quinta-feira, julho 29, 2004

Casa dos Leitões

Estava aqui a limpar o meu disco e encontrei isto que há muito fiquei de vos enviar. Refere-se ao melhor leitão dos arredores de Aveiro e embora muita da mística do sítio tenha sido perdida com a remodelação da casa, o Leitão continua a ser excelente, como sempre foi.

Casa dos Leitões em Angeja


Via IP5
Aveiro - direcção Viseu. Sair para Angeja. Virar à esquerda para Angeja (à direita fica o sinal "A-seitasse Intulho"). Atravessar Angeja. Pouco depois da Igreja virar à esquerda em direcção a Aveiro (tem uma placa a dizer "Aveiro"). Quando chegar à rotunda, do lado esquerdo está a Casa dos Leitões e do lado direito está o centro de recepção da AMRia.

Via 109
Aveiro - seguir em direcção a Cacia. Atravessar Cacia. Depois da ponte sobre o Vouga virar à direita para Angeja. Quando chegar à rotunda, em frente está a Casa dos Leitões e do lado esquerdo está o centro de recepção da AMRia.

Atendendo à especificidade da comida e do local convém marcar com antecedência. O número é o 234 911 259 e peçam para falar com Sr. Agostinho.

terça-feira, julho 27, 2004

Maior que eu mesmo

Hoje senti-me magnânimo, magnífico, magnificente, grandioso, grande, imponente, majestoso. Senti-me maior que eu mesmo. Capaz de conseguir tudo. Chegar a todo o lado. E não estar em lado nenhum.

Senti que estava onde não estava, estando presente mas ausente. Senti que saí de mim e expandi as fronteiras do meu ser. Senti-me a viajar sem nunca sair do sítio.

Senti-me feliz como há muito não me sentia.

Hoje numa aula de yoga na praia da Costa Nova, numa meditação olhando o mar de olhos fechados e sentindo o vento fresco do princípio da noite no corpo seminu.

No final uma amiga perguntou-me se não me tinha sentido extraordinariamente bem, pois ela viu a minha aura em volta do meu rosto.

Ciclistas na Freita

Antes de partir na Senhora da Laje


Sábado, 24 de Julho de 2004
Senhora da Laje, Merujal.
Da esquerda para a direita: Anésio, Nuno Barbosa, Zé Manel, Armando, João Oom, Eu, Carneiro, PP, Toninho, Miki e Pedro Nuno.

segunda-feira, julho 26, 2004

Azar, inconsciência, desleixo ou muita sorte?

Por vezes é tão ténue a linha que separa o azar de uma sorte tremenda. E às vezes é tão pouco distante a fronteira que separa um momento feliz de um tremendamente desagradável.

Este fim-de-semana, o tal fim-de-semana em que ia com uns amigos andar para a Serra da Freita, vi-o por diversas vezes e na verdade acho que tive mais-sorte-que-juízo e não tive a clareza de espírito para saber destinguir um mau momento de um fim-de-semana em que tudo correu mal.

Na verdade é que fiz bastante para que tudo resultasse e tudo correu da pior maneira possível. Para a maioria nem foi assim, mas para mim e para a Cláudia foi decididamente um fim-de-semana para esquecer. Aliás esquecer era o objectivo do próprio fim-de-semana, pois queríamos estar no seio do nosso grupo de amigos, fazer o que gostamos de modo a esquecer os maus momentos que ultimamente teimam em povoar a nossa vida. Porém foi precisamente o contrário o que aconteceu. Se havia alguma coisa que poderia correr mal, essa situação aconteceu.

No sábado [24 de Julho de 2004] estava um calor tremendo, mas mesmo assim fomos andar de bicicleta. Eu fui ficando para trás a acompanhar os mais lentos, que nem sequer chegaram ao fim, mas foi o bastante para perder o meu ritmo e ficar completamente estoirado. A meio da volta caí, com tal violência, que foi muita sorte não me ter magoado mais. Tenho um tendão na perna direita que me dói, penso que devido à tensão dos pedais no momento da queda. E a perna esquerda está bastante mal tratada por ter sido a primeira parte do corpo a tocar o solo, amparar a queda e a travar-me. Em cima de pedras. A bicicleta ficou (mais uma vez) com o drop-out torto, mas mesmo assim ainda aguentou mais uma dúzia de quilómetros. Foi uma sorte não ter sido pior. Foi um azar ter caído? Ou foi desleixo ou inconsciência?

No domingo [25 de Julho de 2004] a sequência de eventos levam-me a pensar que se calhar tenho que ir à bruxa. Talvez seja a nossa percepção negativista dos eventos, que visto à luz dos últimos azares, parecem apenas mostrar que existe um padrão negativo que comanda a nossa vida. Começo a ter medo de estar com outras pessoas, pois parece que isso faz com que os que me rodeiam sofram da mesma maleita.

Foi muito mau. Talvez para os demais não tenha sido, mas para nós foi. Desde metermo-nos por estradas de terra, com 30º lá fora e à procura de um banho num rio que parecia não existir. Uma estrada infindável e becos sem saída com muros de cada lado, que me fizeram partir umas luzes traseiras do jipe numa marcha-a-trás mal controlada.

Mas o pior foi quando, para tentar apanhar uns amigos que se enganaram, fiz uma subida íngreme a puxar pelo jipe e este, por avaria da ventoinha de refrigeração do radiador, entrou em sobreaquecimento. Quando vi o ponteiro da temperatura do motor, o mundo desabou à minha volta. O motor deixou de funcionar e o capot deitava fumo por todo o lado. Esperámos o pior.

Ficámos ali parados numa estrada, no fim do mundo, à espera que arrefecesse. Felizmente tínhamos um garrafão de água no jipe. Não para apagar um eventual fogo no carro, porque temos extintor (embora comece a pensar que ele não iria funcionar), mas porque conseguimos baixar a temperatura do motor. O motor trabalhou e fizemos o resto da subida parando quantas vezes fosse preciso para esperar que o motor voltasse à temperatura normal.

Telefonámos aos 20 amigos que ficaram a almoçar em Covas do Monte, para os avisar do sucedido e voltámos a Aveiro com o coração nas mãos e um nó na garganta. Fomos tentando reagir como melhor sabíamos, mas é difícil ser-se forte quando sucessivamente somos maltratados pela vida.

Na verdade até que ponto o problema não foi gerado por nós ao não levarmos o jipe à revisão e por isso não se ter dado conta da avaria da ventoinha de refrigeração do radiador? Se calhar fomos inconscientes. Foi azar? Ou foi muita sorte o carro não ter queimado a cabeça do motor, ter colado os pistões e neste momento estar a caminho do ferro-velho? Se calhar no azar tivemos sorte (saberei na quarta quando for à revisão).

Quando chegámos a Aveiro fomos para a praia. Já estávamos mais confiantes, mas quando mergulhámos no mar... Fomos puxados pela corrente e estava a ver que de novo estávamos numa situação má! Felizmente uma onda varreu-nos o azar e levou-nos até à praia.

O dia acabou bem! Acabou com umas sardinhas numa esplanada de um restaurante na Costa Nova. Tivemos sorte em ainda servirem àquela hora e tivemos sorte porque as sardinhas estavam óptimas.

Há esperança!

terça-feira, julho 20, 2004

O homem a quem parece que aconteceu não sei quê!

Meu amigo, isto o que aconteceu foi muito simples, meu amigo.
O que aconteceu, é que eu chego aqui e sou logo confrontado com certas e determinadas situações. Ahm?
E eu digo "Atão, mas como é que é?" e os gajos "Ah! E tal!". E eu "Ah! E tal, não! Ah! E tal, não!"
Atão eu venho lá de baixo e dizem-me que não sei quê, chego cá acima afinal parece que não. Em qué que ficamos?
E os gajos "Ah! Não sei que mais e o camandro!" E eu "Maaau! Queres ver que a gente tem que se chatear!"
Porque isto não pode ser, eu sou um gajo que 'tá aqui a trabalhar. Eu quero trabalhar. Ahm? E dizem-me, como eu aqui oubi, dizem-me "Ah! Não sei quê!" Mas, qué isto? Qué isto?
Isto não se faz. Porque sou um gajo que dou-me bem com toda a gente. Sim senhor! Dou-me bem! Por mim 'tá tudo bem! E fazem-me isto!
E há gajos que andam praí e fazem trinta por uma linha e depois passa tudo incólume. Qué coisa que não percebo.
É que eu assim deixo de bir aqui, vou fazer a minha bida para outros sítios. Sítios onde inclusivamente malta me diz "Eh! Pá! E tal! Sim senhor!"
E é para lá que eu bou. Deixo de bir aqui. Pá! Ahm?
Porque quando eu vejo que há aí palhaços, pá, que falam, falam, falam, falam, falam, falam, pá, e não os bejo a fazer nada, pá, fico chateado. Com certeza que fico chateado, pá!
'Tá a perceber?
Tss! Eh!

de Gato Fedorento.

Se ainda não viram esperem, pois um dia irá parar à vossa caixa do correio.

segunda-feira, julho 19, 2004

Fim-de-semana

Este fim-de-semana [24 e 25 de Julho de 2004] todos os caminhos vão dar à Serra da Freita. Os meus e de mais uma série de maluquinhos que tiraram o fim-de-semana para se aventurarem numa volta de BTT na Serra da Freita.

Vem gente de todo o lado, desde Arcos de Valdevez até Lisboa (estiveram para vir do Alentejo) e de Espinho a Aveiro. É a maior concentração na Serra da Arada deste género desde que há memória na cabeça das pessoas que lá vão estar. E vão estar mais de 20.

A ideia surgiu da fervilhante cabeça de Anésio, um rapaz sempre pronto para dar cabo do corpinho. A ideia era juntar uma meia-dúzia de pessoas para dar uma volta de BTT e acampar no meio do mato (Sim! Selvagem!). Isto saído da cabeça de um tipo que o mais próximo que teve de acampar foi aquela vez que se perdeu com o Carneiro em Monfortinho e esteve para dormir num carro abandonado (felizmente foi salvo pela polícia espanhola) ou daquela vez que se perdeu no Gerês com a Geni e esteve para dormir num abrigo de pastores (felizmente foi salvo pela GNR e o Carneiro).

A ideia começou a crescer e juntando o útil ao agradável decidiu se estender a aventura a quem não quer ou não pode andar de BTT. Assim de repente, arranjou-se uma solução mais cómoda que acampar no meio do mato e optou-se por marcar a noite no Parque de Campismo da Fraguinha (de que já vos falei há umas semanas). E de repente estamos 21 pessoas, mais de metade para andar de BTT.

Freita-Arada

A volta começa, no sábado [24 de Julho de 2004] na Sra. da Lage, quem chega a Merujal, vindo de Chão de Ave em direcção à Frecha da Mizarela, na Serra da Freita. Alguns 25 ou 30 quilómetros depois, passando por Adaufe, Tebilhão, Cabreiros e Minas das Chãs, e depois de algumas horas em cima da bicicleta a levar porrada do terreno agreste da serra, chegamos à Fraguinha onde nos espera uma churrascada com carne arouquesa. (Ver percurso a verde na figura em cima.)

No dia seguinte [domingo, 25 de Julho de 2004] a ideia é fazer uma pequena caminhada para queimar o ácido lácteo das pernas e ir almoçar à Escola Primária de Covas do Monte, que foi transformada em restaurante pela Associação dos Amigos da aldeia. Ainda não está confirmado, mas espera-se um belo cabrito.

Ainda há tempo para visitar Drave e a Aldeia da Pena, por onde possivelmente os demais foliões (detesto esta palavra, soa a bêbados), que não andaram de bicicleta, já terão passado no sábado. E para voltar passa-se o Portal do Inferno!

Eu depois conto-vos como foi.

(Eu disse que quem não levar câmara-de-ar e furar pode me comprar uma. A primeira custa 20,00€ e a segunda 50,00€. Elas custaram-me 3,50€ este fim-de-semana. Espero não as ter que gastar todas eu mesmo.)

