Tudo começou em 2000 com a minha ida para a Califórnia para um estágio. As Crónicas foram servindo de diário da aventura. E continuam, mesmo depois de voltar... E de voltar a sair para Inglaterra, Japão, Luxemburgo, França, Finlândia, Holanda, São Tomé, etc...
Cada aventura ou momento que me permito partilhar está aqui nas Crónicas da Califórnia.
segunda-feira, outubro 08, 2007
quarta-feira, outubro 03, 2007
segunda-feira, outubro 01, 2007
(Ex)Citação XXVIII
Perguntaram ao Dalai Lama...
"O que mais te surpreende na Humanidade?"
E ele respondeu:
"Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... ...e morrem como se nunca tivessem vivido."
"O que mais te surpreende na Humanidade?"
E ele respondeu:
"Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... ...e morrem como se nunca tivessem vivido."
sexta-feira, setembro 28, 2007
Prós e Contras!!!
Segunda-feira fui à Figueira da Foz assistir, ao vivo, ao programa Prós e Contras da RTP1. Não tinha convite, mas a sala era suficiente para albergar toda a gente. Desde os autarcas de bigode e as suas esposas, claramente vestidas como se fossem para um casamento ou baptizado, como se aquele fosse o maior evento do ano na sua terra, até aos convidados, naturalmente de fato e gravata, passando pelos espectadores, que se vestiram mais formalmente, uma vez que podiam aparecer na televisão.
O programa versava as "Vidas electrónicas - A inovação e criatividade das redes ao serviço das empresas" e como convidados principais tinha o Prof. Borges Gouveia da Universidade de Aveiro, o Diogo Vasconcelos da Cisco, Eng. Paulo Nordeste da PT Inovação e o Dr. Carlos Zorrinho coordenador nacional do Plano Tecnológico. Depois haviam vários outros convidados espalhados pelo público representando a Universidade de Aveiro e a de Coimbra, a Microsoft, o parque BioCant, a autarquia local e diversas empresas de base tecnológica de Braga e Lisboa.
Aparentemente Aveiro até que parece bem representada, com 50% do painel principal e ainda com uma delegação de imensos professores da Universidade e ainda representantes do programa Aveiro Digital. Porém, se virmos nenhum (excepto o Prof. Pedro Almeida que foi falar do "Second Life") teria menos que 40 anos, e de todos os que falaram nenhum teria menos de 50 anos. O Prof. Assunção que falou em nome da Universidade de Aveiro perdeu-se nos seus próprios pensamentos sem conseguir sequer dar a imagem de dinamismo que a Universidade tem. O vice-reitor da Universidade de Coimbra conseguiu "vender" muito melhor o seu produto, mesmo podendo ser claramente inferior em termos de inovação (que penso ser).
O Prof. Borges Gouveia foi mostrar galhardetes e falar do que faziam, há 30 anos, ele e o seu amigo Dr. José Salcedo – Multiwave. Este último esteve muito mais à altura da inovação que se pretendia no programa, mostrando uma atitude muito mais empreendedora, muito mais crítica e aliás bem fundamentado e coerente. Porque o primeiro apenas falou do passado e debitou nomes de pessoas, por hipótese ligada à inovação em Portugal, como se de amigos do peito se tratassem.
Depois o Eng. Paulo Nordeste, que foi mostrar uma placa que vai revolucionar as comunicações em Portugal e que permite ligar a 100 Mb, 32 pessoas… Bem! Eu não percebi se eram 100Mb por pessoa, ou a dividir pelos 32. Mas se era esta última hipótese, dava cerca de 3Mbs a cada uma... Isso é um bocado "século XX" não? Hello!!! Estamos em 2007! Além disso, claramente a Fátima Campos Ferreira – a apresentadora – não lhe achou muita piada porque ela deu-lhe apenas duas, ou três vezes, a palavra. Uma no início para ele se apresentar, uma a meio para mostrar as placas e no fim para ele se "enterrar". Se a PT Inovação foi eleita a empresa do ano em Portugal (pela revista Exame) imaginem como está a inovação neste país.
