Tudo começou em 2000 com a minha ida para a Califórnia para um estágio. As Crónicas foram servindo de diário da aventura. E continuam, mesmo depois de voltar... E de voltar a sair para Inglaterra, Japão, Luxemburgo, França, Finlândia, Holanda, São Tomé, etc...
Cada aventura ou momento que me permito partilhar está aqui nas Crónicas da Califórnia.
segunda-feira, maio 07, 2007
Porra pá!
Eu sei que trabalhamos para viver, ao contrário dos americanos que vivem para trabalhar, mas esta falta de vontade (que é o que parece, por vezes) dos portugueses em querer pôr este país no mapa entristece-me e deixa-me sem vontade de continuar. Eu sei que não estou aqui para lutar sozinho contra uma cultura, mas apetecia-me lutar por alguma coisa (não contra) e não consigo.
O melhor é ir apanhar um pouco de sol para me lembrar porque é que ainda estou aqui!
quinta-feira, abril 26, 2007
Mário Mora
Diz um amigo de Mora:
- Está cá o Mora?
- Está. Está cá o Mora.
- Então agora o Mora mora em Mora?
- Mora, mora.
quinta-feira, março 15, 2007
J. Rentes de Carvalho
Há uns meses que ando para escrever isto (como muito mais coisas)! Mas há sempre alguma coisa que se intromete e acabo por protelar a escrita.Em Dezembro, no dia 12, escrevi aqui, num acto de inconformismo, sobre uma pessoa que não conhecia. Engraçado que uns dias depois, J. Rentes de Carvalho, sabendo do post, escreveu-me, mostrando que era completamente diferente daquilo que eu tinha pensado dele: "Amigos informam-me do texto de 12/12 no seu blog e dos comentários que nele me faz. Fui ler. Sorri. A juventude tem esse excelente privilégio de poder formular juízos ligeiros e exprimi-los no tom assegurado de quem trombeteia verdades fundamentais. Mas enfim... Com mais do dobro da sua idade posso permitir-me o sorriso. E, acredite, no que respeita vivências e viagens não tenho razão de queixa, nem inveja dos meus semelhantes.
Deixe-me ainda acrescentar que por natureza não sou triste. No campo social são bastantes os amigos e quando, como ontem à noite, a família mais chegada se senta a consoar, somos vinte e dois." Isto foi escrito precisamente no dia de Natal.
No entretanto já me tinha apercebido, pelo comentário do Luís Alves, que o Sr. J. Rentes de Carvalho, não era aquela imagem de pessoa que eu tinha criado na minha cabeça. J. Rentes de Carvalho tinha bem mais para contar que eu.
"Vejo que leva a vida com agradável humor. Prezo que assim seja…
Desde já peço desculpa se de alguma maneira se sentiu ofendido pelo que escrevi nesse texto de 12/12. Não era minha intenção, de maneira nenhuma, ofendê-lo, porque não sou do género ofensivo. Porém compreendo que usei a imagem que me foi passada de si, como arma de arremesso na 'discussão' com o Luís (de Boticas) Alves, sobre o prazer que se pode ter em viajar. […] E pelo que li da sua Biografia, vejo que não tem sido no seu quarto a ler um livro que tem passado a sua vida. Um dia, quando tiver o dobro da minha idade, espero poder rir assim de alguém que usa o meu nome em vão!" – Escrevi eu de prontidão.
Trocámos mais algumas mensagens e desde essa altura que tenho seguido o seu blog (criado precisamente nessa altura) quase com a mesma regularidade que ele é actualizado com uma nova história. E tem-se provado como eu estava errado no primeiro post. Pela coincidência, tenho a impressão que um dia ainda nos vamos cruzar algures... Porque se a Internet pode afastar, de certeza que ajuda a aproximar as pessoas.
Fica aqui a homenagem, o esclarecimento e a divulgação.
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Inquietude
Quando vim para Portugal (eu não retornei, por isso não sou “retornado”, mas mais refugiado) fui para a Maia. Terra que nada tinha a ver com o meu pai ou mãe. Aliás, era a terra adoptada pelos meus avós maternos, por uma questão profissional. Depois quando fui para a Universidade adoptei Aveiro como a minha terra, mas a verdade é que os laços que me unem a esta terra são circunstanciais e muito ténues (os meus amigos locais podem ficar ofendidos, mas sabem que uma verdadeira amizade não se faz depender de locais ou distâncias).