Palhaça: "É da Vodafone"

O telefone toca, na SEC, no escritório do Sr. Joel Fagundes – o director.
- Sr. Joel, é da Vodafone. – diz a telefonista.
- Ok! Prauntus, pode passar!
- Estou sim? Boa tarde, gostaria de falar com o Sr. Director da SEC, se faz favor!
- SIM! SOU EU MESMO! - grita Joel Fagundes para o alta-voz do seu telefone fixo de secretária - Que quer?
- Exmo Sr., daqui fala da Vodafone e desejávamos falar com V. Exa. no sentido de lhe propor um contrato empresarial para a rede móvel da sua empresa.
- CUMO DIZ?
- Gostaríamos de saber se a empresa que dirige está interessada em celebrar um contrato para a rede de telefones móvel com a Vodafone. - repete a pobre vendedora do outro lado da linha.
- Oooh, miinha senhoora! Eu não estou interessado em nenhum contrato com a Bodafone!
- Gostaríamos de lhe...
- Oh! Minha senhora, já lhe disse que não estou interessado em nada da Bodafone. Aqui só há rede da TWA!

I got e-mail...

Gmail

Já algum tempo que tenho, mas nem tenho usado muito, mas quem quiser um que me diga para ruigo.net@gmail.com.

É o mail da moda com 1Gb (sim! UM giga) de espaço. A filosofia é nunca apagar e-mails.

Nunca a pagar!

domingo, julho 18, 2004

As minhas férias, este ano!

O que se ganha em ir para o Algarve de férias? O que se ganha em ir para a Rep. Dominicana, Cuba, Brasil, Cabo Verde ou S. Tomé e não se sair do resort? Para quê gastar uma soma de dinheiro, por vezes, tão grande na procura de uns momentos de paz e em plena fuga do nosso quotidiano quando depois somos prendados com apenas sol, água do mar e luxos que não vamos poder sustentar no resto do ano? Eu compreendo que as férias se desejam como sendo uma quebra com a normal rotina, mas valerá a pena sacrificar o resto do ano em prol de umas (por vezes apenas uma) semanas de luxo? Ou será que não podemos usufruir de sol e praia mais tempo durante o ano, quando somos um país com tanta costa e tanto sol?

Chateau Rochers-Sevigne

Por sinal, eu e a Cláudia, temos tido o hábito, nos últimos anos, de fugir ao calor no Verão e fugir ao frio no Inverno. Por isso fomos à Finlândia em Agosto de 2001, França, Bélgica e Holanda em Agosto de 2002, Pirinéus em Agosto de 2003. Porém também fomos a Ibiza em Junho de 2001 e Barcelona em Agosto de 2003, à procura de calor. E também fomos na passagem de ano de 2002 a S. Tomé à procura de calor. Afinal o padrão tem falhas.

Um barco a flutuar em Ibiza

Para mim ir de férias é realmente quebrar com o quotidiano. Mas para quebrar o quotidiano existem mais 48 fins-de-semana durante o ano. E nesses é possível apanhar muito sol e fazer muita praia. Prova disso é este ano, em que já fiz mais praia do que nos anos anteriores e sem sair de Aveiro (é bom viver perto do mar, nesta altura do ano).

Para mim férias não é fechar-me num resort e tentar esquecer que tenho uma vida miserável o resto do ano. Para mim férias é embeber-me numa cultura estranha e ser obrigado a esquecer-me que a minha vida não é perfeita o resto do ano. Fechar-me num resort apenas iria potenciar o facto de que me estava a querer enganar e voltar iria ser muito mais doloroso. Se me "cansar" nas férias provavelmente venho, de volta ao trabalho, muito mais satisfeito e cheio de ideias novas.

Pescar ao Pôr-do-Sol em Kolovesi

Mas, não escondo que gosto d'"il dolce far niente". Quem não gosta? Mas isso tem que ser compensado com experiências novas, que não existem no Algarve ou num resort paradisíaco onde a cultura local é moldada em função dos gostos dos turistas. Acho que podia ir para uma ilha deserta, não fazer nada durante uma semana. Mas isso só por si era uma experiência, que não sendo cultural, era de certeza uma grande experiência pessoal. Como naquele vez que passámos apenas um dia e meio isolados do mundo, no Parque Natural Kolovesi na Finlândia, onde remámos algumas horas para acampar longe. Quando retornamos à civilização a ânsia de falar com alguém fez com que conseguíssemos comunicar com uns alemães, metade em alemão, e falar sobre o Rali dos Mil Lagos, do qual nada percebíamos.

Acho que, nós portugueses, estamos a ficar muito como os americanos, que como não têm férias quase nenhumas, quando têm uns dias de folga estoiram somas avultadas de dinheiro para esquecerem que são uns desgraçados. Ou como os ingleses que como têm um tempo desgraçado voam para um dado lugar, onde só há ingleses, para gozar uns dias de sol, mas embebidos na cultura de casa. Ou sejam saem de casa, mas ficam em casa. Não é assim na Rep. Dominicana, Brasil, Cuba, Cabo Verde ou S. Tomé para a maioria dos portugueses?

Guerreiros de La Pedrera

Podíamos ser como os holandeses que à primeira oportunidade fogem do seu país (embora nós não tenhamos tantas razões como eles para o fazer) e estão em toda a parte do mundo a conversar na língua local, a comer a comida local e a "ser" um local.

Um sorriso de S. Tomé

Mas, voltando às nossas férias, este ano por razões que me são alheias ainda não sei quando e para onde vamos. Mas o Algarve, Rep. Dominicana e Cabo Verde está fora das nossas ideias. S. Tomé podia ser, mas não me gosto de repetir, porque o mundo é demasiado grande para o pouco tempo que cá andamos para o explorar e viver. Cuba é um destino há muito sonhado, porque permite (como todos os outros se houver vontade) a embeber-se numa cultura alheia e ao mesmo tempo desfrutar o não-fazer-nada. Mas está caro...

A última ideia é voar até Veneza, onde temos um amigo que nos dá guarida - o Luca - e daí, via Trieste, passar à Eslovénia e fazer a costa da Croácia. Há espaço para descansar e "cansar".

Vamos a ver. Espero que esta semana já saiba novidades da minha própria vida, que como dizia o meu professor António Rui Borges, deixei de controlar a partir do momento que comecei a trabalhar. A trabalhar por conta de outrem.

Em breve saberão e se calhar até apanham com o relato...

sexta-feira, julho 16, 2004

Palhaça: Enquadramento e algumas Personagens

Há uns tempos que ando a pensar num guião para uma série cómica de TV para o segundo canal, depois das 4h da manhã. Uma coisa simples baseada em pormenores engraçados da vida profissional de um grupo de funcionários de uma fábrica de chouriços – SEC – Sociedade de Enchimento de Chouriços. Nesta fábrica entram porcos e saem chouriços. Moem-se os porcos e enchem-se os chouriços.

A fábrica fica na Palhaça (Aveiro) e esse seria o nome da série – Palhaça.

Já pensei nalgumas personagens! Ah! E claro que esta série é ficção e qualquer semelhança entre ela e a realidade é pura coincidência.

Joel Fagundes – O director. É catequista, mas todos os dias ao almoço bebe bastante "sangue de Cristo" e um escocês, pelo que já se sabe que de tarde convém não lhe dirigir a palavra. O mesmo se passa nas primeiras horas do dia. É frequente passar pelas pessoas e nem sequer as ver, preocupado com os problemas dele, que só ele entende e só ele cria. E foge deles como o diabo da cruz e por todos os meios tenta os passar para os outros ou adiá-los até que passem ao esquecimento.
Dirige ao pessoal mensagens com passagens da bíblia e é frequente falar "em coisas" e em "aqueles assuntos" que ninguém percebe bem o que são.
Fala sempre aos berros e usa o calão para se sentir ao nível dos empregados, mas como é normal não consegue. Nem consegue sequer usar o calão!

Ambrósio Graciano – O sub-director. Põe uma gravata especialmente para fazer comunicações aos empregados, mas corre a tirá-la assim que acaba a reunião. Arranja sempre um desculpa para tudo, mesmo para aquilo que não precisa dela.
Tem umas piadas "engraçadas" que roçam o cinismo e acima de tudo acha que já é adulto e sabe gerir empresas.
Pela manhã cumprimenta toda a gente com um "Bom Dia, Senhor"... Pensa-se que é dirigido a Jesus!

Alípio Borralho – O chefe da equipa de enchimento. Parece um tradicional guarda da GNR, com o sotaque lá de "xima" e com as faces rosadas. Nasceu numa pequena aldeia de Trás-os-Montes e foi viver para a grande cidade, mas vai a casa da mãe todos os fins-de-semana para lavar a roupa e trazer a comida pronta para a semana toda. Tem quase 40 anos.
Não sabe cozinhar e acha que todos os homens são como ele. Não sabe o que come até a comida estar na mesa. Não se sabe porque trabalha numa fábrica de chouriços porque nem sabe para que servem.
Não confia em ninguém, nem na própria sombra. Esta tem que lhe reportar onde anda quando não aparece em locais escuros.
Gosta dos seus sapatos de sola de pele, mas às vezes usa sandálias... Com meia! Felizmente preta!
Não sabe o significado da palavra "desodorizante" e é normal cheirar a estrugido. Não se sabe de onde vem o cheiro, pois não cozinha!

Rodrigo Rodrigues – Um "anormal" funcionário. Usa piercings e tatuagens. Enche chouriços o dia todo.

quinta-feira, julho 08, 2004

Hayao Miyazaki

Quando há dias escrevi aqui sobre o Conan O Rapaz do Futuro não falei do seu realizador - Hayao Miyazaki. Nem (falha minha) falei da sua última longa metragem de animação "Sen to Chihiro no kamikakushi" (O desaparecimento misterioso de Chihiro e Sen), mas mais conhecida por "Viagem de Chihiro" ou "Spirited Away" e que ganhou o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Berlim de 2002 e o Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação.

Hayao Miyazaki

Do realizador, para além do nome e de que foi o autor/realizador do Conan O Rapaz do Futuro e do Viagem de Chihiro, só sei que foi também o realizador do filme "A Princesa Mononoke". Ah! E que é japonês... Mas a minha professora de japonês disse que ele realizou, também, uma série passada na cidade do Porto. Tenho que saber qual...

Sen to Chihiro no kamikakushi

Acerca do filme Viagem de Chihiro, que vi há uns meses, graças ao empréstimo do DVD por parte do meu colega Correia, só posso dizer que é uma história muito bonita de uma menina chamada Chihiro (óbvio) que se perde num Spa para espíritos, que fica para além de um túnel, em que os pais se metem à procura do caminho para a sua casa nova (Tunnel no mukou wa fushigi no machi deshita - Para lá do túnel estava a cidade misteriosa).

Como se pode ver é uma história de ficção tipicamente japonesa. Uma história que era suposto não existir porque a intenção de Hayao Miyazaki era abandonar a realização de animes depois d'"A Princesa Mononoke". Mas, inspirou-se na mal-humorada filha de um amigo e decidiu fazer A Viagem de Chihiro quando percebeu que as raparigas japonesas, ao contrário dos rapazes, não tinham uma heroína de personalidade marcante na qual se pudessem rever. Chihiro é uma personagem de espírito forte, decidida (por vezes chata) e que corre atrás das soluções para seus problemas, foi criada para servir de modelo às raparigas japonesas, inspirando-as a lutar pelos seus ideais de maneira mais activa. Isto para uma sociedade ainda mais machista que a nossa...

