sexta-feira, junho 29, 2007

I don't want to be nice

Estava aqui a ouvir o álbum de homenagem a Martin Hannett, o produtor dos Joy Division, Happy Mondays, U2, New Order, The Durutti Column e tantos outros - "Zero: A Martin Hannett Story 1977-1991" - e encontrei um tema de um senhor que já não ouvia desde que não uso gira-discos ou leitor de cassetes. Um tal de John Cooper Clark, que lia dois poemas no "Short Circuit - Live at the Electric Circus" uma das primeiras gravações dos Joy Division (que eu, como fã, tinha e ouvia regularmente). O homem é mesmo britânico e tem um senso de humor apurado... Em verso! E até de visual...


Here he comes now....

The fast fingers, the expert eyes
And the same old 'how'd you do'
Disgust is just his dumb disguise
He wants a word with you

His problems are the end
His mouth needs exercise
The last thing I need is another friend
I don't want to be nice

I don't want to be nice
I think it's clever to swear
Better seek some sound advice
Better look elsewhere

Your face is an obvious case
You shouldn't put it about
This is neither the time nor place
To sort these matters out

What you see is what you get
You only live twice
A friend in need is a friend in debt
I don't want to be nice

No we never met before
I'm very happy to say
Far from perfect strangers
I'd like to keep it that way

I'm not your psychoanalyst
I'd rather talk to mice
You're so easy to resist
I don't want to be nice

I don't want to be nice
I think it's clever to swear
Better seek some sound advice
Better look elsewhere

Your face is an obvious case
You shouldn't put it about
This is neither the time nor place
To sort these matters out

What you see is what you get
You only live twice
A friend in need is a friend in dept
I don't want to be nice

terça-feira, junho 26, 2007

Sonhos de África

Não costumo lembrar-me muito dos meus sonhos, mas domingo de madrugada consegui recordar com exactidão o que tinha sonhado durante a noite. E estava tão nítido que temo que tenha alguma mensagem subliminar que ainda não consegui interpretar. Alguém aí me ajuda a interpretá-lo?

Viajava com um grupo de pessoas, amigos eventualmente, onde se incluía a Cláudia e o Baltasar. Ele ainda era pequeno, mas penso que já andava. Viajávamos em dois ou três jipes, ao longo da costa oeste de África, de Sul para Norte. Teríamos eventualmente ido de barco até algures na Mauritânia e subíamos até Marrocos, o nosso destino final, antes de voltarmos à península Ibérica.

A cena passa-se algures na Argélia, muito próximo da fronteira com Marrocos. No sul da Argélia, depois de nos termos perdido na nossa rota e falharmos a fronteira com Marrocos, encontrámos uma pequena cidade argelina. Lembro-me claramente das cores castanhas das casas e as ruas estreitas, que suponho são típicas naquele região do mundo, uma vez que nunca lá estive.

Obviamente houve algum burburinho à chegada destes ocidentais de jipe. Era fim de tarde e cheirava a deserto. Nós estávamos cansados e imundos, depois de alguns dias no deserto. E procurámos um sítio onde pernoitar ou indicações para chegar a outro local (não sei bem), mas éramos rodeados pela população local que nos queria vender algo e que não nos deixava avançar na nossa procura. Queríamos sair dali mas cada vez aglomerava-se mais gente à nossa volta, tornando a tarefa cada vez mais difícil. Lembro-me claramente de tentar salvaguardar a Cláudia, que trazia o Baltasar ao colo, da horda de locais. Mas com a confusão separámo-nos…

Até que a dada altura, quando tentava fugir da população e re-encontrar o resto dos companheiros de viagem, com quem estavam a Cláudia e o Baltasar, apareceram um grupo de negros, uns quatro ou cinco, altos e magros, mas robustos. Não eram locais, pois os locais não eram tão negros e tão altos. E a roupa era mesmo diferente.

Durante uns metros seguiram-me, acelerando o passo e intimidando-me. Até que me dirigiram a palavra, em francês (sim, lembro-me!) e disseram ser Senegaleses (quer acreditem quer não, eu achava que o Senegal era bem mais a sul e nem imaginava que fazia fronteira com a Mauritânia, mas a verdade é que ambos os nomes dos países estavam no meu sonho).

Parei e ameaçaram-me. Não tinham armas, mas um deles avançou na minha direcção com a intenção de me bater. Agarrou-me nos colarinhos e perguntou-me se eu estava a candidatar-me a presidente e se estava ali para fazer campanha eleitoral. Os outros ficaram atrás a ver, mas nenhum deles tinha mesmo intenção de fazer mal, mas apenas intimidar a mando do presidente da câmara municipal local (segundo eles me disseram).

