Esqueci-me de vos dizer que o sueco, que veio sozinho de moto desde a Suécia, ficou a dormir no Parque de Campismo da Barra. E acreditem que deve ter e ganhar mais dinheiro que muitos portugueses, o que até lhe permitia dormir num bom hotel de Aveiro. Mas ele preferiu o sossego da Barra (nesta altura do ano).
Gostava de ver alguns portugueses a fazer o mesmo. Quantos são capazes de deixar de ir ao Algarve no verão e ir dormir em parques de campismo para poderem conhecer outras culturas? Não! Para quê? As férias são para descansar e não fazer absolutamente nada. E gastar uma pipa de dinheiro em 15 dias. Ficar preso em filas de trânsito e esperar horas por uma mesa num restaurante que faz comida a granel sem qualidade nenhuma e se faz cobrar como se fosse o melhor. E é! É o melhor da sua rua e naquela rua naquela altura existem centenas de pessoas com fome.
Férias são para descansar! Sim! São para fugir da rotina! Para se esquecer do trabalho. E nada melhor que mudar de cultura para se esquecer tudo. Infelizmente este ano não posso mudar muito, mas vou tentar.
Tudo começou em 2000 com a minha ida para a Califórnia para um estágio. As Crónicas foram servindo de diário da aventura. E continuam, mesmo depois de voltar... E de voltar a sair para Inglaterra, Japão, Luxemburgo, França, Finlândia, Holanda, São Tomé, etc...
Cada aventura ou momento que me permito partilhar está aqui nas Crónicas da Califórnia.
segunda-feira, maio 17, 2004
Orgulho no meu país!
Quinta-feira [13 de Maio de 2004], dia de Nossa Senhora de Fátima, dia do desfile do Enterro do Ano em Aveiro, fui com a Cláudia beber uns finos e ver o pôr-do-sol numa esplanada na Barra – Boca da Barra, mesmo ao lado do Farol. Estávamos ambos de mau humor com a vida e apeteceu-nos sair da rotina. Estava um fim de dia magnífico!
Por acaso no café, a jantar, estava um senhor já nos seus cinquentas a comer um polvo. Era sueco! Perguntamo-lhe e tivemos quase uma hora na conversa com ele. Tinha vindo só de moto, desde a Suécia, e o fim da estrada era ali, a Barra.
Conseguimos sair da rotina. De tal maneira que ele me conseguiu pôr uma "pastilha" de tabaco entre as gengivas e lábio, uma típica coisa sueca ou nórdica. Sinceramente não era desagradável, mas depois de três finos e em jejum, nicotina no sangue só me fez disparar a ebriedade. Além disso era perfumado e enjoou-me um pouco.
Falámos das Åland (lê-se Ôland), um grupo de ilhotas perdidas no Mar da Finlândia, algures entre Helsínquia e Estocolmo, onde eu e a Cláudia passámos uns dias fantásticos no verão de 2001. Ilhas com nomes tão esquisitos como Kökar (lê-se Iêkar), Brandö ou Mariehamn e que nunca nos esqueceremos. Umas ilhas onde a língua predominante é o sueco, apesar de ser um território (autónomo) da Finlândia, e desmilitarizado. Um lugar que aos olhos de um nórdico em nada era atractivo para dois portugueses que tinham umas praias tão bonitas como aquela que estava à nossa frente.
"Vocês devem ter orgulho no vosso país", disse-nos, falando das praias, do tempo e até das estradas. Tinha acabado de fazer a IP5 e achou que era bastante calma, bonita e de borla. Teve sorte.
Nós temos orgulho no nosso país! E dissemo-lo! Se assim não fosse já teríamos escolhido outro para viver. Queixámo-nos apenas da falta de oportunidades e dos ordenados baixos. E da falta de capacidade da maioria das pessoas que gerem os interesses do país e da maioria das empresas portuguesas.
Esses enchem-me de vergonha!
Por acaso no café, a jantar, estava um senhor já nos seus cinquentas a comer um polvo. Era sueco! Perguntamo-lhe e tivemos quase uma hora na conversa com ele. Tinha vindo só de moto, desde a Suécia, e o fim da estrada era ali, a Barra.
Conseguimos sair da rotina. De tal maneira que ele me conseguiu pôr uma "pastilha" de tabaco entre as gengivas e lábio, uma típica coisa sueca ou nórdica. Sinceramente não era desagradável, mas depois de três finos e em jejum, nicotina no sangue só me fez disparar a ebriedade. Além disso era perfumado e enjoou-me um pouco.
Falámos das Åland (lê-se Ôland), um grupo de ilhotas perdidas no Mar da Finlândia, algures entre Helsínquia e Estocolmo, onde eu e a Cláudia passámos uns dias fantásticos no verão de 2001. Ilhas com nomes tão esquisitos como Kökar (lê-se Iêkar), Brandö ou Mariehamn e que nunca nos esqueceremos. Umas ilhas onde a língua predominante é o sueco, apesar de ser um território (autónomo) da Finlândia, e desmilitarizado. Um lugar que aos olhos de um nórdico em nada era atractivo para dois portugueses que tinham umas praias tão bonitas como aquela que estava à nossa frente.
"Vocês devem ter orgulho no vosso país", disse-nos, falando das praias, do tempo e até das estradas. Tinha acabado de fazer a IP5 e achou que era bastante calma, bonita e de borla. Teve sorte.
Nós temos orgulho no nosso país! E dissemo-lo! Se assim não fosse já teríamos escolhido outro para viver. Queixámo-nos apenas da falta de oportunidades e dos ordenados baixos. E da falta de capacidade da maioria das pessoas que gerem os interesses do país e da maioria das empresas portuguesas.
Esses enchem-me de vergonha!
Pontualidade!
Eu era pontual. Tinha por norma chegar, ao local de encontro, sempre um quarto de hora antes da hora marcada. E ficava furioso quando não o conseguia fazer, porque na maioria das vezes, que isso acontecia, era por causa de terceiros.
Juro que era pontual! E cheguei a estar uma hora à espera de outras pessoas. No tempo em que não havia telemóveis e não havia maneira de avisar que se estava atrasado ou maneira de se saber quais os motivos do atraso.
Mas, hoje em dia, deixei de ser pontual. Olho à minha volta e não vejo ninguém que seja como eu (excepto a Cláudia). Os meus amigos, tirando um ou outro, NUNCA chegam a horas. Dizem que estão a chegar e ainda estão a sair (uma táctica que passei a adoptar com alguns, também). Mas, esses são meus amigos e aprendi a viver com isso.
No emprego, perdi a minha fé na pontualidade! Não há uma reunião de trabalho que comece a horas! E só se lembram disso quando já passou um quarto de hora da hora de começo. Mesmo quando a reunião é com ingleses, os portugueses teimam em chegar atrasados. Eu já tentei explicar aos ingleses que o tempo em Portugal anda de quarto em quarto de hora, entre os 15, 30, 45 minutos ou a hora, não há tempo. Se uma reunião não começa aos 30, nunca vai começar antes dos 45.
Deixei de ser pontual. Acho falta de respeito! Enerva-me! E não tenho tempo para estar à espera.
Juro que era pontual! E cheguei a estar uma hora à espera de outras pessoas. No tempo em que não havia telemóveis e não havia maneira de avisar que se estava atrasado ou maneira de se saber quais os motivos do atraso.
Mas, hoje em dia, deixei de ser pontual. Olho à minha volta e não vejo ninguém que seja como eu (excepto a Cláudia). Os meus amigos, tirando um ou outro, NUNCA chegam a horas. Dizem que estão a chegar e ainda estão a sair (uma táctica que passei a adoptar com alguns, também). Mas, esses são meus amigos e aprendi a viver com isso.
No emprego, perdi a minha fé na pontualidade! Não há uma reunião de trabalho que comece a horas! E só se lembram disso quando já passou um quarto de hora da hora de começo. Mesmo quando a reunião é com ingleses, os portugueses teimam em chegar atrasados. Eu já tentei explicar aos ingleses que o tempo em Portugal anda de quarto em quarto de hora, entre os 15, 30, 45 minutos ou a hora, não há tempo. Se uma reunião não começa aos 30, nunca vai começar antes dos 45.
Deixei de ser pontual. Acho falta de respeito! Enerva-me! E não tenho tempo para estar à espera.
domingo, maio 16, 2004
As últimas semanas
Estas duas semanas foram de doidos. Desde trabalhar num sábado feriado, num feriado e até pedir a minha recolocação na seio da empresa, deslocando-me para um outro grupo de trabalho.
As duas primeiras ocorrências deveram-se a problemas de incompatibilidade de desempenho entre o nosso software e o dos japoneses. Aliás entre o código dos japoneses e aquilo que dizem os seus documentos sobre o mesmo. Isso fez com que andássemos perdidos durante semanas, porque por outro lado também não conseguíamos ver o que se passava entre os diferentes níveis de software (fazer debug) porque estamos a testar mesmo no telemóvel. Um belo telemóvel de terceira geração com uns fios pendurados com o qual tentamos ligar ao sistema de GPS para obtermos a nossa localização.

O insucesso era de tal ordem que há umas semanas disse ao Simon, o meu congénere inglês, que só achava que se conseguiria algo, a tempo de ser mostrado para a semana que vem aos japoneses, se acontecesse um milagre de Fátima. Na quarta [12 de Maio de 2004], véspera de Nossa Senhora de Fátima, disse aos meus colegas que se conseguíssemos íamos todos jantar a Fátima. E no dia de Nossa Senhora de Fátima, quinta-feira [13 de Maio de 2004], tudo começou a bater certo. E no fim do dia havia algo pronto e demonstrável.
Eu não acredito em milagres mas que vou jantar a Fátima, vou.
Aliás lembram-se do post que aqui coloquei sobre Vilarinho das Furnas? Pois eu acho que Fátima é um sítio também cheio de energia e uma energia muito boa e tranquilizante. Não tem nada a ver com religião. Como o líder espiritual da comunidade Hindu de Portugal, que lá foi há umas semanas, e disse que o fazia por ser um dos lugares santos do mundo e porque se sentia a energia do lugar, não porque se pensasse Católico.
Mas estou a fugir à conversa. Sim! Pedi para mudar de grupo! Decidi que sou mais útil na empresa num grupo onde não esteja em conflito com o meu Team Leader e nem que para isso tenha que perder regalias de carreira, se é que naquela empresa existe tal coisa como carreira. O pedido foi aceite e será atendido assim que for possível, segundo palavras do administrador. Eu comuniquei o facto ao meu Team Leader e comprometi-me a cumprir as minhas funções no meu grupo actual até que a recolocação tome efeito. Ponto final!
As duas primeiras ocorrências deveram-se a problemas de incompatibilidade de desempenho entre o nosso software e o dos japoneses. Aliás entre o código dos japoneses e aquilo que dizem os seus documentos sobre o mesmo. Isso fez com que andássemos perdidos durante semanas, porque por outro lado também não conseguíamos ver o que se passava entre os diferentes níveis de software (fazer debug) porque estamos a testar mesmo no telemóvel. Um belo telemóvel de terceira geração com uns fios pendurados com o qual tentamos ligar ao sistema de GPS para obtermos a nossa localização.
O insucesso era de tal ordem que há umas semanas disse ao Simon, o meu congénere inglês, que só achava que se conseguiria algo, a tempo de ser mostrado para a semana que vem aos japoneses, se acontecesse um milagre de Fátima. Na quarta [12 de Maio de 2004], véspera de Nossa Senhora de Fátima, disse aos meus colegas que se conseguíssemos íamos todos jantar a Fátima. E no dia de Nossa Senhora de Fátima, quinta-feira [13 de Maio de 2004], tudo começou a bater certo. E no fim do dia havia algo pronto e demonstrável.
Eu não acredito em milagres mas que vou jantar a Fátima, vou.
Aliás lembram-se do post que aqui coloquei sobre Vilarinho das Furnas? Pois eu acho que Fátima é um sítio também cheio de energia e uma energia muito boa e tranquilizante. Não tem nada a ver com religião. Como o líder espiritual da comunidade Hindu de Portugal, que lá foi há umas semanas, e disse que o fazia por ser um dos lugares santos do mundo e porque se sentia a energia do lugar, não porque se pensasse Católico.
Mas estou a fugir à conversa. Sim! Pedi para mudar de grupo! Decidi que sou mais útil na empresa num grupo onde não esteja em conflito com o meu Team Leader e nem que para isso tenha que perder regalias de carreira, se é que naquela empresa existe tal coisa como carreira. O pedido foi aceite e será atendido assim que for possível, segundo palavras do administrador. Eu comuniquei o facto ao meu Team Leader e comprometi-me a cumprir as minhas funções no meu grupo actual até que a recolocação tome efeito. Ponto final!
quarta-feira, maio 12, 2004
Feriado de alguns
Hoje é feriado em Aveiro... Dia de Santa Joana Princesa! Um dia santo para alguns!
Um dia de trabalho para outros!
Um dia de trabalho para outros!
segunda-feira, maio 10, 2004
12 anos!
Há uns tempos que pensava que este ano fazia dez anos de namoro com a Cláudia. Ontem descobri que afinal são doze. Foi sexta-feira. Nem nos lembrámos!

Ficam aqui umas palavras de outros, mas que podiam ser minhas, para celebrar o feliz evento:
"One love we don't need another love
One love one heart and one soul
We can have it all
Easy peasy
Any time you want me
Any time at all
Any time you need me
All you gotta do is call"
Em "One Love"- Stone Roses
Ficam aqui umas palavras de outros, mas que podiam ser minhas, para celebrar o feliz evento:
One love one heart and one soul
We can have it all
Easy peasy
Any time you want me
Any time at all
Any time you need me
All you gotta do is call"
Em "One Love"- Stone Roses
quinta-feira, maio 06, 2004
Acerca dos nomes...
Ando a ler uma mini-série de banda desenhada chamada "The Books of Magic" (a primeira) em quatro números e escrita por Neil Gaiman, o escritor de Sandman, uma das mais aclamadas séries da banda desenhada actual. Esta é uma obra inicialmente editada em finais de 1990 e inícios de 1991, uma meia dúzia de anos antes do Harry Potter, mas que tem algumas semelhanças com aquelas histórias. É também a história de um miúdo que entra para o mundo da magia, mas aqui a história tem contornos muito pouco perceptíveis a menores de idade, pois o miúdo vive no nosso mundo e é levado a conhecer o lado negro da magia a ponto de quase não retornar.

Mas isto para falar dos nomes. Acontece que uma das primeiras coisas que o Timothy Hunter (é o nome do miúdo) aprende, e que é constantemente dito ao longo da sua caminhada pelo mundo da magia, é que saber o verdadeiro nome de uma pessoa é ter poder sobre ela, e que esse apenas pode ser revelado à aqueles que realmente confiamos.
Eu não concordo com esta perspectiva, porque se calhar não vivo no mundo da magia, mas na verdade há muita gente que não me conhece pelo verdadeiro nome e nem sequer imagina qual é.
A Cláudia no outro dia disse "quando ele ainda era Mané", mas na verdade ainda sou Mané para toda a minha família e antigos vizinhos na Maia. E a maioria dessas pessoas nem sabe e nem imagina que me chamo Rui, pois o Mané vem do meu segundo nome Manuel (e não de tolo ou palerma). Ainda há umas semanas encontrei a Susana e a Zaira, minhas amigas de infância e elas cumprimentaram-me como Mané.
Mas a Cláudia tinha razão, porque esse foi o "nome" que me acompanhou toda a infância e juventude. Só deixei de ser Mané, para a maioria dos meus amigos, quando vim estudar para Aveiro. Aliás em Aveiro apenas o meu primeiro colega de quarto – o Quim - é que me chamava esse nome e apenas por influência do meu irmão. Mas já voltamos a Aveiro.
No entretanto, na escola secundária (Fontes Pereira de Melo) era conhecido por "Canário". É cómico mas nunca me importei que me chamassem por alcunhas, desde que estas fossem usadas com respeito. Acho que é preferível assumir-mos as razões porque nos chamam esse nomes e aceitarmos as alcunhas, do que as usarem nas nossas costas para nos ofenderem. Ainda hoje o Miguel (Monteiro) me trata por "Canário" e foi por causa disso que me lembrei de escrever isto.
Mas se "Canário" pode parecer depreciativo, pois estava ligado ao facto de eu usar constantemente um casaco amarelo nesse tempo, a minha alcunha na universidade é bem mais chocante e prende-se ao facto de usar sempre cabelo comprido. Ainda hoje há (mesmo) muita gente que me chama "Lóló" porque não sabe o meu verdadeiro nome. E até a minha irmã, que veio para Aveiro depois de mim, herdou a alcunha.
Há um tipo que reclama que o "Lóló" vem do facto do meu irmão ser alcunhado de "Lúlú" (Luís) na Universidade de Aveiro, mas nada tem a ver. A verdade é que quando me mudei para Aveiro, em 1989, a cidade e a universidade eram muito conservadoras e tirando o (Luís) Pitta mais ninguém usava cabelo comprido. Por azar (ou por sorte) eu mudei no ano em que os caloiros só entraram em Janeiro, devido a greves dos professores, pelo que eu era um dos únicos caloiros na universidade, usava cabelo comprido e frequentava as aulas do segundo e terceiro ano de Electrónica. Era visível em qualquer ambiente, o que provocou algumas invejas.
Acontece que como caloiro (estrangeiro) ninguém sabia o meu nome, mas sabiam quem eu era. E era normal dividir a gasolina com uns conhecidos, à sexta-feira, para ir para o Porto. Numa dessas sextas-feiras, o João (Guerra) e o Novais dividiam os interessados na boleia pelos seus carros e o João para explicar quem era o tal Rui que ia com o Novais, chamou-me de "Lóló".
Primeiro foi uma alcunha um pouco depreciativa, mas com o tempo o João e todos aqueles que me viam com maus olhos, tornaram-se os meus melhores amigos na universidade e a alcunha passou a ser um termo carinhoso.
E é bonito ver um amigo telefonar para o meu local de trabalho e perguntar pelo "Lóló". Como eu não estava pediu para falar com o "Pipa" (Sérgio Santiago). E como ele também não estava pediu para dizer que era o "Vitó".
Mas isto para falar dos nomes. Acontece que uma das primeiras coisas que o Timothy Hunter (é o nome do miúdo) aprende, e que é constantemente dito ao longo da sua caminhada pelo mundo da magia, é que saber o verdadeiro nome de uma pessoa é ter poder sobre ela, e que esse apenas pode ser revelado à aqueles que realmente confiamos.
Eu não concordo com esta perspectiva, porque se calhar não vivo no mundo da magia, mas na verdade há muita gente que não me conhece pelo verdadeiro nome e nem sequer imagina qual é.
A Cláudia no outro dia disse "quando ele ainda era Mané", mas na verdade ainda sou Mané para toda a minha família e antigos vizinhos na Maia. E a maioria dessas pessoas nem sabe e nem imagina que me chamo Rui, pois o Mané vem do meu segundo nome Manuel (e não de tolo ou palerma). Ainda há umas semanas encontrei a Susana e a Zaira, minhas amigas de infância e elas cumprimentaram-me como Mané.
Mas a Cláudia tinha razão, porque esse foi o "nome" que me acompanhou toda a infância e juventude. Só deixei de ser Mané, para a maioria dos meus amigos, quando vim estudar para Aveiro. Aliás em Aveiro apenas o meu primeiro colega de quarto – o Quim - é que me chamava esse nome e apenas por influência do meu irmão. Mas já voltamos a Aveiro.
No entretanto, na escola secundária (Fontes Pereira de Melo) era conhecido por "Canário". É cómico mas nunca me importei que me chamassem por alcunhas, desde que estas fossem usadas com respeito. Acho que é preferível assumir-mos as razões porque nos chamam esse nomes e aceitarmos as alcunhas, do que as usarem nas nossas costas para nos ofenderem. Ainda hoje o Miguel (Monteiro) me trata por "Canário" e foi por causa disso que me lembrei de escrever isto.
Mas se "Canário" pode parecer depreciativo, pois estava ligado ao facto de eu usar constantemente um casaco amarelo nesse tempo, a minha alcunha na universidade é bem mais chocante e prende-se ao facto de usar sempre cabelo comprido. Ainda hoje há (mesmo) muita gente que me chama "Lóló" porque não sabe o meu verdadeiro nome. E até a minha irmã, que veio para Aveiro depois de mim, herdou a alcunha.
Há um tipo que reclama que o "Lóló" vem do facto do meu irmão ser alcunhado de "Lúlú" (Luís) na Universidade de Aveiro, mas nada tem a ver. A verdade é que quando me mudei para Aveiro, em 1989, a cidade e a universidade eram muito conservadoras e tirando o (Luís) Pitta mais ninguém usava cabelo comprido. Por azar (ou por sorte) eu mudei no ano em que os caloiros só entraram em Janeiro, devido a greves dos professores, pelo que eu era um dos únicos caloiros na universidade, usava cabelo comprido e frequentava as aulas do segundo e terceiro ano de Electrónica. Era visível em qualquer ambiente, o que provocou algumas invejas.
Acontece que como caloiro (estrangeiro) ninguém sabia o meu nome, mas sabiam quem eu era. E era normal dividir a gasolina com uns conhecidos, à sexta-feira, para ir para o Porto. Numa dessas sextas-feiras, o João (Guerra) e o Novais dividiam os interessados na boleia pelos seus carros e o João para explicar quem era o tal Rui que ia com o Novais, chamou-me de "Lóló".
Primeiro foi uma alcunha um pouco depreciativa, mas com o tempo o João e todos aqueles que me viam com maus olhos, tornaram-se os meus melhores amigos na universidade e a alcunha passou a ser um termo carinhoso.
E é bonito ver um amigo telefonar para o meu local de trabalho e perguntar pelo "Lóló". Como eu não estava pediu para falar com o "Pipa" (Sérgio Santiago). E como ele também não estava pediu para dizer que era o "Vitó".
quarta-feira, maio 05, 2004
God is a comedian…
Não é que eu acredite! Mas inspira-me, por vezes, ler o horóscopo. Não é que não acredite! Mas há dias que leio!
Mas há um dia da semana em que não deixo de ler o horóscopo. Mas não é um qualquer. É o Freewill Astrology, às quartas-feiras.

