quarta-feira, agosto 26, 2009

iQLês?

Nat Turner
Kyle Baker

Nunca tinha ouvido, ou retido, a história deste escravo americano que em 1831 empreendeu uma rebelião contra os brancos na Virgínia. Se calhar mal se fala disso porque era negro e escravo ou porque matou, ou mandou matar, 55 brancos (homens, mulheres e crianças). Mas o mais importante da história não é a rebelião em si, mas as condições em que os escravos eram caçados em África, transportados para os Estados Unidos e aí usados como gado animal nas explorações agrícolas. O enquadramento dos actos perpetuados pelos escravos, liderados por Nat Turner, é descrito sem muito texto. É tudo muito visual e gráfico, mas desenhado a preto e branco dando mais dramatismo à, já de si dramática, história.
Harry N. Abrams, 2008




Stormbringer
Michael Moorcock, Neil Gaiman, P.Craig Russell

Acho que toda a gente conhece as histórias do Senhor dos Anéis, mas poucos são aqueles que conhecem Elric de Melniboné. O livro, desenhado por P.Craig Russell é a adaptação da história escrita por Michael Moorcock (este livro tem ainda uma pequena história de Neil Gaiman) nos anos 60 e conta a história do imperador Elric, que é albino, e tem uma espada que se alimenta (e o alimenta) de almas – Stormbringer. A espada é ao mesmo tempo a razão de todo o mal que o rodeia, mas aquilo que o mantém vivo, numa luta contra os senhores do caos numa Terra alternativa. Uma história muito rocambolesca, num inglês às vezes arcaico e com um desenho algo pormenorizado, nada próprio para férias.
Dark Horse Comics, 1998




Stray Toasters
Bill Sienkiewicz

Já que estava numa de clássicos e ia estar numa ilha uma semana, levei apenas um livro. Um livro que já tinha tentado ler por três vezes, mas que porque é tão denso em termos de argumento e visualmente agressivo, nunca o tinha conseguido acabar. O Bill Sienkiewicz é provavelmente (a par do Dave Mckean) o meu desenhador preferido, mas os seus desenhos requerem toda a atenção e conseguem transmitir toda a acção, violência e confusão de um argumento de uma história de investigação como a deste livro. A balonagem é de tal forma complicada que na mesma vinheta (de uma página) podemos ler a conversa entre quatro personagens e ainda o que pensa cada um deles, entre tiros e mortos. Ah! A história é passada num futuro em que um miúdo consegue, através de robots feitos com torradeiras, ameaçar todas as mulheres da sua vida e um detective (que supostamente é o pai) tem que investigar o assassínio em série de dez outros rapazes.
Epic Comics, 1988




O Nosso Icebergue Está A Derreter
John Kotter, Holger Rathgeber

Para não dizerem que eu só leio BD, aqui está um livro “normal”! A fábula sobre uma colónia de pinguins que se apercebe que o icebergue onde sempre viveram está a derreter e poderá desfazer-se a qualquer momento. A descrição, de uma forma alegórica, do método descrito por John Kotter em "The Heart of Change" para a gestão da mudança em sistemas de grande escala (ex: empresas, etc). Lê-se em duas tardes e não me parece que consiga representar a dificuldade da aplicação dos 8 passos para a mudança. Não dispensa a leitura e o estudo do "The Heart of Change".
Ideias de Ler, 2008




Lost Girls
Alan Moore, Melinda Gebbie

Que dizer de uma história que junta num hotel austríaco, em pleno início da Primeira Guerra Mundial, as já crescidas (40, 30 e 20 anos), Alice (do País das Maravilhas), Dorothy (do Peter Pan) e Wendy (do Feiticeiro de Oz). As três mulheres conhecem-se e começam a contar entre si histórias eróticas da sua vida passada e a explorar as suas fantasias sexuais. Um compêndio erótico que mostra uma visão muito própria das histórias infantis que todos conhecemos. Alice perde a virgindade com um amigo do pai que se chama Rabbit, Dorothy é levada às nuvens por um vagabundo chamado Peter Pan e Wendy descobre o prazer solitário enquanto um tornado atinge a sua quinta. 320 páginas nada próprias para crianças, escritas pelo mestre da Banda Desenhada – Alan Moore – e desenhado pela sua esposa Melinda Gebbie, de uma forma muito naif (como o próprio guião exige).
Top Shelf Productions, 2009




Premières Fois
Sibylline, Alfred, Capucine, Jérôme D'Aviau, Virginie Augustin, Vince, Rica, Vatine, Cyril Pedrosa, Dominique Bertail, Dave Mckean

Depois de um fim-de-semana a falar francês, achei que estaria apto a ler um livro nessa língua. Peguei naquele que achava ser mais fácil e na continuação da temática do livro anterior. Dez histórias eróticas, todas escritas por Sibylline, sobre primeiras vezes. A sexualidade e as fantasias sexuais do ponto de vista de uma mulher e traduzidas para BD, a preto e branco, por dez excelentes desenhadores (entre eles Dave Mckean). Apesar do que diz na capa as histórias e os desenhos ultrapassam muitas vezes o erotismo, chegando mesmo a serem pornográficos, mas com muita sensualidade (bem como os franceses gostam). Um livro bonito, mas manter fora do alcance das crianças. Tenho que praticar mais o francês!
Delcourt, 2008

terça-feira, julho 21, 2009

J. Rentes de Carvalho, o escritor português que é (mais) famoso em Amesterdão

Há cerca de um mês deixei passar uma reportagem/entrevista com "o escritor português que é (mais) famoso em Amesterdão" - J. Rentes de Carvalho - com quem tive uma conversa há uns tempos (ver aqui) e cujo blog - Tempo Contado - sigo (à distância, mas vou lendo - aproveitem vocês para ler que é muito bom).

Mas desta vez não queria deixar de vos deixar o "guia" do J. Rentes de Carvalho da sua cidade - Amesterdão.