Andei a vasculhar a Internet e é surpreendente a quantidade de informação que se arranja sobre o filme e até sobre o realizador. E uma das que mais gostei foi uma curiosidade que diz que a cena (do filme) da limpeza do espírito do rio é baseada num acontecimento real na vida de Hayao Miyazaki onde uma certa vez, o realizador ajudou a limpar um rio e, entre outras coisas, retirou uma bicicleta de lá. Esta cena é uma das mais impressionantes do filme (para além das características normais destes animes como pessoas a empanturrar-se com comida; porcos; e personagens a voar) e conta como um espírito de um rio, mal cheiroso, asqueroso e porco recorre aos serviços do Spa para fazer uma limpeza. A Chihiro, que no entretanto já se chama Sen (já explico) e que está a trabalhar no Spa (também já explico) fica como responsável do banho do espírito e consegue limpá-lo ao ponto de retirar uma bicicleta que está cravada no espírito. Vocês não imaginam a quantidade de porcaria que sai do rio (é fácil de compreender depois de ter estado no Japão e de viver em Aveiro) e no final a Sen (Chihiro) recebe uma recompensa, do espírito, pelo excelente trabalho.

Sen to Chihiro no kamikakushi

Pronto, falta explicar porque a Chihiro passa a Sen. Pois bem, na imagem em cima do filme, está escrito o nome do filme em Japonês "Sen to Chihiro no kamikakushi", o primeiro símbolo (kanji) é o "Sen" que quer dizer mil (número 1000), mas aqui é um nome, o segundo símbolo (hiragana) é "to" que quer dizer "com" ou "e", o terceiro e quarto conjugados (ambos kanji) quer dizer "Chihiro" que é um nome, o quinto símbolo (hiragana) é "no" que quer dizer "de", de possessão e os três últimos símbolos (dois kanji e um hiragana) é "kamikakushi" que quer dizer desaparecimento misterioso. Ou seja, traduzindo à letra dá "Sen e Chihiro do desaparecimento misterioso" o que quer dizer "O desaparecimento misterioso de Sen e Chihiro". Isto tudo para explicar que o primeiro símbolo de Chihiro é Sen e quando esta é aprisionada no domínio dos espíritos pela dona do Spa, esta última dá-lhe um novo nome soprando o último símbolo do seu nome original. Sendo humana, ficando aprisionada no mundo dos espíritos onde é conhecida por Sen, tem que trabalhar no Spa. Porquê? Vejam o filme!

No entretanto, o meu amigo Frederico tem disponibilizado à razão de um episódio por dia, a série completa de Conan O Rapaz do Futuro em formato AVI com compressão DivX. Já fiz download de três episódios e já há quem fique fora das horas normais de trabalho para ver a sequela. Já há quem tenha comprado os três primeiros DVDs oficiais (a segunda série de três DVDs só sai em Outubro). Hoje deve vir o episódio 4!

domingo, julho 04, 2004

Ganhámos perdendo

Perdemos na final com a Grécia! Parabéns à Grécia!

UEFA Euro 2004 Portugal

Parabéns a Portugal! O campeonato correu bem, dentro e fora dos relvados! Estamos todos de parabéns. Fico feliz porque oiço buzinas e foguetes que comemoram o Euro 2004. Viva Portugal! Viva a Europa!

Amanhã acordaremos para a difícil realidade da vida normal. Acordaremos para o facto de que vivemos uma crise política e vivemos sem um primeiro-ministro. Vivemos sem uma oposição credível.

Mas sabemos que somos capazes de realizar um evento como o Euro 2004, mesmo com mudanças políticas a meio e mesmo com crises políticas lá para o fim.

Venham os Olímpicos.

Códigos de Barras

Acho que todos nós já fomos a farmácias. Eu já fui variadíssimas vezes, mas ontem, quando lá estive uma vez mais, felizmente ou infelizmente, dei comigo a pensar como a indústria farmacêutica ao fim de tantos anos ainda não facilitou a vida aos funcionários das farmácias.

U-L250

Quando vamos a uma farmácia e levamos uma receita médica, passamos sempre pelo mesmo ritual de ter que ver o funcionário a usar um x-acto e cortar o código de barras da caixa do medicamento e colá-lo com fita-cola nas costas da (mal)dita receita. E cola um código de barras por cada caixa de medicamento comparticipado pelo ministério da saúde. Imaginem o que sofre um funcionário da farmácia por cada dia de trabalho. Imaginem o que sofre a nossa qualidade de vida pela quantidade de plástico e cola usado para fazer o x-acto e a fita-cola.

Não seria mais fácil às farmacêuticas fazer umas caixas de medicamentos em que os códigos de barras seriam descartáveis? E auto-colantes? Assim o funcionário só tinha que descartar o código de barras e colá-lo na traseira da receita médica sem recurso a um x-acto e fita-cola.

Eu sei que isto insurge contra os profissionais da indústria produtora de x-actos e fita-cola, mas é um apelo dos profissionais das farmácias e dos utentes do ministério da saúde que têm que suportar o ritual do habitual no acesso às farmácias.

Viva os códigos de barras descartáveis e auto-colantes nas caixas de medicamentos.

sexta-feira, julho 02, 2004

StoryPeople

Quando vivi na Califórnia (há quatro anos), em Corte Madera, em frente à minha casa, do outro lado da Avenida Tamalpais havia (há) um centro comercial. Era um sítio agradável, um centro comercial a céu aberto, cheio de gente bonita e de lugares agradáveis. As esplanadas naquela zona são difíceis de encontrar e o centro comercial estava povoado delas.

Mas sempre que passava o Good Guys à entrada, parava na galeria de arte para apreciar umas "esculturas" que estavam penduradas na parede. Eram (são) feitas de madeira velha, partida ou mal cortada e pintada de cores berrantes. Tinham por vezes arames e bocados de chapa encontrados e reciclados. Mas todos eles eram diferentes e todos eles tinham uma história escrita.

Eram (são) muito caros. Demasiado até, para quem estava a estagiar numa das zonas mais caras da Califórnia e recebia menos de metade do ordenado do secretário do escritório era mesmo proibitivo. Mas não pagava nada por sonhar em ter um...

Nunca comprei nenhum, mas de vez em quando vou lá, leio uma história e fico a deslumbrar os StoryPeople. Nessa altura recordo, com saudade, Corte Madera e os momentos felizes que por lá vivi.

Simple Mind - StoryPeople

Deixo-vos com uma das histórias, chamada Simple Mind:
My grandmother used to say life was so much easier when you were simple minded. It's taken me almost my whole life to understand what she meant.

quarta-feira, junho 30, 2004

'Tamos na final!

Sabem o que vos digo? Que se lixe quem vai ser o próximo primeiro-ministro... Que se lixe se há eleições ou se o presidente decide nomear outro!

do Publico

'Tamos na final...

segunda-feira, junho 28, 2004

Bolas com Creme

Quem ouve a Antena 3 de manhã conhece o Bubu das Bolas com Creme. Descobri hoje que o Bubu é o Rui Almeida que fez o estágio do programa Contacto (3) em Nova York, na mesma altura que eu estive em São Francisco.

Eu já desconfiava há algum tempo, mas hoje ao ouvi-lo tive quase a certeza, pelo que fui ao site e confirmei-o. É mesmo típico dele e sempre achei que ele tinha bastante jeito para imitações, como sempre demonstrou nos jantares do Estoril Sol. Ele disse-me, na última vez que tivemos juntos, que estava a fazer o que sempre gostava e que fazia vozes em desenhos animados e coisas do género. Podia ter dito que era o "Bolas com Creme".

Lá em casa somos fãs! Oiçam... Antes das 9h e das 10h na Antena 3.

Contacto 3 no Solverde em Espinho

Esta é a foto dos estagiários do Contacto 3 que estiveram presentes no encontro no Hotel Solverde em Espinho há cerca de um ano. O Bubu é o que está de cócoras do lado esquerdo e eu estou no centro lá atrás. Ele é o tipo que leva um cachaço do Alvim no anúncio de TV da Antena 3.

domingo, junho 27, 2004

O resto do fim-de-semana!

Deixo-vos com uma foto que traduz como se passou no resto do meu fim-de-semana! As nossas sobrinhas Carolina e Margarida fazem dos tios uns verdadeiros gatos-sapatos.

Eu, Carol e Marga


Mas nós gostamos!!!

Um "novo" paraíso em Portugal

Impressionante como tão perto de casa se consegue estar tão longe.

O barulho dos "batráquios" e o silêncio do monte fazem com que a sensação de distância se torne mais acentuada. chegámos tarde mas a simpatia da Ana e dos demais fez com que a longa e sinuosa estrada ficasse esquecida. Além disso a vista da cadeia infindável de cumes montanhosos moldado pelo nevoeiro e salientados pelas cores do pôr-do-sol faziam com que aquela estreita estrada que parecia infindável, nos (a mim e à Cláudia) parecesse muito agradável. Pena que a vontade de chegar e o medo de estarmos perdidos nos tenha turvado o raciocínio e não tenhamos parado para tirar uma fotografia.

"A Grécia ganhou", foi nos dito à entrada. Ali isso pouco interessava, mas depois da Espanha, Itália, Alemanha e Inglaterra, chegava a vez da França voltar a casa. Cada vez mais este Europeu está mais complicado para quem gosta de prognósticos no início do jogo (o João Pinto é que tinha razão).

Jantámos um porco assado em vinho, um género de Chanfana. Tivemos sorte porque estava lá um grupo de visitantes (barulhentos) que tinham encomendado jantar e sobrou para nós, porque normalmente só com marcação.

Mas estávamos prevenidos com fogão e comida, não se fosse dar o caso de estarmos no fim do mundo. E estávamos! Há uns dois anos levei o Jesse à aldeia da Pena e ao S. Macário. Ele sempre disse que aquilo era o fim do mundo e aquela era a aldeia mais pequena em que tinha estado. A Pena fica ali perto (embora não me atrevesse a lá ir àquela hora) e o monte de S. Macário é ainda mais perto.

Ali? Pois! Ainda não disse do que é que falo e onde é. Falo do Parque de Campismo Natural da Fraguinha no Maciço da Gralheira, ali entre a Serra da Arada, Freita e S. Macário. Um sítio único e que aconselho vivamente a quem gosta de se perder no meio da natureza. Mas convém marcar porque a lotação é limitada a 30 pessoas. Quando combinamos um acampamento dos leitores das Crónicas?

Recepção do Parque de Campismo

Custou-nos partir na manhã de sábado [26 de Junho de 2004], porque só aí é que nos apercebemos da dimensão de serras e lugares que desconhecemos aqui a cerca de uma hora de viagem da casa. Vimos o Portal do Inferno (só lá estando se entende a origem do nome) e a aldeia deserta de Drave. Vimos a Pena, S. Macário e passámos em Covas do Monte, onde parámos para comer uma sandes no restaurante da Associação dos Amigos de Covas do Monte. Ficámos com o contacto para voltar e provar o Cabrito no forno.

Sim! Porque voltarei! Muitas vezes.

quinta-feira, junho 24, 2004

Mirai Shounen Conan

No final dos anos 70, principio dos anos 80, havia uma série de desenhos animados japoneses que arrumavam a Heidi e o Marco na prateleira das histórias infantis, e colocava os meus interesses um degrau acima. Com pouco mais de 10 anos, a minha imaginação procurava estímulos mais fortes do que a história de uma rapariga que vivia com o Avô nos Alpes ou a de um pobre rapaz que onde chegava já a mãe de lá tinha partido. "Conan, O Rapaz do Futuro" foi uma lufada de ar fresco no panorama anime da, então, única estação de televisão portuguesa.

Mirai Shounen ConanConan, O Rapaz do Futuro

"Religiosamente"*, semana a semana, via os episódios à espera de saber como o Conan, a sua amada Lana e o seu amigo Gimsy, derrotavam o capitão do submarino Barracuda. Os gritos de "Laaanaaaa" e "Conaaaaan" ainda estão presentes na cabeça de muitos amigos. E os saltos de cinco andares e ficar agarrado à asa de um avião com os dedos dos pés são pormenores inesquecíveis. Ainda me lembro de achar de extremo realismo quando o Gimsy vai urinar e sofre um arrepio típico, que para um miúdo era normal.

Conan, O Rapaz do Futuro

Isto tudo porque saiu em DVD a série completa em dois packs de 3 DVDs cada. Eu faço anos em Agosto, já sabem o que me podem oferecer...

