto me transmite, porque afinal este é o fruto de um trabalho árduo, e por vezes ingrato, de vários anos. É o acreditar de muita gente!

Mas, a semana passada deparei-me com pensamentos do género – “Eu sempre desejei isto. Cheguei a pensar fazê-lo em Inglaterra ou em Madrid. Mas agora vai acontecer aqui e eu estou a organizá-lo. Mas acontece numa altura em que não faço Yoga há 6 meses, onde a minha vontade de o fazer está no mínimo e onde as minhas crenças estão de rastos.” Acho que isto acontece por ser um teste… E durante o fim-de-semana deparei-me com pessoas que se questionavam sobre o mesmo. “O que estou aqui a fazer?” “Quero me ir embora” deve ter passado, e passou, pela cabeça de vários alunos.

Mas na verdade é que mexe com a nossa zona de conforto. É muito mais fácil não querer e ficar em casa a ver televisão ou nem me preocupar com o que como ou faço. Parece aquela frase do J. Rentes de Carvalho, que o Luís pôs como comentário ao meu post sobre as minhas viagens, “A viagem ideal? Atravessar a Índia com um bom livro sem sair da cama.” Pois! Muito sinceramente tenho muita pena do senhor J.R.C., porque sinceramente deve ser uma pessoa muito triste e sozinha. E pouco dada a mudanças! Porque sinceramente não consigo ler um livro sobre S. Tomé que consiga traduzir o que senti lá, posso experimentar de novo as sensações de lá ter estado ao ler o livro, mas ninguém me tira o prazer de ter vivido, cheirado, provado, comido ou privado com o povo, a terra ou os recursos do local. No fundo porque saí da minha zona de conforto e experimentei!

Por acaso, será que o Sr. J.R.C. tem sexo com um livro sem sair da cama? Ou come um bom prato, lendo um livro, sem sair da cama? Ou mesmo… Será que já teve um filho por ler um livro… Sem sair da cama?

É a diferença entre o saber ensinado e o saber experimentado. Um implica algum conforto e pouco tempo, o outro implica algum esforço, mais tempo, mas mais benefícios. Eu prefiro continuar a experimentar e espero um dia atravessar a Índia, com um bom livro… Para escrever as minhas experiências!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Semi-aniversário

6 Meses

Seis meses de sorrisos, choros, cólicas, fraldas, chichis na cama, horas de sono a menos, sustos, medos, sonhos, brinquedos, mimos, cocós fedorentos, banhos molhados, tosse, leite, bombas, biberões, bodies, babygrows… Meio ano de alegria!

(a composição é da autoria da Cláudias. As fotos são dos dois!)

sexta-feira, novembro 10, 2006

José Pinto dos Santos

Há pessoas que valem por si sós! Que mudaram, e continuam a mudar, a minha vida. Pessoas que me fazem acreditar que este país ainda é possível. Uma dessas pessoas, e que tenho sempre enorme prazer em ouvir, esteve ontem à noite na Grande Entrevista com a Judite de Sousa. O seu nome é José (Pinto dos Santos) como ele pediu para ser chamado. Infelizmente não pude ver a entrevista toda (porque o Baltasar também queria tomar banho) mas, irei fazê-lo, e vocês podem também ouvi-la (e vê-la) aqui. E oiçam com atenção...

Foi assim que foi apresentado, José Pinto dos Santos:

"O que é que há de comum entre Belmiro de Azevedo... Américo Amorim... Henrique Granadeiro... João Pereira Coutinho... Paulo Teixeira Pinto... e Ricardo Espírito Santo Salgado?

Estes homens vão reunir-se com mais 20 dirigentes das maiores multinacionais do mundo, numa iniciativa do Presidente da República, para ouvirem um dos maiores mestres de gestão de empresas.

Português... filho de um alfaiate do Porto, a viver fora do país há 20 anos e professor na maior Escola de Gestão do Mundo... José dos Santos vai dar uma lição a empresários e banqueiros mas... antes fala aos portugueses... na GRANDE ENTREVISTA, quinta-feira, logo após o Telejornal.
"

Estejam atentos pois penso que irão ouvir falar dele mais vezes. Foi um dos mentores do programa Contacto.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Recordar: O que eu não fiz...

Em Moçambique, nasci, mas nunca mais lá voltei.
Em Portugal, fui à Madeira de barco-à-vela, mas nunca fui à Malcata.
Em Espanha, comi tapas, mas não fui a Cuenca.
Em França, bebi Bordeaux, mas não bebi champagne.
No México, bebi Tecate, mas não bebi tequilla.
Na Escócia, comi black pudding, mas não bebi whiskey.
Nos Estados Unidos, visitei 5 estados, mas não fui ao Burning Man.
Na Bélgica, bebi muita cerveja, mas não visitei a Leffe.
Na Holanda, fui a um coffee shop, mas não comi um space cake.
No Canadá, estive um fim-de-tarde, mas não jantei.
Em São Tomé, comi muita fruta exótica, mas não provei os caracóis.
Em Andorra, comprei um DVD, mas não fiz ski.
Na Finlândia, tomei banho nos lagos, mas não fiz sauna.
Na Croácia, fiz muita praia, mas não fiz nudismo.
Na Alemanha, tive tão ocupado que já nem sei o que fiz.
No Japão, bebi muito saké, mas não fui ao karaoke.
Na Bósnia-Herzegovina, fui a Mostar, mas não fui a Sarajevo.
No Luxemburgo, visitei os jardins, mas não visitei as catacumbas.
Na Irlanda, fiz muitos quilómetros, mas não fui feliz.
No País de Gales, passei e quase nem parei.
Na Inglaterra, aprendi muito, mas... Porque é que não fiquei lá?

Já só me faltam visitar 172 países neste planeta. Pelo que, mesmo à razão de visitar dois países por ano, eram preciso mais 86 anos para visitar todos. E mesmo que eu quisesse ter uma média de visita de um país por ano de vida, ainda me faltam 16. Pelo que teria que nos próximos 16 anos visitar dois por ano para poder estabelecer essa marca.

O melhor é nem pensar muito nisso.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Mensário 5

Baltasar com 5 Meses

O mês passado não escrevi aqui nada sobre o "mensário" do Baltasar. Não que me tenha esquecido, aliás porque houve festa no devido sítio, mas porque achei por bem não fazê-lo.

Mas este mês temos fotografias novas e como andam sempre a pedir-me para enviar, fica aqui mais uma. Dos seus 5 meses...

sexta-feira, outubro 06, 2006

Yoga com fartura...

É já para a semana que iremos desfrutar da visita de Jai Kartar Kaur, uma professora de Kundalini Yoga, proveniente do Reino Unido e que vem cumprir o seu propósito na vida - partilhar os conhecimentos do Kundalini Yoga.

Assim, em dois dias, um em Aveiro, (sábado, 14 de Outubro) e outro em Lisboa (no domingo, 15 de Outubro), Jai Kartar Kaur irá mostra-nos como nos podemos libertar das armadilhas da nossa mente e encontrar o nosso caminho pessoal e irá ensinar-nos como nos podemos tornar mais prósperos e como lidar com o nosso potencial criativo, em dois workshops "Sente o verdadeiro Eu" e "A fonte da criatividade, oportunidade e prosperidade está dentro de nós".

Vejam todos os detalhes em www.ojardimdelotus.net/jkk/ (mais um site feito por mim), escrevam-nos um e-mail ou telefonem que teremos todo o prazer em tirar as vossas dúvidas. Não deixem é de usufruir desta excelente oportunidade.