E não me lembro de mais nada, pois acho que a seguir acordei com o Baltasar. Mas fiquei com estas imagens vivas na minha cabeça. E o mais impressionante é que me lembro das casas, do cheiro, da poeira do deserto, das cores do pôr-do-sol, de ser na Argélia, de ter viajado para a Mauritânia e de os tipos serem Senegaleses e de falarem francês. Como se realmente lá tivesse estado…

sexta-feira, junho 01, 2007

Aniversário


Há um ano estava um calor insuportável. O dia começou muito cedo, com a ida da Cláudia para o Hospital. Eu passei o dia a telefonar para o bloco de partos e a instalar um gravador de DVDs no PC.

Mais ou menos a esta hora fui comer uma francesinha ao Alicarius, aqui em Aveiro, com dois amigos - o Baltazar e o Fonseca. Comi muito à pressa, porque no último telefonema disseram-me, do bloco de partos, que lá estivesse por volta das 21:30 porque a Cláudia ia para o Bloco Operatório e podia estar um bocado com ela.

Desci no elevador com ela. Ela tinha contracções e quase não me ligava. Eu, nervoso, tentei ler um livro no corredor, que não tinha cadeiras para me sentar.

De repente, um enfermeiro, chamou-me para o bloco e... Lá estava ele! O Baltasar a chorar! Todo enrugado e vermelho! Vivo...

Foi há um ano, às 22:21! No dia Internacional da Criança... Que melhor prenda queríamos todos?

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quinta-feira, maio 17, 2007

Construções na Areia

Em 1982, de férias na praia de Esmoriz (eu estava de férias, mas os meus pais trabalhavam lá) concorri ao Concurso de Construções na Areia, do Diário de Notícias.

Na altura a praia de Esmoriz ainda existia com bastante areia, o que me permitia ir experimentando algumas construções que a imaginação, de um miúdo de 12 anos, permitia. Idealizei uma cena tranquila com um pontão de madeira, um barco a remos e um mar calmo. E ia fazendo aquela construção de um lugar idílico, treinando para o grande dia do concurso.

Eu não queria ganhar! Queria apenas o segundo, ou terceiro prémio, que me dava direito a uma série de livros dos Cinco, os Sete e afins, escritos pela Enid Blyton. O primeiro prémio era uma bicicleta e como não sabia andar (que irónico, né?) não o desejava. Além disso os livros faziam-me mais felizes... Faziam-me sonhar!

Um dia estava eu a construir os meus sonhos em areia e o meu irmão destruiu todo o trabalho a que eu tinha dedicado o meu carinho. É triste quando aqueles que nos são próximo são os primeiros a destruir os nossos sonhos, mesmo que construídos em areia, numa praia que já não existe.

Ah! E ganhei a bicicleta... O que também me deixou um bocado triste! Mas aprendi uma coisa: que quando desejamos muito algo, podemos ganhar mais ainda.

Toca e foge...

Em provocação ao senhor Anónimo que deixou um comentário ao meu post "Porra pá!", ele também a provocar, deixo este pequena história:

Quando era miúdo saia muito cedo de casa. Entrava às 8:30 ou 9:00 da manhã e por isso saía por volta das 7:30, para apanhar a camioneta que me à escola. A minha mãe dava-me 5 escudos (0,025€) para o bilhete. Como o bilhete custava 4 escudos (0,02€) eu gastava o outro escudo em rebuçados e cromos para a minha caderneta de futebolistas ou personagens de desenho animado (da RTP, a única emissora na altura).

Quando saia no fim das aulas, vinha a pé para casa da minha avó. Vinha pelos campos e pelos caminhos que de manhã percorria de camioneta. A comer os rebuçados e a tocar às campainhas das casas por onde passava. Tocava e corria, fugindo com os meus amigos, dos donos das casas, que muitas vezes nos insultava.

Quando comecei a crescer comecei a deixar de tocar às campainhas! E de fugir...

quinta-feira, maio 10, 2007

Será que leram o meu blog?

Há uns minutos recebi uma chamada...
- "Hello? Is this Mister Rui Gonçalves?"
- "Ye... Yes!!" - gaguejei surpreso.
E a conversa continuou para o normal assunto se eu não estaria interessado em trabalhar em Inglaterra e blah, blah, blah!