No entretanto vejam este site e descarreguem o genérico. Até me vieram as lágrimas aos olhos.

* Este termo foi baseado na declaração do Freddy sobre o Conan e que dizia que "foi uma das poucas séries de animação que segui religiosamente...". Gostei e copiei! Fica aqui a devida homenagem ao autor.

quarta-feira, junho 23, 2004

Lost in Translation

Este blog está a ficar um bocado deprimente. Ou contestatário, conforme queiram-no ver.

A Cláudia disse-me que ando de novo numa fase em que me custa ir trabalhar. Tem razão! O Miguel mandou-me um SMS a dizer "Os obstáculos parecerão maiores ou menores consoante você for maior ou menor" (Orison Swett Marden). E também tem razão. Na verdade custa-me voltar ao trabalho todos os dias e ver como uma oportunidade dada a Portugal está a ser perdida, todos os dias, em prol da manutenção do poder de alguns. Ou por falta de visão de outros.

Hoje quando acordei e, como de costume, o dia começou com uma deslocação à sanita mais próxima. Agarrei o primeiro livro da prateleira do corredor e agarrei o guia da American Express sobre São Francisco. Abri o livro ao calha e abri-o nas páginas sobre o Golden Gate Park. Quando comecei a ler a parte sobre o jardim Japonês vieram-me lágrimas aos olhos e tive que fechar o livro.

Talvez ande deprimido, não o escondo, mas na verdade sinto-me fechado na minha própria vida. A minha vida está a prazo e eu estou preso por uma série de constrangimentos que não me permitem saber onde exactamente estou na minha vida. Não sei se estou bem ou mal, não sei se devo ficar ou se deva partir, não sei se vou ou se hei-de voltar. (Voltar, volto sempre!)

Temple Gate, Japanese Tea Garden, Golden Gate Park

Mas na verdade o facto de olhar para o meu passado não me vai resolver o meu futuro. Ao olhar o jardim japonês em São Francisco, e que me recorda dois momentos agradáveis da minha vida, não me vai fazer sair do, que como diriam os U2, "You've got stuck in a moment and you can't get out of it". Mas é apenas um momento...

Lost in Translation

Neste momento oiço a banda sonora do filme da Sofia Coppola "Lost in Translation". É bom ouvir os sons de Tokyo e recordar os momentos cómicos e divertidos de lá ter estado, porque os maus momentos já os esqueci. É extraordinário como temos a capacidade de apagar da nossa memória os maus momentos (talvez excepto os traumas). Mas o mais extraordinário é sentir que, como os personagens do filme, num ambiente "hostil" se conseguem divertir e chegam a ter vontade de ficarem "stuck in that moment", eu todos os dias me divirto com os meus colegas e todos os dias sei que continuar aqui é melhor para mim.

Mas a vida é curta e até que ponto não me estou a acomodar e não seria mais feliz noutro lugar ou a fazer outras coisas. Sim! Porque o meu futuro não é fazer software, pelo menos não em Portugal. Portugal é um país muito pequeno para uma empresa de desenvolvimento de software sobreviver, ou se o fizer, dá mais trabalho que dinheiro. Vejam o famoso relatório Porter, encomendado pelo governo de Cavaco Silva, e que apontava como clusters representativos o automóvel, calçado, malhas e produtos de madeira (na indústria), o vinho (agricultura) e o turismo (serviços). Leram software?

Pois! Há quem diga que o relatório Porter está errado e continue a acreditar que nós somos mais baratos a fazer software e que podemos ser o Silicon Valley da Europa. Essas pessoas que vão ver onde está o Silicon Valley.

Eu acredito que o meu futuro vai estar ligado ao turismo sustentável, provavelmente ligado à produção de vinho (porque não!?) e a alternativas de qualidade que façam a diferença aos turismos de massa. Os meus conhecimentos de software claro que me vão ajudar, principalmente no planeamento. Mas isso é a longo prazo! A curto prazo pode ser que vá passar uns tempos a Inglaterra ou mesmo ao Japão. Aprende-se muito e eu aqui, hoje, não aprendo muito. Pelo contrário, desaprendo.

Em breve vos comunicarei, quando sair deste "moment I am stuck in"...

Mais uma da imprensa espanhola...

"Le doy la razón al presidente, hace meses Zapatero dijo que todos los españoles que estuviesen fuera volverían a España antes del 30 de junio."

terça-feira, junho 22, 2004

Claustrofobia

Não sei se leram o 1984 do George Orwell (eu nunca li), mas sabem a história do Big Brother (não do programa, mas da origem do seu nome). E se calhar não se lembram, mas há vinte anos (precisamente no ano em que decorre o livro de George Orwell) havia uma música de um tipo que se intitulava Rockwell e contava com a participação do Michael Jackson, que cantava no refrão "I always feel like somebody's watching me / Who's playing tricks on me / I always feel like somebody's watching me / I can't enjoy my tea!.

Se calhar o mundo era melhor se as pessoas fizessem o seu trabalho em vez de andarem a vigiar o que os outros fazem.

segunda-feira, junho 21, 2004

Uma faca nas costas!

Há uns anos trabalhei numa empresa comercial (cujo nome não vou dizer, mas que podem ver no meu Curriculum Vitae), numa altura que decidi que podia ser bom experimentar outras áreas de trabalho para além das Telecomunicações.

Foi uma boa má experiência. Boa, porque todas as experiências são boas, quando delas sabemos extrair ilações para não voltarmos a cometer os mesmos erros duas vezes. Má, porque empresas familiares e que resistem em se modernizar acumulam vícios contra os quais é difícil combater só.

Mas foi também uma boa experiência porque conheci muita gente, algumas delas com quem ainda convivo e outras com quem não convivo mas que gostaria, mas simplesmente custa-me lá voltar e encarar outras pessoas com quem não gostei de conviver. Mas sei que deixei lá algumas amizades.

O que mais me custou foi ver que as pessoas que mais tinham a ganhar com a modernização da empresa e que mais tinham a ganhar em se dedicarem à mesma, eram precisamente aquelas que menos queria saber de problemas e consecutivamente adiavam as decisões. E ainda me chocou mais ver que esses eram da minha geração e eram pessoas com formação académica.

Custou-me sentir só, sem o apoio da direcção, sem responsabilidades definidas ou adquiridas e a lutar contra uma cultura enraizada em que o all-mighty patrão dá ordens e os serventes cumprem, mesmo sabendo que essas seriam prejudiciais à empresa e iam contra as expectativas de todos os empregados. E onde estes todos os dias tentam "apunhalar" o colega pelas costas, pois só assim conseguem subir na hierarquia.

Quatro anos depois sinto que estou a reviver uma experiência semelhante.

É pena que em pleno séc. XXI pessoas formadas e a trabalhar em áreas tecnológicas de ponta ainda pensem em gerir recursos humanos da mesma forma que o dono da mercearia ao lado de minha casa. É pena que com estas maneiras de gerir recursos humanos o país não avance e que mais tarde sejamos todos "empregados públicos". É pena que empresas com capacidade de serem inovadoras e maiores, se sintam bem na mediocridade, se isso implicar a manutenção dos poderes adquiridos.

Prezo muito pessoas que são capazes de delegar responsabilidades e confiar nos seus empregados em cumprir as suas tarefas convenientemente. Dar é poder exigir! Se não se der não se podem pedir responsabilidades. É por isso que a minha experiência nos Estados Unidos foi uma boa experiência, porque mal cheguei foram me dadas responsabilidades. Ainda não sabiam dizer o meu nome e já estava na outra costa do país a representar a empresa em exposições.

Aqui, em Portugal, continuamos a viver como na mercearia do Sr. Ribeiro.

domingo, junho 20, 2004

Escusam de mandar a roupa para lavar...

Há dias, um jornal espanhol, tinha como manchete as palavras da senhora da limpeza do hotel, onde os seus jornalistas estavam hospedados - "Escusam de mandar a roupa para lavar, que segunda já estão em casa"!

Eu não queria que fosse verdade, mas este é um mundo cão e, ou éramos nós, ou eles!

Gooooooooooooooooooolooooooooooooo!

É golo! É golo! É golo!

Há quase uma semana...

Já não escrevo há uns dias! Há quase uma semana... Desculpem, mas não me tem apetecido escrever! Não se tem passado nada de novo e que me faça escrever. Além disso ando demasiado ocupado com o Euro, praia e amigos, para estar a dispensar muito do meu escasso tempo para escrever. Não que vocês não mereçam, mas eu mereço gozar a minha vida....

Ontem a cidade de Aveiro estava de laranja. Um mar laranja invadiu a cidade desde sexta, dia em que saí para jantar em forma de despedida da minha professora de japonês, a Kiyo-san. Na quinta estive a ver a França empatar, na Costa Nova,
depois de sair da praia às 20:15, onde até mergulhei pouco antes. Estava muito bom.

Mas hoje o importante é a selecção ganhar. Eu volto a escrever lá para o fim do jogo, se tudo correr bem!

segunda-feira, junho 14, 2004

Valmitão

Podia ser Vale Meão! Ou Vomitão! Mas não, é Valmitão!
Estou à espera do convite. The West is the Best!

Sim! Sei onde fica...

Uma visita à Capital

Carneiro, desculpa não ter dito nada, mas estava à espera de gozar mais a capital. E acredita que houve muita gente a quem não liguei, porque sabia que não iria ter tempo para estar com todos.

Desculpem-me! Mas eu volto em breve e fico uma semana... Para poder ir beber um copo ao Bairro Alto com todos os meus amigos. Acho que se beber um copo com cada um acabarei completamente bêbado!

Não pensei que pudesse ter saudades de Lisboa, mas na verdade, e apesar de não desejar lá viver, eu gosto muito da cidade. Gosto de ambientes urbanos, porque são uma boa fuga para quem vive na "província", no campo. Da mesma maneira que os habitantes das cidades fogem delas, quando podem, e se refugiam no campo, nós provincianos gostamos de visitar a cidade à procura de sensações, lugares e pessoas que de outra maneira não podemos usufruir.

E Lisboa tem uma dimensão apreciável. Tem uma cultura urbana, tolerante e diversificada que não se encontra em mais nenhum lugar em Portugal e só por isso vale a pena ser visitada. A diversidade de escolhas e ofertas em termos de compras é inigualavelmente grande para a dimensão do nosso pequeno país. Adorei perder-me nos ambientes da loja da Yorn do Chiado e nem sequer tive tempo para entrar no Bairro Alto, mas de certeza teria gostado ainda mais.

Os seres que povoavam o Super Bock Super Rock eram sem dúvida muito urbanos. Mesmo aqueles seres que no verão irão estar na "província", na Zambujeira do Mar ou em Paredes de Coura, para os demais festivais, ali eram verdadeiramente urbanos e portavam-se como verdadeiros seres da cidade. Porque se tratava de um festival de cidade (aliás o último em que me apanham... Prefiro os da "província").

Ah! E há o acesso à cultura... O Porto pode ter uma dimensão já grande e Aveiro até que recebe muitas obras culturais, mas não há oferta como em Lisboa.

Só que para se viver condignamente em Lisboa é preciso ter-se paciência e algum dinheiro. Eu prefiro a calma da "província"... Mas de passear na cidade!

Ai vens a Lisboa e não me telefonas, meu chouriço!!!...

Hades ir longe, hades!...
Estive toda a semana à espera de um telefonema (de parte do Anésio) a cause do festival e népias! Este chouriço vem pa ("para" em lisboeta) cá e não diz nada!... Como é que este país há-de ir prá frente?...

Havemos, todavia, de falar aí de uns dias em Valmitão. O auditório deste Blog já ouviu falar em Valmitão?... Pois é, têm de sair mais!...

domingo, junho 13, 2004

Lisboa, amigos, Pixies, futebol, praia e eleições

Este fim-de-semana prolongado foi curto para tanta coisa. Um verdadeiro fim-de-semana de acontecimentos em catadupa que culminam num domingo descansado e repousante. Por isso vos escrevo hoje.