Foi um hábito que ganhei do meu tempo nos Estados Unidos. Acho que nos momentos menos bons procuramos saber se vão passar e agarramo-nos a oráculos que nos possam trazer respostas. Descobri este através do meu amigo Ben. Vale porque não nos dá respostas, mas leva-nos a pensar. Pode até não ter nada a ver com as estrelas, que dizem nos dita o destino ou pelo menos cria ambientes propícios a certas acções, mas todas as semanas põe-me a pensar em mudar qualquer coisa em mim no sentido da boa vontade (isto parece saído de uma qualquer religião).
É escrito por um "lunático" que por sinal vive em Marin County, Califórnia, a zona onde eu vivia quando por lá passei e onde vive toda aquela comunidade hippie que resultou dos loucos anos 60. O seu nome é Rob Brezsny, se isso interessa para alguma coisa. E no verão passado andou a casar gente no Burning Man, um festival inexplicável no meio do deserto do Nevada e que é uma das coisas que ainda me vai fazer voltar aos Estados Unidos, porque foi uma das coisas que me arrependo de não ter presenciado.
Mas, estava a falar dos horóscopos, e esta semana permito-me partilhar a mensagem que lá está para o meu signo (Leão):
"God is a comedian playing to an audience that is too afraid to laugh," meditou o filósofo francês do século XVIII Voltaire. O que é irónico, eu acrescentaria, é que no momento em que te enches de coragem para rir, as piadas de Deus tornam-se estimulantes mais do que cruéis. Têm um efeito purificador, e frequentemente tendem a destruir os obstáculos aos teus sonhos. Estás preparado para a transição, Leão? O presságio planetário sugere que amadureceste suficientemente para achares que o próximo murro divino é histericamente cómico.
Por outras palavras, se não tivermos capacidade de rir das coisas más que nos acontecem perdemos a capacidade de viver... felizes! Eu continuo a tentar rir-me todos os dias dos murros divinos. Às vezes é difícil, mas tento...
Mas há um dia da semana em que não deixo de ler o horóscopo. Mas não é um qualquer. É o Freewill Astrology, às quartas-feiras.
Foi um hábito que ganhei do meu tempo nos Estados Unidos. Acho que nos momentos menos bons procuramos saber se vão passar e agarramo-nos a oráculos que nos possam trazer respostas. Descobri este através do meu amigo Ben. Vale porque não nos dá respostas, mas leva-nos a pensar. Pode até não ter nada a ver com as estrelas, que dizem nos dita o destino ou pelo menos cria ambientes propícios a certas acções, mas todas as semanas põe-me a pensar em mudar qualquer coisa em mim no sentido da boa vontade (isto parece saído de uma qualquer religião).
É escrito por um "lunático" que por sinal vive em Marin County, Califórnia, a zona onde eu vivia quando por lá passei e onde vive toda aquela comunidade hippie que resultou dos loucos anos 60. O seu nome é Rob Brezsny, se isso interessa para alguma coisa. E no verão passado andou a casar gente no Burning Man, um festival inexplicável no meio do deserto do Nevada e que é uma das coisas que ainda me vai fazer voltar aos Estados Unidos, porque foi uma das coisas que me arrependo de não ter presenciado.
Mas, estava a falar dos horóscopos, e esta semana permito-me partilhar a mensagem que lá está para o meu signo (Leão):
"God is a comedian playing to an audience that is too afraid to laugh," meditou o filósofo francês do século XVIII Voltaire. O que é irónico, eu acrescentaria, é que no momento em que te enches de coragem para rir, as piadas de Deus tornam-se estimulantes mais do que cruéis. Têm um efeito purificador, e frequentemente tendem a destruir os obstáculos aos teus sonhos. Estás preparado para a transição, Leão? O presságio planetário sugere que amadureceste suficientemente para achares que o próximo murro divino é histericamente cómico.
Por outras palavras, se não tivermos capacidade de rir das coisas más que nos acontecem perdemos a capacidade de viver... felizes! Eu continuo a tentar rir-me todos os dias dos murros divinos. Às vezes é difícil, mas tento...
segunda-feira, maio 03, 2004
As fotos...
Hoje comprei um scanner novo que me permite digitalizar negativos. Um Epson Perfection 1670 Photo.
Estive a experimentar digitalizar uns filmes e experimentei com as fotos tiradas com a minha half frame Olympus PEN EE-3. Como prometido aqui estão as primeiras provas.
Estive a experimentar digitalizar uns filmes e experimentei com as fotos tiradas com a minha half frame Olympus PEN EE-3. Como prometido aqui estão as primeiras provas.
Quando ele ainda era Mané!
Vocês viram aquela foto do gajo! Eu conheci-o assim. Parecia que tinha 15 anos, apesar de já ter 18! E tinha as míudas todas atrás deles. E eu não entendia.
Usava uma "palinha" e as calças dobradas em baixo. Muito rockabilly.
Era tão puto!!!
Usava uma "palinha" e as calças dobradas em baixo. Muito rockabilly.
Era tão puto!!!
Diário de um Trabalhador
Ontem li no Expresso que três jornalistas d' "O Primeiro de Janeiro" tinham sido despedidos por causa de uns posts que tinham colocado num blog de seu nome Diário de um Jornalista. Hoje resolvi investigar!
Se ontem tinha esperança na mudança deste país, hoje começo a ver que afinal nada mudou em 30 anos de liberdade de expressão.
Choca-me que uma empresa ameace os seus trabalhadores com despedimento por estes se encontrarem num café, fora das horas de trabalho, com ex-trabalhadores da mesma empresa e que se mudaram para a concorrência. Mas mais me choca que o concretize.
Será que o "Pasquim" é caso único? Naaaaaa...
Se ontem tinha esperança na mudança deste país, hoje começo a ver que afinal nada mudou em 30 anos de liberdade de expressão.
Choca-me que uma empresa ameace os seus trabalhadores com despedimento por estes se encontrarem num café, fora das horas de trabalho, com ex-trabalhadores da mesma empresa e que se mudaram para a concorrência. Mas mais me choca que o concretize.
Será que o "Pasquim" é caso único? Naaaaaa...
domingo, maio 02, 2004
Inspiração
Hoje [Domingo, 02 de Maio de 2004] no jornal Público vem um artigo sobre o Luís Pato, o pai da Filipa. Aliás o artigo inclui uma parte sobre a filha... Mas na verdade é bom ler coisas que nos dão razão e vindas de alguém com a experiência do Mr. Baga da Bairrada (como é chamado no artigo), dá-nos força, porque às vezes chego a pensar que estou só e errado.

Gosto especialmente de frases como "não é Portugal que é pequeno, os seus vinhos é que podem ser grandes lá fora se os produtores estiverem dispostos a ceder na sua orgulhosa auto-insuficiência" que me fazem pensar até que ponto é que isto não se pode aplicar a empresas como a que eu trabalho. Porque não ceder e deixarmo-nos ajudar? Mas com ideias! Não podemos ficar eternamente à espera dos subsídios.
"Sempre tivemos um espírito de pobreza e aí o salazarismo foi marcante, na falta de rasgo, de perspectiva." Porque temos sempre que pensar como pensava Salazar quando dizia "Orgulhosamente Sós"? Sermos portugueses já não acaba em Vilar Formoso, podemos sê-lo em qualquer parte do mundo e as fronteiras acabaram há muitos anos. O mercado é o mundo! E sozinhos não vamos a lado nenhum... Especialmente quando a União Europeia passou a ter quase o dobro das nações e o dobro dos mercados. O "orgulhosamente sós" aplicava-se quando o Salazar sabia que ao pertencer a qualquer comunidade teria que ceder o seu poder. O mesmo se aplica à direcção de algumas empresas que acham que pertencer a uma organização europeia implica perda de poder, quando juntos teremos muito mais poder para negociar com organizações maiores. Portugal é pequeno em telecomunicações, mas a Europa é suficientemente grande para competir com o Japão, Estados Unidos ou China.
"Muitos dos meus colegas produtores achavam caro viajar". Para mim esta traduz em muito a perspectiva da maioria dos gestores portugueses. Todos os anos vão de férias para o Algarve, ou para o local habitual, porque é aí que têm a sua casa de praia, e não conseguem aperceber-se que perdem as referências e não conseguem introduzir ideias novas. Quem se limita ao território nacional "não tem padrões de comparação, só faz o que sempre fez, não evolui nem quer evoluir".
Depois há a inovação. "Cultivo a inquietação. Quando deixar de fazer experiências, deixo de ser Luís Pato." Onde há inovação em Portugal? Nós fazemos o que nos mandam e não temos tempo para procurar ideias novas. Além disso não as procuramos porque as nossas referências continuam a ser os vizinhos da mesma rua. É surpreendente como numa empresa de tecnologia de ponta como a que trabalho continue a comparar-se a empresas da mesma rua e não a empresas do mesmo mercado e dimensão.
Somos pequenos, vemo-nos como tal e aceitamos que assim somos. Felizmente há bons exemplos de quem procura a excelência - "quero ser o melhor, não o maior" - em vez de se vender mais barato. E melhor é ver que este exemplo vem de uma região marcadamente conservadora e tradicionalista, uma "região imbuída de orgulho pela sua tradição vinícola", mas onde há excepções.
Há esperança!
Gosto especialmente de frases como "não é Portugal que é pequeno, os seus vinhos é que podem ser grandes lá fora se os produtores estiverem dispostos a ceder na sua orgulhosa auto-insuficiência" que me fazem pensar até que ponto é que isto não se pode aplicar a empresas como a que eu trabalho. Porque não ceder e deixarmo-nos ajudar? Mas com ideias! Não podemos ficar eternamente à espera dos subsídios.
"Sempre tivemos um espírito de pobreza e aí o salazarismo foi marcante, na falta de rasgo, de perspectiva." Porque temos sempre que pensar como pensava Salazar quando dizia "Orgulhosamente Sós"? Sermos portugueses já não acaba em Vilar Formoso, podemos sê-lo em qualquer parte do mundo e as fronteiras acabaram há muitos anos. O mercado é o mundo! E sozinhos não vamos a lado nenhum... Especialmente quando a União Europeia passou a ter quase o dobro das nações e o dobro dos mercados. O "orgulhosamente sós" aplicava-se quando o Salazar sabia que ao pertencer a qualquer comunidade teria que ceder o seu poder. O mesmo se aplica à direcção de algumas empresas que acham que pertencer a uma organização europeia implica perda de poder, quando juntos teremos muito mais poder para negociar com organizações maiores. Portugal é pequeno em telecomunicações, mas a Europa é suficientemente grande para competir com o Japão, Estados Unidos ou China.
"Muitos dos meus colegas produtores achavam caro viajar". Para mim esta traduz em muito a perspectiva da maioria dos gestores portugueses. Todos os anos vão de férias para o Algarve, ou para o local habitual, porque é aí que têm a sua casa de praia, e não conseguem aperceber-se que perdem as referências e não conseguem introduzir ideias novas. Quem se limita ao território nacional "não tem padrões de comparação, só faz o que sempre fez, não evolui nem quer evoluir".
Depois há a inovação. "Cultivo a inquietação. Quando deixar de fazer experiências, deixo de ser Luís Pato." Onde há inovação em Portugal? Nós fazemos o que nos mandam e não temos tempo para procurar ideias novas. Além disso não as procuramos porque as nossas referências continuam a ser os vizinhos da mesma rua. É surpreendente como numa empresa de tecnologia de ponta como a que trabalho continue a comparar-se a empresas da mesma rua e não a empresas do mesmo mercado e dimensão.
Somos pequenos, vemo-nos como tal e aceitamos que assim somos. Felizmente há bons exemplos de quem procura a excelência - "quero ser o melhor, não o maior" - em vez de se vender mais barato. E melhor é ver que este exemplo vem de uma região marcadamente conservadora e tradicionalista, uma "região imbuída de orgulho pela sua tradição vinícola", mas onde há excepções.
Há esperança!
sábado, maio 01, 2004
Dia do Trabalhador
Hoje, sábado, dia 1 de Maio de 2004, dia internacional do Trabalhador, eu estou a trabalhar.
Tomei o meu pequeno-almoço, já fiz o meu chá de Tília, pus os auscultadores, coloquei o "(the best of) NewOrder" no leitor de CDs do PC e vou começar a árdua tarefa de fazer aquilo que os outros não querem fazer.
Porque esse é o meu trabalho.
Tomei o meu pequeno-almoço, já fiz o meu chá de Tília, pus os auscultadores, coloquei o "(the best of) NewOrder" no leitor de CDs do PC e vou começar a árdua tarefa de fazer aquilo que os outros não querem fazer.
Porque esse é o meu trabalho.
quinta-feira, abril 29, 2004
Tirem-me deste filme...
Esta empresa é fantástica! Lembram-se de há um mês vos falar do Keith que passou a Kate? Pois a Kate voltou esta semana ao trabalho. Já vi uma foto e digo-vos que parece mesmo uma mulher, feia é verdade, mas uma mulher. Acho bem que se assuma a sua verdadeira identidade, porque de falsos está o mundo cheio.
Mas isto para vos falar da última aventura aqui da organização e novamente vinda do outro lado do Canal da Mancha. Se da última vez aprendi o que queria dizer GID (Gender Identity Dysphoria), desta vez aprendi a expressão "Going Postal". Esta expressão resultou de uma série de casos que aconteceram nos serviços postais americanos nos anos 80 e 90, em que um empregado resolvia entrar pelo escritório e mandar uns tiros aos colegas de trabalho.
Não! Não morreu ninguém! Mas uma bela manhã desta semana quando chegaram ao escritório os meus colegas "ao serviço de S. Majestade" encontraram sobre as secretárias papéis com frases como:
- "First law of wisdom: know yourself"
- "First law of warefare: know your enemy"
- "Organised crime equals gangsters"
Pelos vistos um colega, que foi apanhado pela segurança às tantas da manhã no escritório, andou a espalhar os ditos papéis pelas secretárias dos visados. Além disso andou a fazer chamadas e a deixar mensagens nos telefones de alguns.
A meio da manhã uma mensagem de e-mail do director de recursos humanos aconselhava a quem fosse contactado pelo dito colega que não fugisse à conversa, mas que tentasse acabar com ela o mais rapidamente possível e que reportasse por escrito o que foi dito.
Foi o pânico generalizado lá para o Reino Unido!
No fim do dia o rapaz, que já estava de alta, foi dispensado. E tudo voltou à normalidade... Ou não!
Mas isto para vos falar da última aventura aqui da organização e novamente vinda do outro lado do Canal da Mancha. Se da última vez aprendi o que queria dizer GID (Gender Identity Dysphoria), desta vez aprendi a expressão "Going Postal". Esta expressão resultou de uma série de casos que aconteceram nos serviços postais americanos nos anos 80 e 90, em que um empregado resolvia entrar pelo escritório e mandar uns tiros aos colegas de trabalho.
Não! Não morreu ninguém! Mas uma bela manhã desta semana quando chegaram ao escritório os meus colegas "ao serviço de S. Majestade" encontraram sobre as secretárias papéis com frases como:
- "First law of wisdom: know yourself"
- "First law of warefare: know your enemy"
- "Organised crime equals gangsters"
Pelos vistos um colega, que foi apanhado pela segurança às tantas da manhã no escritório, andou a espalhar os ditos papéis pelas secretárias dos visados. Além disso andou a fazer chamadas e a deixar mensagens nos telefones de alguns.
A meio da manhã uma mensagem de e-mail do director de recursos humanos aconselhava a quem fosse contactado pelo dito colega que não fugisse à conversa, mas que tentasse acabar com ela o mais rapidamente possível e que reportasse por escrito o que foi dito.
Foi o pânico generalizado lá para o Reino Unido!
No fim do dia o rapaz, que já estava de alta, foi dispensado. E tudo voltou à normalidade... Ou não!
quarta-feira, abril 28, 2004
Os anos oitenta
Estava há pouco a ver um programa sobre os já distantes anos 80. A década da decadência como eles lhe chamaram. A década em que mais fui feliz. Não tinha preocupações, estava na infância/adolescência e tudo corria bem.
Quando 1980 começou, eu estava na Escola Preparatória da Maia, no 1º ano do ensino preparatório. Tinha saído da escola primária ao lado da minha casa e fazia todos os dias 30 minutos de autocarro (o 54 dos STCP) para chegar à escola, lá longe no centro do concelho da Maia. Tudo era uma aventura para um rapazito de 10 anos. O ano acabou com a morte de Francisco Sá Carneiro. Lembro-me claramente de não haver aulas porque o nosso primeiro-ministro tinha morrido num acidente de avião.
Ela chamava-se Elsa.
1981 trouxe a minha primeira negativa (a Português) porque a professora achou que eu tinha copiado no teste (o único que ela deu, porque chegou tarde). Para um aluno de 4s e 5s, ter um 2 foi um choque nunca mais remendado, mesmo depois da professora ter pedido desculpa à minha mãe. Adorava Educação Visual e a professora adorava-me. Detestava Educação Física.
Em 1982, tinha passado para a Escola Secundária da Maia, para o 7º ano de escolaridade. Era o puto mais pequeno da sala sem jeito para o futebol e que tinha escolhido trabalhar em barro em Educação Visual (o que levou o meu irmão a chamar-me burro porque a arte nunca me levaria a lado nenhum). (In)Felizmente fui para Electricidade. Passei a estudar Inglês e deixei de ter Religião e Moral. Tive a minha segunda negativa (a Francês). Nesse ano ganhei a minha bicicleta BMX Tip Top num sorteio ligado ao programa do Topo Gigio. Nunca mais deixei de andar de bicicleta.
Continuei na Maia por mais dois anos. A minha turma do 8º era má, mas o do 9º era do pior. Era a turma de Electrotecnia da escola. Não é que fossem alunos problemáticos mas eram maus alunos e eu, a par com o Manuel e a Isabel éramos os melhores alunos da turma. Se calhar não era difícil. Nessa altura senti pela primeira vez um tremor de terra. Foi numa aula de Física-Química.
Já não tenho contacto nenhum com os meus colegas desse tempo.
Nos finais de 1984 fui estudar para a grande cidade. Em busca do sonho de ser Engenheiro de Electrónica, mudei para a Escola Secundária Fontes Pereira de Melo. Queria seguir o meu irmão. Ele era o modelo da família e eu não me importava de ir atrás. Mas eu escolhi fazê-lo indo para electrónica desde o início (o meu irmão andou em electrotecnia).
Depois de uma confusão com a matrícula e a transferência, entrei para a única escola pública do norte que leccionava electrónica. Para isso contaram as minhas notas a Matemática, Física-Química e Electricidade. Não havia Educação Física para os alunos do 10º, o que também era do meu agrado. Tinha um professor de Filosofia que era cego, mas que não ficou até final do ano. E, a minha turma tinha apenas duas raparigas, a Isabel Cláudia e a Susana. Conheci o Miguel e o Cândido que ainda hoje me tratam por canário graças ao meu "kispo" amarelo.
Esses dois anos que passei no Fontes na rua do Breyner foram provavelmente os melhores anos da minha adolescência. Saí da aldeia de Gueifães, da vila da Maia e fui para a cidade do Porto. As ruas estavam cheias de gente, as aventuras eram outras e os interesses começaram a mudar. Comecei a ouvir música e a ler. Interessei-me por cinema e por espraiar num café na conversa. Ainda me lembro de fazer horas de autocarro para ir a casa do Miguel para ouvir o In the Flat Field dos Bauhaus e ver o Apocalypse Now. Lembro de achar que o Cândido era maluco por ouvir uma banda nova super barulhenta chamada The Jesus and Mary Chain. E, de testar a sua aparelhagem nova com Stockhausen aos berros de maneira que a irmã quase nos matava.
Ao sábado de manhã íamos para a feira da Vandoma, nem que não tivéssemos nada para vender. Só para lá estar embebido naquele ambiente. Comecei a usar o casaco de fato preto do meu pai. Era magríssimo e adorava os The Smiths. Sonhava em ir a Londres. Era "urbano-depressivo".
No 12º ano e apesar de continuar no Fontes Pereira de Melo, tive que mudar, no final de 1986, para as novas instalações no Bessa. Fiz o 12º ano de dia, por opção dos meus pais, e todos os meus colegas foram para a noite, ficando nas instalações da rua do Breyner. De novo tive que fazer novos amigos. Agora era mais difícil, pois a escola apenas tinha 12º, 7º, 8º e 9º tornando a diferença de idade uma barreira. Além disso a competição entre os alunos do 12º era maior e o escasso número de horas de aulas não deixava que nos aproximássemos. Desse tempo apenas me sobra o contacto do Ferreirinha, que quase sempre encontro no aeroporto Francisco Sá Carneiro, pois trabalha lá.
Em 1987 nevou no quintal de casa, numa tarde quarta-feira, enquanto estudava matemática. Comecei a sair nas matinés de domingo. Ia ao Nabucco ou ao Lá-Lá-Lá no Dallas. Gostava de rock-a-billy, do gótico e sobretudo de Joy Division. Deixei de usar o cabelo comprido para passar a usá-lo quase rapado com uma pala à frente. Tinha más companhias, mas divertia-me à brava.
Ela chamava-se Susana e era ruiva.
Entrei na Universidade.
Em 1987 entrei em Física na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, porque por três décimas não entrei em Aveiro, em Engenharia Electrónica. No início fiquei triste, mas quando mudei finalmente para Aveiro, em 1989, chorei.