Claramente Aveiro não ficou bem na fotografia, ao contrário de Coimbra e Braga. Mesmo a Maia e Lisboa mostraram melhor. Braga mostrou que tem uma dinâmica empresarial na área da inovação bastante boa, sendo mesmo chamada de uma espécie Silicon Valley. Coimbra mostrou que mexe e que cria empresas inovadoras, embora as que lá se fizeram representar fossem de áreas ligadas à biotecnologia e saúde (embora congelar seja uma ciência já conhecida há muitos anos e pouco tem de inovador "congelar as células estaminais presentes no sangue do cordão umbilical de um recém nascido" e um negócio que se aproveita dos medos e da ignorância das pessoas, para além de ser pouco ético, não tem grande futuro).
Eu penso que as oportunidades não se ganham. As oportunidades criam-se. Aproveitam-se ou perdem-se! E Aveiro não anda a aproveitar as oportunidades que lhe dão! Anda a perder... Exemplos de quem soube aproveitar a oportunidade foi a da Universidade de Coimbra, o parque tecnológico BioCant, a MobiComp, a ISA, o Diogo Vasconcelos (o melhor orador, sem dúvida) - em termos próprios e para a Cisco - e o Carlos Zorrinho, para o governo.
Cooperação, Qualificação, Banda Larga (a preço estreito) e Atitude foram as palavras chave que serviram de conclusão ao debate. Em primeiro lugar, aqui, falta mesmo muita atitude (vejo isso todos os dias) e, em segundo, não há ainda muita colaboração (onde estava a Inova Ria?).
Se quiserem podem ver a 1ª Parte, 2ª Parte e a 3ª Parte.
P.S.: Caricata a cena, antes de começar o programa, quando a Fátima Campos Ferreira revia o nome e a presença dos convidados, quando chama pelo Eng. Rui Cordeiro, representante da Critical Software, e alguém responde por ele, dizendo que ele não estaria. Ele realmente não estava naquela mesa, mas estava sentado na mesa ao lado da minha, numa lateral, com medo de falar ou já sabendo que não iria falar (porque ninguém da Critical acabou por falar no programa).
O programa versava as "Vidas electrónicas - A inovação e criatividade das redes ao serviço das empresas" e como convidados principais tinha o Prof. Borges Gouveia da Universidade de Aveiro, o Diogo Vasconcelos da Cisco, Eng. Paulo Nordeste da PT Inovação e o Dr. Carlos Zorrinho coordenador nacional do Plano Tecnológico. Depois haviam vários outros convidados espalhados pelo público representando a Universidade de Aveiro e a de Coimbra, a Microsoft, o parque BioCant, a autarquia local e diversas empresas de base tecnológica de Braga e Lisboa.
Aparentemente Aveiro até que parece bem representada, com 50% do painel principal e ainda com uma delegação de imensos professores da Universidade e ainda representantes do programa Aveiro Digital. Porém, se virmos nenhum (excepto o Prof. Pedro Almeida que foi falar do "Second Life") teria menos que 40 anos, e de todos os que falaram nenhum teria menos de 50 anos. O Prof. Assunção que falou em nome da Universidade de Aveiro perdeu-se nos seus próprios pensamentos sem conseguir sequer dar a imagem de dinamismo que a Universidade tem. O vice-reitor da Universidade de Coimbra conseguiu "vender" muito melhor o seu produto, mesmo podendo ser claramente inferior em termos de inovação (que penso ser).
O Prof. Borges Gouveia foi mostrar galhardetes e falar do que faziam, há 30 anos, ele e o seu amigo Dr. José Salcedo – Multiwave. Este último esteve muito mais à altura da inovação que se pretendia no programa, mostrando uma atitude muito mais empreendedora, muito mais crítica e aliás bem fundamentado e coerente. Porque o primeiro apenas falou do passado e debitou nomes de pessoas, por hipótese ligada à inovação em Portugal, como se de amigos do peito se tratassem.
Depois o Eng. Paulo Nordeste, que foi mostrar uma placa que vai revolucionar as comunicações em Portugal e que permite ligar a 100 Mb, 32 pessoas… Bem! Eu não percebi se eram 100Mb por pessoa, ou a dividir pelos 32. Mas se era esta última hipótese, dava cerca de 3Mbs a cada uma... Isso é um bocado "século XX" não? Hello!!! Estamos em 2007! Além disso, claramente a Fátima Campos Ferreira – a apresentadora – não lhe achou muita piada porque ela deu-lhe apenas duas, ou três vezes, a palavra. Uma no início para ele se apresentar, uma a meio para mostrar as placas e no fim para ele se "enterrar". Se a PT Inovação foi eleita a empresa do ano em Portugal (pela revista Exame) imaginem como está a inovação neste país.