Kundalini Yoga com Jai Kartar Kaur

Um mês depois teremos a visita da internacionalmente conhecida professora de Kundalini Yoga, e música, Sada Sat Kaur. Com dois CDs editados e é conhecida mundialmente pela agradável combinação que faz nas suas aulas, da sua voz, com o Kundalini Yoga e a meditação.

Sada Sar Kaur irá levar-nos a ouvir a nossa voz interior, através de uma agradável experiência e irá guiar-nos nesta viagem para abrir o caminho do nosso coração, para sentirmos paz e a nossa união com o todo em dois workshops "Desenvolve a tua intuição" e "Abre o teu coração para uma mente serena", que decorrerão em Lisboa (sábado, 18 novembro) e Aveiro (domingo, 19 novembro).

Vejam todos os detalhes em www.ojardimdelotus.net/ssk/ (ainda mais um site feito por mim).

Kundalini Yoga com Sada Sat Kaur

Não percam estas oportunidades de conhecer o Kundalini Yoga.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Parque tecnológico da Covilhã vai acolher 13 empresas brasileiras

A ligação ao Parkurbis vai surgir através de um Agrupamento Complementar de Empresas

O Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã, o Parkurbis, vai acolher no inicio do próximo ano 13 empresas brasileiras da área do software, oriundas de Blumenau, do estado de Santa Catarina, que têm como objectivo entrar no mercado europeu. Estas firmas vão surgir ligadas ao Parkurbis por via da criação de um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE), no qual alinharão quatro portuguesas já sediadas no parque.

A ideia de criar um agrupamento entre empresas do Parkurbis e de Blumenau foi avançada em Maio deste ano, altura em que uma comitiva brasileira visitou a Covilhã e responsáveis das duas cidades geminadas se encontraram pela terceira vez. A constituição do agrupamento vai levar à assinatura de dois documentos, de forma "a obedecer às leis do direito português e brasileiro", explicou o presidente da câmara, Carlos Pinto, durante a reunião da assembleia municipal de anteontem. O primeiro documento será assinado a 4 de Outubro, no Brasil, enquanto o segundo - conforme à legislação portuguesa - será assinado até final deste ano.

De entre as empresas de Blumenau - que produzem software para as indústrias do turismo, química e automóvel - "algumas são marcas líderes na América do Sul" e contam com 100 a 120 engenheiros nos seus quadros, notou Carlos Pinto.

Para já, o principal objectivo do agrupamento está em estabelecer contactos com o mercado europeu.

Para que as empresas brasileras se venham a fixar definitivamente na Covilhã, o Parkurbis terá de dispor de mais um edifício, visto que o actual está já completo, com 13 empresas. Segundo adiantou Carlos Pinto, o parque tecnológico está apostado em conseguir dinheiros comunitários para erguer aquele segundo edifício, que deverá custar um milhão e cem mil euros e ter uma área de 3500 metros quadrados. O que se pretende é aproveitar as verbas que ainda estão disponíveis no actual quadro comunitário de apoio, sendo que foi já aprovada uma précandidatura.

Por ser uma sociedade anónima, uma candidatura do parque de tecnologia dificilmente ultrapassaria uma comparticipação na ordem dos 40 ou 45 por cento, frisou Carlos Pinto, ao notar que o regulamento dos fundos comunitários no âmbito do Ministério da Economia prevê uma majoração para os espaços de incubação que sejam liderados por uma associação. Com a criação da Associação Parkurbis Incubação pretende-se conseguir um apoio de 75 por cento. Farão parte desta associação, com capital social na ordem dos 25 mil euros, actuais accionistas do parque tecnológico.

por Sandra Invêncio in Público , Domingo, 17 SET 2006

Classificação na Maratona

Aqui fica a classificação dos 4 que partimos juntos. Desses, no final, chegámos três juntos - eu, o Pisco e o Nuno.

PosiçãoTempoTempoAtleta
943:03:16225António Miguel Almeida Filipe Gonçalves
2394:03:10384Rui Gonçalves
2404:03:16376Nuno Monteiro
2414:03:2035Ricardo Hélder Lopes Rodrigues

segunda-feira, outubro 02, 2006

A minha vida dava um filme do Hugh Hudson

Ontem acordei às 7:00, vesti uns calções e camisa de lycra, e coloquei a bicicleta no tejadilho do carro do Pisco. Fomos para uma terra com um nome que nunca pensámos existir. Crastovães, ali para os lados da Trofa do Vouga. Íamos fazer a Maratona do Vale do Vouga, na sua versão mais curta, de 40 km.

Maratona do Vale do Vouga

Nem consigo lembrar-me da última vez que andei uma distância na minha bicicleta – a Vaynessa - digna de ser memorizada. A última que me lembro foi há cerca de um ano, numa tarde de sábado pelos campos do Vouga e sem subidas, mas com uma sandes de leitão em Angeja para temperar forças. Uma coisa é certa, há 4 meses que não faço nenhum exercício com regularidade, a não ser mudar fraldas e carregar os quase 7kg do Baltasar.

Tentei preparar-me para o evento. Andei uns quilómetros na semana passada. 25 na quarta-feira, 18 na quinta-feira e 12 no sábado. Depois de 25km que fiz na quarta-feira, na quinta-feira senti alguma dificuldade em sentar-me. Já não sabia o que era essa sensação há uma dezena de anos. Ontem quando me sentei na bicicleta ainda sentia alguma dor nas nádegas. É tempo a mais sem andar sentado naqueles bancos e peso a mais sobre os glúteos.

Às 9:20 foi dada a partida e seguimos durante 2km em grupo até à largada. Foi a confusão. Cerca de 400 ciclistas a tentarem passar em caminhos que, nalguns sítios, mal dava para estarem dois a par. "À esquerda", "à direita" e lá iam eles, todos cheios de pressa. Eu mantinha-me ali, no meu ritmo e à espera que me deixassem em paz, porque eu fui passear.

Mal entrámos na lama apercebi-me que não ia ser fácil. A bicicleta já não era branca, azul ou vermelha, era castanha e havia barulhos que não eram normais. A velocidade mais baixa não entrava com a lama a atrapalhar e as primeiras subidas tiveram que ser feitas a pé, a empurrar a bicicleta. Mas não podia ser de outra maneira porque nessas alturas aglomerava a horda de ciclistas mais lentos, ciclistas com pneus que deslizavam na lama ou ciclistas mais azarados com avarias.

altimetria

Perdi os meus companheiros. Alguns conhecidos passavam e cumprimentavam. Eu seguia o meu ritmo, cada vez mais desejoso que passassem todos e ficasse para último. O civismo de alguns deixava muito a desejar. O Pisco esperou por mim e mais à frente encontrei-o. O Nuno teve um furo, juntámo-nos e seguimos os três em ritmo de passeio. Estradões largos, lama, água e bastante alcatrão, algumas das coisas que não agradam muito a um bttista.

eu e o pisco

Quase no final da temida "grande subida" estava o Ken e a Sue à minha espera (as fotos são deles), mas ainda estava a meio caminho. Pensando que eram 40km, como dizia no site, fiquei contente quando, no fim da descida, o conta-quilómetros marcava 30km. Mas seguiu-se a pior subida. Uma parede de escalada com lama, para quem já tinha tantos quilómetros em cima. Mas o ponto fulcral de desmoralização foi quando marcou 40km e estava ainda na ponte medieval perto de Lamas do Vouga, sabendo que Crastovães ficava lá em cima do monte, que naquela altura era já muito alto. Pensei em telefonar para a organização e dizer que não passava dali, porque só tinha pago para andar os 40km.

a temida subida

Mas subi tudo! Mesmo com as chatas das motos da organização a passar sem qualquer tipo de respeito pelos concorrentes e com a desmoralização de ver quatro tipos que tinham feito 80km, passarem por mim como se tivessem acabado de partir. Ainda tive um princípio de cãibras e caí por causa disso, num local em que um tipo disse estar lá o diabo, porque o levou a sair do caminho e quase cair. Acho que eu ainda conseguia estar melhor que ele, pois não vi o demo.