Tudo isto para dizer que, como dizia um ex-colega há uns tempos, ser emigrante é ser um desenraizado e a verdade é que eu sou emigrante na minha própria terra. E acho que a minha inquietude vem dessa vontade permanente de partir. Há uns tempos vi uma entrevista com o Dr. Fernando Nobre da AMI, em que ele dizia não ser capaz de ficar em casa muito tempo. Eu não sou assim, mas compreendo-o. Já olharam para um Leão numa jaula? Se ele pudesse sair estava lá?
Mas fiquei muito surpreendido no outro dia ao desfolhar umas revistas Volta ao Mundo. Fiquei surpreendido, porque não tive vontade de ir a nenhum dos destinos que estavam nas três revistas (minto, por momentos tive vontade de saltar para dentro das imagens que lá tinha de Lhasa e do Tibet). Mas o que mais me surpreendeu é que ao fim de muitos anos, mesmo não me sentindo um local, não tenho necessidade de me sentir um emigrante.
Tenho uma amiga que dizia que o mais sente saudades, quando está em Portugal, é de ser uma estranha. De ninguém a reconhecer e de poder assim se libertar de espartilhos. A verdade é que eu penso que não tenho muitos espartilhos e que não tenho receio de ser reconhecido. Mas sinto saudades de ser um estranho e de olhar em volta e saber que tudo aquilo que me rodeia é-me mais diferente que àqueles que lá vivem.
Tirando uma ida a Vigo em Janeiro, já não saia do território nacional, há um ano. Será que estou a perder as minhas inquietudes? Espero que não! Espero apenas estar a conseguir controlá-las melhor. É uma fase…
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Palhaça: "Mensagem pela manhã"
"Gostaria de informar que um dos nossos colegas sofre de um problema médico raro e conhecido por Disforia de Identidade do Género (DIG), mais comummente conhecido como Transexualidade. É uma condição incurável, mas tratável, que se pensa ser causada por um desequilíbrio hormonal na fase pré-natal, e não deve ser considerado um desvio, fetish ou uma opção de estilo de vida. Na sua essência uma pessoa que sofra desta condição, identifica o seu género de maneira diferente daquele que fisicamente e externamente apresenta. O tratamento para esta condição consiste em alterar o seu género físico da pessoa de modo a condizer com aquilo que sente interiormente.
Como resultado do seu tratamento de DIG e desejando fazer esta mudança de uma forma adulta e ponderada, Olegário Alho Lança vai deixar a empresa na sexta-feira, 23 de Março para retornar na segunda-feira 23 de Abril como Ongina Alho Lança, para viver e trabalhar como uma mulher.
Tenho a certeza que todos se juntarão a mim no desejo que esta transição corra sem problemas e sei que todos farão o possível para respeitar a Ongina e tratá-la como uma mulher."
E Rodrigo Rodrigues volta ao enchimento de chouriços...
(Serve este post de homenagem a Gisberta, uma transexual, brutalmente assassinada, no Porto, faz hoje um ano. E é baseado - como é costume na rubrica "Palhaça" - em factos verídicos da minha vida profissional, que ocorreram faz agora, também, três anos.)
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
A minha vida dava um filme de Luís Ismael
Ontem, fui jantar a casa de uns amigos a Esmoriz. Mas antes fui fazer uns quilómetros de BTT. Ao retornar a casa, tomámos, eu e o meu amigo, o caminho sobre o passadiço de madeira nas dunas da praia de Esmoriz. Já estava muito escuro!
Ao longe via-se uma luz verde, que com a proximidade se foi transformando numa máscara de Carnaval. Uma máscara do Homem-Aranha num miúdo de pouco mais 3 ou 4 anos.
Quando passámos pelo Homem-Aranha, que estava acompanhado por uma mulher, cumprimentámos:
- "Olá Homem-Aranha!"
Ao que o miúdo ficou parado a olhar para dois adultos vestidos de calções de lycra e casaco amarelo, em cima de duas bicicletas, provavelmente a pensar se aquela seria o nosso disfarce.
Tivemos que desmontar para descer umas escadas muito íngremes e fomos apanhados pelo Homem-Aranha, quando a sua acompanhante dizia:
- "Oh, Tomás anda embora".
E eu disse:
- "Mas afinal chamaste Tomás ou és o Homem-Aranha?"