Claramente Aveiro não ficou bem na fotografia, ao contrário de Coimbra e Braga. Mesmo a Maia e Lisboa mostraram melhor. Braga mostrou que tem uma dinâmica empresarial na área da inovação bastante boa, sendo mesmo chamada de uma espécie Silicon Valley. Coimbra mostrou que mexe e que cria empresas inovadoras, embora as que lá se fizeram representar fossem de áreas ligadas à biotecnologia e saúde (embora congelar seja uma ciência já conhecida há muitos anos e pouco tem de inovador "congelar as células estaminais presentes no sangue do cordão umbilical de um recém nascido" e um negócio que se aproveita dos medos e da ignorância das pessoas, para além de ser pouco ético, não tem grande futuro).
Eu penso que as oportunidades não se ganham. As oportunidades criam-se. Aproveitam-se ou perdem-se! E Aveiro não anda a aproveitar as oportunidades que lhe dão! Anda a perder... Exemplos de quem soube aproveitar a oportunidade foi a da Universidade de Coimbra, o parque tecnológico BioCant, a MobiComp, a ISA, o Diogo Vasconcelos (o melhor orador, sem dúvida) - em termos próprios e para a Cisco - e o Carlos Zorrinho, para o governo.
Cooperação, Qualificação, Banda Larga (a preço estreito) e Atitude foram as palavras chave que serviram de conclusão ao debate. Em primeiro lugar, aqui, falta mesmo muita atitude (vejo isso todos os dias) e, em segundo, não há ainda muita colaboração (onde estava a Inova Ria?).
Se quiserem podem ver a 1ª Parte, 2ª Parte e a 3ª Parte.
P.S.: Caricata a cena, antes de começar o programa, quando a Fátima Campos Ferreira revia o nome e a presença dos convidados, quando chama pelo Eng. Rui Cordeiro, representante da Critical Software, e alguém responde por ele, dizendo que ele não estaria. Ele realmente não estava naquela mesa, mas estava sentado na mesa ao lado da minha, numa lateral, com medo de falar ou já sabendo que não iria falar (porque ninguém da Critical acabou por falar no programa).
sábado, setembro 08, 2007
Deprê, parte 456
Às vezes ponho-me a pensar o que estou aqui a fazer? Muitas vezes…
Porque será que estamos cá na terra? Fizemos, ou não fizemos, algo noutra vida que nos tenha obrigado a voltar cá para o corrigir, ou fazer?
Qual é o objectivo disto tudo? Estamos aqui para ser felizes ou para ganhar dinheiro? Para partilhar momentos ou para os vivermos sozinhos? Para ficarmos onde estamos ou para sairmos e procurarmos algo mais? Para aprendermos ou para pura e simplesmente deixarmos fluir? Afinal de contas o fim é igual para todos!
Acho que todos nos perguntamos isto. Mas penso muitas vezes que, se tudo na vida serve de aprendizagem e todos os momentos porque passamos são para nos prepararmos para algo, porque é que eu fui para os Estados Unidos trabalhar? Porque estive no Japão? O que me aconteceu em Inglaterra tem algum significado para mim. Mas o Japão? De que me serviu? Talvez o futuro me fará ver que houve alguma razão… Talvez não!
A verdade é que não encontro nenhuma razão para muita coisa que fiz ou faço. Mas deixarei de as fazer por causa disso? Começo a ficar farto de muita coisa. Começo a ter pouca paciência… Acho que é da idade!
Eu sei que vocês todos se devem questionar como eu. Mas quando encontrarem uma boa resposta, podem partilhá-la comigo? Eu prometo que porei aqui quando encontrar alguma… (Se calhar por isso é que não tenho escrito nada!)
Vou dormir. A ver se estou mais bem disposto para "ver" o Escócia-Portugal amanhã… Em Rugby claro, porque em futebol valha-nos a Santa Qualquer-Coisa.