No primeiro ano do curso não me misturei bem na vida académica. Eu estava noutra onda, numa de matinés punks de domingo no Dallas. Andava com pessoas sem muitos interesses na vida. Vivia em casa dos meus pais e nem tinha muita autorização para sair à noite. Organizava festas de Passagem-de-Ano e Carnaval na vizinhança. Mas as coisas mudaram para os meados de 1988. Mudei de companhias e passei a frequentar o Luís Armastrondo na Ribeira. À noite! Comecei a beber cerveja a sério e chegava a casa no último autocarro da noite. Ao fim de semana apanhava as minhas bebedeiras.
Claro que fui praxado à entrada da faculdade, mas nem sei porque nunca me cortaram a pala. Fui eleito o caloiro do ano e tinha uma madrinha chamada Ana Paula.
Conheci a Cláudia (nem imaginava que alguma vez nos iriamos casar e quase 10 anos depois).
1989 foi o ano em que me fiz mais homem. Também com 20 anos convinha. Comecei a namorar com a Carla e conheci logo a família toda. Com o final do ano veio o fim da nossa relação. Eu fui para Aveiro e deixei tudo para trás. Tenho pena de ter perdido o contacto com ela, mas mantive o contacto com a maioria dos meus colegas de Física e Engenharia Geográfica. Aliás este fim-de-semana encontrei o Paulo "Mancha Negra" (vestia sempre e sem excepção de negro) e ele é que me falou que faziam 17 anos que tínhamos entrado para a universidade.
Em 1989 caiu o muro de Berlim e o mundo, como sempre o conheci, começou a mudar. Em 10 anos mudei de escola 7 vezes, mudei de amigos e de lugares. Cresci. Tive tristezas, mas só me lembro das alegrias. As décadas que se seguiram trouxeram alegrias maiores, mas nenhuma década foi tão boa como a dos 80.
Quando 1980 começou, eu estava na Escola Preparatória da Maia, no 1º ano do ensino preparatório. Tinha saído da escola primária ao lado da minha casa e fazia todos os dias 30 minutos de autocarro (o 54 dos STCP) para chegar à escola, lá longe no centro do concelho da Maia. Tudo era uma aventura para um rapazito de 10 anos. O ano acabou com a morte de Francisco Sá Carneiro. Lembro-me claramente de não haver aulas porque o nosso primeiro-ministro tinha morrido num acidente de avião.
Ela chamava-se Elsa.
1981 trouxe a minha primeira negativa (a Português) porque a professora achou que eu tinha copiado no teste (o único que ela deu, porque chegou tarde). Para um aluno de 4s e 5s, ter um 2 foi um choque nunca mais remendado, mesmo depois da professora ter pedido desculpa à minha mãe. Adorava Educação Visual e a professora adorava-me. Detestava Educação Física.
Em 1982, tinha passado para a Escola Secundária da Maia, para o 7º ano de escolaridade. Era o puto mais pequeno da sala sem jeito para o futebol e que tinha escolhido trabalhar em barro em Educação Visual (o que levou o meu irmão a chamar-me burro porque a arte nunca me levaria a lado nenhum). (In)Felizmente fui para Electricidade. Passei a estudar Inglês e deixei de ter Religião e Moral. Tive a minha segunda negativa (a Francês). Nesse ano ganhei a minha bicicleta BMX Tip Top num sorteio ligado ao programa do Topo Gigio. Nunca mais deixei de andar de bicicleta.
Continuei na Maia por mais dois anos. A minha turma do 8º era má, mas o do 9º era do pior. Era a turma de Electrotecnia da escola. Não é que fossem alunos problemáticos mas eram maus alunos e eu, a par com o Manuel e a Isabel éramos os melhores alunos da turma. Se calhar não era difícil. Nessa altura senti pela primeira vez um tremor de terra. Foi numa aula de Física-Química.
Já não tenho contacto nenhum com os meus colegas desse tempo.
Nos finais de 1984 fui estudar para a grande cidade. Em busca do sonho de ser Engenheiro de Electrónica, mudei para a Escola Secundária Fontes Pereira de Melo. Queria seguir o meu irmão. Ele era o modelo da família e eu não me importava de ir atrás. Mas eu escolhi fazê-lo indo para electrónica desde o início (o meu irmão andou em electrotecnia).
Depois de uma confusão com a matrícula e a transferência, entrei para a única escola pública do norte que leccionava electrónica. Para isso contaram as minhas notas a Matemática, Física-Química e Electricidade. Não havia Educação Física para os alunos do 10º, o que também era do meu agrado. Tinha um professor de Filosofia que era cego, mas que não ficou até final do ano. E, a minha turma tinha apenas duas raparigas, a Isabel Cláudia e a Susana. Conheci o Miguel e o Cândido que ainda hoje me tratam por canário graças ao meu "kispo" amarelo.
Esses dois anos que passei no Fontes na rua do Breyner foram provavelmente os melhores anos da minha adolescência. Saí da aldeia de Gueifães, da vila da Maia e fui para a cidade do Porto. As ruas estavam cheias de gente, as aventuras eram outras e os interesses começaram a mudar. Comecei a ouvir música e a ler. Interessei-me por cinema e por espraiar num café na conversa. Ainda me lembro de fazer horas de autocarro para ir a casa do Miguel para ouvir o In the Flat Field dos Bauhaus e ver o Apocalypse Now. Lembro de achar que o Cândido era maluco por ouvir uma banda nova super barulhenta chamada The Jesus and Mary Chain. E, de testar a sua aparelhagem nova com Stockhausen aos berros de maneira que a irmã quase nos matava.
Ao sábado de manhã íamos para a feira da Vandoma, nem que não tivéssemos nada para vender. Só para lá estar embebido naquele ambiente. Comecei a usar o casaco de fato preto do meu pai. Era magríssimo e adorava os The Smiths. Sonhava em ir a Londres. Era "urbano-depressivo".
No 12º ano e apesar de continuar no Fontes Pereira de Melo, tive que mudar, no final de 1986, para as novas instalações no Bessa. Fiz o 12º ano de dia, por opção dos meus pais, e todos os meus colegas foram para a noite, ficando nas instalações da rua do Breyner. De novo tive que fazer novos amigos. Agora era mais difícil, pois a escola apenas tinha 12º, 7º, 8º e 9º tornando a diferença de idade uma barreira. Além disso a competição entre os alunos do 12º era maior e o escasso número de horas de aulas não deixava que nos aproximássemos. Desse tempo apenas me sobra o contacto do Ferreirinha, que quase sempre encontro no aeroporto Francisco Sá Carneiro, pois trabalha lá.
Em 1987 nevou no quintal de casa, numa tarde quarta-feira, enquanto estudava matemática. Comecei a sair nas matinés de domingo. Ia ao Nabucco ou ao Lá-Lá-Lá no Dallas. Gostava de rock-a-billy, do gótico e sobretudo de Joy Division. Deixei de usar o cabelo comprido para passar a usá-lo quase rapado com uma pala à frente. Tinha más companhias, mas divertia-me à brava.
Ela chamava-se Susana e era ruiva.
Entrei na Universidade.
Em 1987 entrei em Física na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, porque por três décimas não entrei em Aveiro, em Engenharia Electrónica. No início fiquei triste, mas quando mudei finalmente para Aveiro, em 1989, chorei.
No primeiro ano do curso não me misturei bem na vida académica. Eu estava noutra onda, numa de matinés punks de domingo no Dallas. Andava com pessoas sem muitos interesses na vida. Vivia em casa dos meus pais e nem tinha muita autorização para sair à noite. Organizava festas de Passagem-de-Ano e Carnaval na vizinhança. Mas as coisas mudaram para os meados de 1988. Mudei de companhias e passei a frequentar o Luís Armastrondo na Ribeira. À noite! Comecei a beber cerveja a sério e chegava a casa no último autocarro da noite. Ao fim de semana apanhava as minhas bebedeiras.
Claro que fui praxado à entrada da faculdade, mas nem sei porque nunca me cortaram a pala. Fui eleito o caloiro do ano e tinha uma madrinha chamada Ana Paula.
Conheci a Cláudia (nem imaginava que alguma vez nos iriamos casar e quase 10 anos depois).
1989 foi o ano em que me fiz mais homem. Também com 20 anos convinha. Comecei a namorar com a Carla e conheci logo a família toda. Com o final do ano veio o fim da nossa relação. Eu fui para Aveiro e deixei tudo para trás. Tenho pena de ter perdido o contacto com ela, mas mantive o contacto com a maioria dos meus colegas de Física e Engenharia Geográfica. Aliás este fim-de-semana encontrei o Paulo "Mancha Negra" (vestia sempre e sem excepção de negro) e ele é que me falou que faziam 17 anos que tínhamos entrado para a universidade.
Em 1989 caiu o muro de Berlim e o mundo, como sempre o conheci, começou a mudar. Em 10 anos mudei de escola 7 vezes, mudei de amigos e de lugares. Cresci. Tive tristezas, mas só me lembro das alegrias. As décadas que se seguiram trouxeram alegrias maiores, mas nenhuma década foi tão boa como a dos 80.
terça-feira, abril 27, 2004
Vilarinho da Furna
Há lugares que têm uma energia especial. Há lugares em que é possível sentir a paz ou a energia de tempos imemoráveis, de acontecimentos já esquecidos ou das pessoas que os habitaram, mas que persiste presa ao lugar.

Quando vou ao castelo de Marialva e percorro os caminhos do seu interior, entre casas em ruínas, parece-me sentir as pessoas que em tempos viveram lá dentro e toda a energia deixada pela população que aos poucos foi abandonando aquele lugar à sua sorte. Como diz de José Saramago num trecho do seu livro "Viagem a Portugal" e que foi transcrito para uma pedra do interior do castelo, "... é este conjunto de edificações em ruína, o elo misterioso que as liga à memória presente dos que viveram aqui, que subitamente comove o viajante, lhe aperta a garganta e faz subir lágrimas aos olhos."
A mesma coisa acontece-me quando vou a Vilarinho da Furna no Parque Nacional da Peneda-Gerês, como aconteceu este fim-de-semana passado. Porém ali é mais difícil percorrer os caminhos por entre as casas, pois a aldeia está submersa a maioria do ano. Porém já tive o prazer de o fazer há uns anos quando o nível das águas da barragem o permitiu e a sensação foi muito semelhante. É bom sentir as pessoas sentadas à janela, junto à lareira ou mesmo caminhando pelas estreitas ruas. Mas só se sente porque as pessoas já lá não estão e porque as casas estão despidas. Apenas ficaram as pedras carregadas de memórias e energia positiva.

E Vilarinho da Furna tem uma história especial porque naquela zona, entre as serras Amarela e do Gerês, as pessoas viviam separadas da "humanidade" pela ausência de vias de comunicação, viviam em auto-suficiência e em comunidade. A aldeia tinha uma espécie de conselho onde cada família estava representada por um membro. Uma assembleia do povo. À frente desta junta estava um indivíduo que tinha o cargo de juiz ou zelador por seis meses e fazia cumprir regulamentos escritos e orais de que as pessoas tinham memória. E debatiam-se os assuntos relativos ao lugar, problemas como manter as infra-estruturas, caminhos, pontes, levadas, vedar as parcelas de pastagens nos montes e nos currais. No fundo era manter aquilo que era de todos e fazer o calendário agrícola e pastoril para que tudo corresse bem e não faltasse o essencial à comunidade. As pessoas estavam habituadas a participar na colectividade, naquilo que era de todos. (adaptei isto de um site sobre Vilarinho da Furna)
"Havia democracia naquele tempo" como também disse um velho que por lá apareceu, enquanto nós nos banhávamos nas águas geladas do Homem e nos banhávamos do sol que esteve sempre presente no fim-de-semana.
Foi bonito! Foi bonito termos lá passado a parte final do Fim de Semana de Yoga no Gerês, assim como foi bonito estar no castelo de Marialva na despedida do Fim de Semana de Yoga em Foz Côa, há um ano.
Quando vou ao castelo de Marialva e percorro os caminhos do seu interior, entre casas em ruínas, parece-me sentir as pessoas que em tempos viveram lá dentro e toda a energia deixada pela população que aos poucos foi abandonando aquele lugar à sua sorte. Como diz de José Saramago num trecho do seu livro "Viagem a Portugal" e que foi transcrito para uma pedra do interior do castelo, "... é este conjunto de edificações em ruína, o elo misterioso que as liga à memória presente dos que viveram aqui, que subitamente comove o viajante, lhe aperta a garganta e faz subir lágrimas aos olhos."
A mesma coisa acontece-me quando vou a Vilarinho da Furna no Parque Nacional da Peneda-Gerês, como aconteceu este fim-de-semana passado. Porém ali é mais difícil percorrer os caminhos por entre as casas, pois a aldeia está submersa a maioria do ano. Porém já tive o prazer de o fazer há uns anos quando o nível das águas da barragem o permitiu e a sensação foi muito semelhante. É bom sentir as pessoas sentadas à janela, junto à lareira ou mesmo caminhando pelas estreitas ruas. Mas só se sente porque as pessoas já lá não estão e porque as casas estão despidas. Apenas ficaram as pedras carregadas de memórias e energia positiva.
E Vilarinho da Furna tem uma história especial porque naquela zona, entre as serras Amarela e do Gerês, as pessoas viviam separadas da "humanidade" pela ausência de vias de comunicação, viviam em auto-suficiência e em comunidade. A aldeia tinha uma espécie de conselho onde cada família estava representada por um membro. Uma assembleia do povo. À frente desta junta estava um indivíduo que tinha o cargo de juiz ou zelador por seis meses e fazia cumprir regulamentos escritos e orais de que as pessoas tinham memória. E debatiam-se os assuntos relativos ao lugar, problemas como manter as infra-estruturas, caminhos, pontes, levadas, vedar as parcelas de pastagens nos montes e nos currais. No fundo era manter aquilo que era de todos e fazer o calendário agrícola e pastoril para que tudo corresse bem e não faltasse o essencial à comunidade. As pessoas estavam habituadas a participar na colectividade, naquilo que era de todos. (adaptei isto de um site sobre Vilarinho da Furna)
"Havia democracia naquele tempo" como também disse um velho que por lá apareceu, enquanto nós nos banhávamos nas águas geladas do Homem e nos banhávamos do sol que esteve sempre presente no fim-de-semana.
Foi bonito! Foi bonito termos lá passado a parte final do Fim de Semana de Yoga no Gerês, assim como foi bonito estar no castelo de Marialva na despedida do Fim de Semana de Yoga em Foz Côa, há um ano.
quarta-feira, abril 21, 2004
Passatempo I
Se alguém adivinhar onde é que eu e a Cláudia vamos estar na noite da ante-véspera das eleições europeias deste ano, ganha um copo de vinho e um pastel (ou bolinho) de bacalhau na tasca da Ti Alice. Adicionalmente, e só para o primeiro a responder, oferece-se um par de meias de ciclismo (lavadas). Tudo oferecido pelos nossos patrocinadores - A drogaria Almeida de Alcácer do Sal e a retrosaria Figueiredo na Rua de S. José em Santa Comba Dão.
Aqui fica uma pista:

Só mais quatro pistas: Lenny Kravitz e Pixies e Massive Attack e Fatboy Slim.
Ah! As respostas têm que chegar via postal dos correios até ao dia 21 de Abril de 2004, impreterivelmente.
Aqui fica uma pista:
Só mais quatro pistas: Lenny Kravitz e Pixies e Massive Attack e Fatboy Slim.
Ah! As respostas têm que chegar via postal dos correios até ao dia 21 de Abril de 2004, impreterivelmente.
: : : 1-big-O [v2.0] : : :
Hoje trouxe, para casa, o caderno de apontamentos das minhas reuniões. Estes são alguns dos (muitos) esboços que tenho por lá!





Acham que as reuniões são entediantes? Nãaaaaa....
Acham que as reuniões são entediantes? Nãaaaaa....
terça-feira, abril 20, 2004
(Ex)Citação I
"You never change things by fighting the existing reality. To change something, build a new model that makes the existing model obsolete."
Buckminster Fuller
Half frame
Há umas semanas atrás comprei no eBay uma câmara fotográfica quase tão velha como eu. Comprei uma Olympus Pen EE-3. Eu não sei exactamente de que data é o exemplar que tenho, mas o modelo foi lançado em Maio de 1973. Na altura do lançamento custava 15.800 yens (ao câmbio actual €122,5), a mim custou-me (com os portes) pouco mais de €29,5. Uma desvalorização de 4,5% ao ano...