Tudo começou na noite de quarta-feira [09 de Junho de 2004], véspera de feriado. Depois da minha aula de japonês e da reunião da Cláudia, depois de arrumar as coisas no saco, rumámos à capital, onde chegámos já por volta da uma da manhã. Estava um calor...

O dia de Portugal [10 de Junho de 2004] foi passado a descobrir o que a capital do nosso belo país tem para oferecer a um par de turistas sedentos de ver coisas bonitas. Aliás não éramos os únicos. Pelo contrário, Lisboa estava cheia de estrangeiros à procura de sítios bonitos, com sombra e onde houvesse uma bebida fresca. Por momentos tive a sensação de que estava noutro país... Aquela Lisboa é outro país!

Felizmente era feriado e estava calor (não tão felizmente), pelo que a maioria dos alfacinhas rumaram para as praias deixando a cidade à mercê de quem gosta de a visitar. E nós gostámos! Eu gosto muito de Lisboa! Acho uma cidade bonita e cheia de luz. Tem montes de coisas típicas das cidades mediterrânicas mas já cheira a atlântico. É uma cidade que em nada fica atrás de muitas por onde já passei. E se visito as outras no estrangeiro, porque não visitar esta que aqui está ao lado e onde aliás falam a mesma língua que eu.

Bem! Falam a mesma língua, mas com um sotaque diferente e com um vocabulário esquisito. Como ao pequeno-almoço nos Restauradores, que peço um Pastel de Carne e o homem pergunta-me se é um croquete que eu quero. Mas pelo menos já sabem o que é um fino. Qualquer dia já sabem dizer "tio" e "treze" ("tiú" e "treuze" em alfancês) como deve ser.

Subimos ao Castelo de S. Jorge por Alfama e depois de desfrutarmos a vista almoçámos umas sardinhas (as primeiras do ano) enquanto por ali se preparava o arraial de S. António. Apareceu o PP e a Sílvia que nos acompanharam na descida de volta à Pr. da Figueira, antes de partirem à sua vida. Nós rumámos ao Chiado e daí ao Bairro Alto, mas nem parámos, pois tinha combinado com a Mariana no Cais do Sodré. Uma longa caminhada sob um calor que puxava a umas cervejas.

Já não ia ao centro de Lisboa há alguns anos. Acho que desde que a Geni se casou e fui com ela, à embaixada de França, por causa do visto dela para ir à Lua-de-mel a Bora Bora. Há 5 anos! E já não via a Mariana desde que voltei dos Estados Unidos, há quase 4 anos. Foi um fim-de-semana de voltar a recordar e reencontrar lugares e pessoas de que gosto muito. Como o PP e a Sílvia. Como o João, o Zé, o Gonçalo, o Pedro, o Pitta, o Nuno e o Daniel que encontrei no Super Bock Super Rock, na noite de sexta-feira [11 de Junho de 2004].

Acho que retornei à minha juventude ao percorrer as ruas do Chiado. Quando ia para a Reboleira, para casa da minha avó e em vez de ir para Carcavelos, para a praia, usava o bilhete de comboio para ir para o Chiado comprar discos de vinil. Na velha Valentim de Carvalho (agora transformada) onde comprei o Ocean Rain dos Echo and The Bunnymen ou o This is the Sea dos Waterboys.

Mas não foi por muito tempo. Foi mesmo a correr! O tempo passa quando estamos distraídos e de repente estava na hora de nos encontrarmos com a Mariana. No entretanto ainda encontrámos o Toninho e a Carla, mas já estávamos a correr... Para beber umas cervejas, com a Mariana, à beira rio e pôr a conversa em dia, depois de quatro anos sem nos vermos.

Foi bom. De novo tive a sensação que há amigos que não vão deixar de o ser por causa do tempo de ausência. Há pessoas com quem vivemos momentos tão importantes que jamais deixarão de ser nossos amigos. E na verdade só o são porque é assim, porque o à-vontade e o conhecimento mútuo fez diluir as barreiras que muitas vezes separam as pessoas. Gostei muito!

À noite foi a vez de dar espaço à cultura. Popular é verdade, mas é cultura. Fomos ao teatro ver o "Deixa-me Rir" e digo-vos que me ri. É uma crítica acertada à maioria dos políticos modernos que põem o seu cargo acima dos seus ideais e ao progresso e bem estar no país onde governam. O primeiro-ministro chamavam-no de DB... Embora fosse uma adaptação de uma peça inglesa, a verdade é que encaixava perfeitamente ao nosso país. Mas não posso falar disso porque hoje é dia de eleições e suposto não se fazer campanha.

Chegámos tarde a casa, depois de um prego no Saldanha e uma saída mal programada do autocarro que nos fez andar um quarteirão em vão.

Sexta-feira [11 de Junho de 2004] foi dia de Super Bock Super Rock. Que dizer? Os concertos foram bons (excepto o chato e entediante Lenny Kravitz), mas a organização jamais deveria deixar entrar tanta gente. Não havia condições! Estive uma hora para comprar um cachorro-quente que devorei em dois minutos, a seco pois era impossível chegar às tendas de bebidas. Já não tenho idade para estas coisas... Não que esteja ou me sinta velho, mas porque já lá estive, já vivi aquilo, já sei como é e prefiro ver um bom concerto com melhor condições. Festivais só se forem no campo.

Salvaram-se os X-Wife, Liars, Pixies e Massive Attack. Mas mesmo os concertos foram curtos, só para festival. Prefiro ver as bandas em recintos mais intimistas e em que lá está, está para ver verdadeiramente o concerto, não porque quer beber um copo.

Quando actuaram os Massive Attack estava de rastos. A Cláudia viu meio concerto e eu saí na última música do encore - Special Cases. É o segundo concerto que vejo deles e este, apesar de mais curto, foi muito melhor. O som estava excelente, enquanto que aquele que vi no Pavilhão Atlântico estava mesmo muito mau.

Mas para mim a banda da noite foram os Liars. Um misto de Sonic Youth com Nirvana e Blur. São de Nova York e devem andar em muito más companhias, mas a ouvir coisas muito boas. São um pouco barulhentos, mas fazem o meu género.

Não tenho muito mais a dizer a não ser que voltámos [12 de Junho de 2004], descansámos e fomos à praia hoje de manhã [13 de Junho de 2004]. Já votei e agora vou visitar mais uns amigos que não vejo há uns tempos – a Geni e o Anésio.

Até amanhã! Logo vos falarei da minha nova descoberta gastronómica/paisagística aqui da região de Aveiro – o Bico da Murtosa.

segunda-feira, junho 07, 2004

Diário de uma limpeza (Kriyas)

Este fim de semana enveredei, com um grupo de amigos, pela aventura de passar dois dias em retiro de yoga. Mas um retiro especial de purificação e limpeza. Um fim de semana em Vila Nova de Foz Côa, de remoção de toxinas internas estagnadas, imundice interior e bloqueios corporais, com vista a um melhor fluxo de energia e matéria no nosso corpo.

Aqui fica um diário...

Sábado, 05/06/04
10:00 Hoje acordámos para vomitar.
O exercício (vamana dhauti) consistia em beber, em jejum, 4 copos de água quente e salgada. Depois de umas contracções do abdómen (Nauli), vomitá-la, nem que para isso fosse preciso meter os dedos à boca. Repetir até a água sair límpida e sentir a bílis amarga na boca.
13:00 Clister (Basti)
Preciso descrever?
Se não sabem perguntem aos vossos avós.
15:30 Relaxar. Almoçar um sumo e um batido.
16:30 Tarde de repouso na praia de Almendra. As moscas e demais insectos não deixam o pessoal dormir. A praia ali está a ficar impraticável.
19:30 Finos e tremoços em Castelo Melhor.
21:30 Jantar gaspacho frio no terraço às escuras. Está um calor de verão. Ver umas fotos.
24:00 Dormir

Domingo, 06/06/04
11:00 Hoje acordámos para cagar.
O exercício (Shanka-prakshalan) consistia em beber, em jejum, uma série de 4 copos de água quente e salgado (menos salgada que a de sábado, mas...). Depois de uns exercícios para fazer a água descer, cagar no penico. Beber mais água até que só se caga a água da cor da que se bebe (incolor portanto).
14:30 Relaxar muito. Almoçar um arroz de jasmim cozido com ghee (manteiga clarificada).
17:00 Arrumar tudo para voltar.
18:00 Parar em Longroiva para um "banho" de água enxofrada. Para a próxima temos que incluir no fim de semana de kriyas um verdadeiro banho nas termas.
18:30 Visita a Marialva. Uma "visita de médico" pois o guia estava a fechar as portas. Acho que tem que se acabar sempre com uma visita a Marialva. Ao que se segue uma visita ao café para um queijo, presunto e um fino.
19:00 De volta a casa.
21:30 Chegada a Aveiro.
24:00 Dormir.

Hoje sinto-me muito mais feliz e seguro comigo mesmo. Sinto-me mais limpo e funcional. Não levei nenhum dos exercícios até ao objectivo final (a água límpida) porque, como era a primeira vez que os fazia, demoraria muito tempo (mais ainda do que demorei) a atingir a verdadeira limpeza. Não porque não os soubesse fazer, mas porque a quantidade de porcaria para desbloquear e sair era muita. Nós somos uma verdadeira arca de imundice.

É uma experiência a repetir.

sexta-feira, junho 04, 2004

Casa dos Leitões

Há sítios que colecciono não porque sejam especialmente bonitos ou porque sejam especialmente bons, mas porque foram, ou são, especialmente agradáveis e porque guardo deles imagens agradáveis associadas a momentos bons lá passados.

Às vezes vêem-me imagens à cabeça de sítios de que já nem me lembro do nome ou que nem sequer sei onde são, mas que ficaram gravados no meu subconsciente como sítios agradáveis. Como por exemplo um sítio perto de Teijo na Finlândia, onde tomei banho num lago de cor vermelha (água ferrosa). Sempre que tento meditar, penso num sítio calmo e relaxaste e não consigo não pensar nesse lago.

Mas há outros, que não me transmitem paz mas fazem pensar em felicidade, como o Bar Anita em San Carles de Peralta, em Ibiza, ou a Hamburgueria do Joni em Castelo de Vide. Um desses sítios que aparentemente não têm nada de especial é a Casa dos Leitões em Angeja.

Ontem fui lá jantar com mais 14 amigos e amigas. Foi uma noite agradável.

Eu depois mando-vos o mapa e as indicações!

quarta-feira, junho 02, 2004

Sirsasana

Acho que nunca falei muito da minha pratica de Yoga. Acho que é porque isso é algo pessoal e difícil de explicar. Não porque seja estranho, mas porque por vezes suscita perguntas difíceis e sobretudo respostas que só se conseguem dar se a outra pessoa praticar Yoga.

Já pratico Yoga há dois anos e meio. Ainda me lembro da minha primeira aula e como me custava até ficar sentado. Depois deste tempo todo evoluí. Sim! Acho que ganhei alguma elasticidade, bastantes capacidades físicas e acima de tudo muita consciência. Consciência dos meus erros de postura física, consciência das minhas capacidades e consciência de que sou sempre capaz de ir mais longe.

Mas sobretudo ganhei também novos amigos e novos interesses. Evoluí.

Porém em termos físicos, que é aquilo que toda a gente pergunta primeiro (logo a seguir ao facto de já ser ou não vegetariano e se o desempenho sexual melhorou) evoluí desde a altura que comecei a conseguir fazer o Sirsasana.

Foi há cerca de um ano, que com a minha ida para o Japão me dediquei a fazer este asana (posturas físicas) todas as manhãs. Era quase o único momento que dedicava a mim mesmo durante todo o dia. Quando cheguei continuei a fazê-lo.

Mas vou explicar em que consiste o Sirsasana. Bem! Não é difícil de explicar e até parece uma coisa simples. Mas... Experimentem pôr-se de cabeça para baixo apoiados nos vossos antebraços cerca de 2 a 5 minutos (ou mais) sem cair.