Eu pergunto-me se terão visto o meu último post?

segunda-feira, maio 07, 2007

Porra pá!

Hoje estou naqueles dias em que me apetecia mandar este país às urtigas. Eu sei que temos qualidade de vida, sabemos comer e viver, mas ando ma passar com a falta de visão, falta de objectivos e falta de ambição que as empresas portuguesas e os portugueses têm.

Eu sei que trabalhamos para viver, ao contrário dos americanos que vivem para trabalhar, mas esta falta de vontade (que é o que parece, por vezes) dos portugueses em querer pôr este país no mapa entristece-me e deixa-me sem vontade de continuar. Eu sei que não estou aqui para lutar sozinho contra uma cultura, mas apetecia-me lutar por alguma coisa (não contra) e não consigo.

O melhor é ir apanhar um pouco de sol para me lembrar porque é que ainda estou aqui!

quinta-feira, abril 26, 2007

Mário Mora

Mário Mora foi a Mora com intenções de vir embora mas, como em Mora demora.
Diz um amigo de Mora:
- Está cá o Mora?
- Está. Está cá o Mora.
- Então agora o Mora mora em Mora?
- Mora, mora.

quinta-feira, março 15, 2007

J. Rentes de Carvalho

Há uns meses que ando para escrever isto (como muito mais coisas)! Mas há sempre alguma coisa que se intromete e acabo por protelar a escrita.
Em Dezembro, no dia 12, escrevi aqui, num acto de inconformismo, sobre uma pessoa que não conhecia. Engraçado que uns dias depois, J. Rentes de Carvalho, sabendo do post, escreveu-me, mostrando que era completamente diferente daquilo que eu tinha pensado dele: "Amigos informam-me do texto de 12/12 no seu blog e dos comentários que nele me faz. Fui ler. Sorri. A juventude tem esse excelente privilégio de poder formular juízos ligeiros e exprimi-los no tom assegurado de quem trombeteia verdades fundamentais. Mas enfim... Com mais do dobro da sua idade posso permitir-me o sorriso. E, acredite, no que respeita vivências e viagens não tenho razão de queixa, nem inveja dos meus semelhantes.
Deixe-me ainda acrescentar que por natureza não sou triste. No campo social são bastantes os amigos e quando, como ontem à noite, a família mais chegada se senta a consoar, somos vinte e dois.
" Isto foi escrito precisamente no dia de Natal.
No entretanto já me tinha apercebido, pelo comentário do Luís Alves, que o Sr. J. Rentes de Carvalho, não era aquela imagem de pessoa que eu tinha criado na minha cabeça. J. Rentes de Carvalho tinha bem mais para contar que eu.
"Vejo que leva a vida com agradável humor. Prezo que assim seja…
Desde já peço desculpa se de alguma maneira se sentiu ofendido pelo que escrevi nesse texto de 12/12. Não era minha intenção, de maneira nenhuma, ofendê-lo, porque não sou do género ofensivo. Porém compreendo que usei a imagem que me foi passada de si, como arma de arremesso na 'discussão' com o Luís (de Boticas) Alves, sobre o prazer que se pode ter em viajar. […] E pelo que li da sua Biografia, vejo que não tem sido no seu quarto a ler um livro que tem passado a sua vida. Um dia, quando tiver o dobro da minha idade, espero poder rir assim de alguém que usa o meu nome em vão!
" – Escrevi eu de prontidão.
Trocámos mais algumas mensagens e desde essa altura que tenho seguido o seu blog (criado precisamente nessa altura) quase com a mesma regularidade que ele é actualizado com uma nova história. E tem-se provado como eu estava errado no primeiro post. Pela coincidência, tenho a impressão que um dia ainda nos vamos cruzar algures... Porque se a Internet pode afastar, de certeza que ajuda a aproximar as pessoas.
Fica aqui a homenagem, o esclarecimento e a divulgação.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Inquietude