Mas não comprei porque faço colecção de câmaras antigas ou porque tenho um qualquer fetiche com coisas antigas. Não! Comprei porque já há uns tempos queria ter uma câmara simples sem qualquer tipo de automatismos das normais SLRs. Já tinha pedido ao meio pai a PAX dele, que aliás era muito mais antiga que esta, mas que por estar há tantos anos sem funcionar, não colaborou e nem arranjo tem.
A juntar a este desejo de voltar atrás no tempo, esta Olympus Pen EE-3 tem a faculdade de fazer de um rolo de 24 fotos, 48. Ou seja, a câmara é o que se chama de half frame e tira, em cada fotograma de um normal rolo de 35mm, duas fotos. Mas em vez de tirar fotos em formato panorâmico (landascape), tira em formato retrato (portrait), ou seja, para tirar fotografias no formato normal tem que se rodar a câmara 90 graus, o que nas câmaras normais acontecia quando se queria tirar fotos no formato que esta tira. Confuso?!
Se quiserem ver as especificações vejam em Olympus PEN EE-3.
Outra das razões é porque comprei há uns tempos rolo a preto e branco a metro (Ilford HP5 Plus) e a minha Canon EOS 300 não gosta muito dos copos onde eu o enrolo. E nada como voltar atrás no tempo e tirar a preto e branco numa câmara própria da época (ou quase).
Parece estranho este voltar atrás (haviam de ver a cara das funcionárias do laboratório de revelação quando lá apareci com a máquina) numa altura que toda a gente pensa em ter uma máquina digital. A verdade é que eu já tenho uma máquina digital há quase três anos e ando farto de tirar fotos a granel e tê-las guardadas no computador sem lhes dar uso algum (não é que em papel faça grande uso delas). E além disso até já tenho câmara fotográfica no telemóvel (a montagem das férias foi feita com fotos do meu telemóvel). Mas eu quero voltar ao básico, ao simples, aos primórdios da fotografia, porque aí é que se aprendem os princípios.
Mas isto tudo para dizer que hoje recebi o primeiro rolo tirado com esta câmara, revelado. A revelação é tão má que me faz pensar que deitei dinheiro à rua quando comprei a câmara. E que mais vale arrumar as botas, porque nunca me sentirei satisfeito com fotos como estas, pelo que o melhor é nem tirar nenhumas.
Ou nunca mais revelo fotografias naquele laboratório!
Na verdade estou à espera de comprar um digitalizador que me permita digitalizar o negativo e depois tratar as fotos em casa a meu gosto. Agora é que estraguei tudo, né! Então ando a tirar fotografias numa câmara de 1973 para depois a tratar em computador? Pois! É que o básico da fotografia posso aprender com a câmara, mas o básico da revelação se calhar já não o quero aprender com ampliadores e químicos.
Um dia destes mostro-vos umas fotos.
Mas não comprei porque faço colecção de câmaras antigas ou porque tenho um qualquer fetiche com coisas antigas. Não! Comprei porque já há uns tempos queria ter uma câmara simples sem qualquer tipo de automatismos das normais SLRs. Já tinha pedido ao meio pai a PAX dele, que aliás era muito mais antiga que esta, mas que por estar há tantos anos sem funcionar, não colaborou e nem arranjo tem.
A juntar a este desejo de voltar atrás no tempo, esta Olympus Pen EE-3 tem a faculdade de fazer de um rolo de 24 fotos, 48. Ou seja, a câmara é o que se chama de half frame e tira, em cada fotograma de um normal rolo de 35mm, duas fotos. Mas em vez de tirar fotos em formato panorâmico (landascape), tira em formato retrato (portrait), ou seja, para tirar fotografias no formato normal tem que se rodar a câmara 90 graus, o que nas câmaras normais acontecia quando se queria tirar fotos no formato que esta tira. Confuso?!
Se quiserem ver as especificações vejam em Olympus PEN EE-3.
Outra das razões é porque comprei há uns tempos rolo a preto e branco a metro (Ilford HP5 Plus) e a minha Canon EOS 300 não gosta muito dos copos onde eu o enrolo. E nada como voltar atrás no tempo e tirar a preto e branco numa câmara própria da época (ou quase).
Parece estranho este voltar atrás (haviam de ver a cara das funcionárias do laboratório de revelação quando lá apareci com a máquina) numa altura que toda a gente pensa em ter uma máquina digital. A verdade é que eu já tenho uma máquina digital há quase três anos e ando farto de tirar fotos a granel e tê-las guardadas no computador sem lhes dar uso algum (não é que em papel faça grande uso delas). E além disso até já tenho câmara fotográfica no telemóvel (a montagem das férias foi feita com fotos do meu telemóvel). Mas eu quero voltar ao básico, ao simples, aos primórdios da fotografia, porque aí é que se aprendem os princípios.
Mas isto tudo para dizer que hoje recebi o primeiro rolo tirado com esta câmara, revelado. A revelação é tão má que me faz pensar que deitei dinheiro à rua quando comprei a câmara. E que mais vale arrumar as botas, porque nunca me sentirei satisfeito com fotos como estas, pelo que o melhor é nem tirar nenhumas.
Ou nunca mais revelo fotografias naquele laboratório!
Na verdade estou à espera de comprar um digitalizador que me permita digitalizar o negativo e depois tratar as fotos em casa a meu gosto. Agora é que estraguei tudo, né! Então ando a tirar fotografias numa câmara de 1973 para depois a tratar em computador? Pois! É que o básico da fotografia posso aprender com a câmara, mas o básico da revelação se calhar já não o quero aprender com ampliadores e químicos.
Um dia destes mostro-vos umas fotos.
20042004
Já repararam que hoje é o dia 20.04.2004? Eu também não tinha reparado se não fosse o Ricardo a dizê-lo.
E em que é que isso muda a maneira como o dia vai decorrer? Em nada. É mais um dia como os outros!
Sabiam que amanhã é 21.04.2004? Pois vai ser um dia como o de hoje! A diferença é que é quarta-feira. Ah! E o pormenor de ser o dia 20042004 não se aplica... Amanhã!
Bom resto de dia!
E em que é que isso muda a maneira como o dia vai decorrer? Em nada. É mais um dia como os outros!
Sabiam que amanhã é 21.04.2004? Pois vai ser um dia como o de hoje! A diferença é que é quarta-feira. Ah! E o pormenor de ser o dia 20042004 não se aplica... Amanhã!
Bom resto de dia!
segunda-feira, abril 19, 2004
Zapatero
Para um sapateiro que diziam que não sabia tocar rabecão, até que se anda a sair da casca. Pena que alguns durões como as portas não sigam o seu exemplo e estejam a teimar quando não têm a razão toda.
Por falar nisso, vou estar fora no fim-de-semana das eleições europeias e tenho que saber como votar.
Por falar nisso, vou estar fora no fim-de-semana das eleições europeias e tenho que saber como votar.
Escravo?!!
Há uns tempos que não ando bem! Não é nada físico, mas ando com graves perdas de concentração e memória. Não sei se é velhice, mas presumo que ainda é cedo para estas coisas. Acho que tem mais a ver com faltas de horas de sono e demasiada perda de tempo com problemas que com os quais não me deveria de preocupar tanto.
De há uns tempos para cá que tenho mais responsabilidades no emprego e acho que ando a confundir isso com a minha vida particular. Quando era apenas um engenheiro saia do emprego e deixava lá os meus problemas. Aquele if que não estava a funcionar ou aquele interface que não estava especificado ficavam na sala de trabalho. Agora em que passei a lidar com pessoas em vez de máquinas, muitas vezes é difícil esquecer atritos ou desentendimentos que ocorrem num normal dia de trabalho. As minhas decisões ou opiniões podem ter influência na maneira como outras pessoas me vêm e querendo ou não isso mexe comigo. De alguma maneira tenho que aprender a lidar com isso e acima de tudo não posso deixar que isso influencie a maneira como procedo na minha vida pessoal. Os meus entes queridos e amigos não têm que pagar com isso.
Além disso quando temos demasiadas coisas na cabeça é difícil dormir profundamente (Oh! Carneiro como se dorme bem depois de andar de bicicleta) e quando passamos o dia tensos é muito difícil estarmos atentos. Por isso é que ultimamente só penso em férias e fugir das minhas responsabilidades. Fugir da minha vida!
Mas não é fácil fugir! Como dizia alguém no outro dia na televisão há os empregos "paybill" e os empregos "career building". O meu emprego actual está na fase de passar de "career building" para "paybill", pois já não é um emprego que me deixe demasiado fascinado, me surpreenda enormemente ou que me projecte numa carreira empolgante, mas sim um emprego que me paga as contas. E nesta fase que os empregos não abundam, principalmente os "career building", há que encontrar neste motivos de interesse para pelo menos não entrarmos em stress. E tentar ao máximo aproveitar todas as oportunidades de "career building", porque ainda as há. O que não posso deixar é que os problemas passem da porta para fora.
Isto faz-me lembrar um amigo meu americano que se despediu a semana passada. O Darren disse-me há uns tempos que queria aprender português porque me queria visitar. Esta semana perguntei-lhe quando estava a pensar fazê-lo. Respondeu que se tinha despedido porque estava farto do emprego e de estar fechado num escritório (ele trabalhava na Lucas Arts). A conversa acabou com ele a chamar-me escravo...
De há uns tempos para cá que tenho mais responsabilidades no emprego e acho que ando a confundir isso com a minha vida particular. Quando era apenas um engenheiro saia do emprego e deixava lá os meus problemas. Aquele if que não estava a funcionar ou aquele interface que não estava especificado ficavam na sala de trabalho. Agora em que passei a lidar com pessoas em vez de máquinas, muitas vezes é difícil esquecer atritos ou desentendimentos que ocorrem num normal dia de trabalho. As minhas decisões ou opiniões podem ter influência na maneira como outras pessoas me vêm e querendo ou não isso mexe comigo. De alguma maneira tenho que aprender a lidar com isso e acima de tudo não posso deixar que isso influencie a maneira como procedo na minha vida pessoal. Os meus entes queridos e amigos não têm que pagar com isso.
Além disso quando temos demasiadas coisas na cabeça é difícil dormir profundamente (Oh! Carneiro como se dorme bem depois de andar de bicicleta) e quando passamos o dia tensos é muito difícil estarmos atentos. Por isso é que ultimamente só penso em férias e fugir das minhas responsabilidades. Fugir da minha vida!
Mas não é fácil fugir! Como dizia alguém no outro dia na televisão há os empregos "paybill" e os empregos "career building". O meu emprego actual está na fase de passar de "career building" para "paybill", pois já não é um emprego que me deixe demasiado fascinado, me surpreenda enormemente ou que me projecte numa carreira empolgante, mas sim um emprego que me paga as contas. E nesta fase que os empregos não abundam, principalmente os "career building", há que encontrar neste motivos de interesse para pelo menos não entrarmos em stress. E tentar ao máximo aproveitar todas as oportunidades de "career building", porque ainda as há. O que não posso deixar é que os problemas passem da porta para fora.
Isto faz-me lembrar um amigo meu americano que se despediu a semana passada. O Darren disse-me há uns tempos que queria aprender português porque me queria visitar. Esta semana perguntei-lhe quando estava a pensar fazê-lo. Respondeu que se tinha despedido porque estava farto do emprego e de estar fechado num escritório (ele trabalhava na Lucas Arts). A conversa acabou com ele a chamar-me escravo...
Epá!...
Que saudades que tenho de ficar com uma ponteira torta na minha Vaynessa!... E comer picanha e dormir ferrado de cansaço!... E de mandar vir com o Anésio e com o Armando!...
Já pensei em andar de bicicleta por estas 7 colinas de Lx, mas em vez de circunspectas e volumosas bostas de vaca só me aparecem carros pela frente. E em vez de pedras e terra tenho alcatrão e os traiçoeiros carris dos eléctricos. E em vez de vento nas orelhas e no cabelo tenho buzinas e óleo queimado...
Socorro!...
Já pensei em andar de bicicleta por estas 7 colinas de Lx, mas em vez de circunspectas e volumosas bostas de vaca só me aparecem carros pela frente. E em vez de pedras e terra tenho alcatrão e os traiçoeiros carris dos eléctricos. E em vez de vento nas orelhas e no cabelo tenho buzinas e óleo queimado...
Socorro!...
sexta-feira, abril 16, 2004
Segredos
Há pequenas coisas que não se dizem porque magoam e não queremos magoar o amado, não é?!
Dei comigo a pensar nisto em Foz-Côa. Estava-me a irritar solenemente que o Rui não se calasse um segundo. Aquele rapaz, quando gosta muito de algo ou alguém, fica excitado como as crianças com um desenho que querem que todos vejam e admirem. E fala e fala, ....e ri...o que é muito giro, não se tornasse ele vítima de si próprio. Porque chega a ser chato. Porque não dá descanso.
E eu, que o adoro acima de tudo e sei que ele é mil vezes melhor (e mais inteligente, imaginativo, bem humorado, amante, etc....) do que vocês sonham, fico triste. Porque eu também demorei um tempão para ver o que está por trás daquela capa de puto reguila. E lá tentei dizer-lhe. Com jeitinho. Mas não fui capaz.
Dei comigo a pensar nisto em Foz-Côa. Estava-me a irritar solenemente que o Rui não se calasse um segundo. Aquele rapaz, quando gosta muito de algo ou alguém, fica excitado como as crianças com um desenho que querem que todos vejam e admirem. E fala e fala, ....e ri...o que é muito giro, não se tornasse ele vítima de si próprio. Porque chega a ser chato. Porque não dá descanso.
E eu, que o adoro acima de tudo e sei que ele é mil vezes melhor (e mais inteligente, imaginativo, bem humorado, amante, etc....) do que vocês sonham, fico triste. Porque eu também demorei um tempão para ver o que está por trás daquela capa de puto reguila. E lá tentei dizer-lhe. Com jeitinho. Mas não fui capaz.
PazCôa II
Deixei-vos na parte em que os nossos amigos ingleses partiram e ia começar a falar da parte em que entraram os nossos amigos portugueses, na "pensão" da Travessa D. Berta Montalvão, 9 em Vila Nova de Foz Côa, no Sábado [10 de Abril de 2004] de Aleluia.

No entretanto, eu e a Cláudia fomos fazer um piquenique para os lados da Quinta do Vale Meão, mas estava um calor imenso e naquele canto abrigado do vento era impossível não desesperar. Mas a pior parte da contenda foi termos nos esquecido de fósforos e não podermos acender o fogão para fazer um cafézito. Ainda tentámos insistentemente um processo com provas dadas no passado, que basicamente consiste em usar o isqueiro do carro para atear fogo a umas ervas secas. Porém, nesta altura as ervas tão muito pouco secas e nem com papel conseguimos. Fomos tomar café ao Pocinho.
Fazendo um "fast forward" e passando por cima do chouriço assado nas brasas da lareira e da garrafa de vinho dessa noite, voamos directamente, no tempo, para a tarde de Domingo [11 de Abril de 2004] de Páscoa, e no espaço, para a praia da estação de Almendra. O programa foi em todo semelhante ao levado a cabo com os ingleses, só que desta vez não havia o garrafão dos vizinhos. Felizmente, porque se levámos mais vinho desta vez, também bebemos mais. E se houvesse mais beberia-se mais, como provou o Armando quando chegámos ao centro de Castelo Melhor e pediu um bagaço.
Era a preparação da festa do Arcanjo Gabriel em Castelo Melhor e nós continuámos a nossa. Foi um rico dia de Páscoa recheado de momentos hilariantes (para alguns). Houve quem não tenha gostado muito! Mas são outras histórias que não compreendo, nem vos quero maçar com elas.
Na segunda-feira [11 de Abril de 2004] fomos (Eu, o Anésio e o Armando) andar de bicicleta. Fizemos uns 35 km! Começou com uma descida pavorosa, seguida de uma subida esforçada, uma paisagem magnífica, uma estrada horrorosa e um peixe do rio magnífico. A volta foi mais difícil, pois começou com a estrada horrorosa, seguiu-se uma subida pavorosa e um tombo doloroso. Ando aqui com um braço e um joelho esfolado e ainda nem arranjei a minha Vaynessa que ficou com a ponteira torta. Mas no fim foi magnífico comer uma picanha e dormir como já há muito não durmo.
Para quem quiser andar de bicicleta em Foz Côa que compre as cartas militares (130 e 141 – 1/25000) da zona. Partindo de Foz Côa e seguindo o caminho que parte do Senhor dos Aflitos (o nome não é em vão) até ao vale (CUIDADO!) seguem o riacho até ao Caminho Vicinal do Vale das Olgas e daí sobem até ao cemitério de Santo Amaro. Descem a estrada e na primeira curva apanham um caminho de terra batida à esquerda (no mapa está assinalado como de pé-posto) que segue a cumeada até à Quinta do Cercão (onde eu furei duas vezes). Descem à Senhora da Veiga e fazem o caminho que circunda o Vale Meão (nós não fizemos esta parte, porque fomos comer os peixinhos à Foz do Sabor, pelo "IP2"). Vão até ao Pocinho, daí à barragem, pela margem esquerda até à Quinta Daniel e seguindo pelas vinhas, sobem e sobem e sobem até à Chã, ao planalto onde está Foz Côa.
Para acabar, que não me está a apetecer estar aqui a escrever tudo o que se passou, porque afinal de contas vocês não têm nada a ver com isso, (ou, por outras palavras, hoje não estou com grande vontade para escrever.) ficam umas referências em termos gastronómicos:
- Petiscaria Preguiça – perto da estação de Freixo de Numão. Uma vista espectacular e uma simpatia inigualável. Provem os peixinhos do rio e o entrecosto na brasa. O vinho da casa é bom e as laranjas magníficas.
- Beira Rio - na Foz do Sabor. Especialidade peixinhos do rio. O vinho é daquele género groselha mas que torna tudo um pouco dependente demais da gravidade. Comam nas mesas fora se puderem. Lá dentro é sofrível.
Para passear ou estar:
- Praia fluvial de Almendra - está-se bem, mas não esperem nada muito arranjado. É apenas um sítio aprazível perto da água, óptimo para uns piqueniques e nem por isso sossegado.
- Praia fluvial da Foz do Sabor - Já foi um sítio sossegado, mas depois dos peixinhos no Beira Rio está-se lá bem.
- Ruínas romanas do Prazo - perto de Freixo de Numão uma pequeno complexo de ruínas que vão desde a pré-história até cerca do século XII.
São as melhores sugestões das que cobrimos nestas férias, mas há muito mais. Um dia destes eu começo a fazer um site sobre Vila Nova de Foz Côa. Aliás, sobre os arredores... Pode ser que já vá tarde demais! Ou se calhar serve de apoio ao meu sonho! Quem sabe?
No entretanto, eu e a Cláudia fomos fazer um piquenique para os lados da Quinta do Vale Meão, mas estava um calor imenso e naquele canto abrigado do vento era impossível não desesperar. Mas a pior parte da contenda foi termos nos esquecido de fósforos e não podermos acender o fogão para fazer um cafézito. Ainda tentámos insistentemente um processo com provas dadas no passado, que basicamente consiste em usar o isqueiro do carro para atear fogo a umas ervas secas. Porém, nesta altura as ervas tão muito pouco secas e nem com papel conseguimos. Fomos tomar café ao Pocinho.
Fazendo um "fast forward" e passando por cima do chouriço assado nas brasas da lareira e da garrafa de vinho dessa noite, voamos directamente, no tempo, para a tarde de Domingo [11 de Abril de 2004] de Páscoa, e no espaço, para a praia da estação de Almendra. O programa foi em todo semelhante ao levado a cabo com os ingleses, só que desta vez não havia o garrafão dos vizinhos. Felizmente, porque se levámos mais vinho desta vez, também bebemos mais. E se houvesse mais beberia-se mais, como provou o Armando quando chegámos ao centro de Castelo Melhor e pediu um bagaço.
Era a preparação da festa do Arcanjo Gabriel em Castelo Melhor e nós continuámos a nossa. Foi um rico dia de Páscoa recheado de momentos hilariantes (para alguns). Houve quem não tenha gostado muito! Mas são outras histórias que não compreendo, nem vos quero maçar com elas.
Na segunda-feira [11 de Abril de 2004] fomos (Eu, o Anésio e o Armando) andar de bicicleta. Fizemos uns 35 km! Começou com uma descida pavorosa, seguida de uma subida esforçada, uma paisagem magnífica, uma estrada horrorosa e um peixe do rio magnífico. A volta foi mais difícil, pois começou com a estrada horrorosa, seguiu-se uma subida pavorosa e um tombo doloroso. Ando aqui com um braço e um joelho esfolado e ainda nem arranjei a minha Vaynessa que ficou com a ponteira torta. Mas no fim foi magnífico comer uma picanha e dormir como já há muito não durmo.
Para quem quiser andar de bicicleta em Foz Côa que compre as cartas militares (130 e 141 – 1/25000) da zona. Partindo de Foz Côa e seguindo o caminho que parte do Senhor dos Aflitos (o nome não é em vão) até ao vale (CUIDADO!) seguem o riacho até ao Caminho Vicinal do Vale das Olgas e daí sobem até ao cemitério de Santo Amaro. Descem a estrada e na primeira curva apanham um caminho de terra batida à esquerda (no mapa está assinalado como de pé-posto) que segue a cumeada até à Quinta do Cercão (onde eu furei duas vezes). Descem à Senhora da Veiga e fazem o caminho que circunda o Vale Meão (nós não fizemos esta parte, porque fomos comer os peixinhos à Foz do Sabor, pelo "IP2"). Vão até ao Pocinho, daí à barragem, pela margem esquerda até à Quinta Daniel e seguindo pelas vinhas, sobem e sobem e sobem até à Chã, ao planalto onde está Foz Côa.
Para acabar, que não me está a apetecer estar aqui a escrever tudo o que se passou, porque afinal de contas vocês não têm nada a ver com isso, (ou, por outras palavras, hoje não estou com grande vontade para escrever.) ficam umas referências em termos gastronómicos:
- Petiscaria Preguiça – perto da estação de Freixo de Numão. Uma vista espectacular e uma simpatia inigualável. Provem os peixinhos do rio e o entrecosto na brasa. O vinho da casa é bom e as laranjas magníficas.
- Beira Rio - na Foz do Sabor. Especialidade peixinhos do rio. O vinho é daquele género groselha mas que torna tudo um pouco dependente demais da gravidade. Comam nas mesas fora se puderem. Lá dentro é sofrível.
Para passear ou estar:
- Praia fluvial de Almendra - está-se bem, mas não esperem nada muito arranjado. É apenas um sítio aprazível perto da água, óptimo para uns piqueniques e nem por isso sossegado.
- Praia fluvial da Foz do Sabor - Já foi um sítio sossegado, mas depois dos peixinhos no Beira Rio está-se lá bem.
- Ruínas romanas do Prazo - perto de Freixo de Numão uma pequeno complexo de ruínas que vão desde a pré-história até cerca do século XII.
São as melhores sugestões das que cobrimos nestas férias, mas há muito mais. Um dia destes eu começo a fazer um site sobre Vila Nova de Foz Côa. Aliás, sobre os arredores... Pode ser que já vá tarde demais! Ou se calhar serve de apoio ao meu sonho! Quem sabe?
quinta-feira, abril 15, 2004
Por falar em queijo...
E se falássemos de vinho! Como devem imaginar bebeu-se algum vinho estas férias da Páscoa. Nem muito nem pouco, mas o suficiente para nos fazer feliz.
O Anésio levou vinho para dar e vender. Mas só do Alentejo - Vinha D'Ervideira, Chaminé e Loios. Uma heresia, na minha (modesta) opinião, pois se estávamos na Região Demarcada do Douro, porque tínhamos que beber vinho alentejano? Eu sei que o vinho do Alentejo é de mais fácil consumo (há quem lhe chame vinho para mulheres), mas para o preço acho que a qualidade, hoje em dia, deixa muito a desejar.
A única boa excepção foi o Carvalho, Ribeiro & Ferreira de 1961. Mas nem me perguntem qual era a região, porque já mal se lia o rótulo e teve de ser decantado. Suponho que era do Dão. Mas nunca tinha bebido um vinho mais velho que eu (acho, pois já bebi alguns Portos sem rótulo) e sabia de tal maneira a madeira que era difícil de dizer de que casta era. E nem imagino o preço da garrafa!!!
Eu e a Cláudia, como os mais próximos dos nativos locais, comprámos apenas vinhos do Douro e na sua maioria do concelho de Foz Côa. E na sua maioria vinhos desconhecidos. Castelo Velho da Adega Cooperativa de Freixo de Numão, Ouro Côa Tinta Barroca da Adega Cooperativa de Vila Nova de Foz Côa e CARM Clássico 2000 da Casa Agrícola Ribeiro Madeira de Almendra. O único "estrangeiro" foi um Esteva.