Ok! Vejam a imagem:
Sequência para fazer o Sirsasana

A ideia é colocar os braços no chão, com os cotovelos separados da largura do antebraço. Para isso agarrem cada cotovelo com a mão contrária. Sem tirar os cotovelos desse sítio juntem as mãos fazendo um triângulo no chão com os braços. Entrelacem os dedos. No meio das mãos coloquem a parte superior da cabeça e levantem as ancas esticando as pernas. Caminhem para as mãos. Levantem as pernas do chão e estiquem-nas no ar.

Caíram? Usem a parede para que isso não aconteça. Se calhar é melhor nem tentarem fazer isto em casa sozinhos. Um dia caí e torci um dedo da mão. Andei umas duas semanas com um dedo com o dobro do tamanho e negro. Durante meses não fui capaz de repetir o Sirsasana sem a ajuda (psicológica) de uma parede.

Além disso eu (ainda) não sou instrutor de Yoga. E nem quero tirar o lugar da minha instrutora. Por isso se quiserem experimentar vão ao Jardim de Lótus (ela é uma excelente instrutora – É verdade! Não estou a escrever isto porque ela lê o blog, mas porque é verdade!). Se quiserem ajuda para perder a vergonha, telefonem-me que eu vou lá convosco.

Jardim de Lótus

Mas, acreditem que o Sirsasana todas as manhãs é das melhores coisas que há e tem me ajudado a ganhar coragem para enfrentar um dia de trabalho.

Hoje não fiz! O dia correu menos bem...

sábado, maio 29, 2004

Um texto inolvidável

Estava aqui em casa a arrumar uma papelada velha e deparei com um texto que me enviou um grande amigo, quando ele estava em Londres em Erasmus, há cerca de 10 anos.

Há coisas que jamais podemos esquecer. Este texto é uma dessas coisas. Desculpem os palavrões!

"A cona britânica, animal raro por bandas de Portugal mas abundante por estas águas, encontra-se um pouco por todo a parte. Característica única no entanto é o facto de quando húmida e quente não ter pejo em demonstrar seu afecto, criando ocasiões ricas em truncagem carnal. Com um cheiro de rosas, peixe podre, queijo camembert ligeiramente polvilhado de almíscar e rosas, a cona britânica está no seu melhor quando se deixa o molho ferver. Nessa altura destapa-se levemente e afagando-a com a palma da mão vê-se se está pronta a colher. Deve-se no entanto deixar inteira liberdade à dona da cona, porque do prazer percebem estas meninas e desde chupar sem remorso o menino todo até pensar que todos os buracos são válidos, vai um vasto campo a que ultimamente se pode dar uso.
Mas eu sou um homem fiel, não se esqueçam, tudo o que vos conto foi-me passado na mais inteira confiança por 'pessoas' dentro da matéria
"
Nuno, Londres, 6 de Julho de 1994

quinta-feira, maio 27, 2004

Gelsenkirchen

FCP vencedor da Liga dos Campeões

Eu não sou portista, mas cresci na cidade do Porto. A Cláudia é portista. Hoje estou feliz porque o FCP é o vencedor da Liga dos Campeões. Festejando assim, me junto à grande massa portista. Parafraseado o velhinho João "pudim" Pinto - "hoje o meu coração só tem uma cor Azul e branco". Portugal hoje é Portista.

Assim fica para a história do futebol português uma cidade com um nome que todos achavam impronunciável e que já todos aprenderam a dizer (bem ou mal).

terça-feira, maio 25, 2004

Networking!

Há uns anos a Cláudia pediu-me, que na qualidade de Engenheiro, fosse falar com os alunos dela, da Escola Secundária de Albergaria-a-Velha, num dia dedicado às profissões e saídas profissionais. Eu ia representar a minha classe profissional, ao lado de um arquitecto, um agrónomo e já não me lembro quem mais, para mostrar aos rapazes e raparigas que passavam do 9º para o 10º ano de escolaridade, que a escolha que em breve iriam fazer era um passo para o seu futuro.

Na altura falei sobre se era fácil ou não tirar um curso universitário e lembro-me que, para mim, o mais importante do que disse era que o futuro não se fazia em casa em frente à televisão, mas que as oportunidades estão na rua, e que saíssem de casa e criassem as suas próprias oportunidades. Lembro-me que, no final, a psicóloga da escola me disse que se eu achava que o curso não tinha sido difícil o mesmo não se aplicava a outros, mas que tinha toda a razão na questão das oportunidades.

Isto tudo por causa do networking, um conceito muito engraçado, que aplicado aos negócios e à vida pode trazer resultados muito agradáveis. O conceito está sempre presente no nosso dia-a-dia, aliás como dizem o Ken e a Sue (o casal de ingleses que estão a construir uma casa na Alombada) nas suas crónicas de Portugal, que este é o país do networking, porque se precisarem de um seguro há sempre alguém que tem um primo que é casado com a filha de um tipo que até tem uns seguros porreiros. Ou se precisarem de um canalizador, há sempre aquele amigo do cunhado do primo do amigo do João que vive não sei onde e que trabalha em não sei o quê. Isso é o que se chama networking.

Às vezes é confundido com cunhas ou tráfico de influências, mas aí é a um nível muito mais alto da xadrez e é quando é usado para fins menos legais. O fazer networking é apenas o misturar de pessoas de diferentes backgrounds de modo que as oportunidades sejam concretizadas e até surjam sinergias. Isto parece paleio de economista, mas na verdade é muito simples.

Aliás existem sites de networking (quem ainda não ouviu falar do Orkut ou do LinkedIn?) e encontros de networking. E existem eventos que não sendo declaradamente de networking resultam em troca de contactos e conhecimentos que se podem chamar de networking. (Acho que já escrevi networking vezes suficientes para terem decorado o conceito)

Mas isto tudo porquê? Porque este fim-de-semana estive numa festa de inauguração da casa do meu amigo Miguel Monteiro em que voltei a encontrar velhos amigos que não via há anos e que é sempre bom manter o contacto, não só porque são velhos amigos mas porque podem resultar em boas oportunidades. Parece interesse ou oportunismo, mas não é! Aliás se oportunismo for "aproveitamento das situações de modo a chegar mais facilmente a um resultado favorável", como diz o dicionário, e se isso não prejudicar ninguém, não pode ser mal visto.

Na semana anterior fui a outra festa do Jorge Simões, onde novamente encontrei gente conhecida e que me levaram a conhecer mais gente. A um jantar com a Jacinta, ou mesmo uma saída à noite. E assim vamos criando uma rede de contactos.

Por outro lado uma rede convém ser mantida. E as Crónicas da (e depois da) Califórnia são uma maneira de manter o contacto.

Saiam de casa! Saiam da casca!

sexta-feira, maio 21, 2004

Everyday is like Sunday

Trudging slowly over wet sand
Back to the bench where your clothes were stolen
This is the coastal town
That they forgot to close down
Armageddon - come Armageddon!
Come, Armageddon! Come!

Everyday is like Sunday
Everyday is silent and grey

Hide on the promenade
Etch a postcard :
"How I Dearly Wish I Was Not Here"
In the seaside town
...that they forgot to bomb
Come, Come, Come - nuclear bomb

Everyday is like Sunday
Everyday is silent and grey

Trudging back over pebbles and sand
And a strange dust lands on your hands
(And on your face...)
(On your face ...)
(On your face ...)
(On your face ...)

Everyday is like Sunday
"Win Yourself A Cheap Tray"
Share some greased tea with me
Everyday is silent and grey


por Morrissey Ouvir excerto

quarta-feira, maio 19, 2004

As gloriosas fotos

1982 - Eu a tentar mostrar que sabia andar de bicicleta só para a foto!1994 - Eu e o Luís no cimo do monte do Castelo do Rabaçal com uns lindos calções!

1996 - No carro antigo dos Bombeiros Salvação Pública de Chaves. Sou o segundo da esquerda, sentado!2004 - Eu e o Armando há umas semanas na Foz Do Sabor. Como a vestimenta evoluiu!

A Vaynessa!

Para comemorar a passagem de ano, minha e do meu irmão, o meu pai decidiu comprar uma bicicleta para os dois. Uma bicicleta cor-de-laranja, em segunda mão e sem velocidades. O suficiente para começarmos a andar.

Já não me lembro quando foi, mas deve ter sido no fim da quarta classe do meu irmão, por isso no fim da minha segunda. Tinha 8 anos!

Eu nem queria andar. A bicicleta era grande para mim e além disso o meu irmão monopolizava-a. Ele fazia a rua toda sem mãos e até subia passeios sem mãos. Eu acho que tinha inveja e nem sequer queria andar na bicicleta.

Em Agosto de 1979, na praia de Esmoriz, ganhei o concurso de construções na areia do Diário de Notícias. Fiz um barco de areia, com remos de madeira, amarrado por uma alga a um cais, também de areia. Acho que ganhei não pela qualidade do trabalho em si, mas pela originalidade de usar algas e paus que antecipadamente levava no bolso dos meus calções de banho. Tinha quase 10 anos e adorava aqueles calções que tinham um velcro na zona da braguilha.

Lembro-me que estava com os meus pais numa roulotte de venda de comida junto à praia velha de Esmoriz, junto ao bairro dos pescadores. Tive que ir a pé até junto à praia nova, mais a norte, sozinho, para a entrega dos prémios. Na altura não sabia ainda que tinha ganho. Fiquei feliz por ter ganho, mas queria ter ficado com o segundo prémio que era composto pela obra completa d'"Os Cinco", "Os Sete" e a "Colecção Mistério" da Enid Blyton. Eu ganhei uma bicicleta, mas nem sabia andar de bicicleta e gostava de ler aqueles livros de aventura. Além disso a bicicleta tinha quadro de menina.

Uns dois ou três anos mais tarde ganhei num sorteio nacional uma outra bicicleta. Foi num concurso da "Topo Topo", um gelado-bebida muito semelhante ao "Fá", e que estava ligado ao programa de televisão do Topo Gigio, aquele rato idiota italiano que dava na RTP (a única emissora na altura) apresentado por o não menos idiota Rui Guedes (que será feito deste senhor?). Tinha que responder a umas perguntas do Guinness cujas respostas saiam nos gelados e enviar para o sorteio. Um colega meu da escola tinha o Guinness e nem precisámos de comprar assim tantos gelados.

A bicicleta era uma Tip Top. Uma BMX! Foram-ma levar a casa, pois na altura foram apenas premiadas 21 pessoas a nível nacional. O primeiro ganhou uma viagem a Itália e os outros ganharam bicicletas. Eu ganhei a minha terceira bicicleta e nem sequer sabia andar para tirar as fotografias para a posteridade (ainda tenho essas fotos que eu depois postarei aqui).

Uns dias mais tardes decidi que era altura de começar a andar de bicicleta. Aliás aquela BMX era mesmo bonita e fazia a inveja dos miúdos todos da rua. Tinha 13 anos. Saí à rua com a minha Tip Top e segui os conselhos do meu irmão – "Não olhes para a roda da frente". Montei em cima da bicicleta, comecei a andar como se sempre soubesse fazê-lo. Acho que de tanto observar os outros aprendi a andar sem o fazer fisicamente.

Quando ia brincar nunca saía de casa sem ser de bicicleta. Era tão mais simples. Adorava fazer quilómetros e aventurar-me pelos pinhais da vizinhança na minha BMX. Não era muito habilidoso, mas só deixei a Tip Top quando parti o quadro pela segunda vez, quando já nem com a soldadura habilidosa de um vizinho o consegui ressuscitar novamente. Não sei que idade tinha, mas já devia ter uns 16 ou 17.

Já que não podia reaver o quadro, mudei todo o material da Tip Top para a bicicleta que tinha ganho em Esmoriz e que nunca tinha andado. Pintei-a com uns sprays de tinta, para ficar com mais estilo e tinha uma bicicleta nova. Uma BMX com quadro de senhora de passeio e pintada de verde às pintas amarelas. Só visto!!!!