E o Tomás acanhado parou e nem respondeu… Mas a acompanhante disse:
- "É o Homem-Aranha, mas é um homem-aranha murcãum".
E fomos embora a pensar o que é que a senhora queria dizer com aquilo… E a rir!
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
(Ex)Citação XXIV
"Some men see things as they are and say why - I dream things that never were and say why not."
George Bernard Shaw
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Jai Narayan Singh
Há quase um ano, fui abençoado para viver com o nome espiritual de Jai Narayan Singh, que significa: O vitorioso Leão de Deus, cuja alma é clara, pura e brilhante como a água límpida e fresca, que tem a claridade da percepção, que motiva e protege os outros, e que anda com graciosidade e coragem pela sua vida.
Jai significa: Vitória, a capacidade de ultrapassar obstáculos no caminho para o seu objectivo.
Narayan significa: Aquele cuja alma é clara, pura e brilhante como a água límpida e fresca, que tem a claridade da percepção, que motiva e protege os outros.
Singh significa: O Leão de Deus que anda com graciosidade e coragem pela sua vida. Singh é o nome que Yogi Bhajan dava a todos os homens. Ele ensinou que todos os homens têm o potencial de alcançar um grande estado de graça e coragem, de serem um grande leão-guerreiro de Deus, e ele encorajou todos os homens a manifestarem esse potencial.
domingo, fevereiro 11, 2007
Aulas de Kundalini Yoga
Estão abertos novos horários para a prática de Kundalini Yoga, segundo os ensinamentos de Yogui Bhajan, n’O Jardim de Lótus. O professor é Jai Narayan, que para quem não sabe, sou Eu (é o meu nome espiritual e ainda não vos contei, né?).
Às 3as e 5as das 9:15 às 10:30, mas se houver outras horas que vos agrade mais, digam-me, sff.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
X-Wife Taking Control
Há algum tempo que não ia a um concerto de rock. Sinceramente, já nem me lembro do último que fui. Mas, diria que foi o Super Bock Super Rock de 2004… Não! Foi a Siouxsie em Londres, em 2005. Mas por 7 euros não podia perder um concerto, aqui em Aveiro, numa sala minúscula e num espaço que não conhecia sob este conceito. Assim, faz hoje uma semana fui ver os X-Wife no auditório do Mercado Negro.
Digamos que a sala não será muito maior que a minha sala de casa, em anfiteatro, mas infelizmente com cadeiras… Mas estou-me a adiantar! Digamos que o bilhete que comprei dizia que tinha que o trocar pelo verdadeiro no dia e no local do concerto. E por isso cheguei às 22:15 (o concerto era às 23:00) ao Mercado Negro. Mas, ninguém sabia onde e como se fazia a troca. No balcão diziam que era no auditório e no auditório mandavam-nos para o balcão. Estaria tudo bem se o balcão e ao auditório não fossem um em cada lado do estabelecimento e em andares diferentes. Mas lá consegui “trocar” o bilhete temporário, colorido e bem feito, por um papel de rifa com um carimbo dos X-Wife em vermelho… O que vale é que nos deixaram ficar com o bilhete!
Vão ver…Hoje em Coimbra, amanhã em Leiria, depois de amanhã em Tondela, e depois em Lisboa, Caldas da Rainha, Esposende, Porto, Vila Real e Braga. Vejam no site deles onde e como.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
A minha vida dava um filme do Alfonso Cuarón
Estou a passar por uma fase da minha vida em que ponho tudo em causa. Afinal de contas o que é certo na minha vida? O Baltasar… Aconteça o que acontecer será sempre meu filho, e eu o pai dele!
Mas se mudar de profissão? Deixo de ser Engenheiro de Telecomunicações ou Programador… E se mudar de cidade? Aveiro deixa de ser a minha cidade… E se mudar de país? O português pode deixar de ser a minha língua… E se mudar…
Por isso mesmo por vezes tenho necessidade de ir até à Costa Nova, e andar na areia até muito próximo da rebentação. Para perceber porque é que ainda estou aqui! E tenho vontade de chorar quando olho para aquele mar, que todos os dias rebenta ali e não muda… Mas por outro lado, ninguém o consegue dominar!
Ontem fui até lá! E apeteceu-me tomar banho nu, mas estava muito frio e não tinha onde me limpar, se não... Aproveitei para apanhar um sol e lembrar-me que "Aconteça o que acontecer, a vida continua e o mar continuará a rebentar na praia!"
terça-feira, janeiro 09, 2007
O que eu gostava de estar a fazer?