Porque será que estamos cá na terra? Fizemos, ou não fizemos, algo noutra vida que nos tenha obrigado a voltar cá para o corrigir, ou fazer?
Qual é o objectivo disto tudo? Estamos aqui para ser felizes ou para ganhar dinheiro? Para partilhar momentos ou para os vivermos sozinhos? Para ficarmos onde estamos ou para sairmos e procurarmos algo mais? Para aprendermos ou para pura e simplesmente deixarmos fluir? Afinal de contas o fim é igual para todos!
Acho que todos nos perguntamos isto. Mas penso muitas vezes que, se tudo na vida serve de aprendizagem e todos os momentos porque passamos são para nos prepararmos para algo, porque é que eu fui para os Estados Unidos trabalhar? Porque estive no Japão? O que me aconteceu em Inglaterra tem algum significado para mim. Mas o Japão? De que me serviu? Talvez o futuro me fará ver que houve alguma razão… Talvez não!
A verdade é que não encontro nenhuma razão para muita coisa que fiz ou faço. Mas deixarei de as fazer por causa disso? Começo a ficar farto de muita coisa. Começo a ter pouca paciência… Acho que é da idade!
Eu sei que vocês todos se devem questionar como eu. Mas quando encontrarem uma boa resposta, podem partilhá-la comigo? Eu prometo que porei aqui quando encontrar alguma… (Se calhar por isso é que não tenho escrito nada!)
Vou dormir. A ver se estou mais bem disposto para "ver" o Escócia-Portugal amanhã… Em Rugby claro, porque em futebol valha-nos a Santa Qualquer-Coisa.
sexta-feira, julho 27, 2007
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quinta-feira, julho 26, 2007
(Ex)Citação XXVII
"Leap and the net will appear."
Ditado Zen
(Ex)Citação XXVI
"The best way to predict your future is to create it."
Peter Drucker
(Ex)Citação XXV
"Almost everything comes from almost nothing."
Henri-Frédéric Amiel
segunda-feira, julho 02, 2007
sexta-feira, junho 29, 2007
I don't want to be nice
Estava aqui a ouvir o álbum de homenagem a Martin Hannett, o produtor dos Joy Division, Happy Mondays, U2, New Order, The Durutti Column e tantos outros - "Zero: A Martin Hannett Story 1977-1991" - e encontrei um tema de um senhor que já não ouvia desde que não uso gira-discos ou leitor de cassetes. Um tal de John Cooper Clark, que lia dois poemas no "Short Circuit - Live at the Electric Circus" uma das primeiras gravações dos Joy Division (que eu, como fã, tinha e ouvia regularmente). O homem é mesmo britânico e tem um senso de humor apurado... Em verso! E até de visual...

Here he comes now....
The fast fingers, the expert eyes
And the same old 'how'd you do'
Disgust is just his dumb disguise
He wants a word with you
His problems are the end
His mouth needs exercise
The last thing I need is another friend
I don't want to be nice
I don't want to be nice
I think it's clever to swear
Better seek some sound advice
Better look elsewhere
Your face is an obvious case
You shouldn't put it about
This is neither the time nor place
To sort these matters out
What you see is what you get
You only live twice
A friend in need is a friend in debt
I don't want to be nice
No we never met before
I'm very happy to say
Far from perfect strangers
I'd like to keep it that way
I'm not your psychoanalyst
I'd rather talk to mice
You're so easy to resist
I don't want to be nice
I don't want to be nice
I think it's clever to swear
Better seek some sound advice
Better look elsewhere
Your face is an obvious case
You shouldn't put it about
This is neither the time nor place
To sort these matters out
What you see is what you get
You only live twice
A friend in need is a friend in dept
I don't want to be nice

Here he comes now....
The fast fingers, the expert eyes
And the same old 'how'd you do'
Disgust is just his dumb disguise
He wants a word with you
His problems are the end
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terça-feira, junho 26, 2007
Sonhos de África
Não costumo lembrar-me muito dos meus sonhos, mas domingo de madrugada consegui recordar com exactidão o que tinha sonhado durante a noite. E estava tão nítido que temo que tenha alguma mensagem subliminar que ainda não consegui interpretar. Alguém aí me ajuda a interpretá-lo?