J. Rentes de Carvalho, o escritor português que é (mais) famoso em Amesterdão
por Joana Viana, Publicado em 15 de Julho de 2009 (in i)

O escritor transmontano que teve de abandonar Portugal por razões políticas vive em Amesterdão desde 1956, onde se licenciou e deu aulas de Literatura Portuguesa. Colaborador permanente da revista Periférica, conheça as propostas de J. Rentes de Carvalho para a cidade holandesa

O meu hotel favorito em Amesterdão
The Grand. Porque oferece a oportunidade única de dormir no que foi a antiga Câmara da cidade.

O meu restaurante preferido
Restaurante Bordewijk. Cozinha de qualidade, mas sem pretensões, num ambiente dos anos cinquenta.

O melhor passeio
Nas noites de Verão, ao longo dos canais do centro.

O bar certo
Harry's Bar. Não tem nada a ver com o seu homónimo de Veneza e caberão lá dez clientes, mas os cocktails justificam a visita.

A melhor livraria
Athenaeum Boekhandel. Até livros em português vende!

A melhor rua de compras
A. P. C. Hooftstraat. Melhor apenas no sentido de muito cara, mas com um interessante ambiente à tarde. Passeia então por lá um tipo de gente de vários dinheiros, que só por si vale como espectáculo.

A galeria de arte?
Não faço ideia, são lugares que não frequento.

O meu museu favorito
O Van Gogh, enquanto o Rijksmuseum continuar fechado para obras.

O segredo mais bem guardado de Amesterdão
Amesterdão é uma porta aberta. Só tem segredos a fingir.


Tome nota:

Hotel The Grand
Oudezijds Voorburgwal 197
http://www.thegrand.nl/

Restaurante Bordewijk
Noordermarkt 7
http://www.bordewijk.nl/

Harry's Bar
Spuistraat 285
www.harrysbaramsterdam.com

Livraria Athenaeum
http://www.athenaeum.nl/

Museu Van Gogh
http://www3.vangoghmuseum.nl/vgm/index.jsp?lang=nl

Rijksmuseum
http://www.rijksmuseum.nl/

Saiba mais sobre o escritor

quarta-feira, julho 01, 2009

iQLês?

Pyongyang: Journey in North Korea
Guy Delisle

Depois de ler Bruma Chronicles e Shenzen (ver ultimo iQLês) tinha que ler o mais conhecido livro de viagens em países oprimidos feito por este canadiano. Mais do que saber alguma coisa sobre a Coreia do Norte e do seu regime fiquei a saber que os franceses usam a mão de obra barata coreana para criarem quase todos os desenhos animados que passam na TV. Porque também pouco ou nada o jovem viu do país, porque o regime pouco deixa ver a alguém que tem que estar SEMPRE acompanhado por um guia apontado pelo governo.
Drawn & Quarterly, 2005




Berlin: City of Stones / Berlin: City of Smoke
Jason Lutes

Li o primeiro volume e fui logo comprar o segundo, porém terei que esperar alguns anos (talvez uns 8) pelo terceiro e último (à razão que é publicado). A história de Berlim entre 1928 e 1933, nos últimos dias da República Weimar e ascensão Nazi. A cruzilhada das vidas de uma alemã da província que se envolve com um jornalista, uma mãe comunista que se separa de um pai nazi, um judeu que ajuda os comunistas, um grupo de jazz negro americano e o sangrento 1º de Maio de 1929. Numa narrativa fluida e um desenho que, a preto e branco, chega a parecer-se com a linha clara franco-belga.
Drawn & Quarterly, 2000 e 2008



Eightball #22 e #23
Daniel Clowes

Os últimos dois números deste comic americano escrito por um dos mais imaginativos e esquizofrénico criador de BD do outro lado do Atlântico. Se o #23 conta uma série de histórias passadas numa povoação perdida nos Estados Unidos com o nome de Ice Haven, todas completando o enredo e tornando-se em algo de coerente, o #24 é uma amálgama de histórias sem nexo à volta de um rapaz geneticamente alterado pelo pai e que adquire uma força extraordinária fumando cigarros e que herdou uma pistola desintegradora (Death Ray). Vale pelo oversize e pela alienação.
Fantagraphics, 2001 e 2004



A Drifting Life
Yoshihiro Tatsumi

Que dizer de um único livro com 840 páginas sobre a história de um criador de Mangá no Japão do pós-guerra e a criação do género Gekiga (mangá underground). É um interessante e revelador documento histórico mas ao mesmo tempo uma história da vontade de fazer algo diferente e vencer num mundo muitas vezes redutor. Uma leitura cheia de nomes, lugares e épocas muito longe do aqui e agora. Mas muito actual e capaz de criar ligações com o leitor.
Drawn & Quarterly, 2009






Sleepwalk and Other Stories / Summer Blonde
Adrian Tomine

Depois de ter lido "32 Stories: The Complete Optic Nerve Mini-Comics" devo ter tido a mesma sensação do então editor e resolvi comprar o resto dos trabalhos deste autor de Berkeley na Califórnia. Comecei por ordem cronológica e já estou a pensar comprar o próximo. São histórias simples de um quotidiano normalíssimo mas contadas com um pormenor cinematográfico que cativam. Tão bonitas como um pôr-do-sol, simples e tão normal que raramente temos tempo para parar e observar com a atenção devida. Uma bela pausa para leitura.
Drawn & Quarterly, 1998 e 2002



Tout Seul

Christophe Chabouté

Há muito que não lia em francês e há muito que não lia algo de tão bom. Um livro com quase 400 páginas onde apenas há diálogos em cerca de umas três dezenas delas. Quase uma banda desenhada japonesa, mas com um ritmo europeu e um olhar cinematográfico. A história de um Quasímodo num farol num rochedo no meio do oceano. Um homem deformado, cujos pais faroleiros morreram há muito, e que não tem a coragem de se aventurar para fora daquele rochedo onde vive num farol automatizado. É alimentado por um pescador que nunca o viu e que acaba de contratar um ajudante que tenta saber o porquê de toda aquela situação e ajudar o solitário (daí o título) habitante do farol. Este vive apenas com a sua imaginação que estimula lendo o dicionário, atirando-o ao ar e lendo uma palavra aleatoriamente imaginando o que significará, limitado ao seu universo. Como quando procura o génio em todas as lâmpadas do farol depois de ler o significado da palavra Aladino… Todos temos um bocado disto?
Vents d'Ouest, 2008

sexta-feira, junho 05, 2009

3 anos

No sábado rumámos à Cabreia bem cedo. Chegámos às 11 da manhã e já não tínhamos lugar para estacionar. Ufa! Que susto… Eram apenas caminheiros!