Há uns meses, como exercício prático de um livro que estava a ler, escrevi aquilo que gostaria de estar a fazer daqui a 10 anos, mas que se pode encaixar em grande parte naquilo que eu gostava de estar a fazer neste momento. Eventualmente daqui a 10 anos pensarei de outra forma, mas neste momento gostaria de estar “a gerir uma equipa de pequena ou média dimensão” com 5 a 15 elementos no total, formada por “pessoas interessantes que convivem e se entreajudam no trabalho.” Eu acredito que da convivência nasce a partilha do conhecimento, a motivação e a vontade de criar melhor.
Numa empresa, minha ou não, que tenha “boas relações com os clientes e uma boa gestão dos procedimentos de modo a que o trabalho seja realizado convenientemente e de acordo com o planeado na gestão de projectos”. Esta empresa teria “boas relações entre as hierarquias de modo que haja ‘feedback’ (favorável ou desfavorável) para que haja evolução.” Uma empresa que acredita na formação contínua como maneira de valorização e evolução dos seus funcionários.
Uma empresa que acredite que o mundo é plano e tenha clientes de vários pontos do globo e que permita contactos internacionais mais ou menos permanentes. Evolui-se muito se assim for.
Uns tempos antes (Julho de 2005) escrevi dez desejos que gostava de ver realizados (não utopias), associados aos Chakras.
No primeiro dizia que queria “um emprego estável” e que não pedia “um bom emprego, porque isso não existe”. “Ou é estável ou é bom! Claro que um emprego estável seria numa empresa que desse perspectivas de estabilidade. Uma empresa que pela sua dimensão e história me fizesse sentir seguro. Mas que ao mesmo tempo me desse segurança e condições contratuais válidas.”
No terceiro escrevi que gostaria de “ser reconhecido pelo meu trabalho e pelas minhas capacidades. Não ser apreciado porque sou um cordeiro, um ‘yes man’, mas por ser um membro do grupo que apenas pretende o melhor para todos. Ser reconhecido como alguém que gera valor acrescentado o meio onde me insiro, quer seja profissionalmente, didacticamente, no lazer ou artisticamente.”
“Claro que isto depende do meu esforço, mas esse só depende de mim e não de um desejo.”
No quinto desejei “ser mais criativo”.
No sexto escrevi que gostaria de “estudar. Fiquei feliz e entusiasmado com o curso de gestão de projectos. Acho que bem implementado o sistema de gestão pode produzir frutos valiosos.”
“Tirar um MBA ou um curso de gestão.” Que iniciei em Outubro… Mas escrevi também que “o curso de Kundalini Yoga continua nos meus planos. Mais a longo/médio prazo”, e surpreendentemente comecei-o bem mais cedo que imaginava então (Dezembro).
No sétimo escrevi que gostaria de “ser eu. Não me comparar ou ser comparado com os outros.”
Mas a primeira vez que pensei nisto foi em Maio de 2005, na eminência de ficar desempregado, escrevi aquilo que chamei de utopia: “Gostava de trabalhar numa cidade de média dimensão, perto do mar e de atitude liberal. Se não fosse perto do mar, que não diste muito deste e que seja atravessada por um rio relativamente grande.”
“Numa empresa liberal, dinâmica e de tecnologia. Uma empresa onde as pessoas fossem valorizadas pelo seu desempenho e fossem reinforçadas quando mostrassem boas práticas. Onde o modo como se veste não fosse motivo para a desvalorização pessoal.”
“Uma empresa dinâmica capaz de estimular os seus colaboradores a serem activos na procura da qualidade do seu trabalho. Onde as pessoas não sejam valorizadas pela sua antiguidade, mas sim pela sua dinâmica.”
“Uma empresa de tecnologia porque essa é a minha área de formação e porque acho que essa é uma área de grande dinâmica.”
E sobre quanto gostaria de ganhar, escrevi que “eu sou um insatisfeito por natureza, por isso por mais dinheiro que ganhe nunca será suficiente. Por outro lado não me movo por dinheiro, embora o ache compensador. Movo-me mais por pessoas, equipas, projectos e ideais.” Como dizia alguém: “aquilo que mais gostamos de fazer até o faríamos de graça”, se não houvessem contas para pagar.