Viajava com um grupo de pessoas, amigos eventualmente, onde se incluía a Cláudia e o Baltasar. Ele ainda era pequeno, mas penso que já andava. Viajávamos em dois ou três jipes, ao longo da costa oeste de África, de Sul para Norte. Teríamos eventualmente ido de barco até algures na Mauritânia e subíamos até Marrocos, o nosso destino final, antes de voltarmos à península Ibérica.
A cena passa-se algures na Argélia, muito próximo da fronteira com Marrocos. No sul da Argélia, depois de nos termos perdido na nossa rota e falharmos a fronteira com Marrocos, encontrámos uma pequena cidade argelina. Lembro-me claramente das cores castanhas das casas e as ruas estreitas, que suponho são típicas naquele região do mundo, uma vez que nunca lá estive.
Obviamente houve algum burburinho à chegada destes ocidentais de jipe. Era fim de tarde e cheirava a deserto. Nós estávamos cansados e imundos, depois de alguns dias no deserto. E procurámos um sítio onde pernoitar ou indicações para chegar a outro local (não sei bem), mas éramos rodeados pela população local que nos queria vender algo e que não nos deixava avançar na nossa procura. Queríamos sair dali mas cada vez aglomerava-se mais gente à nossa volta, tornando a tarefa cada vez mais difícil. Lembro-me claramente de tentar salvaguardar a Cláudia, que trazia o Baltasar ao colo, da horda de locais. Mas com a confusão separámo-nos…
Até que a dada altura, quando tentava fugir da população e re-encontrar o resto dos companheiros de viagem, com quem estavam a Cláudia e o Baltasar, apareceram um grupo de negros, uns quatro ou cinco, altos e magros, mas robustos. Não eram locais, pois os locais não eram tão negros e tão altos. E a roupa era mesmo diferente.
Durante uns metros seguiram-me, acelerando o passo e intimidando-me. Até que me dirigiram a palavra, em francês (sim, lembro-me!) e disseram ser Senegaleses (quer acreditem quer não, eu achava que o Senegal era bem mais a sul e nem imaginava que fazia fronteira com a Mauritânia, mas a verdade é que ambos os nomes dos países estavam no meu sonho).
Parei e ameaçaram-me. Não tinham armas, mas um deles avançou na minha direcção com a intenção de me bater. Agarrou-me nos colarinhos e perguntou-me se eu estava a candidatar-me a presidente e se estava ali para fazer campanha eleitoral. Os outros ficaram atrás a ver, mas nenhum deles tinha mesmo intenção de fazer mal, mas apenas intimidar a mando do presidente da câmara municipal local (segundo eles me disseram).
E não me lembro de mais nada, pois acho que a seguir acordei com o Baltasar. Mas fiquei com estas imagens vivas na minha cabeça. E o mais impressionante é que me lembro das casas, do cheiro, da poeira do deserto, das cores do pôr-do-sol, de ser na Argélia, de ter viajado para a Mauritânia e de os tipos serem Senegaleses e de falarem francês. Como se realmente lá tivesse estado…
Viajava com um grupo de pessoas, amigos eventualmente, onde se incluía a Cláudia e o Baltasar. Ele ainda era pequeno, mas penso que já andava. Viajávamos em dois ou três jipes, ao longo da costa oeste de África, de Sul para Norte. Teríamos eventualmente ido de barco até algures na Mauritânia e subíamos até Marrocos, o nosso destino final, antes de voltarmos à península Ibérica.
A cena passa-se algures na Argélia, muito próximo da fronteira com Marrocos. No sul da Argélia, depois de nos termos perdido na nossa rota e falharmos a fronteira com Marrocos, encontrámos uma pequena cidade argelina. Lembro-me claramente das cores castanhas das casas e as ruas estreitas, que suponho são típicas naquele região do mundo, uma vez que nunca lá estive.