Pusemos a mesa, metemos as bebidas no gelo, o bolo ao fresco e sentámo-nos à espera dos convidados. Estava um calor...



Os miúdos deliraram com a água fria do Rio Mau, num dia de muito calor. Os adultos gozaram a paz do lugar (apesar de estar muita gente) e até houve quem dormisse. O Baltasar adorou o bolo...



Depois seguiram-se mais dois dias de festa, porque se não somos ciganos, invejamo-los.

sexta-feira, maio 29, 2009

Indigente

Terça-feira, por volta das dez e meia, quando me preparava para deitar, toca o telemóvel. Quem seria? Não era o toque do meu irmão e o número não fazia parte da minha agenda.

Atendo e ouve-se do outro lado:
- Rui Gonçalves? Daqui fala Paulo Castelo da Antena 3. Estás recordado de ter participado no passatempo dos Placebo? Pois... Desculpa estar a ligar tão em cima da hora, mas estavas como primeiro suplente e um dos finalistas não pode...

Ou seja, eu ia entrar em directo daí a uma hora no programa Indigente do Nuno Calado para me "gladiar" com um outro concorrente sobre uma viagem a Colónia para ver os Placebo na sua apresentação do seu novíssimo álbum. Isto porque eu tinha me divertido a fazer uma lista de músicas que para mim fariam o alinhamento para um concerto "de sonho" da banda.

Foi-me explicado que o Nuno Calado iria pôr no ar excertos de temas, num total de 5, e quem adivinhasse mais ganhava. Se ao final dos 5 temas persistisse um empate, passaríamos ao regime de morte súbita, ou seja, o primeiro que acertasse num tema ganhava.

Ok! Aceitei. Porque não? Do outro lado podia estar um tipo que soubesse menos que eu...
Peguei no portátil e estive a ouvir excertos de temas que achava que o Nuno Calado iria passar. Fui ouvindo e tentando memorizar os nomes, enquanto não adormecia. E assim, fui passando aquela hora, até que tocou o telefone.

O Paulo Castelo voltou a explicar tudo e passou-me ao Nuno Calado. Falei uns momentos com o Nuno Calado e ele pôs-me a ouvir o som da mesa de mistura e que estava a ser emitido. Ele colocou no ar o tema "36 Degrees" dos Placebo e quando acabou apresentou-nos - a mim e à Amanda Fernandes, uma estudante de Sintra.

Eu disse que estive mais atento ao princípio da carreira dos Placebo e que com o advento do mp3 deixei de associar os nomes aos temas. Mas que ia tentar dar o meu melhor!

O Nuno Calado começou a passar os temas... "Slave To The Wage", "Protege-Moi" e "Because I want You (Russell Lissack Bloc Party Remix)" e… Eu não acertei um! E ficámos por ali e a Amanda deve ir no dia 3 de Junho a Colónia ver os Placebo.

E eu fui dormir (de qualquer maneira no dia 3 tenho que ir tirar os pontos)!

Ah! Fica aqui o mail que mandei ao Nuno Calado com a lista de temas dos Placebo para um concerto memorável:

"Aqui segue o setlist que idealizo para um excelente concerto dos Placebo.
Longe de ser um best of (apenas 9 dos 23 temas estão no "Once More with Feeling") é o meu best of para um bom concerto. Com muitos convidados - Johnny Marr, David Bowie, Kim Deal, Martin Gore e Alison Mosshart (que substitui o Michael Stipe no tema "Broken Promise" onde uma voz feminina tornaria o tema mais profundo).

Já estou a imaginar o público a entrar em êxtase quando se houve a Kim Deal a começar o coro do "Where is my mind" e o Brian Molko diz "STOP"... Ou a cara de surpresa com o primeiro tema do primeiro encore.

Aqui está ele:

01. Battle For The Sun [Battle For The Sun]
02. Pure Morning [Without You I'm Nothing]
03. Nancy Boy [Placebo]
04. Special K [Black Market Music]
05. Bigmouth Strikes Again (feat. Johnny Marr) [Nancy Boy CD1 B-Side / Covers]
06. Theme From Funky Reverend [Taste In Men CD1 B-Side]
07. Black-Eyed [Black Market Music]
08. For What It's Worth [Battle For The Sun]
09. This Picture [Sleeping With Ghosts]
10. Without You I'm Nothing (feat. David Bowie) [Without You I'm Nothing CDS]
11. Commercial For Levi [Black Market Music]
12. Special Needs [Sleeping With Ghosts]
13. Where Is My Mind (feat. Kim Deal) [This Picture CDS B-Side / Covers]
14. Protège Moi [Once More with Feeling]
15. Speak in Tongues [Battle For The Sun]
16. Every You Every Me [Without You I'm Nothing]
17. I Feel You (feat. Martin Gore) [Fanclub Cassette / Covers]

1º Encore
18. Mars Landing Party [Pure Morning CD1 B-Side]
19. My Sweet Prince [Without You I'm Nothing]
20. Meds (feat. Alison Mosshart) [Meds]
21. Broken Promise (feat. Alison Mosshart) [Meds]

2º Encore
22. Burguer Queen (Français) [Burguer Queen Français CDS]
23. Song To Say Goodbye [Meds]
"

quarta-feira, maio 27, 2009

Coxo

Este fim-de-semana fui participar numa prova de orientação em BTT (ou Ori-BTT) em Barcelos. Já não andava de bicicleta há algumas semanas e já não compito há alguns anos. E apenas fiz uma prova de Ori-BTT com uma carta de 1:10 000 em toda a minha vida. Mas queria voltar a sentir a adrenalina da corrida, a vontade de competir e a sensação de me perder em cima de uma bicicleta.

Escolhi a versão de dificuldade média da prova, para me testar. Consistia em realizar 15 pontos marcados na carta, na ordem estabelecida, no menor tempo possível. A prova tinha uns míseros 9,5 km de extensão estimada, pois poderia ter muito mais dependendo da (des)orientação do concorrente.