Mais recentemente, em Agosto, escrevi também sobre o mesmo assunto, porque “acho que sou das poucas pessoas que pensam nisso, no universo que me rodeia. Penso que a maioria se rendeu à sua existência e desistiu de lutar pelo ‘melhor’ emprego em prol de uma vida mais pacata. Eles também têm a sua razão!”
Mais numa perspectiva de mais longo prazo, e uma vez que “o facto de dificilmente ver este desejo a ser cumprido, em Portugal, cada vez mais me motivo para abrir um negócio meu. Porém não desejaria” de o fazer numa empresa de “tecnologia, porque embora acredite que de momento Portugal tem vantagem competitiva nessa área, rapidamente seremos apanhados pelos países de leste e rapidamente ultrapassados pela China, Índia ou Brasil.” Além de que neste momento, e depois da última desilusão, cada vez menos acredito em engenheiros-gestores e acho que começo pouco a acreditar numa empresa minha nesta área.
“Eu acredito que maior e melhor recurso de Portugal é e será o bem-estar. O sol, a gastronomia, o ‘savoir vivre’ do português e é sem dúvida algo que poderemos ‘vender’ turisticamente.”
“O que me questiono é como ‘vender’ algo que é cultural?”
Provavelmente só o farei daqui a mais de 10 anos, mas penso que há mercado para receber estrangeiros e mostrar-lhes aquilo que nós fazemos e gostamos. Um dos meus sonhos é ter onde receber e saber receber… Porque isso é o que de melhor se faz em Portugal.
Resumindo: No imediato gostaria de trabalhar numa empresa estável que me desse perspectivas de evolução e me permitisse estudar. Onde pudesse exprimir a minha criatividade e onde fosse valorizado pelos meus esforços. Uma empresa com visão global, ou pelo menos internacional e de tecnologia. Onde estivesse a gerir uma equipa de pessoas interessante, com quem interagia e criasse produtos de qualidade, satisfazendo os clientes.
A mais longo prazo, uma empresa minha mas não de tecnologia, mas ligada aos contactos culturais e ao bem-estar, em Portugal.
Estarei a sonhar?
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Apostar No Empreendedorismo Exige Novas Mentalidades
Apostar No Empreendedorismo Exige Novas Mentalidades
Celestino Flórido Quaresma
Portugal ainda está preso a uma mentalidade de ignorância, de iliteracia, de isolamento, de débil capacidade de liderança, de desejo de trabalhar por conta de outrem. Para grande parte dos jovens, o único objectivo é ter emprego e receber um vencimento ao fim do mês. Sem nenhum entusiasmo, sem nenhuma apetência para criar a sua própria ocupação, geradora de riqueza
O nosso Governo está a apostar no chamado Plano Tecnológico. Mas, para termos um plano tecnológico, precisamos primeiro de um plano eficaz para mudar as mentalidades. Para que se incuta em todos nós um espírito de exigência, de qualidade, de rigor e de pontualidade. A todos os níveis, na escola, na vida profissional e mesmo na nossa vida pessoal. Exigência para com os professores, para com os alunos, para com os nossos fornecedores de bens ou serviços, para com os nossos colegas e, sobretudo, exigência para com nós próprios; Para incutir em cada um de , nós um espírito de inovação. Um espírito empreendedor. Em todas as actividades em que estejamos envolvidos! Enquanto estudamos. Enquanto trabalhamos por conta própria ou por conta de outrem.
Se aumentarmos o nosso espírito de iniciativa, tornamos mais empreendedoras, mais rigorosas e mais exigentes as pessoas que nos rodeiam. A começar pela exigência de pontualidade. Eliminemos, mesmo, o quarto de hora académico e coimbrão. Incentivemos, sobretudo nas escolas, o culto da pontualidade.
Portugal ainda está fortemente preso a uma mentalidade consequente da ignorância, da iliteracia, do isolamento, da débil capacidade de liderança, do desejo de trabalhar por conta de outrem. Para grande parte dos jovens, o único objectivo é ter emprego. Para receber um vencimento ao fim do mês. Sem nenhum entusiasmo por aquilo que quer fazer, nem pela sua realização pessoal. Sem nenhum entusiasmo pela produção. Sem nenhuma apetência para criar a sua própria ocupação, geradora de riqueza.