Cheguei ao fim, depois de 4h de bicicleta para fazer 47km. O meu objectivo era fazer os 40km antes das 13:00, uma vez que a partida era para ser às 9:00, o que daria uma média superior a 10km/h. Fiz os 40km às 12:30, quando partimos às 9:20 e fiz no final uma média próxima dos 11,5km/h. Bati o meu objectivo!

Hoje dói-me todos os músculos, tendões, articulações e ossos do meu corpo. Há partes do meu corpo que, ou não sabia que existiam, ou já não me lembrava que faziam parte da minha existência física. Não tive problemas cardíacos ou respiratórios, pois esses orgãos ainda são os que mais têm trabalhado, mas tudo isto mexeu com a moral. Mesmo sabendo que cumpri os meus objectivos sei que podia fazer muito melhor e como dizia o outro "does the mind rules the body or does the body rules the mind?" E no estado de cansaço físico que estou hoje é complicado pôr a mente a trabalhar.

Tenho que andar mais de bicicleta! Quando vamos dar outra volta?


Nota: Dedico esta crónica ao meu amigo Nuno Arroteia que se cortou numa mão, ao colocar a bicicleta no carro, quando se preparava para ir à Maratona. Apanhou 9 pontos e não pode participar.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Inovar-te, a revista de inovação

Hoje, pelas 20h08, é apresentada na Livraria da UA a nova revista Inovar-te. Com o slogan «A Ideia é pessoal, mas transmissível», esta publicação é dirigida a indivíduos e a organizações das mais diversas áreas, que possuam interfaces ou interesse na temática da inovação, nas faixas etárias compreendidas entre os 25 e os 65 anos, designadamente universitários, gestores e quadros superiores e intermédios das empresas, empreendedores, investigadores e tecnólogos. Não percam o primeiro número, que chega às bancas no dia 29.

Do seu Conselho Editorial, o órgão consultivo composto por um conjunto de personalidades relevantes da produção de conhecimento sobre inovação e da sociedade em geral, constam nomes como: Carlos Zorrinho, Diogo Vasconcelos, Guta Moura Guedes, João Caraça, João Paulo Girbal, João Picoito, Joaquim Borges Gouveia, Jorge Alves, José Félix Ribeiro, José Miguel Júdice, Luís Mira Amaral, Miguel Matias e Teresa Lago.

Eu vou lá estar a convite de um dos membros do Clube de Inovação Innoveight!

quarta-feira, setembro 27, 2006

Acordar bem disposto...

Portugal cai três lugares no índice de competitividade global

Portugal caiu três lugares na edição deste ano do Índice de Competitividade Global do Fórum Económico Mundial (vulgo Fórum de Davos) - está em 34.º lugar, atrás da maior parte dos países da União Europeia, numa lista encabeçada pela Suíça e com vários países nórdicos nos primeiros lugares.

O ranking do Fórum Económico Mundial (FEM) incorpora uma série de factores quantitativos e qualitativos (qualidade de instituições públicas, capacidade de inovação, sistema de ensino, etc.) para medir a competitividade das economias de 125 países.

Portugal é beneficiado por alguns indicadores ligados sobretudo à sua estabilidade política (pouca vulnerabilidade ao terrorismo e ao crime organizado) e à qualidade da sua infra-estrutura de transportes e ao enquadramento jurídico da economia. Onde as coisas correm pior é em indicadores macroeconómicos (o défice) e do sistema de ensino.

Esses defeitos são também apontados na parte qualitativa do índice, resultante de inquéritos: os três factores mais problemáticos para o ambiente empresarial em Portugal são "sector público ineficaz", "leis do trabalho demasiado restritivas" e "força de trabalho mal preparada".

O líder do índice é a Suíça (5,81 pontos na escala de 0 a 7); no último lugar da lista de 125 países está Angola (2,5 pontos).
A Confederação Helvética está no topo da lista graças a uma "combinação de uma capacidade de inovação ímpar e de uma cultura empresarial altamente sofisticada". A Suíça ultrapassa o líder de 2005, os Estados Unidos, que caíram para a sexta posição.

Os EUA continuam a ser líderes mundiais em vários indicadores, como "eficiência dos mercados, ensino superior e sofisticação do sector privado"; mas a economia americana é prejudicada por alguns indicadores macroeconómicos, nomeadamente o seu grande défice externo, e porque os "níveis de eficiência e transparência das suas instituições públicas" não estão a par dos registados na Europa.

Há três nações nórdicas (Finlândia, Suécia, Dinamarca) entre os quatro primeiros, reflectindo a sua excelente situação macroeconómica e a qualidade dos seus sistemas de saúde e educação.

As outras posições cimeiras da lista são ocupadas por nações do Extremo Oriente ou da União Europeia. Portugal fica atrás de países da "Velha Europa" como a França, a Alemanha ou a Espanha, e também de nações do alargamento, como a Estónia e a República Checa.

Os piores da Zona Euro são a Itália (42.º) e a Grécia (47.ª); o país da União mais mal classificado é a Polónia (48.ª).

in Público online, 27.09.2006 - 07h21 Pedro Ribeiro

Se quiserem ver o top 50.

Novo livro dos autores da Novíssima Cartilha Ilustrada



O Pá Natal - que rouba aos miúdos para dar aos graúdos - avisa que faltam quatro dias para o lançamento do opúsculo satírico "Não pagamos ao palhaço!", da autoria da dupla Monteiro & Monteiro, que terá lugar no café Santa Cruz, em Coimbra, no próximo dia 30 de Setembro, Sábado, pelas 18h00:
- Está no ir, pá! Avia-te, pá!

Aqui estão os convites - um mais sóbrio, outro mais abichanado - para o lançamento do novo livro dos irmãos Monteiro, intitulado "Não pagamos ao palhaço!".
Queiram fazer o obséquio de divulgar a boa nova.
Dia 30 de Setembro (Sábado, 18 Horas, Café Santa Cruz, Coimbra.
Apresentação Doutor Louzã Henriques.

terça-feira, setembro 12, 2006

Porque não em Aveiro?

Penso que uma estratégia concertada entre os actores (CMA, EMA, Inova-Ria, UA, Min. Economia, AIDA, ...) no sentido de se criar um parque tecnológico em Aveiro, ligado às telecomunicações e novas tecnologias (ITs) e eventualmente usar para isso as instalações do Estado Municipal, podia criar um valor acrescentado a todas as entidades e sobretudo à região, que dessa maneira ganharia notoriedade e captar investimento nacional e estrangeiro, através da colocação de empresas na região. Além disso, usar-se-iam as instalações do Estado Municipal que aparentemente continuam sem utilização, para além de actividades pontuais.

Volto a focar que Aveiro tem potencial de atracção de investimento estrangeiro nestas áreas, com um aeroporto a cerca de 1h de distância e Lisboa a menos de 2h.

Os 'clusters' valem a pena

Portugal está na média da União Europeia, muito à frente de Espanha, mas distante dos líderes na criação de aglomerações empresariais competitivas. Um inquérito da Gallup a 21 mil gestores

Cerca de 1/4 das empresas portuguesas estarão inseridas em «clusters» e vêm vantagem nisso para fomentar a inovação e competitividade.