Eu sou filho de um alentejano e de uma transmontana que “emigraram” para Áfica e aí se conheceram, casaram e aí tiveram três filhos. Eu sou o filho do meio, nascido africano. Porém em tenra idade tive que abandonar a minha terra natal, à qual nunca retornei e da qual guardo poucas memórias. E, as memórias que guardo, às vezes não sei se são realmente minhas ou foram-me transmitidas pelos meus pais. Mas sei que me senti em casa quando fui a S. Tomé, mas penso que a maioria dos humanos deve sentir isso quando vai a África, pois aquele continente foi o berço da humanidade. Se calhar estou enganado…
Quando vim para Portugal (eu não retornei, por isso não sou “retornado”, mas mais refugiado) fui para a Maia. Terra que nada tinha a ver com o meu pai ou mãe. Aliás, era a terra adoptada pelos meus avós maternos, por uma questão profissional. Depois quando fui para a Universidade adoptei Aveiro como a minha terra, mas a verdade é que os laços que me unem a esta terra são circunstanciais e muito ténues (os meus amigos locais podem ficar ofendidos, mas sabem que uma verdadeira amizade não se faz depender de locais ou distâncias).
Tudo isto para dizer que, como dizia um ex-colega há uns tempos, ser emigrante é ser um desenraizado e a verdade é que eu sou emigrante na minha própria terra. E acho que a minha inquietude vem dessa vontade permanente de partir. Há uns tempos vi uma entrevista com o Dr. Fernando Nobre da AMI, em que ele dizia não ser capaz de ficar em casa muito tempo. Eu não sou assim, mas compreendo-o. Já olharam para um Leão numa jaula? Se ele pudesse sair estava lá?
Mas fiquei muito surpreendido no outro dia ao desfolhar umas revistas Volta ao Mundo. Fiquei surpreendido, porque não tive vontade de ir a nenhum dos destinos que estavam nas três revistas (minto, por momentos tive vontade de saltar para dentro das imagens que lá tinha de Lhasa e do Tibet). Mas o que mais me surpreendeu é que ao fim de muitos anos, mesmo não me sentindo um local, não tenho necessidade de me sentir um emigrante.
Tenho uma amiga que dizia que o mais sente saudades, quando está em Portugal, é de ser uma estranha. De ninguém a reconhecer e de poder assim se libertar de espartilhos. A verdade é que eu penso que não tenho muitos espartilhos e que não tenho receio de ser reconhecido. Mas sinto saudades de ser um estranho e de olhar em volta e saber que tudo aquilo que me rodeia é-me mais diferente que àqueles que lá vivem.
Tirando uma ida a Vigo em Janeiro, já não saia do território nacional, há um ano. Será que estou a perder as minhas inquietudes? Espero que não! Espero apenas estar a conseguir controlá-las melhor. É uma fase…

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Palhaça: "Mensagem pela manhã"

O staff fica surpreendido com o mail que chega logo pela manhã. Ambrósio Graciano escreve:
"Gostaria de informar que um dos nossos colegas sofre de um problema médico raro e conhecido por Disforia de Identidade do Género (DIG), mais comummente conhecido como Transexualidade. É uma condição incurável, mas tratável, que se pensa ser causada por um desequilíbrio hormonal na fase pré-natal, e não deve ser considerado um desvio, fetish ou uma opção de estilo de vida. Na sua essência uma pessoa que sofra desta condição, identifica o seu género de maneira diferente daquele que fisicamente e externamente apresenta. O tratamento para esta condição consiste em alterar o seu género físico da pessoa de modo a condizer com aquilo que sente interiormente.
Como resultado do seu tratamento de DIG e desejando fazer esta mudança de uma forma adulta e ponderada, Olegário Alho Lança vai deixar a empresa na sexta-feira, 23 de Março para retornar na segunda-feira 23 de Abril como Ongina Alho Lança, para viver e trabalhar como uma mulher.
Tenho a certeza que todos se juntarão a mim no desejo que esta transição corra sem problemas e sei que todos farão o possível para respeitar a Ongina e tratá-la como uma mulher.
"

E Rodrigo Rodrigues volta ao enchimento de chouriços...

(Serve este post de homenagem a Gisberta, uma transexual, brutalmente assassinada, no Porto, faz hoje um ano. E é baseado - como é costume na rubrica "Palhaça" - em factos verídicos da minha vida profissional, que ocorreram faz agora, também, três anos.)