Obviamente houve algum burburinho à chegada destes ocidentais de jipe. Era fim de tarde e cheirava a deserto. Nós estávamos cansados e imundos, depois de alguns dias no deserto. E procurámos um sítio onde pernoitar ou indicações para chegar a outro local (não sei bem), mas éramos rodeados pela população local que nos queria vender algo e que não nos deixava avançar na nossa procura. Queríamos sair dali mas cada vez aglomerava-se mais gente à nossa volta, tornando a tarefa cada vez mais difícil. Lembro-me claramente de tentar salvaguardar a Cláudia, que trazia o Baltasar ao colo, da horda de locais. Mas com a confusão separámo-nos…
Até que a dada altura, quando tentava fugir da população e re-encontrar o resto dos companheiros de viagem, com quem estavam a Cláudia e o Baltasar, apareceram um grupo de negros, uns quatro ou cinco, altos e magros, mas robustos. Não eram locais, pois os locais não eram tão negros e tão altos. E a roupa era mesmo diferente.
Durante uns metros seguiram-me, acelerando o passo e intimidando-me. Até que me dirigiram a palavra, em francês (sim, lembro-me!) e disseram ser Senegaleses (quer acreditem quer não, eu achava que o Senegal era bem mais a sul e nem imaginava que fazia fronteira com a Mauritânia, mas a verdade é que ambos os nomes dos países estavam no meu sonho).
Parei e ameaçaram-me. Não tinham armas, mas um deles avançou na minha direcção com a intenção de me bater. Agarrou-me nos colarinhos e perguntou-me se eu estava a candidatar-me a presidente e se estava ali para fazer campanha eleitoral. Os outros ficaram atrás a ver, mas nenhum deles tinha mesmo intenção de fazer mal, mas apenas intimidar a mando do presidente da câmara municipal local (segundo eles me disseram).
E não me lembro de mais nada, pois acho que a seguir acordei com o Baltasar. Mas fiquei com estas imagens vivas na minha cabeça. E o mais impressionante é que me lembro das casas, do cheiro, da poeira do deserto, das cores do pôr-do-sol, de ser na Argélia, de ter viajado para a Mauritânia e de os tipos serem Senegaleses e de falarem francês. Como se realmente lá tivesse estado…
sexta-feira, junho 01, 2007
Aniversário
Há um ano estava um calor insuportável. O dia começou muito cedo, com a ida da Cláudia para o Hospital. Eu passei o dia a telefonar para o bloco de partos e a instalar um gravador de DVDs no PC.
Mais ou menos a esta hora fui comer uma francesinha ao Alicarius, aqui em Aveiro, com dois amigos - o Baltazar e o Fonseca. Comi muito à pressa, porque no último telefonema disseram-me, do bloco de partos, que lá estivesse por volta das 21:30 porque a Cláudia ia para o Bloco Operatório e podia estar um bocado com ela.
Desci no elevador com ela. Ela tinha contracções e quase não me ligava. Eu, nervoso, tentei ler um livro no corredor, que não tinha cadeiras para me sentar.
De repente, um enfermeiro, chamou-me para o bloco e... Lá estava ele! O Baltasar a chorar! Todo enrugado e vermelho! Vivo...
Foi há um ano, às 22:21! No dia Internacional da Criança... Que melhor prenda queríamos todos?
quinta-feira, maio 17, 2007
Construções na Areia
Em 1982, de férias na praia de Esmoriz (eu estava de férias, mas os meus pais trabalhavam lá) concorri ao Concurso de Construções na Areia, do Diário de Notícias.
Na altura a praia de Esmoriz ainda existia com bastante areia, o que me permitia ir experimentando algumas construções que a imaginação, de um miúdo de 12 anos, permitia. Idealizei uma cena tranquila com um pontão de madeira, um barco a remos e um mar calmo. E ia fazendo aquela construção de um lugar idílico, treinando para o grande dia do concurso.
Eu não queria ganhar! Queria apenas o segundo, ou terceiro prémio, que me dava direito a uma série de livros dos Cinco, os Sete e afins, escritos pela Enid Blyton. O primeiro prémio era uma bicicleta e como não sabia andar (que irónico, né?) não o desejava. Além disso os livros faziam-me mais felizes... Faziam-me sonhar!
Um dia estava eu a construir os meus sonhos em areia e o meu irmão destruiu todo o trabalho a que eu tinha dedicado o meu carinho. É triste quando aqueles que nos são próximo são os primeiros a destruir os nossos sonhos, mesmo que construídos em areia, numa praia que já não existe.