Eis a principal conclusão de um inquérito telefónico realizado entre Junho e Julho passado pela Consulmark para a The Gallup Organization junto de mais de 800 fundadores e principais donos, CEO e responsáveis financeiros portugueses de firmas com mais de 20 empregados.

A posição portuguesa estaria na "média" da União Europeia (UE), segundo este inquérito realizado junto de mais de 21 mil empresas em 32 países europeus. A posição portuguesa está longe dos campeões europeus da aglomeração geográfica e sectorial — os ingleses (pais do conceito de "distrito industrial", desde que o economista Alfred Marshall o teorizou ainda no século XIX) e irlandeses — e teria muito a aprender, também, com os italianos (o exemplo de antologia é o muito afamado «distretto industriale» têxtil de Prato, na Toscânia) e os austríacos, Com posição similar à portuguesa está a Croácia e a Noruega.

Ponto curioso é o facto do nosso vizinho, a Espanha, estar no grupo da cauda deste «ranking», com uma inserção em aglomerações sectoriais e geográficas que não chega aos 10%.

Contudo, 35% das próprias empresas portuguesas inseridas efectivamente em «clusters» não tinham consciência disso, e 39% actuam passivamente ou mesmo acantonam-se numa atitude "isolacionista" desaproveitando as oportunidades criadas por essas aglomerações — o que são pontos fracos do tecido português, a "corrigir". Nesse capítulo, seria útil aprender com os nórdicos. Outro ponto fraco detectado pelo inquérito é a fraca diversidade de parcerias realizadas pelas empresas dentro do «cluster».

Desapego aos subsídios
O estudo permitiu, também, detectar o que reivindicam os gestores em relação aos poderes públicos em termos de fomento dos «clusters».No caso português, as três prioridades colocadas por 89% dos inquiridos nada têm a ver com subsídios, mas sim com apoio ao fomento de redes empresariais, maior transferência de informação estratégia ca para os gestores e desburocratização.

O conceito de «cluster», definido por Michael Porter em 1990» foi, agora, adaptado e utilizado por este inquérito encomendado pela Direcção Geral da Empresa e Indústria da Comissão Europeia, Em Portugal a palavra foi muito divulgada, aquando das visitas de Porter.

Pode ser consultado em: http://cordis.europa.eu/innovation/en/policy/innobarometer2006.htm

Jorge Nascimento Rodrigues
in Expresso 9 de Setembro de 2006

Málaga é modelo na tecnologia

Em quinze anos, a província de Málaga alterou a sua especialização produtiva implantando a economia do conhecimento no seu dia-a-dia.

O «milagre» deveu-se à criação em 1992 do Parque Tecnológico da Andaluzia (PTA), nos arredores da cidade de Málaga, terra natal de Pablo Picasso. No ano passado, o PTA facturou mais de 1000 milhões de euros (mais do que o Taguspark, o maior parque tecnológico português) através das 375 empresas e entidades ali sediadas, a maioria das quais nasceu ali. Só nos últimos doze meses, foram criadas 100 «start-ups».

De uma zona agro-turística, inserida na conhecida Costa del Sol andaluza, o PTA mudou radicalmente a paisagem económica, equivalendo hoje a 1/4 do PIB gerado pelo turismo e representando 1,5 vezes o produto gerado pela agricultura local. Este papel de mudança valeu-lhe ser considerado, internacionalmente, como modelo de pólo tecnológico em regiões menos desenvolvidas. «Representamos, de facto, um exemplo de como se pode transformar toda uma região, criando um ambiente de inovação e de economia do conhecimento onde anteriormente nada existia», afirmou ao EXPRESSO Felipe Romera Lubias, director-geral do PTA, que é, também, presidente da Associação dos Parques Científicos e Tecnológicos de Espanha (APTE). O próprio impacto em toda a Andaluzia (7,3 milhões de habitantes) é significativo — o investimento privado em Investigação & Desenvolvimento (I&D) no pólo tecnológico representa 25% de todo o investimento empresarial na região andaluza.

O PTA criou «excelente visibilidade tecnológica numa região que não o era de todo», sublinha Romera, que acrescenta: «Se em alternativa tivéssemos investido no turismo os 150 milhões de euros de fundos públicos — 25% de um total de 600 milhões investido no parque desde 1992 —, duvido que os resultados viessem a ser semelhantes. Não creio que criássemos um novo sector de desenvolvimento, o do conhecimento, que tem muito mais valor acrescentado do que os sectores tradicionais».

Líder em Espanha
O peso tecnológico do PTA é hoje reconhecido em Espanha: lidera em número de projectos de I&D financiados por fundos públicos em parques tecnológicos e ocupa, por ora, o primeiro lugar em investimento público, logo seguido pelo Parque de Investigação Biomédica de Barcelona (que abriu em Maio deste ano e que já mobilizou uma verba de 11 o milhões).

O modelo é, por isso, «cobiçado» na América Latina e no Magrebe. «Mais do que os nossos êxitos em transformar uma região agro-turística, procuramos transmitir-lhes os nossos erros, para que não os repitam», conclui Felipe Romera.

Jorge Nascimento Rodrigues
in Expresso 2 de Setembro de 2006

quinta-feira, setembro 07, 2006

Curso de Formação de Professores de Kundalini Yoga

Está agora a fazer dois anos que fui à minha primeira aula de Kundalini Yoga. Ainda me lembra como fosse hoje. As sensações, a vontade de sair da sala e de chamar nomes aos outros praticantes. Porque estávamos nós ali? Porque é que subir e descer de cócoras me dava vontade de berrar? Ou porque é que cantar e dançar me davam vontade de fugir, mas depois me fazia sentir tão bem, tão liberto?

Nestes dois anos, muitas experiências houveram pelo meio, e até houve várias visitas a Portugal de várias professoras de Kundalini Yoga, vindas de Inglaterra, organizadas por mim e umas amigas, porque cá não existem professores dessa linha de Yoga. As coisas foram crescendo e os sonhos de alguns também. E, quando se junta os sonhos de alguns consegue-se avançar e chegar mais além. E, por isso, tenho o prazer de vos anunciar que irá decorrer em Portugal o 1º Curso de Formação de Professores de Kundalini Yoga (Nível 1: Instrutor).

O curso é uma colaboração entre O Jardim de Lótus em Aveiro, a Karam Kriya School de Londres e o Centro de Yoga Kundalini "Narayan" em Vigo, e arrancará em Dezembro. Vejam tudo em http://www.kundaliniyogaportugal.com.

Curso Internacional de Formação de Professores de Kundalini Yoga - Nível 1: Instrutor

Mais uma página feita por mim.

terça-feira, setembro 05, 2006

Os Leões de Cuangar

Do meu amigo José Pinto Carneiro, que há uns anos se estreou com o romance O Estranho Caso Da Boazona Que Me Entrou Pelo Escritório Adentro, que de vez em quando povoa a blogosfera com o seu Senhor Carne e que agora raramente pega na sua BTT, porque Lisboa não é uma cidade amiga das bicicletas, chega agora às livrarias as desventuras de um português no massacre de Cuangar de 30 de Outubro de 1914.

Até ele me falar nele, eu nunca tinha ouvido falar deste episódio da nossa história em que o posto português de Cuangar, na margem esquerda do rio Cubango, no Sul de Angola, é atacado por alemães armados de metralhadoras. São mortos dois oficiais, um sargento, cinco soldados europeus e treze africanos, o comerciante Sousa Machado e uma mulher, num total de 22 pessoas. Um dos mortos é a personagem central do novo livro do Carneiro - "Os Leões de Cuangar".