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

A minha vida dava um filme de Luís Ismael

Às vezes esqueço-me como se fala diferente de zona para zona de Portugal. E, mesmo com pequenas distâncias a nos separar, é sempre fácil encontrar enormes diferenças na maneira como as pessoas falam.
Ontem, fui jantar a casa de uns amigos a Esmoriz. Mas antes fui fazer uns quilómetros de BTT. Ao retornar a casa, tomámos, eu e o meu amigo, o caminho sobre o passadiço de madeira nas dunas da praia de Esmoriz. Já estava muito escuro!
Ao longe via-se uma luz verde, que com a proximidade se foi transformando numa máscara de Carnaval. Uma máscara do Homem-Aranha num miúdo de pouco mais 3 ou 4 anos.
Quando passámos pelo Homem-Aranha, que estava acompanhado por uma mulher, cumprimentámos:
- "Olá Homem-Aranha!"
Ao que o miúdo ficou parado a olhar para dois adultos vestidos de calções de lycra e casaco amarelo, em cima de duas bicicletas, provavelmente a pensar se aquela seria o nosso disfarce.
Tivemos que desmontar para descer umas escadas muito íngremes e fomos apanhados pelo Homem-Aranha, quando a sua acompanhante dizia:
- "Oh, Tomás anda embora".
E eu disse:
- "Mas afinal chamaste Tomás ou és o Homem-Aranha?"
E o Tomás acanhado parou e nem respondeu… Mas a acompanhante disse:
- "É o Homem-Aranha, mas é um homem-aranha murcãum".
E fomos embora a pensar o que é que a senhora queria dizer com aquilo… E a rir!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

(Ex)Citação XXIV

"Some men see things as they are and say why - I dream things that never were and say why not."
George Bernard Shaw

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Jai Narayan Singh

Há quase um ano, fui abençoado para viver com o nome espiritual de Jai Narayan Singh, que significa: O vitorioso Leão de Deus, cuja alma é clara, pura e brilhante como a água límpida e fresca, que tem a claridade da percepção, que motiva e protege os outros, e que anda com graciosidade e coragem pela sua vida.

Jai significa: Vitória, a capacidade de ultrapassar obstáculos no caminho para o seu objectivo.

Narayan significa: Aquele cuja alma é clara, pura e brilhante como a água límpida e fresca, que tem a claridade da percepção, que motiva e protege os outros.

Singh significa: O Leão de Deus que anda com graciosidade e coragem pela sua vida. Singh é o nome que Yogi Bhajan dava a todos os homens. Ele ensinou que todos os homens têm o potencial de alcançar um grande estado de graça e coragem, de serem um grande leão-guerreiro de Deus, e ele encorajou todos os homens a manifestarem esse potencial.

domingo, fevereiro 11, 2007

Aulas de Kundalini Yoga

Estão abertos novos horários para a prática de Kundalini Yoga, segundo os ensinamentos de Yogui Bhajan, n’O Jardim de Lótus. O professor é Jai Narayan, que para quem não sabe, sou Eu (é o meu nome espiritual e ainda não vos contei, né?).

Às 3as e 5as das 9:15 às 10:30, mas se houver outras horas que vos agrade mais, digam-me, sff.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

X-Wife Taking Control

Há algum tempo que não ia a um concerto de rock. Sinceramente, já nem me lembro do último que fui. Mas, diria que foi o Super Bock Super Rock de 2004… Não! Foi a Siouxsie em Londres, em 2005. Mas por 7 euros não podia perder um concerto, aqui em Aveiro, numa sala minúscula e num espaço que não conhecia sob este conceito. Assim, faz hoje uma semana fui ver os X-Wife no auditório do Mercado Negro.

Digamos que a sala não será muito maior que a minha sala de casa, em anfiteatro, mas infelizmente com cadeiras… Mas estou-me a adiantar! Digamos que o bilhete que comprei dizia que tinha que o trocar pelo verdadeiro no dia e no local do concerto. E por isso cheguei às 22:15 (o concerto era às 23:00) ao Mercado Negro. Mas, ninguém sabia onde e como se fazia a troca. No balcão diziam que era no auditório e no auditório mandavam-nos para o balcão. Estaria tudo bem se o balcão e ao auditório não fossem um em cada lado do estabelecimento e em andares diferentes. Mas lá consegui “trocar” o bilhete temporário, colorido e bem feito, por um papel de rifa com um carimbo dos X-Wife em vermelho… O que vale é que nos deixaram ficar com o bilhete!

Mas voltemos então ao concerto: tenho pena que, apesar de ter melhorado no último CD, o vocalista continue a usar a reverberação, o eco e os gritos para disfarçar o facto de ter vergonha da sua vocalização ou não se sentir confortável com a sua voz. E, apesar de não conseguir ver muito do que se passava no “palco”, devido a um tipo imóvel que ficou duas filas à minha frente, gostei da actuação do baixista que não parou um segundo e ainda deu um gostinho ao dedo e tocou um pouco do “She Lost Control” dos Joy Division a pedido do público. O teclista com a sua sempre presente camisa às riscas fez o que lhe competia sempre muito atento ao que se passava. Mas, tenho pena de não conseguir ver o baterista, que substituiu muito bem a caixa de ritmos que normalmente fazia os concertos dos X-Wife (acho que foi assim que os vi no tal SBSR de 2004).