Os jovens diplomados vêm de meios académicos pródigos em praxes e em festas. Neste ambiente, paira-se num mundo maravilhoso, onde parece não haver riscos. Mas a vida real não é assim e isso complica tudo quando se sai desse mundo para um outro bem diferente. Surgiram algumas licenciaturas novas nas últimas décadas, com designações impensáveis, sem nenhum conteúdo que dê resposta às reais necessidades da comunidade. E fogem para esses cursos aqueles que buscam facilidades mas que vão ser vítimas delas. Ficam vazias as licenciaturas com conteúdos científicos e tecnológicos que levam à capacidade de decisão e à criatividade fundamentadas no conhecimento científico. Porque, nessas licenciaturas, ainda se exige algum esforço. Temos hoje excesso de licenciados em coisa nenhuma. Que nem, ao menos, trazem cultura geral. Que têm, no fim do curso, a sensação de uma total inutilidade. É importante aprender. É importante saber. É urgente alertar para isso os estudantes. Para não serem enganados pelas notas altas dos professores que não exigem. Para não serem enganados por diplomas que pouco ou nada valem. Hoje, quem avalia o valor das pessoas, o seu saber e a sua competência é o mercado de trabalho!
É urgente levar o rigor, a exigência e o culto do saber a todos os graus de ensino. Promover o culto da pontualidade. Promover o respeito pelo tempo, porque o tempo é um bem escasso e, por isso, é fundamental e precioso. É importante que os jovens se habituem a pensar e a lançar as suas ideias, a sugerir novos processos de trabalho e de relacionamento entre as pessoas no ambiente de trabalho, a lutar contra dificuldades de toda a ordem. A lutar pelas soluções e pelos rumos em que se acredita. A serem ambiciosos e exigentes consigo próprios e com os outros. A inovação e o empreendedorismo só resultam em sucesso com muito trabalho, muito esforço e muita persistência. E tudo isto com entusiasmo, com boa disposição e bom humor, quer a trabalhar por conta de outrem quer na criação do seu próprio trabalho. Só é inovador e empreendedor quem gosta do que faz, quem tem entusiasmo e anda bem disposto. É assim que se tem êxito profissional. É assim que se faz Inovação e se é Empreendedor.
In Espaço Público, Público, Domingo, 24 de Dezembro de 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Boas Festas / Happy Holidays / Joyeuses Fêtes / ...
São os votos do Baltasar e pais...
terça-feira, dezembro 12, 2006
Zona de Conforto
A verdade é que este curso é fruto de uma série de coincidências que levaram a oportunidades, e com a vontade das diferentes partes envolvidas resultou numa boa oportunidade final. Se não quem se lembraria de juntar 16 alunos espanhóis e 13 alunos portugueses, mais uma professora portuguesa (que vive em Inglaterra há 30 anos), dois ingleses, uma mexicana e um espanhol no mesmo caldeirão, mexer e fazer a poção? Isto em duas cidades, uma em Portugal (Aveiro) e outra em Espanha (Vigo).
É difícil explicar em poucas palavras a emoção que isto me transmite, porque afinal este é o fruto de um trabalho árduo, e por vezes ingrato, de vários anos. É o acreditar de muita gente!
Mas, a semana passada deparei-me com pensamentos do género – “Eu sempre desejei isto. Cheguei a pensar fazê-lo em Inglaterra ou em Madrid. Mas agora vai acontecer aqui e eu estou a organizá-lo. Mas acontece numa altura em que não faço Yoga há 6 meses, onde a minha vontade de o fazer está no mínimo e onde as minhas crenças estão de rastos.” Acho que isto acontece por ser um teste… E durante o fim-de-semana deparei-me com pessoas que se questionavam sobre o mesmo. “O que estou aqui a fazer?” “Quero me ir embora” deve ter passado, e passou, pela cabeça de vários alunos.
Mas na verdade é que mexe com a nossa zona de conforto. É muito mais fácil não querer e ficar em casa a ver televisão ou nem me preocupar com o que como ou faço. Parece aquela frase do J. Rentes de Carvalho, que o Luís pôs como comentário ao meu post sobre as minhas viagens, “A viagem ideal? Atravessar a Índia com um bom livro sem sair da cama.” Pois! Muito sinceramente tenho muita pena do senhor J.R.C., porque sinceramente deve ser uma pessoa muito triste e sozinha. E pouco dada a mudanças! Porque sinceramente não consigo ler um livro sobre S. Tomé que consiga traduzir o que senti lá, posso experimentar de novo as sensações de lá ter estado ao ler o livro, mas ninguém me tira o prazer de ter vivido, cheirado, provado, comido ou privado com o povo, a terra ou os recursos do local. No fundo porque saí da minha zona de conforto e experimentei!