Ah! E ganhei a bicicleta... O que também me deixou um bocado triste! Mas aprendi uma coisa: que quando desejamos muito algo, podemos ganhar mais ainda.
Na altura a praia de Esmoriz ainda existia com bastante areia, o que me permitia ir experimentando algumas construções que a imaginação, de um miúdo de 12 anos, permitia. Idealizei uma cena tranquila com um pontão de madeira, um barco a remos e um mar calmo. E ia fazendo aquela construção de um lugar idílico, treinando para o grande dia do concurso.
Eu não queria ganhar! Queria apenas o segundo, ou terceiro prémio, que me dava direito a uma série de livros dos Cinco, os Sete e afins, escritos pela Enid Blyton. O primeiro prémio era uma bicicleta e como não sabia andar (que irónico, né?) não o desejava. Além disso os livros faziam-me mais felizes... Faziam-me sonhar!
Um dia estava eu a construir os meus sonhos em areia e o meu irmão destruiu todo o trabalho a que eu tinha dedicado o meu carinho. É triste quando aqueles que nos são próximo são os primeiros a destruir os nossos sonhos, mesmo que construídos em areia, numa praia que já não existe.
Ah! E ganhei a bicicleta... O que também me deixou um bocado triste! Mas aprendi uma coisa: que quando desejamos muito algo, podemos ganhar mais ainda.
Toca e foge...
Em provocação ao senhor Anónimo que deixou um comentário ao meu post "Porra pá!", ele também a provocar, deixo este pequena história:
Quando era miúdo saia muito cedo de casa. Entrava às 8:30 ou 9:00 da manhã e por isso saía por volta das 7:30, para apanhar a camioneta que me à escola. A minha mãe dava-me 5 escudos (0,025€) para o bilhete. Como o bilhete custava 4 escudos (0,02€) eu gastava o outro escudo em rebuçados e cromos para a minha caderneta de futebolistas ou personagens de desenho animado (da RTP, a única emissora na altura).
Quando saia no fim das aulas, vinha a pé para casa da minha avó. Vinha pelos campos e pelos caminhos que de manhã percorria de camioneta. A comer os rebuçados e a tocar às campainhas das casas por onde passava. Tocava e corria, fugindo com os meus amigos, dos donos das casas, que muitas vezes nos insultava.
Quando comecei a crescer comecei a deixar de tocar às campainhas! E de fugir...
Quando era miúdo saia muito cedo de casa. Entrava às 8:30 ou 9:00 da manhã e por isso saía por volta das 7:30, para apanhar a camioneta que me à escola. A minha mãe dava-me 5 escudos (0,025€) para o bilhete. Como o bilhete custava 4 escudos (0,02€) eu gastava o outro escudo em rebuçados e cromos para a minha caderneta de futebolistas ou personagens de desenho animado (da RTP, a única emissora na altura).
Quando saia no fim das aulas, vinha a pé para casa da minha avó. Vinha pelos campos e pelos caminhos que de manhã percorria de camioneta. A comer os rebuçados e a tocar às campainhas das casas por onde passava. Tocava e corria, fugindo com os meus amigos, dos donos das casas, que muitas vezes nos insultava.
Quando comecei a crescer comecei a deixar de tocar às campainhas! E de fugir...
quinta-feira, maio 10, 2007
Será que leram o meu blog?
Há uns minutos recebi uma chamada...
- "Hello? Is this Mister Rui Gonçalves?"
- "Ye... Yes!!" - gaguejei surpreso.
E a conversa continuou para o normal assunto se eu não estaria interessado em trabalhar em Inglaterra e blah, blah, blah!
Eu pergunto-me se terão visto o meu último post?
- "Hello? Is this Mister Rui Gonçalves?"
- "Ye... Yes!!" - gaguejei surpreso.
E a conversa continuou para o normal assunto se eu não estaria interessado em trabalhar em Inglaterra e blah, blah, blah!
Eu pergunto-me se terão visto o meu último post?
segunda-feira, maio 07, 2007
Porra pá!
Hoje estou naqueles dias em que me apetecia mandar este país às urtigas. Eu sei que temos qualidade de vida, sabemos comer e viver, mas ando ma passar com a falta de visão, falta de objectivos e falta de ambição que as empresas portuguesas e os portugueses têm.