O concerto foi muito bom, apesar de não nos conseguirmos mexer por causa das cadeiras, de não conseguirmos respirar por causa do fumo (a sala tinha muito má circulação de ar, para não dizer que não tinha nenhuma) e de não podermos levar bebidas para dentro da sala. Mas tudo isso era alheio aos X-Wife que passaram o tempo a dizer que nos divertíssemos e que éramos muito tímidos. Não sei se estaria à espera que fizéssemos stage diving mas ao contrário, da plateia para o palco (que estava num nível mais baixo).

Ouvi coisas que me lembraram Suicide em certas partes, roçaram os The Jesus And Mary Chain de Automatic, houve mesmo momentos muito rock’n’roll próximo dos The Gun Club e por vezes pareceu-me ouvir o Lux Interior em palco (eu disse ouvir). Mas afinal não, eram os X-Wife Taking Control.

X-Wife Tour

Vão ver…Hoje em Coimbra, amanhã em Leiria, depois de amanhã em Tondela, e depois em Lisboa, Caldas da Rainha, Esposende, Porto, Vila Real e Braga. Vejam no site deles onde e como.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A minha vida dava um filme do Alfonso Cuarón

Estou a passar por uma fase da minha vida em que ponho tudo em causa. Afinal de contas o que é certo na minha vida? O Baltasar… Aconteça o que acontecer será sempre meu filho, e eu o pai dele!

Mas se mudar de profissão? Deixo de ser Engenheiro de Telecomunicações ou Programador… E se mudar de cidade? Aveiro deixa de ser a minha cidade… E se mudar de país? O português pode deixar de ser a minha língua… E se mudar…

Por isso mesmo por vezes tenho necessidade de ir até à Costa Nova, e andar na areia até muito próximo da rebentação. Para perceber porque é que ainda estou aqui! E tenho vontade de chorar quando olho para aquele mar, que todos os dias rebenta ali e não muda… Mas por outro lado, ninguém o consegue dominar!

Ontem fui até lá! E apeteceu-me tomar banho nu, mas estava muito frio e não tinha onde me limpar, se não... Aproveitei para apanhar um sol e lembrar-me que "Aconteça o que acontecer, a vida continua e o mar continuará a rebentar na praia!"

terça-feira, janeiro 09, 2007

O que eu gostava de estar a fazer?

Há uns meses, como exercício prático de um livro que estava a ler, escrevi aquilo que gostaria de estar a fazer daqui a 10 anos, mas que se pode encaixar em grande parte naquilo que eu gostava de estar a fazer neste momento. Eventualmente daqui a 10 anos pensarei de outra forma, mas neste momento gostaria de estar “a gerir uma equipa de pequena ou média dimensão” com 5 a 15 elementos no total, formada por “pessoas interessantes que convivem e se entreajudam no trabalho.” Eu acredito que da convivência nasce a partilha do conhecimento, a motivação e a vontade de criar melhor.

Numa empresa, minha ou não, que tenha “boas relações com os clientes e uma boa gestão dos procedimentos de modo a que o trabalho seja realizado convenientemente e de acordo com o planeado na gestão de projectos”. Esta empresa teria “boas relações entre as hierarquias de modo que haja ‘feedback’ (favorável ou desfavorável) para que haja evolução.” Uma empresa que acredita na formação contínua como maneira de valorização e evolução dos seus funcionários.

Uma empresa que acredite que o mundo é plano e tenha clientes de vários pontos do globo e que permita contactos internacionais mais ou menos permanentes. Evolui-se muito se assim for.

Uns tempos antes (Julho de 2005) escrevi dez desejos que gostava de ver realizados (não utopias), associados aos Chakras.

No primeiro dizia que queria “um emprego estável” e que não pedia “um bom emprego, porque isso não existe”. “Ou é estável ou é bom! Claro que um emprego estável seria numa empresa que desse perspectivas de estabilidade. Uma empresa que pela sua dimensão e história me fizesse sentir seguro. Mas que ao mesmo tempo me desse segurança e condições contratuais válidas.”

No terceiro escrevi que gostaria de “ser reconhecido pelo meu trabalho e pelas minhas capacidades. Não ser apreciado porque sou um cordeiro, um ‘yes man’, mas por ser um membro do grupo que apenas pretende o melhor para todos. Ser reconhecido como alguém que gera valor acrescentado o meio onde me insiro, quer seja profissionalmente, didacticamente, no lazer ou artisticamente.”