Os Leões de Cuangar - José Pinto Carneiro


"Angola, 1914. Numa época em que a Europa vive os primeiros episódios de uma guerra sangrenta, em África os Alemães ameaçam atacar a fronteira sudoeste do território colonial português. Com o posto de Cuangar em perigo iminente, um destacamento militar é enviado da costa para sua defesa. Entre as hostes nacionais destaca-se um anti-herói igual a tantos outros, o pacato soldado 35. Atraído a África pela perspectiva de leões e aventura, cedo irá descobrir o que lhe reserva o continente profundo. A História está repleta de notas de rodapé feitas de gente anónima, cujos desejos também serviram para tecer a malha do mundo que somos hoje. Esta é a história de um desses soldados desconhecidos. Alguém (ainda aqui permanecerá anónimo) que viveu um quotidiano de deslumbramentos, angústias, alegrias, medos, que ganhou e perdeu, como qualquer um de nós. Ou talvez mais. E que morreu e desapareceu, digerido pelo tempo. De tal maneira que talvez nem tenha existido."

Vão aí à livraria mais próxima e peçam! São só €9,90...

domingo, setembro 03, 2006

A Blue Planet

Há uns meses um amigo pediu-me para lhe fazer uma página simples. Uma página onde, quem quisesse, podia lhe enviar o seu endereço de email pessoal para que mais tarde pudesse receber informações suas ou de uma hipotética empresa sua de nome "A Blue Planet". A página não foi assim tão fácil de fazer porque o servidor onde está alojada e que era usado para enviar os mails, ao meu amigo, necessitava de autenticação e estive até às 4h da manhã a fazer a "página simples". Tinha que estar pronta nessa noite, uma vez que no dia seguinte ele deixava o seu emprego em Londres e estava de volta a Portugal, e queria divulgá-lo aos ex-colegas.

A Blue Planet

Uns meses depois deu-me de prenda de anos um livro inspirador, que ainda só desfolhei, chamado "80 homens para mudar o mundo: 80 casos de criatividade empresarial, 80 casos de sucesso empresarial" de Sylvian Darnil e Mathieu Le Roux. E, só de desfolhar e ler algumas passagens, já sei onde ele se inspirou para a "A Blue Planet".

Será que eu me inspirarei?

sexta-feira, setembro 01, 2006

Mensário

Há três meses, faz hoje às 22:21, aconteceu uma revolução na nossa vida com uma dimensão sem igual. Esta casa jamais será a mesma.

No pano...

A fotografia é da Inês Domingues.

quarta-feira, agosto 30, 2006

A minha vida dava um filme do Alfred Hitchcock (pt. 9)

Há cinco meses atrás, durante uma formação, tinha telemóvel em silêncio e recebi uma chamada sem me ter apercebido e, portanto, sem atender. Deixaram uma mensagem na caixa de voz e fui ouvir... Era a senhora da Fodicis que me tinha ligado há duas semanas exigindo que eu pagasse o empréstimo, que não fiz, e que eles aceitaram com documentos claramente falsificados com os meus dados pessoais. Deixou uma mensagem pedindo para eu ligar de volta para saber se havia alterações ao processo do Mistério Púbico.

Eram cerca das 18:15, quando fizemos o intervalo, e eu retribuí a chamada. Não devia, porque afinal de contas não tinha contraído nenhum empréstimo e estava a entrar em despesas por culpa da falta de rigor da Fodicis. A senhora não estava e atendeu-me um homem:
- "Por favor diga-me o seu número de contribuinte!" - pediu-me ele - "Aguarde um momento para poder aceder ao seu processo..."
Aguardei, embora renitente, porque afinal de contas era eu que estava a pagar a chamada.
- "Então diga-me Sr. Rui, quando é que pensa pagar aquilo as prestações em atraso?" - perguntou ele, com um tom meio ameaçador. Eu pensei, que das duas uma, ou ele não sabia nada do caso ou então estava-se a fazer de ignorante, uma vez que era das cobranças.
- "Como já expliquei à sua colega, não faço intenção nenhuma de pagar nem um tostão desse empréstimo, aliás porque não fui eu que o contraí..." - disse eu, tentando manter a calma – "... e porque ele só existe por um erro dos vossos serviços, porque se tivessem dois dedos de testa teriam visto que as cópias dos documentos apresentadas são falsas, aliás como já provei quando aí fui, às instalações da Fodicis, mostrar os meus documentos pessoais. E..."
Ao que fui interrompido, em tom mais agressivo:
- "Pelo facto de ter mostrado os seus documentos não prova que estes sejam falsos, porque os seus podem ser segundas vias." – disse ele, mostrando claramente que nunca tinha olhado nem para uns nem para os outros – "E acha que pelo facto de dizer, a um juiz, que estes documentos são falsos, ele lhe vai dar razão?" – continuou aumentando o tom da voz , porque eu tentei falar, e falando com ar jocoso. E continuou – "A Fodicis não é uma entidade de peritagem de identidades."
- "Mas posso falar?" – perguntei eu, já perdendo a calma e ficando algo alterado. E fiz um pequeno período de silêncio, para que ele me pudesse responder.
- "Sim! Diga..." – disse a voz do outro lado, algo alterado, também.
- "Eu estou a telefonar porque a sua colega me telefonou a averiguar se havia dados novos sobre os meus contactos com o Banco BETS no sentido de esta entidade confirmar o facto de a conta, naquele banco também ter sido aberta com os documentos falseados, uma vez que à data de abertura não era obrigatório a presença do cliente." – disse eu tentando acalmar-me – "Isto porque a sua colega disse que estava na eminência de divulgarem o meu nome ao Banco de Portugal..."
- "Oh, meu senhor! O seu nome há muito está no Banco de Portugal!" – disse ele, não aguentando mais estar calado, interrompendo-me e com um arzito de gozo. E continuou, em tom ameaçador – "O que está aqui em causa é se o senhor paga ou não o que deve?"
Nesse momento, a minha paciência tinha-se esgotado e a minha calma evaporado e apenas rematei:
- "Como já lhe disse não vou pagar nem um tostão desse empréstimo, por isso, se quiserem avançar com a sua cobrança coerciva, até agradeço, porque ainda tenho a receber uma indemnização por causa disso, incluindo uma parte por este telefonema. Boa Tarde!" E desliguei, mas não consegui voltar à sala de formação, sem apanhar uma golfada de ar e acalmar-me.

Quando cheguei a casa nessa noite, ainda algo alterado com a incompetência e prepotência do tipo, escrevi dois e-mails a duas amigas advogadas explicando a situação desde o início. Depois de uma breve troca de mensagens, com as duas, foi-me sugerido que expusesse o caso ao Banco de Portugal, a entidade reguladora do sector bancário, e fizesse uma queixa por violação de regras de segurança e diligência contra as duas instituições, a Fodicis e o Banco BETS.

A queixa seguiu há duas semanas, depois da recepção da notificação do Mistério Púbico dando conta do arquivamento dos autos do processo uma vez que a investigação não resultou em indícios suficientes sobre a identidade do autor do crime. No mesmo dia seguiu uma carta para a Fodicis, com a mesma notificação e expondo este episódico telefonema, que agora penso ter enterrado.