Domingo. Parti às 10:30 da manhã de uma localidade de Barcelos chamada Palme. A prova começava a subir... Fiz o primeiro ponto, ainda dentro da povoação e a partir daí foram quase 2 km a subir com uma inclinação de cerca de 10%. Estava de tal maneira desnorteado quando acabei a subida que tive que voltar uma centena de metros atrás para fazer o segundo ponto, pois falhei o caminho onde deveria virar.

Não conseguia pensar bem e demorei a habituar-me à escala e informação da carta. Perdi-me entre o segundo e terceiro ponto. Nem bússola levava... Não havia sol para tirar referências. Mas através das curvas de nível e dos caminhos consegui me localizar na carta. Subi uma enorme ladeira e encontrei o ponto três.

Marquei o ponto no cartão de controlo, desmontei da bicicleta, despi o casaco, respirei fundo e acalmei. Respirei fundo algumas vezes até recuperar o fôlego e a calma. Olhei para a carta durante uns minutos delineando a minha estratégia. E a partir daí nunca mais me perdi. Fui papando os pontos de controlo uns atrás dos outros.

Até que entre o nono e o décimo ponto tive um acidente! Ia a subir muito bem num caminho marcado pelos rodados de um carro, num nível abaixo das bermas e a olhar para a carta. De repente um galho de pinheiro com uns 7 cm de diâmetro que estava na berma é apanhado pela perna esquerda, no seu movimento de pedalada para a frente, e perfura-me a carne. Parei e deparei-me com um golpe profundo acima do tornozelo. Tirei o Camelbak e molhei bem a ferida procurando limpar e estancar o sangue.


Estava a uns 2 ou 3 km da civilização. Passam uns ciclistas que me querem ajudar, mas eu digo-lhes para seguir. Subi o resto do caminho a pé e montei só para descer. Fiz o ponto dez a caminho da chegada. O sangue estancou e não sentia dores. Mas assim que chego ao ponto onze um tipo que tirava fotografias inspecciona a ferida e aconselha-me a voltar o mais rapidamente para a chegada.

Ainda fiz o posto 14 e 15, antes de encontrar os bombeiros que me desinfectam a ferida e fui para o hospital. No hospital dão-me os dois pontos (na perna) que não fiz na prova...

Foi este o meu percurso:


Espero estar pronto para a próxima prova, a 21 de Junho em Águeda!

quinta-feira, maio 21, 2009

A minha vida dava um filme do Roberto Benigni

2008, Março

Na altura tinha decidido deixar a empresa onde era sócio e estava activamente à procura de emprego.

Quinta-feira à noite. Cerca das 22:50, toca o telemóvel. Não é nada normal receber chamadas a essa hora (e não era o meu irmão).
- Boa noite! – ouve-se do outro lado – Rui Gonçalves?
- Sim! Boa noite – respondi.
- Daqui fala da empresa Leash, na sequência da sua candidatura à vaga de Versioning Engineer gostaríamos de agendar uma entrevista para a próxima terça-feira pelas 11:30. É possível?
Se havia coisa que eu tinha nessa altura era uma agenda simples e bastante disponibilidade.
- Sim! – respondi de novo.
- Fica então confirmado, terça-feira às 11:30 aqui nos nossos escritórios. – respondeu. Ao que se seguiu uma pequena explicação da localização dos escritórios e como lá chegar.

Quando desliguei o telemóvel fiquei a pensar que tipo de funcionário de uma empresa, como aquela (com algum prestígio), telefona a candidatos de emprego às 22:50 de uma quinta-feira, para marcar uma entrevista para a semana seguinte, para uma terça-feira. Será que não poderia telefonar na sexta-feira ou mesmo na segunda-feira da manhã? – pensei – É um teste! O tipo está a testar a disponibilidade das pessoas… - e fui dormir.

Segunda-feira à noite. Cerca das 21:50, toca o telemóvel. De novo um número desconhecido.
- Boa noite! – ouve-se do outro lado – Rui Gonçalves?
- Sim! Boa noite – respondi.
- Daqui fala da empresa Leash, na sequência da entrevista marcada para amanhã às 11:30 para a vaga de Versioning Engineer. Seria possível anteciparmos a entrevista em meia-hora?
- Sim! – respondi de novo.
- Fica então confirmado, a entrevista para as 11:00, amanhã, aqui nos nossos escritórios. – respondeu.

No dia seguinte lá fui para o Porto, de maneira a estar nos escritórios da empresa antes das 11:00. Cheguei bem cedo, estacionei, revi umas coisas sobre versionamento e aplicações de controlo de versões de software.
Às 10:50 estava a falar com a recepcionista, que me pediu para aguardar.
A empresa tinha mudado de instalações há muito pouco tempo e ainda se notava que as pessoas não estavam ambientadas ao seu novo local de trabalho. Havia algum reboliço nos corredores, pessoas sempre a entrar e sair, técnicos a instalar cabos e a fazerem furos.
A dada altura um jovem entrou e perguntou, a recepcionista, se podia entregar o seu currículo. E ela ficou com ele. A tipa era eficiente, mas muito bruta. Esteve um bocado a falar com a responsável da empresa de limpeza, a chamar a atenção para a conduta de uma sua funcionária.
E assim fui passando o tempo. Observando o normal funcionamento da empresa Leash, que me ia entrevistar e que poderia até ser o meu próximo local de trabalho.

Aguardei 45 minutos até que apareceu o entrevistador, já passavam 5 minutos da hora agendada (11:30) até à noite anterior. Às 11:45 estávamos prontos para a entrevista, eu, o tipo dos Recursos Humanos que me telefonou e dois engenheiros da empresa.
A sala era pequena, e foi preciso ir buscar mais umas cadeiras para nos podermos sentar todos. Penso que era o gabinete do tipo dos Recursos Humanos.
A entrevista seguiu os trâmites normais. Com a apresentação das pessoas e seguiu-se uma resenha da minha vida profissional e…. A dada altura abre-se a porta por detrás de mim (os outros três estavam de frente para mim e para a porta) e oiço uma voz feminina, algo exaltada e quase aos gritos:
- Oube lá! Roubaste-me a cadeira!