“Claro que isto depende do meu esforço, mas esse só depende de mim e não de um desejo.”

No quinto desejei “ser mais criativo”.

No sexto escrevi que gostaria de “estudar. Fiquei feliz e entusiasmado com o curso de gestão de projectos. Acho que bem implementado o sistema de gestão pode produzir frutos valiosos.”

“Tirar um MBA ou um curso de gestão.” Que iniciei em Outubro… Mas escrevi também que “o curso de Kundalini Yoga continua nos meus planos. Mais a longo/médio prazo”, e surpreendentemente comecei-o bem mais cedo que imaginava então (Dezembro).

No sétimo escrevi que gostaria de “ser eu. Não me comparar ou ser comparado com os outros.”

Mas a primeira vez que pensei nisto foi em Maio de 2005, na eminência de ficar desempregado, escrevi aquilo que chamei de utopia: “Gostava de trabalhar numa cidade de média dimensão, perto do mar e de atitude liberal. Se não fosse perto do mar, que não diste muito deste e que seja atravessada por um rio relativamente grande.”

“Numa empresa liberal, dinâmica e de tecnologia. Uma empresa onde as pessoas fossem valorizadas pelo seu desempenho e fossem reinforçadas quando mostrassem boas práticas. Onde o modo como se veste não fosse motivo para a desvalorização pessoal.”

“Uma empresa dinâmica capaz de estimular os seus colaboradores a serem activos na procura da qualidade do seu trabalho. Onde as pessoas não sejam valorizadas pela sua antiguidade, mas sim pela sua dinâmica.”

“Uma empresa de tecnologia porque essa é a minha área de formação e porque acho que essa é uma área de grande dinâmica.”

E sobre quanto gostaria de ganhar, escrevi que “eu sou um insatisfeito por natureza, por isso por mais dinheiro que ganhe nunca será suficiente. Por outro lado não me movo por dinheiro, embora o ache compensador. Movo-me mais por pessoas, equipas, projectos e ideais.” Como dizia alguém: “aquilo que mais gostamos de fazer até o faríamos de graça”, se não houvessem contas para pagar.

Mais recentemente, em Agosto, escrevi também sobre o mesmo assunto, porque “acho que sou das poucas pessoas que pensam nisso, no universo que me rodeia. Penso que a maioria se rendeu à sua existência e desistiu de lutar pelo ‘melhor’ emprego em prol de uma vida mais pacata. Eles também têm a sua razão!”

Mais numa perspectiva de mais longo prazo, e uma vez que “o facto de dificilmente ver este desejo a ser cumprido, em Portugal, cada vez mais me motivo para abrir um negócio meu. Porém não desejaria” de o fazer numa empresa de “tecnologia, porque embora acredite que de momento Portugal tem vantagem competitiva nessa área, rapidamente seremos apanhados pelos países de leste e rapidamente ultrapassados pela China, Índia ou Brasil.” Além de que neste momento, e depois da última desilusão, cada vez menos acredito em engenheiros-gestores e acho que começo pouco a acreditar numa empresa minha nesta área.

“Eu acredito que maior e melhor recurso de Portugal é e será o bem-estar. O sol, a gastronomia, o ‘savoir vivre’ do português e é sem dúvida algo que poderemos ‘vender’ turisticamente.”

“O que me questiono é como ‘vender’ algo que é cultural?”

Provavelmente só o farei daqui a mais de 10 anos, mas penso que há mercado para receber estrangeiros e mostrar-lhes aquilo que nós fazemos e gostamos. Um dos meus sonhos é ter onde receber e saber receber… Porque isso é o que de melhor se faz em Portugal.

Resumindo: No imediato gostaria de trabalhar numa empresa estável que me desse perspectivas de evolução e me permitisse estudar. Onde pudesse exprimir a minha criatividade e onde fosse valorizado pelos meus esforços. Uma empresa com visão global, ou pelo menos internacional e de tecnologia. Onde estivesse a gerir uma equipa de pessoas interessante, com quem interagia e criasse produtos de qualidade, satisfazendo os clientes.

A mais longo prazo, uma empresa minha mas não de tecnologia, mas ligada aos contactos culturais e ao bem-estar, em Portugal.

Estarei a sonhar?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Apostar No Empreendedorismo Exige Novas Mentalidades

Vem este artigo na sequência de algumas reuniões que tive na mesma semana, e que raramente começaram a horas... Serei eu que estou mal?