Mas ainda há um outro episódio para contar. Aguardem!

terça-feira, agosto 29, 2006

: : : 1-big-O [v20.1]

Se gostaram das minhas fotos de que vos falei ontem, podem ver as outras que já tirei e que se incluêm no mesmo trabalho fotográfico. Podem ver a fotografia do ensaios FP branco 2005, do Lokal Calcário 2003, do Lokal Silex 2004, do ensaios FP Tinto 2004, do FLP ou do Espumante 3b.

Mas ainda melhor que fotografar as garrafas é abri-las e beber... Em breve aparecerão aqui as fotografias dos copos... Vazios!

segunda-feira, agosto 28, 2006

: : : 1-big-O [v20.0]

Há uns tempos a Filipa Pato pediu-me para fazer um trabalho fotográfico sobre um ano de vindima. Há uns meses fui tirar fotografias à vinha, antes desta começar a rebentar, mas chovia e eu andei, uma manhã quase toda, a tirar fotografias sem memória na máquina e das poucas fotografias que tirei poucas se aproveitaram.

No entretanto a vinha cresceu e nasceu o Baltasar e as coisas ficaram paradas. E, como já toda a gente sabe andei algo ocupado entre fraldas e noites mal passadas. Mas a semana passada a Filipa telefonou-me, no dia em que cheguei de "férias", porque no dia seguinte ia fazer a vindima para o espumante. E eu fui tirar fotografias na manhã do meu dia de nascimento (ou de aniversário).

Depois de uma noite atribulada, porque o Baltasar fica sempre um pouco alterado com viagens (ainda não se habituou), quase com o sol a pino (porque eu cheguei tarde) e sob 32º C, lá se fizeram umas fotos da apanha da uva para espumante.

Vindima de Espumante 2006

Da sessão resultou um conjunto engraçado de fotografias que podem ver mais em pormenor aqui ou aqui.

Para aqueles mais curiosos, e que acham estranho apanhar a uva tão cedo: apanha-se agora a uva para espumante de modo a libertar a uva que será usada para fazer o vinho, para que esta mature melhor. Chama-se a esse processo "monda" (está-se sempre a aprender)!

domingo, agosto 27, 2006

O resto da conversa com...

... António Câmara, Prof. da FCT-UNL e CEO da YDreams, que comentou o meu post "Inovar é Preciso" de há umas semanas atrás.

RGa: Eu compreendo que o artigo que escreveu tem de ser muito limitado em extensão, e por vezes não é possível explicar tudo convenientemente, mas não fui o único a interpretar que se referia a Lisboa, não como a única, mas a mais provável região para que seja mais "vibrante e rica". Eu simplesmente dei a minha opinião, mas em conversas com alguns amigos e empreendedores locais, a verdade é que foi unanime que se tratou de um artigo típico do "autismo" próprio de quem está em Lisboa e não consegue ver o resto do país, provavelmente porque há outras regiões com o mesmo potencial e que precisam mais de ajudas concertadas do que Lisboa, que já tem bastantes.

AC: Houve uma interpretação errada mas não acho que Lisboa tenha ajudas concertadas. Aliás neste momento temos menos acesso a fundos europeus do que as outras regiões do país.

RGa: Acha possível uma estratégia concertada como a de Barcelona em Portugal? Eu acho que os empresários portugueses, na maioria dos casos (as generalizações são sempre uma armadilha perigosa) estão mais preocupados com os lucros mais imediatos do que com o futuro e uma medida dessas demora muito tempo a criar retornos. [...]

AC: Tanto é perfeitamente possível ter uma estratégia concertada que em combinação com algumas das maiores empresas portuguesas (em que apenas uma é de Lisboa), grupos universitários de classe internacional, e uma grande grupo económico, estamos a montar uma. Será divulgada em meados de Setembro.

RGb: Obrigado pela resposta! Não vou argumentar mais, vou esperar pelo anúncio, da estratégia que fala, em Setembro. Espero sinceramente que funcione e produza os resultados esperados, e que os ultrapasse mesmo.

RGa: Como é que nunca se referiu a ajudas externas e nem do estado quando diz que em Barcelona "os impostos sobre rendimentos na região foram também reduzidos para atrair residentes estrangeiros baseando-se numa tarifa plana de 20%"? Não será o estado, ou as autarquias como parte do estado, responsável por esta redução dos impostos? Posso não ter percebido, porque não tive tempo de seguir o link, mas as universidades, empresas ou bancos suportam o restante valor dos impostos? A verdade é que com essa frase entende-se que se espera ajuda do estado...

AC: A redução de impostos beneficia uma região: atrai investimento, gera empregos e acaba por criar um rendimento superior (que apesar de taxado numa menor percentagem acaba por contribuir para uma receita publica superior como é o caso das experiências bálticas, EUA e até Barcelona).
Num cenário em que qualquer empresa se pode localizar onde quiser não é uma ajuda; é uma condição de partida. Aliás veja-se onde se localizam as sedes das maiores empresas portuguesas.
Por isso em vez de ajudas na forma de subsídios (a que não aludi), o que pretendia dizer é que o governo deve criar condições de partida competitivas.


RGa: Concordo plenamente que ainda não existem Universidades de classe internacional em Portugal. E infelizmente continuo de acordo quando diz que o problema " fundamental reside no actual sistema de gestão de recursos humanos". [...]

RGa: Por fim UK e USA. Não tive noção que no UK fosse assim, mas nos EUA, não me surpreende. A verdade é que neste momento penso que no UK (e nos EUA) a maioria dos funcionários são talentos importados. [...]

RGa: Há uma coisa que depois foca no seu artigo a seguir, que para mim Lisboa-cidade não tem, qualidade de vida. Comparativamente a São Francisco, que é pouco maior que o Porto, Lisboa é demasiado grande, demasiada poluída (este verão até houve graves problemas nos arredores) e o nível de vida é demasiado alto para os ordenados.

AC: Essa é uma opinião subjectiva. Os portugueses e estrangeiros que trabalham na YDreams adoram a qualidade de vida na Caparica (onde temos a praia a 5 minutos) e de Alcântara (onde temos os escritórios comerciais).

RGb: Quanto a Lisboa, não me interprete mal, eu adoro Lisboa, onde passei muito tempo na minha juventude. Mas comparativamente com Aveiro, a qualidade de vida pode ser inferior. E claro, a Caparica é diferente... Mas tudo isto é sempre subjectivo!

terça-feira, agosto 22, 2006

A prenda que eu queria...

ToPeak Bikamper


Provavelmente nem a usaria, mas que é linda... É!

O meu nascimento (não é aniversário, notem bem)!

Eu


Era uma vez num país muito distante... Podia começar assim, mas não! Os meus pais numa viagem pela metrópole decidiram, algures entre Vendas Novas e Lisboa (segundo eles), que o meu irmão, recentemente nascido, não poderia passar sem um irmão (aliás, uma irmã, era o plano).

Uns meses depois (naquele tempo podiam-se tirar férias de 6 meses) retornaram a Moçambique, de navio (acho que é daí que vem a minha paixão pelas viagens e em especial pelo mar). E, depois de uns 9 meses de gestação, nasci eu, em pleno Inverno de Agosto, quando tinha já sido feito no Inverno de Dezembro. Cruzei os dois hemisférios, e passei o equador, sem ainda saber o que era este mundo.

terça-feira, agosto 08, 2006

We Hate It When Our Friends Become Successful

Não é muito o meu feitio, mas a verdade é que nos faz pensar!

"We hate it when our friends become successful,
We hate it when our friends become successful.

[...]