Por acaso, será que o Sr. J.R.C. tem sexo com um livro sem sair da cama? Ou come um bom prato, lendo um livro, sem sair da cama? Ou mesmo… Será que já teve um filho por ler um livro… Sem sair da cama?
É a diferença entre o saber ensinado e o saber experimentado. Um implica algum conforto e pouco tempo, o outro implica algum esforço, mais tempo, mas mais benefícios. Eu prefiro continuar a experimentar e espero um dia atravessar a Índia, com um bom livro… Para escrever as minhas experiências!
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Semi-aniversário
Seis meses de sorrisos, choros, cólicas, fraldas, chichis na cama, horas de sono a menos, sustos, medos, sonhos, brinquedos, mimos, cocós fedorentos, banhos molhados, tosse, leite, bombas, biberões, bodies, babygrows… Meio ano de alegria!
(a composição é da autoria da Cláudias. As fotos são dos dois!)
terça-feira, novembro 28, 2006
sexta-feira, novembro 10, 2006
José Pinto dos Santos
Foi assim que foi apresentado, José Pinto dos Santos:
"O que é que há de comum entre Belmiro de Azevedo... Américo Amorim... Henrique Granadeiro... João Pereira Coutinho... Paulo Teixeira Pinto... e Ricardo Espírito Santo Salgado?
Estes homens vão reunir-se com mais 20 dirigentes das maiores multinacionais do mundo, numa iniciativa do Presidente da República, para ouvirem um dos maiores mestres de gestão de empresas.
Português... filho de um alfaiate do Porto, a viver fora do país há 20 anos e professor na maior Escola de Gestão do Mundo... José dos Santos vai dar uma lição a empresários e banqueiros mas... antes fala aos portugueses... na GRANDE ENTREVISTA, quinta-feira, logo após o Telejornal."
Estejam atentos pois penso que irão ouvir falar dele mais vezes. Foi um dos mentores do programa Contacto.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Recordar: O que eu não fiz...
Em Portugal, fui à Madeira de barco-à-vela, mas nunca fui à Malcata.
Em Espanha, comi tapas, mas não fui a Cuenca.
Em França, bebi Bordeaux, mas não bebi champagne.
No México, bebi Tecate, mas não bebi tequilla.
Na Escócia, comi black pudding, mas não bebi whiskey.
Nos Estados Unidos, visitei 5 estados, mas não fui ao Burning Man.
Na Bélgica, bebi muita cerveja, mas não visitei a Leffe.
Na Holanda, fui a um coffee shop, mas não comi um space cake.
No Canadá, estive um fim-de-tarde, mas não jantei.
Em São Tomé, comi muita fruta exótica, mas não provei os caracóis.
Em Andorra, comprei um DVD, mas não fiz ski.
Na Finlândia, tomei banho nos lagos, mas não fiz sauna.
Na Croácia, fiz muita praia, mas não fiz nudismo.
Na Alemanha, tive tão ocupado que já nem sei o que fiz.
No Japão, bebi muito saké, mas não fui ao karaoke.
Na Bósnia-Herzegovina, fui a Mostar, mas não fui a Sarajevo.
No Luxemburgo, visitei os jardins, mas não visitei as catacumbas.
Na Irlanda, fiz muitos quilómetros, mas não fui feliz.
No País de Gales, passei e quase nem parei.
Na Inglaterra, aprendi muito, mas... Porque é que não fiquei lá?
Já só me faltam visitar 172 países neste planeta. Pelo que, mesmo à razão de visitar dois países por ano, eram preciso mais 86 anos para visitar todos. E mesmo que eu quisesse ter uma média de visita de um país por ano de vida, ainda me faltam 16. Pelo que teria que nos próximos 16 anos visitar dois por ano para poder estabelecer essa marca.
O melhor é nem pensar muito nisso.
quarta-feira, novembro 01, 2006
Mensário 5
O mês passado não escrevi aqui nada sobre o "mensário" do Baltasar. Não que me tenha esquecido, aliás porque houve festa no devido sítio, mas porque achei por bem não fazê-lo.
Mas este mês temos fotografias novas e como andam sempre a pedir-me para enviar, fica aqui mais uma. Dos seus 5 meses...