No entretanto também dobrei o quadro da "pintas" e mudei-me para a Universidade de Aveiro. Durante 4 anos não tive bicicleta alguma. Andava aqui ou ali com as bicicletas de amigos, mas não tinha capacidade de comprar uma para mim. Além disso Aveiro é uma cidade pequena e fácil de percorrer a pé.

No último ano do curso [1994], quando já trabalhava a dar aulas na Esc. Sec. José Estêvão em Aveiro, comprei uma BTT. Como ia dar aulas de bicicleta, os alunos chamavam-me o "BTT" (esqueci-me desta alcunha no outro post). Era uma Marvil e tinha 21 velocidades Shimano. Essa compra tem uma longa história associada, mas isso fica para outra vez.

Novamente o quadro sofreu danos irreparáveis na preparação de uma prova de orientação em BTT na Serra do Sicó, em 1996. A organização pagou-me parte do quadro e comprei um Sunn Revolt 2, novo. A minha primeira bicicleta não nacional. O brilho dos meus olhos.

Revolt 2 Custom

Era linda. O quadro era uma edição especial polida e envernizada. Pedi a um amigo para me mandar uma suspensão RockShox dos Estados Unidos. Raiei eu as rodas e montei todas as peças com o maior carinho. Era a MINHA bicicleta. Toda feita com o melhor material que o meu dinheiro podia comprar. Linda!

Foi minha companheira de muitas provas e passeios. Acho que foi a bicicleta que mais quilómetros fez comigo fora de estrada e que me fez gozar mais adrenalina. Desde Serpa a Beja, Chaves a Vila Real, Marvão a Portalegre, em Aveiro, em Castelo de Vide ou em Entre-os-rios, ajudou-me a ganhar algumas taças e medalhas, mas acima de tudo fez-me um amante da natureza e do prazer de chegar cada vez mais alto.

Mas como todas as anteriores teve que "morrer". No final do verão de 1999 tive que trocar o meu belo quadro polido por um outro, porque tinha havido um problema no envernizamento e o quadro começou a ganhar ferrugem nas soldaduras. Felizmente um dos importadores da Sunn (na altura) é meu amigo e numa visita à fábrica, em Andorra, trocou-me por um quadro Urge Un Flex.

Até pouco antes eu trabalhava na Sociedade Comercial do Vouga, o importador nacional da Shimano, e graças a uns contactos e umas amostras consegui montar a bicicleta com o de melhor havia no mercado, quase sem custos. A bicicleta só ficou pronta, como está agora, em Janeiro de 2000, uma semana antes de voar em direcção às minhas aventuras na Califórnia. E a Vaynessa, o nome que dei a esta bicicleta, acompanhou-me quase para todo o lado e em todo o tempo que estive no Golden State.

Revolt 2 Custom

Isto tudo porque pedalei na Vaynessa para o trabalho. Depois de algumas semanas parada, porque dobrei a ponteira do quadro num tombo, finalmente arranjei-a e já posso de novo usar a Vaynessa como meio de transporte.

Já não ando tanto como andava há uns anos e já não me dedico tanto à bicicleta como o fazia na altura da Revolt 2, mas continuo a fazer uns quilómetros de vez em quando. Com o maior dos prazeres.

terça-feira, maio 18, 2004

Aprender com os erros!

Na minha modesta opinião, uma das maiores demonstrações de falta de inteligência é o facto de não se conseguir aprender com os erros cometidos. E há tanta gente que não quer aprender...

Deixo-vos com uma história simpática.

Thomas Edison testou dois mil materiais diferentes na tentativa de encontrar um que pudesse ser usado no filamento das lâmpadas. Depois de nenhum deles dar resultados satisfatórios, o seu assistente lamentou-se "Todo o nosso trabalho foi em vão. Não aprendemos nada."

Edison respondeu confiante, "Oh, percorremos um longo caminho e aprendemos muito. Sabemos agora que existem dois mil elementos que não podem ser usados no fabrico de uma boa lâmpada."

segunda-feira, maio 17, 2004

O Sueco e os Portugueses!

Esqueci-me de vos dizer que o sueco, que veio sozinho de moto desde a Suécia, ficou a dormir no Parque de Campismo da Barra. E acreditem que deve ter e ganhar mais dinheiro que muitos portugueses, o que até lhe permitia dormir num bom hotel de Aveiro. Mas ele preferiu o sossego da Barra (nesta altura do ano).

Gostava de ver alguns portugueses a fazer o mesmo. Quantos são capazes de deixar de ir ao Algarve no verão e ir dormir em parques de campismo para poderem conhecer outras culturas? Não! Para quê? As férias são para descansar e não fazer absolutamente nada. E gastar uma pipa de dinheiro em 15 dias. Ficar preso em filas de trânsito e esperar horas por uma mesa num restaurante que faz comida a granel sem qualidade nenhuma e se faz cobrar como se fosse o melhor. E é! É o melhor da sua rua e naquela rua naquela altura existem centenas de pessoas com fome.

Férias são para descansar! Sim! São para fugir da rotina! Para se esquecer do trabalho. E nada melhor que mudar de cultura para se esquecer tudo. Infelizmente este ano não posso mudar muito, mas vou tentar.

Orgulho no meu país!

Quinta-feira [13 de Maio de 2004], dia de Nossa Senhora de Fátima, dia do desfile do Enterro do Ano em Aveiro, fui com a Cláudia beber uns finos e ver o pôr-do-sol numa esplanada na Barra – Boca da Barra, mesmo ao lado do Farol. Estávamos ambos de mau humor com a vida e apeteceu-nos sair da rotina. Estava um fim de dia magnífico!

Por acaso no café, a jantar, estava um senhor já nos seus cinquentas a comer um polvo. Era sueco! Perguntamo-lhe e tivemos quase uma hora na conversa com ele. Tinha vindo só de moto, desde a Suécia, e o fim da estrada era ali, a Barra.

Conseguimos sair da rotina. De tal maneira que ele me conseguiu pôr uma "pastilha" de tabaco entre as gengivas e lábio, uma típica coisa sueca ou nórdica. Sinceramente não era desagradável, mas depois de três finos e em jejum, nicotina no sangue só me fez disparar a ebriedade. Além disso era perfumado e enjoou-me um pouco.

Falámos das Åland (lê-se Ôland), um grupo de ilhotas perdidas no Mar da Finlândia, algures entre Helsínquia e Estocolmo, onde eu e a Cláudia passámos uns dias fantásticos no verão de 2001. Ilhas com nomes tão esquisitos como Kökar (lê-se Iêkar), Brandö ou Mariehamn e que nunca nos esqueceremos. Umas ilhas onde a língua predominante é o sueco, apesar de ser um território (autónomo) da Finlândia, e desmilitarizado. Um lugar que aos olhos de um nórdico em nada era atractivo para dois portugueses que tinham umas praias tão bonitas como aquela que estava à nossa frente.

"Vocês devem ter orgulho no vosso país", disse-nos, falando das praias, do tempo e até das estradas. Tinha acabado de fazer a IP5 e achou que era bastante calma, bonita e de borla. Teve sorte.

Nós temos orgulho no nosso país! E dissemo-lo! Se assim não fosse já teríamos escolhido outro para viver. Queixámo-nos apenas da falta de oportunidades e dos ordenados baixos. E da falta de capacidade da maioria das pessoas que gerem os interesses do país e da maioria das empresas portuguesas.

Esses enchem-me de vergonha!

Pontualidade!

Eu era pontual. Tinha por norma chegar, ao local de encontro, sempre um quarto de hora antes da hora marcada. E ficava furioso quando não o conseguia fazer, porque na maioria das vezes, que isso acontecia, era por causa de terceiros.

Juro que era pontual! E cheguei a estar uma hora à espera de outras pessoas. No tempo em que não havia telemóveis e não havia maneira de avisar que se estava atrasado ou maneira de se saber quais os motivos do atraso.

Mas, hoje em dia, deixei de ser pontual. Olho à minha volta e não vejo ninguém que seja como eu (excepto a Cláudia). Os meus amigos, tirando um ou outro, NUNCA chegam a horas. Dizem que estão a chegar e ainda estão a sair (uma táctica que passei a adoptar com alguns, também). Mas, esses são meus amigos e aprendi a viver com isso.

No emprego, perdi a minha fé na pontualidade! Não há uma reunião de trabalho que comece a horas! E só se lembram disso quando já passou um quarto de hora da hora de começo. Mesmo quando a reunião é com ingleses, os portugueses teimam em chegar atrasados. Eu já tentei explicar aos ingleses que o tempo em Portugal anda de quarto em quarto de hora, entre os 15, 30, 45 minutos ou a hora, não há tempo. Se uma reunião não começa aos 30, nunca vai começar antes dos 45.

Deixei de ser pontual. Acho falta de respeito! Enerva-me! E não tenho tempo para estar à espera.

domingo, maio 16, 2004

As últimas semanas

Estas duas semanas foram de doidos. Desde trabalhar num sábado feriado, num feriado e até pedir a minha recolocação na seio da empresa, deslocando-me para um outro grupo de trabalho.

As duas primeiras ocorrências deveram-se a problemas de incompatibilidade de desempenho entre o nosso software e o dos japoneses. Aliás entre o código dos japoneses e aquilo que dizem os seus documentos sobre o mesmo. Isso fez com que andássemos perdidos durante semanas, porque por outro lado também não conseguíamos ver o que se passava entre os diferentes níveis de software (fazer debug) porque estamos a testar mesmo no telemóvel. Um belo telemóvel de terceira geração com uns fios pendurados com o qual tentamos ligar ao sistema de GPS para obtermos a nossa localização.

NEC e616 aberto

O insucesso era de tal ordem que há umas semanas disse ao Simon, o meu congénere inglês, que só achava que se conseguiria algo, a tempo de ser mostrado para a semana que vem aos japoneses, se acontecesse um milagre de Fátima. Na quarta [12 de Maio de 2004], véspera de Nossa Senhora de Fátima, disse aos meus colegas que se conseguíssemos íamos todos jantar a Fátima. E no dia de Nossa Senhora de Fátima, quinta-feira [13 de Maio de 2004], tudo começou a bater certo. E no fim do dia havia algo pronto e demonstrável.

Eu não acredito em milagres mas que vou jantar a Fátima, vou.

Aliás lembram-se do post que aqui coloquei sobre Vilarinho das Furnas? Pois eu acho que Fátima é um sítio também cheio de energia e uma energia muito boa e tranquilizante. Não tem nada a ver com religião. Como o líder espiritual da comunidade Hindu de Portugal, que lá foi há umas semanas, e disse que o fazia por ser um dos lugares santos do mundo e porque se sentia a energia do lugar, não porque se pensasse Católico.

Mas estou a fugir à conversa. Sim! Pedi para mudar de grupo! Decidi que sou mais útil na empresa num grupo onde não esteja em conflito com o meu Team Leader e nem que para isso tenha que perder regalias de carreira, se é que naquela empresa existe tal coisa como carreira. O pedido foi aceite e será atendido assim que for possível, segundo palavras do administrador. Eu comuniquei o facto ao meu Team Leader e comprometi-me a cumprir as minhas funções no meu grupo actual até que a recolocação tome efeito. Ponto final!

quarta-feira, maio 12, 2004

Feriado de alguns

Hoje é feriado em Aveiro... Dia de Santa Joana Princesa! Um dia santo para alguns!

Um dia de trabalho para outros!

segunda-feira, maio 10, 2004

12 anos!

Há uns tempos que pensava que este ano fazia dez anos de namoro com a Cláudia. Ontem descobri que afinal são doze. Foi sexta-feira. Nem nos lembrámos!

Ao Pôr-do-sol em Death Valley

Ficam aqui umas palavras de outros, mas que podiam ser minhas, para celebrar o feliz evento:
"One love we don't need another love
One love one heart and one soul
We can have it all
Easy peasy

Any time you want me
Any time at all
Any time you need me
All you gotta do is call"

Em "One Love"- Stone Roses Ouvir excerto

quinta-feira, maio 06, 2004

Acerca dos nomes...