You see, it should have been me.
It could have been me.
Everybody knows, everybody says so.
"

"We Hate It When Our Friends Become Successful" - Morrissey Ouvir excerto

segunda-feira, agosto 07, 2006

Inovar é Preciso

Há umas semanas, mais precisamente a 8 de Julho, no caderno Económico do jornal Expresso, na coluna de opinião "Inovar é Preciso", o Prof. da FCT-UNL e presidente da YDreams, o mediático (nem por isso inovador, como irão ver, como a maioria dos que escrevem nessa coluna) António Câmara (asc@mail.fct.unl.pt) dizia:

"Talentos e Regiões
Lisboa é bem mais atractiva do que a maioria dos portugueses pensa

Paul Graham em How to be Silicon Valley (ver http://paulgraham.com/siliconvalley.htmI) enumera quatro factores decisivos para o sucesso das regiões na economia de conhecimento: a existência de universidades de classe mundial; investidores, talentos e exemplos de empreendedores de sucesso.

A ausência de apenas um dos factores explica o insucesso de cidades como Pittsburg e New Haven, segundo Graham. A primeira tem Carnegie Mellon University e talento abundante. Mas poucos são os investidores que querem viver na inclemente Pittsburgh. New Haven tem o talento de Yale e em Connecticut reside um número substancial de investidores, mas não existem exemplos de empreendedores bem sucedidos. Entre os quatro factores, a atracção de talentos é certamente o primordial. As principais universidades e empresas americanas têm recrutado investigadores, inventores, artistas e gestores em to do o mundo desde a 2a Guerra Mundial. Este talento atraiu o investimento que ajudou a criar riqueza.

Na última década, países e, sobretudo, cidades europeias acordaram para a necessidade de reter os seus talentos e atrair os provenientes de outros locais. Por exemplo, a Irlanda tem hoje programas como as Young Presidential Investigator Awards para apoiar os seus jovens cientistas mais talentosos. Dublin oferece até ateliês para os mais prometedores arquitectos internacionais.

Na vizinha Barcelona, criou-se uma iniciativa (http://www.bcn.es/22@bcn/) para transformar a cidade num magnete de talento mundial nas áreas dos novos «media» e biotecnologia. Essa iniciativa associa as principais universidades, empresas e entidades bancárias de Barcelona. Os impostos sobre rendimentos na região foram também reduzidos para atrair residentes estrangeiros baseando-se numa tarifa plana de 20% (muitos dizem que na origem deste valor estão os casos dos talentosos futebolistas e técnicos estrangeiros do principal clube local). A recente instalação do laboratório europeu de investigação da Yahoo demonstra a crescente atractividade da cidade.

Tendo passado este último ano a recrutar talentos (alguns deles internacionais) para a YDreams, verifiquei que a região de Lisboa é bem mais atractiva do que a maioria, dos portugueses pensa. Uma estratégia concertada entre , actores como os referidos para o caso catalão ajudaria certamente a criar uma região mais vibrante e rica.
"

Eu não pude deixar de comentar, e umas duas semanas depois, quando gozei de uns minutos entre fraldas, choros ou banhos do Baltasar, escrevi um mail ao "inovador" Sr. António Câmara. Nunca recebi uma resposta.

"Boa noite,

Desde o seu início que tenho lido a coluna "Inovar é Preciso" no caderno Económico do Expresso. Por diversas razões, porque que nutro uma especial admiração pelo Nicolau Santos, porque tenho interesse em saber o que pensam os mais mediáticos gestores da novas tecnologias em Portugal... Porque penso que, depois de ter trabalhado nos Estados Unidos, Inglaterra e Japão, posso comparar maneiras de pensar destes com a minha experiência.

Por isso, o seu artigo de 8 de Julho suscitou o meu interesse, mais do que é normal. Porém, entre as fraldas e os choros do meu recém-nascido filho não me foi possível comentar mais cedo, embora o tenha comentado entre amigos algumas vezes.

Confesso que o artigo me abriu o interesse pelo estudo feito pelo Paul Graham, mas ainda não tive a hipótese de me dedicar ao mesmo. Uma vez que me inscrevi esta semana numa pós-graduação em gestão, penso que estas fontes de informação são sempre de guardar para posterior análise. Mas o que mais me impressionou no seu artigo foi a comparação entre Barcelona e Lisboa, ou o assumir que Lisboa teria exemplos de empreendedores de sucesso, ou ainda que as empresas possam gozar de estratégias exteriores em vez de essa função passar pelas próprias empresas.

Assim e começando pela analogia entre Barcelona e Lisboa, poderemos ver que Barcelona terá adoptado a referida estratégia de transformar a cidade num magnete de talento estrangeiro, porque Madrid, a capital espanhola, não precisa dessa estratégia. Ou seja, Lisboa, como capital portuguesa, provavelmente não precisasse tanto dessa estratégia como outras cidades portuguesas. Além de que Lisboa é sem dúvida a cidade portuguesa com maior percentagem de estrangeiros em Portugal, pelo que adopção de uma taxa plana não iria trazer mais atracção a estrangeiros (ou ia definir o que era um talento de um qualquer imigrante?). Além disso, a YDreams não fica no distrito de Setúbal?

Depois enumere-me os empreendedores de sucesso em Lisboa... Assim de repente lembro-me como grandes empreendedores em Portugal, os nomes de Belmiro de Azevedo, Rui Nabeiro ou Américo Amorim e parece-me que nenhum deles é de Lisboa. Parece-me que Lisboa, é verdade, goza dos outros três factores, mas este sinceramente não é o melhor exemplo que obtemos de Lisboa.

O que nos leva ao meu terceiro comentário, acho que em Lisboa, e em Portugal, as empresas continuam à espera que sejam elementos exteriores os elementos de mudança e melhoria das suas estratégias. Confesso que quando trabalhei na Bay Area de San Francisco (tecnicamente não trabalhei em Silicon Valley), na mesma empresa onde trabalhou o vosso colaborador A.A.* (que conheci lá), eram as empresas as principais responsáveis para a fixação dos seus quadros, estrangeiros ou não. Além de que, como deve saber, Silicon Valley não é um exemplo de sustentabilidade, e como deve saber poucas são as empresas que sobreviveram ao pós-911 e à era Bush. E não estou a falar em criar bem estar só dos gelados Haggan Das (que também sei já não são normais nem na YDreams).
Permita-me este comentário, sem que não deixe de concordar com algumas coisas que diz, mas não para a região de Lisboa. Sim! Porque a Critical consegue fixar talentos estrangeiros em Coimbra, sem ajudas de "uma estratégia concertada" de actores referidos. Aveiro, com a sua qualidade de vida, poderia fixar esses talentos se se encontrassem investidores interessados (coisa que em Lisboa não falta). Ou Braga que sem ajudas vai todos os dias aumentando o número de talentos que por lá se fixam. Ou pergunte ao seu colaborador P.P.* se não preferia trabalhar numa zona mais periférica de Lisboa (fizemos BTT em tempos).

Confesso que Inglaterra, sem o sol que tanto gostamos, consegue neste momento ser o maior íman de talentos na Europa e não goza de nenhum estatuto especial para estrangeiros como Barcelona. Será porque a estratégia das empresas não passa por aí? Passa por outras... E sou-lhe sincero se por razões de qualidade de vida gostava de ter ficado a viver no norte da Califórnia, em condições de trabalho (ordenado, formação, organização de trabalho, liderança, objectivos...) preferia trabalhar na Inglaterra. Mas optei por retornar a Portugal, para poder aqui aplicar os conhecimentos e a experiência que adquiri.

Infelizmente, por excesso de currículo, estou desempregado... Assim se fixam os talentos em Portugal!