Não me lembro de muito mais da entrevista. Mas lembro-me de pensar "Como é que esta empresa tem o prestígio que tem e consegue ter os clientes que tem?" e ainda pensei pior quando me disseram que não faziam controlo de versões de software, num projecto com quase 100 colaboradores e que mexe com protecção dos dados pessoais. "Que desorganização..."

A partir desse momento devo ter enterrado a entrevista, porque nunca mais me disseram nada.

terça-feira, maio 19, 2009

Festival de Yoga 2009


Festival de Yoga
Aveiro, 26, 27 e 28 de Junho de 2009


Este ano o Festival de Yoga acontece a Cor de Laranja a 26, 27 e 28 de Junho na Costa Nova, em Aveiro.

Já está disponível toda a informação sobre o mesmo no site do Festival.

Esta que será a sua Quinta edição, terá:
- Dois dias e meio cheios de workshops de yoga e não só. Muito divertimento e descontracção.

- Instrutores de Kundalini e Hatha Yoga, de Portugal, Espanha e Inglaterra.
Uma excelente oportunidade para conhecer diferentes estilos e professores de Yoga que irão partilhar connosco a sua experiência pessoal de prática de Yoga.

- Actividades para crianças em paralelo com as actividades do Festival.
Incluem brincadeiras, actividades, acompanhamento constante e também yoga para crianças.

O Jardim de Lótus

- Serviço de refeições vegetarianas, desta vez incluídas no preço para potencializar o convívio entre os participantes.

- Começa já a sonhar com o TEU Festival de Yoga. Inscreve-te antes de 7 de Junho e usufrui do preço especial.

Tudo isto no Parque de Campismo da Costa Nova que é um pequeno paraíso tão perto e tão longe da cidade de Aveiro, inserido numa envolvente natural privilegiada entre a Ria e o Mar.

Mais informações aqui.

segunda-feira, maio 11, 2009

iQLês?

Burma Chronicles
Guy Delisle

Um estrangeiro na Birmânia (Mianmar). O país que se fechou ao mundo visto a partir de dentro por um canadiano casado com uma médica dos Médicos Sem Fronteiras destacada no país, com um filho bebé. Uma narrativa fluída e apaixonante com uns desenhos naïve quase a fazer lembrar Art Spiegelman.
Drawn & Quarterly, 2008









Shenzhen
Guy Delisle

Depois de ler o "Burma Chronicles" tinha que ler o que antes tinha feito o autor. Este é um registo de viagem da sua passagem pela China, como realizador de filmes de animação. O desenho é mais cru, mas também bastante interessante uma vez que vemos, pelos olhos de um ocidental, situações caricatas de uma aventura (quase como as Crónicas da Califórnia, mas ilustrado).








Exit Wounds
Rutu Modan

Uma história de um amor não correspondido num país em constante estado de emergência. Uma mulher que procura o seu amante desaparecido, num morto não identificado num atentado em Israel, na "esperança" de não ter sido rejeitada. Para isso procura o filho do amante, que não fala com o pai há anos, para tentar identificar o cadáver. Uma história muito interessante com desenhos simples e claros.
Drawn & Quarterly, 2008









A Tetralogia do Monstro
(O Sono do Monstro, 32 de Dezembro, Encontro em Paris e Quatro?)
Enki Bilal

Demorou a terminar a edição desta saga de Enki Bilal. Inicialmente anunciada como uma trilogia acabou por se tornar numa Tetralogia. Percebe-se a ideia dos quatro volumes, mas com tanto enredo não seria pior se fossem só três. Há partes da história que o autor se perde no meio do enredo. Mas mesmo assim é um verdadeiro universo Bilal.
Meribérica/Liber, 1999 - Asa, 2009







quarta-feira, maio 06, 2009

O mais das viagens...

Depois de uma conversa resolvi ver quais os pontos mais extremos, em termos de latitude e longitude, onde já estive.

Assim, sem contar com viagens de avião, onde já terei passado muito perto do Pólo Norte algumas vezes, os locais mais extremos onde já assentei os pés são:

Norte

Kristiinankaupunki, Finlândia N 62° 16.858'
Edinburgh, Escócia, N 55° 59.411'
Amsterdão, Holanda, N 52° 22.677'

Sul

Maputo, Moçambique S 25° 59.012'
Porto Alegre, S. Tomé, S 0° 2.148'

Oeste

Humboldt, CA, USA W 123° 50.244'
Poynt Reyes, CA, USA W 123° 1.421'

Leste

Noberibetsu-Onsen, Japão E 141° 5.598'
Tokyo, Japão, E 139° 45.558'

Ou seja, já percorri 88º 65,870' de Norte a Sul, e 264º 55,842 de Oeste a Leste.
Portanto, faltam-me ainda quase 100º de Latitude e quase os mesmos de Longitude.

A estes adicionei o sítio mais alto e o mais baixo em que já estive (sem contar com os aviões, novamente).

Mais alto

Perto do Mount Whitney, CA, USA, a cerca de 3000m de altitude

Mais baixo

Badwater, Death Valley National Park, CA, USA, 86m a baixo do nível do mar.

Curiosamente estive nestes dois sítios no espaço de poucas horas, pois distam um do outro apenas 122 km (o suficiente para quase ficar sem gasolina).

Mas aqui ainda me faltam subir uns 5800m para chegar ao ponto mais alto da Terra (Everest, Nepal-Tibet, 8848m) e descer uns 330m para chegar ao ponto mais baixo da Terra (Mar Morto, Israel, -418m).

Ah! E em termos de temperatura?