O Castelo Velho é um bom vinho, para o preço (€7,50 no Intermarché). É um "reserva" encorpado e frutado, envelhecido em cascos de carvalho, de 13 graus, de Tinta Roriz e Touriga Franca. Mas, sem dúvida, da nossa escolha, o melhor foi o CARM Clássico 2000, que pelo mesmo preço apresenta uma qualidade muito superior (vejam a descrição no link). Agora tenho lá em casa uma garrafa de 2001 (supostamente um melhor ano) para experimentar. Mas acho que vou esperar para a beber. (Estejam atentos ao nome CARM, um grande produtor de Azeite e de Vinho).
O pior (sem contar o Esteva) foi sem dúvida o Ouro Côa - Tinta Barroca, que por sinal até foi o mais caro, sinal da procura que o vinho da Adega Cooperativa de Vila Nova de Foz Côa tem, desde a promoção às gravuras e ao mediatismo do seu vinho submerso nas águas do rio (Vale Sagrado 1997).
Ah! Esqueci-me de falar no vinho do garrafão bebido na praia de Almendra. Era vinho novo e parecia groselha. Uma verdadeira pomada!!! E o preço? À borla...
(No entretanto se quiserem vejam uns vinhos e restaurantes em Os 5 às 8. Uma boa referência!)
O Anésio levou vinho para dar e vender. Mas só do Alentejo - Vinha D'Ervideira, Chaminé e Loios. Uma heresia, na minha (modesta) opinião, pois se estávamos na Região Demarcada do Douro, porque tínhamos que beber vinho alentejano? Eu sei que o vinho do Alentejo é de mais fácil consumo (há quem lhe chame vinho para mulheres), mas para o preço acho que a qualidade, hoje em dia, deixa muito a desejar.
A única boa excepção foi o Carvalho, Ribeiro & Ferreira de 1961. Mas nem me perguntem qual era a região, porque já mal se lia o rótulo e teve de ser decantado. Suponho que era do Dão. Mas nunca tinha bebido um vinho mais velho que eu (acho, pois já bebi alguns Portos sem rótulo) e sabia de tal maneira a madeira que era difícil de dizer de que casta era. E nem imagino o preço da garrafa!!!
Eu e a Cláudia, como os mais próximos dos nativos locais, comprámos apenas vinhos do Douro e na sua maioria do concelho de Foz Côa. E na sua maioria vinhos desconhecidos. Castelo Velho da Adega Cooperativa de Freixo de Numão, Ouro Côa Tinta Barroca da Adega Cooperativa de Vila Nova de Foz Côa e CARM Clássico 2000 da Casa Agrícola Ribeiro Madeira de Almendra. O único "estrangeiro" foi um Esteva.
O Castelo Velho é um bom vinho, para o preço (€7,50 no Intermarché). É um "reserva" encorpado e frutado, envelhecido em cascos de carvalho, de 13 graus, de Tinta Roriz e Touriga Franca. Mas, sem dúvida, da nossa escolha, o melhor foi o CARM Clássico 2000, que pelo mesmo preço apresenta uma qualidade muito superior (vejam a descrição no link). Agora tenho lá em casa uma garrafa de 2001 (supostamente um melhor ano) para experimentar. Mas acho que vou esperar para a beber. (Estejam atentos ao nome CARM, um grande produtor de Azeite e de Vinho).
O pior (sem contar o Esteva) foi sem dúvida o Ouro Côa - Tinta Barroca, que por sinal até foi o mais caro, sinal da procura que o vinho da Adega Cooperativa de Vila Nova de Foz Côa tem, desde a promoção às gravuras e ao mediatismo do seu vinho submerso nas águas do rio (Vale Sagrado 1997).
Ah! Esqueci-me de falar no vinho do garrafão bebido na praia de Almendra. Era vinho novo e parecia groselha. Uma verdadeira pomada!!! E o preço? À borla...
(No entretanto se quiserem vejam uns vinhos e restaurantes em Os 5 às 8. Uma boa referência!)
quarta-feira, abril 14, 2004
O nó tibetano e de ming
Aqui ficam o nó tibetano que desenhei no meu Moleskine e o colar que comprei aquando da minha última visita ao Japão.
Já muita gente me perguntou se a tatuagem que fiz é igual ao colar que trago ao pescoço. Bem! São diferentes embora representem quase a mesma coisa. Quanto à origem é pouco provável que sejam idênticos, uma vez que o símbolo da tatuagem é nórdico e o do colar é chinês. Ambos com algumas centenas (se não milhares) anos de existência, pelo que à idade que remontam seja pouco provável que tenham havido contactos entre os dois povos. (Embora há quem diga que os Hunos que invadiram a Europa também andaram pela China.)
Mas, se o da tatuagem (Cruz de St. Hans) simboliza que cada acção tem sempre uma reacção ou seja que tudo o que fazemos produz sempre algum efeito, por mais pequena que seja a nossa acção (boa ou má), o nó de Ming (baseado no tibetano) simboliza o processo de reencarnação que está vinculado ao conceito de karma segundo o qual cada um paga, na próxima reencarnação, pelo bem ou mal feito no presente.
Como vêem os conceitos não são tão díspares, mas a Cruz de St. Hans tem quatro voltas e o nó de Ming tem seis.
Queijo, requeijão e morcela
Esqueci-me de falar no fantástico queijo da serra que comprámos e pelo qual os ingleses também se babaram. Dos deliciosos requeijões que em nada ficam atrás do queijo da serra, embora a maioria ache que seja o contrário – o queijo é que não fica nada atrás do magnífico requeijão.
Pois bem se forem a Celorico (da Beira) Gare virem à esquerda, mesmo antes da passagem de nível, em direcção a Baraçal. Cerca de um ou dois quilómetros depois, numa curva à direita (a segunda), aparece um caminho de terra à esquerda com uma caixa de correio (às vezes tem a placa a dizer Quinta da Moita), virem. Passem debaixo da linha férrea e na casa da direita perguntem pelo queijo e requeijão. Acho que o senhor se chama José Aires S. Salvador (271 743 443), mas não tenho a certeza.

A morcela encontram-na no talho mesmo no centro de Celorico da Beira perto do cruzamento para Prados. Aconselha-se a morcela feita com tripa de vaca. E o chouriço também...
Depois digam-me se são ou não bons.
Pois bem se forem a Celorico (da Beira) Gare virem à esquerda, mesmo antes da passagem de nível, em direcção a Baraçal. Cerca de um ou dois quilómetros depois, numa curva à direita (a segunda), aparece um caminho de terra à esquerda com uma caixa de correio (às vezes tem a placa a dizer Quinta da Moita), virem. Passem debaixo da linha férrea e na casa da direita perguntem pelo queijo e requeijão. Acho que o senhor se chama José Aires S. Salvador (271 743 443), mas não tenho a certeza.
A morcela encontram-na no talho mesmo no centro de Celorico da Beira perto do cruzamento para Prados. Aconselha-se a morcela feita com tripa de vaca. E o chouriço também...
Depois digam-me se são ou não bons.
PazCôa I
Já falei na Páscoa em Foz Côa noutras crónicas. Aliás há um ano atrás falei-vos da visita do Ben e do Tim e dos cruzamentos no jardim do Destino (ver Crónica 5 depois da Califórnia). Mas já lá não tinha umas férias, como estas últimas, da Páscoa, há bastante tempo.
O início foi complicado, mas o final foi difícil. Eu e a Cláudia, convidámos uma série de amigos para lá irem passar uns dias e no final tivemos que andar a gerir a ocupação dos quartos e o uso das toalhas e lençóis de cada um, porque entraram uns quando saíram os outros. Parecia uma pensão. Uma pensão só para amigos.
Os primeiros a entrar foram o Ken, Sue e Mary, a filha da Sue. Eu já vos falei do Ken e da Sue (ver o post de Segunda-feira, 29 de Março de 2004) aqui no blog, mas desta vez traziam mais a Mary, uma inglesa simpática e bem disposta.
Em dois dias já me tinha esquecido de todas as chatices de trabalho e da vida.
Eles chegaram na quinta-feira [8 de Abril de 2004]. Mal pousaram as coisas em casa entrámos para o jipe – ainda não dei nenhum nome ao meu carro! Tenho que pensar nisso – e zarpámos em direcção à estação de caminho de ferro de Freixo de Numão, em direcção à Petiscaria Preguiça. Para quem não conhece é a nossa última descoberta em termos gastronómicos da região. Imaginem uma pequena sala envidraçada sobre a Ribeira de Murça, mesmo na sua foz com o Douro e com vista sobre a ponte de caminho de ferro, rodeados de vinha e árvores de fruto. Mas, o melhor são os peixinhos do rio e o entrecosto grelhado na lenha, servido com um vinho da região e feito pelas pessoas mais amáveis que possam imaginar. Tudo terminado com uma laranja sumarenta e doce e um café na esplanada ao ar livre, enquanto os mosquitos deixam.
Terminámos tarde. Mesmo a tempo de não jantar. Mas ainda a tempo de dar um passeio a pé até à berma de água.
À noite arrastámos os ingleses anglicanos (um pleonasmo?) até à procissão católica e a ouvir o cântico da Verónica. É sempre um belo espectáculo de Páscoa... A procissão de sexta-feira é que já não gosto. Assim como não gosto (mas respeito) que as pessoas levem tão a peito a procissão e fiquem ofendidas porque nós nos afastamos, como duas velhas que foram mal educadas – devem ter visto o filme do Mel Gibson.
Mas antes de chegarmos à procissão da noite de sexta-feira [9 de Abril de 2004], que apenas ouvi já no aconchego da minha caminha, tal era o cansaço, convém falar do dia passado num piquenique na praia da estação de Almendra, na margem do Douro. Um paraíso que partilhámos com três rapazes de Foz Côa e uma meia dúzia de espanhóis que ali apareceram nas suas lanchas. De nuestros hermanos nem falo, porque mal os vimos, embora tenham mostrado que não somos só nós que somos inconscientes, pois traziam uns miúdos na proa sem qualquer tipo de protecção e nem sequer um colete salva-vidas. Mas dos rapazes de Foz Côa, há que dizer bem, pois quando o nosso vinho estava a acabar, vieram ter connosco e partilharam do seu garrafão um vinho “feito de uvas” como nos disseram.
Estava um calor maravilhoso! Digno de um dia de primavera. Nas primeiras horas soprava um vento gelado, mas pouco depois estava de tronco nu e queimado pelo sol.
Fizemos uma fogueira com ramos secos, assamos uma morcela e umas belas costeletas (uma heresia, eu sei, na Sexta-feira Santa). E o dia acabou com um magnífico arroz de polvo (feito pela Cláudia) já em casa. É curioso como o polvo é um desconhecido pelos povos mais a norte e até mal visto, pois é têm sempre a sensação que não é saboroso e rijo. Desmistificámos mais uma vez esta crença. Ainda não conheci nenhum estrangeiro que cá tenha estado e que não vá daqui a babar-se por um bom polvo.
Eles partiram no sábado [10 de Abril de 2004] bem cedo. Bem antes de nós acordarmos...
O início foi complicado, mas o final foi difícil. Eu e a Cláudia, convidámos uma série de amigos para lá irem passar uns dias e no final tivemos que andar a gerir a ocupação dos quartos e o uso das toalhas e lençóis de cada um, porque entraram uns quando saíram os outros. Parecia uma pensão. Uma pensão só para amigos.
Os primeiros a entrar foram o Ken, Sue e Mary, a filha da Sue. Eu já vos falei do Ken e da Sue (ver o post de Segunda-feira, 29 de Março de 2004) aqui no blog, mas desta vez traziam mais a Mary, uma inglesa simpática e bem disposta.
Em dois dias já me tinha esquecido de todas as chatices de trabalho e da vida.
Eles chegaram na quinta-feira [8 de Abril de 2004]. Mal pousaram as coisas em casa entrámos para o jipe – ainda não dei nenhum nome ao meu carro! Tenho que pensar nisso – e zarpámos em direcção à estação de caminho de ferro de Freixo de Numão, em direcção à Petiscaria Preguiça. Para quem não conhece é a nossa última descoberta em termos gastronómicos da região. Imaginem uma pequena sala envidraçada sobre a Ribeira de Murça, mesmo na sua foz com o Douro e com vista sobre a ponte de caminho de ferro, rodeados de vinha e árvores de fruto. Mas, o melhor são os peixinhos do rio e o entrecosto grelhado na lenha, servido com um vinho da região e feito pelas pessoas mais amáveis que possam imaginar. Tudo terminado com uma laranja sumarenta e doce e um café na esplanada ao ar livre, enquanto os mosquitos deixam.
Terminámos tarde. Mesmo a tempo de não jantar. Mas ainda a tempo de dar um passeio a pé até à berma de água.
À noite arrastámos os ingleses anglicanos (um pleonasmo?) até à procissão católica e a ouvir o cântico da Verónica. É sempre um belo espectáculo de Páscoa... A procissão de sexta-feira é que já não gosto. Assim como não gosto (mas respeito) que as pessoas levem tão a peito a procissão e fiquem ofendidas porque nós nos afastamos, como duas velhas que foram mal educadas – devem ter visto o filme do Mel Gibson.
Mas antes de chegarmos à procissão da noite de sexta-feira [9 de Abril de 2004], que apenas ouvi já no aconchego da minha caminha, tal era o cansaço, convém falar do dia passado num piquenique na praia da estação de Almendra, na margem do Douro. Um paraíso que partilhámos com três rapazes de Foz Côa e uma meia dúzia de espanhóis que ali apareceram nas suas lanchas. De nuestros hermanos nem falo, porque mal os vimos, embora tenham mostrado que não somos só nós que somos inconscientes, pois traziam uns miúdos na proa sem qualquer tipo de protecção e nem sequer um colete salva-vidas. Mas dos rapazes de Foz Côa, há que dizer bem, pois quando o nosso vinho estava a acabar, vieram ter connosco e partilharam do seu garrafão um vinho “feito de uvas” como nos disseram.
Estava um calor maravilhoso! Digno de um dia de primavera. Nas primeiras horas soprava um vento gelado, mas pouco depois estava de tronco nu e queimado pelo sol.
Fizemos uma fogueira com ramos secos, assamos uma morcela e umas belas costeletas (uma heresia, eu sei, na Sexta-feira Santa). E o dia acabou com um magnífico arroz de polvo (feito pela Cláudia) já em casa. É curioso como o polvo é um desconhecido pelos povos mais a norte e até mal visto, pois é têm sempre a sensação que não é saboroso e rijo. Desmistificámos mais uma vez esta crença. Ainda não conheci nenhum estrangeiro que cá tenha estado e que não vá daqui a babar-se por um bom polvo.
Eles partiram no sábado [10 de Abril de 2004] bem cedo. Bem antes de nós acordarmos...
Desculpem!!!
Eu sei que não disse nada, mas estive de férias até hoje.
E que ricas férias! Mais logo eu conto-vos...
E que ricas férias! Mais logo eu conto-vos...
terça-feira, abril 06, 2004
Este domingo...
... acordei a pensar nos meus amigos de infância e juventude. Aquela gente toda que cresceu comigo, mas que já não veja há anos.
Bem, alguns ainda vejo quando vou visitar os meus pais, como fiz nesse dia. Vi a Sandra, que detestava ser chamada de Matilde (o seu segundo nome) mas que todos conhecíamos como “a filha do socialista” ou só por “a socialista”. Foi uma paixão minha por volta dos meus 17/18 anos... Nunca concretizada!
Também vi o Zé, “o trrrengo”, que carregava nos erres e cuja mãe constava que tinha passado uns tempos no manicómio e era alcunhada de “a maluca”. Ele por herança era “o trengo”. Está com SIDA consequência de uma troca de seringa fatídica. Aparentemente está melhor, mas está longe de ser “o trrrengo” com quem trocava discos de vinil.
Há umas semanas vi a Susana e a Zaira. A Susana, por oposição à Sandra, era “a comunista", porque o pai era do PCP. Obviamente o pai da Sandra era do PS, e durante algum tempo foi o Presidente da Junta. A Zaira era uma rapariga que só mais tarde se juntou ao grupo de amigas da vizinhança. Quando a mãe morreu, ela passou a ter mais liberdade e tornou-se amiga da Sandra, Susana e Xana, o trio de malucas lá da rua.
Nunca mais vi a Xana! Nem a Salomé, uma vizinha, amiga da Zaira que se casou com o primo da Xana.
Nem nunca mais vi o Vitó, o Rui Jorge, o Quim “macaco”, o Berto “leites”, o Nelo “nódoa” e o Luís “gordo”. Às vezes, quando lá vou, ainda vejo o Tó, que se casou e saiu dali e o Marcelo, que saiu agora da prisão por falsificar notas e cujo pai finalmente, depois de morto, reconheceu a paternidade e deixou-lhe uma pipa de massa.
Ainda haviam mais, mas estes eram aqueles com quem fazia sociedade nas festas de Passagem de Ano e Carnaval. Mas, nos últimos tempos em que vivi lá na Mouta, saia com o Paulo e o Jorge, que eram primos do Luís “gordo”. E com o Nelo Moutinho (que por acaso vi ao longe este fim-de-semana). Mas estes eram um pouco mais velhos do que eu.
Mais velhos também era o Telmo, que tinha um olho de vidro e o Leitz que já morreu (de overdose). Aliás a droga foi o que acabou com tudo lá na rua. Aquelas noites de verão sentados no muro e a conversar acabaram porque já ninguém se juntava, uns porque tinham ido comprar droga e outros porque não queriam ser confundidos com os primeiros.
Dos mais novos, tipo o Bruno (que me ficou a dever algum dinheiro), o Alexandre ou o Márito, apenas sei que este último tinha emigrado para Inglaterra. Ainda tentei contactar com ele, mas nunca consegui. O Paulinho morreu com um problema no pâncreas. A irmã Luísa acho que se casou pela terceira vez.
Depois haviam os primos e primas dos vizinhos que lá iam passar uns dias no verão e acabavam inevitavelmente por surgir amores com os “nativos”. Como a Susana, a prima do Rui Jorge, com quem namorei alguns três anos. Nunca mais a vi. Ou os primos do Vitó, a Sandra (outro meu namoro de verão) e o Bruno, que namorou anos com a Elizabete, irmã da Lisete, outras vizinhas.
Aliás a Elizabete era uma amiga muito especial. Era uma amiga com quem eu tinha uma forte relação de amizade, na juventude, e que raramente nos encontrávamos sem que não acabássemos aos beijos. Quando não estávamos juntos não se passava nada. A última vez que a vi foi no meu último ano da universidade, em que ela veio a Aveiro porque namorava com um Aveirense e ficou a dormir em minha casa.
O Quim “do bairro” desapareceu há dois meses e ninguém sabe dele - são novidades destas que recebo quando chego a casa dos meus pais. Bem! O Quim “do bairro” nunca foi muito bem acabado e depois da última vez que saiu de Custóias já não batia muito bem. A última vez que o vi andava a apanhar beatas de cigarro na paragem do 54. Andou comigo na primária.
De todos estes apenas eu me licenciei. Não sei se o Luís “gordo” e o Nelo “nódoa” alguma vez se licenciaram, mas eram bacharéis de engenharia.
Uma vizinhança fantástica que me deram uma infância/juventude cheia de histórias para contar aos meus netos, mas que raramente me lembro por já não ver as personagens tão frequentemente.
Bem, alguns ainda vejo quando vou visitar os meus pais, como fiz nesse dia. Vi a Sandra, que detestava ser chamada de Matilde (o seu segundo nome) mas que todos conhecíamos como “a filha do socialista” ou só por “a socialista”. Foi uma paixão minha por volta dos meus 17/18 anos... Nunca concretizada!
Também vi o Zé, “o trrrengo”, que carregava nos erres e cuja mãe constava que tinha passado uns tempos no manicómio e era alcunhada de “a maluca”. Ele por herança era “o trengo”. Está com SIDA consequência de uma troca de seringa fatídica. Aparentemente está melhor, mas está longe de ser “o trrrengo” com quem trocava discos de vinil.
Há umas semanas vi a Susana e a Zaira. A Susana, por oposição à Sandra, era “a comunista", porque o pai era do PCP. Obviamente o pai da Sandra era do PS, e durante algum tempo foi o Presidente da Junta. A Zaira era uma rapariga que só mais tarde se juntou ao grupo de amigas da vizinhança. Quando a mãe morreu, ela passou a ter mais liberdade e tornou-se amiga da Sandra, Susana e Xana, o trio de malucas lá da rua.
Nunca mais vi a Xana! Nem a Salomé, uma vizinha, amiga da Zaira que se casou com o primo da Xana.
Nem nunca mais vi o Vitó, o Rui Jorge, o Quim “macaco”, o Berto “leites”, o Nelo “nódoa” e o Luís “gordo”. Às vezes, quando lá vou, ainda vejo o Tó, que se casou e saiu dali e o Marcelo, que saiu agora da prisão por falsificar notas e cujo pai finalmente, depois de morto, reconheceu a paternidade e deixou-lhe uma pipa de massa.
Ainda haviam mais, mas estes eram aqueles com quem fazia sociedade nas festas de Passagem de Ano e Carnaval. Mas, nos últimos tempos em que vivi lá na Mouta, saia com o Paulo e o Jorge, que eram primos do Luís “gordo”. E com o Nelo Moutinho (que por acaso vi ao longe este fim-de-semana). Mas estes eram um pouco mais velhos do que eu.
Mais velhos também era o Telmo, que tinha um olho de vidro e o Leitz que já morreu (de overdose). Aliás a droga foi o que acabou com tudo lá na rua. Aquelas noites de verão sentados no muro e a conversar acabaram porque já ninguém se juntava, uns porque tinham ido comprar droga e outros porque não queriam ser confundidos com os primeiros.
Dos mais novos, tipo o Bruno (que me ficou a dever algum dinheiro), o Alexandre ou o Márito, apenas sei que este último tinha emigrado para Inglaterra. Ainda tentei contactar com ele, mas nunca consegui. O Paulinho morreu com um problema no pâncreas. A irmã Luísa acho que se casou pela terceira vez.
Depois haviam os primos e primas dos vizinhos que lá iam passar uns dias no verão e acabavam inevitavelmente por surgir amores com os “nativos”. Como a Susana, a prima do Rui Jorge, com quem namorei alguns três anos. Nunca mais a vi. Ou os primos do Vitó, a Sandra (outro meu namoro de verão) e o Bruno, que namorou anos com a Elizabete, irmã da Lisete, outras vizinhas.
Aliás a Elizabete era uma amiga muito especial. Era uma amiga com quem eu tinha uma forte relação de amizade, na juventude, e que raramente nos encontrávamos sem que não acabássemos aos beijos. Quando não estávamos juntos não se passava nada. A última vez que a vi foi no meu último ano da universidade, em que ela veio a Aveiro porque namorava com um Aveirense e ficou a dormir em minha casa.
O Quim “do bairro” desapareceu há dois meses e ninguém sabe dele - são novidades destas que recebo quando chego a casa dos meus pais. Bem! O Quim “do bairro” nunca foi muito bem acabado e depois da última vez que saiu de Custóias já não batia muito bem. A última vez que o vi andava a apanhar beatas de cigarro na paragem do 54. Andou comigo na primária.
De todos estes apenas eu me licenciei. Não sei se o Luís “gordo” e o Nelo “nódoa” alguma vez se licenciaram, mas eram bacharéis de engenharia.
Uma vizinhança fantástica que me deram uma infância/juventude cheia de histórias para contar aos meus netos, mas que raramente me lembro por já não ver as personagens tão frequentemente.
Bebermos um copo!
Nuno, és sempre bem vindo... Sabes que em Aveiro há sempre diversão!
Decidido!
Carneiro, se está decidido, então que esperas? O que custa é decidir, fazer só dói...
A consciência de cada um
Quando leram o post de sábado, sobre a minha nova tatuagem, podem ter ficado a pensar que foi uma inconsciência minha fazê-la, principalmente quando disse que foi sem razão aparente. Porém, acho que o acto de fazer uma tatuagem é um dos actos mais conscientes que se deve tomar, porque embora seja reversível, não o é sem um preço a pagar, em termos monetários, sociais e até físicos. Marcar o nosso corpo tem de ser um acto bem ponderado e bem consciente.
Como eu disse, demorei 1288 dias para fazer a segunda tatuagem e que já há 2 anos e meio que tinha o desenho na minha cabeça. O sítio no meu corpo, onde a iria fazer, veio mais tarde, mas a decisão há muito que estava a ser tomada. Em tempos li que se ao fim de dois anos ainda pensarmos fazer aquela tatuagem naquele sítio, então é altura de a fazer. Isto sobre tatuagens em adolescentes, porque estes por vezes fazem coisas por influência de outros, ou por moda, sem terem consciência do que estão a fazer e que mais tarde se arrependem.
Eu demorei este tempo todo, não que tivesse dúvidas se queria ou não fazer uma tatuagem, mas porque não sabia se era aquela mesma que queria fazer. A primeira foi muito marcante e simbolizava a minha passagem pela Califórnia, um belo momento da minha vida, e esperava que a próxima tivesse o mesmo peso. Mas finalmente decidi que seria quase impossível fazer uma tatuagem com o mesmo sentimento da primeira. A primeira é sempre a primeira...
Se é importante ter consciência de que se quer fazer uma tatuagem, o mesmo se aplica ao desenho que se quer fazer. Aqui em Portugal ainda não há muita gente com tatuagens, mas na Califórnia quem não tem tatuagens é um anormal (aqui quem as tem é que é anormal) e fazer uma marca eterna no nosso corpo que se repete em cada ser tatuado com que nos cruzamos é como ouvir eternamente um CD com a mesma faixa repetida consecutivamente. Como devem imaginar é uma seca e soa a falta de originalidade.
Isto faz-me lembrar um amigo que, sabendo que eu tinha uma tatuagem há algum tempo, mostrou-me a sua, feita por coincidência no mesmo sítio do corpo que a minha, e que era um carácter chinês, cujo significado já não me lembro. Eu nestas coisas sou bastante honesto e disse-lhe que era muito bonita, mas que eu jamais a faria pois sabia que a tinha feito por uma questão de moda e que mais tarde me iria arrepender de a ter feito. Aliás com a quantidade de gente que faz tatuagens hoje em dia, mais tarde ou mais cedo iria ver alguns mais com aquela tatuagem e eu não gosto disso.
E o sítio? Sim! Também é muito importante. Li uma vez, também, uma frase de um rapper americano que repetindo uma frase do pai dizia “Faz as tatuagens, mas fá-las sempre onde um juiz não a veja”. É triste mas a verdade é que muita gente pensa que quem tem tatuagens é um irresponsável, mas por todas as razões que aqui apontei acho que podem estar errados. Eu não recrimino ninguém por não ter tatuagens. Não façam juízos errados...
Como eu disse, demorei 1288 dias para fazer a segunda tatuagem e que já há 2 anos e meio que tinha o desenho na minha cabeça. O sítio no meu corpo, onde a iria fazer, veio mais tarde, mas a decisão há muito que estava a ser tomada. Em tempos li que se ao fim de dois anos ainda pensarmos fazer aquela tatuagem naquele sítio, então é altura de a fazer. Isto sobre tatuagens em adolescentes, porque estes por vezes fazem coisas por influência de outros, ou por moda, sem terem consciência do que estão a fazer e que mais tarde se arrependem.
Eu demorei este tempo todo, não que tivesse dúvidas se queria ou não fazer uma tatuagem, mas porque não sabia se era aquela mesma que queria fazer. A primeira foi muito marcante e simbolizava a minha passagem pela Califórnia, um belo momento da minha vida, e esperava que a próxima tivesse o mesmo peso. Mas finalmente decidi que seria quase impossível fazer uma tatuagem com o mesmo sentimento da primeira. A primeira é sempre a primeira...
Se é importante ter consciência de que se quer fazer uma tatuagem, o mesmo se aplica ao desenho que se quer fazer. Aqui em Portugal ainda não há muita gente com tatuagens, mas na Califórnia quem não tem tatuagens é um anormal (aqui quem as tem é que é anormal) e fazer uma marca eterna no nosso corpo que se repete em cada ser tatuado com que nos cruzamos é como ouvir eternamente um CD com a mesma faixa repetida consecutivamente. Como devem imaginar é uma seca e soa a falta de originalidade.
Isto faz-me lembrar um amigo que, sabendo que eu tinha uma tatuagem há algum tempo, mostrou-me a sua, feita por coincidência no mesmo sítio do corpo que a minha, e que era um carácter chinês, cujo significado já não me lembro. Eu nestas coisas sou bastante honesto e disse-lhe que era muito bonita, mas que eu jamais a faria pois sabia que a tinha feito por uma questão de moda e que mais tarde me iria arrepender de a ter feito. Aliás com a quantidade de gente que faz tatuagens hoje em dia, mais tarde ou mais cedo iria ver alguns mais com aquela tatuagem e eu não gosto disso.
E o sítio? Sim! Também é muito importante. Li uma vez, também, uma frase de um rapper americano que repetindo uma frase do pai dizia “Faz as tatuagens, mas fá-las sempre onde um juiz não a veja”. É triste mas a verdade é que muita gente pensa que quem tem tatuagens é um irresponsável, mas por todas as razões que aqui apontei acho que podem estar errados. Eu não recrimino ninguém por não ter tatuagens. Não façam juízos errados...
domingo, abril 04, 2004
Também vou fazer uma tatuagem, está decidido!
A razão e o desenho já há muito estão claros.
Pumba!... Aí vai disto...
Pumba!... Aí vai disto...
sábado, abril 03, 2004
1288 dias
Sem razão aparente, mas porque já o tinha decidido há muito, ontem, 2 de Abril de 2004, fiz a minha segunda tatuagem.