Cumprimentos
Rui
"

De qualquer maneira o artigo gerou discussão, o que é sempre muito bom!

* Os nomes foram substituídos pelas inicias por questões de privacidade das pessoas em causa.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Esclarecimento ao Rodrigo

Serve o presente post para esclarecer o Sr. Rodrigo, que anonimamente, decidiu comentar o meu último post e de alguma maneira me insultar.

Começo por comentar o facto de me acusar de ter escrito que a tradução teria sido feita por um brasileiro, o que não fiz, pois o que está lá escrito é "à brasileira" e não "por um brasileiro". Ou seja, eu nunca acusei nenhum cidadão de nacionalidade brasileira de ter efectuado a tradução. O que fiz foi associar ao facto do uso típico do "te" antes do verbo, pelo brasileiros (como em "te amo" ou "te insulto"), a uma tradução mal feita para português, aliás usando o também típico "você" tanto usado no português do outro lado do oceano. Obviamente, e com a utilização massificada destes brasileirismos, na língua portuguesa deste lado do oceano, é muito provável que a tradução até tenha sido feita por algum cidadão de nacionalidade portuguesa. Ou até, quem sabe, pelo próprio dono da tenda (vêem até eu estou a usar uma palavra espanhola para definir um estabelecimento de venda). Não interessa para o caso!

Mas a declaração mais grave, feita pelo Sr. Rodrigo, prende-se com o facto de eu ser racista. Confesso que tenho muitos amigos e todos eles são da mesma raça – da raça humana. Uns são brancos, outros pretos, alguns amarelos e até tenho amigos que devem ter sangue vermelho. Porém acho que o difere os portugueses dos brasileiros, e o que está aqui em questão, não é uma questão de racismo. E contesto veemente a acusação, aliás porque tenho diversos amigos brasileiros. E, até ponho o meu corpo nas mãos de um brasileiro preto, que considero meu amigo, para que de duas em duas semanas me espete agulhas, em sessões de acupunctura. Se calhar ele é racista? Porque eu não sou xenófobo.

Sim! Sou burro. Confesso que não sou um "sabixão" (em português escrever-se-ia Sabichão, mas...) e nem tento ser. Sou estúpido e talvez o facto de aqui estar a responder só me torna mais estúpido, mas acho que acusações deste género, cobardemente prenunciadas, são típicas de pessoas que me acusa ser, e não pretendo dar-lhe razão.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Lost In Translation

Ontem fui à Viagem Medieval em Terras de Santa Maria. Numa tenda que vendia ervas aromáticas e terapêuticas, junto a um cesto com uma quantidade enorme de uma erva esverdeada, dizia num placar em espanhol, a língua materna do dono da tenda - "Te Menta" (sim, sem acento). Por cima, numa tradução, à brasileira, para português, dizia "Você Menta"...

Para quem não sabe Té em espanhol quer dizer o mesmo que chá em português. Pelos vistos quem traduziu não sabia.

AS CINCO RESPOSTAS DO ECONOMISTA DISFARÇADO

Os conselhos de Tim Harford*


Há alguma teoria económica que explique porque é que ninguém fala de outra coisa, por estes dias, que não seja o CAMPEONATO DO MUNDO DE FUTEBOL?

Com certeza! Talvez pense que não há nada de interessante no futebol. Mas como pessoa sensível que é, percebe que outras pessoas podem saber coisas que você desconhece. Quer aprender com elas - o que muitas vezes significa fazer o mesmo que elas. Na bolsa de valores, venderá, quando outros venderem, não por ser irracional, mas por pensar que eles sabem mais qualquer coisa. Se vir muitos carros estacionados em cima de um passeio, pode presumir que os condutores sabiam não haver polícias por perto a passar multas, e estacionará ali, com segurança, também. E se toda a gente começar a ver futebol, você também o fará, porque, provavelmente, pensará que outras pessoas conseguem ver alguma coisa que você não ainda não viu. Os economistas chamam a isso «herding theory» («teoria da manada»).


Porque é que Portugal continua a ser o PAÍS MAIS POBRE DA ZONA EURO? Não somos assim tão diferentes dos Camarões?

Enquanto economista sob disfarce, gosto sempre de julgar os países, tendo por base aquilo que vejo e que vivo - e eu não visito Portugal desde o último Europeu de futebol. Portanto, não quero adiantar muito. Mas um dos problemas é que não tem sido fácil montar negócios que criem empregos e produtos que as pessoas queiram comprar. De acordo com o Banco Mundial, no início de 2005, criar uma pequena empresa em Portugal demorava 54 dias. O mesmo tempo que no Quénia e na Bósnia. Agora, Portugal tem um novo sistema de criação de empresas [empresa na hora]. A situação pode, pois, melhorar (não mudará em alguns meses apenas, estas coisas levam o seu tempo). Que outras regras para se fazer negócio poderiam ser simplificadas e tornadas mais rápidas? [Ver http://www.doingbusiness.org/]


Sendo a economia portuguesa, e os portugueses, os mais deprimidos da Europa, porque é que ainda NÃO FUGIMOS TODOS PARA INGLATERRA?

Porventura por causa do bom clima, do peixe, queijo e vinho maravilhosos, ou por causa da importância dos amigos e da família. Economia é sobre aquilo que as pessoas querem, aquilo que recebem e o que fazem - mas não é, necessariamente, sobre dinheiro. Há mais na vida para além disso, e provamo-lo todos, no dia-a-dia.


No século XXII, ESTAREMOS TODOS A FALAR CHINÊS?

É uma boa pergunta, mas duvido que tenha qualquer significado daqui a cem anos. No séc. XIX assistiu-se a um desenvolvimento económico e tecnológico até então nunca visto (Karl Max estava naturalmente maravilhado). O cidadão médio era três vezes mais rico em 1900 do que em 1800. Os anos de 1900 tornaram-se ainda mais velozes. Apesar do comunismo e das duas guerras mundiais, o mundo tornou-se muito mais rico e desenvolveu-se muito mais depressa. O cidadão médio tornou-se oito vezes mais rico. Os dois últimos anos figuram, na História, entre aqueles em que houve mais crescimento económico mundial. E é muito provável que os próximos cem anos mudem ainda mais rapidamente que os últimos cem. A ser assim, não há muito que se possa dizer sobre o ano 2100. Excepto que o mundo estará irreconhecível.


Eu quero muito, MUITO, SER RICO. Por onde devo começar?

Não há problema. Para ser rico, precisa de investir o mais que puder e gastar o menos possível. O melhor investimento é um grau universitário: arranje um, talvez dois. Não gaste nada: viva num apartamento minúsculo e coma apenas pão e água. Arranje o emprego mais bem pago que conseguir, e um segundo emprego, aos fins-de-semana. Invista todo o seu dinheiro em imobiliário, acções e contas de poupança -espalhe por aí. Passado pouco tempo, será muito rico. Não tenho a certeza de que seja feliz - a maior parte de nós prefere um emprego agradável e gastar dinheiro. Mas boa sorte!

in Visão nº694 (22 a 28 Junho 2006) por Carla Alves Ribeiro

* Tim Harford é o autor do Livro "O Economista Disfarçado"

O Economista Disfarçado

(Se não souberem o que me oferecer nos anos, que estão aí à porta, podem dar-me este livro ou o "Freakonomics: o Estranho Mundo da Economia - o Lado Escondido de Todas as Coisas" de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, ou um qualquer do Jack Welch, que eu não me importo. Combinem é entre vocês porque só quero um exemplar de cada!)