Temperatura Mais Alta

Death Valley, CA, USA, uns 47º

Temperatura Mais Baixa

Budapeste, Hungria, uns -7º

Referência: Lista de extremos da Terra.

quinta-feira, abril 30, 2009

Fotografias de Heidelberg


Heidelberger Schloss - O Castelo de Heidelberg



Vista lá de cima do Castelo



Mesmo em frente ao Hotel



Alten Brücke - A Ponte Velha



Mesmo ao lado da cervejaria Vetter
(reparem nas mantas nas cadeiras)




Heiliggeistkirche - Igreja do Espírito Santo

segunda-feira, abril 13, 2009

Geocaching

Desde que comprei o meu GPS (Garmin eTrex Vista HCx) que andava com alguma vontade de lhe dar algum uso mais que encontrar uns caminhos numas estradas. Comprei-o para fazer umas caminhadas, descarregar uns percursos e encontrar uns lugares que não encontraria de outra maneira. Há uns tempos que estava curioso em saber como funcionava esta coisa que encontrei no menu, e que se chamava de Geocaching.

Rumámos ao Alentejo para passar o fim-de-semana prolongado de Páscoa. Íamos ficar em Montemor-o-Novo na casa da Rita. Ela, que também já sabia, por alto, desta coisa do Geocaching, e com quem já tinha discutido essa minha vontade, disse-me uns dias antes "Traz o GPS".

Assim, antes de sair de Aveiro, carreguei no GPS as coordenadas de uma cache em Montemor-o-Novo, uns 800 metros de casa dela. Li, mais ou menos, a explicação e levei a ideia de fazer essa cache durante o fim-de-semana. Só para ver como era...

Chegámos a Montemor quase às 4h da tarde e o Baltasar estava a dormir. Não era tarde e nem era cedo! Rumámos à Nossa Senhora da Visitação, à procura da cache "GC1EE8V - Religião - Projecto Alentejo". De GPS em punho em frente à Ermida lá andámos nós para trás e para diante à procura de algo que se assemelhasse a uma caixa Tupperware com prendinhas e um bloco de notas onde pudéssemos escrever o nosso nome a provar que lá tínhamos estado.

E encontrámos… A nossa primeira cache!!!

Fomos a casa descarregámos (de http://www.geocaching.com) mais duas coordenadas e passámos o resto da tarde à procura dos "tesouros" em aldeias abandonadas e igrejas em ruínas. Sexta-feira fizemos mais 5 caches que nos levaram a um castelo abandonado, a um marco geodésico com uma vista fantástica e alguns monumentos perdidos no meio da planície alentejana. E não éramos os únicos, porque havia um grupo de 7 ou 8 pessoas em dois carros a fazer as mesmas caches que nós. No final do dia, ainda procurámos uma cache no Templo de Diana, em Évora, mas nada fizemos para além de figura de parvos a olhar para uma árvore em pleno dia no centro da cidade. E então acabámos a comer caracóis junto à Capela dos Ossos (onde também existe uma cache).

No total, e em todo o fim-de-semana fizemos 10 caches, a última das quais uma multi-cache (uma sequência de localizações onde são dadas pistas para a próxima localização com códigos e jogos) muito engraçada que nos fez percorrer a povoação de Graça do Divor e algumas dos seus monumentos. Tudo muito discreto para não levantar suspeitas sobre as caches e não serem destruídas por muggles (aqueles que não estão a par do "jogo").

Resultado: já combinámos encontrarmo-nos no fim-de-semana de 1 de Maio em S. Pedro de Muel para mais um fim-de-semana de geocaching. E já estamos a ver onde vamos colocar a nossa primeira cache... E a Rita vai trazer uma geocoin para deixarmos em S. Pedro... Ou em Aveiro!

quarta-feira, abril 08, 2009

Inovar

Sexta-feira, num jantar (The Star Trackers Linked In Aveiro) organizado por mim e pelo João Oliveira, tive o prazer de conviver, falar e ouvir o Eng. Carlos Martins, CEO da Martifer.



Trabalho há quase 15 anos em empresas tecnológicas. Empresas inovadoras em termos tecnológicos, que muitas vezes estão na fronteira daquilo que de mais inovador se faz na sua área de actuação. Porém, raras são as vezes em que vejo uma dessas empresas inovar na sua maneira de actuar, na sua maneira de estar no mercado ou internacionalizar-se. Na maioria das vezes vejo empresas em que não há planos, não se analisam os riscos e nunca se revêem procedimentos. Trabalha-se como se trabalhava há 15 ou 20 anos.

Foi com prazer que ouvi o Eng. Carlos Martins a falar de como a Martifer se internacionalizou, tomando a opção de arriscar e avançar para a compra de uma empresa alemã de geradores eólicos porque não queria ficar entalado na cadeia de valor do negócio. Sem a tecnologia e sem o produto final, a Martifer via-se encaixada entre as empresas produtoras de geradores e as empresas gestoras dos parques eólicos, apenas produzindo as estruturas das turbinas eólicas (pás e pés).

Quando olho à volta e vejo nas ditas empresas tecnológicas o medo de se internacionalizar e o comodismo de ficarem encaixadas entre quem especifica a tecnologia (e faz a investigação) e aqueles que comercializam o produto, vejo qual será o nosso futuro. Há raras excepções, mas vem-me sempre à memória alguns empresários que conheço e que não se internacionalizam-se porque dizem não saber inglês ou não fazem planos porque não vêem o retorno disso.

Numa procura rápida no The StarTracker encontro 88 empregados da Martifer em 13 países. Na entrevista do irmão do Eng. Carlos Martins - Jorge Martins, vice-CEO da Martifer - no Diário de Aveiro da semana passada dizia que estavam presentes em 20 países e que não eram uma empresa de Oliveira de Frades que viva para Oliveira de Frades, nem tão pouco uma empresa de Viseu que viva para Viseu. O Eng. Carlos Martins frisou o mesmo, hoje o nosso mercado interno é a Europa. E ainda há quem pense apenas em Aveiro como o seu mercado.

Sei que se pode fazer mais… E não temos que ser tecnologicamente inovadores, mas inovar na maneira de pensar. Pensar diferente, para fazer diferente... Melhor!

segunda-feira, abril 06, 2009

A minha vida dava um filme do Tim Burton

Comprei o bilhete. Comprei uma garrafa de água e subi para a rampa.

Um tipo de chapéu, e um saco maior que ele, fuma o seu cigarro antes de entrar. Dirijo-me para a carruagem da frente.