Sim, doeu! Doeu mais que a primeira. A primeira tatuagem foi feita na parte exterior da perna (direita), numa zona menos sensível, que a actual que foi feita na parte interior do braço (esquerdo). Mas doeu mais depois de feita que propriamente a fazer. Aliás a dor é comparável a uma ferida feita quando se raspa a pele numa superfície abrasiva e faz ferida. Tipo uma queimadura leve. (Isto era só para responder à primeira pergunta que vos veio à cabeça.)
(Para responder à segunda) Este é uma variação minha sobre um símbolo nórdico conhecido hoje em dia como Cruz de St. Hans (ou de S. João), que é usado na Finlândia (e na Suécia) para indicar sítios de interesse turístico e/ou paisagístico. Desde que visitei a Finlândia em 2001 que o tinha na cabeça. Agora tenho-o marcado no corpo.
É um símbolo encontrado em muitas gravuras e pinturas rupestres na Escandinávia e Finlândia. Mas, mais tarde foi usado no Kabbalah e como símbolo no Zodíaco. Mas, há quem defenda que é uma variação de um símbolo germânico, chamado de Nó Escudo (Shieldknot) que simboliza o facto de que tudo na vida está ligado pelo destino e que cada acção tem sempre uma reacção. (ver Shieldknot e Cross of St. Hans.)
Mas o que interessa é o que me diz a mim. E eu, como já em tempos escrevi (há quase um ano), acredito que todas as nossas acções na vida tem sempre uma reacção (é a física), embora haja um factor fixo que há quem chame de destino ou sorte, mas que não nos controla a vida, embora por vezes condicione. Porém são sempre, ou na maioria das vezes, as nossas acções que condicionam a nossa vida. Por isso acho que esta simbologia diz com a minha maneira de viver.
Por outro lado a visita à Finlândia marcou-me muito. Ainda hoje recordo aquelas férias como umas das mais calmas da minha vida. E marcou um período de viragem na minha vida, depois da chegada da Califórnia. Foi a altura em que comecei a deixar de ter pena de ter voltado e comecei a recordar o facto de lá ter estado como um período feliz, de muitos que ainda iria ter na vida. Assim como a viagem à Finlândia foi um período feliz da minha vida.
Por fim, na minha última visita ao Japão, nas infidáveis horas de trabalho e enquanto me distraía com uma procura na internet sobre viagens ou yoga encontrei um símbolo (nó) tibetano que representa o karma ou ciclo infinito de reencarnação. Supostamente este símbolo foi desenhado pelo Buda quando este atingiu o estado máximo de percepção ou a iluminação pelo que é suposto trazer sorte a quem o usa. Eu também o desenhei no meu Moleskine (um bloco de notas famoso) porque gostei da sua simbologia. No dia seguinte, estava de folga, e num passeio em Shibuya, encontrei um colar com um símbolo semelhante e comprei-o. Achei que era um sinal ou uma bela coincidência. Desde esse dia que uso esse colar comprado em Shibuya com a variação chinesa (Ming) do nó tibetano e que é muito semelhante ao símbolo que agora tatuei, quer em forma, quer em simbologia.
Por estas razões todas, 1288 dias depois, fiz a minha segunda tatuagem.
Sim, doeu! Doeu mais que a primeira. A primeira tatuagem foi feita na parte exterior da perna (direita), numa zona menos sensível, que a actual que foi feita na parte interior do braço (esquerdo). Mas doeu mais depois de feita que propriamente a fazer. Aliás a dor é comparável a uma ferida feita quando se raspa a pele numa superfície abrasiva e faz ferida. Tipo uma queimadura leve. (Isto era só para responder à primeira pergunta que vos veio à cabeça.)
(Para responder à segunda) Este é uma variação minha sobre um símbolo nórdico conhecido hoje em dia como Cruz de St. Hans (ou de S. João), que é usado na Finlândia (e na Suécia) para indicar sítios de interesse turístico e/ou paisagístico. Desde que visitei a Finlândia em 2001 que o tinha na cabeça. Agora tenho-o marcado no corpo.
É um símbolo encontrado em muitas gravuras e pinturas rupestres na Escandinávia e Finlândia. Mas, mais tarde foi usado no Kabbalah e como símbolo no Zodíaco. Mas, há quem defenda que é uma variação de um símbolo germânico, chamado de Nó Escudo (Shieldknot) que simboliza o facto de que tudo na vida está ligado pelo destino e que cada acção tem sempre uma reacção. (ver Shieldknot e Cross of St. Hans.)
Mas o que interessa é o que me diz a mim. E eu, como já em tempos escrevi (há quase um ano), acredito que todas as nossas acções na vida tem sempre uma reacção (é a física), embora haja um factor fixo que há quem chame de destino ou sorte, mas que não nos controla a vida, embora por vezes condicione. Porém são sempre, ou na maioria das vezes, as nossas acções que condicionam a nossa vida. Por isso acho que esta simbologia diz com a minha maneira de viver.
Por outro lado a visita à Finlândia marcou-me muito. Ainda hoje recordo aquelas férias como umas das mais calmas da minha vida. E marcou um período de viragem na minha vida, depois da chegada da Califórnia. Foi a altura em que comecei a deixar de ter pena de ter voltado e comecei a recordar o facto de lá ter estado como um período feliz, de muitos que ainda iria ter na vida. Assim como a viagem à Finlândia foi um período feliz da minha vida.
Por fim, na minha última visita ao Japão, nas infidáveis horas de trabalho e enquanto me distraía com uma procura na internet sobre viagens ou yoga encontrei um símbolo (nó) tibetano que representa o karma ou ciclo infinito de reencarnação. Supostamente este símbolo foi desenhado pelo Buda quando este atingiu o estado máximo de percepção ou a iluminação pelo que é suposto trazer sorte a quem o usa. Eu também o desenhei no meu Moleskine (um bloco de notas famoso) porque gostei da sua simbologia. No dia seguinte, estava de folga, e num passeio em Shibuya, encontrei um colar com um símbolo semelhante e comprei-o. Achei que era um sinal ou uma bela coincidência. Desde esse dia que uso esse colar comprado em Shibuya com a variação chinesa (Ming) do nó tibetano e que é muito semelhante ao símbolo que agora tatuei, quer em forma, quer em simbologia.
Por estas razões todas, 1288 dias depois, fiz a minha segunda tatuagem.
sexta-feira, abril 02, 2004
Esclarecimento II
Tudo o que foi postado ontem aqui no blog das Crónicas da (e depois da) Califórnia é pura mentira de 1 de Abril. Assim, desmente-se que: dá "ganda pica" partir braços, especialmente no Gerês; que o yoga é uma paneleirice; que o vinho não altera a "nossa consciência"; que haja "palavrões coloridos"; e que haja "posições de meditação totalmente radicais".
Passo a afirmar que: partir um braço dói, seja no Gerês, no Burkina Faso ou em qualquer parte do mundo; o yoga é fixe e aconselho a prática a todos; o vinho pode alterar a consciência, mas é bom, especialmente bebido em companhia; os palavrões são todos a preto e branco, exceptuando "merda" que tem uma cor acastanhada; e as posições de meditação são radicais, mas totalmente radicais são os seus nomes, como por exemplo padmasana (posição de lótus).
Fica o esclarecimento!
Passo a afirmar que: partir um braço dói, seja no Gerês, no Burkina Faso ou em qualquer parte do mundo; o yoga é fixe e aconselho a prática a todos; o vinho pode alterar a consciência, mas é bom, especialmente bebido em companhia; os palavrões são todos a preto e branco, exceptuando "merda" que tem uma cor acastanhada; e as posições de meditação são radicais, mas totalmente radicais são os seus nomes, como por exemplo padmasana (posição de lótus).
Fica o esclarecimento!
Esclarecimento I
Afinal a série cujo guião o Carneiro está a escrever, é um concurso. Não sei bem, mas tem histórias paralelas. E, afinal, não começa a 12 de Abril, mas a 26. A única coisa certa é que não morre ninguém.
quinta-feira, abril 01, 2004
Pois olha, pá:
Se há coisa que dá ganda pica fazer no Gerês... é partir braços!...
E é só vantagens para Yoguis (ó lá como se chamam os praticantes dessa paneleirice): não altera a "nossa consciência" (faz-nos dizer palavrões coloridos, pouco mais), e permite-nos fazer "posições" de meditação totalmente radicais...
E é só vantagens para Yoguis (ó lá como se chamam os praticantes dessa paneleirice): não altera a "nossa consciência" (faz-nos dizer palavrões coloridos, pouco mais), e permite-nos fazer "posições" de meditação totalmente radicais...
quarta-feira, março 31, 2004
Prauntos! Já comestes? Obrigadinhos!!!
Há coisas que me enervam. Eu nem escrevo nenhum português rebuscado e aliás uso o corrector ortográfico para não dar grandes calinadas. Mas, falho a pontuação, as vírgulas têm tendência a não existir e o vocabulário anda pela rua da amargura. Desde que falo mais inglês que português, que o meu vocabulário de ambas as línguas se cinge a meia centena de vocábulos. (Aliás agora até japonês ando a aprender).
Mas isto tudo por causa das calinadas que me enervam. Aqui à volta de Aveiro é normal dizer-se a segunda pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo de um verbo com um 's' no fim: "tu fostes", "tu olhastes", "tu entornastes", "tu saístes", "tu beijastes", "tu quisestes", "tu cagastes" etc... Eu sei que todas as outras formas verbais na segunda pessoa do singular têm um 's' no fim, mas esta não. Mas, pior é escrever as mesmas palavras com hifen: "fizes-tes", "perguntas-te", etc... Como alguém que me escreveu no outro dia "Fizes-te bem em expor a tua posição". Que nervos!!!!
Também me enerva o "Prauntos" e ainda mais o "Obrigados" e "Obrigadinhos". Soa a má onda! Má vontade! Mal agradecidos! Que nervos!!!!
Isto fez-me lembrar uma vez que fui a uma entrevista a Lisboa, com o Pipa, e quisemos ir visitar o estádio de Alvalade, como bons sportinguistas. Perguntámos ao segurança, no INETI, onde decorreu a tal entrevista, qual o melhor transporte para lá chegar. Ele começou a falar e nós interrompemos a dizer que queríamos ir para a famosa porta 10A. Ele disse "Mais prupriamente para a porta 10A..." (o "prupriamente" é propositado). Um aparte!
Para acabar estas coisas, há ainda os regionalismos, que não me enervam mas que me fazem sempre rir. Sempre que vou ao Porto e oiço as pessoas a falar dá-me vontade de rir. É impressionante como vivi lá tantos anos e hoje rio-me do sotaque que antigamente era normal. E no Alentejo? É sempre diferente. E mesmo em Foz Côa que, se fico lá algum tempo, volto a cantar e a pôr um 't' antes de todos os 'ch's.
Mas o sotaque de Lisboa enerva-me. Aquela maneira de falar sem abrir a boca e dizer "Treuze" (13) e "Tiu" (tio). É muito melhor quando oiço um "Curenta" (40) , "Aqui há atrasado" (esta mata-me) ou "Engelhei o fato"... Lindo! Em qualquer parte do mundo!
Mas isto tudo por causa das calinadas que me enervam. Aqui à volta de Aveiro é normal dizer-se a segunda pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo de um verbo com um 's' no fim: "tu fostes", "tu olhastes", "tu entornastes", "tu saístes", "tu beijastes", "tu quisestes", "tu cagastes" etc... Eu sei que todas as outras formas verbais na segunda pessoa do singular têm um 's' no fim, mas esta não. Mas, pior é escrever as mesmas palavras com hifen: "fizes-tes", "perguntas-te", etc... Como alguém que me escreveu no outro dia "Fizes-te bem em expor a tua posição". Que nervos!!!!
Também me enerva o "Prauntos" e ainda mais o "Obrigados" e "Obrigadinhos". Soa a má onda! Má vontade! Mal agradecidos! Que nervos!!!!
Isto fez-me lembrar uma vez que fui a uma entrevista a Lisboa, com o Pipa, e quisemos ir visitar o estádio de Alvalade, como bons sportinguistas. Perguntámos ao segurança, no INETI, onde decorreu a tal entrevista, qual o melhor transporte para lá chegar. Ele começou a falar e nós interrompemos a dizer que queríamos ir para a famosa porta 10A. Ele disse "Mais prupriamente para a porta 10A..." (o "prupriamente" é propositado). Um aparte!
Para acabar estas coisas, há ainda os regionalismos, que não me enervam mas que me fazem sempre rir. Sempre que vou ao Porto e oiço as pessoas a falar dá-me vontade de rir. É impressionante como vivi lá tantos anos e hoje rio-me do sotaque que antigamente era normal. E no Alentejo? É sempre diferente. E mesmo em Foz Côa que, se fico lá algum tempo, volto a cantar e a pôr um 't' antes de todos os 'ch's.
Mas o sotaque de Lisboa enerva-me. Aquela maneira de falar sem abrir a boca e dizer "Treuze" (13) e "Tiu" (tio). É muito melhor quando oiço um "Curenta" (40) , "Aqui há atrasado" (esta mata-me) ou "Engelhei o fato"... Lindo! Em qualquer parte do mundo!
O estranho caso do escritor que me entrou pelo blog adentro!
Obrigado Carneiro! Uns sabem escrever e outros têm a mania que sabem fazer desenhos, cartazes e sites.
Posso falar naquela série que vai dar na RTP1 à segunda à noite, a partir do dia 12 de Abril e cujo nome previsto é qualquer coisa como "A Grande Aposta" e cujo guião andas a escrever? Oh! Já falei... Em vez de nos divertires com as histórias do teu bigode e com o teu blog andas a querer ganhar dinheiro a escrever guiões de séries em que não há mortos. Onde é que isto vai parar...
Para quem não sabe o homem é aquele tipo que escreveu um livro com o nome sugestivo de "O Estranho Caso Da Boazona Que Me Entrou Pelo Escritório Adentro". Tem a mania que sabe umas artes marciais quaisquer, cujo nome parece "Miete mo Pau" (coisas de gays) e que todas as vezes que se embebeda consegue repetir insistentemente a mesma frase até à exaustão ("Tanta coisa, tanta coisa", "Thank you very much, I love you all" e "Fo**-**, Cara***" são algumas das mais conhecidas).
Mas pronto, prometo não partir nenhum braço no Gerês. E apesar de se beber vinho com os yogis não há grandes bebedeiras a assinalar, pois no yoga não se deve deixar que o vinho altere a nossa consciência.
Se quiseres aparecer, já sabes, estamos na casa do Peter em Rio Caldo (a grande).
Posso falar naquela série que vai dar na RTP1 à segunda à noite, a partir do dia 12 de Abril e cujo nome previsto é qualquer coisa como "A Grande Aposta" e cujo guião andas a escrever? Oh! Já falei... Em vez de nos divertires com as histórias do teu bigode e com o teu blog andas a querer ganhar dinheiro a escrever guiões de séries em que não há mortos. Onde é que isto vai parar...
Para quem não sabe o homem é aquele tipo que escreveu um livro com o nome sugestivo de "O Estranho Caso Da Boazona Que Me Entrou Pelo Escritório Adentro". Tem a mania que sabe umas artes marciais quaisquer, cujo nome parece "Miete mo Pau" (coisas de gays) e que todas as vezes que se embebeda consegue repetir insistentemente a mesma frase até à exaustão ("Tanta coisa, tanta coisa", "Thank you very much, I love you all" e "Fo**-**, Cara***" são algumas das mais conhecidas).
Mas pronto, prometo não partir nenhum braço no Gerês. E apesar de se beber vinho com os yogis não há grandes bebedeiras a assinalar, pois no yoga não se deve deixar que o vinho altere a nossa consciência.
Se quiseres aparecer, já sabes, estamos na casa do Peter em Rio Caldo (a grande).
Yoga no Gerês?
Como já fizeste de tudo no Gerês... Só falta o Yoga, realmente... Também gostava de ir.
A gente fazia uma valente jantarada e apanhava uma bezana com o resto dos yoguistas e tal... pá desgraça....
A gente fazia uma valente jantarada e apanhava uma bezana com o resto dos yoguistas e tal... pá desgraça....
terça-feira, março 30, 2004
: : : 1-big-O [v1.0]
A minha última criação - o cartaz do fim-de-semana de Yoga no Gerês. A foto da cascata é minha, também! É aqui da Cabreia, em Sever do Vouga.
Vejam lá se sabem onde vou estar nesse fim-de-semana?
segunda-feira, março 29, 2004
Encadeamentos lógicos de acções...
“É engraçado como, por vezes, os encadeamentos lógicos de acções, ao princípio banais, atingem, por vezes, proporções gigantescas.” Assim dizem os Ena Pá 2000, já vai para 20 anos!
Isto tudo para vos contar uma história que se passou há cerca de um ano e meio e que fez com que conhecesse o Ken e a Sue, um casal de ingleses que um dia se encantaram como o nosso país e com a simplicidade de viver numa casa perdida no meio da montanha, no sítio que, para nós, parece o menos provável possível.
Em Julho de 2002, à entrada da manga de acesso para o avião da TAP que me iria trazer de Heathrow para o Porto, enquanto esperava que o tipo do altifalante chamasse a minha fila, apareceu um bando de gente extravagante e bonita. Eram os Lamb, que vinham actuar ao Festival de Vilar de Mouros, nesse fim-de-semana.
A Louise Rhodes é uma mulher mesmo muito bonita e simpática. Vista à distância, num concerto, parece um anjo com voz de demónio. Porém, ao perto é um ser verdadeiramente angélico. Sim, porque eu fui pedir-lhes um autografo, a ela e ao Andy Barlow, que ainda hoje guardo no cartão de embarque. E claro que falámos da célebre passagem deles pelo festival de Paredes de Coura em 1999, em que o Andy decidiu pegar-se à pancada com os roadies dos Suede.
Voltando ao meu lugar de espera pelo embarque, perguntei a um casal de ingleses que ali estavam se já tinham chamado a minha fila (sim, em Heathrow às vezes chamam por filas) e o tipo, de cara de brincalhão, típico inglês, disse com ar de gozo que apenas chamaram as crianças, porque elas eram as primeiras a saltar em caso de acidente. Foi o começo de uma amizade que ainda hoje persiste.
Eles não eram do tipo calado e eu, como viajante só, estava com vontade de falar com pessoas, de outras coisas que não fosse trabalho, uma vez que era por isso que ali me encontrava. A conversa começou com o normal “De onde és?” ao que respondi “De Portugal”... Eles riram-se porque pelos vistos, se era evidente que eles eram ingleses, eu também não deixava dúvidas de que era português. Mas, quando disse que era de Aveiro a surpresa ainda foi maior, pois eles iam precisamente para a região, onde estavam a tratar de construir uma casa.
Eles estavam fascinados com Portugal e sobretudo com o lugar onde iam construir a casa, de seu nome Alombada. Chegaram-me a dizer “I Love Angeja”, que para mim ultrapassava todos os limites do fascínio, pois Angeja é possivelmente a aldeia mais sem graça possível do concelho de Albergaria-a-Velha, ali mesmo ao lado do IP5, esmagada entre o Vouga e a montanha. Aliás a conversa nasceu precisamente porque a única coisa que Angeja tem de interessante é o melhor tasco de Leitão do país, batendo aos pontos qualquer outro que conheçam. Imaginem uma verdadeira tasca, cujo dono assa leitão e que fica precisamente a meio da normal volta de BTT. (Apontem Casa dos Leitões 234 911 259)
Mas, voltando ao Ken e à Sue. Desde essa altura já nos encontrámos em Reading por duas vezes, uma vez que eles viviam em Basingstoke (a apenas 30km) e desde à quatro meses que vivem na Alombada. Ah! Esqueci-me de vos contar que Alombada é um lugarejo com meia dúzia de casas, no meio de um eucaliptal e cujo nome deve ter evoluído do facto de que a subida para lá chegar é mesmo íngreme e que dava cabo do lombo, de qualquer um, lá chegar. A mim doeu-me, quando lá passei de BTT há uns anos e quando a estrada ainda não era alcatroada. Ainda hoje entre os praticantes de BTT da altura, se fala do cruzeiro que tem no cimo da subida e que nos fazia pensar que tínhamos chegado ao purgatório, tal era a dificuldade da subida.
Ontem fomos jantar lá a casa um belo de um caril (o prato mais tradicional inglês nos dias de hoje) e beber um vinho novo de uva americana, uma coisa que já não se vê em qualquer lado. Aliás a Sue pensou, da última vez que lá estivemos, que não tínhamos gostado do vinho, tal foi a nossa surpresa quando o provámos. Já não bebia um néctar daqueles desde os meus tempos de miúdo.