Ando a ler uma mini-série de banda desenhada chamada "The Books of Magic" (a primeira) em quatro números e escrita por Neil Gaiman, o escritor de Sandman, uma das mais aclamadas séries da banda desenhada actual. Esta é uma obra inicialmente editada em finais de 1990 e inícios de 1991, uma meia dúzia de anos antes do Harry Potter, mas que tem algumas semelhanças com aquelas histórias. É também a história de um miúdo que entra para o mundo da magia, mas aqui a história tem contornos muito pouco perceptíveis a menores de idade, pois o miúdo vive no nosso mundo e é levado a conhecer o lado negro da magia a ponto de quase não retornar.

The Books of Magic #1 The Books of Magic #2 The Books of Magic #3 The Books of Magic #4

Mas isto para falar dos nomes. Acontece que uma das primeiras coisas que o Timothy Hunter (é o nome do miúdo) aprende, e que é constantemente dito ao longo da sua caminhada pelo mundo da magia, é que saber o verdadeiro nome de uma pessoa é ter poder sobre ela, e que esse apenas pode ser revelado à aqueles que realmente confiamos.

Eu não concordo com esta perspectiva, porque se calhar não vivo no mundo da magia, mas na verdade há muita gente que não me conhece pelo verdadeiro nome e nem sequer imagina qual é.

A Cláudia no outro dia disse "quando ele ainda era Mané", mas na verdade ainda sou Mané para toda a minha família e antigos vizinhos na Maia. E a maioria dessas pessoas nem sabe e nem imagina que me chamo Rui, pois o Mané vem do meu segundo nome Manuel (e não de tolo ou palerma). Ainda há umas semanas encontrei a Susana e a Zaira, minhas amigas de infância e elas cumprimentaram-me como Mané.

Mas a Cláudia tinha razão, porque esse foi o "nome" que me acompanhou toda a infância e juventude. Só deixei de ser Mané, para a maioria dos meus amigos, quando vim estudar para Aveiro. Aliás em Aveiro apenas o meu primeiro colega de quarto – o Quim - é que me chamava esse nome e apenas por influência do meu irmão. Mas já voltamos a Aveiro.

No entretanto, na escola secundária (Fontes Pereira de Melo) era conhecido por "Canário". É cómico mas nunca me importei que me chamassem por alcunhas, desde que estas fossem usadas com respeito. Acho que é preferível assumir-mos as razões porque nos chamam esse nomes e aceitarmos as alcunhas, do que as usarem nas nossas costas para nos ofenderem. Ainda hoje o Miguel (Monteiro) me trata por "Canário" e foi por causa disso que me lembrei de escrever isto.

Mas se "Canário" pode parecer depreciativo, pois estava ligado ao facto de eu usar constantemente um casaco amarelo nesse tempo, a minha alcunha na universidade é bem mais chocante e prende-se ao facto de usar sempre cabelo comprido. Ainda hoje há (mesmo) muita gente que me chama "Lóló" porque não sabe o meu verdadeiro nome. E até a minha irmã, que veio para Aveiro depois de mim, herdou a alcunha.

Há um tipo que reclama que o "Lóló" vem do facto do meu irmão ser alcunhado de "Lúlú" (Luís) na Universidade de Aveiro, mas nada tem a ver. A verdade é que quando me mudei para Aveiro, em 1989, a cidade e a universidade eram muito conservadoras e tirando o (Luís) Pitta mais ninguém usava cabelo comprido. Por azar (ou por sorte) eu mudei no ano em que os caloiros só entraram em Janeiro, devido a greves dos professores, pelo que eu era um dos únicos caloiros na universidade, usava cabelo comprido e frequentava as aulas do segundo e terceiro ano de Electrónica. Era visível em qualquer ambiente, o que provocou algumas invejas.

Acontece que como caloiro (estrangeiro) ninguém sabia o meu nome, mas sabiam quem eu era. E era normal dividir a gasolina com uns conhecidos, à sexta-feira, para ir para o Porto. Numa dessas sextas-feiras, o João (Guerra) e o Novais dividiam os interessados na boleia pelos seus carros e o João para explicar quem era o tal Rui que ia com o Novais, chamou-me de "Lóló".

Primeiro foi uma alcunha um pouco depreciativa, mas com o tempo o João e todos aqueles que me viam com maus olhos, tornaram-se os meus melhores amigos na universidade e a alcunha passou a ser um termo carinhoso.

E é bonito ver um amigo telefonar para o meu local de trabalho e perguntar pelo "Lóló". Como eu não estava pediu para falar com o "Pipa" (Sérgio Santiago). E como ele também não estava pediu para dizer que era o "Vitó".

quarta-feira, maio 05, 2004

God is a comedian…

Não é que eu acredite! Mas inspira-me, por vezes, ler o horóscopo. Não é que não acredite! Mas há dias que leio!

Mas há um dia da semana em que não deixo de ler o horóscopo. Mas não é um qualquer. É o Freewill Astrology, às quartas-feiras.

Freewill Astrology

Foi um hábito que ganhei do meu tempo nos Estados Unidos. Acho que nos momentos menos bons procuramos saber se vão passar e agarramo-nos a oráculos que nos possam trazer respostas. Descobri este através do meu amigo Ben. Vale porque não nos dá respostas, mas leva-nos a pensar. Pode até não ter nada a ver com as estrelas, que dizem nos dita o destino ou pelo menos cria ambientes propícios a certas acções, mas todas as semanas põe-me a pensar em mudar qualquer coisa em mim no sentido da boa vontade (isto parece saído de uma qualquer religião).

É escrito por um "lunático" que por sinal vive em Marin County, Califórnia, a zona onde eu vivia quando por lá passei e onde vive toda aquela comunidade hippie que resultou dos loucos anos 60. O seu nome é Rob Brezsny, se isso interessa para alguma coisa. E no verão passado andou a casar gente no Burning Man, um festival inexplicável no meio do deserto do Nevada e que é uma das coisas que ainda me vai fazer voltar aos Estados Unidos, porque foi uma das coisas que me arrependo de não ter presenciado.

Mas, estava a falar dos horóscopos, e esta semana permito-me partilhar a mensagem que lá está para o meu signo (Leão):
"God is a comedian playing to an audience that is too afraid to laugh," meditou o filósofo francês do século XVIII Voltaire. O que é irónico, eu acrescentaria, é que no momento em que te enches de coragem para rir, as piadas de Deus tornam-se estimulantes mais do que cruéis. Têm um efeito purificador, e frequentemente tendem a destruir os obstáculos aos teus sonhos. Estás preparado para a transição, Leão? O presságio planetário sugere que amadureceste suficientemente para achares que o próximo murro divino é histericamente cómico.

Por outras palavras, se não tivermos capacidade de rir das coisas más que nos acontecem perdemos a capacidade de viver... felizes! Eu continuo a tentar rir-me todos os dias dos murros divinos. Às vezes é difícil, mas tento...

segunda-feira, maio 03, 2004

As fotos...

Hoje comprei um scanner novo que me permite digitalizar negativos. Um Epson Perfection 1670 Photo.

Estive a experimentar digitalizar uns filmes e experimentei com as fotos tiradas com a minha half frame Olympus PEN EE-3. Como prometido aqui estão as primeiras provas.

Lá em cima passa duas vezes ao diaPassando à Misericórdia

Quando ele ainda era Mané!

Vocês viram aquela foto do gajo! Eu conheci-o assim. Parecia que tinha 15 anos, apesar de já ter 18! E tinha as míudas todas atrás deles. E eu não entendia.
Usava uma "palinha" e as calças dobradas em baixo. Muito rockabilly.
Era tão puto!!!

Diário de um Trabalhador

Ontem li no Expresso que três jornalistas d' "O Primeiro de Janeiro" tinham sido despedidos por causa de uns posts que tinham colocado num blog de seu nome Diário de um Jornalista. Hoje resolvi investigar!

Se ontem tinha esperança na mudança deste país, hoje começo a ver que afinal nada mudou em 30 anos de liberdade de expressão.

Choca-me que uma empresa ameace os seus trabalhadores com despedimento por estes se encontrarem num café, fora das horas de trabalho, com ex-trabalhadores da mesma empresa e que se mudaram para a concorrência. Mas mais me choca que o concretize.

Será que o "Pasquim" é caso único? Naaaaaa...

domingo, maio 02, 2004

Inspiração

Hoje [Domingo, 02 de Maio de 2004] no jornal Público vem um artigo sobre o Luís Pato, o pai da Filipa. Aliás o artigo inclui uma parte sobre a filha... Mas na verdade é bom ler coisas que nos dão razão e vindas de alguém com a experiência do Mr. Baga da Bairrada (como é chamado no artigo), dá-nos força, porque às vezes chego a pensar que estou só e errado.

Luís Pato

Gosto especialmente de frases como "não é Portugal que é pequeno, os seus vinhos é que podem ser grandes lá fora se os produtores estiverem dispostos a ceder na sua orgulhosa auto-insuficiência" que me fazem pensar até que ponto é que isto não se pode aplicar a empresas como a que eu trabalho. Porque não ceder e deixarmo-nos ajudar? Mas com ideias! Não podemos ficar eternamente à espera dos subsídios.

"Sempre tivemos um espírito de pobreza e aí o salazarismo foi marcante, na falta de rasgo, de perspectiva." Porque temos sempre que pensar como pensava Salazar quando dizia "Orgulhosamente Sós"? Sermos portugueses já não acaba em Vilar Formoso, podemos sê-lo em qualquer parte do mundo e as fronteiras acabaram há muitos anos. O mercado é o mundo! E sozinhos não vamos a lado nenhum... Especialmente quando a União Europeia passou a ter quase o dobro das nações e o dobro dos mercados. O "orgulhosamente sós" aplicava-se quando o Salazar sabia que ao pertencer a qualquer comunidade teria que ceder o seu poder. O mesmo se aplica à direcção de algumas empresas que acham que pertencer a uma organização europeia implica perda de poder, quando juntos teremos muito mais poder para negociar com organizações maiores. Portugal é pequeno em telecomunicações, mas a Europa é suficientemente grande para competir com o Japão, Estados Unidos ou China.

"Muitos dos meus colegas produtores achavam caro viajar". Para mim esta traduz em muito a perspectiva da maioria dos gestores portugueses. Todos os anos vão de férias para o Algarve, ou para o local habitual, porque é aí que têm a sua casa de praia, e não conseguem aperceber-se que perdem as referências e não conseguem introduzir ideias novas. Quem se limita ao território nacional "não tem padrões de comparação, só faz o que sempre fez, não evolui nem quer evoluir".

Depois há a inovação. "Cultivo a inquietação. Quando deixar de fazer experiências, deixo de ser Luís Pato." Onde há inovação em Portugal? Nós fazemos o que nos mandam e não temos tempo para procurar ideias novas. Além disso não as procuramos porque as nossas referências continuam a ser os vizinhos da mesma rua. É surpreendente como numa empresa de tecnologia de ponta como a que trabalho continue a comparar-se a empresas da mesma rua e não a empresas do mesmo mercado e dimensão.

Somos pequenos, vemo-nos como tal e aceitamos que assim somos. Felizmente há bons exemplos de quem procura a excelência - "quero ser o melhor, não o maior" - em vez de se vender mais barato. E melhor é ver que este exemplo vem de uma região marcadamente conservadora e tradicionalista, uma "região imbuída de orgulho pela sua tradição vinícola", mas onde há excepções.

Há esperança!

sábado, maio 01, 2004

Dia do Trabalhador

Hoje, sábado, dia 1 de Maio de 2004, dia internacional do Trabalhador, eu estou a trabalhar.

Tomei o meu pequeno-almoço, já fiz o meu chá de Tília, pus os auscultadores, coloquei o "(the best of) NewOrder" no leitor de CDs do PC e vou começar a árdua tarefa de fazer aquilo que os outros não querem fazer.

Porque esse é o meu trabalho.