Ao meu lado um tipo, sozinho, rindo-se, comenta qualquer coisa acerca de o Intercidades também parar ali. Olho para o homem. Cabelo comprido como já não se usa desde que os UHF deixaram a Rua do Carmo. Olhar vidrado, a fumar e com ar de quem não sabe muito bem porque ali está. Nos seus quarenta, algo alienado, o homem abana a cabeça enquanto lê o aviso da chegada do Intercidades.

Entro no comboio. Sento-me, ponho os auscultadores e oiço Gary Marx.

O homem vem também para o comboio. Abre a porta da cabine do condutor. E entra!

E arrancamos...

(sábado, 4 de Março de 2009, estação de Aveiro)

sexta-feira, março 20, 2009

Vetter 33

Afinal a tal cerveja que tinha 33% de álcool... Bem, não são 33% de álcool, mas sim 33% de densidade. A cerveja tem "apenas" 11 a 13 graus de álcool.

Mas mesmo assim foi um recorde mundial e constou do Guinness Book of World Records (1994) como a cerveja mais "forte" do mundo, com 33% de malte no seu peso e 37,91% do seu volume.

Para quem faz cerveja, a densidade é um conceito normal, mas se calhar não o é para um normal consumidor. Assim, quando se está a fazer uma cerveja vai-se medindo a densidade da cerveja conforme ela vai fermentando com um densímetro. É um tubo, semelhante a termómetro, que tem um peso numa ponta e bóia na cerveja. Quando os açúcares dos cereais (ou aditivos) são transformados em álcool e dióxido de carbono (passam de sólido a líquido e gasoso) a densidade da cerveja vai baixando e o densímetro vai se afundando na cerveja. Quando o nível do densímetro estabiliza e não há sinais de fermentação (borbulhar) a cerveja está pronta a ser engarrafada.
Se pensarmos que quando estamos a beber uma cerveja Super Bock cerca de 80% do que estamos a beber é água, 6% é álcool e os restantes 4% é sólido (malte) podemos ver que a consistência desta Vetter 33 é 8 vezes superior. Um verdadeiro almoço!

Neste momento já existem cervejas com 64% de densidade.

Ah! E acima dos 16 graus de álcool já não há qualquer tipo de fermentação, por isso nenhuma bebida fermentada consegue chegar acima dos 16 graus (embora já li que em laboratório já se conseguiu os 20 graus). As bebidas com mais de 16 graus são destiladas (ex: aguardente, whiskie, etc) ou tem álcool adicionado (ex: vinho do porto, xerez, etc).

Antes de acabar, perceberam agora porque é que quando bebemos uma cerveja temos vontade de urinar? Com 80% de água é mais que normal. Mas se calhar não perceberam é porque é que com tanta água nos sentimos desidratados quando bebemos muita cerveja (aquela sensação de que andámos a lamber papel mata-borrão e a urina muito amarela). Pois bem, o nosso fígado para decompor o álcool precisa de muita água e por isso quanto mais álcool ingerimos ou absorvermos mais desidratados ficamos. E como já deitámos muita fora durante a noite (nas milhentas idas ao quarto-de-banho)...

Mas o importante é que levo comigo 1l de Vetter 33!

"The Brauhaus Vetter brewpub in Heidelberg produces Vetter 33 (it's original gravity is 33 Plato), a cloudy amber beer with a concentrated malt nose, huge and very rich clean malt flavor, high alcohol (11 percent by volume) and a very long sweet malt aftertaste." in The Best Beers of Germany

Esqui vs Praia

Naquilo que chamei de “jantar com italianos”, a dada altura um alemão (afinal não eram só italianos, mas na verdade à minha volta tinha muitos) perguntou-me como estava o tempo em Portugal. Eu contei-lhe que tinham estado 24 graus e que no dia anterior quando tinha telefonado à minha mulher, ela estava na praia a brincar com o meu filho. Ele pôs as mãos na cabeça e olhou com um olhar de inveja ao mesmo tempo que dizia "24 graus?".

Mas eu disse-lhe que não era muito normal, nesta altura do ano. E de seguida perguntei-lhe se ele gostava de esqui. Ao que me respondeu que provavelmente este seria o primeiro inverno, desde que se lembra, que não ia esquiar. Eu disse-lhe que gostava muito de esqui, mas que com 24 graus não se consegue esquiar.

Os Alpes estão a 2h daqui e nós, de Portugal, para chegarmos aos Pirenéus demoramos umas 10h, de carro. Por outro lado, eles, daqui, para chegarem ao Mediterrâneo provavelmente gastam o mesmo tempo, para irem à praia.

No fundo, eu desejo aquilo que me está longe e ele o que lhe está longe, mas aquilo que temos perto também o valorizamos. Para ele o esqui e para mim a praia são coisas normais, o contrário são desejos.

Resultado: venha mais uma weissbier!

E mais umas palavras de alemão: frau, fraulein, das, boot, haus, auf wiedersehen, tschüss, mit, der, kommissar, himmel, berliner, weiss, schwartz, luftballons, minuten, doraden und bockwurst.

quinta-feira, março 19, 2009

Ein bier, bitte...

Ontem fui ao Castelo de Heidelberg e acabei a jantar com um grupo de italianos (a maioria) de um projecto Europeu chamado Napa Wine (fiquei sem perceber o que é que um projecto Europeu tem a ver com o vinho dos Estados Unidos).

Saí cedo, pois estava mentalmente cansado depois de várias reuniões, algumas discussões (pacíficas), muito estudo e algumas horas de sono acumuladas. Liguei o GPS e coloquei a referência do Castelo e calmamente segui as indicações do GPS. Claro que o GPS não tem em conta coisas como a beleza do caminho e sempre que gostava das vistas de uma outra rua, que não indicada pelo aparelho, desviava-me do percurso traçado e baralhava o tipo. Estava só a testar o brinquedo.

A verdade é que quando cheguei lá acima, mentalmente estava melhor, mas ofegava mais que um asmático numa florista. O Vítor tinha-me avisado que cobravam entrada no Castelo, mas que depois das 18h podia entrar sem pagar. Cheguei à porta do Castelo às 17:45 e entrei como se fosse dono do mesmo. E ainda consegui entrar nas caves atrás de uns visitantes, e ver o grande barril (nada que nas caves do vinho do porto não se tenha ideia), e acabei por ser seguido (eles vinham atrás de mim) por uma visita guiada em inglês o que me fez perceber algumas coisas sobre o castelo.