Como vêm coisas simples como uma conversa no corredor de embarque à entrada de um avião, onde estão centenas de pessoas, no aeroporto mais movimentado da Europa, pode resultar em coisas agradáveis como uma amizade. Isto tudo para voltar a falar em mudanças de vida e em como as oportunidades se criam. O Ken e a Sue, um casal nos seus cinquentas, deixaram os filhos e decidiram viver em Portugal, onde iniciam de novo a vida ao criar um negócio de aluguer de casas a turistas, numa aldeia perdida lá nas montanhas de Águeda. E com sucesso, pois a casa ainda não está pronta e está alugada quase o verão todo. Só no mercado internacional.
Como vêm o meu sonho até tem viabilidade. Querem ser investidores?
Isto tudo para vos contar uma história que se passou há cerca de um ano e meio e que fez com que conhecesse o Ken e a Sue, um casal de ingleses que um dia se encantaram como o nosso país e com a simplicidade de viver numa casa perdida no meio da montanha, no sítio que, para nós, parece o menos provável possível.
Em Julho de 2002, à entrada da manga de acesso para o avião da TAP que me iria trazer de Heathrow para o Porto, enquanto esperava que o tipo do altifalante chamasse a minha fila, apareceu um bando de gente extravagante e bonita. Eram os Lamb, que vinham actuar ao Festival de Vilar de Mouros, nesse fim-de-semana.
A Louise Rhodes é uma mulher mesmo muito bonita e simpática. Vista à distância, num concerto, parece um anjo com voz de demónio. Porém, ao perto é um ser verdadeiramente angélico. Sim, porque eu fui pedir-lhes um autografo, a ela e ao Andy Barlow, que ainda hoje guardo no cartão de embarque. E claro que falámos da célebre passagem deles pelo festival de Paredes de Coura em 1999, em que o Andy decidiu pegar-se à pancada com os roadies dos Suede.
Voltando ao meu lugar de espera pelo embarque, perguntei a um casal de ingleses que ali estavam se já tinham chamado a minha fila (sim, em Heathrow às vezes chamam por filas) e o tipo, de cara de brincalhão, típico inglês, disse com ar de gozo que apenas chamaram as crianças, porque elas eram as primeiras a saltar em caso de acidente. Foi o começo de uma amizade que ainda hoje persiste.
Eles não eram do tipo calado e eu, como viajante só, estava com vontade de falar com pessoas, de outras coisas que não fosse trabalho, uma vez que era por isso que ali me encontrava. A conversa começou com o normal “De onde és?” ao que respondi “De Portugal”... Eles riram-se porque pelos vistos, se era evidente que eles eram ingleses, eu também não deixava dúvidas de que era português. Mas, quando disse que era de Aveiro a surpresa ainda foi maior, pois eles iam precisamente para a região, onde estavam a tratar de construir uma casa.
Eles estavam fascinados com Portugal e sobretudo com o lugar onde iam construir a casa, de seu nome Alombada. Chegaram-me a dizer “I Love Angeja”, que para mim ultrapassava todos os limites do fascínio, pois Angeja é possivelmente a aldeia mais sem graça possível do concelho de Albergaria-a-Velha, ali mesmo ao lado do IP5, esmagada entre o Vouga e a montanha. Aliás a conversa nasceu precisamente porque a única coisa que Angeja tem de interessante é o melhor tasco de Leitão do país, batendo aos pontos qualquer outro que conheçam. Imaginem uma verdadeira tasca, cujo dono assa leitão e que fica precisamente a meio da normal volta de BTT. (Apontem Casa dos Leitões 234 911 259)
Mas, voltando ao Ken e à Sue. Desde essa altura já nos encontrámos em Reading por duas vezes, uma vez que eles viviam em Basingstoke (a apenas 30km) e desde à quatro meses que vivem na Alombada. Ah! Esqueci-me de vos contar que Alombada é um lugarejo com meia dúzia de casas, no meio de um eucaliptal e cujo nome deve ter evoluído do facto de que a subida para lá chegar é mesmo íngreme e que dava cabo do lombo, de qualquer um, lá chegar. A mim doeu-me, quando lá passei de BTT há uns anos e quando a estrada ainda não era alcatroada. Ainda hoje entre os praticantes de BTT da altura, se fala do cruzeiro que tem no cimo da subida e que nos fazia pensar que tínhamos chegado ao purgatório, tal era a dificuldade da subida.
Ontem fomos jantar lá a casa um belo de um caril (o prato mais tradicional inglês nos dias de hoje) e beber um vinho novo de uva americana, uma coisa que já não se vê em qualquer lado. Aliás a Sue pensou, da última vez que lá estivemos, que não tínhamos gostado do vinho, tal foi a nossa surpresa quando o provámos. Já não bebia um néctar daqueles desde os meus tempos de miúdo.
Como vêm coisas simples como uma conversa no corredor de embarque à entrada de um avião, onde estão centenas de pessoas, no aeroporto mais movimentado da Europa, pode resultar em coisas agradáveis como uma amizade. Isto tudo para voltar a falar em mudanças de vida e em como as oportunidades se criam. O Ken e a Sue, um casal nos seus cinquentas, deixaram os filhos e decidiram viver em Portugal, onde iniciam de novo a vida ao criar um negócio de aluguer de casas a turistas, numa aldeia perdida lá nas montanhas de Águeda. E com sucesso, pois a casa ainda não está pronta e está alugada quase o verão todo. Só no mercado internacional.
Como vêm o meu sonho até tem viabilidade. Querem ser investidores?
sexta-feira, março 26, 2004
Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses!
Segunda (ou domingo) eu volto. Leiam a entrevista à Filipa no Independente...
E bom fim-de-semana!
E bom fim-de-semana!
É preciso mudar para que tudo se mantenha!
Mas, esta semana houve mais novidades aqui no emprego.
Hoje foi anunciada uma nova estrutura de gestão dos trabalhos em que no fundo, e como diz o meu chefe, “se baralhou e voltou a dar” e bem espremidinho pouco ou nada muda. Deram-se nomes novos aos cargos, anularam-se uns e criaram-se outros, mas...
Hoje foi anunciada uma nova estrutura de gestão dos trabalhos em que no fundo, e como diz o meu chefe, “se baralhou e voltou a dar” e bem espremidinho pouco ou nada muda. Deram-se nomes novos aos cargos, anularam-se uns e criaram-se outros, mas...
A mudança mais uma vez
Quarta, quando aqui cheguei (lembram-se que estive em formação segunda e terça?) tinha um e-mail (de segunda) a anunciar que um colega inglês que sofria de uma doença de seu nome Gender Identity Dysphoria (GID), se ia embora, hoje, de férias com o nome de Keith e que voltaria daqui a um mês, mas já com o nome e aspecto de Kate. O director dos recursos humanos da organização na Europa pedia a compreensão de todos para o difícil processo de mudança que o Keith/Kate iria passar.
Logo de seguida, o/a Keith/Kate dizia que durante anos negou a sua condição, que acima de tudo era apenas uma discordância entre o interior e exterior dele/a. Aparentemente, e segundo ele/a a única solução para a doença era a mudança do aspecto exterior.
Claro, que em Portugal, a única solução era a mudança do aspecto interior e se assim não fosse a mensagem do director de recursos humanos era algo como “O nosso colega vai-se embora hoje e nunca mais volta” ou “O maricas do Keith a partir de hoje deixa de trabalhar para a empresa na condição de engenheiro e voltará daqui a um mês como empregada da limpeza com o nome de Kate. Agradeço a vossa compreensão e não lhe cuspam.”
Cada um tem o país que merece e mais uma vez a mudança não encaixa neste.
Logo de seguida, o/a Keith/Kate dizia que durante anos negou a sua condição, que acima de tudo era apenas uma discordância entre o interior e exterior dele/a. Aparentemente, e segundo ele/a a única solução para a doença era a mudança do aspecto exterior.
Claro, que em Portugal, a única solução era a mudança do aspecto interior e se assim não fosse a mensagem do director de recursos humanos era algo como “O nosso colega vai-se embora hoje e nunca mais volta” ou “O maricas do Keith a partir de hoje deixa de trabalhar para a empresa na condição de engenheiro e voltará daqui a um mês como empregada da limpeza com o nome de Kate. Agradeço a vossa compreensão e não lhe cuspam.”
Cada um tem o país que merece e mais uma vez a mudança não encaixa neste.
terça-feira, março 23, 2004
Quedas fortes!
A semana passada caí a fazer o Sirsasana (para quem não sabe é aquela posição de Yoga de cabeça para baixo) e dei cabo do indicador da mão esquerda. Nada de grave, não fosse o dedo ter ficado negro e com o dobro do tamanho normal. Mas não me impediu de fazer os tais 22km de Vaynessa no fim-de-semana. Estava tão bem que me esqueci completamente que o dedo estava naquele estado.
Tudo isto para dizer que às vezes quando julgamos que já somos bons em algo é quando caímos mais depressa. É uma coisa que já aprendi há algum tempo ao andar de bicicleta. A maioria das quedas acontecem nas partes em que estamos mais relaxados e onde o perigo é menor, tudo porque achamos que não há perigo.
O mesmo acontece na vida profissional. É por isso que não me canso de tentar aprender coisas novas e de procurar sempre fontes de conhecimento. A tecnologia está a andar depressa demais para quem está sentado no sofá. Há muita gente que não pensa da mesma maneira e surpreende-me que algumas pessoas na empresa onde trabalho, não procurem adquirir conhecimentos na área onde trabalham, porque toda a vida foram engenheiros. Surpreende-me que nos dias de hoje oiça coisas como “Eu nem concordo com este tipo de formação” ou “Eu tenho formação! Ainda há pouco tive uma formação de dois dias sobre isso”.
Eu não digo que todos os gestores tenham que ter um MBA ou que todos os engenheiros tenham um mestrado ou doutoramento (eu não tenho, ainda) mas não compreendo que haja pessoas que não compreendam que podem estar errados e que não procurem saber mais sobre a área onde trabalham. Aliás quando afinal vão a formações de dois dias e vêem todos excitados com o que aprenderam.
Há dias no Expresso saiu um artigo de opinião que dizia precisamente que o mal dos gestores em Portugal era a falta de formação e que muitos deles chegavam a esse cargo porque tinham algum carisma ou eram bons líderes, e uma vez lá não procuravam evoluir. E quando se chega a gestor sem nenhuma dessas qualidades?
Bem, isto faz-me lembrar uma frase que o Miguel me mandou no domingo via SMS e que dizia “Os obstáculos do caminho dos fracos são as pedras que pavimentam o caminho dos fortes” de Thomas Carlyle. (Suponho que deve ter lido uma das minhas lamuriantes crónicas que aqui escrevi. Obrigado, Miguel!)
E se os fracos nem sequer encontram obstáculos? Quem é que os vai derrubar?
Eu acabei hoje mais uma formação de UML (não interessa) em que aprendi coisas de que não estava à espera e estou feliz... Como diz a Cláudia é preciso “não deixar passar o tempo”.
Bem! Na verdade não estou muito feliz porque amanhã volto ao trabalho normal...
Tudo isto para dizer que às vezes quando julgamos que já somos bons em algo é quando caímos mais depressa. É uma coisa que já aprendi há algum tempo ao andar de bicicleta. A maioria das quedas acontecem nas partes em que estamos mais relaxados e onde o perigo é menor, tudo porque achamos que não há perigo.
O mesmo acontece na vida profissional. É por isso que não me canso de tentar aprender coisas novas e de procurar sempre fontes de conhecimento. A tecnologia está a andar depressa demais para quem está sentado no sofá. Há muita gente que não pensa da mesma maneira e surpreende-me que algumas pessoas na empresa onde trabalho, não procurem adquirir conhecimentos na área onde trabalham, porque toda a vida foram engenheiros. Surpreende-me que nos dias de hoje oiça coisas como “Eu nem concordo com este tipo de formação” ou “Eu tenho formação! Ainda há pouco tive uma formação de dois dias sobre isso”.
Eu não digo que todos os gestores tenham que ter um MBA ou que todos os engenheiros tenham um mestrado ou doutoramento (eu não tenho, ainda) mas não compreendo que haja pessoas que não compreendam que podem estar errados e que não procurem saber mais sobre a área onde trabalham. Aliás quando afinal vão a formações de dois dias e vêem todos excitados com o que aprenderam.
Há dias no Expresso saiu um artigo de opinião que dizia precisamente que o mal dos gestores em Portugal era a falta de formação e que muitos deles chegavam a esse cargo porque tinham algum carisma ou eram bons líderes, e uma vez lá não procuravam evoluir. E quando se chega a gestor sem nenhuma dessas qualidades?
Bem, isto faz-me lembrar uma frase que o Miguel me mandou no domingo via SMS e que dizia “Os obstáculos do caminho dos fracos são as pedras que pavimentam o caminho dos fortes” de Thomas Carlyle. (Suponho que deve ter lido uma das minhas lamuriantes crónicas que aqui escrevi. Obrigado, Miguel!)
E se os fracos nem sequer encontram obstáculos? Quem é que os vai derrubar?
Eu acabei hoje mais uma formação de UML (não interessa) em que aprendi coisas de que não estava à espera e estou feliz... Como diz a Cláudia é preciso “não deixar passar o tempo”.
Bem! Na verdade não estou muito feliz porque amanhã volto ao trabalho normal...
segunda-feira, março 22, 2004
Tempo
Passamos a vida a queixar-nos que não temos tempo para nada! E depois há gajos como o Rui que têm tempo para escrever crónicas, gerir sites, fotografia, bricolage(!), etc, etc... E eu, que vivo com o gajo, pasmo!
Ontem chegámos tarde e cansados. Eu comi qualquer coisa, vi um bocado de tv, preparei as coisas para hoje ir trabalhar e cama! Agora chego a casa e vejo um post a relatar o fds, escrito ontem à noite! Definitivamente tenho que rever as minhas prioridades. E não deixar passar o tempo.
Ontem chegámos tarde e cansados. Eu comi qualquer coisa, vi um bocado de tv, preparei as coisas para hoje ir trabalhar e cama! Agora chego a casa e vejo um post a relatar o fds, escrito ontem à noite! Definitivamente tenho que rever as minhas prioridades. E não deixar passar o tempo.
domingo, março 21, 2004
Amigos são para sempre
Estou a acabar de chegar de um fim-de-semana fora. O primeiro (sem contar uma ida a Foz Côa e os normais fins de semana de visita aos pais) desde a passagem-de-ano que saímos de casa. Há três meses que não gastávamos dinheiro em saídas de fim-de-semana, jantares e passeios com os amigos. Há três meses que não me divertia tanto. Obrigado Anésio, Geni, Joana e Armando. E Cláudia, claro.
Fomos para Caminha. Mais precisamente para a Mata do Camarido. Uma mancha de pinheiros entre Caminha e Moledo, ali na foz do Rio Minho, mesmo deste lado da Galiza. Um sítio muito sossegado, por sinal mesmo ao lado de onde passámos a passagem-de-ano (Cristelo).
O fim-de-semana começou com um queijo de dieta e umas garrafas de Quinta da Ervideira (para balancear). E acabou com um fino no bar do Che Guevara em Ponte de Lima. Pelo meio ainda houve tempo para um chouriço assado em bagaço no cimo da Serra da Agra (Agra de Baixo), ficaram 15km de subida em BTT (num total de 22km que fizemos no sábado e que ainda me fazem doer as pernas, mas que me enchem os pulmões), muitos tremoços e muita boa disposição. Ah! Os tremoços comeu-os todos a Joana, que tem dois aninhos mas que já sabe o que é estar numa esplanada ao pôr-do-sol.
O que me soube melhor do fim-de-semana foi a volta de BTT. Há quase um ano que não andava assim... Ou mais! Acho que a última vez foi no Gerês que subimos às minas das Sombras em Espanha e acabámos a descer das minas dos Carris já em Portugal, num misto de BTT e rafting tal era a quantidade de chuva que caia e que não nos deixava ver as pedras do caminho. Mas voltemos à volta de sábado. Começámos a subir ao miradouro de Perrinchão (acho que se chama assim) em Moledo e daí subimos ao marco geodésico (para quem não sabe são aquelas coisas que os militares põem no cimo dos montes para se orientarem). A vista era fantástica, sobre Moledo e até Afife do lado sul e Santa Tecla do lado norte.
Aí decidimos delinear um caminho e ao longe vimos uma antena muito longe, mesmo muito longe. O Armando (que anda doido com a sua nova GT e a gostar de andar de bicla como nunca lhe vi) gritou logo “Eu às antenas não vou”. Passámos por elas algum tempo depois já depois de termos cruzado por alguns trilhos espectaculares e na derradeira subida a caminho do Santo Antão, sobre Caminha.
Acima de tudo foi o prazer de subir (parece de doidos, mas é verdade) que me agradou na volta. As vistas eram tão bonitas que apetecia sempre subir mais alto para se poder apreciar melhor. E em termos da própria confiança em mim, foi óptimo ver que ainda consigo subir bem na minha Vaynessa e ver que ainda me divirto a fazer coisas simples como andar de bicicleta com os meus amigos numa bela tarde de sol. Porém a confiança de outros tempos nas descidas ainda precisa de algum limar de arestas. Espero que a gana do Armando nos faça andar mais vezes, a mim e ao Anésio.
Ah! Depois de descer e de beber um copo numa esplanada (com tremoços) ainda fomos (agora de jipe) até ao Pincho, uma queda de água lá para os lados de Amonde. Mas apesar de já ser Primavera, ainda não está a temperatura certa para o mergulho. Lembrem-se de lá ir mais perto do Verão. Eu vou ver se não perco a oportunidade.
Foi bom, assim como foi bom chegar e receber uma mensagem do outro lado do mundo, do meu amigo Jesse a mandar um abraço e contar-me que está apaixonado e que pôs piercings nos mamilos, como a namorada. Apetece-me sair a correr fazer a tatuagem que há uns tempos sonho em fazer. Está na altura limite de ser feita porque mais tarde começa a ser complicado para estar na praia no Verão sem a proteger. Pode ser que seja em breve... Depois eu mostro!
Mas além do Jesse também o Luca (Veneza) me escreveu. É bom saber que apesar de estarmos longe não nos esquecemos dos amigos... E mesmo quando passamos meses sem sair de casa e sem ver os amigos, estes continua a sê-los. E é bom partilhar isto num mail, numa volta de bicicleta ou à volta de um pires de tremoços.
Fomos para Caminha. Mais precisamente para a Mata do Camarido. Uma mancha de pinheiros entre Caminha e Moledo, ali na foz do Rio Minho, mesmo deste lado da Galiza. Um sítio muito sossegado, por sinal mesmo ao lado de onde passámos a passagem-de-ano (Cristelo).
O fim-de-semana começou com um queijo de dieta e umas garrafas de Quinta da Ervideira (para balancear). E acabou com um fino no bar do Che Guevara em Ponte de Lima. Pelo meio ainda houve tempo para um chouriço assado em bagaço no cimo da Serra da Agra (Agra de Baixo), ficaram 15km de subida em BTT (num total de 22km que fizemos no sábado e que ainda me fazem doer as pernas, mas que me enchem os pulmões), muitos tremoços e muita boa disposição. Ah! Os tremoços comeu-os todos a Joana, que tem dois aninhos mas que já sabe o que é estar numa esplanada ao pôr-do-sol.
O que me soube melhor do fim-de-semana foi a volta de BTT. Há quase um ano que não andava assim... Ou mais! Acho que a última vez foi no Gerês que subimos às minas das Sombras em Espanha e acabámos a descer das minas dos Carris já em Portugal, num misto de BTT e rafting tal era a quantidade de chuva que caia e que não nos deixava ver as pedras do caminho. Mas voltemos à volta de sábado. Começámos a subir ao miradouro de Perrinchão (acho que se chama assim) em Moledo e daí subimos ao marco geodésico (para quem não sabe são aquelas coisas que os militares põem no cimo dos montes para se orientarem). A vista era fantástica, sobre Moledo e até Afife do lado sul e Santa Tecla do lado norte.