Apostar No Empreendedorismo Exige Novas Mentalidades
Celestino Flórido Quaresma

Portugal ainda está preso a uma mentalidade de ignorância, de iliteracia, de isolamento, de débil capacidade de liderança, de desejo de trabalhar por conta de outrem. Para grande parte dos jovens, o único objectivo é ter emprego e receber um vencimento ao fim do mês. Sem nenhum entusiasmo, sem nenhuma apetência para criar a sua própria ocupação, geradora de riqueza

O nosso Governo está a apostar no chamado Plano Tecnológico. Mas, para termos um plano tecnológico, precisamos primeiro de um plano eficaz para mudar as mentalidades. Para que se incuta em todos nós um espírito de exigência, de qualidade, de rigor e de pontualidade. A todos os níveis, na escola, na vida profissional e mesmo na nossa vida pessoal. Exigência para com os professores, para com os alunos, para com os nossos fornecedores de bens ou serviços, para com os nossos colegas e, sobretudo, exigência para com nós próprios; Para incutir em cada um de , nós um espírito de inovação. Um espírito empreendedor. Em todas as actividades em que estejamos envolvidos! Enquanto estudamos. Enquanto trabalhamos por conta própria ou por conta de outrem.

Se aumentarmos o nosso espírito de iniciativa, tornamos mais empreendedoras, mais rigorosas e mais exigentes as pessoas que nos rodeiam. A começar pela exigência de pontualidade. Eliminemos, mesmo, o quarto de hora académico e coimbrão. Incentivemos, sobretudo nas escolas, o culto da pontualidade.

Portugal ainda está fortemente preso a uma mentalidade consequente da ignorância, da iliteracia, do isolamento, da débil capacidade de liderança, do desejo de trabalhar por conta de outrem. Para grande parte dos jovens, o único objectivo é ter emprego. Para receber um vencimento ao fim do mês. Sem nenhum entusiasmo por aquilo que quer fazer, nem pela sua realização pessoal. Sem nenhum entusiasmo pela produção. Sem nenhuma apetência para criar a sua própria ocupação, geradora de riqueza.

Os jovens diplomados vêm de meios académicos pródigos em praxes e em festas. Neste ambiente, paira-se num mundo maravilhoso, onde parece não haver riscos. Mas a vida real não é assim e isso complica tudo quando se sai desse mundo para um outro bem diferente. Surgiram algumas licenciaturas novas nas últimas décadas, com designações impensáveis, sem nenhum conteúdo que dê resposta às reais necessidades da comunidade. E fogem para esses cursos aqueles que buscam facilidades mas que vão ser vítimas delas. Ficam vazias as licenciaturas com conteúdos científicos e tecnológicos que levam à capacidade de decisão e à criatividade fundamentadas no conhecimento científico. Porque, nessas licenciaturas, ainda se exige algum esforço. Temos hoje excesso de licenciados em coisa nenhuma. Que nem, ao menos, trazem cultura geral. Que têm, no fim do curso, a sensação de uma total inutilidade. É importante aprender. É importante saber. É urgente alertar para isso os estudantes. Para não serem enganados pelas notas altas dos professores que não exigem. Para não serem enganados por diplomas que pouco ou nada valem. Hoje, quem avalia o valor das pessoas, o seu saber e a sua competência é o mercado de trabalho!

É urgente levar o rigor, a exigência e o culto do saber a todos os graus de ensino. Promover o culto da pontualidade. Promover o respeito pelo tempo, porque o tempo é um bem escasso e, por isso, é fundamental e precioso. É importante que os jovens se habituem a pensar e a lançar as suas ideias, a sugerir novos processos de trabalho e de relacionamento entre as pessoas no ambiente de trabalho, a lutar contra dificuldades de toda a ordem. A lutar pelas soluções e pelos rumos em que se acredita. A serem ambiciosos e exigentes consigo próprios e com os outros. A inovação e o empreendedorismo só resultam em sucesso com muito trabalho, muito esforço e muita persistência. E tudo isto com entusiasmo, com boa disposição e bom humor, quer a trabalhar por conta de outrem quer na criação do seu próprio trabalho. Só é inovador e empreendedor quem gosta do que faz, quem tem entusiasmo e anda bem disposto. É assim que se tem êxito profissional. É assim que se faz Inovação e se é Empreendedor.

In Espaço Público, Público, Domingo, 24 de Dezembro de 2006