Pelos vistos os franceses em 1688 tentaram rebentar com aquilo, mas acontece que o muro chega a ter 30 metros de espessura e não conseguiram levar avante a sua pretensão. Mas a torre das munições está completamente desfeita com uma das paredes completamente caída no fosso. Não que o resto do castelo esteja melhor, porque no fundo aquilo são apenas ruínas, mas sempre se consegue apreciar a vista da varanda.
Depois desci os 300 e tal degraus até ao centro de Heidelberg. Só dei conta que estavam numerados quando já ia no 179, até ao primeiro, pelo que não sei em que número começou (e não penso voltar lá para ver).

Depois fui beber uma weissbier a um café qualquer, mas antes comi uma bola de Berlim (berliner qq coisa, por aqui) para ver as diferenças e fiquei agradavelmente surpreso que o creme no interior não é aquela coisa amarela esquisita que se põe em Portugal, mas sim uma espécie de geleia de mirtilos (naquele caso). Até soube bem a primeira dentada, mas depois começou a enjoar de tão doce, mas em Portugal eu costumo tirar o creme das bolas de Berlim.

Quando cheguei ao café para beber a weissbier, como é costumo pergunto se falam inglês. E a rapariga muito simpaticamente disse que sim, e perguntou o que é que eu queria beber. E eu estupidamente (ou distraído) pedi uma cerveja. Pois! O mesmo erro que pedir um whiskie na Escócia ou uma tequilla no México… Uma cerveja? Qual delas?

O Jantar com os italianos foi porreiro, pois o professor da universidade de Trento que estava à minha frente acabou por incluir a minha parte na conta deles e eu só tive que pagar a cerveja ("Grazie Tanto"), que por sinal era feita no próprio restaurante. Ainda lá vou hoje buscar um litro de cerveja com 33% de álcool que eles lá fazem e vendem para fora. Acho que é um recorde mundial...

E, para acabar, afinal sei mais palavras de alemão, como nicht, mein, liebe (obrigado Mestre), achtung, ja, nein, für, was, tee, kaffee, schokoladen (obrigado Susana), sem contar com as normais telefunken, bayer, bayern ou siemens.

quarta-feira, março 18, 2009

Heidelberg in the spring

Estou na Alemanha desde segunda-feira. Em Heidelberg, no estado de Baden-Württemberg (um nome muito giro, por sinal, mas que tem a mesma população que Portugal inteiro num terço do nosso território) algures no sudoeste alemão, relativamente perto da França (Alsácia).

Sempre achei o alemão uma língua agressiva e rude. Não sei se será porque associamos sempre o alemão aos vilões dos filmes de guerra ou porque soa mesmo a algo bastante agressivo e rude. Mas foi sempre uma língua que eu gostava de aprender, porque se não os posso entender é sinal que eles me podem fazer mal sem eu saber. E não gosto que falem mal de mim!

Sei pouco de alemão. Talvez menos de 25 palavras (ex: fuhrer, strasse, platz, schwein, wein, bier, bitte, scheisse, ein, zwei, drei, vier, fünf, sechs, sieben, acht, neun, zehn, gross, herr, ich bin getrunken und deutschland über alles). Sempre achei que seria impossível aprender a falar alemão, devido à forma como aglutinam as palavras e porque parece uma língua complicada. Mas agora sei que seria capaz de o aprender, pois conheci dois italianos e um português que a aprenderam. Afinal existem vários estrangeiros que aprenderam a língua e isso traz-me esperança.
Mas voltemos a Heidelberg. É uma cidade muito gira cheia de recantos românticos e um castelo meio destruído. Tem uma enorme catedral cuja fachada está quase colada a umas casas numas ruas estreitas da parte velha, mas cuja traseira dá para uma praça de nome Marktplatz (não é onde é o Media markt, não). E uma ponte velha semelhante à de Praga.

Existem muitos americanos, pois depois da 2ª Guerra Mundial criaram aqui perto uma base bastante importante. Ouvem-se muitos americanos nas ruas. Além disso, Heidelberg tem a mais antiga universidade da Alemanha e uma das mais conceituadas, por isso é normal que hajam por aqui bastantes unidades de investigação e bastantes estrangeiros. E é por essa razão que cá estou, pois a empresa onde trabalho tem aqui um laboratório de investigação que tem estado a colaborar com a unidade em Portugal, e eu vim aqui uma semana para estudar com três investigadores (dois italianos e um alemão) numas novas funcionalidades a implementar no produto em que actualmente trabalho.

Ontem saí com um português – Vítor - que vive aqui e fui comer um Schnitzel Wiener Art (não passa de um bife panado com um molho esquisito e batatas fritas) com uma Weissbier (cerveja de trigo, mas o nome significa cerveja branca). Hoje vou ser penetra num jantar aqui do pessoal do laboratório, que me querem mostrar comida alemã. Espero que não seja Schnitzel!

Depois de jantar fomos a um bar beber outra Weissbier e quando fui à casa-de-banho fiquei a saber que por aqui não há muito sexo, porque a máquina dos preservativos ainda tem os preços em marcos.

Bem… Depois mostro as fotos! E conto mais qualquer coisinha sobre Heidelberg.

quarta-feira, março 11, 2009

Palhaça - Na Câmara Frigorífica

Olegário Alho Lança acompanhava a Dra. Sofalina Dinarte, responsável da empresa de Higiene e Segurança no Trabalho, enquanto esta fazia medições de luz e temperatura em todas as instalações.
Chegados à zona frigorífica de armazenamento da carne de porco, Olegário Alho Lança dirigiu-se à Dra. Sofalina Dinarte e disse:

- Vamos então aqui medir a humidade?

E entraram para a câmara frigorífica!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Boas Festas e Feliz Ano Novo



P.S.: Como tem sido normal, de há uns anos para cá, não respondo a mensagens SMS. Mas desde já agradeço a quem as enviar.