Aí decidimos delinear um caminho e ao longe vimos uma antena muito longe, mesmo muito longe. O Armando (que anda doido com a sua nova GT e a gostar de andar de bicla como nunca lhe vi) gritou logo “Eu às antenas não vou”. Passámos por elas algum tempo depois já depois de termos cruzado por alguns trilhos espectaculares e na derradeira subida a caminho do Santo Antão, sobre Caminha.
Acima de tudo foi o prazer de subir (parece de doidos, mas é verdade) que me agradou na volta. As vistas eram tão bonitas que apetecia sempre subir mais alto para se poder apreciar melhor. E em termos da própria confiança em mim, foi óptimo ver que ainda consigo subir bem na minha Vaynessa e ver que ainda me divirto a fazer coisas simples como andar de bicicleta com os meus amigos numa bela tarde de sol. Porém a confiança de outros tempos nas descidas ainda precisa de algum limar de arestas. Espero que a gana do Armando nos faça andar mais vezes, a mim e ao Anésio.
Ah! Depois de descer e de beber um copo numa esplanada (com tremoços) ainda fomos (agora de jipe) até ao Pincho, uma queda de água lá para os lados de Amonde. Mas apesar de já ser Primavera, ainda não está a temperatura certa para o mergulho. Lembrem-se de lá ir mais perto do Verão. Eu vou ver se não perco a oportunidade.
Foi bom, assim como foi bom chegar e receber uma mensagem do outro lado do mundo, do meu amigo Jesse a mandar um abraço e contar-me que está apaixonado e que pôs piercings nos mamilos, como a namorada. Apetece-me sair a correr fazer a tatuagem que há uns tempos sonho em fazer. Está na altura limite de ser feita porque mais tarde começa a ser complicado para estar na praia no Verão sem a proteger. Pode ser que seja em breve... Depois eu mostro!
Mas além do Jesse também o Luca (Veneza) me escreveu. É bom saber que apesar de estarmos longe não nos esquecemos dos amigos... E mesmo quando passamos meses sem sair de casa e sem ver os amigos, estes continua a sê-los. E é bom partilhar isto num mail, numa volta de bicicleta ou à volta de um pires de tremoços.
sexta-feira, março 19, 2004
It's just a thought, only a thought!
I haven't ever really found a place that I call home
I never stick around quite long enough to make it
I apologize that once again I'm not in love
But it's not as if I mind that your heart ain't exactly breaking
It's just a thought, only a thought
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
I've always thought that I would love to live by the sea
To travel the world alone and live more simply
I have no idea what's happened to that ship
Cos there's really nothing left here to stop me
It's just a thought, only a thought
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
While my heart is a shield and I won't let it down
While I am so afraid to fail so I won't even try
Well how can I say I'm alive
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
Nothing I have is truly mine,
Nothing I have is truly mine,
Nothing I have is truly mine.
"Life For Rent" - Dido
Bom fim de semana!
I never stick around quite long enough to make it
I apologize that once again I'm not in love
But it's not as if I mind that your heart ain't exactly breaking
It's just a thought, only a thought
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
I've always thought that I would love to live by the sea
To travel the world alone and live more simply
I have no idea what's happened to that ship
Cos there's really nothing left here to stop me
It's just a thought, only a thought
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
While my heart is a shield and I won't let it down
While I am so afraid to fail so I won't even try
Well how can I say I'm alive
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
But if my life is for rent and I don't learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine
Nothing I have is truly mine,
Nothing I have is truly mine,
Nothing I have is truly mine.
"Life For Rent" - Dido
Bom fim de semana!
quinta-feira, março 18, 2004
Não há criatividade!
Por falar em ser diferente ou ser visto como freak, hoje tenho a visita de uns colegas de trabalho ingleses e portanto vesti uma camisa “diferente”. Já ouvi coisas típicas destes engenheiros cinzentos como: “Não havia lá para homem”, “Essa camisa no trabalho da minha mãe era recusada e enviada de novo para a produção”, “Que camisa gay” e “Que linda camisa".
Além disso resolvi recomeçar a usar os óculos. Há uns tempos deixei de os usar porque me davam dor de cabeça (e não mudou), mas queria ver se o problema era meu ou dos óculos. Pelos vistos tenho que ir ao oftalmologista, mas o problema não é esse é mesmo o modo como sou olhado... Não se pode mudar nada neste país que se é logo visto como freak.
É por isso que não evoluímos, não há espaço para a individualidade e diversidade e isso faz com que não haja criatividade.
Além disso resolvi recomeçar a usar os óculos. Há uns tempos deixei de os usar porque me davam dor de cabeça (e não mudou), mas queria ver se o problema era meu ou dos óculos. Pelos vistos tenho que ir ao oftalmologista, mas o problema não é esse é mesmo o modo como sou olhado... Não se pode mudar nada neste país que se é logo visto como freak.
É por isso que não evoluímos, não há espaço para a individualidade e diversidade e isso faz com que não haja criatividade.
quarta-feira, março 17, 2004
O freak que eu sou...
No outro dia falei de pessoas que perseguem os seus sonhos e que mudam a sua vida à procura de os realizar. Como reacção recebi algumas mensagens de pessoas que partilham da mesma opinião e que elas próprias fizeram-no no passado ou pensam fazê-lo no futuro.
Como o Mário que me escreveu: “Identifico-me com a grande parte das coisas que dizes... Porém garanto-te que o tempo passa e cada vez mais é difícil mudar de rumo... é a inércia própria da vida. Porém concordo que nunca é tarde. E porque o sonho comanda a vida, não te dou muito tempo para ires para Foz Côa.” Ou o Frederico que me telefonou para dizer que o sonho dele é escrever um livro fechado numa casa do interior. Apesar de quase toda a sua vida profissional ter sido levada a cabo fora deste país (Dinamarca, Noruega e Inglaterra) o seu sonho é voltar e ter um canto qualquer, como todo o emigrante.
Mas, há mais pessoas das quais não falei e de quem recebo exemplos todos os dias, como a Cristina, a minha professora de Yoga, que decidiu arriscar e construir o seu próprio espaço de prática cá em Aveiro, investindo muito dinheiro e acima de tudo muito tempo e suor, perseguindo um sonho (quando quiserem experimentar peçam o endereço... Vale a pena!). Tenho também o exemplo do Miguel que começou a vida investindo 1000 contos (ganhos a dar aulas em Torre de Moncorvo) numa loja de computadores que hoje é a que tem maior volume de negócio em Portugal (Chip7). Ou o Pitta que como não tinha companheiros foi para a América-latina sozinho e voltou cheio de recordações inesquecíveis.
Claro que tudo isto tem custos e no final de contas todos sonhamos com a tal casa no interior porque sonhamos com a segurança e a estabilidade. E realizar algumas destas empresas (no sentido de aventura) é precisamente saltar para o imprevisto, por mais que se pense bem nos prós e contras. Além disso, por pouco que seja é sempre preciso algum dinheiro. Ou não, dirão alguns... Pode-se sempre pedir emprestado!
Mas voltemos aos meus sonhos, porque afinal de contas eu é que criei o blog. Outro sonho é aprender mais sobre vinhos e sobretudo aprender a fazê-los. E claro, que para além de ter umas ovelhas e fazer queijo, posso sempre ter um terreno com uva e fazer vinho. Mas ainda não tenho nem o terreno e nem o know-how... (Tenho que pedir umas lições à Filipa.) Mas isto tudo porque há quem tenha dinheiro e esteja interessado em investir na produção de vinho no Douro. E eu posso ajudar, mas não a fazer vinho... Por enquanto!
Isto tudo leva-me a pensar qual é o sonho que persigo no meu trabalho actual. Tenho sérias dúvidas que os meus sonhos coincidam com os sonhos dos meus pares e acima de tudo com os dos gestores da empresa. Às vezes tenho a sensação que sou um freak e que à minha volta não encontro muitos que pensem como eu.
Senão vejamos: Não ligo a futebol; não jogo futebol, nem basquete; não compro revistas de carros e nem sei quantas rotações dá o meu jipe; pratico Yoga; venho para o trabalho de bicicleta ou a pé; não visto pullover, nem sapato de sola; tenho o cabelo comprido; tenho e gosto de tatuagens; bebo 2 litros de água por dia; leio o jornal; leio banda desenhada; oiço muita música; compro móveis no IKEA; viajo (quando posso) e de preferência para longe; só fui 2 vezes ao Algarve; faço nudismo; tenho hobbies como a fotografia ou o BTT; consigo escrever uma frase sem ter 10% de erros de português; e sei lá que mais posso dizer de diferente... E faço o mesmo trabalho que os outros, mas às vezes custa ter assunto para alguns! (quem ler a lista acima pensa mesmo que sou um freak.)
Mas o que vai mudar se eu mudar de emprego? Na área onde trabalho é assim... Já viram um engenheiro que passe horas a fio em frente a um computador e que seja normal? (isto são generalizações, claro!)
No entanto o melhor de tudo é que hoje tenho aula de japonês! Se trabalhasse em Inglaterra se calhar estava a aprender indiano ou paquistanês...
Como o Mário que me escreveu: “Identifico-me com a grande parte das coisas que dizes... Porém garanto-te que o tempo passa e cada vez mais é difícil mudar de rumo... é a inércia própria da vida. Porém concordo que nunca é tarde. E porque o sonho comanda a vida, não te dou muito tempo para ires para Foz Côa.” Ou o Frederico que me telefonou para dizer que o sonho dele é escrever um livro fechado numa casa do interior. Apesar de quase toda a sua vida profissional ter sido levada a cabo fora deste país (Dinamarca, Noruega e Inglaterra) o seu sonho é voltar e ter um canto qualquer, como todo o emigrante.
Mas, há mais pessoas das quais não falei e de quem recebo exemplos todos os dias, como a Cristina, a minha professora de Yoga, que decidiu arriscar e construir o seu próprio espaço de prática cá em Aveiro, investindo muito dinheiro e acima de tudo muito tempo e suor, perseguindo um sonho (quando quiserem experimentar peçam o endereço... Vale a pena!). Tenho também o exemplo do Miguel que começou a vida investindo 1000 contos (ganhos a dar aulas em Torre de Moncorvo) numa loja de computadores que hoje é a que tem maior volume de negócio em Portugal (Chip7). Ou o Pitta que como não tinha companheiros foi para a América-latina sozinho e voltou cheio de recordações inesquecíveis.
Claro que tudo isto tem custos e no final de contas todos sonhamos com a tal casa no interior porque sonhamos com a segurança e a estabilidade. E realizar algumas destas empresas (no sentido de aventura) é precisamente saltar para o imprevisto, por mais que se pense bem nos prós e contras. Além disso, por pouco que seja é sempre preciso algum dinheiro. Ou não, dirão alguns... Pode-se sempre pedir emprestado!
Mas voltemos aos meus sonhos, porque afinal de contas eu é que criei o blog. Outro sonho é aprender mais sobre vinhos e sobretudo aprender a fazê-los. E claro, que para além de ter umas ovelhas e fazer queijo, posso sempre ter um terreno com uva e fazer vinho. Mas ainda não tenho nem o terreno e nem o know-how... (Tenho que pedir umas lições à Filipa.) Mas isto tudo porque há quem tenha dinheiro e esteja interessado em investir na produção de vinho no Douro. E eu posso ajudar, mas não a fazer vinho... Por enquanto!
Isto tudo leva-me a pensar qual é o sonho que persigo no meu trabalho actual. Tenho sérias dúvidas que os meus sonhos coincidam com os sonhos dos meus pares e acima de tudo com os dos gestores da empresa. Às vezes tenho a sensação que sou um freak e que à minha volta não encontro muitos que pensem como eu.
Senão vejamos: Não ligo a futebol; não jogo futebol, nem basquete; não compro revistas de carros e nem sei quantas rotações dá o meu jipe; pratico Yoga; venho para o trabalho de bicicleta ou a pé; não visto pullover, nem sapato de sola; tenho o cabelo comprido; tenho e gosto de tatuagens; bebo 2 litros de água por dia; leio o jornal; leio banda desenhada; oiço muita música; compro móveis no IKEA; viajo (quando posso) e de preferência para longe; só fui 2 vezes ao Algarve; faço nudismo; tenho hobbies como a fotografia ou o BTT; consigo escrever uma frase sem ter 10% de erros de português; e sei lá que mais posso dizer de diferente... E faço o mesmo trabalho que os outros, mas às vezes custa ter assunto para alguns! (quem ler a lista acima pensa mesmo que sou um freak.)
Mas o que vai mudar se eu mudar de emprego? Na área onde trabalho é assim... Já viram um engenheiro que passe horas a fio em frente a um computador e que seja normal? (isto são generalizações, claro!)
No entanto o melhor de tudo é que hoje tenho aula de japonês! Se trabalhasse em Inglaterra se calhar estava a aprender indiano ou paquistanês...
segunda-feira, março 15, 2004
Problemas de template...
Desculpem! Pelos vistos o blog passou-se um pouco por causa da falta de umas aspas no template! Lindo!
Já tá arranjado! Obrigado Frederico e João pelas dicas!
Já tá arranjado! Obrigado Frederico e João pelas dicas!
domingo, março 14, 2004
O tempo passa depressa...
Há 4 anos estava entediado com o meu trabalho na EAI na Califórnia. Hoje continuo sem saber se a culpa é minha e sou como a Dido canta em "Life for Rent" - "I haven't ever really found a place that I call home, I never stick around quite long enough to make it" ou sou como cantava o António Variações quando dizia "Só estou bem onde não estou, só quero ir onde não vou" ou se na verdade é só uma questão de falta de oportunidade para mostrar o que realmente penso que valho e por isso mudo-me.
Há 2 anos e meio comecei a trabalhar na NEC em Aveiro. O que é que mudou neste tempo? Serei eu que sou acelerado ou... Desta vez tomei a decisão que iria ficar mais tempo. Normalmente quando saio de uma empresa, julgo que o meu tempo ali acabou, mas depois venho a perceber que se calhar podia ter continuado mais um tempo. Há sempre coisas a aprender, mas também há limites...
Há uma semana um colega despediu-se. Chateou-se de vez com a história e num mês mudou de emprego e de vida. Arranjou emprego em Inglaterra e vai mudar a sua vida. Isto faz-me pensar que afinal ainda há quem tenha coragem de mudar completamente de vida. Seria eu capaz de repeti-lo, como o fiz em 1999? De certeza!
Há 2 anos e meio ocorria um atentado terrorista em Nova York que mudou para sempre aquela cidade e a humanidade. Esta semana foi aqui ao lado. E estes atentados fazem-me pensar até que ponto vale a pena tentar a nossa sorte noutro país desenvolvido quando aqui no nosso canto ninguém nos incomoda. Mas por outro lado, até que ponto não seremos afectados desta vez? Esperemos que não...
Na mesma altura, que o Parente, a Nadeine, a gestora do meu actual projecto do lado da Inglaterra, também se despediu. Ela desistiu da vida comercial para se dedicar a um sonho de ajudar crianças órfãs e necessitadas à volta do globo. Ofereceu-se como voluntária e parte em abril numa aventura de 18 meses por diversos países (Perú, Islândia e outros) onde vai trabalhar em orfanatos. Isto sim é mudar completamente de vida e perseguir os seus sonhos. Que sonho tenho eu para perseguir?
Há um ano tinha chegado há pouco de São Tomé. A felicidade daquela gente, que não tem acesso a nada, colocou-me o dilema de saber até que ponto já somos nós dependentes das facilidades da vida moderna e até que ponto isso nos retirou a alegria de viver as coisas simples. Voltamos à velha história de que gostaria de ter nascido pastor e nem sequer saber o que é um cinema. É um sonho!
Mas, o meu maior sonho é deixar a civilização e fechar-me numa aldeia perto de Foz Côa (com acesso à Internet, para vos manter actualizados). Ter umas casas para alugar a turistas, um restaurante com petiscos e organizar passeios pelos cantos escondidos deste belo país (a pé, de canoa, de bicicleta e de jipe). Se calhar até ter um rebanho de ovelhas e fazer queijo.
Há 10 anos eu e a Cláudia começávamos a namorar, num concerto dos La Frontera, nas vêsperas de mais uma semana académica. Todos os meus sonhos são para serem partilhados com ela. Aliás ela até podia dar umas aulas de Yoga aos turistas, se no entretanto se realizar outro dos nossos sonhos... Mas que vou deixar para mais tarde para vos contar.
Há uma hora que estou aqui a escrever...
Há 2 anos e meio comecei a trabalhar na NEC em Aveiro. O que é que mudou neste tempo? Serei eu que sou acelerado ou... Desta vez tomei a decisão que iria ficar mais tempo. Normalmente quando saio de uma empresa, julgo que o meu tempo ali acabou, mas depois venho a perceber que se calhar podia ter continuado mais um tempo. Há sempre coisas a aprender, mas também há limites...
Há uma semana um colega despediu-se. Chateou-se de vez com a história e num mês mudou de emprego e de vida. Arranjou emprego em Inglaterra e vai mudar a sua vida. Isto faz-me pensar que afinal ainda há quem tenha coragem de mudar completamente de vida. Seria eu capaz de repeti-lo, como o fiz em 1999? De certeza!
Há 2 anos e meio ocorria um atentado terrorista em Nova York que mudou para sempre aquela cidade e a humanidade. Esta semana foi aqui ao lado. E estes atentados fazem-me pensar até que ponto vale a pena tentar a nossa sorte noutro país desenvolvido quando aqui no nosso canto ninguém nos incomoda. Mas por outro lado, até que ponto não seremos afectados desta vez? Esperemos que não...
Na mesma altura, que o Parente, a Nadeine, a gestora do meu actual projecto do lado da Inglaterra, também se despediu. Ela desistiu da vida comercial para se dedicar a um sonho de ajudar crianças órfãs e necessitadas à volta do globo. Ofereceu-se como voluntária e parte em abril numa aventura de 18 meses por diversos países (Perú, Islândia e outros) onde vai trabalhar em orfanatos. Isto sim é mudar completamente de vida e perseguir os seus sonhos. Que sonho tenho eu para perseguir?
Há um ano tinha chegado há pouco de São Tomé. A felicidade daquela gente, que não tem acesso a nada, colocou-me o dilema de saber até que ponto já somos nós dependentes das facilidades da vida moderna e até que ponto isso nos retirou a alegria de viver as coisas simples. Voltamos à velha história de que gostaria de ter nascido pastor e nem sequer saber o que é um cinema. É um sonho!
Mas, o meu maior sonho é deixar a civilização e fechar-me numa aldeia perto de Foz Côa (com acesso à Internet, para vos manter actualizados). Ter umas casas para alugar a turistas, um restaurante com petiscos e organizar passeios pelos cantos escondidos deste belo país (a pé, de canoa, de bicicleta e de jipe). Se calhar até ter um rebanho de ovelhas e fazer queijo.
Há 10 anos eu e a Cláudia começávamos a namorar, num concerto dos La Frontera, nas vêsperas de mais uma semana académica. Todos os meus sonhos são para serem partilhados com ela. Aliás ela até podia dar umas aulas de Yoga aos turistas, se no entretanto se realizar outro dos nossos sonhos... Mas que vou deixar para mais tarde para vos contar.
Há uma hora que estou aqui a escrever...
segunda-feira, março 08, 2004
Está quase
O template está feito. Acho eu... Agora queria actualizar a página, mas desde que fui ao Japão (Dez 2003) que tenho tudo preparado e nunca tenho vontade e tempo. Não sei se vai ser hoje, esta semana ou mesmo este mês!
Eu aviso...
Eu aviso...
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