Eu sei que trabalhamos para viver, ao contrário dos americanos que vivem para trabalhar, mas esta falta de vontade (que é o que parece, por vezes) dos portugueses em querer pôr este país no mapa entristece-me e deixa-me sem vontade de continuar. Eu sei que não estou aqui para lutar sozinho contra uma cultura, mas apetecia-me lutar por alguma coisa (não contra) e não consigo.
O melhor é ir apanhar um pouco de sol para me lembrar porque é que ainda estou aqui!
Eu sei que trabalhamos para viver, ao contrário dos americanos que vivem para trabalhar, mas esta falta de vontade (que é o que parece, por vezes) dos portugueses em querer pôr este país no mapa entristece-me e deixa-me sem vontade de continuar. Eu sei que não estou aqui para lutar sozinho contra uma cultura, mas apetecia-me lutar por alguma coisa (não contra) e não consigo.
O melhor é ir apanhar um pouco de sol para me lembrar porque é que ainda estou aqui!
quinta-feira, abril 26, 2007
Mário Mora
Mário Mora foi a Mora com intenções de vir embora mas, como em Mora demora.
Diz um amigo de Mora:
- Está cá o Mora?
- Está. Está cá o Mora.
- Então agora o Mora mora em Mora?
- Mora, mora.
Diz um amigo de Mora:
- Está cá o Mora?
- Está. Está cá o Mora.
- Então agora o Mora mora em Mora?
- Mora, mora.
quinta-feira, março 15, 2007
J. Rentes de Carvalho
Há uns meses que ando para escrever isto (como muito mais coisas)! Mas há sempre alguma coisa que se intromete e acabo por protelar a escrita.Em Dezembro, no dia 12, escrevi aqui, num acto de inconformismo, sobre uma pessoa que não conhecia. Engraçado que uns dias depois, J. Rentes de Carvalho, sabendo do post, escreveu-me, mostrando que era completamente diferente daquilo que eu tinha pensado dele: "Amigos informam-me do texto de 12/12 no seu blog e dos comentários que nele me faz. Fui ler. Sorri. A juventude tem esse excelente privilégio de poder formular juízos ligeiros e exprimi-los no tom assegurado de quem trombeteia verdades fundamentais. Mas enfim... Com mais do dobro da sua idade posso permitir-me o sorriso. E, acredite, no que respeita vivências e viagens não tenho razão de queixa, nem inveja dos meus semelhantes.
Deixe-me ainda acrescentar que por natureza não sou triste. No campo social são bastantes os amigos e quando, como ontem à noite, a família mais chegada se senta a consoar, somos vinte e dois." Isto foi escrito precisamente no dia de Natal.
No entretanto já me tinha apercebido, pelo comentário do Luís Alves, que o Sr. J. Rentes de Carvalho, não era aquela imagem de pessoa que eu tinha criado na minha cabeça. J. Rentes de Carvalho tinha bem mais para contar que eu.
"Vejo que leva a vida com agradável humor. Prezo que assim seja…
Desde já peço desculpa se de alguma maneira se sentiu ofendido pelo que escrevi nesse texto de 12/12. Não era minha intenção, de maneira nenhuma, ofendê-lo, porque não sou do género ofensivo. Porém compreendo que usei a imagem que me foi passada de si, como arma de arremesso na 'discussão' com o Luís (de Boticas) Alves, sobre o prazer que se pode ter em viajar. […] E pelo que li da sua Biografia, vejo que não tem sido no seu quarto a ler um livro que tem passado a sua vida. Um dia, quando tiver o dobro da minha idade, espero poder rir assim de alguém que usa o meu nome em vão!" – Escrevi eu de prontidão.
Trocámos mais algumas mensagens e desde essa altura que tenho seguido o seu blog (criado precisamente nessa altura) quase com a mesma regularidade que ele é actualizado com uma nova história. E tem-se provado como eu estava errado no primeiro post. Pela coincidência, tenho a impressão que um dia ainda nos vamos cruzar algures... Porque se a Internet pode afastar, de certeza que ajuda a aproximar as pessoas.
Fica aqui a homenagem, o esclarecimento e a divulgação.
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